AYLA:
Entro pelas grandes portas do salão, olho para todas as pessoas bem-vestidas, homens com suas esposas queridas, solteiros atras de uma vagabunda e mulheres sozinhas atras de um homem rico. Assim como eu.
Mas diferente dessas mulheres que tem o mesmo objetivo que eu, minha tática é mais sutil. Meu vestido longo, delicado e de mangas que combina perfeitamente com meus olhos esconde toda a minha pele, mas em troca ele marca todas as minhas curvas e acentua ainda mais minha bunda e peito. Deixando ainda sim, esses homens loucos.
Ando meu pelo salão com minha máscara no rosto até que eu o vejo. É como se um alvo estivesse marcado em suas costas e sei que não sou a única que o vê. É como se fossemos um bando de touro e aquele homem fosse a nossa toalha vermelha.
Me enrolo um pouco andando pelo salão, mas nunca tirando os olhos dele, assim como muitos homens aqui fazem comigo.
Vejo duas mulheres, com vestidos vermelhos e decotes extravagantes se aproximarem dele e dos homens com qual ele conversa. Vejo eles olharem para elas com desejo, e quem não olharia, elas são gostosas. Bem mais belas e exóticas do que eu, mas sei do meu valor e sei que é minha hora para atacar antes que eu o perca para elas.
Um garçom passa por mim oferecendo uma taça de champagne e eu aceito com um sorriso tímido, que faz com que o garçom bonitão de o seu sorriso mais safado antes de voltar a atender os convidados.
Sim, garota meiga e bobona. Homens tem uma tara maior por idiotas do que por vagabundas e eu descobri da pior forma, sendo a idiota.
Vejo meu alvo estender a mãos para uma das mulheres e beijar o dorso dela, nessa hora começo a andar em direção a ele, antes que tenha a ideia de ir para a pista de dança com a minha concorrente.
Quando estou a pouco metros deles, pego minha clutch a abrindo. Finjo estar tentar pegar algo da minha bolsa enquanto seguro a taça com a bebida, com minha cabeça baixa desvio de alguns convidados, mas quando que estou a poucos centímetros do meu cordeirinho, avanço sobre ele, batendo minha cabeça em seu braço e derramando a bebida em nós dois.
Deixo que minha clutch caia no chão aberta fazendo com que as poucas coisas que tinha ali se esparrame no chão.
- Por ala... me desculpe. - Peço enquanto esfrego minha testa e levanto o olhar lentamente.
Como fui ensinada, começo a corar ao olhar para o homem fingindo estar admirada com sua beleza.
- E-eu sujei o senhor... me desculpe... e-eu limpo. - Começo a gaguejar e esfrego minha mão delicadamente por seu braço fingindo estar tentando limpar, mas querendo que sua atenção e desejo venha toda para mim.
Nesse momento, por causa da minha pele um pouco clara, mas não o bastante, sei que devo estar muito vermelha e não gosto nada disso, mas faz parte do meu plano.
- Tudo bem senhorita, você se machucou? - ele pergunta pegando minha mão delicadamente que estava em seu braço e as segurando.
- Eu estou bem. - Digo fitando os olhos verdes do árabe a minha frente.
- Então deixe-me ajudá-la. - Ele diz e se abaixa a minha frente para pegar minha clutch caída no chão, como pensei que faria.
- E-eu posso pegar, não precisa se abaixar. - Digo continuando com meu teatro e me abaixando ao seu lado pegando meu batom, rímel e de propósito, deixando a camisinha que estava na bolsa para ele pegar.
Assim que ele a pega nas mãos e me olha, finjo estar extremamente envergonhada e ele parece querer sorrir.
Safado, eu sabia.
Em vez dele colocar a camisinha na minha bolsa de volta sem fazer alarde como um cavaleiro que ele aparenta ser faria, ele se levanta, coloca minha camisinha no seu bolso e me estende minha clutch.
- Aqui está senhorita. - Ele diz.
Pego minha bolsa delicadamente e finjo olhar para seu braço ainda molhado.
- Senhor... eu... me deixe secar seu smoking? – digo e sei que saiu mais como uma pergunta. - Eu vou rápido no banheiro e seco, se o senhor quiser ir comigo, eu juro que não vou estragar seu paletó. - Falo nervosa e com a voz temerosa.
Vejo ele olhar para seus colegas que ouviram e viram tudo, eles tem uma cara de diversão e olha para cara do meu cordeirinho como se soubesse que ele acabou de se dar bem.
- Eu vou com a senhorita, se me permitir é claro. - Ele diz com um sorriso convencido.
Eu apenas concordo com a cabeça timidamente e ele estende seu braço para que eu o pegue, assim que eu faço sei que ele se vira para seus colegas para se vangloriar por sua nova conquista e rapidamente eu me viro para as duas mulheres que estavam ali e pisco para elas discretamente.
Uma delas entende meu recado e apenas assenti levemente com a cabeça, aqui em Dubai, apesar da concorrência respeitamos quando perdemos um alvo, pelo menos na maioria das vezes.
Meu cordeirinho me leva pelo salão em direção aos banheiro, o que não vai dar em nada, pois sei que estão cheios e ocupados e ele não vai poder entrar comigo, coisa que ele quer.
E como dito, é exatamente o que acontece.
- Está cheio, não vai poder entrar comigo no banheiro e não posso acompanhá-lo no banheiro masculino, não sei como secar sua roupa. - Digo com uma voz de culpada e triste.
- Calma meu rubi. - Ele diz se aproximando e passando a mão delicadamente em meu rosto que sei que ainda está vermelho. - Tive uma ideia, eu tenho uma suíte...
Eu sei, penso comigo.
- Nas suítes tem secadores, podemos subir e você me ajuda, eu não sei nem ligar eles. - Ele diz mentindo descaradamente.
- Claro. - Falo e sorrio depois de suspirar aliviada.
Novamente ele me guia, saímos do salão do hotel aonde acontecia o evento e vamos até os elevadores. Assim que entramos não fico surpresa ao ver ele apertando o botão da cobertura, até porque sempre faço minhas pesquisas sobre meu rebanho.
Como estamos a sós no elevador, ele tira meu braço do seu e se coloca atras de mim espalmando sua mão em minha coluna. Sei o que ele está fazendo, está testando os limites.
Se eu o afastar, mal vamos secar o seu smoking sem ele querer descer de volta para a festa, mas se eu deixar com sua mão ali, vai pensar que vamos entrar e transar.
Então eu coloco meu melhor semblante, arregalo bem os olhos e penso em algo que me faz arrepiar e olho para ele.
Vejo ele sorrir e tirar as mãos da minha coluna.
- Você é bem tímida minha rubi. - Ele fala e nesse momento as portas do elevador de abrem em um pequeno e curto corredor onde há uma porta enorme.
- Rubi? – pergunto fazendo meu jogo. – Já é a segunda vez que me chama assim, quem é? Sua namorada? - pergunto com a voz mais doce que eu consigo fazer.
- Não, minha querida. – Ele diz indo abrir a porta. – Sou um homem livre e desimpedido, ao menos por enquanto sim, estou à procura de alguém especial.
Galinha de primeira qualidade.
Olho para o chão parecendo estar com vergonha e continuo com meu ataque.
- Então por que me chamou assim? Deve ser por que eu esqueci de me apresentar...
- Sim, se esqueceu. - Ele fala e sorri.
- Então prazer, sou a Ayla. - Digo e estendo a mão para ela que já havia aberto a porta.
- Lindo nome Ayla. - Ele diz pegando em minha mão e a beijando. - Mas agora mais que nunca, ainda prefiro chamá-la de rubi, a joia mais linda do mundo.
Abro m pouco meus olhos como se tivesse surpresa e ele apenas dá uma risada sexy e me convida para entrar.
Vejo todo o luxo da cobertura rapidamente, mas não quero que ele ache que eu me impressiono facilmente, ele que lute para botar um sorriso gigantesco no um rosto.
- Por aqui. - Ele diz e me aponta um corredor, que aposto que leva para os quartos.
Paramos em frente a uma porta e ele abre lentamente indicando para que eu entre. Entro no quarto chique onde tem uma enorme cama dossel no centro do quarto.
Quando eu vazar desse inferno vai ser a primeira coisa que eu vou comprar, uma cama enorme que caberia uma família e sobraria espaço.
- Vem comigo. - Um sussurro no meu ouvido me pega de surpresa me fazendo arrepiar.
Meu cordeirinho safado coloca as mãos em minha cintura e me leva para o banheiro. Ele pega um secador em umas gaveta do gabinete e se vira para mim na maior cara de pau.
- E agora? Como isso funciona? – ele pergunta e eu solto uma risadinha baixa.
Caminho até ele e pego o secador de sua mão e propositalmente roço nossos dedos um no outro. Abaixo meu olhar de envergonhada e coloco o fio do secador na tomada. Deixo-o em cima do gabinete da pia e me volto para meu cordeirinho que está encostado no gabinete.
- Posso? – pergunto baixo quase que como um sussurro, apontado para o paletó de seu smoking.
Ele apenas assente lentamente com a cabeça, então eu me aproximo dele e vou desabotoando seus botões lenta e delicadamente.
Como eu estava bem próxima, ele coloca suas duas mãos na minha cintura e levemente me puxa para si.
Assim que termino de abrir os últimos botões, desço o paletó por seus braços fortes e me seguro para não tirar uma casquinha dele.
Me afasto e pego o secador, secando a manga do seu paletó. Sei que ele me observa, sei também que ele não percebeu que o secador está no mínimo e não vai secar seu paletó tão cedo.
Preparo meu próximo ataque, aproveitando seus olhos e dou uma fungada.
Ele caminha até mim e faço minha melhor cara de choro e só posso dizer uma coisa, eu fico linda chorando.
- O que foi rubi? – ele pergunta levantando meu queixo com a ponta de seus dedos delicadamente.
- Me desculpa. - Digo baixinho. – Se eu não fosse tão desastrada o senhor não estaria aqui perdendo seu tempo comigo e ainda estaria curtindo a festa.
- Ei não fala isso, não precisa se preocupar. – Ele diz e imediatamente desliga o secador. – Não quero mais voltar lá pra baixo mesmo.
- O senhor tem certeza? – pergunto com uma voz quase chorosa.
- Sim, e para de me chamar de senhor e me chame pelo nome. – Ele diz e é agora que o jogo começa de verdade.
- Mas o senhor não me disse seu nome. - Digo baixo.
- Você não sabe? – ele ergue uma sobrancelha e pergunta desconfiado.
É claro que eu sei cordeirinho.
- Não, eu deveria? já nos conhecemos? Me desculpe... eu não lembro, eu devia me lembrar. – Digo nervosa.
- Calma, calma. - Ele diz sorrindo e segura meu rosto com ambas as mãos. – Meu nome é Raj.
Isso, Raj Karim, quase um príncipe ou melhor dizendo rei da farmacêutica. Gostoso, bilionário e o melhor de tudo, solteiro.
- Oi. - Digo fingindo estar com vergonha e ele solta uma risada.
- Oi. - Ele diz ao acariciar meu rosto.
Ele está muito próximo e a cada segundo se aproxima ainda mais, vou dando passos para trás conforme ele se aproxima e assim como eu quero, sou prensada com sutileza no gabinete do banheiro.
- Você é bem rara rubizinha. - Ele diz olhando a minha boca. – Quer que eu te devolva sua camisinha ou quer usá-la comigo?
Olho para ele e abro a boca fingindo surpresa.
- Eu... a camisinha... não sei...
E novamente ele ri e segundo depois ele cola sua boca na minha, com um beijo delicado ele explora minha boca e aperta minha cintura onde suas mãos pousam.
Não demora muito para estarmos sem folego e enquanto eu respiro, sua boca desce para o meu pescoço e sinto sua mão deslizar lentamente em meus peitos por cima do vestido.
- Acho melhor você tirar o vestido e deixar ele secar. - Ele diz ao pé do meu ouvido.
Homem, você é gostoso, mas não vai atrapalhar meus planos.
- E-eu... acho melhor eu ir. - Digo e no segundo seguinte me desvencilho dele e saio correndo dele.
Vou em direção a porta e sei que ele não vem atras de mim, saio da cobertura e pego o elevador e já dentro dele soco minha mão em meu sutiã e tiro minha chave de dentro dele.
Olho para minhas mãos e penso se deixei a minha clutch em um lugar bem visível, e tenho certeza de que ele a encontrara facilmente e como sei que ele vai mexer, vai encontrar alguns cartões de visitas falsos, com meu nome, número de telefone e meu endereço.
Eu sei que ele vai vir atras de mim, porque eu nunca jogo para perder.
AYLA:
Ouço a campainha tocar e sorrio, nos últimos dois dias meu cordeirinho veio até a porta do meu "apartamento" e ficava olhando onde eu moro.
Com certeza não é aqui, esse apartamento me foi emprestado para que eu pudesse continuar com meu plano sem que ninguém me descobrisse.
É um apartamento caro, o meu papel de menina tímida ficaria melhor no papel de menina tímida e pobre, mas com o tempo aprendi que os homens acham que com um boque de flores e uma bugiganga poderia me fazer abrir as pernas para eles. Esse apartamento é um sinal, ele não que pense em vir com flores achando que vai ganhar na loteria.
Quero que ele veja esse apartamento e pense que eu posso ter o que eu quero, então ele que se desdobre para me dar algo que eu nunca pensei em querer.
Caminho até a porta lentamente, não me surpreende que ele não tenha sido anunciado. O porteiro desse prédio é bem certinho, foi difícil e conseguir subornar ele para que ele aceitasse ser subornado por esse homem.
- Quem é? – pergunto com uma voz doce atras da porta.
- Rubi, sou eu, Raj. – Ele diz e eu escondo meu sorriso por uma expressão de surpresa e rapidamente abro uma fresta da porta olhando para fora e o encontrando vestindo roupas casuais.
- O-oi. – Digo sabendo já da minha vermelhidão e vendo ele sorrir. – O que faz aqui? – pergunto quase em um sussurro.
- Vim te devolver isso. – Ele diz e estende minha clutch.
Olho para ele confusa e depois envergonhada.
- Acho que esqueci no seu quarto. – Falo. – Me desculpe.
Ainda não estendo a mão para pegar a bolsa, pois se eu abrir a porta toda agora ele vai ver o que eu estou vestindo.
- Não, se preocupe, pelo menos eu pude vê-la novamente. - Ele diz e sorri, depois olha para minha clutch ainda em sua mão. – Você não quer?
- é que eu não posso pegar... – fala baixo e envergonhada.
- Por que não? Não é sua? - ele me questiona curioso.
Então eu olho para os lados como se estivesse envergonhada em dizer.
- É que eu... eu... não estou vestida corretamente. - Digo, pois ainda escondo meu corpo atras da porta.
- Vestida? – ele diz confuso e segundos depois seus olhos brilham. – Me desculpa, esta tarde e você já devia estar se preparando para dormir.
Não está tarde, são 20h e estou vestida assim esperando desde as 17h o meu cordeirinho.
- Não se desculpe, está tudo bem, eu só não esperava visita. - Digo.
- Tudo bem, então vou deixar sua bolsa aqui perto da porta e vou embora. – Ele fala, coloca a clutch na fresta da porta e se vir para sair.
Levemente eu cerro os olhos. Só isso? Acabei de dar a entender que estou praticamente pelada e ele vai embora? Mas antes que eu possa dar uma desculpa idiota para ele entrar, ele se vira e caminha até a minha porta rapidamente.
- Eu não queria dizer, mas será que eu poderia usar o banheiro? Eu preciso muito. – Ele diz e ainda bem que não foi eu a vir com uma desculpa tosca e sim ele.
- Oh meu deus, sim. - Finjo acreditar em sua mentira e abro a porta rapidamente para que ele entre.
A primeiro momento ele não olha para minha camisola curtíssima ele apenas entra como um raio, mas enquanto eu fecho a porta sinto seu olhar em mim.
Quando vou fechar, vejo minha clutch no chão atrapalhando então com plena consciência de que ele me olha, me curvo para a pegar e empino bem a minha bunda.
Me levanto e me viro inocentemente para ele que me olha em chamas.
- Vou te levar no banheiro de cima para ter mais privacidade. - Digo e vou em direção a escada.
Vou na frente e ele vê um pouco afastado de mim, sei que admirando minha bunda. Caminho pelo corredor das suítes e abro a porta do meu quarto.
- Pode usar o banheiro daqui. – Digo abrindo a porta e entrando junto com ele. – Eu vou ao closet, fique à vontade. - Falo e rapidamente entro no closet envergonhada.
Sei que ele entra no banheiro pois escuto a porta se fechando, olho para as minhas roupas e escolho um vestidinho florido de pano leve, mas que marca bem os meus seios. Ele é bem justinho no busto e solto na cintura para baixa, não é um vestido de sair e nem um para ficar em casa e sim um meio termo.
Assim que me troco saio do quarto e vou esperar ele lá embaixo. Ainda estou descalça e com o cabelo solto, me deixando um ar mais caseira.
Vou para a sala de jantar e coloco os pequeno refratários de comida em cima da mesa, dá para ver que eu não tinha intenção de receber visita por causa da quantidade de comida, mas é o suficiente para duas pessoas.
Não leva muito tempo para que ele dessa com um sorriso no rosto e posso ver que ele aprontou algo. Quando ele me vê pondo a mesa, sei que repara na minha troca de roupa, mas não parece decepcionado.
- Muito obrigado por me deixar entrar. – Ele diz e agradece me dando um beijo na testa. Na hora ele repara na mesa posta e olha para mim. – Eu atrapalhei sua refeição, me desculpe.
- Tudo bem. - Eu o digo e o vejo olhar para a mesa.
fiz uma pequena travessa de lasanha, um arroz branco e ravioli. Todo mundo gosta de lasanha e minha intenção era tentar ele.
- Eu ia jantar, quer ficar? – pergunto muito baixo, mas ele está perto e sei que ouviu.
- Eu posso? – ele pergunta colocando as mãos em cada um dos meus braços e apertando levemente.
Concordo com a cabeça e não demora muito para estarmos comendo a mesa. Vejo ele sorrir ao comer e fazemos isso em silencio, eu por supostamente estar envergonhada e ele por estar aproveitando a comida.
Vou seduzir ele de todas as formas, inclusive pela barriga, não vou deixar nenhuma ponta solta para que outra ache uma brecha e o pegue para ela.
- Ayla. – Ele diz do nada interrompendo o silencio gostoso que estava. Eu olho para ele e percebendo que tem minha atenção ele continua. – Que tal um encontro comigo no sábado?
Ai esta, olho para ele e pisco um pouco os olhos. Eu queria abrir um sorriso, mas me contento com a confusão.
- Quer sair comigo? – pergunto
- Sim Ayla. – Ele diz sério sem usar o apelido que me deu.
Fico um tempo em silencio olhando para ele enquanto espera minha resposta.
- Me desculpe, eu não sei o que dizer. – Falo.
- Ninguém nunca te chamou para sair? – ele pergunta desacreditado.
- Sim, mas... sempre foram com intenções bem duvidosas então eu nunca aceitei. - Digo enquanto ele me olha, então coloco uma mecha de cabelo atras da orelha e volto a dizer tímida. – Mas nenhum deles era como você.
Vejo seus olhos brilharem e então ele puxa sua cadeira para perto da minha e segura em minha mão.
- Prometo que vou ser bem respeitoso com você Ayla, sábado iremos jantar e farei questão de que você goste de tudo. – Ele fala e me permito dar um sorriso meigo. – Bom, melhor eu ir.
Nos levantamos e eu o acompanho até a porta eu a abro e quando ele sai me olha sorrindo.
- Será que eu posso me despedir? – ele pergunta se aproximando.
- Se despedir? – digo e quando vejo sua mão já está em minha nuca me puxando para si.
Ele cola seus lábios nos meus em um beijo carinhoso e depois de algum tempo nos separamos.
- Sua boca é doce minha rubi. – Ele fala passando os dedos por meus lábios. – Boa noite Ayla.
Com isso ele se vai até o elevador e só então me permito sorrir verdadeiramente.
AYLA:
Duas semanas, duas malditas semanas já foi o suficiente para mim. Raj é carinhoso e eu estendi demais minha relação com ele não querendo magoá-lo. Mas não posso continuar com isso, tenho gastado mais dinheiro do que eu tiro dele.
Término de arrumar as minhas malas pensando em como dar um fim na minha relação com ele, eu poderia ir embora, mas se ele quiser pode me encontrar.
Nessas duas semanas fomos só eu e Raj, dormimos juntos e o agradei na cama, isso foi no nosso terceiro encontro. Segurei as coisas por um tempo e dois dias depois ele me presenteia com um colar de ouro branco com um pingente incrustado de pequenos diamantes e um rubi em formato de coração. Não é tão caro, mas é um lindo colar e se duas mulheres disputarem entre eles o valor pode ser triplicado.
Coloco as poucas joias que eu ganhei dele dentro da bolsa e vou para o chuveiro me arrumar. Hoje tem um evento importante no qual fui convidada. Sei que Raj estará lá.
Ele não me apresentou para ninguém, mas percebi que nas vezes que saímos e os homens me olhavam ele ficava com raiva. Ele é ciumento, mas em nenhum momento me chamou para acompanhá-lo nessa festa. Ele não sabe que eu irei, mas sei que ele convidou uma bela modelo para acompanhá-lo.
Essa vai ser minha desculpa, vou fingir esta ciumenta e até mesmo magoada. Então vou terminar com ele, mas quero que ele saiba e aprenda, que não deve se esconder uma mulher.
Então ao sair do chuveiro, pego meu vestido vermelho, como rubi, que fiz questão de comprar com uma fenda na perna e um decote no seios.
Se ele gosta me ver vermelha, vai adorar me ver de vermelho.
Esse vestido é justo e aumenta minha bunda e marca os meus peitos, mas não é vulgar para uma festa da alta sociedade, até porque eu sou uma dama.
Passo uma maquiagem delicada que me deixa parecer corada, mas não demais, um gloss. rosa na boca e prendo meu cabelo em um coque solto.
Estou linda, gostosa, irresistível e pronta para enfartar Raj.
Coloco meu salto prateado e saio de casa, meu motorista já me espera na porta do prédio e não demora muito para que cheguemos à casa de eventos no centro da cidade.
Carros de luxo e limosine formam uma grande fila, esperamos chegar a nossa vez e depois de uns trinta minutos o carro para na porta, onde se estende uma grande tapete vermelho e vários fotógrafos.
Desço do carro e uma enxurrada de flashes me atingem, abro um sorriso e poso para as fotos. Isso, tirem o máximo de foto que conseguirem porque será a última vez que serei vista em Dubai.
Subo pelo tapete vermelho e entrego meu convite a uma mulher que me dá as boas-vindas ao evento.
Caminho por m corredor e logo estou atravessando grandes portas de vidro, sei como estou e gosto dos olhares direcionados a mim quando entro.
Sei que Raj está aqui e só me falta encontrá-lo. Caminho por entre as mesas e converso com estranhos me interagindo. Então eu sinto a sensação de estar sendo vigiada e nesse momento sei que Raj me encontrou.
Me viro calmamente e olho para os lados, algumas mesas a diante encontro ele me olhando bravo, certeza que por conta do vestido. Abro um sorriso para ele e logo depois olho para a modelo pendurada em seu braço quase se esfregando nele.
Faço um olhar melancólico e magoado e olho para Raj, que quando vê o meu rosto faz uma expressão de querer se explicar. Mas ele não se move, apenas me olha como se quisesse conversar comigo.
Balanço a cabeça em negação e desvio minha atenção dele. Meu plano era sair daqui e esperar ele em meu apartamento para terminarmos, mas uma um braço rodeia minha cintura e começa a me puxar para o meio do salão.
- Vamos dançar. – A ele diz furioso e um tremor sobe por minha coluna.
Wagner me leva para a pista de dança e me puxa para si com raiva e logo começamos a nos mexer na pista.
- O que está fazendo aqui Ayla? Por que não está com seu dono? – ele me pergunta e sei que dependendo da resposta que eu de, posso ser levada daqui e perder a chance que eu tenho de ir embora.
- Estou aqui a pedido dele Wagner. – Digo e ele cerra dos olhos não acreditando em mim.
- Me diga exatamente por que está aqui ou te arrasto agora de volta para casa. - Ele diz e eu engulo seco com medo.
- Ele pediu que eu viesse aqui seduzir um homem, ele quer sair ganhando em um contrato e como o homem é um galinha achou que eu pudesse ajudá-lo. – minto descaradamente para ele.
- Você é a favorita dele Ayla e agora ele está dividindo você? – ele pergunta com uma meia risada. – Ou você está perdendo o jeito ou ele confia muito em você.
- Prefiro a segunda opção. - Digo e ele concorda com a cabeça.
- Vou te deixar ir Ayla, estou acompanhando alexia, mas saiba que estarei de olho em você. – Ele diz e eu concordo.
Ele me solta e eu saio da pista de dança em direção a saída.
Preciso ligar para o motorista vir me pegar, mas antes que eu o possa fazer sinto um aperto em meu braço e segundos depois vejo Raj que me puxa por outra saida e logo estamos no estacionamento.
- O que pensa que está fazendo? – grito para ele e puxo meu braço.
- Estou te levando para casa, então vamos logo para a droga do carro porque meu motorista já está me esperando. – Ele diz e volta a me puxar.
Logo chegamos em seu carro e ele rapidamente me joga para dentro em seguida dando a volta e entrando pelo outro lado.
Há um homem sentado no volante, mas ele não diz nada e assim que Raj entra ele começa a dirigir para fora do estacionamento.
- Quem era aquele homem? – ele pergunta com raiva.
Olho para ele indignada com sua pergunta.
- Isso não é da sua conta. – Digo entre dentes.
Vejo ele tentando controlar sua raiva e respirando fundo.
- Eu não vou perguntar de novo Ayla! Quem é aquele homem? – ele pergunta, mas não o respondo então ele pega em braço com força novamente. – Me responde Ayla!!
- Você não tem o direito de me perguntar nada. - Falo para ele. – Agora solta meu braço seu bruto.
- Ayla, tinha um homem dançando com o que era meu, eu tenho direito de perguntar o que eu quiser. – Ele fala ainda apertando o meu braço.
- Seu? Eu não pertenço a você Raj, eu achei que você gostava de mim, mas estava lá com outra. – Digo.
- Quem era ele? – ele está furioso e ignora tudo o que eu disse.
Me viro olhando para ele furiosa, não o respondo, apenas tento desvencilhar de seu aperto.
E então, quando menos espero um tapa acerta meu rosto fazendo com que eu fique quieta.
- Você... – digo o olhando. Não é a primeira vez que eu levo um tapa na cara, já estou acostumada.
Mas isso é humilhante e eu uso essa humilhação para deixar que algumas lagrimas caem dos meus olhos.
Quando ele vê que estou chorando solta meu braço e não diz mais nada, nem um pedido de desculpas.
O motorista que ouviu tudo e sabe o que aconteceu ficou quieto e apenas continuou dirigindo.
É sempre assim com homens poderosos, então apenas calo a minha boca e quando o carro para na porta do meu prédio eu desço do carro e ouço a porta do lado de Raj se abrindo.
Me aproximo da portaria do prédio e porteiro me vê chegando então já destranca o portão.
Entro rapidamente e antes que Raj possa entrar, fecho o portão atras de mim.
- Não o deixe entrar mais. – Falo para o porteiro que me escuta da cabine.
- Oque pens que está fazendo Ayla? – Raj diz bravo. – Me deixe entrar para conversarmos.
- Acha mesmo que depois de me trair e me bater eu quero algo com você Raj? Vai embora e não me procure mais. – Digo e viro as costas indo embora.
Ouço ele chamar meu nome, mas não dou atenção. Teria ficado com pena dele se ele não tivesse me batido, mas agora ele que vá para o inferno.
Subo para o apartamento, tomo outro banho e separo a roupa que irei usar amanhã quando eu for para o aeroporto.
Foi difícil juntar uma boa quantia de dinheiro e mais difícil ainda foi fazer isso escondido.
Agora finalmente poderei sair desse lugar e seguir com a minha vida.