Cinco semanas antes
Flora se martelou a semana toda até tomar a sua decisão final. A loja que criara com o seu marido estava sendo um sucesso, e ela o apoiava em tudo. Para o ajudar em uma nova fase, viu que, a melhor opção no momento era mandar o seu filho para a casa de seus pais por um pequeno período de tempo.
Ela nunca fora uma péssima mãe. Sempre atendendo as necessidades do filho e de seu marido, cuidando com amor e carinho, e dando todo suporte necessário para ambos os homens, mas por outro lado, ela sabia que não teria como ajudar mais, cuidando de uma criança, e com dor no peito e uma decisão difícil, a única opção encontrada foi mandar o filho de ambos para a casa de seus pais há dois quilômetros de sua casa, por um pequeno período de tempo.
- Alô? Mamãe? - Indagou ela na linha, batendo freneticamente os seus dedos na mesa.
- Flora, minha filha, tudo bem com você? Me ligando a essa hora da noite... - Sua mãe estranha. Não era do feitio de sua filha ligar tão tarde da noite.
- Mamãe, estou ligando porque preciso de ajuda - Diz, sentindo-se ansiosa e com uma dor em seu peito - Preciso ajudar o Adam com algumas coisas da empresa, e com isso, não terei com quem deixar Daniel.
- Oh, acho que estou entendendo. Você quer que eu cuide dele, até que você termine as coisas com Adam? É isso?
- Sim mãe, mas se não for muito incômodo, é claro.
- Você sabe que não é e que será um prazer tê-lo em minha casa.
- Muito obrigada mãe. Eu não sei o que seria sem você.
- Você é tudo para mim, Flora, minha filha. Farei o que puder para lhe ajudar.
- Então amanhã dirijo até aí.
- Tenha uma boa noite Flora.
- Você também, mamãe.
O outro lado da linha ficou mudo, Flora desbloqueou o seu celular e ficou admirando a fotografia de seu papel de parede - uma foto tirada em família no inverno passado. Tudo em sua vida estava acontecendo rápido. Uma oportunidade para que ela mostrasse ao mundo o seu talento foi dado e ela viu uma oportunidade para voltar a atuar no ramo de sua vida, mas por outro lado, seu marido a afastava cada vez mais. Deixando de lado o seu celular, caminhou cuidadosamente até o quarto do seu filho e o observou dormir tranquilamente.
- Um ser fraco e vulnerável - Pensou ela - Mamãe fará de tudo por você e nossa família, meu filho - Depositou um beijo em seu rosto pequeno.
Flora caminhou em direção ao guarda roupa de seu filho e começou a separar as peças, roupas suficientes para pelo menos três meses de estadia na casa dos avós, mesmo que ela pretendesse buscar o seu filho antes. Uma lágrima escorreu de seus olhos revelando a sua tristeza. Quando decidiu largar tudo para cuidar da sua família, ela soube que não seria fácil, fora uma das decisões mais difícil tomada por ela, mas de cabeça erguida, ela conseguiu, e não seria agora que ela não conseguiria. Ela tinha em mente que seu filho estaria em boas mãos, e sabia perfeitamente disso, pois quando criança, ela conviveu com todo o amor de seus pais e o neto não seria diferente.
Terminando a mala de seu filho, Flora separou em um envelope uma pequena quantia de dinheiro, consequências de suas economias e colocou na mochila de costas do menino, junto com alguns documentos básicos. Daniel já estava com os seus quatro anos de idade, frequentava uma escola próxima de sua residência e estudava no período da manhã, o que dava tempo a sua mãe, para cuidar das coisas de casa e planejar o restante da semana em seguida.
Após colocar tudo na sala de estar, Flora deitou-se ao lado de seu filho, onde em meio às lágrimas pela decisão difícil que havia tomado, adormeceu.
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O sol invadiu as janelas do quarto de Daniel, que com um bocejo acabou despertando a sua mãe de seu sonho, onde ela estava extremamente feliz em seu emprego e com sua família. Ao ver sua mãe ao seu lado, sua primeira reação foi sorrir e alisar o seu rosto, o que a fez sorrir.
- Bom dia filho, como você dormiu? - Perguntou ao mais novo, abrindo seus olhos lentamente.
- Melhor com você ao meu lado mamãe, me sinto seguro e feliz - Disse Daniel, abraçando sua mãe e recebendo um beijo.
- Digo o mesmo para você. Você iluminou a minha vida e me deu novamente um sentido para viver.
- Mamãe, como eu nasci? - Perguntou, a deixando aflita.
- Do amor entre a mamãe e o papai. Mas filho, você sabe que eu te amo mais que tudo nesse mundo, não é?
- Sim mamãe.
- Você passará um tempo na casa de seus avós, tá legal? - Pergunta receosa para a criança que abre um grande sorriso.
- Mamãe, eu vou passar férias lá? - Indaga com toda sua inteligência. Por mais que Flora estivesse com medo, ela sabia que um dos maiores desejos de seu filho era passar um tempo com os avós na casa do lago.
- Exatamente! Já que você está de férias da escola, acho justo você viajar um pouco. Mamãe até preparou a sua mala - Apontou para o canto do quarto - Agora vamos nos arrumar? - Indaga recebendo um sim com a cabeça.
Levando o seu filho até o toalete, onde despiu e deu um banho em seu filho, Flora retornou com o menino para o quarto o arrumando apropriadamente para o reencontro com seus avós. Percebendo que seu marido não dormira em casa mais uma noite seguida, seus olhos encheu-se de lágrimas, pois sabia onde o homem realmente estava, mas em sua cabeça, ele iria voltar a ser quem era.
Deixando a dor do abandono de lado, Flora engoliu o seu choro e abriu o seu melhor sorriso para o filho que já se encontrava pronto em sua frente.
- Você é a coisa mais linda desse mundo, filho.
- Eu puxei a você, não foi mamãe? - Indagou para a mais velha a deixando triste.
- De certa forma sim, filho. Vamos tomar café da manhã?
Seguindo a mãe para a cozinha, ela o serviu com um suco natural de laranja, pães, ovos e bacon, fazendo o café da manhã ser divertido para ela e o seu filho, enquanto decidia se voltava atrás com o pedido a sua mãe, ou não.
A viagem até a casa dos seus pais durou cerca de duas horas a ida, como esperado, Flora e Daniel foram bem recebidos na casa dos anfitriões, que para aproveitar a companhia, ficou até o entardecer, onde aproveitaram e mataram a saudade acumulada. Flora não queria ir embora, seu instinto materno tinha sido despertado apenas por olhar para o menino.
- Quem irá protegê-lo de todo mal?
Pensou ela consigo mesma, mas essa resposta ela já tinha. E depois de um olhar maternal reconhecido pela moça, Flora relaxou. Não existia outra pessoa em todo o universo mais apta que os seus pais para cuidar de seu filho.
- Voltarei para te buscar em breve, filho - Disse.
- Não se preocupe comigo, mamãe, vou aproveitar bem minhas férias - Tranquilizou a mãe. Por ter pouca idade, Daniel já entendia algumas coisas ao seu redor, o tornando mais que especial para sua mãe, pois era ele que a fazia feliz em seus dias de tristeza.
- Cuide bem, tome banho na hora certa e respeite seus avós - Disse a moça para o filho com sua voz rouca de tanto prender a sua vontade de chorar.
- Não se preocupe com ele querida - Disse Ally, sua mãe - Cuidaremos bem desse garotão, agora vá! - Pediu.
Se despedindo com um abraço e um beijo nos seus pais, Flora partiu, retornando para sua casa, enquanto chorava no volante.
Dias atuais
Toda a sua volta estava uma loucura, desde a decisão que tomara em relação ao seu filho, sua vida com o seu marido apenas piorava e o mesmo não fazia questão de esconder tudo o que fazia. A caminho do supermercado, ela se perguntava se aquela era realmente a vida que escolheu e que queria para ela. Daniel estava com saudades da mãe, e sempre a lembrava todas as manhãs ao telefonar para ela.
Havia se passado um mês e uma semana desde que Daniel foi levado até a casa dos avós, e na vida de Flora, esses foram os piores dias. Retornando para casa depois de finalmente fazer suas compras do mês no supermercado, a ligação que ela mais esperava diariamente, finalmente foi feita e no terceiro toque, a voz que lhe acalmava atendeu.
- Estive esperando por você o dia todo mamãe - Diz Daniel do outro lado da linha em tom de chateação.
- Mil perdões meu filho, passei o dia todo ocupada, e ainda planejei sua festa de aniversário - Anunciou deixando o menino em êxtase.
- Então quer dizer que está perto de você me buscar? - Indagou para sua mãe que sorriu.
- Mais perto do que nunca.
- E o que terá na festa?
- Tudo o que você quiser, filho.
- Até um castelo para eu pular? - Indagou a fazendo sorrir novamente.
- Até um castelo. O maior dos castelos. Você pode passar o celular para a sua avó?
- Vovó, vovó, é a mamãe! - Gritou Daniel e Flora pôde imaginar e visualizar mentalmente seus pulos de felicidade.
- Boa tarde filha. - Desejou a mais velha.
- Me dê um prazo de mais alguns dias até que eu vá buscá-lo, por favor? - Pediu Flora suspirando fundo.
- O tempo que precisar - Disse a mulher.
Ainda na linha, Flora estacionou o seu carro no quintal de sua casa e enquanto sua mãe comentava as travessuras de Daniel, a moça retirava as sacolas plásticas de dentro do porta-malas.
- Está muito ocupada filha? - sua mãe perguntou, então Flora usou como apoio o seu ombro e ouvido para segurar o celular enquanto ela abria a porta.
- Não mãe, você pode falar - Disse finalmente abrindo a porta, foi quando se deparou com os sapatos de seu marido.
No começo, uma pitada de felicidade surgiu em seu interior, até ver o salto vermelho que o acompanhava, foi então que percebeu que eles não eram dela.
- Flora? - Indagou a mãe do outro lado da linha.
Seu coração palpitava, como se fosse pular para fora do seu peito a qualquer momento, ela deixou as compras no chão, e seguiu caminhando para o barulho que ela conhecia bem - barulho no qual só era ouvido quando um casal praticava. Chegando até a sala de estar, Flora viu o que nunca desejou ver antes. Seu marido, o homem que ela tanto amava e fazia de tudo por ele beijando outra.
- Oh meu Deus! - Exclamou ela, deixando seu celular cair começando a chorar freneticamente, como se tudo o que ela construiu tivesse acabado no momento em que ela viu a cena, e de fato, realmente tinha.
Adam não demonstrou culpa ou remorso, e ainda fora pior quando Flora reconheceu a amante de seu marido. Andando de um lado para outro demonstrando a sua fraqueza e tristeza, o casal de amantes apenas a observava.
- Pare de show Flora, no fundo você sabia disso, só não quis acreditar porque é uma idiota - Disse Adam com desprezo.
- Por que você tá fazendo tudo isso, Adam? - Perguntou em meio às lágrimas.
- Você não percebeu ainda, não é? - Levantou-se rindo - Eu nunca te amei de verdade Flora - Caminhou em sua direção e a empurrou no sofá.
- O que você ofereceu, não foi o suficiente para fazê-lo amar você, você não é um terço do que eu sou - Disse Rosalyn provocando Flora, que não aguentou e partiu para cima da moça.
- Sua vagabunda! - Flora vociferou indo em direção a sua rival, pronta para atacá-la, mas Adam foi mais rápido, jogando sua esposa de volta no sofá com brutalidade.
- Respeite a minha mulher, antes que eu perca a cabeça aqui, Flora. - Ameaçou que riu irônica.
- Sua mulher? Sua mulher, Adam? - Perguntou chorando - Onde sua mulher esteve quando eu assumi o seu filho? Onde sua mulher esteve quando eu cuidei de vocês todas as noites enquanto esteve doente? Onde sua "mulher" - Deu ênfase sentindo dor no seu peito por tamanha humilhação de seu marido - Esteve quando eu e os meus pais te ajudaram a abrir a nossa empresa? Exatamente Adam! Fodendo com outro enquanto eu quem te dava todo suporte! - Lembrou de tudo o que aconteceu com ambos em seus cinco anos de casamento. - Eu te coloquei no topo Adam, e essa vadia não fez nada por você! - Gritou.
- Você me respeite, sua mal-amada! - Rosalyn veio com toda sua ira em direção a Flora, que se defendeu lhe dando uma bofetada em seu rosto.
- Adam, olha o que ela fez comigo! - Se fez de vítima, e vendo sua amante, a mulher no qual dizia amar ferida, Adam partiu para cima de Flora no intuito de fazê-la pagar, mas sem sucesso. Flora foi mais rápida e lhe acertou no meio de suas pernas.
Enquanto Adam gemia de dor no chão e Rosalyn a xingava abertamente. Suas mãos estavam trêmulas e sua visão turva, Flora sentou-se no sofá e desabou ainda mais em lágrimas.
- Sempre fraca e independente, você não é um terço do que a Rosalyn é - Disse ainda no chão - Não é bonita, não tem qualidade, perdeu toda a sua beleza cuidando da casa, que nem para isso serve.
- Cala a boca, Adam - Pediu soluçando.
- Até a criança que você jurou amar para o resto de sua vida você abandonou, nem para ser uma mãe para o meu filho você serviu. Lamentável Flora.
- Você tem razão, Adam. Do seu filho, que você nem sequer ajudou a cuidar. Amei aquela criança desde o dia em que o vi pela primeira vez, mesmo sendo fruto de uma traição sua, se fiz tudo o que fiz, foi para te ajudar e você sabe disso Adam.
- Não se lamente, Flora. Os papéis do divórcio chegaram há uma semana, esperei a oportunidade perfeita para que você assinasse.
- Enquanto transava comigo, ele me dizia o quão inútil você é, que tristeza para uma mulher Flora. Nem para lhe dar prazer você serve. - Rosalyn mexe a cabeça em negação.
- Você vai embora dessa casa o quanto antes, você não tem direito a nada daqui. Agora é tudo meu e do amor da minha vida. - Disse Adam se vangloriando.
- Você só deve estar louco! - Gargalhou Flora - Devo te lembrar que a joalheria também é minha? Lembra que minha família te ajudou a chegar onde você está há três anos? Ficarei com 70% das ações da empresa de joalheria. Caso recuse,entrarei em contato com o meu advogado e abrirei um processo contra você por traição e abandono, ainda por cima, direi que a comunhão de bens ficará apenas para você já que fez questão de me ameaçar - Diz dando a volta por cima enquanto enxugava suas lágrimas.
- Ela só pode estar louca! Faça algo Adam! - Pediu Rosalyn, porém Adam continuou estático e pálido.
- O que me diz, Adam? - Indagou.
- Eu aceito - Disse derrotado assinando os papéis conforme os pedidos de Flora que também fez o mesmo.
Flora pegou a sua parte e correu para o quarto do casal, onde em meio às lágrimas, fizera todas as suas malas e jurou a si mesma que Adam se arrependeria por tudo o que estava fazendo com ela, e para ela, aquilo era uma promessa.
Flora desceu a escadaria principal com lágrimas nos olhos, seu ex-marido não demonstrava arrependimento algum do que fizera com a esposa, Rosalyn ao seu lado, sorria abertamente, como se finalmente tivesse conseguido o que sempre quis - a vida de Flora.
A mulher apenas os ignorou, juntou toda a sua dignidade e seguiu para o lado de fora da casa, onde a observou por uma última vez e seguiu em frente, como parte do divórcio, o carro no qual Flora estivera há poucos minutos antes, pertencia por completo ao seu ex esposo.
Sem rumo, sem celular e eventualmente sem ninguém, Flora seguiu para o parque central no qual costumava a ir com a sua família - sentindo-se que estava sendo seguida, mas tudo poderia ser fruto da sua imaginação, assim como também tudo o que ela estava passando no momento, um pesadelo no qual ela deveria acordar em breve.
Sentando-se no banco mais próximo, Flora deixou sua mala ao seu lado e encarou o céu, pensando que tudo aquilo não passava de uma brincadeira de mal gosto, fechou os seus olhos e piscou fortemente, mas quando abriu - sentiu o choque da realidade e percebeu que tudo o que acontecera há minutos antes era verdade.
Um flashback passou em sua mente de tudo o que viveu com o seu marido, todas as juras e palavras de amor que ele dissera, todos os planos e metas a serem cumpridas, no fim das contas nunca tinha sido real - no fim de tudo, ela se apaixonou sozinha, tudo não passou de planos que ela mesma criou para eles.
Sem nem um tostão no bolso e sem ter para onde ir, Flora rapidamente lembrou-se de Cibelle Warren, sua melhor amiga e sua advogada particular. Ambas se conheceram há aproximadamente onze anos, ainda na época da faculdade, mesmo não cursando a mesma área, isso não impediu a amizade das duas. A mansão da sua amiga ficava há trinta minutos do parque central, o céu nublado anunciava uma chuva em breve, seus pés já doíam por causa da caminhada, ela continuava incrédula por perceber o rumo que a sua vida e casamento tinha tomado - mas ela sempre fora uma mulher forte e daria a volta por cima, começando pela empresa de seu ex-esposo.
Olhando as famílias felizes reunidas no parque, ela desejou para os seus para que tudo voltasse ao normal. Levantou-se e caminhou para a saída, onde decidiu que daria o seu melhor, como sempre fizera.
O céu já havia perdido a cor, faziam cerca de quinze minutos desde que Flora estava andando em direção à casa de Cibelle, o frio se fazia presente, a fazendo segurar com uma das mãos o seu braço, já que a outra mão estava puxando a sua mala. Em todo o momento, Flora olhava para trás com a intenção de reconhecer alguém e pedir ajuda para chegar até à casa de sua amiga, mas sem sucesso, mesmo sentindo-se observada em todo o momento, ela não deixou que isso lhe assombrasse.
Pingos de chuva começaram a cair do céu para o azar da moça, ela já pensava em pedir algum celular emprestado para fazer uma ligação, já que o seu ela havia deixado em casa, e possivelmente, a essa altura do campeonato, ele estaria todo quebrado. Para se proteger da chuva que ousou cair, a opção que a moça havia achado para chegar mais rápido até a mansão, era cortar o caminho, sentindo o frio da rua, ela sentiu saudades da sua mansão quente e confortável, no qual ajudou o seu marido a trabalhar duro para conquistar, mas seu esforço foi em vão, no fim de tudo, ele nunca merecera ela.
Entrando em um beco escuro, Flora sentiu medo e logo se arrependeu de ter seguido pelo caminho mais curto, acontece que, o lugar no qual ela estava seguindo era conhecido por haver gangster e ladrões. Flora segurou firme em sua bolsa e conforme passava pelo lugar, observava a todo o momento, chegando no fim dele, ela sentiu um alivio grande, até que percebeu um homem, aparentemente bêbado, vindo em sua direção.
O homem aproximava ter mais ou menos um metro e setenta e oito, se ela julgara certo, o homem era de seu tamanho. Com um corpo rechonchudo, ela pensou que não teria chance alguma contra o homem, mesmo tendo lutado quando mais nova. Tentando evitar o máximo que podia o contato visual, Flora continuou o seu caminho, até sentir os braços ao redor da sua cintura.
- Para onde você pensa que vai gostosinha? - Indagou o homem bêbado dando cheiro no seu pescoço a fazendo sentir ânsia de vômito imediatamente.
- Me larga seu imundo!
Reunindo toda a sua força e coragem, Flora usou as técnicas de arte marcial que aprendeu por volta de seus quinze anos de idade com o seu namorado do ensino médio que a treinava quando podia e usou para o homem, que levou o seu golpe e nada pôde fazer contra a moça.
Sem olhar para trás, Flora agarrou a sua bolsa e começou a correr para o mais longe que ela podia, tanto para chegar logo, quanto para se livrar da chuva e das futuras ameaças do homem e de quem mais a viu sozinha no meio da rua, mas o que acontece é que, desde que saiu de sua casa, ela não estava mais sozinha.
Ryan se aproximou observou o estado do homem caído no chão e deu um riso ladino, em momento algum ele se aproximou da moça, se manteve distante a protegendo como podia, mas ele viu que ela nunca precisou ser salva, sempre foi forte e independente para agir sozinha na dificuldade, e isso era uma qualidade no qual ele admirava nela, mesmo depois de tudo o que aconteceu entre os dois.
- O que achou que faria com aquela moça, hm? - Ele indagou para o homem que continuava caído, só que dessa vez com os seus olhos arregalados.
- ME-me-me desculpe senhor! - Ele gaguejou, reconhecendo Ryan.
- Vocês já sabem o que fazer com ele. - Disse ele aos seus subordinados, indo em direção ao seu para o seu carro para continuar o que estava fazendo desde muito cedo, mas antes que ele pudesse entrar, uma jóia brilhante chamou a sua atenção, revelando brincos de esmeralda com um design excepcional. - Sejam rápidos, e não sejam vistos. - Ordenou.
- Sim, senhor! - disseram os homens em uníssono.
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Flora tremia se lembrando do acontecido, o nojo tomou conta do seu corpo, ela se sentia suja e incapaz, se lembrou de tudo o que seu ex havia lhe dito e pensou consigo mesma se tudo aquilo não era verdade. Será que ela só era um pedaço de carne? Não! Ela era muito mais do que aquilo. Seu peito doía e em sua garganta surgiu um nó, faz muito tempo desde que tivera uma crise de ansiedade, a chuva forte caía sem parar, a deixando com muito mais frio do que antes estivera, ela desejou uma ajuda, mas quem faria isso por uma desconhecida?
Uma BMW preta começou a andar lentamente ao seu lado, e novamente a sensação de medo surgiu, o vidro foi baixado, ocultando a verdadeira face do motorista, ela não ousou olhar, até que a voz a fez olhar rapidamente para dentro do carro escuro.
- Assim você ficará doente, sabe disso, não é? - Perguntou o homem no qual ela tentava a todo custo ver quem era, mas só ouvir a voz ela achava familiar, e a calmaria tomou conta. Ela confiava no dono daquela voz. - Você é muda ou algo do tipo? - Indagou novamente.
- Não, eu só... - Calou-se, ela não queria explicar os seus motivos para um completo desconhecido.
- Entra no carro - Ele pediu.
- Estou molhada, não quero molhar o banco e nem suja-lo. No momento não tenho dinheiro para te pagar uma lavagem. - Disse inocente o fazendo rir, só que de forma irônica.
- Lavagem não é o problema para mim, e muito menos o banco molhado. Se te fizer bem, tenho outros carros no qual posso usar. - Respondeu para a moça se gabando.
Enquanto pensava se queria ou não entrar no carro, se queria ou não ficar encharcada, Flora hesitou por alguns segundos até abrir a porta de trás do carro e se sentar, colocando sua mala ao seu lado. Com o carro escuro e as ruas do mesmo jeito, ela pode reparar que o homem dirigindo era forte e musculoso, e que também estava molhado, julgando que ele também teve que passar pela tempestade de chuva.
- Seus pais não te ensinaram a não entrar em um carro de um estranho? - Indagou.
- É que... - Pausou - Se eu não aceitasse, o risco de doença ia aumentar, e que... - Novamente pensou no que falar e em como falar. - Sua voz me passou tranquilidade, senti que não me machucaria.
- É, você tem razão. - Ele responde fazendo a moça arregalar os olhos - Para onde você vai?
- Para a casa de Cibelle Warren, ela mora a três quarteirões daqui.
- Sei bem onde fica a casa dela.
- Você a conhece?
- Claro! E toda a sua família também. Seu esposo, marido, filho e irmão.
- Compreendo.
- Me diz, por que está indo para casa dela a essa hora da noite?
- Razões pessoais. - Respondeu, mas a verdade era que ele já sabia.
Ryan não disfarçava em momento algum, muito menos enquanto a encarava pelo espelho do carro, seus olhos pequenos e cansados, despertavam em Ryan uma vontade enorme de protegê-la de todo o mal, coisa que ele nunca havia sequer feito por qualquer outra pessoa. Os olhos da moça entregavam que ela estava chorando há poucos minutos antes, e aquilo foi o ápice para partir o seu coração. Ryan nada dissera, assim como ela também não. Cerca de dez minutos depois, Ryan a entregou ao seu destino final - parou o carro em frente à casa de sua amiga distante e observou novamente a moça que estava nervosa.
- Chegamos ao seu destino - Disse evitando o contato pelo espelho.
- Obrigada - Apertou ambas as mãos demonstrando nervosismo. - Olha, desculpa ter te incomodado, não tive um dia legal, obrigada por tudo.
- Se cuide - Foi a única coisa que ele disse antes dela sair do carro.
Assim que Flora chegou à porta da mansão, Cibelle saiu antes mesmo que a moça acertasse a campainha, observou o homem no carro que após um aceno de cabeça da mulher saiu cantando os pneus.
- O que houve com você? - Perguntou Cibelle a Flora a olhando da cabeça aos pés.
- Adam pediu o divorcio e me expulsou de casa. - Disse.
Flora desabou em lágrimas no ombro da sua amiga, que não se importou da amiga estar molhada, melhor do que ninguém, Cibelle conhecia a história do casal, como foi uma das maiores apoiadoras da relação. Era visível o desespero de Flora, depois de tudo o que passou ao lado de seu ex-esposo, ela não merecia nada daquilo.
Levando a amiga para dentro da mansão, Cibelle acalmou a sua amiga e prometeu ajudá-la em tudo o que ela precisar, acolheu com roupas e um quarto quente e confortável, além de mandar os seus empregados secar a roupa da amiga e levar uma refeição em seu quarto. Flora não poderia estar mais grata por tudo o que a amiga estava fazendo. Flora já não tinha mais forças para chorar, tudo se repetia como um looping, então ela percebeu que aquela não era verdadeiramente ela. Seus olhos foram pesando, sua mágoa e indignação não a permitiram que comesse a sua refeição, e se entregando ao cansaço, ela adormeceu.
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Quando o dia raiou, Cibelle ajudou Flora a se recompor por causa da noite anterior, ajudou a amiga em sua maquiagem e roupas, além de levá-la após o café da manhã, para a empresa. A fofoca se espalhou rapidamente pela empresa, alguns olhavam para a moça com pena, outras pessoas cochichavam palavras maldosas que a fizeram se sentir mal, mas a mulher não deixou transparecer, pois tinha ouvido as palavras que a amiga lhe dissera logo pela manhã.
''Você é melhor que todos eles, em todos os aspectos.''
Seguindo para a sala de reunião da empresa que ela conhecia bem e que tinha várias lembranças nela com o seu ex-marido, Flora esperou que cada um chegasse à empresa para a grande notícia. Demorou cerca de trinta minutos até que todos os funcionários e patrocinadores chegassem, sendo o último, Adam. Que olhou para a ex-esposa e mãe do seu filho com desprezo e nojo.
Os homens reunidos na mesa não entendiam o que Flora estava fazendo ali, já que por eles, ela era vista como apenas uma dona de casa incompetente, mas isso passava longe da sua realidade, já que uma boa parte dos itens vendidos na empresa, era ela que fazia o designer.
- Bom dia a todos e a todas! - Anunciou Adam - Reuni todos vocês aqui hoje para anunciar que a Flora Louise, minha ex-esposa, se tornará a partir de hoje a Acionista Majoritária da empresa - Disse com desdém, e então, os comentários de insatisfação começaram.
- Você está fazendo alguma piada de mal gosto conosco? - Perguntou Annah, uma das sócias da empresa.
- Ela não é qualificada para esse papel, e você sabe perfeitamente bem disso Adam. - Meyer disse indignado, afrouxando a gola de sua camisa já vermelho de tanta raiva que estava pela notícia.
- Sei que essa mulher só serve para ser dona de casa, mas devemos aceitá-la em nossa empresa. - Disse Adam, com seu tom de arrogância fazendo de tudo para humilhá-la.
- Devo lembrá-los que essa empresa também é minha? Já que fui uma das responsáveis por criá-las? - Lembrou ela, fazendo com que todos se calassem - Vocês terão que me aceitar nessa empresa como uma superior, querendo ou não. A decisão foi tomada e creio que ninguém aqui será contra, correto?
Ninguém respondeu a sua pergunta, todos estavam calados de cabeças baixas, mas no fundo ela sabia que ninguém ali a queria no poder. Sem mais perguntas e apontamento de seus colegas de trabalho, Flora levantou-se, pegou sua bolsa e seguiu para a porta da sala para ir em direção a sua nova sala na empresa, mas antes que fosse, olhou no fundo dos olhos do seu esposo e sorriu para ele, que ficou pálido com a atitude da esposa.
- Passarei na mansão para buscar o resto das minhas coisas.
Adam não falou nada, e se sentindo vitoriosa, Flora foi até a sua sala radiante. Os funcionários a olhavam com nojo e a julgavam como incapaz, ela ouviu cada palavra de desgosto vindo de algumas dela, que ignorou, agora todos teriam que aguentá-la na empresa, porque essa, também era dela. Empolgada, antes que ela abrisse a porta por completo, uma voz que doeu seus tímpanos a fez se sentir enjoada. Rosalyn e sua mãe estavam em sua empresa.
- Aproveite o seu tempo de sucesso enquanto você pode, isso não durará por muito tempo - Ameaçou Rosalyn tirando risos de sua genitora.
- Bom, o mesmo digo para você Rosalyn, se ele me traiu com você, com certeza fará o mesmo assim que se cansar.
- Não me compare querida - Ela se aproximou e pegou o seu pulso, gravando as suas grandes unhas na pele clara da moça. - Em todos os aspectos, sou melhor do que você. - Disse, e sem paciência Flora a empurrou que caiu no chão de forma vitimista.
- Amor, eu não fiz nada com ela, ela me agrediu!
Rosalyn se fez de vítima novamente e a sua mãe concordou com as mentiras da filha. Aquilo foi a gota d'água para Adam, que reagiu de forma inesperada deixando todos no lugar em choque. Sem que Flora esperasse, Adam deu-lhe um tapa em seu rosto, fazendo a sua cabeça virar bruscamente para a parede, onde a bateu, adquirindo um corte. Ninguém ousou defendê-la, ninguém ousou ajudá-la e novamente ela se viu sozinha.
Flora novamente não conseguiu segurar o choro, colocou a sua mão na queimação do seu rosto e encarou Adam que aparentava estar arrependido, mas não demonstrou. Depois de muito tempo, ele a havia agredido novamente, não era a primeira vez, mas seria a última.
- Quem você se tornou, Adam? - Indagou para o ex-marido que tentou se aproximar.
- Flora...
Ignorando completamente o seu ex-marido, Flora saiu da empresa o mais rápido que pôde indo direto para a delegacia mais próxima, não era a primeira vez que Adam a agredia em momentos de raiva, ela acreditou em suas palavras quando ele jurou-lhe que seria a última vez, e no fim das contas, não foi. Chegando à delegacia, o coração de Flora disparou quando ela bateu em uma grande costa larga, e reconheceu o dono dela. Foi então que as memórias da noite anterior vieram à tona, Ryan novamente a encontrou, só que dessa vez, o homem cheirava a sangue.
A encarando com desejo e saudade, Ryan a observou da cabeça aos pés, que corou de imediato, mas sua face não era tranquila, e sim raivosa - afastou cuidadosamente o seu cabelo e verificou o seu corte, saindo em seguida sem dizer nada, ele era capaz de matar quem fizera isso com a moça.
Flora encontrou-se com o delgado e o escrivão, que após ouvi-la com atenção, elaborou uma intimação para que seu ex-esposo comparecesse à delegacia para esclarecer a sua parte da história. Ryan do outro lado se encontrava furioso, e fazia questão de demonstrar, toda a sua vida fora protegendo-a, mesmo que indiretamente, e novamente ela precisou de ajuda e ele não pôde fazer nada.
Ryan e seus subordinados, planejavam algo, e com aquilo, logo ele fora se acalmando, percebendo que Flora havia acabado de chegar à recepção, Igor, seu subordinado, fora mandando até a moça com um remédio para dor de cabeça, enquanto a enfermeira da delegacia tratava o seu pequeno ferimento.
- É para a senhorita - Entregou o medicamento com uma garrafa de água para a moça - Isso cuidará das dores.
- Quem entregou?
- O meu senhor. - Respondeu dando uma breve curvada - Com licença madame.
Flora olhou em direção ao carro, onde viu as costas largas de Ryan entrando em seu carro, e mesmo depois de tudo o que aconteceu entre eles, ele ainda a protegia.
Depois de sair da delegacia, Flora foi até a sua antiga casa e pegou os seus cartões, cheques e todas as suas economias guardadas, comprou um celular novo e a primeira pessoa na qual ligou, foi a sua mãe, que depois de desabafar com ela, foi convidada para a casa da mesma. Antes de tudo, Flora planejava se reerguer e recomeçar do 0 na empresa, retornou a empresa onde passou a tarde inteira planejando algumas mudanças, logo após seu expediente, retornou a casa de Cibelle, onde contou todo o ocorrido a amiga, e a aparição de Ryan.
A noite foi um tanto longa, ficou com o seu filho até tarde na webcam, e não conseguiu dormir, pois não acreditava nas coisas que estavam acontecendo em sua vida, e em como preferia morrer ao viver tudo aquilo - o que era egoísmo de sua parte, já que um ser de quatro anos vivia para vê-la. O despertador tocou, Flora fora recebida por Cibelle em sua grande cozinha de jantar de braços abertos, onde conversaram o que a moça faria a seguir.
- Qualquer decisão que você tomar, irei te apoiar, porque é isso que as amigas fazem. - Segurou carinhosamente na mão da amiga - E se você quiser, pode trazer o Daniel para cá, cuidarei dele enquanto você está na empresa, além de que ele será uma boa companhia para Henry.
- Obrigada por tudo o que você está fazendo por mim, eu não poderia ter uma amiga melhor do que você. Agora irei indo, não estou com um bom pressentimento.
- Qualquer coisa me ligue, irei até a empresa o mais rápido possível!
- Não se preocupe quanto a isso, ligarei para você em breve.
Senhor Frederico esperava Flora em frente à mansão, o motorista particular da Warren, havia se tornado o seu também. Seu celular começou a tocar incansavelmente enquanto a moça estava a caminho da empresa, o celular denunciava o número de Adam, no qual ela conhecia bem. No começo, ela pensava que o homem tinha a intenção de pedir desculpas para ela, e então, guardou novamente o celular em sua bolsa e começou a olhar em direção a janela.
A lembrança de Ryan mexeu com a moça uma boa parte da noite, ele não tinha mudado tanto desde a última vez que se viram, exceto seu físico, que agora, estava visivelmente maior. Ryan era dono de diversas empresas, sendo uma de jóias com pedras preciosas, mansões, advocacia e marketing, tudo herdado de seu pai e irmão de Rosalyn Thompson. Amante e atual companheira de Adam Harris. Um flash de memórias veio à tona, tudo o que passaram juntos e tudo o que os separaram.
Ryan sempre foi seu protetor e guardião, Flora se lembrava de cada momento especial que passaram, até o pior momento dos dois juntos. A moça se perguntou o que o seu ex-namorado estaria fazendo na delegacia com o odor de sangue fresco, ela se preocupou com ele, fora egoísta demais para perguntar se o homem estava bem, egoísta demais para demonstrar algo, pois só pensava em si mesma.
Chegando na empresa, todos corriam de um lado para o outro, o lugar estava um completo caos. Uma das acionistas da empresa, olhou com nojo para o rosto de Flora que ignorou, uma investidora não disfarçou quando a moça se aproximou dela para perguntar o que havia acontecido, sendo ignorante sem ao menos saber completamente história.
- Sabia que ter você aqui era uma péssima ideia, tenho nojo de você. - Clarice disse quase cuspindo em seu rosto.
Ainda sem entender o que estava acontecendo, Flora andou em direção a sua sala quando o alto-falante convoca à todos os acionistas e investidores para uma reunião de emergência.
- Era só o que me faltava! - Disse em voz alta pensando se iria ou não.
Chegando no lugar da reunião, todos os investidores, sócios da empresa e acionistas estavam reunidos, faltando apenas Flora para completar a reunião com as 20 pessoas importantes para a empresa.
Todos os olhares de acusações estavam direcionados a ela, um grande telão fora aberto revelando o novo projeto programado para ser lançado em um mês já no ar. O seu espanto foi grande, ela não tinha reação alguma e não sabia o que fazer, ela fora uma das colaboradoras a ajudar no projeto e agora estava sendo acusada de vazar as informações do mesmo.
Ela sabia o quão valioso era o projeto, estava ciente da quantia investida para que tudo ocorresse como o planejado, e tudo simplesmente foi por água abaixo.
- Como podem ver, nossas informações foram vazadas. - Anunciou Adam.
- Não fui eu que fiz isso! - Flora se defendeu, mas ninguém no lugar acreditava nela.
- Não, querida? - Indagou Anastácia - O endereço de IP vem direto da sua sala, além de que você ficou por bastante tempo ontem no seu escritório.
Flora riu incrédula com a acusação da colega de trabalho. A moça organizou durante a tarde inteira o plano de lançamento, ajudou nos toques finais do projeto, além de olhar o financeiro da empresa, no final de tudo não podia ter sido ela, como eles ousavam desconfiar?
Com raiva acumulada, Flora ouviu a opinião de cada investidor e acionista da empresa, onde todos eles iam contra a moça - aquele projeto chegara a ser mais importante para ela do que para Adam, onde a moça deu duro para elaborar um novo designer para simplesmente a julgarem e excluí-la, como se ela realmente tivesse sido a culpada de todo o caos.
- Não investirei mais nessa empresa. Apostei em vocês e nesse novo modelo que traria milhões para cada um de nós, e você me decepciona Adam, primeiro coloca essa mulher no poder, e com raiva, ela vaza nossas informações confidenciais. Qual será a próxima coisa que ela fará? - Taylor, um senhor de idade perguntou, mas nem sequer esperou pela resposta.
- Como mulher e experiente, eu sabia que sua ex-esposa não era qualificada para tal papel. É necessário anos de estudo, e ela não tem um terço do que temos - Julgou Mirtia, sem ao menos saber da história da mulher.
- Não aguentou levar um tapa que armou esse escândalo todo? - Clary fumega com os olhos - Esse lugar não é para mim - Se retirou.
Todos estavam inconformados com o que havia acontecido, pensavam em como Flora poderia ter sido tão baixa ao ponto de vazar as informações confidenciais Assim como Taylor e Clary, Abraham, Mirtia, Jonas e Joe, se retiraram da sala, avisando a eles que o advogado entraria em contato para retirar os fundos investidos na empresa, deixando então, uma crise financeira e gastos para eles.
Flora permanecia incrédula com todas as informações que ouvira, principalmente das mulheres, onde deveriam ajudá-la, mas tudo que fizeram foi o oposto, a culparam por algo que não fizera e a julgou incapaz, além de colocar a culpa para cima da moça, para justificar a agressão do ex-esposo. Balançando a cabeça de um lado para o outro, Flora estava triste e indignada, era a oportunidade de sua vida para provar o contrário para todos.
- Você só faz merda, Flora! - Adam bateu com fúria na mesa de vidro, a quebrando por completo e assustando a moça. Em momentos de raiva Flora preferia não ficar ao lado de Adam, mas nada poderia fazer no momento. - Você só serve como uma dona de casa de merda, não serve para mais nada além disso. - Disse andando de um lado para o outro, enquanto o restante se retirava da sala.
- Você sabe que não é verdade, Adam.
- Foi isso que você provou aqui hoje, Flora. Ou vai dizer que não foi você quem vazou as informações confidenciais?
- É sério que você realmente acredita nisso? Realmente acredita que fui eu?
- Só eu sei o que uma mulher com raiva é capaz de fazer, e para ter o que quer, você é capaz de tudo. Você merece tudo de ruim que acontecer com você.
- Você só pode estar brincando - Fungou, melhor do que ninguém, Adam conhecia bem Flora, para saber que ela não era capaz de fazer aquilo que ele e todo o restante estava insinuando.
Flora queria provar o seu valor, valor esse que somente ela sabia que tinha - ela queria continuar na empresa e fazê-la crescer, como planejado há tempos com o seu ex-esposo, mas sem investidores e fundos necessários, isso seria impossível para ela. Ela se viu no fundo do poço, tudo o que tentou conquistar há anos tinha acabado numa fração de segundo, sem que ela ao menos se preparasse para isso.
- Mas eu posso te dar uma solução, se realmente se importa e quer salvar sua empresa. - Enunciou Adam caminhando em sua direção com as mãos no bolso - Você pode trabalhar como empregada da minha mansão - Enfatizou - E em troca, posso salvar essa empresa que você tanto ama.
Sem acreditar no que tinha acabado de ouvir, Flora franziu o cenho e gargalhou altamente, onde a moça teve certeza de que o outro lado do prédio podia ouvir. Ela subestimou e julgou Adam errado, ele ainda era mais desprezível do que jamais foi algum dia. Machista, agressor, ignorante e egoísta, era a nova definição de Adam para Flora, que se perguntou mentalmente como poderia ter se casado com ele.
- Você realmente me dá nojo, Adam. Como pode me pedir isso?
- É sua única solução Flora. Se quiser continuar sendo a dona dessa empresa e garantir um bom futuro para o meu filho, estou te dando uma boa proposta de emprego. Você pode cuidar de mim e da Rosalyn na sua antiga casa, e em troca, posso te ajudar na empresa. O que me diz? Hm?