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Apenas uma dança

Apenas uma dança

Autor:: Aline Leão
Gênero: Romance
Apenas uma dança pode mudar tudo. Cecília Diaz é uma atraente estudante de direito. Sua única paixão é o pole dance, esporte que pratica desde a infância. Eric Gonzalez é um CEO sedutor e bem-sucedido. Dono da maior empresa de advocacia do país, comanda os negócios da família e não se prende a relacionamentos. Em uma festa na boate mais conhecida de Los Angeles, seus olhos se deparam com o de uma jovem dançarina que o faz sentir a necessidade de conhecê-la. Passado, presente e futuro. Tudo está conectado. Estarão eles preparados?

Capítulo 1 Cecília Diaz

Epígrafe:

"Bela, a forma do vaso. Mas é no seu vazio que se conserva o vinho." – Casimiro de Brito

Epílogo:

Encaro o espelho por alguns segundos, o vermelho do vestido combina com as flores que recebi essa manhã. A barriga protuberante não deixa dúvidas que agora não ando só, pois em mim há dois corações.

Fecho meus olhos e as palavras ditas naquela mensagem ecoam entre o presente e o passado.

Há quem diga que o oposto do amor é o ódio.

Tolice.

A indiferença fere mais que uma arma, e pode trazer consequências avassaladoras.

–Eu estarei sempre aqui!– seco as lágrimas e acaricio com as pontas dos dedos ao redor do umbigo.

–Todos nós!– ouço a resposta e sorrio ao ver Alejandra, minha mãe, ao lado da porta.

–Emma e Lúcio acabam de chegar.

–Já estou pronta.– digo e seguimos em direção ao corredor, próximo as escadas.

–Você está linda!– Emma diz assim que me vê e posso notar seus olhos lacrimejando.

–Já escolheu o nome?– Lúcio pergunta ao se aproximar de nós.

–Tudo depende de hoje.– sorrio ao lembrar que Lisa, minha irmã, insistiu em ficar responsável pela revelação do sexo do bebê.

–Então vamos, antes que Brian coma todos os brigadeiros.

Seguimos todos para a sala de jantar, a decoração é simples mas muito harmoniosa, há detalhes em rosa e azul por todos os lados.

–Quais as opções? Quero gritar o nome do meu sobrinho quando cortarmos o bolo.– Emma diz confiante.

–Se for menino, se chamará Adam.– todos sorriem com a escolha.

–E se for menina?– Lúcio pergunta e meus olhos brilham.

–Avril.

Como um recomeço.

Cecília Diaz

Estou exausta.

Minhas bochechas queimam com o sol escaldante de uma manhã em Los Angeles.

Emma insiste que devemos caminhar todos os dias, mas não consigo compreender suas razões quando passamos horas ensaiando no estúdio.

–Por que estamos fazendo isso?– pergunto, aproveitando para tomar fôlego.

–Um pouco de vitamina D fará bem.– ela diz e sorri.

Emma possui um estilo peculiar, vestindo roupas de correr. A forma como ela mistura um casaco lilás e uma blusa amarela pode surpreender.

–Você parece cansada.– ela comenta.

–Acho que preciso de um banho, meu cabelo está grudando.

–Tudo bem, hora de ir.

Seguimos, em direção à entrada de casa, a porta de madeira envelhecida está aberta, certamente meu irmão, Brian, esqueceu de fechá-la.

–Mamãe?– anuncio minha chegada.

–Estou na cozinha.– sorrio ao sentir o cheiro de laranja inebriar o ambiente.

–Espero não estar atrapalhando.– minha amiga diz ao se aproximar.

Os pais de Emma sofreram um acidente de carro há dois anos atrás, desde então somos sua única família.

–Não diga bobagens, menina. Você é como uma filha.– ela sorri agradecida.

–Adam virá para o almoço?– pergunto.

–Ligarei para perguntar.– concordo com um aceno.

Lembro do dia em que minha mãe, Alejandra Diaz, contou ter vindo do México após descobrir estar grávida.

Por algum tempo eu insisti em saber quem era meu pai, até que entendi o quão era doloroso para ela falar sobre o assunto.

Adam, meu padrasto, casou-se com ela para que pudesse adquirir sua cidadania, mas acabaram se apaixonando. Ele sempre me tratou como sua filha, mas após o nascimento de Brian, passei a me sentir sozinha e aos poucos nos afastamos.

–Cecília, está me ouvindo?– Emma comenta e sorri.

–Desculpa...Pode repetir?

–Perguntei se já separou sua roupa para a apresentação.

–Sim, está tudo pronto.– digo animada.

Assim que completei cinco anos, mamãe passou a dar aulas de pole dance, aos quinze, eu já a acompanhava e atualmente, aos vinte e três, dançar virou minha paixão.

Hoje iremos nos apresentar na boate que está inaugurando na Sunset Boulevard. Dona Alejandra não irá, ela deixou de dar aulas há seis anos, quando descobriu estar grávida do meu irmão, Brian.

–Nosso sonho está cada vez mais próximo, ainda teremos nosso próprio estúdio.

–Primeiro precisamos nos preocupar em manter o aluguel pago.– não quero ser pessimista, mas estou preocupada.

–Daremos um jeito.

Eric Gonzalez

A claridade da janela me faz despertar, pressiono meus olhos buscando costume, minha cabeça lateja e não me recordo como cheguei em casa, viro para o lado e vejo Sandy, minha secretária, coberta apenas por um lençol de seda.

– Hora de ir. – balanço seus ombros e me levanto.

Possuímos uma relação sexual, satisfazendo um ao outro, sem compromissos. Há apenas uma regra pela qual não abro mão, jamais se apaixonar.

– Bom dia!– ela diz manhosa, se espreguiçando na cama.

Respiro.

Seu corpo é como uma obra de arte, aprecio atentamente suas belas curvas e a lembrança da noite passada me faz prolongar a manhã por mais algumas horas.

Alívio.

A água percorre todo meu corpo, já é quase final de tarde quando decido retornar para a empresa.

–É o Jason.– Sandy surge com meu telefone nas mãos. Fecho a torneira e ainda nu, afasto-me para atendê-lo.

– Espero que seja importante. – Eric, onde você está?

– Não me lembro de ter contratado uma babá. – ironizo ao meu amigo e braço direito.

–Os investidores chegaram. Preciso lembra-lo que tudo depende dessa reunião?

– Chego em trinta minutos. – Aviso.

Desde que meu pai, Henry Gonzalez, passou-me a presidência, absolutamente tudo precisa estar em perfeita harmonia.

–Já está de saída?– Sandy pergunta enquanto visto meu terno.

– Peça um táxi para você, tenho que ir.

Entro no meu carro esportivo, e sigo pelas ruas de Los Angeles.

–Estão todos aguardando na sala de reuniões.– Jason diz assim que chego.

–Então vamos.

[...]

A reunião foi um sucesso, os contratos foram assinados e já podemos dar início à construção da nova filial.

–Isso merece uma comemoração.

–O que sugere então?

–Conto no caminho.

Concordo e seguimos em direção à uma boate na Sunset Boulevard.

A área privada possui amplo acesso ao local, com meu copo de whisky na mão observo as pessoas ao redor.

Jason está um pouco afastado, daqui consigo vê-lo conversar com a barista. Ergo o copo em sua direção, cumprimentando-o. Ele sorri debochado e se vira.

As luzes se apagam e uma música surge ao fundo.

"I'ma care for you" Assobios preenchem o local.

"I'ma care for you, you, you, you" Desço os olhos para o palco.

"You make it look like it's magic (oh, yeah)" Observo as dançarinas.

As máscaras em suas faces não permitem que revelem suas identidades.

"Cause I see nobody, nobody but you, you, you" Encaro uma a uma.

Até que a vejo.

Ela é diferente das outras.

"Girl, you earned it, yeah" Meus olhos se prendem a garota.

"You're my favorite kind of night"

Eu a terei essa noite!

Desço as escadas a fim de encontrar a feiticeira em formato de mulher mas não a vejo.

–Para onde elas foram?– pergunto ao segurança.

–O show acabou.– ele grita.

Uma pequena confusão se forma ao lado da pista e apenas me afasto.

– Já vi que escolheu sua presa.– Jason comenta assim que me vê.

–Encontre-a.

–Como espera que eu faça isso?

–Tenho certeza que dará um jeito.

–Não pode simplesmente esquecer?– reclama.

–Jason, meu amigo. Mulheres como aquela não desaparecem, elas deixam vestígios por onde passam, e sua missão é encontrá-los.

–Farei o possível.– ele diz e nos despedimos.

Já em casa, retiro o paletó e me sirvo de uma dose de whisky.

Enquanto beberico, caminho em direção ao quarto, a frustração de uma noite mal sucedida que ,aparentemente, ainda não acabou.

Agora nu, entro no banheiro e abro a torneira, permitindo que a água fria percorra meu corpo e traga minha sanidade de volta.

"Qual será seu nome?"

Minha consciência traíra insiste em pensar no ser místico de cabelos negros e olhos penetrantes.

Seja qual for o feitiço lançado, estou perdidamente entregue aos seus encantos.

[...]

Na manhã seguinte, encontro Eva cantarolando na cozinha, minha governanta parece não perceber minha presença enquanto segue preparando o café da manhã.

–Bom dia, Eva.

–Jesus!– exclama.

–Não é pra tanto.– falo ao me aproximar.

–Um dia você matará essa velha de susto, menino.

–Vejo que amanheceu animada.– digo ao observar a mesa farta.

–Preparei panquecas.– sorri como se soubesse meu maior segredo.

Panquecas.

Eva as prepara desde que eu era um menino, salpicadas de açúcar e cobertas por melado.

As lembranças são doces mas dolorosas, Helena, minha mãe, gargalhava ao ver minha boca coberta de farinha.

–Está pensando nela?

–Todos os dias.– digo e posso sentir o nó se formar na minha garganta.

Eu tinha doze anos.

Se eu fechar meus olhos consigo ouvir o som da sirene na entrada de casa, meu pai gritava por socorro enquanto Eva tentava me acalmar.

–Preciso ir! – levanto e saio apressado.

[...]

Chego na empresa e já me deparo com Sandy na saída do elevador.

– Ligue para Jason e peça que venha para minha sala, não quero ser incomodado por ninguém hoje, estarei lá dentro o aguardando.– Digo e sigo em direção a minha sala sem ao menos esperar uma resposta dela.

Não demora muito e o vejo entrar com um sorriso sarcástico no rosto.

– Já imagino o motivo que mandou me chamar, não conseguiu dormir pensando na sua Cinderela?– Jason ri

– Você fez o que eu mandei? – Ignoro sua piada.

– É claro que fiz, só não sei por que esse trabalho todo por causa de uma dançarina.

– Acho bom você tomar cuidado, somos amigos mas já deixei claro que não gosto que se envolva dessa maneira com quem eu quero ou não na minha cama, e é somente isso que eu quero, foder com ela. – Respondo sério, ele me encara e logo bufa contrariado.

– A primeira está agendada para o 12h.

[...]

Ao 12h chego ao restaurante que mandei James reservar para que eu tenha uma conversa em particular com a garota. Sentado, tomando uma dose de whisky, logo vejo alguém se aproximando.

Capítulo 2 Cecília Diaz

Cecília Diaz

Cheguei na balada atrasada, vejo que a fila está enorme, se continuarmos aqui vão nos demitir e não terei dinheiro para pagar o aluguel do studio. Minha mãe e Adam ficam sobrecarregados com as contas de casa, esses shows são um bico que faço enquanto espero o resultado da lista de estágio que estou concorrendo. Emma diz a um dos seguranças que estávamos ali a trabalho, então ele nos entrega uma lista de presença para assinar com nome e telefone. É nesse momento que vemos Melanie, uma das dançarinas do studio vindo em nossa direção. Eu aluguei o studio quando o meu irmão nasceu, no começo o Adam e os pais da Emma ajudavam, mesmo contrariados, mas hoje temos que trabalhar se quisermos manter o lugar aberto. As meninas vieram depois, elas não pagam pelas aulas mas toparam dançar para levantar o dinheiro do aluguel.

– Finalmente achei vocês, todas já chegaram, estão nos chamando, venham, vamos! – Ela diz nos apressando. Emma e eu entramos, deixando a lista para trás. Ao entrar no camarim, guardamos nossas bolsas e colocamos nossas máscaras. Emma deu a ideia das máscaras para não sermos reconhecidas por alguém da faculdade, ou do trabalho. Nós não somos de sair espalhando que dançamos em uma boate, não fazemos nada de errado, mas até termos a chance de nos defender, muita coisa poderia ser interpretada de maneira errada.

– Todas prontas? Então vamos. – Eu digo para as meninas e logo nos posicionamos nos nossos lugares.

...

A música toca e logo começamos a dançar, eu não ligo para os aplausos e assobios, agora o que importa é a melodia, eu sinto a música e ela me diz o que fazer. Quando olho para cima, vejo um homem alto, forte, de cabelos loiros e olhos escuros me encarando, eu continuo dançando com meus olhos presos naquele homem, ele é muito bonito e intrigante. Por um momento ele para de me olhar, e é nesse momento que percebo que a música acabou. Vou até o camarim tentar me recompor e vejo que Emma vem logo atrás de mim.

– O que foi aquilo lá? Nunca vi você dançar com tanta emoção. – Emma diz e eu não entendo muito bem o que ela está querendo falar.

– Não entendo o que está querendo dizer, não foi nada demais, apenas estávamos dançando como sempre fazemos. – Respondo, ainda com meus pensamentos naquele homem e em como ele me olhava. Mas antes mesmo que Emma me diga alguma coisa meu telefone toca e vejo que é minha mãe na tela.

– Alô, mãe? Está tudo bem?– Pergunto preocupada, ela não é de ligar, esse é o papel do Adam, ele sempre fica preocupado quando eu venho para a boate.

– Cecília, o Adam... Ele passou mal, estamos no hospital..– Mamãe diz e sinto meu coração apertar, antes que ela termine de falar eu respondo.

– Eu já estou indo.– Desligo e vou em direção ao hospital acompanhada de Emma. Desde que eu nasci, minha mãe nunca me escondeu que Adam não era meu pai. Eu sou muito grata por ele ter entrado na nossa vida na hora certa e mesmo não tendo o seu sangue, ele sempre será o meu pai. Ele esteve presente nas festas escolares, nas apresentações, foi ele que me ensinou a andar de bicicleta. Me lembro de uma vez em que estava pedalando e cai, fui até Adam chorando dizendo que jamais ia conseguir andar em uma sem rodinhas como as outras meninas, nesse momento ele olhou nos meus olhos e disse " Querida, você é a garotinha mais inteligente que eu já conheci. Eu sei que você está com medo, até mesmo as pessoas mais corajosas sentem medo, você só não pode deixar o medo te impedir de realizar os seus sonhos". Por um momento o medo toma conta de mim e sinto as lágrimas tomarem conta do meu rosto, Emma me abraça e fica em silêncio enquanto entramos no táxi e seguimos a caminho do hospital.

...

Entramos na recepção e informamos o nome do paciente, a recepcionista nos informa que ele está no segundo andar, pegamos o elevador e ao sair encontro minha mãe em pé conversando com um homem alto, de cabelos pretos e olhos azuis. Ele está de jaleco e pelo olhar da minha mãe, sinto que ele não está dando uma boa notícia. Me aproximo mais deles para conseguir ouvir o que está acontecendo e é quando minha mãe nota minha presença e me abraça, seus braços tremem e mesmo sem ver, sei que está chorando.

– O que aconteceu? – pergunto com a voz trêmula

– Eu não sei, querida. Ele nunca reclamou de dores, mas estávamos assistindo filme, o Brian tinha ido dormir..El..Ele começou a falar que estava sentindo muita dor, pediu para trazê-lo ao médico, eu estou com tanto medo.– Mamãe diz e tenho tanto medo que não consigo pensar em nada.

– Onde está o Brian? – Pergunto, tentando ser forte por ela e por mim.

– Ele está com a enfermeira na sala de jogos para crianças, o doutor pediu que levassem ele para ter uma conversa em particular comigo. – Ela diz no momento em que noto que o médico está nos olhando com um olhar de compaixão e preocupação.

– Desculpe, doutor. Meu nome é Cecília, o que meu p..O que o Adam tem? – Quando eu era pequena sempre chamei o Adam de pai, mas quando minha mãe contou que estava grávida eu parei, ele sempre me perguntou se tinha feito algo para que eu deixasse de chamá-lo de pai, no fundo foi ciúmes, eu não era filha dele de sangue, e eu não queria tirar a chance dele ouvir essas palavras do filho dele. Mas agora eu tenho medo de não conseguir falar essas palavras novamente. Uma angústia toma conta de mim e não sei o que fazer.

– Cecília, sou o Doutor Lúcio. Como eu estava explicando pra sua mãe, o Adam tem uma pancreatite aguda, já está avançada e será necessário uma cirurgia de emergência, nós já estamos preparando a sala, mas será necessária a assinatura da sua mãe para realizarmos a cirurgia, não quero enganar vocês, mas é arriscado. – Meu mundo desabada e não sei como reagir.

– Nós podemos vê-lo antes da cirurgia? – Minha mãe pergunta com um fio de voz que ainda lhe resta.

– Por alguns minutos, mas peço que não demorem, ele precisa fazer a cirurgia o quanto antes. Vou pedir que a enfermeira as acompanhe.

...

Entramos no quarto e vejo Adam ao redor dos aparelhos e sinto as lágrimas se juntarem em meus olhos, mas não posso deixar que ele me veja dessa forma, preciso ser forte por ele.

– Adam, querido. Estamos aqui, meu amor.– Mamãe fala enquanto beija sua testa.

– Meus amores, eu não queria assustar vocês, as dores vinham de vez em quando, mas nunca como hoje. – Ele fala e nós ficamos arrasadas pois não percebemos que ele já vinha sentindo isso a algum tempo.

– Querido, por que não falou antes?

– Meu amor, me deixe conversar com a nossa garotinha primeiro. – Ele pede e mamãe diz que vai esperar lá fora.

– Cecília, minha querida. Eu queria que você soubesse que desde que sua mãe apareceu na minha vida com você, eu prometi que amaria você como se fosse minha filha, eu tenho muito orgulho da mulher que você se tornou..– Ele fala e as lágrimas escorrem em seus olhos.

– Pai, você sempre foi e sempre será meu pai. Me perdoa, eu tive medo, eu quero te pedir desculpas..Eu..– Antes mesmo que eu termine de falar, Adam me diz.

– Cecília, você e o Brian sempre serão meus filhos, nada vai mudar isso. Eu amo os dois igualmente, e preciso que você seja forte, cuide dele e da sua mãe, eu não sei o que vai acontecer, mas saiba que estarei sempre cuidando de vocês.

– Não diga isso, por favor, nós precisamos de você. – Já não consigo conter as lágrimas que caem dos meus olhos.

– Eu te amo, minha garotinha. Seja forte e corajosa, eu estarei te protegendo sempre. Agora vá, sua mãe precisa de você, eu ficarei bem. – Saio do quarto e vou para perto da minha mãe, ela está sentada ao lado de Emma e as duas me olham preocupadas.

...

Já faz 5 horas que estamos aguardando nessa sala de espera, ainda não apareceu ninguém, o que nos deixa cada vez mais preocupadas, quando estava me levantando para falar com a recepcionista vejo o doutor Lúcio se aproximando.

– Dona Alejandra, Cecília..

Os órgãos já estavam muito comprometidos, fizemos todo o possível para salvá-lo, mas infelizmente ele não resistiu. – Nesse momento sinto minhas pernas perderem a força, Emma me segura quando percebe que estou prestes a desabar e me abraça como quem sabe muito bem a dor que estou sentindo. Saio dos braços de Emma e vou em direção a minha mãe que está sentada chorando com as mãos no rosto, lembro de Adam pedindo que eu fosse forte e corajosa, que eu precisaria cuidar deles e choro junto com ela, abraço-a forte e ficamos ali por um longo tempo.

Capítulo 3 Eric Gonzalez

Eric Gonzalez

A mulher que vem em minha direção não é a mesma que vi na boate, essa é loira, alta, tem seios grandes e quadril largo.

– Meu nome é Melanie Hal..

– Não precisa terminar de se apresentar, você não é quem eu estou procurando. Já pode ir embora, está liberada. – Se eu não estivesse esperando pela garota de ontem, com certeza a levaria para cama.

– Você é um babaca, sabia? – Ela responde furiosa e vai embora.

...

Nenhuma das meninas que vieram hoje era a dançarina de ontem. Eu ligo para Jason e após 3 toques ele me atende.

– Jason, tem certeza que essas são todas as mulheres que estavam dançando ontem na boate? – Pergunto com a voz irritada de ter perdido esse tempo todo e não ter encontrado a garota.

– Ainda não achou a sua garota?

– Se eu a tivesse encontrado estaria fazendo algo muito melhor nesse momento.

– Todos que vão a boate precisam anotar os números de telefone e assinar os nomes na lista de presença. Mas vou buscar saber o que pode ter acontecido e te aviso quando encontrar algo.– Jason responde.

– Ficarei aguardando seu retorno. – Desligo antes mesmo que ele possa dizer alguma coisa. Saio do restaurante e decido que não voltarei ao trabalho hoje. Entro no carro e vou em direção a minha casa.

...

Um mês depois

Desde aquela noite eu nunca mais a vi, Jason foi até a boate mas descobriu que nem todas as meninas haviam assinado a lista. Entrei em contato com o responsável pela contratação das dançarinas e ele me disse que após aquela noite elas não voltaram mais, fico me perguntando o que pode ter acontecido. Talvez eu nunca mais a encontre, preciso esquecê-la e focar na empresa. Nesse momento estou na minha sala revisando alguns contratos, marquei uma reunião com os investidores para ver o andamento da construção da filial da Gonzalez Office que ficará em Seattle. Então alguém bate na porta e mando que entre.

– Eric, já chamei os sócios da empresa como você me pediu, eles estão na sala de reuniões aguardando por você. Posso te ajudar com mais alguma coisa ?– Sandy diz enquanto caminha em minha direção com um sorriso malicioso. Normalmente eu negaria, não misturo trabalho com prazer, mas minha semana tem sido muito cansativa e preciso descarregar minhas energias, tenho trabalhado muito e procurado pela garota que parece ter desaparecido.

– Ajoelha– Falo firme e sem expressar sentimento nenhum, ela sabe como as coisas funcionam comigo. Nesse momento ela tranca a porta e faz o que eu mando, se ajoelhando na minha frente. Eu abro meu cinto e retiro meu pau já duro pra fora da boxer, Sandy começa acariciando a superfície, sua língua encosta na minha glande e é quando ela solta um gemido baixo, eu seguro seus cabelos em um rabo de cavalo alto e a puxo para frente incentivando-a, ela coloca tudo dentro da boca. Solto um gemido e sei que ela está gostando, seus movimentos se tornam mais intensos e sinto que estou prestes a gozar, a puxo com mais força fazendo engolir toda a minha porra. Sandy sorri satisfeita, eu vou em direção ao banheiro para me limpar. Caminho até a porta, e vou em direção a sala de reuniões, entro e encontro Jason e alguns sócios da empresa, a reunião começa e falamos sobre a expansão e o andamento da construção.

– O processo seletivo para o novo estagiário será amanhã, precisamos de alguém que cuide de toda a papelada enquanto você está fora monitorando o andamento da construção. Se quiser posso fazer a entrevista, sei que você está muito ocupado esses dias.– Jason fala

–Eu mesmo resolvo, esse projeto é muito importante e não vou deixar qualquer um entrar na minha empresa.– Eu respondo.

A reunião acaba e todos vão embora, deixo avisado para Sandy que confirme a entrevista para o dia seguinte as 09h. Após isso vou embora, hoje o dia foi cansativo e preciso relaxar, os preparativos para a expansão têm me feito ficar até tarde no trabalho, daqui uma semana terei que viajar para verificar como está o andando da construção da nova filial, Jason ficará aqui tomando conta das coisas pra mim, só confio nele para tal função. Entro em casa e vou em direção ao meu quarto, Eva deixou tudo arrumado, vou em direção ao banheiro e tiro minhas roupas para tomar um banho, sinto meus músculos relaxarem quando a água quente bate em meu corpo, fico por alguns minutos ali parado, sentindo todo o peso de um dia de trabalho saindo por meus ombros. Pego minha toalha me secando e amarro outra na cintura, ainda com os cabelos molhados eu sigo em direção ao closet, escolho uma calça moletom e uma camisa de mangas longas, está chovendo em Los Angeles, tem sido assim a semana toda. Desço para cozinha e Eva está montando a mesa, o cheiro da comida dela é tão bom quanto o gosto, então ela me olha e fala.

– Fiz sopa de legumes como você gosta. – Quando eu era pequeno e ficava doente, ela preparada essa mesma sopa e eu logo melhorava.

–Sua comida é milagrosa. – digo com um sorriso sincero.

Quando eu tinha 12 anos minha mãe ficou grávida da minha irmã, ela e meu pai se amavam muito, éramos felizes. No final do sétimo mês, ela sentiu fortes dores na barriga e notou que estava sangrando, quando eles chegaram no hospital, os médicos precisaram fazer uma cirurgia de emergência, ela estava tendo uma hemorragia e estava muito fraca, acabou não resistindo e as duas morreram naquela noite. Desde então meu pai ficou cada vez mais preso a empresa, eu quase não o via, era Eva quem cuidava de mim todo esse tempo, ela fez o papel da minha mãe e muitas vezes do meu pai. Hoje ele mora sozinho, sua única companhia são os seguranças e empregados, desde que me deu a presidência da empresa quase não sai de casa, se tornou um homem amargurado e preso as lembranças do passado, quando decido ver como ele está só conseguimos falar de trabalho, não temos mais a relação entre pai e filho. Eva me faz lembrar da minha mãe, ela manteve suas canções de ninar e as histórias que contava quando eu não queria dormir. Ela é carinhosa e abdicou de muitas coisas para cuidar de mim, ela não tem marido ou filhos, e não sei o que teria feito se não fosse por ela.

–Venha, coma. Acabei de preparar. –Eva diz e me sento para comer. Após o jantar, subo e me preparo para dormir, amanhã terei que entrevistar os estagiários logo pela manhã, começo a me arrepender de não ter aceitado a ajuda de Jason.

No dia seguinte chego cedo ao escritório e aviso para Sandy que mande o primeiro entrevistado entrar.

...

Já são 10h e todos os selecionados foram entrevistados, vou até Sandy e vejo que ela está discutindo com uma mulher que está de costas para mim, seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo, ela está com uma vestido preto que deixa suas belas curvas em evidência e um blaser bege a deixando ainda mais sexy, sinto meu pau crescer dentro da calça e ficar duro quando meus olhos percorrem por sua bunda pequena e redonda. Vou em direção delas e noto quando Sandy percebe a minha presença, ela logo se cala e olha em minha direção fazendo a mulher se virar, nesse momento eu não consigo conter meu sorriso de satisfação, é ela, eu reconheceria aquele olhar em qualquer lugar.

– O que está acontecendo aqui? – pergunto para Sandy que logo responde.

–Eu estava explicando para ela que a seleção de estagiários já foi encerrada, ela está uma hora atrasada. Não queria te incomodar, ela já está indo embora.– Sandy diz olhando para a garota com desprezo, mas mal me importo com o que ela diz, meus olhos não param de examinar a garota que o destino brinca em trazer em minha direção após eu decidir que não iria mais procurá-la.

–Senhor, eu posso explicar, meu irmão ficou doente, passei a noite toda cuidando dele, por isso o atraso. Me deixe ao menos fazer a entrevista, eu preciso desse emprego. – Ela diz, seus olhos estão fundos e tristes. Ela morde os lábios como se estivesse evitando chorar. Ela não se parece nada com a garota que vi aquela noite, dançando sem se importar com os olhares que a lançavam. Será que está fingindo para conseguir o emprego? Ainda não entendo o que a fez sair de lá e como veio parar aqui, mas terei tempo para fazer todas essas perguntas.

– Venha, vamos ao meu escritório. – Digo e sua expressão que antes estava triste, me observa com esperança, seus olhos brilham e vejo um sorriso saindo do seu rosto. Aquilo de alguma forma me deixa mais calmo, não sei por que, mas quero ajudá-la.

– Eric..– Sandy começa mas antes que tenha a chance de dizer algo, eu lhe respondo.

– Tem mais algum problema acontecendo aqui?– pergunto sério e ela bufa me respondendo contrariada.

– Não senhor.

– Foi o que eu pensei.

Vou em direção ao escritório e a garota me segue. Fecho a porta para que possamos conversar e em seguida digo.

–Sente-se– falo ao fechar a porta, estou de costas para ela e sinto seu cheiro doce, com um toque de mistério que exala por toda a sala. Uma mulher com segredos que faço questão de desvendar enquanto a fazer gozar. Ela se senta e me olha, agora como da primeira vez que nossos caminhos se cruzaram. Preciso manter o foco e dar início na nossa conversa, mas é muito difícil com ela sentada na minha frente, minha vontade é arrancar seu vestido e foder com ela em cima dessa mesa de escritório. Meu pau já está tão duro que minhas bolas doem e consigo notar sua respiração pesada daqui. Pelo visto não sou só eu que estou nervoso nessa sala.

– Vo..você..– Ela mal consegue falar e acho que me reconheceu.

– Você se lembra de mim? Nos vimos na boate um tempo atrás, eu desci para te procurar mas você havia ido embora.– Seu olhar muda novamente e imagino que ela tenha se lembrado de algo, seu semblante é triste, não consigo compreender.

– Sim, me lembrei. Acredito que o senhor não vá querer me contratar, deve estar pensando mil coisas sobre mim, é melhor eu ir..– Ela diz se levantando e eu seguro seu pulso, é quente, e sinto uma faísca percorrer por todo o meu corpo.

–O que eu poderia pensar? Você ainda quer o estágio ou desistiu da vaga?– Pergunto e vejo que não vou conseguir tirar todas as informações dela com uma única conversa, não a quero perder de vista novamente, irei com calma, mas a terei em minha cama.

– O senhor vai me contratar?– Ela pergunta incrédula, consigo achar graça da sua reação.

– Primeiro, me chame de Eric. Segundo, sim, você será contratada, vi que está no 7º período da faculdade e tem boas notas. Tem 23 anos, é isso?– Ela concorda com a cabeça, ainda é muito jovem, costumo transar com mulheres experientes, não tenho paciência pra certos joguinhos de interesse, mas talvez com ela eu abra uma excessão.

–Você começa amanhã, nosso horário é flexível, poderá conciliar com a faculdade, mas pode ser que eu precise de você aos finais de semana.– Na verdade eu quero descobrir o que aconteceu pra ela ir embora da boate e aparecer aqui atrás da vaga de estágio, se ela me reconheceu e quer dinheiro, eu não me imporia em dar em troca de uma bela noite de sexo, mas não posso dizer isso, preciso saber mais sobre ela.

–Por mim está perfeito. Muito obrigada senhor Gonzalez. Prometo que farei o meu melhor. – Ela diz.

–Tenho certeza que fará.– A respondo com um sorriso de canto.

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