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Apenas minha! Entre a luz e a sombra.

Apenas minha! Entre a luz e a sombra.

Autor:: Gisele Cargnin
Gênero: Romance
Ana, uma médica recém-formada de Nova York, vê sua vida virar de ponta cabeça quando em uma noite comum, conhece Lucas. Ele, por sua vez, já observava Ana há algum tempo, veio para Nova York em busca de um recomeço. Preso ao seu passado sombrio, e uma doença em que ele precisa de acompanhamento médico, Lucas arrisca tudo: "Ana, você é a única pessoa em que posso confiar, case-se comigo!" - Ela reluta, não quer misturar sua vida pessoal com sua profissão. "Eu não posso! Tenho meus princípios, sinto muito." "Os seus princípios também reagem como seu corpo, doutora Steele? Porque o que eu sinto é que estremece quando está perto de mim" - ela perde o total controle de si mesma. "O meu corpo reage aos meus comandos, senhor... Beck, mas como tenho um coração bom, vou reconsiderar" O problema é que ela não conhece os segredos dele, e se vê entrelaçada em uma trama onde amor e perigo caminham lado a lado. Ana está disposta a salvar Lucas, mas será que ela conseguirá se salvar de Lucas? Essa seria mais uma história de amor em Nova York, ou não...

Capítulo 1 Ana

Era uma vez, no Hospital Geral de Nova York. - corta, corta, vamos começar novamente, sem muito clichê. - sorriu o narrador.

Ana, recém formada em medicina, após anos de estudos, noites em claro e dedicação incansável, finalmente tinha alcançado seu objetivo: ser aceita na residência do Hospital Geral de Nova York, o lugar onde ela sempre quis chegar, e que agora, se tornava realidade.

Ela saiu da universidade com um sorriso que parecia aquecer o dia gelado.

A notícia correu rapidamente entre suas amigas, e não demorou muito para que um grupo de mensagens fosse criado, combinando a comemoração.

Naquela noite, Ana e suas três melhores amigas, Elen, Gabriele e Renata, chegaram ao bar mais movimentado da cidade. O lugar estava cheio de gente bonita, música boa, e luzes piscando, elas encontraram uma mesa perto do bar e logo brindaram à nova fase.

As bebidas começaram a circular, e as risadas ecoavam pelo ambiente. Enquanto suas amigas dançavam e se divertiam, Ana decidiu pedir outra bebida no bar.

Foi quando ela o viu: alto, com um sorriso lindo, um olhar marcante, e um perfume que parecia penetrar a sua alma, cheio de mistérios. Ele estava encostado no balcão, segurando um copo de whisky com uma elegância despreocupada.

- Parabéns pela residência - ele disse, surpreendendo-a. – Posso pagar um drink para a médica mais bonita deste bar?

- Como você sabe? - ela perguntou, curiosa.

- Ouvi suas amigas falando - ele respondeu com um sorriso. - Eu sou bom em captar detalhes.

Ana riu, respondendo: – Só se você prometer brindar comigo.

– Claro, doutora. – Parabéns novamente! - disse o rapaz, seu olhar fixo no dela, como se quisesse saber cada detalhe daquela conquista.

– Eu não consigo acreditar que acabei aqui. Esse bar é mesmo incrível! - Ana falou, muito animada.

– Sim, eu também adoro este lugar. À música, as pessoas... tudo contribui para esse clima único.

Ana concordou. – E você tem alguma história interessante sobre esse bar?

– Ah, tenho algumas. Mas acho que o mais especial é quando conhecemos pessoas que tornam a noite inesquecível, como agora. – Disse ele, olhando em seus olhos fixamente.

Ana sorrindo, respondeu: – Sabe, você tem um cheiro bom. É uma mistura de colônia barata e algo a mais... tão encantador, tão ...masculino. Ele deu uma bela gargalhada alta – Obrigado. Gosto do seu perfume também. É doce, e enjoativo, eu diria.

A conversa continuou, cheia de risadas e trocas de olhares significativos. Ambos sentiam uma atração quente.

– O tempo voa quando estamos nos divertindo, não é?

– Ana suspirou. – Sim, nem percebi que já é tão tarde. Quer saber? Que tal um último brinde antes de irmos embora?

– Ótima ideia. – Ana respondeu saltitante.

Depois de vários drinks, ele a puxou para mais perto de seus lábios, que finalmente se encontraram em um beijo, cheio de desejo.

– Vamos sair daqui? – suspirou baixinho no ouvido de Ana. Com um sorriso malicioso, Ana respondeu: – Sim, vamos.

Ana e o rapaz deixaram o bar, ainda rindo e tropeçando um pouco.

A noite estava fria, mas a excitação que sentiam, aquecia o ar ao redor.

As luzes da cidade brilhavam enquanto caminhavam juntos até o carro dele, estacionado em frente ao bar.

O carro era um modelo antigo, mas bem conservado. Ele abriu a porta para Ana, que entrou rindo, ainda tentando recuperar o fôlego.

Dentro do carro, o ambiente se tornou íntimo rapidamente. Ele entrou e fechou a porta, criando um pequeno mundo só para os dois.

As janelas logo começaram a embaçar devido à diferença de temperatura e à intensidade do momento.

– Você está bem? – ele perguntou.

– Estou ótima. E você? – Nunca estive melhor. Ele se aproxima de Ana devagar. Está seguro de si mesmo, muito sexy.

O coração de Ana bate depressa, um desejo quente e intenso a invade. ''Ai, ele é tão sexy...'' – pensa Ana.

- Vou tirar a sua jaqueta. - ele diz em voz baixa, e, suavemente, desliza a jaqueta pelos ombros, e a coloca no banco de trás do carro.

- Tem ideia do quanto eu te desejo? - ele sussurra.

A respiração de Ana fica presa. Ele chega perto e suavemente passa os dedos no rosto de Ana.

- Tem ideia do que eu vou fazer com você? - acrescenta, acariciando seu queixo.

O rádio do carro estava ligado, tocando uma música suave. A cada toque, a cada sussurro a química entre eles se tornava mais forte. Ele se Inclina e a beija.

Começa a desabotoar a blusa de oncinha que Ana vestia, beijando ligeiramente o seu queixo e o canto da boca. Tira a blusa, muito devagar e a deixa cair no chão do carro. Se afasta um pouco e a observa.

''Ufa, estou vestindo o meu sutiã rosa pink, rendado, que fica estupidamente muito bem em mim. Graças a Deus.'' – pensava Ana.

- Ah, mocinha, mocinha... – ele respira. – Você tem uma pele linda, branquinha e macia. Eu quero beijar centímetro por centímetro.

''Oh, meu Deus...'' – pensamento de Ana. Ele abre o porta luvas do carro e saca uma caixa de camisinhas.

As roupas foram desajustadas, mas não totalmente removidas devido ao espaço limitado. Os toques tornaram-se mais urgentes, e o carro balançava suavemente enquanto eles se entregavam.

– Ah, – Ana geme, lambendo os lábios. Ele segura as mãos de Ana, e, sem tirar os olhos dela nem por um segundo, inclina o banco do carro para trás, a deixando quase deitada, e passa o nariz onde se unem suas coxas. Ela o sente... Lá.

- ele murmura e fecha os olhos, com uma expressão de prazer, e Ana praticamente tem uma convulsão.

- É muito linda, mocinha.

''Merda. Suas palavras... Ele é tão sedutor. Me deixa sem ar.'' – pensou Ana.

- Me mostra como você se toca. – O que? – Ana franze a testa, com um olhar de desentendida. - Não tenha vergonha, me mostra, - ele sussurra.

Ana balança a cabeça.

- Não entendo o que quer dizer - responde, tão cheia de desejo, que mal a reconhece.

- Como você se da prazer? Quero ver.

Ana começa a mostrar como ela faz. Ele chupa gentilmente um mamilo, desliza uma mão ao outro, e com o polegar rodeia muito devagar o outro mamilo.

– Ah, – Ana geme. - Agora eu vou colocar em você... - ele sussurra e a penetra lentamente.

- Aaai! - Ana grita. - Goze para mim, - ele sussurra sem fôlego e Ana se deixa gozar assim que ele diz, ele também goza, geme bem alto.

Depois de segundos, os suspiros e gemidos diminuem, dando lugar a uma respiração ofegante e satisfeita.

Eles permaneceram abraçados, sentindo o calor um do outro, enquanto o mundo lá fora lentamente voltava a existir.

– Acho que preciso ir para casa. – disse Ana.

– Eu te levo. Só me diga onde.

Ana deu o endereço próximo de sua casa, pois não o conhecia. Ele ligou o carro, e dirigiu.

O trajeto foi silencioso, com ambos absorvendo o que tinha acontecido. Quando chegaram ao destino, ele parou o carro e olhou para ela, um sorriso em seus lábios.

– Essa noite foi... inesquecível. Eu sabia que seria.

– Sim, foi mesmo. Obrigada. – Respondeu Ana, que se inclinou, deu um último beijo nele e saiu do carro, sentindo o ar fresco da madrugada em seu rosto.

Enquanto caminhava em direção à sua casa, ela sabia que aquela noite seria um marco, um momento que jamais esqueceria, carregado de promessas e novas possibilidades.

[...]

Um apartamento simples em uma tarde fria. Um jovem de aparência casual, está sentado em sua mesa, trabalhando em um computador.

O telefone toca. O jovem desliga a música e atende o telefone.

– Alô? Voz do Outro Lado: Olá, posso falar com Lucas, por favor? – É ele mesmo. É da agência de correios?

Voz do Outro Lado: – Sim. Como sabe? Estou ligando para informá-lo que você foi selecionado para a vaga de carteiro.

Lucas com um tom enigmático e um sorriso misterioso, olha pela janela, pensa por um momento e responde:

– Sim, eu aceito a vaga de carteiro. Desliga o telefone e murmura para si mesmo, ''O que o futuro me reserva agora?''.

Capítulo 2 Lucas

Era quarta-feira, o relógio apontava 10:23 da manhã, quando Ana desceu as escadas de seu apartamento levando o lixo para fora, ouvindo wannabe, das Spice Girls, em seu fone de ouvido, se sentindo realizada e orgulhosa, quando muito surpresa, o avistou, seguindo em sua direção.

Sua pele bem branquinha, cabelos castanhos escuros, magro, alto, sorriso lindo, se aproximava, o cara com quem teria ficado dentro do carro, na noite em que saiu para comemorar.

Ele era o carteiro do bairro, e, enquanto se aproximava para entregar a correspondência de Ana, reparou como ela o observava, e então, ele se perdia em pensamentos:

''Ana, Ana! Com base nessa sua vibe, aposto que é independente. Você está sem sutiã, mas sua blusa... está larguinha, isso significa que não quer ser cobiçada. Suas pulseiras estão balançando, parece que gosta um pouco de atenção.'' – pensava o carteiro.

Ana ficou absurdamente sem graça, nervosa, pois pensou que nunca mais o veria, porém, no fundo ela estava radiante, pois nunca se relacionou com alguém tão rápido, ela nem a reconhecia.

Mas, tentando não mostrar seu desespero, falou suas primeiras palavras para ele: – Bom dia carteiro. Tudo bem com você?

O carteiro respondeu sem hesitar, – Bom dia Ana. Esse seu nome, não é mesmo?

- É sim, Ana Steele. E o seu nome, qual é? Não tivemos muito tempo para nos apresentar naquela noite. – Ana disse, colocando seu cabelo por trás da orelha, sem jeito.

- Lucas, Lucas Beck. - respondeu o carteiro logo depressa – É um prazer conhecê-la oficialmente, Ana. – deu aquele sorriso malicioso.

Enquanto Ana entregava sua correspondência assinada, reparou no quanto Lucas era bonito. Estendeu a sua mão direita, o cumprimentou com um sorriso meigo e um aperto de mão agradecendo e desejando um ótimo dia.

Mas Lucas não estava disposto a deixar a conversa morrer tão rápido.

– Sabe, Ana, depois daquela noite, não pude deixar de pensar em você. – Lucas disse, com seu sorriso bonito.

Ana, surpreendida, respondeu: – Você pensou em mim? Na verdade eu achei que nunca mais nos veríamos, até porque nem seu nome eu sabia.

– Pois é, o destino tem um jeito engraçado de fazer as coisas acontecerem. – Lucas comentou, olhando diretamente nos olhos dela.

– Então, como está se sentindo sobre começar a residência? Deve estar sendo uma fase emocionante para você. Ana sorriu, sentindo-se mais à vontade.

– Sim, é realmente emocionante e um pouco assustador também. Sempre sonhei em trabalhar no Hospital Geral de Nova York, e agora que estou tão perto, parece surreal.

– Imagino. – Lucas respondeu, inclinando-se levemente para mais perto. – Deve ser incrível ver seus sonhos se tornando realidade. E eu tenho certeza que você vai se sair brilhante.

– Obrigada, Lucas. Isso significa muito para mim. – Ana disse, sentindo uma pontada de calor em suas bochechas. – E você? Como é ser carteiro? Parece um trabalho interessante.

Lucas deu uma risadinha, nem sabia o que responder, e inventou qualquer coisa – É um trabalho interessante, sim. Tem seus desafios, mas também suas recompensas. E, às vezes, você encontra pessoas que tornam o dia muito mais especial. – Ele disse, piscando para Ana.

Ana riu, sentindo-se cada vez mais excitada. – E como você decidiu ser carteiro? Não é uma escolha comum.

– Bom, depois de algumas experiências de vida, percebi que queria algo que me permitisse estar em contato com as pessoas e ainda ter tempo para mim mesmo. – Lucas explicou. – E você? Sempre quis ser médica? – mudou de assunto rapidamente.

– Sempre. – Ana respondeu com um brilho nos olhos. – Desde pequena, sabia que queria ajudar as pessoas. É uma paixão que sempre esteve comigo. Lucas sorriu, admirado.

– É realmente inspirador. Eu admiro sua determinação e paixão. Acho que você é exatamente o tipo de pessoa que precisamos no mundo.

O coração de Ana bateu mais forte. Havia algo em Lucas que a atraía profundamente, principalmente seu jeito misterioso que a excitava, mas ela sabia que precisava manter o foco em sua residência.

Mesmo assim, a presença dele era difícil de ignorar.

– Foi ótimo te reencontrar, Lucas. – Ana disse, tentando esconder a mistura de sentimentos. – Mas preciso ir agora, tenho algumas coisas para fazer hoje.

– Claro, entendo perfeitamente. – Lucas respondeu, um pouco desapontado, mas ainda sorrindo.

– Espero que nos encontremos novamente, mocinha.

– Obrigada, Lucas. Até logo. – Ana disse, acenando enquanto se dirigia de volta ao apartamento.

Subiu as escadas rapidamente, mal conseguindo conter a excitação.

Ao entrar, fechou a porta atrás de si, encostando-se nela por um momento para recuperar o fôlego e acalmar seu coração acelerado. Com um sorriso bobo nos lábios, pegou o telefone e rapidamente iniciou uma chamada em grupo com suas amigas.

- Meninas, vocês não vão acreditar! - Ana disse, sua voz tremendo de empolgação.

- O que foi, Ana? - Elen perguntou, curiosa.

- Lembram do cara do bar, aquele da noite em que comemoramos minha residência? - Ana mal podia esperar para contar.

- Claro que lembramos! - Gabriele respondeu.

- O que aconteceu? - Eu o encontrei de novo!

- Ana exclamou. - Ele é o carteiro do meu bairro!

- O quê?! - Renata quase gritou.

- Você está brincando?

- Não estou! - Ana riu. - E o nome dele é Lucas. Lucas Beck.

- Uau! - Elen comentou, surpresa. - E como foi o reencontro?

Ana contou a elas todos os detalhes, desde o momento em que o viu se aproximando até a breve conversa que tiveram.

- Ele parecia tão tranquilo e charmoso como naquela noite - Ana disse, suspirando. - E agora sei o nome dele.

Gabriele disse animada - Talvez seja um sinal!

- Sim, um sinal de que vocês precisam se conhecer melhor - Renata acrescentou com um sorriso. Ana riu, mas depois respirou fundo, tentando se acalmar.

- Meninas, eu gostei de reencontrá-lo, mas preciso lembrar que estou começando minha residência. Vai ser um período muito intenso e desafiador. Eu realmente não sei se é o momento para me envolver com alguém.

- Você está certa, Ana - Elen concordou.

- Exatamente - Gabriele disse. - Ninguém está dizendo que você deve começar um relacionamento agora.

- E se ele for o carteiro do bairro, vocês vão se encontrar de qualquer forma - Renata comentou, sorrindo.

- Talvez isso possa ser algo positivo, algo leve para equilibrar sua rotina agitada.

Ana concordou sobre o que as amigas disseram.

- Vou deixar as coisas acontecerem naturalmente.

Elas conversaram mais um pouco, rindo e se divertindo, até que Ana finalmente desligou o telefone, sentindo-se mais leve e feliz.

Ana decidiu que deixaria o destino seguir seu curso, sem pressa e sem pressão. Afinal, a vida é cheia de surpresas, e ela estava pronta para enfrentar todas elas.

[...]

Na manhã do primeiro dia da residência, Ana acordou com o despertador tocando às 5:30. Primeiro, foi até a cozinha e preparou uma xícara de café forte. Enquanto a cafeteira trabalhava, tomou um banho rápido, escolheu cuidadosamente a sua roupa, junto com seu jaleco novo. Fez um rabo de cavalo no cabelo com seu laço de cetim rosa pink, e finalizou com um leve toque de maquiagem para parecer profissional, mas não excessivamente produzida.

Chegando ao hospital às 6:57, Ana parou por um momento na entrada principal, observou o movimento de pessoas entrando e saindo. Respirou fundo, e com passos firmes, entrou no prédio se dirigindo ao setor de residência médica.

Durante o dia, Ana conhece o Dr. John, seu mentor no setor cirúrgico, conhecido por ser exigente, tinha um olhar marcante, e no fundo era meio chavequeiro, flertava o tempo todo, mas, tranquilizava os novos residentes.

Ao final do dia, Ana se sentia cansada, mas incrivelmente realizada. Chegando em seu apartamento, tira os sapatos, se joga no sofá e permite um momento de silêncio. Sabia que aquele era apenas o começo de uma jornada longa e desafiadora.

Capítulo 3 Conexão

Era hoje, a sua segunda semana de residência no Hospital Geral de Nova York, onde aconteceu um tumulto incomum naquela noite, ocorreu um acidente violento envolvendo moto, vários carros e um caminhão, onde encheu a emergência de pacientes em estado crítico.

O som das sirenes de ambulâncias se misturava ao clamor das pessoas, criando um cenário caótico.

Ana, uma jovem médica residente, pele clara, cabelos castanhos, preso em um rabo de cavalo com um laço de cetim rosa pink, mal conseguia parar para respirar.

Ela corria de um paciente a outro, suas mãos hábeis se movendo rapidamente para suturar ferimentos, aplicar medicações e acalmar aqueles em pânico.

Entre os muitos rostos que atendia, um em especial se destacava.

– Dra. Ana! Dra. Ana! Preciso de ajuda aqui! – gritou a enfermeira chefe Márcia, apontando para um paciente masculino, que estava sendo trazido em uma maca. Sangue escorria de um ferimento profundo em seu abdômen.

– Estou indo! – respondeu Ana, aproximando-se rapidamente. – Precisamos estabilizá-lo e levá-lo para a cirurgia imediatamente. – Acrescentou. Enquanto Dra. Ana trabalhava incansavelmente para salvar o paciente, ela não pôde deixar de notar o quão familiar ele parecia.

Durante um breve momento em que seus olhos se encontraram, viu que seu paciente era Lucas, e, naquele instante, eles sentiram uma conexão instantânea.

Horas depois, com Lucas finalmente estabilizado e na sala de cirurgia, Ana saiu pelos corredores, exausta. Ela encostou-se na parede, tentando processar os eventos da noite, mas a calmaria durou pouco.

De repente, uma série de tiros ecoou pelo hospital, e os alarmes de segurança dispararam. - O que está acontecendo? - perguntou Ana para Márcia, uma colega enfermeira, que parecia tão assustada quanto ela.

- São tiros. Parece que um grupo armado invadiu o hospital, - respondeu Márcia, a enfermeira. - Eles estão procurando por alguém. - acrescentou.

Ana sentiu um frio na espinha. Imediatamente, pensou em Lucas, por seu comportamento ser estranho. Se caso aqueles homens estivessem atrás dele, ele estaria em grave perigo. Sem hesitar, correu em direção à sala de cirurgia e encontrou um cenário de caos. Os invasores estavam tentando entrar, e o cirurgião-chefe, Dr. Eron, fazia o possível para mantê-los afastados. – Ana, precisamos tirá-lo daqui! – gritou Dr. Eron, referindo-se a Lucas.

Ana sentiu o seu coração batendo forte. – Vamos usar a saída de emergência, é nossa única chance. – Sugeriu ela, tremendo e com as suas pernas bambas. Com a ajuda do Dr. Eron e de alguns enfermeiros, eles conseguiram mover Lucas para uma maca móvel.

Os invasores, percebendo a movimentação, começaram a atirar.

Ana pegou uma bandeja de metal e a usou como escudo improvisado, enquanto empurrava a maca em direção à saída. A tensão estava no auge. Os corredores, que antes eram refúgios de cura, agora eram campos de batalha. Ana sentiu uma bala passar raspando por seu braço, mas ela não parou.

A determinação para salvar Lucas, era maior que o seu medo. Finalmente, eles chegaram à saída de emergência. Do lado de fora, a polícia havia chegado e começava a cercar o hospital. Ana e Dr. Eron empurrava a maca com Lucas para fora, onde os paramédicos os aguardavam. – Levem-no para um lugar seguro e continuem a cirurgia, – disse Ana, com a sua voz firme apesar do caos ao seu redor.

Enquanto Lucas era levado para uma ambulância, Ana sentiu as pernas fraquejarem, mas manteve-se de pé, olhou ao seu redor, viu que os invasores haviam fugido e não foram detidos pela polícia, sentiu raiva, mas se manteve firme, respirou profundamente, se levantou e voltou para o hospital para ajudar organizar o caos que havia sido criado. Dias depois, o hospital voltava ao seu ritmo normal, mas as marcas do incidente ainda estavam frescas, as memórias apareciam a todo momento gerando incertezas e muito medo.

– E agora, o que será deste lugar?! Devemos Trabalhar com medo?! – dizia Ana, para a enfermeira Márcia.

– Um dia de cada vez Dra. Ana. Um dia de cada vez! – Respondeu Márcia.

Ana visitava Lucas regularmente, agora em um quarto seguro e protegido. Mas Ana, cheia de perguntas em sua mente, se interessou em saber mais sobre Lucas.

''Porque estavam atrás dele no hospital? - Porque ele parece misterioso? Intenso?! Me intimida.'' – pensava Ana, a todo momento.

[...]

Era mais uma noite comum, e Ana, como de costume, foi visitar Lucas e avaliar seu estado antes de ir para casa. Ele ainda estava sedado e monitorado por um monitor multiparâmetros, sua respiração lenta e constante, sendo a única companhia no quarto escuro.

Ana se aproximou da cama, ajustando o lençol ao redor dele, o olhar perdido em pensamentos sobre o que ele poderia estar escondendo. Mas naquela noite, algo estava diferente, sentia uma sensação desconfortável se instalando, um pressentimento que ela não conseguia ignorar. Enquanto fazia suas checagens finais como de costume, algo no corredor chamou sua atenção. Uma sombra se movia lentamente.

Ana parou, seu corpo ficou tenso, e, observou que alguém estava ali, e ela sabia que não era outro médico ou enfermeiro pela forma como se movia.

Ela podia sentir o perigo no ar. Ana voltou rapidamente para o quarto de Lucas, fechando a porta suavemente, o silêncio era pesado e sufocante. Seu coração batia mais rápido quando ela ouviu passos suaves se aproximando, logo, a maçaneta da porta girou lentamente, e o pânico tomou conta dela.

A porta se abriu, revelando uma figura sombria. O homem entrou, se movia como a calma de um predador. Vestido de preto, parecia se fundir com as sombras do quarto.

Em sua mão, segurava uma seringa, Ana se escondeu atrás da cortina, mal conseguindo respirar, seus olhos arregalados, apavorada, com medo.

''Ai meu Deus'' – pensava Ana. O homem se aproximou de Lucas, a seringa pronta para ser injetada. Ele sussurrou, sua voz fria e sem emoção nenhuma.

- Você nunca deveria ter voltado, Lucas. Isso termina aqui. Ana sentiu o pavor apertar seu peito. Ela sabia que tinha que agir, mas o medo a paralisava. Reunindo toda a coragem que conseguiu, ela derrubou uma prateleira próxima, fazendo um barulho alto pelo quarto.

O homem parou abruptamente, seus olhos varrendo a sala em busca da origem do som.

- Quem está aí? - ele rosnou. Ana, com o coração batendo descontroladamente, sabia que tinha apenas segundos para fazer algo. Olhava ao seu redor procurando por alguma coisa que pudesse usar como arma, e seus olhos se fixaram em um suporte de soro fisiológico. Sem pensar duas vezes, ela o agarrou e, com toda a força que tinha, bateu o suporte na cabeça do homem. O impacto o fez cambalear, surpreso e momentaneamente atordoado, ele se levantou rapidamente, seus olhos brilharam sentindo uma raiva mortal, ficou muito furioso.

- Você vai pagar por isso, - ele disse, sua voz carregada de ameaça - Vai se arrepender. - dizia com olhar de ódio.

Desesperada, Ana correu em direção à porta, mas ele a alcançou antes que ela pudesse sair, empurrando-a contra a parede, tirou uma faca que estava fixa no sinto de sua calça, e, colocou perto de seu rosto, perigosamente e disse:

- Ninguém interfere nos meus negócios, - disse, com seus olhos brilhando de loucura fria.

''Ele sabe muito bem o que quer, não tem preocupação ou medo algum!'' – pensou Ana. Ana lutou e, desesperada, mordeu a mão dele, conseguindo se libertar por um breve instante. Foi o suficiente para destrancar a porta e correr para o corredor, seus passos ecoando enquanto o pânico a impulsionava.

O homem a seguiu por um tempo, mas parou abruptamente, percebendo que continuar poderia atrair atenção indesejada.

Então, ele a observou por um momento e saiu pela saída de emergência sem ser detectado. Ana, ofegante e totalmente em choque, observou quando ele sumiu na escuridão. Ela tremia, não sabia se chamava alguém, ou se seria melhor manter segredo, mas se confortava ao saber que Lucas estava vivo. Mesmo assim, perguntas sombrias assombravam sua mente. ''Quem era aquele homem? Por que queria matar Lucas? E o que Lucas estava escondendo?'' – pensava Ana.

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