Foi difícil acordar esta manhã, queria ficar deitada o resto da vida nesta cama macia e sozinha. Por que não? Acho que já me acostumei.
O Sol entrava forte pela minha janela entreaberta do vigésimo andar, uma brisa suave fazia minha cortina esvoaçar e deslizar até minha cama. A manhã parecia bela e de céu limpo, azul. Como eu disse, queria ficar na cama, mas tinha que me mexer. Fazia semanas que não me exercitava, já estava a muito tempo trancada no meu apartamento, o tempo todo. Home Office, é, já sabemos o que é isso e o porquê disso, não preciso explicar. Saía quando precisava e voltava direto para casa, usando uma máscara que ninguém mais sabia como era o rosto de ninguém.
Com toda vontade do mundo chutei as cobertas. Usava um baby doll branco, como o resto do meu quarto, que também era branco. Era curto e deixava parte do meu bumbum à mostra, e apertava bem ela... entrando, rachando. Espreguicei-me e meu peito deslizou para fora, o mamilo durinho. Apertei-os, fechei os olhos e abri as pernas. Sim acordei com tesão. I dai? Você não?
A última vez que transei foi há bastante tempo, há três anos. Gozei muito aqui nesta mesma cama com meu ex, de quatro. Ele adorava minha bunda e também a de outras garotas, como fiquei sabendo mais tarde. Assim me concentrei no trabalho, por tempo demais. E nos últimos meses acordei muitas vezes pensando em sexo, fico com muito tesão e me dá vontade de me masturbar. Tudo por causa das reuniões de live, aparece uma nova pessoa, um novo rosto. Que se não fosse reunião de trabalho com certeza aconteceria outra coisa. Uma ida ao bar que depois acabaria na casa de alguém, ou no carro mesmo. Essas lives me despertaram fantasias. Uma vez fiquei só de calcinha e arrumada da cintura para cima. Ninguém percebeu.
Comecei a entrar em chats e conversar com pessoas que nunca vi só para ter um pouco dessa experiência. Dessas fantasias. Vi vídeos, li histórias e percebi que gostava de outras coisas que ainda não tinha experimentado. Foi divertido e não pensei que fosse gozar conversando com um estranho num chat ou em um vídeo, só não mostrava o rosto. O rosto para eles não interessava.
Tenho que me levantar dessa cama, mas primeiro não vou deixar de me masturbar. Meu babydoll já tem uma pequena manchinha úmida. Vou me imaginar de quatro com alguém segurando minha bunda e socando com vontade, como se eu fosse a única mulher do mundo. E vou até gozar.
Meu nome é Gabriele, e hoje acordei com tesão. E você?
Continua...
Depois da intensa manhã, me levantei, deixei meu lençol todo molhado, eu tinha esse pequeno probleminha, e às vezes colocava uma toalha para não deixar a cama tão úmida. Às vezes não acontecia, mas hoje não deu para segurar. Estava com muita vontade. Com vocês é assim também, não é?
Meu ex-namorado adorava. Dizia que era uma cachoeira quente envolvendo seu pênis e ele gozava na hora. E, eu, não posso dizer que não gostava ou que me incomodava, eu até curtia fazer aquilo. Acho que era assim que eles se sentiam quando ejaculavam em nossas bocas. Eu gostava de fazer na boca dele também, e me dava muito tesão. Gostava de ver meu esguicho entrando em sua boca enquanto se masturbava como um louco.
Mas não eram todos os homens que curtiam.
Um antigo namorado realmente não gostava, e quando nós transamos pela primeira vez, eu gozei no pau dele e ele achou que eu tinha mijado de propósito. Ficou bravo. E eu nunca tinha visto um cara com tanto nojo na hora do sexo. Foi até engraçado, mas me segurei se não ele iria achar que foi realmente de propósito. Eu tentei explicar, mas ele não curtiu. O que eu ia fazer? Fingir que tive um orgasmo só para não molhar ele. Nunca! Depois vem me pedir pra abrir a boquinha que lá vai leitinho. Eles não perguntam pra gente se gostamos ou não.
Fui tomar um banho. A água quentinha e deslizei a mão pelo meu corpo macio, a espuma descendo pelos meus seios e sumindo entre minhas coxas. Achei melhor sair logo se não começaria tudo de novo. Sequei-me e joguei a toalha no chão do banheiro, andei nua pela casa até chegar ao meu quarto de cama desarrumada, e coloquei uma calcinha confortável e uma roupa de ginástica preta. Eu tinha um corpo até bonito, pelo menos falavam muito. Tinha a pele branca e cabelos longos e pretos, eram um pouco cheios. E olhos castanhos. Prendi meu cabelo e fui tomar meu café preto fresquinho. Como adorava o cheiro do café espalhando pela casa.
Hoje eu iria sair, mas não para tão longe, infelizmente a academia era no meu prédio e torcia para que estivesse vazia. Quando cheguei à porta ouvi a vizinha do meu lado saindo, não nos falávamos muito e esperei ela tomar o elevador com o filho. Na frente tinha outros dois apartamentos, a da esquerda era de uma senhora simpática, gostava muito dela, de conversar com ela, seu nome era Júlia. Na direita, o apartamento estava vazio há muito tempo, pelo menos eu achava. Não tenho certeza, mas acho que ouvi barulhos vindos de lá e uma sombra por baixo da porta.
Não vi mudança, provavelmente o apartamento era mobiliado. Por duas vezes ouvi barulho, mas não tinha visto ninguém.
Até aquela manhã.
Assim que minha vizinha chata sumiu, eu coloquei minha máscara. Peguei minha garrafa de água, o álcool gel, o celular e saí pela minha porta. Fiquei ali um pouco parada pensando em nada enquanto esperava o elevador. Quando ouvi uma porta abrir, não era a dona Júlia. Foi do outro apartamento. Aquele que estava vazio. A porta se abriu ao mesmo tempo em que o elevador chegava. Ouvi chaves, porta fechando, elevador abrindo e eu entrando. Entrei sem olhar para trás, depois me virei e ele aparece todo vestido de preto, de terno preto. Era alto, moreno e se vestia bem, também estava de máscara. Os olhos eram bonitos. Era só o que eu podia ver. E parecia que tinha barba. Seu perfume tomou o elevador e me fez suspirar. Depois de uma manhã como a minha com certeza esse seria o próximo com quem eu iria fantasiar. E era meu vizinho.
Depois de um breve olhar, muito rápido, achei que fosse me dar um bom dia, mas me enganei. Todo mundo cumprimentava alguém no elevador. Nada mais educado que isso. Não nos conhecemos, não nos falamos, mas damos bom dia. Descemos sozinhos, em silêncio. A porta abriu e ele saiu, como se eu nem estivesse ali.
Fui à direção da academia descarregar a energia acumulada. Tinha que suar com alguma atividade que não fosse sexo. Mas aquele cara continuava na minha cabeça e não saia de jeito nenhum.
– Bom dia – disse para uma mulher que acabava de sair da academia, como se diz normalmente quando encontramos uma pessoa.
– Bom dia – respondeu ela passando uma toalha na testa.
Não tinha mais ninguém lá dentro e fui direto para uma esteira e limpei tudo com álcool gel. E coloquei meu fone de ouvido e deixei a música bem alta. Normalmente corria na rua, mas não agora e por um bom tempo. O suor escorria pelo meu corpo, deixava meu peito úmido. Descia pelas minhas costas e molhava minha calça legging. Sequei-me com minha toalha e bebi um longo gole da minha garrafinha de água. E depois de quase uma hora ali, voltei para meu apartamento sem ver a rua.
Quando cheguei ao elevador ele estava lá, meu novo vizinho mudo. A porta abriu e ele entrou, eu logo em seguida. Ficou para no fundo e nem apertou o número de seu andar. Eu tive que fazer isso. Antes que a porta fechasse, entrou mais algumas pessoas, me empurraram para trás pedindo licença e falando bom dia. Fiquei com raiva, não deveria ter tanta gente ali dentro. Fiquei muito perto dele. Sentia ele atrás de mim, o ouvia respirar. Cheguei a esbarrar nele. E seu perfume novamente me tomou. Cheguei a fechar os olhos por um instante, como se tivesse só nós dois ali de novo. Imaginei pequenas aventuras, que logo foram interrompidas quando todos começaram a sair.
Afastei-me dele. A porta abriu e saímos, e não disse uma palavra. Peguei minha chave e abri a porta, ele ainda estava ali parado. Entrei e fechei a porta e olhei pelo olho mágico. Ainda estava ali de pé, em seguida abriu a porta e, antes de entrar, se virou e olhou para minha direção, para meu olho mágico e eu o senti me encarando, e me afastei da porta na mesma hora. Aquilo foi estranho, voltei para o olho mágico e ele tinha sumido com uma batida da porta.
Continua...
Meu celular tocou, tomei um susto, uma mensagem do trabalho. Estava atrasada hoje. Trabalhando em casa e atrasada, isso não era um bom exemplo. Corri para tomar outro banho, agora era só para tirar o suor. Coloquei uma roupa mais social, um terninho, uma calça e... pantufas. Acho que ninguém vai olhar meus pés, se da outra vez não viram que eu estava só de calcinha. Aquele foi um dia interessante. Tenho certeza que alguns deles já fizeram uma live só de cuecas.
Computador ligado, live aberta e foi aparecendo um por um. Meu chefe Gustavo, com sua postura austera arrumando alguma papelada. Breno, já trabalhava com ele há bastante tempo. E o novo contratado, Renan, que deu a sorte de arrumar um emprego numa pandemia, era bonitinho, sem dúvida, um pouco perdido, mas logo ia se encaixar. E Nancy, uma grande amiga. Ela sabia que na live anterior eu estava só de calcinha. Achou-me maluca e algumas vezes ela riu no meio da reunião. O chefe achou que ela estava vendo algum vídeo. E disse se não queria dividir alguma coisa com a gente. Nancy se recompôs e a reunião seguiu.
Depois de um breve bom dia a reunião de hoje começou. Manhã de muitas conversas e trocas de ideias, soluções para alguns problemas que vinham surgindo e mais nada. Até darmos uma pequena pausa.
– Bonito terno. É um modelo completo – perguntou Nancy com um sorrisinho.
– Sim – respondi me levantando, ela tomou um susto.
– Alguma novidade? – perguntou Nancy.
– Conheci o vizinho do 79 – respondi.
– E como ele é?
– Mudo.
A live seguiu por horas, um pouco mais longa que o normal. Problemas, problemas e mais problemas. Só fui almoçar uma hora da tarde e continuei a trabalhar por mais três. Espreguicei-me na cadeira e fui comer um pão de queijo com uma xícara de café. Depois me larguei no sofá e cochilei mais do que deveria. Era inicio da noite quando acordei com o céu laranja, algumas mensagens do trabalho e nada mais. Isso mesmo, nada mais. Essa era minha rotina.
Levantei-me do sofá e ouvi alguns barulhos do lado de fora, fui ver o que era pelo olho mágico. Meu novo vizinho do 79 estava carregando algum móvel. Estava de camisa preta e... de cueca preta. Inacreditável, pensei eu, olhando aquela bunda. Se curvando, agachando e levantando. Meus pensamentos bugaram. Tem gente que fica de cueca, calcinha, como eu, em casa, mas não do lado de fora. Se minha vizinha o visse teria um sério problema. Estava carregando um móvel com a ajuda de outro cara vestindo um terno preto. Outro de terno preto. Já estava criando um fetiche particular com isso. E isso me fez lembrar-se da antiga moradora do 79, sim, naquele mesmo apartamento.
O nome dela era Wanda, uma mulher mais velha e elegante. Também sempre vestia preto, terno preto, como o meu até, e camisa branca de botão por baixo, mas eu não o vestia o tempo todo. Quase nunca. Ela também usava vestidos e saias, tudo era preto o tempo todo. Seus amigos quando a visitam também usavam preto. Uma vez peguei o elevador com eles e me senti no meio de um bando de seguranças, e não falavam nada. Mudos, calados. Nem notavam a minha existência.
Ela recebia muitas visitas, dava festas, mas nunca incomodava ninguém, me cumprimentou uma vez, e só. E esse novo morador começava a fazer as mesmas coisas que ela.
Depois que aquele rapaz o ajudou com o móvel, apertaram as mãos e se despediram, logo foi embora pelo elevador. Meu vizinho sem nome entrou, e antes de fechar a porta, de costas para mim, abaixou sua cueca e a tirou, fiquei de boca aberta. Há quanto tempo não via um bumbum na minha frente. Suspirei, levei a mão ao peito e ele olhou para minha porta, estava sem máscara. Senti-me encarada, então, ele fechou a porta.
– Filho da puta – disse eu, baixinho, tirando a mão do seio.
Afastei-me devagar da porta levando as mãos até as coxas. Não, não iria me masturbar duas vezes num dia. Não faço isso nem toda semana. Tomei um gole de água que pingou no meu peito e voltei ao computador. Tinha que me distrair com alguma coisa, comecei a ver uma série na netflix. Qualquer coisa que me fizesse esquecer o que vi. Mas foi inútil.
– Ele fez de propósito – disse para mim mesma, não conseguindo me concentrar no episódio.
E por que seria de propósito? Ele nem sabia que eu estava olhando. Ou sabia? Talvez ele tenha olhado para ter certeza que não tinha ninguém. Bom, que olhasse primeiro antes de tirar a cueca, não é? Ou que fechasse a porta primeiro, seria o mais óbvio e o que qualquer um faria.
E consegui ver um pouco seu rosto. Sim, ele tinha barba. E com aqueles pensamentos que me infernizavam, entrei num site para adultos e pesquisei por ternos pretos.
A maioria dos vídeos era do chefe comendo a secretária. Deu certo calor e tirei meu terninho, será que ele era algum executivo. Pesquisei mais coisas e cheguei a alguns fetiches como BDSM, não sei por que cheguei aqui. Quando cheguei neste último, me lembrei da antiga moradora do 79 e seus amigos de terno preto. Uma vez quando eu saía vi um homem usando uma máscara, foi muito rápido e ele estava me observando, depois e a porta fechou. Submissão, agressão, escravas. Coisas que eram difíceis de acreditar que faziam ali dentro. Não, isso seria demais, não acho que faziam isso. Acho que estou viajando, guiando meus desejos. Mas eu continuei a olhar, não conseguia parar. Sensações novas despertavam em mim. Assisti e me surpreendi quando gozei pela segunda vez naquele dia, ali mesmo na cadeira do computador. Maldita bunda. Ela não saía da minha mente. Eu a mordia, lambia, a abria, queria ver tudo. Acho que estou ficando maluca ou virando uma ninfomaníaca. Parece nome de filme pornô, "a adoradora de bundas".
Essa quarentena tava acabando comigo. Acho que preciso de um vibrador. E foi o que fiz, comprei um pela internet. Era aquele tipo de compra que se você pensa demais, você não faz. E fiz no impulso.
Depois fiquei imaginando a entrega. Fiquei desesperada. E se o pacote abrisse e caísse no meio do elevador cheio de gente. Se o entregador gritasse lá de baixo: "Gabriele, seu pinto chegou!" Eu teria que me mudar daqui.
E pela terceira vez fui tomar um banho.
continua...