Paixão, amor, sofrimento. São três coisas que eu não quero mais sentir. Aliás, para mim, isso acabou há muito tempo, quando percebi que todos os garotos do mundo são cafajestes e só querem usar as meninas como objetos sexuais. Sim, eu estou generalizando, até que se prove o contrário, não acredito que um homem possa amar apenas uma mulher, pelo menos na minha geração.
Aprendi que tudo o que os homens fazem é minimamente calculado, cada gentileza, cada olhar, tudo é apenas com a intenção de nos levar para a cama. Nós, as garotas bobas, acabamos acreditando nessa farsa toda e, no final, acabamos apaixonadas. Eles têm a cara de pau de dizer: "Mas eu não prometi nada, você que confundiu as coisas", quando na verdade tudo o que eles fizeram foi agir propositalmente para que a gente se confundisse.
E se fizermos o mesmo com eles? Se é possível um homem se apaixonar como dizem por aí, por que não fazê-los provar do próprio veneno? Usá-los e descartá-los, e então dizer: "Você que confundiu as coisas, nunca disse que te amava." É exatamente isso que vou fazer com meu vizinho Noah. Ele e seu irmão são os piores cafajestes que existem. Os dois vivem partindo os corações das mulheres. Eu avisei minha amiga para não se envolver com esse tipo de cara, mas o que ela fez?
Não me ouviu, e o resultado foi que Noah quebrou seu coração em mil pedaços. Agora, vou fazê-lo provar do próprio veneno. Quem sabe assim ele aprenda duas vezes antes de partir o coração de outra garota novamente.
Eu sou Estella e moro em um apartamento no Rio de Janeiro. Atualmente, divido o apartamento com duas amigas, Melissa e Cíntia. Nós viemos do interior em busca de mais oportunidades de trabalho. Melissa e Cíntia conseguiram alcançar seu objetivo ao se tornarem modelos. Elas sempre foram belíssimas e magras, ao contrário de mim, que amo me exercitar. Acabei me tornando uma personal trainer graças a um amigo que conheci aqui e que me apoiou nessa profissão. Já faz anos que moramos juntas neste apartamento e tudo estava em perfeita harmonia, até que dois vizinhos se mudaram para o apartamento ao lado: Noah e Nathan, que são irmãos. Segundo o que sei, eles trabalham em uma empresa de automóveis próxima daqui.
O problema é que além de serem uns grandes cafajestes, e não digo isso apenas por serem homens, mas também devido às constantes festas que eles promovem todas as noites, repletas de mulheres, bebidas e toda a sorte de excessos. Confesso que várias vezes pensei em chamar a polícia, mas minhas amigas sempre me impediram, alegando que eles são atraentes, como se a beleza fosse uma justificativa.
Eu estava no meu quarto, fazendo algumas anotações para passar aos meus alunos na segunda-feira, eram dicas de dieta e exercícios para ganho de massa muscular, quando a porta se abriu repentinamente e Melissa e Cíntia entraram animadas.
__"Adivinha quem foi convidada para o aniversário dos irmãos Santos?" Melissa disse, se jogando ao meu lado e pegando o bloco de notas da minha mão.
__"Espero que seja a tia da limpeza, não vocês. Não vamos a festas desses Santos, que de santo não tem nada", respondi.
__"Ah, para Estella, você nem conhece eles e já está julgando. Se quer saber, eles parecem muito legais. Hoje fomos tirar fotos na empresa onde eles trabalham. Fizemos um ensaio com os dois. Vejam, eles são muito bonitos. Deveriam ser modelos. Diga para ela, Cíntia", disse Melissa empolgada. Rolei os olhos.
__"Sim, até achei eles divertidos. E você deveria dar uma chance. Eles foram educados ao nos convidar para a festa deles. Até disseram que somos as vizinhas favoritas", acrescentou Cíntia. Estalei a língua.
__"Viu só?! Nem nos conhecem e já estão cheias de elogios. Eu não cairia nessa, mas se vocês querem tanto ir nessa festa, eu vou com vocês, mas somente para provar o quanto estão equivocadas", apontei a caneta em direção às duas, que sorriram satisfeitas.
Me aprontei colocando um vestido vermelho tubinho e deixei meus cabelos loiros soltos. Eu não era tão malhada, mas tinha algumas curvas e meu corpo era bem distribuído. Não vivia de dietas restritivas como minhas amigas, mas sabia me alimentar de forma saudável sem deixar de ter um pouco de prazer.
Terminei de me arrumar e as meninas já estavam finalizando a maquiagem. Cíntia era uma morena lindíssima, com cabelos pretos e pele bronzeada, enquanto Mel era branquinha de olhos verdes e cabelos castanhos. Cíntia estava vestida para matar, com uma calça de couro e um cropped. Mel usava um conjunto rosa, com saia e cropped brilhante.
Depois de prontas, respirei fundo para entrar na toca dos leões. Nem sei como concordei com essa ideia maluca delas! A música tocava tão alto que podia sentir o chão estremecer abaixo dos meus pés à medida que nos aproximávamos da porta. Eu fiquei por último, pois não estava com a menor vontade de entrar. Melissa bateu na porta e, assim que ela se abriu, um moreno de cabelos pretos, com um penteado com uma franja na lateral e olhos castanhos profundos, nos atendeu. Era o mais novo, obviamente.
__"Olha só, as minhas vizinhas favoritas chegaram. Sejam bem-vindas!" Seus olhos desviaram das minhas amigas e pararam em mim. __"Você já é uma surpresa estar aqui. Pensei que não ia muito com a nossa cara."
__"E não vou. Eu vim obrigada, como pode ver. Na verdade, não vou nem um pouco com a sua cara. Mas quem me irrita profundamente é seu irmão. Ele sempre tem aquele ar de superior, como se fosse o dono do mundo. Toda vez que esbarro com ele no elevador, tenho vontade de vomitar. Certa vez, presenciei uma cena constrangedora em que ele estava se pegando com uma garota lá dentro. Sou uma mulher de família, não sou obrigada a presenciar esse tipo de situação logo cedo." Minhas amigas colocaram as mãos na minha boca para me calar.
__"Hahaha, Estella, tão piadista. Ela só está brincando", disse Mel.
__"Não, não estou. E se quiser, pode me barrar e não me deixar entrar. Para mim, será uma honra. Eu nem queria vir, só queria dormir em paz, sem barulho. Isso já seria suficiente para mim", disse, cruzando os braços e mudando o peso das pernas.
__"Então, por que a senhorita não está tentando dormir em vez de ficar impedindo a passagem da minha porta?" Uma voz grave falou rente ao meu ouvido, e um calafrio percorreu todo o meu corpo. Eu me virei subitamente, dando de topo com Noah. Seus cabelos pretos brilhantes e seus olhos azuis pareciam querer soltar fogos e me queimar viva ali mesmo. Aposto que ele tinha escutado tudo. Eu estava perdida.
__"Tem razão, com licença, vou ir dormir", falei sorrindo forçado, me retirando. No entanto, seus dedos seguraram meu braço, me parando imediatamente. Olhei para ele, surpresa.
__"Se a senhorita, mesmo sentindo tanta repulsa por mim, se deu ao trabalho de vir aqui na minha festa, por que não entra? Quem sabe assim tira a impressão péssima que lhe causei naquele dia", disse ele, curvando os lábios de forma maliciosa. Engoli em seco.
A hesitação tomou conta de mim. Seria loucura ceder à curiosidade e entrar na festa? Eu sabia que havia uma atração perigosa entre nós, mas também sabia que meus princípios e a imagem que ele passava não me agradavam. No entanto, a perspectiva de tirar minhas próprias conclusões era tentadora.
__"Tudo bem, vou entrar por alguns minutos. Mas não espere que isso mude minha opinião sobre você", respondi, tentando manter a postura, enquanto sentia meu coração acelerar.
A atmosfera ficou tensa, e um breve silêncio pairou no ar. Noah, com um sorriso irônico, abriu caminho e nos convidou a entrar.
__"Vocês não precisam gostar de mim ou do meu irmão. Mas somos vizinhos, e eu prefiro manter a paz. A festa está rolando lá dentro. Fiquem à vontade", disse ele, dando espaço para que passássemos.
Suspirei profundamente e, mesmo contrariada, decidi entrar. Quem sabe essa noite não reservasse algumas surpresas inesperadas?
__ Vai ser difícil, mas pode tentar. - puxei o braço com o queixo erguido e entrei sobe o olhar dos dois homens na minha frente, apertei os olhos, Estella você enlouqueceu o que está fazendo?
Ao entrar no ambiente, fui completamente engolida por pessoas suadas e bêbadas dançando. Garçons serviam drinks, enquanto o DJ tocava músicas tão altas que meus tímpanos mal conseguiam suportar. Não era a primeira vez que eu frequentava esse tipo de lugar, mas normalmente era em uma balada, não em um apartamento. O espaço era pequeno demais para a quantidade de pessoas ali, parecia mais uma jaula. Era impossível não ser tocada, mesmo que involuntariamente.
Tentei escapar discretamente da multidão, buscando um canto mais isolado. Enquanto minhas amigas se dirigiam para o centro da pista e começavam a dançar sem parar, suspirei frustrada, sabendo que a noite seria longa. Meus olhos se desviaram para o outro lado e vi Noah encostado em uma parede, também isolado. Ele estava com a camisa aberta, exibindo um pouco do seu peitoral malhado. Não que eu estivesse reparando, mas era impossível não notar. Sua gravata estava folgada, segurava um copo de uísque na mão. Assim como eu, ele parecia estar me sondando com seus olhos azuis e sobrancelhas grossas. No entanto, não era uma sondagem comum. Era como se fosse um animal prestes a atacar sua presa, e nesse caso, parecia que a vítima seria eu. O que ele não sabe é que não sou tão ingênua como ele pensa, e não vou cair no seu jogo de macho alfa.
Eu me sentia como um peixe fora d'água naquela festa. Definitivamente, não estava no clima. Além disso, começaram a surgir alguns rapazes que trocavam olhares diretos e sugestivos comigo, mas eu apenas desviava o olhar desconfortável, focando no líquido brilhante em meu copo.
Eu estava totalmente alheia a tudo ao meu redor, girando o líquido florescente e sorrindo com as gotículas que brilhavam dentro dele, como se estivessem vivas. Foi quando seu perfume invadiu minhas narinas e meu corpo entrou em alerta.
__"Posso fazer uma pergunta? O que você tem contra o sexo?", ele disse sem mais nem menos, e o encarei, quase engasgando com a própria saliva, sem saber o que responder.
__"Que tipo de pergunta é essa?" Ri como se aquilo fosse um absurdo.
__"É uma pergunta óbvia de uma garota que parece não ter tido uma boa experiência sexual. Por que guardar tanto rancor de mim só por me ver pegando uma garota no elevador? É um absurdo, não acha?" Ele me olhou por um segundo e levou o copo à boca lentamente.
__"Não, e eu não tenho nada contra o ato em si. Inclusive, é muito interessante, se quer saber. Mas eu tenho algo contra todos os homens que se aproveitam disso para usar as mulheres como objetos. Todos galinhas e depravados, que não sabem pensar em outra coisa. Cheguei à conclusão de que os homens não têm sentimentos", respondi, deixando transparecer minha indignação.
O clima entre nós ficou tenso, e a troca de olhares intensos revelava um desafio silencioso. Ambos estávamos dispostos a provar nosso ponto de vista, mas até onde aquela noite nos levaria?
__"Eu não sei quem foi o cara que feriu seus sentimentos, Estella, mas nem todos os homens são assim, eu posso garantir", ele disse, olhando-me com firmeza.
__"Pode? Então me diga, onde está a garota daquele dia? Por que não a vejo aqui nesse apartamento?", perguntei, observando-o passar as mãos pelos cabelos, denotando nervosismo.
__"Aquilo foi apenas uma noite", ele respondeu com seriedade.
__"Ela sabe disso?", questionei, desafiadora.
__"Sabe, é claro", rebateu, sua expressão séria.
__Pois duvido muito", bufei, cruzando os braços e olhando para o outro lado. __"Não foi o que pareceu quando você a chamou de 'meu amor' e disse que ninguém nunca te deixou tão louco como ela."
__"Todos dizem essas coisas no calor do momento, é natural", ele se defendeu, encolhendo os ombros.
__"É exatamente isso! Para vocês, é natural. Mas não para nós mulheres. Vocês enchem a boca com palavras vazias, não têm limites para conseguir o que querem", respondi, deixando clara minha frustração.
__"Tudo bem, talvez eu tenha esse péssimo hábito, mas isso não quer dizer que a iludi. Eu deixei claro que estávamos apenas ficando. Eu sei que não tenho que te provar nada, mas você está muito equivocada a meu respeito. Se me der a chance, posso demonstrar que posso ser diferente com você", ele disse, com sinceridade em seu olhar.
__"Está me pedindo em namoro ou algo assim? Eu não quero te conhecer melhor, não tenho interesse nenhum em você", respondi, endurecendo meu tom. Seu brilho foi se dissipando e ele me olhou chateado.
__"Ótimo, mas se continuar sendo tão casca dura assim, perderá a oportunidade de conhecer alguém que poderia lhe proporcionar a melhor experiência da sua vida", ele disse com convicção.
__"E essa é mais uma de suas frases clichês? Pretende me levar para a cama com isso?", desafiei-o, enquanto ele sorria presunçosamente.
__Não, Estella, se eu quisesse te levar para a cama, eu conseguiria sem dizer uma palavra. Pode me chamar de arrogante se quiser, mas..." Ele deu um passo em minha direção e tocou levemente meu ombro. Senti o ar prender em minha garganta. __Eu sei que me deseja. Vejo isso toda vez que nos olhamos. E sabe de uma coisa? Você não está com raiva de mim por ter pegado aquela garota no elevador, mas sim porque não era você em seu lugar."
__Seu... Fervendo de raiva, o empurrei com força.
__Quer saber? Você tem razão. Eu não posso ser tão casca dura. Eu devo ceder", disse, sorrindo satisfeita. Então, entreguei a bebida em sua mão e passei por ele, dirigindo-me à pista de dança. Avistei um dos rapazes que havia me chamado para dançar.
__Oi, desculpe incomodar", toquei seu ombro, e o loiro se virou, seus olhos se abriram momentaneamente.
__Acha, gata, você não incomoda nunca", ele respondeu, e precisei fazer um esforço para não revirar os olhos.
__Eu mudei de ideia. Aceito dançar com você", disse, dando meu melhor sorriso.
__Demorou", ele exclamou, puxando minha cintura para si. Meus braços foram ao redor de seu pescoço. Olhei rapidamente para onde Noah estava, e sua expressão não era nada boa. Ele tomou um gole de sua bebida de uma só vez e seguiu em meio à multidão. Fiquei aguardando para ver o que ele iria fazer.
Foi então que o pior aconteceu. Noah tocou o antebraço de Melissa, que o olhou surpresa. Ele sussurrou algo em seu ouvido, e ela sorriu concordando. Os dois saíram abraçados em direção aos fundos e subiram as escadas. Parei de dançar imediatamente, em choque. Pensei em ir atrás deles, mas com que direito? Melissa era bem grandinha, ela sabia se virar, pelo menos era o que eu esperava. Meu peito inflamou de raiva. Como ele podia usar as mulheres dessa forma? Jurei para mim mesma que, se ele magoasse minha amiga, arrancaria suas bolas fora.
___Algum problema? O cara apertou minha cintura, tentando recuperar minha atenção.
__Eu acho que não estou me sentindo bem", respondi.
__Quer se sentar, beber um copo de água?", ele ofereceu gentilmente.
__"Não, obrigada. Para falar a verdade, essa festa já deu para mim. Vou embora. Nos falamos outra hora", sorri fraco e me afastei, indo em direção à porta, pisando firmemente. Saí daquele lugar me sentindo patética. Como esse cara podia ser tão escroto? E como a Melissa podia ser tão boba a ponto de cair nas garras dele? Que ódio! Por que eu me importo? Talvez eu seja a única idiota que acreditou nas promessas de um cara e perdeu a virgindade com ele, apenas para descobrir depois que não tínhamos nada. Eu deveria superar esse trauma e aceitar que todos os homens são canalhas. Mas eu queria poder fazer algo para ajudar as mulheres a acordarem. No entanto, nada importa quando alguém como Noah se aproxima. Alguém másculo, dono de uma beleza angelical, com palavras afiadas e uma voz grave que poderia fazer qualquer mulher se despir antes mesmo dele terminar a frase. Todas caem derretidas aos seus pés, todas, menos eu, é claro. Porque não importa quem seja por fora, por dentro ele é igual a todos.
Bati a porta com força e tirei os sapatos, deixando-os na sala. Preciso de um banho frio. Tenho que dormir e esquecer essa noite. Amanhã, com certeza, Melissa estará se gabando por ter passado a noite com ele. Melissa é esperta, ela não vai acreditar em suas promessas sem fundamento, pelo menos é o que estou torcendo para acontecer.
E nem sei por que, por um momento, pensei que ele poderia ser sincero. Ele é um babaca. Isso é apenas mais uma prova de que não devo ceder a homem algum, jamais. Minha primeira experiência foi traumatizante o suficiente.
Depois de uma noite conturbada, foi difícil conseguir pegar no sono. Ainda estava chocada demais para assimilar o fato de que minha amiga tinha caído nas garras daquele cafajeste. Estranhamente, eu tinha um pressentimento ruim sobre isso. Poderiam dizer que era implicância, mas normalmente meu sexto sentido nunca falha.
Acordei com muita preguiça no dia seguinte. Eu nem havia bebido nada, mas me sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Estava completamente exausta!
Mas, como dinheiro não nasce em árvore e eu precisava me levantar, reuni as poucas forças que me restavam e me levantei. Fui tomar banho, deixando a água quente cair sobre o meu corpo, que aos poucos foi se despertando. Realmente, um bom banho fazia milagres.
Me enrolei na toalha e peguei meu conjunto de roupas para ir à academia. Hoje passaria praticamente o dia inteiro lá. Além de ensinar meus alunos, aproveitava para malhar.
Escolhi um conjunto rosa, composto por uma saia e um top. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo, passei protetor solar e calcei meu tênis. Sem maquiagem, rosto limpo, assim era como eu gostava de sair de casa, pelo menos para trabalhar.
___Nossa! Você está uma gata. Queria ter o poder de acordar linda assim - Cíntia brincou, numa tentativa fracassada de disfarçar o ocorrido.
___O que ele te fez? - Cruzei os braços, encarando Melissa de forma persuasiva.
___Quem? - Ela sorriu, tentando ocultar algo.
___Não tente me enganar, Melissa. Acabei de te ver aos prantos, sendo consolada pela Cíntia. O que aquele cretino te fez? Vai me dizer, ou eu mesmo vou ter que bater na porta do apartamento ao lado e perguntar? - Arqueei a sobrancelha.
___Está bem, eu conto. Mas promete que não vai fazer nada a respeito disso? Foi humilhante demais, por favor. - Melissa pediu.
___Melissa, me conta. Estou preocupada - Puxei uma cadeira e segurei sua mão.
___Como você viu, ontem o Noah me chamou para subir lá em cima. Nós bebemos muito e, depois, dançamos na pista. Mas acredito que ele já tinha ido embora. Então, começamos a nos pegar... Você sabe... Eu não resisti à tentação - Ela corou, e meu estômago se revirou.
___Direto ao ponto, Mel - insisti.
___Hoje acordei no sofá do apartamento deles, praticamente sem roupa. Não me recordo muito bem do que aconteceu, mas alguns flashes indicam que dormi com o Noah. Lembro dele me beijando e dos nossos momentos íntimos. Sei que estava bêbada, mas não estou louca! Foi a melhor noite da minha vida. No entanto, hoje, quando fui abraçá-lo na cozinha, ele foi totalmente rude comigo. Pediu desculpas pelo que aconteceu na noite passada e disse que foi um erro.
___O QUE? - Dei uma risada nervosa.
___Claro que eu logo me expliquei e disse que não estava pedindo-o em casamento, que o que rolou foi apenas sexo, embora, para mim, tenha sido algo mais por conta da nossa conexão. Eu sou uma tola - seus olhos lacrimejaram.
___Não se culpe, Melissa - dei tapinhas em suas costas.
___Mas sabe o que aquele cretino me disse? Que eu estava louca, que nós não fizemos nada, que não houve nada?!!
___Alguém me segura, que vou agora mesmo matar esse miserável - bati na mesa, levantando-me.
__Não! Por favor, Estella, você prometeu!! - Melissa abraçou minha cintura, suplicando.
___E o que você quer que eu faça? Fique de braços cruzados vendo minha amiga sofrer por um cara como esse?! E você, Cíntia?
___Acredite, eu tentei ir atrás dele também, mas Melissa não deixou. Ela já está envergonhada demais - Cíntia respondeu.
___Tudo bem, eu entendo, mas isso não pode ficar assim - comecei a andar de um lado para o outro, batucando na testa. Estava tão irada que sentia que poderia explodir se não fizesse algo a respeito. Eu conhecia essa dor, pois era a mesma que senti graças a um maldito do meu passado. Se não pude me vingar dele por causa do meu irmão, agora tenho essa oportunidade e não pretendo hesitar.
Como um lampejo, uma luz no fim do túnel surgiu. Era algo maluco e mirabolante, mas os maiores gênios do mundo já foram chamados de loucos, não é mesmo?
__Já sei, meninas, tenho um plano! - exclamei empolgada, enquanto as duas me olhavam com expressões julgadoras.
Depois de expor minha grande ideia, elas me encararam de forma incrédula. Eu sabia que parecia meio ridículo falar em voz alta e parecia algo vindo de uma turma de crianças, mas eu não me importava.
___Seduzir ele? - Cíntia me olhou como se eu tivesse perdido o juízo.
___E fazer ele se apaixonar por você? - Melissa completou, com uma pitada de relutância em sua voz.
___Sim, não é brilhante?! Os homens precisam provar do mesmo veneno, eles precisam sentir o que é ter o coração partido.
___Desculpe, Estella, mas você não acha que está se subestimando demais? Você é linda e não será difícil fazer o Noah ficar louco por você, mas se apaixonar? Homens como ele não se apaixonam, você mesma disse isso. E se por acaso acontecer o contrário, e você acabar se apaixonando por ele?
___O quê? Isso é impossível! - comecei a rir diante dessa ideia absurda. ___Jamais me apaixonaria por um homem como ele. Não vou negar que ele é atraente e tem uma masculinidade marcante, mas é só isso. Além disso, você sabe que não iria para a cama com ele. Precisamos tentar, não é? Se não der certo, tudo bem, tentaremos outra coisa. - As duas se entreolharam em um silêncio tortuoso.
__Para falar a verdade, eu gosto da Ideia de ver o Noah sofrendo por uma mulher, acho que eu me sentiria vingada, e ninguém melhor que a Estella que odeia mortalmente ele e em hipótese alguma se apaixonaria, isso seria como uma grande traição.
___Está vendo! Até a Melissa concordou?! - sorri brilhantemente.
___Sendo assim, quem sou eu para discordar. - Cíntia deu de ombros, e bati palmas animada
___E eu já até sei por onde vou começar. - Levantei o queixo convicta.
Eu estava me sentindo em êxtase, era como finalmente realizar um sonho de adolescente, o plano consistia em chamar a atenção do Noah para mim, obviamente que se eu começar a ser simpática do nada com ele, com certeza iria estranhar e com razão, por isso iria começar comendo pelas beiradas, como dizem por aí, Cintia já tinha feito o trabalho dela para mim, agora precisava concluir minha parte, olhei para o relógio no meu pulso, estava quase na hora dele pegar o elevador para o trabalho, sabia disso porque tragicamente sempre acabamos nos esbarrando por lá, e a última vez foi traumatizante para mim.
Me despedi das meninas que me desejaram sorte, e sai do apartamento correndo para o elevador, cheguei no exato momento que estava prestes a fechar a porta com ele dentro.
___Por favor! Não deixe a porta fechar, estou atrasada!! - Gritei e o vi franzir o cenho confuso, e em seguida tirou a mão do bolso e apertou o botão impedindo o elevador, e o descarado estava absurdamente lindo, seus cabelos negros sedosos bagunçados o deixava ainda mais sexy. Entrei ao seu lado tentando agir naturalmente, e pude sentir o calor do seu olhar vagar sobre mim, descendo e analisando cada centímetro do meu corpo, me senti completamente nua
___Por acaso hoje vai acabar o mundo? - perguntou me sondando com sua voz grave, e extremamente calma.
___Não sei, por que? - o olhei como quem não quer nada.
___A última vez que esteve aqui, disse que só voltaria a dividir esse elevador comigo, se o mundo estivesse preste a se desintegrar, prevejo que será hoje, e eu nem pude ainda realizar meu último desejo.
___Meu trabalho está acima do meu orgulho, mas acredito que terá muito tempo de realizar seus desejos sórdidos antes de morrer, existem um harém de mulheres aí para você escolher. - Rebati com firmeza.
___É só que eu não desejo um harém, eu quero apenas uma. - meu corpo reagiu de forma estranha com a intensidade pela qual me fitava.
___Eu vi isso ontem a noite.
___Ciúmes? - curvou os lábios sutilmente. ___Não precisa ter, eu não fui para cama com sua amiga.
___Mentiroso! - murmurei apertando os punhos.
___O que disse?
___Nada, tenha um Bom dia. - falei ironicamente, assim que o elevador se abriu, sai rebolando propositalmente.
___Com certeza depois dessa visão maravilhosa, meu dia será mais que bom. - falou em voz alta e rolei os olhos.
Me aproximei do carro, sentindo seu olhar sobre mim, agora era o momento certo de colocar o plano em pratica, destravei e entrei abrindo a porta, girei a chave e tentei sair, em seguida fiz uma expressão de desaprovação e soquei o volante xingando alto, percebi que Noah parou no caminho observando de forma cautelosa, sai do carro, e ignorei totalmente sua presença, e comecei a olhar para os pinéis furados.
___Era só o que me faltava! Que droga! - chutei com meus tênis.
___Eu juro que não fui eu. - ergueu os braços na defensiva com um sorriso brincando nos lábios. Ele raramente sorria, fiquei um pouco surpresa ao perceber que ele tinha dentes.
___À menos que você tenha a maturidade de uma criança de cinco anos, vai saber. - o olhei com desdém.
___Adoro seu humor matinal, ele me dá ainda mais vontade de laçar sua língua afiada. Mas se quiser eu te dou uma carona, e aproveito e ligo para oficina e peço para buscarem seu carro.
___Em troca do que? - Coloquei as mãos na cintura.
___ Da sua agradável companhia que não é, mas talvez eu goste da visão que me proporciona. - Não acredito que ele teve a petulância de dizer isso.
___Minha resposta é não, por que não posso dizer o mesmo, vou correndo não se preocupe, tenho pernas.
___Eu sei anjo, e muito belas por sinal, mas o lugar que trabalha fica muito longe daqui, tem certeza?
___Está preocupado comigo?
__De forma alguma, passar bem. - Piscou descarado, e rodou a chave no dedo entrando no carro. Droga! Por essa não esperava, mas nem tudo estava perdido, o que um homem, mais gosta de bancar? o herói, eles adoram ajudar as meninas indefesas é quase como um extinto, atravessei o carro correndo para o outro lado da calçada, procurando captar sua atenção, assim que percebi que estava me olhando, eu simulei um tombo, virei meu pé propositalmente dando a entender que torci, e cai de lado perto da calçada. Não deu nem tempo de piscar os olhos, senti seu perfume de lavanda invadir minhas narinas me deixando entorpecida, seus dedos frios seguraram meu braço, me causando um arrepio.
___Voce está bem? Se machucou? - falou tão suave, que se não fosse pela sua presença inigualável, pensaria que era outro homem aqui ao meu lado.
___Sim, não se preocupe. - falei me levantando, e meu corpo ficou próximo ao seu e poderia sentir sua respiração quente contra meu rosto.
___Estella, olha para mim. - segurou meu queixo me obrigando a fita-lo.
___Tem certeza que está bem? - perguntou com seus olhos que pareciam ainda mais azul que o normal, em uma tentativa de afasta-lo desvio o olhar para baixo, o que não deu certo, por que seus lábios totalmente desenhados me chamaram a atenção para si. Imediatamente me peguei querendo sentir como seria tê-los sobre os meus, não Estella foco!
___AAAAH! - gritei totalmente espaventada, quando meus pés se afastaram do chão e Noah me pegou no colo me levando para seu carro. ___Ei! ficou louco, me solta!
___Não, eu sei que me odeia, mas vai ter que aguentar alguns minutos ao meu lado, por que vou te levar ao trabalho, e não aceito não como resposta. - Ele me colocou no assento do seu carro, e seus olhos encontraram com os meus, e desviou para os meus lábios, o que fez minha boca se secar imediatamente. ___Você é um enigma Estella, é como uma em um milhão, talvez por isso seja tão difícil de alcança-la.
___Estou com pressa. - disse virando o rosto quando percebi que estava próximo demais, e que suas palavras, de alguma forma queriam penetrar em um lugar proibido, devo dizer, ele era bom, como um profissional, sabia como hipnotizar sua presa.
__Acredite eu também. - me olhou debochado e se afastou, passei o cinto e deu a volta entrando no carro.
Seguimos para meu local de trabalho em silencio, eu sei que deveria estar usando meu poder de sedução, mas não achei que era tão difícil ficar perto desse homem sem se sentir afetada por ele, se eu realmente quisesse que esse plano desse certo, preciso ser mais racional. Não deixar meus hormônios femininos me atrapalharem nessa missão.
___Você faz ideia o quanto é perturbador ficar perto de você e não poder te tocar? - quebra o silêncio da pior forma possível, como um caçador ele não perderia tempo.
___Entendo, para você deve ser instigante uma mulher como eu, que não tem interesse em dormir com você. - o desafiei e o vi sorrir prepotente.
___Antes fosse Estella, é exatamente o contrário que me estimula, eu sei que quer isso tanto quanto eu te quero. - me olhou rapidamente.
___Obviamente, estou louca para dormir com você, quase não posso me aguentar.
___ Desde o primeiro dia que nos vimos, eu percebi isso. - provocou.
___Sério? você se acha, não é? Pois saiba que um homem para ter meu corpo, antes precisa chegar no meu coração, e sei que isso é algo que você corre a quilômetros de distância. - ele apertou o volante parecendo pensativo e não disse absolutamente nada.
Noah colocou uma música, o que eu agradeci mentalmente para poder tirar a tensão que se instalou naquele carro, como suspeitava o Noah não era um homem de sentimentos, e seria mais difícil do que imaginava faze-lo se apaixonar, não posso acreditar que fracassei sem ao menos começar, eu sou um desastre mesmo, as meninas estavam certas.
___Podemos ser amigos então.... - Quebrou o silêncio. Não disse? Eu fracassei, se ele quer ser meu amigo é por que acaba de perder totalmente o interesse por mim, foi só falar de sentimento e acabou o encanto, simples assim, como jogar água gelada em uma fogueira.
___Você quer ser meu amigo? Faça mil favor, homens com você não tem amigas mulheres. Tudo que vocês querem é leva-las para cama, e esquecer no dia seguinte.
___Tem razão. - Reafirmou inexpressivo
___Então... - mordi minha língua para não falar umas boas verdades na cara dele.
___Voce será uma exceção, eu tenho interesse em ser seu amigo, não vou querer te levar para cama, não vai ser fácil, mas serei firme em tentar não te seduzir na primeira oportunidade. - deu um sorriso de canto, então comece por parar de me olhar assim.
___Tudo bem, sendo assim, eu aceito, por que tenho certeza que também não quero ir para cama com você - estendi a mão e a encarou deixando exposta no ar.
___Se você está dizendo isso, tudo bem, seremos amigos. - Estacionou o carro, em frente a acadêmia, ele pegou minha mão estendida, e ao invés de fechar nosso pacto, que nem deveria estar acontecendo para começar, como vou fazê-lo se apaixonar sendo meu amigo? Espera, talvez isso não seja tão ruim, através de uma amizade pode nascer uma grande paixão, não pode? É isso Estella nem tudo está perdido! O Noah levou minhas mãos aos lábios e beijou o torço me causando uma sensação estranha.
___Para começar, gostaria de dizer que tratarei minha amiga, da forma mais cortês possível, por isso não estranhe se eu me oferecer para te trazer todos os dias para seu trabalho. - me encarou.
___Somente se for urgente eu aceitarei, não quero aproveitar da sua amizade. - sorri simpática.
___Estella? O que está fazendo aqui? Ainda por cima com essa cara? - paulo surgiu na porta da acadêmia, e vejo a expressão do Noah se fechar e seu corpo se tornar endurecido.
___Deixa-me adivinhar? Ele também é seu amigo? - levantou a sobrancelha me olhando profundamente.