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 Apenas Fique Comigo

Apenas Fique Comigo

Autor:: OLI LAGO
Gênero: Romance
Quando uma notícia cai como um bomba para Camile Maier, a sua vida programada para ser boa se torna um pesadelo, cada escolha tem uma consequência e a dela teve. Abandonada pelo namorado e sozinha ela se vê sem muitas escolhas. Rendendo aos apelos de sua melhor amiga ela decide ir apara um bar tentar se divertir, ela só não esperava que a sua volta para casa poderia mudar de novo o seu destino. Diogo Zotin era um cara galanteador que nunca tinha se apaixonado de verdade, recentemente vivia ainda mais fechado e cauteloso com os relacionamentos depois de um breve namoro forçado que não tinha terminado nada bem. O trauma que Alexia tinha deixado em sua vida tinha o marcado para sempre e essa dor ele preferia esconder, por isso ele só tinha duas regras, sem repetições e devidamente protegido. Mas naquela noite as coisas poderiam mudar. O amor supera tudo?

Capítulo 1 Solidão

"Eu só queria entender porque não foi tão diferente

Eu jurava que seria com você

Mas a cabeça me enganou tão lentamente

Que acordei sozinho sem pode te ver. "

Solidão – Maria Gadú

Estava parada na porta do quarto com os braços cruzados frente ao peito observando Eduardo fazer suas malas. Não conseguia expressar nenhuma reação, ainda estava imóvel como uma estátua assistindo a cena que me assombrava os pensamentos e me tiravam a paz a cada dia nos últimos meses.

Aquele dia em especial tinha sido estressante com alguns problemas no estúdio em que eu trabalhava e já se passavam das seis da tarde quando cheguei em casa totalmente exausta, como todos os dias o esperei para decidirmos o que iríamos jantar seguindo a nossa rotina, mas assim que ele passou pela porta eu soube que tudo seria diferente.

Eduardo não havia vindo até mim e me dado o beijo carinhoso na testa enquanto acariciava meu cabelo e perguntava sobre o meu dia. Tinha chegado com um semblante fechado, sequer se aproximou e tudo que disse quando me olhou foi que estava indo embora e seguiu para o quarto começando a fazer as malas.

- Acho melhor darmos um tempo... tanto eu quanto você precisamos pensar. Ouvi sua voz firme e decidida quebrar o silêncio, já que era a segunda coisa que ele dizia desde que havia chegado e jogado a notícia sobre mim.

Duas malas estavam abertas em cima da cama enquanto remexia no guarda roupa retirando suas camisas bem engomadas que eu separav¬¬¬a por cores. As jogou sem nenhum cuidado na mala como se tivesse pressa em sair dali.

O nó em minha garganta apenas aumentava, mas eu precisava falar, não queria aquilo. Pisquei meus olhos para segurar as lágrimas que ameaçavam a rolar antes de suspirar para começar a dizer:

- Eu não preciso de tempo para pensar, Eduardo! - Murmurei. - Eu amo você, não acredito que está desistindo de nós... você tem outra, é isso? Acusei e vi a fúria em seus olhos quando me encarou alguns segundos calado.

- Você sabe que eu nunca faria uma coisa dessas Camile! Nosso problema não é infidelidade, já estamos caminhando para o fim há quatros meses e você sabe muito bem o porquê!

- Eu sei? Aumentei a voz descruzando os braços e levando os dedos das mãos sobre minhas têmporas que doíam.

Edu e eu quase nunca discutíamos, geralmente quando acontecia eram brigas bobas e relacionadas a ciúme, brigas essas que na maioria das vezes eram protagonizadas por mim, mas independentemente dos motivos, todas eram resolvidas na cama, perceber que aquela que estávamos tendo agora não terminaria como as outras me deixava apavorada.

- Sabe! - Jogou algumas últimas roupas na mala e levou as mãos sobre o rosto esfregando os olhos em um ato que sempre fazia quando estava irritado. - Não posso mais, Camile! Amo você, mas não posso ficar e assistir o que está fazendo, não foi eu quem desistiu de nós, você desistiu!

- Você dramatiza tudo, Eduardo! Continuo a mesma! Sou eu aqui! A mulher que você conheceu há quatro anos! Eu não consigo entender... por isso eu aposto que está com alguém, foi na última viagem de trabalho?

- Para com isso! - Gritou me fazendo arregalar os olhos assustada. - Já falei que não tem nenhuma mulher. Abaixou seu tom se demonstrando chateado.

Revirei os olhos o encarando. O silêncio que se passou naqueles rápidos segundos em que nos olhávamos foi tempo suficiente para eu sentir meu coração se quebrar.

- Você diz muitas coisas, Eduardo. - Minha voz saiu esganiçada e embargada pelo choro. - Que nunca me abandonaria foi uma delas.

Seu rosto bonito se transformou em uma carranca, minhas palavras haviam o atingido, mas a dor em seus olhos durou pouco, logo soltou o ar e começou a fechar as malas me ignorando como se eu não estivesse ali.

- Essa discussão é inútil, você nunca me ouve... deixei seis meses de aluguéis pagos, você não precisa se preocupar por enquanto. Anunciou agarrando as alças das malas e passou os olhos pelo quarto analisando se não estava esquecendo nada importante.

- Edu. - Atravessei na sua frente impedindo que saísse. - Eu não importo com a merda dos aluguéis, não quero o seu dinheiro... não faz isso, por favor! Clamei deixando uma lágrima escapar.

- Para mim não dá mais.

Não fui capaz de replicar mais nada, dei um passo para o lado deixando que passasse e quando escutei a porta do apartamento se fechando foi como se tivesse sido deixada em uma caverna escura.

Cai de joelhos e deixei as lágrimas que tanto segurei anteriormente caírem, lágrimas que se transforaram em um choro alto cheio de soluços em pouco tempo.

Levantei os olhos para o guarda roupa com as portas abertas e o vazio lá dentro ironicamente mostrava como eu me sentia agora. Eduardo tinha ido e levado uma parte minha com ele, o pior de tudo era saber que ele tinha me avisado que se eu tomasse aquela escolha nós dois acabaríamos.

Encarei o teto e minha mente viajou em toda a minha história com ele. Tudo tinha começado há quatro anos atrás quando eu me mudei de Goiânia para o Rio de Janeiro, tinha passado no vestibular de Direito na Universidade Federal, lá também foi onde tinha conhecido a maluca da minha melhor amiga, Bárbara Magalhães ou Babi, que era como era chamada por todos.

Babi era minha colega de sala e logo nos tornamos muito amigas, enquanto eu era um pouco comedida em minhas ações, ela era uma alma livre, amava promover inúmeras festas na imensa mansão que vivia com seus pais na Barra. Foi em uma dessas que Eduardo e eu nos conhecemos, Edu era um dos melhores amigos de Bruno irmão de Babi. Na noite em que fomos apresentados eu tinha gostado logo de cara já que ele era muito bom de papo além de definitivamente ser um colírio para os olhos.

Eduardo carregava em si um charme e gingado que faziam com que ficássemos encantadas, nos seus um metro e oitenta de altura corpo forte e levemente bronzeado chamava atenção por onde passava, o rosto bonito era limpo, sua barba nunca aparecia já que ele a fazia fielmente todas as manhãs, os olhos escuros como ônix davam um ar de mistério que se desfazia quando ele sorria e a alma de garoto que ele tinha resplandecia.

Pela sua boa aparência, Edu carregava a fama de galinha conquistador, então não foi surpresa para as pessoas ali quando ficamos juntos aquela noite, surpreendidos ficaram foi quando depois da festa engatamos um romance.

Primeiro porque ele nunca engatava namoros e existia uma penca de mulheres que comprovava isso, segundo por minha aparência.

Eu não era feia. Definitivamente não, mas, não podiam me encaixar no padrão que Eduardo costumava desfilar por aí, nem era o padrão em que a sociedade fazia questão de impor, eu era uma mulher de curvas, meus um e sessenta e cinco de altura era composto de coxas grossas, bumbum e seios grandes que me incomodavam desde a adolescência. Adolescência em questão que eu tinha passado toda lutando para diminuir medidas através de dietas malucas, mas sem sucesso.

Minha barriga não era chapada, ela mostrava que eu não frequentava academia, comia chocolate e tomava a boa e amada cerveja, eu era gordinha e nunca consegui mudar, após todas tentativas vãs eu tinha apenas desistido e aceitado, aprendido a me amar como eu era e a me sentir linda.

A única coisa que todos me enchiam de elogios eram meus cabelos cumpridos naturalmente dourados acobreados, Babi chegava a me exaltar a ter um cabelo "loiro ruivo".

Surpreendendo até mesmo a mim, Eduardo me levou a sério, estava terminando sua faculdade de Publicidade e acabado de abrir a sua agência, enquanto eu estava começando a minha de Direito e conseguia me sustentar com a ajuda que recebia do meu pai e do emprego de meio período que eu havia conseguido como fotógrafa em um estúdio na Barra, mas nada daquilo tinha sido empecilho para nós, tínhamos uma química boa engrenando o nosso relacionamento fazendo planos para o futuro.

No primeiro ano do nosso namoro comemoramos felizes e muito apaixonados, de surpresa me levou para conhecer o confortável apartamento na Barra da Tijuca em que ele iria morar, meio a minha felicidade por sua conquista me fizera o convite para que morássemos juntos explicando que já havia planejado tudo, revelou que o apartamento era o lugar estratégico para ser perto da minha faculdade, do estúdio e da sua agência, eu tinha demorado cerca de dois segundos para aceitar sua proposta, aquele foi um dos melhores dias dos muitos nos últimos dois anos que vivemos aqui.

Tudo ia maravilhosamente bem até cerca de seis meses atrás quando após a festa de lançamento de uma grande conta que a agência de Eduardo tinha conseguido, me senti mal novamente o que não estava sendo novidade ultimamente, mas naquela noite eu tive uma crise convulsiva e descobrimos que os pequenos mal-estares eram mais graves do que imaginávamos.

As lembranças de tudo passavam como um filme, deixei meu corpo cair sobre o chão gelado me encolhendo em posição fetal enquanto o choro continuava. Tinha acabado, tudo que vivemos e planejamos tinha sido em vão. Meus olhos pesaram o suficiente e eu os fechei clamando mentalmente que aquilo fosse um pesadelo.

- Camile! Abri os olhos dando conta que tinha dormido ali no chão duro, ouvi a voz conhecida enquanto minha campainha tocava mais três vezes seguidas.

Me remexi virando sobre as costas e encarei o teto. Não havia sido um pesadelo, Edu tinha ido embora e quanto tempo eu tinha dormido eu não sabia, mas não achava ser muito já que ainda estava escuro lá fora. Meu corpo doía pela posição que eu tinha a adormecido, só não doía mais que as pontadas em minha cabeça, e essas eu sabia que infelizmente não melhorariam. Sentia meus olhos pesados e inchados, logicamente estaria com a cara parecendo uma bolacha depois de chorar tanto.

A campainha tocou mais uma vez e me firmei de pé indo até a porta a abrindo de imediato. Bárbara estava parada com os olhos arregalados aparentemente preocupada entrou sem nem mesmo ser convidada.

- O que aquele imbecil fez? Parou na minha sala cruzando os braços sobre o peito depois de deixar uma sacola sobre a mesinha de centro.

- Como você sabe que foi Eduardo quem fez algo? Sussurrei a vendo se jogar no meu sofá negro aveludado.

- Porque ele me ligou e disse que você precisava de mim.

- Ele ligou?

- Ligou e disse para eu vir checar se você estava bem, já que vocês haviam decidido terminar... que merda está acontecendo, Camile?

- Nós decidimos? - Falei para mim mesma e soltei uma risada rancorosa. - Ele teve coragem de dizer isso?

- Sim, falou algo sobre diferenças irreconciliáveis.

Soltei uma bufada de ar enquanto o meu ódio interior por Eduardo brotava.

- O que acontece é que eu não sou mais o que ele quer. Passei a mão pelo rosto e apertei os olhos que queimavam feito brasa me sentando ao seu lado.

- Você está dizendo que o cretino arranjou outra? Sua voz saiu estalada.

- Não sei Babi... não sei mais de nada. Deixei minha cabeça cair para o encosto.

- Porque exatamente vocês discutiram? Aposto que ele estará aqui amanhã de manhã, isso é drama dele.

- Não brigamos. - Minto fechando os olhos. No final das contas eu sabia bem o porquê de Eduardo ter ido embora, e que daquela vez ele sair de casa era diferente de nossos desentendimentos, amanhã de manhã ele não estaria na cozinha usando apenas cueca enquanto me preparava um café para fazermos as pazes. Edu não ia voltar, mas ao menos eu agradecia por ele não ter contado para Bárbara toda a verdade. - Acho que ele tem razão, nós mudamos muito durante esses anos juntos, não estava mais dando certo.

- Mudaram? - Babi se remexeu ao meu lado. - Te conheço faz quase cinco anos e se você mudou alguma coisa nesse meio tempo foi parar de reclamar de pão de alho no churrasco, de resto? Igualzinha!

- Talvez para ele eu tenha mudado, amiga. Disfarcei encarando a minha TV desligada.

- Ok, acho que tem coisa aí que não está querendo contar, mas eu vou respeitar... vamos abrir esse sorvete que eu trouxe e procurar algum filme para você se distrair, ou se quiser ainda está em tempo de pegarmos uma baladinha para você beber todas até tirar esse canalha da cabeça.

Encarei minha melhor amiga e pela primeira vez na noite consegui sorrir. Babi era o meu oposto em todos os sentidos, seu corpo era sarado de academia, os olhos azuis brilhantes destacavam seus cabelos negros cortados em camadas, as roupas de grife a deixavam com um ar descolado e não com aparência da patricinha que ela definitivamente era e amava ser. Apesar de quase nunca concordarmos em algo a gente se completava, eu só tinha a agradecer por ter ao meu lado uma amiga fiel.

- Amiga, acho melhor deixarmos esses planos para depois, hoje eu não só quero, como preciso ficar sozinha.

- Eu não te dei essa opção. Brincou.

- Por favor. Insisti e senti seus braços circularem meu corpo em um abraço.

- Promete me ligar se precisar de algo? Qualquer coisa mesmo.

- Você sabe que sim. Respondi sorrindo.

- E promete também que amanhã iremos sair?

- Amanhã? Eu acho que não.

- Qual é, descolo uns ingressos para gente.

- Provavelmente eu não estarei no clima ainda.

- Descolo umas drogas para você.

Reviro os olhos. - Não uso essas porcarias de drogas.

- Está bom caretinha, só estava brincando. - Foi a vez de ela rir. - Só trate de se animar sozinha, porque amanhã as dez estaremos indo. Anunciou se colocando de pé e agarrando a bolsa.

Me mantive calada encarando o chão da minha sala.

- Tudo bem mesmo em ficar sozinha? Eu posso dormir aqui sem problema.

Levantei os olhos para ela e falei: - Não estou bem amiga, mas eu vou ficar, prometo!

- Não chore mais por ele, ok? - Passou os dedos pelos meus olhos inchados. - Vou avisar Bruno para que ele corte as relações com Eduardo, não quero saber dele lá em casa mais!

Pela segunda vez na noite eu sorri. Até parece que Bruno se afastaria de uma amizade de anos como a que ele tinha com Eduardo porque a amiga da irmã tinha terminado o namoro. Àquela altura eu apostava ele já estava ciente e já tinha arrastado Edu para "comemorar" em algum lugar pois vivia criticando a vida de casado que tínhamos.

- Obrigada pela tentativa, só preciso de um banho e uma boa noite de sono. Forcei um sorriso enquanto a levava até a porta e lhe dava um último abraço de despedida para vê-la entrar no elevador.

Olhei para o corredor silencioso e me senti imensamente sozinha ali, mas não podia agir como se a vida tivesse acabado, eu tinha amigos, a maioria conheci por intermédio de Babi assim que cheguei ao Rio. Tinha me mudado para cá deixando um irmão e pai para seguir o meu sonho de fazer universidade. Minha mãe havia falecido quando eu ainda estava com dez anos e apesar de ter sido criada repleta de amor, sentia muita falta dela, era somente eu junto de dois homens protetores cresci sentindo falta de uma opinião feminina na minha vida, Babi tinha se tornado essa pessoa quando nos conhecemos e eu tinha certeza que era este o motivo de amá-la tanto.

Confirmei que a porta estava trancada, encarei o relógio que já marcava pouco mais da meia noite, evitei olhar para a parede que dividia a nossa sala da cozinha americana porque tinha a tornado um painel enorme de fotos minhas e dele, apaguei as luzes marchando para o quarto indo direto para o banho.

Me enfiei embaixo do jato quente do chuveiro desejando que a água me lavasse não só o corpo como a minha alma, rezei para que a tristeza que estava sentindo fosse ao menos uma parte embora, já que o motivo pela minha vida estar desmoronando estava dentro de mim e, eu tinha decidido por não o retirar.

Escovei os dentes ainda entorpecida pela água quente, os pensamentos vagavam entre os acontecimentos anteriores, abri o armário do banheiro e joguei dois relaxantes musculares dentro da boca, me enfiei debaixo das cobertas no escuro, rolei poucos minutos na cama até os comprimidos começarem a fazer efeito e o sono me tomar.

Nas duas semanas que se seguiram eu continuei a base de aspirinas para dormir e também tinha voltado a tomar o remédio que Doutor Ciro havia me receitado porque as dores de cabeça estavam constantes e só com eles diminuíam um pouco.

Tinha conseguido convencer a Babi que não seria uma boa companhia para sair, já que apesar de estar oficialmente solteira, eu ainda não tinha me conformado.

Eduardo tinha sumido, nenhuma ligação ou notícia, nada, não tinha tentado nenhum contato. Eu estava vivendo uma rotina monótona de acordar, ir para a aula e logo depois estúdio, as quatro da tarde voltava para casa em busca de me entupir de comprimidos e dormir.

Estava sentada frente minha pequena mesa de escritório esperando que as fotos de uma cliente ficassem prontas quando encarei meu celular, tinha virado uma mania apertar o botão central para ver se havia recebido mensagem ou ligação, no fundo eu tinha esperança que Eduardo mudaria de ideia e apareceria, mas depois de quinze dias eu estava começando a ficar uma pilha de nervos, tinha procurado e visto que ele estava ativo em suas redes sociais porque nossas fotos juntos haviam sumido e o seu status no perfil social tinha sido alterado para solteiro, na última semana tinha até adicionado uma foto jogando futevôlei na praia coisa que ele fazia todas as quartas, morri de ódio ao ver tantos comentários de mulheres, a maioria de amigas dele que eu sempre morri de ciúmes e ele insistia dizendo não ser nada demais.

Joguei o telefone de volta na mesa e fui até a máquina para pegar as fotos quando o celular tocou. Voltei correndo, mas desanimei ao perceber que não era ele, porém ao menos também não era aquele número que eu estava ignorando há meses.

- Oi. Falei desanimada.

- Que isso? Quem morreu? Babi implicou logo de cara.

- Ninguém. Respondi monossílaba

- Ótimo, pensei que teríamos de ir há algum enterro, já que não, sem desculpinhas hoje, vamos sair!

- Hoje? Minha voz saiu irritada. Eu amava minha melhor amiga, mas também a odiava por ser tão insistente.

- Sim, e não aceito não como resposta, vamos arrumar juntas.

- Por acaso você lembra que hoje é terça-feira?

- Claro que sim, terça-feira dia de balada...levo uma roupa para você, beijo!

Desligou antes que eu pudesse discordar. Fiquei encarando meu telefone pensando na foto de Eduardo que havia visto. Ele parecia estar seguindo a vida. Como ele conseguia? Uma queimação surgiu dentro de mim. Medo e ódio se juntavam me deixando uma bomba de emoções, mas meu cérebro gritava alto que só me restavam duas opções:

1- Continuar com o que estava fazendo, ficando trancada em casa e sofrendo por alguém que não voltaria, já que estava tocando a vida.

2- Sair e viver.

Optei pela segunda.

Capítulo 2 VSF

"Eu me esforcei bastante pra desapegar

E fiquei muito tempo onde você tá

Mas agora eu já não sinto mais a dor."

VSF – Jão

Agradeci em silêncio mais uma vez por ter Babi na minha vida, por ela não ter desistido de me arrastar por aí. Tinha certeza que logo tudo voltaria ao normal e, comecei a mudança assim que cheguei em casa naquela tarde, liguei a caixinha de música coloquei uma roupa velha e comecei a subir os móveis iniciando uma faxina, tinha passado os últimos dias ignorando passar que fosse uma vassoura pelo local.

Abri um enorme saco de lixo e não recuei em jogar fora tudo que me lembrava a Eduardo, incluindo as centenas de fotos que cobria o painel no canto da sala.

Horas depois, andei pelo meu apartamento limpo e agora renovado. Me joguei no sofá e decidi ouvir meus recados, apertei a secretária eletrônica que piscava e a voz que eu vinha evitando tomou o local.

"Oi Camile, é o Doutor Ciro, eu sei que parece estranho eu mesmo estar entrando em contato, mas a minha secretária disse que você cancelou a nossa consulta de novo. Olha, eu sei que não deve estar sendo fácil para você, mas iremos completar seis meses desde o diagnóstico e eu quero mesmo te ajudar, você é tão jovem, quanto antes você me procurar melhor será, certo? Pode me ligar há qualquer hora. Até mais. "

Revirei meus olhos, apaguei a mensagem e fiz outra inspeção para ver se não tinha me esquecido de tirar alguma bugiganga que me lembrasse meu ex-namorado, depois da maravilhosa limpeza decidi por uma hidratação nos cabelos enquanto pintava minhas unhas. Estava totalmente revigorada quando terminei de secar os cabelos, era perto das dez da noite quando a campainha tocou.

- Você bem que podia me dar a chave que era do mané. Eu ficar batendo na sua porta até você decidir abrir é sem condições, Cami. Babi já entrou reclamando carregando quatro sacolas nas mãos.

- O que é isso tudo?

- Roupas e sapatos para usarmos hoje. Deu uns pulinhos engraçados.

- Nós? Você não precisa ficar gastando comigo, Babi.

- Meu pai é rico esqueceu? - Revirou os olhos. - Vem, vamos maquiar, você faz em mim primeiro! - Ela parou me encarando de cima a baixo. Não nos víamos há dias. - Meu Deus, você emagreceu.

- Isso foi um elogio? Foi a minha vez de revirar os olhos.

- Não, foi uma reclamação. - Resmungou me seguindo para o quarto, entrei e pulei no colchão enquanto ela continuava a me encarar dessa vez com os braços cruzados sobre o peito. - Você comeu hoje?

- Sim.

- Que horas?

- Mais cedo.

- Você não me inventa, Camile! Aceitei você ficar triste por esses dias todos, mas agora chega ok? Nada de baixa autoestima, porque sabemos que você é linda e Eduardo quem saiu perdendo.

- Eu estou bem, amiga. Não precisa se preocupar.

- Acho bom mesmo! - Disse autoritária me encarando uns segundos totalmente séria e optei por não responder nada para não prolongar o assunto, quando percebeu isso voltou a falar. - Agora vem ver a roupa que eu comprei. Mudou de assunto correndo e batendo palmas jogando as sacolas sobre a cama.

- Aonde nós vamos? Perguntei abrindo a sacola retirando o jeans preto e uma blusinha da mesma cor que certamente ficaria coladíssima em mim.

- Naquele novo bar que abriu essa semana, Oasis.

- Você me comprou uma blusa P?

- Cale a boca. Vai ficar lindo, é um cropped para combinar com a calça de cós alto.

- Certo... obrigada de todo modo. Agradeci sem graça, pois ela sempre me dava mais presentes do que eu, isso era pelo fato de que se caso faltasse grana para a fatura do cartão ela tinha quem pagasse e eu não.

Passamos as próximas horas nos arrumando, Babi estava terminando seu cabelo enquanto eu já pronta estava esparramada em minha cama pensando se seria realmente uma boa ideia.

- Nem vem, Camile Maier, você vai!

- Eu nem falei nada. Comecei a rir da cara dela, a malvada sabia até quando eu estava pensando em uma desculpa.

- Aí, é bom te ver sorrir novamente. - Pulou na cama ao meu lado. - Já está na hora de irmos, o nosso táxi já está lá embaixo e eu preciso beber urgentemente.

Me olhei no espelho uma última vez, a roupa que Babi tinha comprado tinha mesmo ficado bonita, agradeci mentalmente por ser um bar já que as sandálias que eu havia escolhido eram altíssimas, se fosse uma balada significava que eu com meus dois pés esquerdos cairia na chegada. Meu cabelo caía em ondas macias sobre as costas, meus olhos estavam cobertos por uma sombra marrom esfumaçada, na boca Babi tinha insistido em passar um batom vermelho sangue. Me senti bonita. Sorri ao espelho satisfeita seguindo para fora do quarto.

Fiquei todo o caminho encarando as ruas movimentadas, minha mente girava insistindo em pensar o que Eduardo estava fazendo também, Babi conversava descontraidamente com o motorista, levei os dedos a minha têmpora esquerda tentando disfarçar, mas ciente que a dor de cabeça estava começando a dar as caras novamente e principalmente porque tinha deixado de tomar os remédios antes de sair, pois pretendia beber.

O carro nos deixou em frente ao bar que estava lotado, havia uma enorme fila na entrada, tudo que eu fui capaz de fazer foi ser tomada por pânico, o que creio ser evidente em todo recém solteiro.

- Não se preocupa não. - Babi me puxou pelo braço. - Eu tenho pulseiras. Balançou as duas tiras e colocou uma prateada no meu pulso enquanto íamos para o início da fila e éramos autorizadas a entrar imediatamente. Passamos sem nem olhar para trás diante da reclamação dos que estavam aguardando. Uma moça nos levou até uma mesa e avisou que logo o garçom viria.

- Que pulseira é essa?

- Vip, o Bruno conhece o dono do lugar, como é o mês de inauguração essas pulseiras que são exclusivas pagam a nossa conta, ou seja, vamos encher a cara que a comanda está liberada!

- Olá senhoritas, o que desejam essa noite? O moreno alto bonito com o sorriso lindo perguntou enquanto descaradamente me encarava.

¬- Dois mojitos e um balde de cervejas. Babi falou, mas ele não a olhou.

- E uma água. Sorri sem graça sob seu olhar.

- Sabia que quem pede água ganha de brinde o meu telefone? Piscou e Babi arregalou os olhos chocada com a audácia do cara.

- Que sorte a minha então. Decidi flertar de volta.

O garçom sorriu. - Para você ver. Estendeu a mão para mim e quando aceitei levou até seus lábios dando um pequeno beijo. Vou providenciar os pedidos e o brinde, senhorita?

- Camile. Respondi rindo.

- Rafael, é um prazer. Já volto.

- Hum, alguém já chegou flertando forte. Bárbara gargalhou assim que ele saiu.

- Ao menos ele é bonitinho né? Brinquei relaxando encarando ao redor, o lugar era lindo, espaçoso, uma parte ao ar livre e a outra dentro do salão, um grupo tocava pagode no canto onde algumas pessoas se arriscavam na dança. Me senti feliz e me permiti aproveitar o momento.

Horas depois Babi já estava no seu quinto mojito, flertando com o cara da mesa ao lado e eu tinha desistido de beber álcool depois da primeira rodada, pois minha cabeça tinha aumentado muito a dor, assim decidi por me manter apenas hidratada. Rafael tinha entendido que eu pedir água era como um incentivo, pois cada vez que eu pedia o cara ficava mais à vontade para conversar, seu número de telefone já estava guardado na minha bolsa o que provavelmente eu nunca ligaria, mas estava divertido saber que eu era interesse de alguém.

Assim que os rapazes do lado se convidaram para se juntar a nossa mesa desatando a conversar uns assuntos desconexos devido ao álcool, chutei a perna de Babi decidida que para mim a noite estava chegando ao fim.

Ela me olhou feio por uns segundos e agarrou o celular digitando algo, logo o meu chegou notificação de mensagem.

Babi: Te odeio! Chegando em casa me avisa! Você escolhe o loiro surfista ou o moreno empresário?

Camile: Para uma noite só? Sem dúvidas o surfista.

Babi: Concordo plenamente!

Despistei falando que iria ao banheiro e andei para fora do bar respirando ar puro. Minha cabeça latejou e eu andei rápido para o táxi que estava parado próximo. Assim que adentrei e fechei a porta a ouvi batendo do outro lado, virei o rosto assustada e encarei o rapaz bêbado que tinha se sentado ao meu lado.

- Ei, esse táxi é meu! Reclamei.

- Você é a dona dele?

- Não, mas ele parou foi para mim. Revirei os olhos.

- É meu, parou foi para mim. Falou na voz grossa porem embolada aparentemente alterada pelo álcool.

- Ele já estava parado, espertinho. Repliquei.

O homem suspirou e levou a mão ao estômago como se estivesse enjoado. - Foi. Para. Mim. Fechou os olhos jogando a cabeça no encosto.

- Senhor, quem entrou primeiro no táxi? Perguntei irritada e o taxista me olhou pelo espelho do meio como se estivesse entediado.

- Resolvam entre vocês.

- Eu preciso vomitar. O homem falou se mexendo e segurando meu braço como um apoio.

- Senhor, caso vomite no carro a lavagem será cobrada. - O motorista olhou para trás encarando a cena bizarra. - Contenha seu amigo senhorita.

- Ele não é meu amigo! Vou descer. Fiz menção de abrir a porta, e a voz do motorista me parou.

- Eu não posso levar ele sozinho nessas condições, se vai descer o desça com você. Senhor desça do carro por favor.

- Vou te foder por trás. O bêbado falou trazendo seu rosto pertinho do meu e eu o encarei assustada reparando seus enormes olhos azuis prateados.

- Me respeita garoto! Levei uma mão em seu ombro o afastando de volta ao banco e bufei ouvindo a risada do taxista.

- Para onde a corrida moça?

- Eu já disse que eu não vou nesse táxi! Quase gritei.

- Então desçam os dois logo! Não carrego bêbado sozinho, se morre aí atrás me dá maior dor de cabeça depois.

- Vou ficar no Alto Leblon, no edifício Golden... na cobertura. O poço de pinga sussurrou e em seguida abriu a boca com ânsia de vômito seco.

- Devo lembrá-los que caso vomite no carro deverão pagar a lavagem. O motorista repetiu como um funcionário de call-center.

- Então vai logo antes que ele vomite não só no carro, mas também em mim, ele já disse o endereço! Gritei e o taxista arregalou os olhos colocando o carro em movimento.

O homem ao meu lado se debruçou sobre mim e ronronou algumas palavras que eu não consegui entender antes de fechar os olhos e acalmar sua respiração totalmente apagado, seu cheiro era uma mistura de perfume muito bom amadeirado com whisky e cigarro. Me mantive imóvel com medo de que com qualquer movimento ele lançasse o vômito que tinha ameaçado antes, o taxista nos encarava pelo espelho do meio.

- Você não conhece mesmo ele?

- Não.

- O rapaz não parece muito bem, sorte dele de te encontrar então. Falou e não abriu mais a boca até chegarmos ao destino que havia sido indicado pelo cara antes de dormir com o rosto sobre meus peitos.

- Me ajude a tirar ele do carro. Pedi e o vi descer do carro correndo para abrir a porta me ajudando a amparar o bêbado pela lapela do seu paletó aparentemente caro. Ele tinha dito que morava na cobertura, cheirava bem e parecia ter muito dinheiro, o que diabos tinha acontecido para ficar bêbado assim?

- Ei, cadê a sua carteira? Perguntei quando ele se encostou no táxi como se estivesse prestes a desmaiar.

- Bolso. - Respondeu e eu tateei os bolsos da sua calça, arregalei os olhos quando sem querer rocei a mão sentindo o enorme pacote no meio das suas pernas. Ele estava muito bêbado, mas não passou despercebido meu lapso, abriu os olhos rapidamente me lançando um sorriso de lado que me subiu um arrepio na coluna. - No bolso do paletó. Disse mansamente como se brincasse com minha cara.

- Ah, sim. Concordei e enfiei a mão no bolso interno, sua carteira estava recheada de cartões e notas de cem reais. Sério? Nem uma nota de cinquenta ao menos? Esse cara devia mesmo ser um figurão. Entreguei uma nota para o taxista e deixei que ele ficasse com o troco. Com a sua ajuda comecei a arrastar o rapaz portaria a dentro.

- O senhor conhece esse homem? Perguntei para o porteiro baixinho e bigodudo.

- Claro, é o seu Diogo moça! Se colocou de pé em prontidão aparentemente preocupado. Diogo era um nome bonito.

- E aí Zé? O tal Diogo iniciou a conversa com o porteiro sorrindo totalmente grogue.

- Eita seu Diogo, perdeu o rumo de casa hoje homi? O porteiro riu e Diogo começou a gargalhar ao meu lado. Só eu não estava achando aquela situação engraçada?

- Preciso que o senhor o leve até o apartamento dele.

- É a cobertura dona, só ele tem a chave do elevadô e, vai me desculpando nois não tem a permissão de entrar em nenhum apartamento, se o síndico me vê perco o emprego.

- Mas moço, ele está bêbado!

- Por isso mesmo. Se seu Diogo tivesse são ele poderia me defende igual as outras veiz que me pediu para subir, mas bêbado, não posso.

- Eu não tô bêbado não Zé, só um pouco tonto. - Diogo gargalhou de novo antes de ajeitar sua postura e se virar para mim. - E mesmo assim dou conta do recado, gata. Murmurou pertinho da minha boca de modo que eu sentia seu hálito de álcool. - Só vou precisar vomitar antes...

- De novo com isso?

- Acho melhor subir logo com ele antes que faz estrago aqui em. O motorista do táxi falou e eu tive que concordar.

Cutuquei o homem que ainda ria de algo sozinho. - Sua chave, cadê?

- Bolso da calça.

Respondeu e eu corei ao enfiar a mão mais uma vez no seu jeans. Que bolso fundo era aquele? A maldita da chave estava bem perto do seu volume. Agarrei seu braço o colocando sobre meu ombro e começamos a caminhar para o elevador.

- Você não vem? Perguntei ao perceber que o taxista continuava parado ao lado do porteiro assistindo a cena bizarra.

- Eu não... tenho que ganhar a noite ainda, boa sorte aí. Acenou antes das portas se fecharem e ficarmos sozinhos.

Encarei o homem encostado na parede do elevador, mal se aguentando em pé, os olhos estavam fechados e ele ronronava algumas coisas sem nexo. Não podia evitar notar que ele era lindo, pois conseguia ficar bonito mesmo naquele estado.

Seu cabelo castanho escuro tinhas fios compridos e pouco ondulados que roçavam o colarinho de sua camisa, pareciam tão macios que eu quase me atrevi a tocá-los, o rosto anguloso e o nariz reto levava a uma boca bonita, seu lábio inferior era um pouco mais carnudo que o superior o que dava vontade de morder, o queixo quadrado era tomado por uma barba cerrada bem feita, a camisa branca por baixo do paletó preto estava com os primeiros botões aberto dando a visão do seu peito aparentemente forte coberto por alguns cabelos ralinhos.

Eu estava prestes a descer mais os olhos numa inspeção melindrosa quando o elevador parou e se abriu.

- Chegamos, venha. Segurei seu braço e ele voltou a abrir os olhos como se tivesse mesmo cochilado em pé.

- Eu te conheço?

- Não. Foi tudo que eu disse.

- Legal. - Franziu a testa. - Vamos foder, me deixe só ir ao banheiro e pegar uma camisinha.

Não segurei a risada. O cara era doido. Lindo e rico, porém louco. Ele estava mesmo acreditando naquele devaneio? Estava mal se segurando e falava em transar comigo desde o táxi.

Sua cobertura era linda, espaçosa e arejada, os móveis negros davam charme e masculinidade ao lugar, tirando baixo cabiam quase seis apartamentos meus ali dentro.

Diogo começou a tropeçar andando desajeitado enquanto tentava desabotoar a camisa e antes mesmo que eu pudesse segurá-lo ele lançou a bebida que insistia em sair há tempos. Vomitou sujando o chão e sua roupa.

- Meu Deus! - Corri para perto dele o segurando. - Você aguentou todo esse tempo, não podia esperar chegarmos ao banheiro? Reclamei.

- Me desculpa. Pediu perdão como uma criancinha repreendida.

- Vem, vamos procurar o banheiro e o seu quarto.

- Fica lá em cima.

Que ótimo! Minha mente gritou enquanto eu olhava a imensa escada de granito negro, comecei a puxá-lo do melhor jeito que pude tentando evitar também me sujar com vômito.

Adentramos o quarto lindíssimo e passei os olhos pelo local impactada. Ser rico deveria ser bom as vezes, a cama parecia caber umas quatro pessoas, o lugar cheirava a limpeza, abri a porta do banheiro e mais uma vez fiquei chocada, diferente dos outros lugares da casa tomados por móveis negros esse era totalmente branco com detalhes dourados, uma banheira enorme em um canto, a ducha com o box do outro, o enorme espelho tomava toda a parede e até a pia era lindíssima.

- Você é meu anjo da guarda? Me perguntou enquanto eu o colocava sentado no vaso para retirar sua camisa.

- Estou ajudando um bêbado que eu nunca vi na vida e que roubou meu táxi, com certeza eu sou um anjo, mas não o seu anjo.

- Quero tomar banho. Se levantou afoito indo para dentro do box já ligando a ducha e se enfiando em baixo ainda com o restante da sua roupa, pois só tinha conseguido arrancar seu paletó.

- Ok, só não se afogue. Concordei babando no seu belo tórax aparentemente malhado, já que a camisa branca ensopada colava em seu corpo. Pela primeira vez desde que comecei a namorar Eduardo eu olhava para um homem e conseguia achá-lo bonito, ou melhor, mais bonito que o meu ex. Diogo se remexeu e tirou a camisa a jogando no chão do piso. Me permiti babar mais ainda comprovando que seu abdômen era mesmo trincado e enxergando o que as roupas escondiam, seu braço direito era fechado com desenhos que saiam do ombro e desciam do bíceps até o pulso. Nunca tinha sido encantada com tatuagens, mas nele pareciam ideais em complementar tudo.

Fiquei curiosa querendo olhar todos aqueles desenhos de perto. Sua calça encharcou e o seu oblíquo apareceu ainda mais dando imagens boas para imaginação com a fina linha de pelos que iam abaixo do umbigo e sumiam no cós da calça, desabotoou o jeans e o embolou nas pernas até conseguisse se livrar ficando apenas com sua cueca Calvin Klein cinza que agora molhada deixava bem claro que o que tinha ali dentro era farto. Engoli em seco, vi quando ele segurou o elástico para puxar e ficar totalmente nu. Minhas bochechas queimaram quando me aproximei correndo.

- Não! Chega de banho. Agarrei a toalha na bancada e a enrolei na sua cintura.

- Não... Ele tentou dizer.

- Vamos, vou te colocar na cama, você está me dando muito trabalho cara. Resmunguei nervosa.

- Não esquece a camisinha...

Definitivamente ele tinha um problema com preservativos, ao menos deveria ser limpo, com certeza com toda aquela grana morria de medo do golpe da barriga.

O deitei na cama e ele rolou inquieto, enquanto eu observava em pé ao lado, jogou a toalha longe e abaixou sua cueca. Minha boca caiu aberta ao pôr os olhos sobre o seu membro que era tão grande e grosso, deixei-me encarar mais uns segundos a beleza dele todo bem depilado antes de cair em mim novamente me sentindo envergonhada. Joguei o edredom para tampar sua nudez e senti meu coração acelerar. Eu não podia acreditar que estava vivendo aquilo.

- Você quer vomitar mais? Perguntei tentando me distrair.

- Não sei... está rodando tudo.

- Fique de lado. Se ficar de costas e vomitar pode se engasgar com vomito e sufocar. Falei o ajudando a virar de lado, assim que o soltei ele se virou de novo ficando novamente sobre as costas.

- Você é difícil de lidar. Falei imensamente irritada o virando mais uma vez.

- Você não é o tipo de garota que eu costumo meter. - Balbuciou baixinho. - Mas eu quero muito te foder. Me puxou para a cama e se enroscou em mim colando nossos rostos. - Porque você é bonita. Disse antes de fechar os olhos.

Fiquei lá, com os olhos arregalados e estática esperando que ele adormecesse para que pudesse dar o fora dali. Eu não era o tipo de garotas em que ele metia? Talvez porque o tipo de garotas com quem ele costumava meter devesse ser modelos loiras e peitudas. Eu sou peituda, mas não sou modelo, talvez eu fosse uma plus-size se quisesse, já que recebi algumas propostas trabalhando no estúdio. Pensei e ele se moveu acomodando ainda mais em mim. Seu rosto se encaixou entre meu pescoço e sua mão descansou aberta em meu seio.

- Está brincando? Falei e ele continuou imóvel.

Merda. Eu queria gritar e sair dali, mas ele estava tão tonto que não sabia o que estava fazendo, tirei sua mão e a desci para ficar sobre minha barriga. Tentei sair diversas vezes quando senti que ele havia dormido, mas cada movimento que fazia Diogo se aconchegava ainda mais em mim. Por fim desisti de lutar, seja o que fosse eu estava cansada e toda aquela loucura tinha feito minha cabeça até parar de doer, o sono me tomou e adormeci abraçada a um estranho.

Capítulo 3 Areia

" Tudo no seu tempo

Tão veloz por dentro

Em mim passa devagar

A me acertar"

Areia – Sandy, Lucas Lima

Abri os olhos. O teto branco não era o do meu quarto, as cenas da noite anterior me tomaram a mente e eu virei rapidamente na cama a encontrando vazia. Assustada me sentei e não contive o grito ao ver o homem da noite anterior parado usando apenas uma calça preta de seda que caia baixa em seus quadris, ele fechou os olhos quando gritei.

- Jesus! Levei a mão ao peito.

O semblante de Diogo estava estranho, por algum motivo ele parecia furioso.

- Nós usamos camisinha ontem à noite? A voz saiu extremamente rude.

- Não. Respondi o encarando.

- Mas que porra! Foi a vez de ele alterar a voz. Levou as mãos à cabeça no momento seguinte. Com certeza ele estava morrendo de ressaca.

- Não usamos porque nós não transamos. - Bocejei me levantando da cama e comecei a passar as mãos no meu cabelo que deveria estar uma bagunça só. - Você não se lembra de nada?

- Não transamos? - Ele fixa o olhar na cama. - Eu estava pelado hoje de manhã...

- É, você decidiu se livrar da cueca quando eu te coloquei na cama depois do banho. E olhe só, eu estou de roupas. - Pisquei de um olho só. - Tudo que rolou foi que você roubou meu táxi ontem, como estava caindo de bêbado eu trouxe você para casa, aí você vomitou em tudo, inclusive no chão da sala... depois do chuveiro gelado não parava quieto e fiquei com medo que voltasse a vomitar e sufocasse, em algum momento você me puxou para a cama e me usou de travesseiro, como era bem tarde eu acabei pegando no sono.

- Nós não transamos então? Repetiu e eu sinceramente comecei a desconfiar se aquele homem tinha algum problema mental.

- Você tem alguma dificuldade de entendimento ou só escutou essa parte? Falei aborrecida.

- A minha cabeça está doendo muito. Reclamou me olhando e eu quase respondi: A minha também, sorte a sua ser apenas ressaca.

- Você tem banana aqui?

- O que? Falou me olhando como se agora eu fosse a doente mental.

- Vitamina de banana cura ressaca.

- Você é enfermeira?

- Não, mas minha melhor amiga que sempre passa mal de ressaca eu tive que aprender um remédio.

- Banana. - Ele falou e voltou a me encarar por longos segundos. - Pode usar o banheiro se quiser. Apontou para a porta.

- Ah, claro, obrigada. Respondi começando a andar rápido para o outro cômodo. Diogo me olhava estranho e eu ficava extremamente incomodada com aquele seu olhar de gato prestes a atacar.

Lavei o rosto e bochechei um pouco de pasta de dente, ninguém merecia sentir meu bafo matutino. Como já previa meu cabelo parecia um ninho de passarinho que havia pegado fogo, juntei tudo no topo da cabeça e improvisei um coque. Voltei para o quarto e encontrei o local vazio, agarrei a minha pequena bolsa que tinha caído ao lado da cama e desci as escadas.

O barulho de um liquidificador tomava a casa silenciosa. Estava prestes a me esgueirar para fora quando a voz agora menos brava chamou.

- Quer um copo?

- Estou bem, já estou indo. Olhei na sua direção.

- Fiz café também, tome uma xícara. Parecia manso, cavalheiro até. Sua rudeza tinha ficado para trás desde que confirmei que não havíamos transado na noite passada. Me aproximei do balcão aceitando a caneca que ele me ofereceu e meu organismo agradeceu o cheiro de café fumegante que me ofereceu enquanto encarava seu copo de vitamina como se avaliasse se aquilo seria uma boa ideia.

- Você disse que roubei seu táxi?

- Com certeza.

- Como é que eu fiz isso?

- Eu já estava dentro quando você invadiu falando nada com nada. Dou um sorriso sem mostrar os dentes.

- Desculpe. - Ele levou as mãos aos cabelos puxando os fios para trás. - Acho que sai do controle ontem.

- Tudo bem... você teve sorte sabe? O taxista se recusava a te trazer sozinho quando eu disse que desceria, por isso eu te acompanhei.

- Você me acompanhou tranquilamente sem nem me conhecer? E se eu fosse um maluco estuprador?

- Você estava visivelmente bêbado precisando de ajuda, o cara disse que se eu descesse também te faria descer, tinha duas opções, deixar você sozinho na rua correndo o risco de acontecer algo, ou trazer você para casa em segurança, fui educada para fazer a segunda. Respondi petulante e Diogo me encarou como se minha resposta tivesse o surpreendido. Podia ver bem seus olhos nessa manhã e, estava encantada, o tom não era tão azul quanto pensei, era mesmo cinza, como os olhos de um gato, pratas brilhantes.

- Desculpe, eu só achei perigoso, sou uma pessoa boa, mas poderia não ser. Enfim, devo agradecimentos, ontem à noite fui uma vergonha alheia de primeira. Bebericou a vitamina abaixando os olhos envergonhado.

- Todo mundo já passou por isso. Falei enquanto observava suas tatuagens sobre a pele levemente bronzeada de sol. Identifiquei um pé com asas meio aos girassóis que eram espalhados entre alguns outros desenhos rodeavam o interior do seu braço.

- Não estou mais na idade para estes acontecimentos. Abriu um sorriso encantador mostrando os dentes brancos e certos, era diferente dos sorrisos da noite passada. Nesse ele não demonstrava nada sexual, apenas simpatia.

- Lembre-se disso da próxima vez, senhor preservativos. Pisquei deixando a xícara sobre o balcão e me colocando de pé.

- Você me chamou de quê?

- Nada. - Dei-lhe um sorrisinho amarelo. - O papo está ótimo, mas eu preciso mesmo ir para casa.

- Eu pago o seu táxi.

- Não se preocupe, eu sei me virar. Tchau, Diogo. Acenei lhe dando as costas enquanto andava rumo à sua porta.

- Eu te falei o meu nome? Andou atrás de mim me observando pedir o elevador.

- Seu porteiro fez por você.

- Você me disse o seu? Se me disse eu não me lembro...

Por sorte ou azar o elevador se abriu naquele momento e eu entrei o encarando sorrindo enquanto apertava o botão para a portaria.

- É Camile. Camile Maier.

No caminho para casa eu respondi algumas mensagens incluindo as de Babi mentindo que havia me esquecido de avisar quando cheguei.

Assim que adentrei meu apartamento eu não pude evitar de compará-lo com a enorme cobertura de Diogo, mas como era eu quem limpava só agradeci o meu ser do tamanho suficiente.

Entrei embaixo do chuveiro e deixei que a água me relaxasse, a noite não tinha sido nada confortável apesar daquele colchão ser maravilhoso, decidi ignorar as aspirinas e me enrolar embaixo dos cobertores abaixando o ar condicionado para a temperatura mínima. Molhei uma toalha de rosto e a posicionei sobre os olhos. Agradeci imensamente por não ter que ir trabalhar as quartas e peguei no sono.

Acordei já se passavam de quatro da tarde, voltei a tomar um banho refrescante, fiquei feliz pela minha cabeça ter dado uma trégua desde a madrugada, coisa que não vinha acontecendo nas últimas semanas. Coloquei um vestido de verão e desci para ir à praia, atravessei a avenida já tirando os chinelos e colocando meus pés na areia macia aproveitando que já não estava tão quente devido ao fim de tarde, caminhei até bem perto do mar e analisei as ondas calmas se quebrando bem antes de chegar a margem. Sentei encarando o horizonte, o sol estava se pondo quase dando lugar a noite, respirei fundo tentando fazer com que aquela angustia que insistia em me tomar saísse, a pior notícia que eu já havia recebido na vida voltava claramente a martelar na minha cabeça.

"Infelizmente nós descobrimos um tumor, Camile, a nossa única alternativa é tentarmos uma cirurgia. "

As lágrimas que estava segurando há meses desde que fui diagnosticada escorreram e me permiti chorar, porque o choro silencioso lavava minha alma triste e desesperada, estava com vinte e quatro anos, perto de terminar a faculdade de Direito que era um grande sonho, com planos para a vida toda e de repente tudo tinha desmoronado, estava sentenciada a morte.

O toque do meu celular chamou minha atenção fazendo com que as lágrimas aumentassem ao ver o nome do meu irmão escrito na tela. Forcei ao máximo para que minha voz não saísse embargada quando atendi.

- Oi.

- Cami? Ei, você sumiu, está ocupada? A voz grave de Matheus me deu ainda mais vontade de chorar apesar de ser confortante falar com ele.

- Para você nunca né Math, estou na praia.

- Que vida boa a de carioca em? Riu e me fez sorrir também. - Só liguei para saber se estava tudo bem, você não apareceu muito nos últimos dias.

- Esta semana foi corrida na faculdade e no trabalho, mas aqui está tudo certo e por aí?

- Aqui está tudo ótimo também, você vai mesmo vir nos visitar?

- Sim, ficarei duas semanas provavelmente.

- Que bom, nosso pai vai ficar muito feliz, estamos com saudades suas, pequena.

- Eu também estou morrendo de saudades.

- Eduardo virá com você?

Fechei os olhos por uns segundos antes de responder. Teria de contar a verdade, ao menos isso eu podia contar.

- Eduardo e eu não estamos mais juntos Matheus.

- Vocês terminaram? Aquele cara aprontou com você? Sua voz subiu vários tons acusatórios.

- Não! Ele não fez nada... nós só não estávamos mais concordando com nada, parece que o tempo nos mudou e nem percebemos, nossa convivência estava ruim. Decidimos que seria a melhor terminar.

- Jura? Você sabe que pode dizer, não é? Se ele fez alguma coisa eu pego o primeiro voo para quebrar a cara dele.

Ri da sua insinuação, meu irmão era o meu melhor amigo e sempre me protegeu, eu tinha certeza que ele não estava blefando em suas palavras.

- Fica tranquilo, terminamos bem, eu juro.

- Se Eduardo não vem, Bárbara virá então? Fingiu desinteresse e eu soltei uma gargalhada fazendo com que minhas ultimas lágrimas sumissem. Matheus me fazia bem, rir da sua cara de pau só me deixava com mais saudades. Babi e Matheus tinham um rolo e acreditavam que eu não sabia, em público se alfinetavam como gato e rato, mas todas as vezes que ela viajou comigo para casa ele cedia o quarto para que ela dormisse dizendo que dormiria na sala mesmo eu falando que poderíamos dormir juntas, quando ele veio me visitar eu tive a certeza já que ela sumia sempre quando ele saia para a balada sem mim.

- Talvez, ainda não conversei com ela sobre isso.

- Preciso desligar pirralha, estão me chamando aqui.

- Sinto sua falta.

- Eu também sinto, me ligue ok? Te amo.

- Também te amo. Me despeço sentindo meu coração mais leve.

- Era o seu namorado?

Dou um pulo assustada olhando em direção a voz e meu coração dispara ainda mais ao ver quem está sentado ao meu lado.

- Puta que pariu! Levo a mão ao peito e ele me dá uma risadinha.

- Assustei você?

- Óbvio, chegou sem fazer barulho. O que faz aqui garoto?

- Diogo.

- Eu sei o seu nome.

- Ah, é verdade. - Ele ri de novo. - Então, - Faz menção com a cabeça para o celular que continuava em minhas mãos. - Era o seu namorado no telefone?

- Não, não era ele... quero dizer, não tenho namorado, não mais, terminamos há algumas semanas. - Me calo percebendo que não precisava explicar nada para o estranho bêbado ladrão de táxi. - Era meu irmão... O que faz aqui?

- Estava com alguns amigos no quiosque. - Apontou para o barzinho a beira do calçadão atrás de nós e eu desconfiei ao ver o local vazio. - Eles já foram, eu também estava indo quando te vi. Justificou-se.

- Não tem quiosques bons no Leblon? Falei na defensiva.

- Au. - Franziu o cenho aparentemente chateado. - Estou incomodando?

- Não... desculpe, não quis ser rude, só achei estranho mesmo.

- Tenho uns amigos que moram aqui perto. Quando eu vi você, achei que seria legal vir dar um oi, afinal nós não conversamos muito nessa manhã, nem pude te agradecer como deveria.

Encarei o homem que estava bem perto, era capaz de reparar cada detalhe do seu bonito rosto, a barba cerrada no queixo bem marcado, os olhos pratas brilhavam sob a luz alaranjada do fim de tarde.

Dou um sorriso dessa vez receptivo e ele retribui.

- Você estava chorando? É pelo fim do namoro?

- Eduardo é o menor dos meus problemas. - Encaro o mar suspirando. - Na verdade ele não é nem um problema, já que não faz mais parte da minha vida. Só fiquei emocionada por falar com meu irmão, somos muito próximos e como ele mora em outro estado fico com saudade. Minto ocultando o fato de que já estava chorando quando Matheus ligou, Diogo pareceu acreditar em parte já que analisava meu rosto minunciosamente.

- Você aceita sair para jantar? Sabe... como agradecimento pelo o que fez por mim.

Quis rir do seu jeito habilidoso, parecia jogar charme ao mesmo tempo que fingia desinteresse, achava graça devido ao fato de estar numa fase altamente reversa a homens, minha vontade de arranjar outro namorado era a mesma que eu sentia para pular de um prédio, mas nem por isso eu era cega, Diogo era um homem muito atraente que qualquer uma gostaria de experimentar, mas definitivamente ele não era para mim e nem se fosse, não podia o querer.

- Não precisa fazer isso.

- Faço questão! - Insistiu. - Posso pegar você hoje?

A noite toda se quiser, com muito prazer. Minha mente grita. - Se você insiste... eu moro ali naquele prédio.

- Eu sei.

- Sabe?

Vejo-o disfarçando tirando os olhos dos meus olhando para trás. - Eu sei que estou insistindo no jantar, mas eu faço mesmo questão. - Sorriu. - Então, qual deles é o seu? Apontou para o rumo dos condomínios.

- Posso fazer uma pergunta sincera?

- Sim.

- Você estava mesmo com amigos no quiosque?

- Sim. Responde aparentemente sincero e solto a respiração jogando para longe a paranoia de que ele me seguia. Diogo não era nenhum psicopata e, muito menos estava correndo atrás de mim, não seria lógico ele saber onde eu morava então apenas dei-lhe um voto de confiança, pois seria apenas um jantar.

- Eu só estava tendo a certeza que não é um perseguidor. Moro naquele azul, se chama Harper.

- As oito está bom? Me passe o seu número...

- Camile? A voz que eu conhecia bem interrompeu o que Diogo me dizia e eu virei o rosto para ver Edu se aproximando. Não era possível.

- Eduardo. Fiquei de pé e Diogo me acompanhou, cumprimentei o recém-chegado o mais friamente possível e percebi ele medir Diogo de cima abaixo, o que me surpreendeu foi o ver fazer o mesmo com Eduardo. Não podia mentir, estava felicíssima por ter encontrado o traste logo agora, com esse deus grego ao meu lado. Apontei para o moreno lindíssimo ao meu lado e Diogo apenas acenou com a cabeça quando o apresentei.

- Este é Diogo.

- Como você está? Eduardo me olhou com raiva ignorando o fato de que eu havia acabado de lhe apresentar alguém.

- Bem, obrigada. Não ousei perguntar como ele estava, até porque eu não queria saber.

- Pensei em te ligar, mas Babi me deu notícias suas.

- Com certeza ela deu. - Dou um sorriso falso. - Não me leve a mal, Edu. - Falei e mordi a língua ao perceber que o chamara pelo apelido. - Já estávamos indo, não é?

Diogo estava parado ao meu lado como um segurança de cara amarrada. - É, estávamos. Concordou.

Eduardo o olhou em desafio, pousou os olhos em mim e depois na minha companhia como se avaliasse nossa proximidade, por uns segundos longos eu observei os dois colírios em minha frente. Diogo era mais alto e tinha a pele mais clara que Eduardo que apesar dos centímetros a menos era mais grande, Diogo era malhado e com os músculos trincados, mas Edu passava horas na academia e tomava suplementos o suficiente para parecer um monstrinho, porém o rosto de Diogo não demonstrava nenhum medo se fosse necessário medir forças.

- Adeus. Me despeço já virando para não precisar escutar a resposta.

- Espera, Cami. - Sua mão rodeou meu pulso e eu percebi os pomos de adão de Diogo subindo e descendo como se estivesse irado. - Posso ligar para você?

- Não, não temos o que falar. Puxo minha mão.

- Tem certeza?

- Tenho. Conclui voltando a andar com Diogo ainda mudo ao meu lado com a cara emburrada até que saímos da faixa de areia e chegamos ao calçadão.

- Você ainda gosta dele?

- Não. Respondo prontamente. Não gostava mais de Eduardo, na verdade estava desconfiada que nunca havia o amado, parecia que depois que nos separamos eu tinha percebido que tudo que aconteceu entre nós não havia se passado de amizade e bom sexo, sentia falta de sexo, mas não dele.

- É bem recente o término, não é? Talvez você só esteja chateada.

- Sim eu estou chateada, Eduardo me abandonou mesmo sabendo que era a minha única família nos últimos anos, não hesitou em ir e quando foi eu percebi que foi a melhor coisa que ele poderia ter feito... prefiro rolar em brasa quente do que reatar, satisfeito?

Diogo me encara surpreso com minhas palavras.

- Eu não quis ser evasivo, desculpe.

- Você quer ou não anotar o número?

Ele o celular do bolso bermuda e me olha enquanto dito os números, assim que termino volta a guardar o aparelho.

- Vejo você a noite então. Estendo a mão, mas ele ignora me puxando para perto deixando um beijo em minha bochecha. Dei-lhe as costas e atravessei a avenida indo de volta para casa, dessa vez ainda irritada pela cara de pau do meu ex-namorado.

As horas passaram rápido. Estava deitada no meu sofá desde que tinha chegado da praia, meu celular tocou e eu estendi o braço para alcançá-lo.

- Oi, Babi.

- Ok, quem é gostoso da praia? Conta tudo!

- Como é que é? Me sentei perplexa.

- Eduardo, ele estava aqui em casa para sair com Bruno e estava me interrogando para saber sobre o cara que ele não conhecia que estava te acompanhando hoje na praia.

- Eduardo podia me esquecer. Bufo com raiva.

- Falei isso para ele... mas conta aí, quem é a carne nova?

Fechei os olhos, já prevendo a gritaria que Bárbara arranjaria no meu ouvido quando ouvisse a história. - Ajudei um cara bêbado a chegar em casa na noite passada, coincidentemente nos encontramos na praia e ele resolveu me chamar para jantar como forma de agradecer.

- Cara bêbado? Jantar? - Babi comemorou. - Sua vida toda movimentada e você escondendo o jogo, Camile?

- Não estou escondendo, só cheguei em casa agora pouco.

- Ele é bonito?

- Não é um encontro, Babi.

- Como não? Para com isso, estou radiante por você estar flertando, aposto que já jogou o número do garçom fora.

- Só estou falando a verdade, não é um encontro, o cara só está agradecido.

- Você é sempre chata, Cami. Só se vive uma vez.

- Ok, anotado, mas ainda não quero outro relacionamento tão cedo. Falei tentando encurtar a conversa.

- Vê se ao menos me ligar para contar como foi.

- Prometo que sim, te amo beijo.

Despedi-me e desliguei antes mesmo que ela respondesse e percebi que estava totalmente atrasada, a sorte era que eu não tinha a menor intenção de impressionar Diogo, ele tinha dito na noite passada que eu não era o tipo de garota com quem ele fodia e isso não me incomodou, já que apesar de me encantar por sua beleza não estava interessada nele. Um jeans e uma camiseta teriam de servir para um jantar de agradecimento.

Pontualmente as oito horas meu celular apitou com Diogo avisando que já estava lá embaixo me esperando, olhei no espelho uma última vez ajeitando meus fios ruivos que teimavam em desprender da trança lateral que caia sobre o ombro, usava um jeans de cintura alta escuro e uma blusa preta de mangas compridas que eram presentes de Babi. Nos pés eu calcava meu velho e querido tênis preto que combinava com qualquer roupa. Eu parecia uma colegial entediada, Diogo perceberia que eu estava "nem aí" para aquele jantar quando batesse os olhos em mim?

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