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Apostando em Você

Apostando em Você

Autor:: Alessia Cortez
Gênero: Bilionários
Gregory Blackwell, um jovem conquistador, que está levando a sua vida desregrada, juntamente de bebidas, mulheres e sexo, a medida que o tempo passa. Não contava ele, que tudo duraria tão pouco tempo graças a brilhante ideia de seu pai. Com todos os seus bens confiscados, o mesmo teria que enfrentar Eloise, uma jovem irredutível, que faria de tudo para colocar o jovem nos eixos novamente em apenas um mês, essa fora a proposta que receberá. A jovem estava disposta a conseguir mudá-lo, mas para isso precisava se manter ao lado dele o tempo inteiro. Era uma aposta grandiosa, poderia ela conseguir mudar tudo ou por fim se perder também.

Capítulo 1 Prólogo

Gregory

Los Angeles

7:03 AM

O peso no coração de alguém, pode ser desfeito facilmente. E vai precisar apenas de um pouco de uísque e uma boa foda. Então você repete isso mais uma vez, e de novo, e de novo. E por fim, talvez isso acabe por se tornar um tremendo vício.

Como recompensa da boa noite de ontem, senti uma dor tomar conta da minha cabeça. E se eu não tivesse passado a mão pelo local naquele momento, poderia jurar que eu havia levado uma facada bem ali.

A dor lancinante e a falta de memória eram um brinde, um extra. Não que isso importasse, pelo menos não naquele momento. De qualquer forma, eu até estava acostumado com isto.

Esfreguei novamente a parte de minha cabeça e caminhei em direção à saída do meu quarto. Tudo estava silencioso quando alcancei o corredor e depois que desci as escadas. No primeiro lance de escada, pude ter o vislumbre da grande sala de minha casa e seria ingenuidade minha se eu esperasse encontrar tudo em ordem.

Na parede do lado direito, havia um buraco, um tanto maior que o meu tamanho. Os sofás, que antes eram perfeitamente brancos, agora tinham um tom que se inclinava para o marrom, e eu nem saberia distinguir de fato o que aquilo era, talvez a terra do jardim. Pude ver um homem deitado em um dos sofás e uma loura que vestia apenas uma calcinha do seu lado.

Tinha mais duas mulheres e um homem deitados sobre o carpete. Todos estavam dormindo, e assim como eu, não iriam se lembrar direito da merda que aconteceu ontem à noite.

Ao chegar no último lance de degraus, caminhei até a cozinha. Ela ficava ligada à sala, e o que definia essa separação, era a bancada de mármore. Acima dela havia várias garrafas vazias e outras que se inclinavam na borda, quase caindo. E ao redor do espaço, dava para ver pequenas poças de bebida que respingaram pelo chão.

Seria quase um milagre encontrar qualquer coisa naquela bagunça.

Abri a geladeira. Não totalmente vazia, apenas tinha ovos e uma garrafa com água. A fechei e fui até os armários, para verificar e nada.

- Parece que preciso ir às compras, que grande merda - Passei a mão pelo cabelo, jogando-o para trás.

Sai dali, e caminhei até a grande porta de vidro que dava acesso à piscina e à parte inferior da casa. E a melhor parte daquela área, era a vista da praia. Do lado leste, o heliponto que fazia parte da propriedade.

O gramado estava um pouco úmido, e nem mesmo lembrava de ter chovido, e os irrigadores dali estavam quebrados. E a lista de afazeres durante aquele breve tempo, só aumentava.

Apertei um pouco mais o roupão que envolvia o meu corpo, e admirei mais daquela vista.

O sol marcava o cenário, com aqueles tons de amarelo. Logo abaixo, podia ver várias pessoas seguindo o caminho pela areia e alcançando o limite do mar nesse incrível dia de domingo. Isso, sim, é o que chamo de aproveitar o dia.

Ergui uma das mãos acima de meus olhos e consegui ver um helicóptero vindo, em direção ao heliponto. Eu bem sabia de quem se tratava, só não imaginava vê-los tão cedo.

A grande ventania projetada pelas hélices do helicóptero, fizeram-me levar a outra mão também ao rosto. Mas, pude depressa ter um vislumbre da grande coisa, se aproximar assim que o ele pousou. E foi então que as portas se abriram.

O primeiro que vi sair foi um senhor vestido em um terno rigorosamente passado, e logo atrás dele vestido também de forma impecável, a pessoa da qual seguia todos os passos desse senhor, meu irmão mais velho.

Meu pai caminhava na minha direção de um jeito imponente, como se estivesse prestes a dominar o mundo. E sempre tive em mente, que se a expectativa de vida fosse um pouco maior, com toda certeza ele o faria.

Eu recebi os dois com um grande sorriso e um pequeno aplauso, ambos estavam cheios de sarcasmo.

- Quando eu li no jornal, eu precisei vir até aqui e ver com meus próprios olhos - Meu pai falou enquanto olhava ao redor. Ele se enrijeceu quando voltou a olhar para mim - Você não está apenas destruindo todo o meu patrimônio, como também está manchando o nome da nossa família.

- A mamãe não dorme mais por estar preocupada com você - Meu irmão juntou-se ao sermão repetido - Esperando a qualquer momento uma notícia ruim.

- Eu vou ligar para ela mais tarde. - Cruzei as mãos abaixo do peito - É apenas isso?

- Você age como um inconsequente. - Ele falou mais alto dessa vez e eu o ignorei.

Meu pai passou por mim, e quase bateu seu ombro no meu. Caminhou até a grande vidraça e se inclinou para frente para conseguir olhar para dentro da casa. Quando retornou a me olhar, a expressão era incrédula pelo que viu.

- Vim para lhe avisar, que seus cartões vão estar bloqueados, sua conta será zerada - Ele começou com as ameaças que eu havia decorado - E você não conseguirá comprar qualquer coisa, sem que eu dê a minha palavra para isso.

- Eu já ouvi isso antes - Soltei.

- Dessa vez, eu vou fazer valer essas minhas palavras, Gregory - O senhor falou colocando as mãos em seus bolsos - E só terá tudo mais uma vez, apenas sobre uma condição - Ele lançou um olhar para dentro da casa de novo - Primeiro recomponha-se e venha me encontrar em casa.

Eu segui o olhar dele, e uma loura estava encostada na vidraça, ela estava vestida apenas com uma calcinha vermelha, sem a parte de cima, mas tomou o cuidado de cobrir com o braço.

- Preciso tomar café - Ela avisou e eu assenti.

Os dois caminharam de volta ao helicóptero. Antes de entrarem, pude ouvir meu pai gritar. - Essa é sua última chance.

- Que se foda! - Gritei por cima, mas eles estavam longe demais para me escutar.

Isso já havia acontecido várias vezes antes, e eu não me importava nem um pouco. Se os dois achavam que iam ferrar meu domingo, estavam enganados. Já tive o suficiente deles em minha vida.

Caminhei para dentro, e fui em direção à loura, passei-lhe a mão pela sua cintura. Até porque, a festa estava apenas começando.

Capítulo 2 Problemas em Dobro

Gregory

Uma hora da tarde, esse era o horário que vi em meu celular quando acordei. Na verdade, os raios de sol que entravam pela janela me acordaram, e para meu alívio, não estava tomado pela dor de cabeça recorrente dos últimos dias.

Havia passado pelo banheiro e minha cara estava horrível. Embora eu sequer tenha tomado algo ontem a noite e descansado o máximo possível. Eu prometi a mim mesmo que a visita do meu pai não iria atrapalhar meu dia, mas atrapalhou. Esse era o poder de meu pai e de meu irmão mais velho, e já haviam se passado três dias desde então.

Desci pelas escadas depressa, enquanto meu celular no bolso esquerdo de minha calça cargo vibrava sem parar. Eu jurei para mim, que se fosse outra ameaça de meu pai, o celular iria ultrapassar o buraco na parede e cruzar uma das ruas de Los Angeles, voando.

Enfiei a mão no bolso e o puxei para atender, e para meu total alívio, não era meu pai, mas o meu melhor amigo, Andrew. Soltei uma risada de alívio, antes de dizer "oi".

- Achei que não ia atender - Ele disse do outro lado da linha e pude ouvir sua risada.

- Eu estava dormindo, é isso que as pessoas fazem quando estão cansadas - Soltei e fui em direção à cozinha.

- Eu sei do cansaço, está em todos os tabloides. - Andrew gargalhou - Você não viu?

Abri a geladeira, e me servi de um pouco de água e dei o primeiro gole. Larguei o copo em cima do balcão e parei alguns segundos, tentando entender do que Andrew falava.

Puxei o celular da orelha e coloquei a ligação em viva-voz. Deslizei o dedo na tela, e entrei no primeiro portal de notícias, e para minha surpresa ou não, meu nome estampava a página principal.

Um dos filhos do Magnata, Harold Blackwell, curtiu mais uma noite em Los Angeles, e isso rendeu um grande acidente, em plena madrugada.

Gregory Blackwell, teve um de seus carros...

Eu não tive vontade de terminar de ler aquilo, era o puro suco do sensacionalismo dos repórteres. E até me acostumei com essa postura deles ao longo dos anos. Pelo menos até a parte que li, explicava o porquê de ter um grande buraco na parede próximo às escadas.

Me lembrava um pouco por cima da situação que acabou naquilo. Todos estavam bêbados, e corriam até a garagem. Eu entrei em um dos carros e girei a chave e o liguei. Acho que acelerei o carro, não estava muito claro em minha mente, mas o resultado era bem óbvio.

- Quando o senhor Blackwell ver isso... - Andrew começou e eu o interrompi.

- Ele já sabe sobre isso.

Puxei um dos bancos na frente da ilha de cozinha. Ponderei sobre o copo por alguns segundos, tentando dissipar todos os pensamentos em minha mente, a última coisa que eu queria, era pensar nos estragos que foram feitos, e os que provavelmente ainda viriam.

- E o que acontece agora? - Andrew indagou. - Sabe que ele vai tentar fazer algo...

- Ele já fez, e foi o de sempre. Mas dessa vez o Charlie veio com ele. - Fiz uma breve pausa antes de prosseguir. Sentia meu estômago retorcer - Não é como se isso fosse fazer alguma diferença.

- Vou ter que desligar, a Emma está me ligando agora. - O toque soou no fundo da chamada. - Te ligo, mais tarde.

Bip Bip

Larguei o celular sobre a ilha, e saí em direção à área inferior da casa, para ter a visão da praia. O sol ainda não alcançava o pico, e as pessoas ainda estavam reunidas em um jogo, onde se animavam em jogar a bola de um lado para o outro.

Os rostos sorridentes ao longe, fazia toda minha vida soar um pouco deprimente. Talvez seria apenas naquele momento, enquanto eu ainda estava vestido com meu roupão e a calça.

Eu precisava de algo, para me dar ânimo e esquecer de tudo e todos. Uma boa diversão.

Uma linha próxima a boca se curvou em um sorriso, e então me voltei para dentro da casa, deixando a imagem daquele belo entardecer para trás.

***

A batida frenética da casa, e as luzes ofuscantes eram tudo o que eu precisava naquele momento. Uma boa bebida, músicas legais e várias pessoas desconhecidas que não se importavam ou iriam lhe questionar sobre qualquer coisa e o porquê de estar ali.

A casa estava lotada, e isso era o esperado de um dos bares mais badalados de Los Angeles. Ninguém conseguiria dar um passo sequer, sem esbarrar ou esfregar em alguém, e na maioria das vezes - todas elas - era a verdadeira intenção.

Havia algumas coisas bem questionáveis em minha vida - a maior parte delas -, mas esse é bem meu jeito de levar tudo. Todos precisam de um pouco de diversão e esquecer que a maior parte do tempo, tudo está uma droga. E talvez, mas só talvez você não queira ser a pessoa que passou tanto tempo em um ponto esperando algo que, no fundo, sabia que nunca iria chegar.

Deslizei um pouco para me afastar da multidão, e foi então que notei uma jovem loura que caminhava em minha direção. Ela pôs seus braços ao redor de meu pescoço e eu retribui colocando o meu em volta de sua cintura.

Nos movemos rápidos, não havia como ficar parado. Todos estavam se movimentando, e se não fizesse o mesmo, com toda certeza seria pressionado a fazer isso. As luzes que passavam de um lado para o outro sobre nossas cabeças, dava mais ânimo e energia para continuar ali. Isto é vida!

Soltando a cintura da loura, toquei em uma de suas mãos, para puxá-la e sair daquela multidão. Estava à procura de uma parte mais reservada da boate, com cadeiras estofadas e algumas mesas. Uma parte já estava ocupada, mas encontrei uma vaga, e fomos até lá.

Sentei bem no meio de um sofá booth, de cor escura, ou poderia ser pela falta de luz que me fez ver aquela cor. A jovem se sentou ao meu lado, ela apoiava um de suas pernas sobre a minha, e eu deslizava mais para o lado, quando virei meu rosto para o tocar o dela. Entre um suspiro e outro, nossos lábios se chocaram, mas o beijo não durou muito tempo, uma voz que reconheci ficou audível à minha frente.

- Calma, que a noite só está apenas começando. - Andrew quase gritou para que eu pudesse ouvi-lo. E então eu soltei a mulher.

- Andrew, achei que não iria aparecer aqui hoje - Disse tentando manter a voz audível.

- Não poderia perder isso por nada - Andrew fez quase um 360 com o olhar pelo local, antes de prosseguir e voltar a sua atenção para mim - E saber que o grande, Blackwell esteve aqui, isso me deixou ainda mais curioso.

Mesmo com a pouca luminosidade naquela área, consegui ver que Andrew sorria, mas não tão animado como antes. Ele ajeitou seus cabelos escuros para trás, e depois se voltou para arrumar a sua jaqueta de um tom verde, que me lembrava um pouco com a estampa do exército. Era seu estilo, o clássico.

Um pouco admirável que ele estivesse em uma boate. Andrew tinha o mesmo pensamento e o jeito de levar a vida, que eu, claro que de uma forma mais controlada. Tudo mudou há poucos meses, quando ele conheceu a atual namorada. Ele estava feliz, então fico feliz também.

Ele deu a volta na mesa que estava bem a minha frente e tomou um lugar nos sofás que estavam postos entre as divisórias de espaço. Isso era bem definido por uma pequena barreira de madeira que formava uma pequena parede.

- É... apareceu com o Charlie, com o mesmo papo de sempre. - Deslizei a mão pela coxa da mulher ao meu lado, enquanto seguia com a conversa - Eles virem aqui ou não, não faz tanta diferença.

- Sabemos. - Andrew disse e gargalhou.

Não era a primeira vez, e sabia que não seria a última. Eles se sustentavam na mesma conversa durante anos, tentando mudar algo que não precisava ser mudado. Tinha algo aqui ou ali que poderia ser resolvido, mas é assim que quero levar a minha vida. Nunca perdi tempo ligando para eles e os lembras o quão irritante a vida deles eram.

Eu não conseguia me imaginar, passando horas preso em um escritório, atrás de uma mesa, dando e recebendo ordens. Meu pai poderia querer isso, meu irmão queria isso, mas eu não. Vivendo feliz dessa forma, e nada nem ninguém, nunca mudará isso.

- Não vou poder ficar por muito tempo. - Andrew avisou. - Amanhã estou voltando para Seattle.

- Bom pra você. - O olhei por de relance. - Eu apenas sei por agora, onde vou estar mais tarde.

- Vamos apenas ficar juntinhos... - A jovem loura falou se aninhando a mim. Ela me soltou e começou a ajustar seu vestido para se levantar. - Eu preciso ir ao toalete.

Ela tomou um caminho entre as pessoas e deixou o espaço. Andrew a seguiu com o olhar, e espero que ela sumisse de vista, antes de voltar a me encarar, com a sobrancelha arqueada e testa franzida.

- É sério? - Indagou e apontou para onde ela seguiu - Você e a Ashley?

- O quê? - Franzi o cenho, e me inclinei para frente pensando um pouco a respeito - Claro que não, a gente está... apenas se curtindo.

Andrew pôs os cotovelos sobre a mesa e riu sem graça. Ele me encarou por alguns segundos apertando os lábios, parecia pensar em algo para dizer, o que levou pouco tempo. Suas duas sobrancelhas se levantaram antes dele prosseguir.

- Você realmente não aprendeu a lição mesmo - Ele balançou a cabeça em negativo - Quando você der um fim nisso, ela vai surtar e vai poder rolar coisa muito pior que da última vez.

Eu me lembrava bem daquela última vez. No dia estava saindo da praia com alguns amigos, e eu procurava onde eu havia estacionado a droga do carro. Esse problema foi rapidamente resolvido, porque o achei sendo rodeado por um aglomerado de pessoas que assistiam a uma louca destruí-lo. Meu BMW novo foi totalmente detonado e nem consegui fazer nada.

A jovem tinha seus cabelos longos e negros saltando em seu rabo de cavalo, enquanto prosseguia batendo contra a porta traseira com um taco de beisebol, e ainda gritava algo como "Vai aprender a nunca mais me dar um fora assim". Fiquei assistindo aquela cena à distância, mas aquilo acabou logo quando a polícia chegou.

- A Hillary era uma louca. - Suspirei e depois passei a mão pelos cabelos - Soube que ela se mudou, tem uns dois meses. Por isso não a encontrei mais.

- É, ela bateu no segurança do hotel, e acabou sendo detida. - Andrew falava entre risos. - Cara, você tem sorte para esse tipo de mulher.

- E estou fora de todas desse tipo - Alertei. Estiquei minhas pernas antes de levantar - Eu preciso de uma bebida. Se a Ashley voltar, fala que estou no bar.

Pude ver Andrew assentir, e apenas segui em direção ao bar.

Algumas mulheres se aglomeravam próximas ao balcão. Uma boa parte estava esperando por algum cara com a carteira recheada. Uma delas olhou em minha direção, morena, com vestido presto que ressalta as suas curvas e pouco deixava para imaginação. Em seus lábios um vermelho intenso e chamativo, e eu sabia o porquê daquela produção, o bairro inteiro estava lotado desse tipo.

- Pode me pagar uma bebida? - Ela tentava soar manhosa e sexy ao mesmo tempo, com a voz arrastada. Seus dedos chegavam em meu braço esquerdo deslizando de cima para baixo - Estou sozinha hoje...

- Quem sabe da próxima vez. - Falei e lhe lancei um sorriso e a mesma se virou rapidamente para o outro lado. - Uma dose de uísque - Pedi ao barman.

Levou pouco tempo para minha dose ser servida.

Me apressei para colocar a mão no meu bolso, tirei a carteira de dentro dela, e peguei o meu cartão de crédito e o deslizei pelo balcão. O jovem barman, levou o mesmo de forma rápida e também arrastada.

Em alguns segundos o mesmo surgiu novamente. - Me desculpe senhor, mas a transição não está sendo aceita.

- Por favor, tente novamente - Pedi, mas desisti logo em seguida.

Em minha mente retornou as palavras de meu pai.

Busquei em minha carteira algum dinheiro, sempre preferi fazer as compras e pagamentos usando os cartões. Por pura sorte ainda tinha algumas notas e estendi elas para o barman e peguei o cartão de volta.

Estava um pouco surpreso por ele fazer como havia dito. As coisas nunca passaram de meras ameaças, mas se ele desejava assim, então assim seria.

Ashley caminhou em minha direção e suas lindas pernas deslizavam devagar debaixo daquele vestido. Me perdi por alguns segundos diante daquela visão, minhas fantasias de se meter entre elas hoje à noite havia acabado.

- Eu preciso ir agora. - Eu disse assim que ela se aproximou o suficiente.

- Podemos ir juntos. - Ashley colocou um de seus braços em meu ombro - Só vou pegar minha bolsa...

- Não. - A voz saiu mais alta do que eu esperava - Eu preciso resolver algumas coisas da família. Eu ligo para você depois.

Eu sequer esperei para que ela me respondesse, ou aquilo iria demorar demais, e ainda corria o risco que aquilo poderia terminar em outro lugar e eu não queria perder tempo.

Sai da boate um pouco depressa, até alcançar a calçada.

Quando o barulho atrás de mim diminuiu um pouco, procurei o celular no bolso interior de minha jaqueta. Liguei ele em poucos instantes, e digitei o número que eu já havia decorado há um bom tempo.

Já passava da meia-noite, mas, eu sabia que ele ainda devia estar acordado, talvez estivesse esperando ansiosamente por essa ligação, era quase como uma intuição minha. Poderia ser que ficasse colocado ao celular, apenas para ter esse prazer.

Como esperado, foi confirmado.

- Eu sabia que iria ligar. - Ele disse tão rápido, e ao menos esperou que eu falasse algo.

- Estou voltando para Seattle.

- Você fez uma ótima escolha. - Ele suspirou do outro lado - Você vai entender o porquê disso tudo.

- Não me importo.

- Estou mandando Edmund ir buscá-lo - Ele avisou e depois ouvi um estalo - Estou feliz com sua ligação.

Eu não sabia exatamente o que estava sentindo naquele momento. Apenas pensar em meu retorno, me trazia lembranças, memórias, as quais eu queria muito esquecer. Não havia como fugir, precisava voltar para onde tudo começou, o incidente que me trouxe para cá e mudou minha vida por completo.

Estou voltando para casa.

Capítulo 3 Proposta Irrecusável

Eloise

A animação e a felicidade de alguém poderia morrer tão depressa? Pois a minha foi morrendo em segundos, naquele exato momento.

O convite para tomar um café naquela tarde, feito por Charlie, soou com uma pitadinha de esperança - estaríamos nos aproximando? - e poderia ter se tornado algo melhor, se fosse do jeito que eu estava imaginando que seria. Mas nada, nadinha, seguia o roteiro que minha mente havia planejado, uma ilusão satisfatória, digna de Shakespeare.

E até pensei em um nome para a peça: O Coração Dilacerado de Eloise.

Charlie era meu melhor amigo na faculdade, e acabamos por nos distanciar um pouco depois da formatura, mas ainda trocamos raras ligações e mensagens. A pior parte de tudo isso é que minha paixonite por ele não havia passado, mesmo com a distância entre nós. Eu ainda tinha aquelas sensações de borboletas no estômago toda vez que o olhava.

Na tentativa de disfarçar minhas frustrações, peguei a xícara com meu café, que já estava meio frio, havia perdido muito tempo divagando com meus pensamentos. Levei ela até a boca, grudando meus lábios na parte lisinha, antes de tomar o primeiro gole.

Café frio é muito ruim.

- E então você está interessada? - Charlie indagou e se inclinou para frente. - Eu sei que parece algo complicado, mas não será de todo. E sei também que está precisando de um trabalho.

De fato. Eu estava há um longo tempo procurando um trabalho. Isso era tão nítido que alguém poderia me parar na rua e ver uma placa luminosa na testa "Procura-se emprego".

Quando saí de Phoenix e decidi me mudar para Seattle, pensei que poderia ser mais fácil uma vida aqui. Mas de qualquer forma, eu tinha um lugar para voltar, caso nada desse certo, só que continuaria insistindo nisso.

Nada estava indo como havia sido planejado. Mesmo após conseguir o diploma, nada mudou, e sempre tive a ideia que com ele tudo seria mais fácil, mas não foi. E se tivesse tudo corrido bem, já estaria ajudando a minha família e viveria bem aqui.

Eu pressionei os lábios, assim que afastei a xícara, e a coloquei de volta sobre a mesa. Uma das minhas mãos deslizaram para debaixo da mesa, e eu usei o polegar esfregando no tecido do jeans azul. Isso me ajudou a pensar um pouco.

Respirei fundo quando percebi que Charlie me encarava, Ele pareceu me analisar por alguns segundos, talvez tentando captar algo e saber o que eu estava pensando, e também esperando por uma resposta. Isso durou pouco tempo, pois ele prosseguiu tentando me convencer da ideia maluca que me propôs mais cedo.

- Será apenas por um mês, isso só se resume a... - Charlie continuava explicando.

- Impedir que ele se meta em encrencas e verificar tudo que ele fizer, e relatar isso a seu pai. - Completei com um aceno de mão.

De todos os trabalhos do mundo que poderiam me oferecer naquele momento, aquele me soou mais estranho. Se tornar quase uma babá de um homem, e ainda mantê-lo longe de fazer alguma merda, parecia loucura, na verdade, era uma loucura.

E ainda se tratando do homem em questão, a coisa ficava mais difícil. Gregory Blackwell, irmão do meio de Charlie.

- Isso. - Ele sorriu e esticou sua mão pela mesa. - Você é a única pessoa que eu tenho certeza que poderia cumprir essa tarefa facilmente.

E lá vamos nós de novo. Talvez Charlie tivesse total consciência do que o sorriso dele era capaz de fazer comigo, inclusive me fazer render aquela loucura. O que me leva a crer que ele só poderia ter feito de propósito. E parecia mesmo levar a sério aquela coisa toda.

O homem à minha frente, mantinha um sorriso no rosto, o que o tornava ainda mais sexy. Ele havia deixado sua barba crescer um pouco. Seu cabelo castanho e seus olhos da mesma cor parecia brilhar, juntamente com os raios que atravessavam a vidraça do café, ali no centro. E para completar todo o pacote, trajava um paletó de tweed.

Pisquei algumas vezes, tinha medo de deixar transparecer alguma expressão idiota, enquanto o admirava. E meu coração batia tão rápido na caixa torácica, que precisei respirar fundo e contar até dez mentalmente, antes de falar qualquer coisa.

Embora tudo que ele estivesse fazendo e o seu esforço me puxasse para o renda-se, por incrível que possa parecer, ainda tinha um resquício de sanidade e racionalidade.

- Eu preciso pensar. - Suspirei e olhei para baixo. - Eu realmente não esperava por isso.

- Eu entendo, meu irmão não é alguém bem... como posso dizer - Ele tamborilou o dedo indicador sobre a mesa e depois apontou - Fácil de lidar.

Gregory Blackwell, eu lembrava muito bem dele. Nos formamos na mesma universidade, cursando o mesmo curso e me admirava que ele tivesse levado adiante, até conseguir se formar. Mas nunca fomos próximos.

Charlie e ele são totalmente opostos, em tudo. No estilo, jeito de falar e sobretudo, o comportamento. Não havia pensado nele até agora, depois de um bom tempo.

Mas levando em consideração a forma que ele falava sobre o irmão, talvez houvesse piorado e muito com o tempo. Não sabia muito sobre Gregory, mas tinha ideia o suficiente para entender que eles não se davam bem, e isso ainda durante a faculdade, sempre se desentendendo.

- Mas, se mudar de ideia, não hesite em me ligar. - Charlie disse levantando da cadeira - Isso pode ser ótimo, se pensar bem. Eu confio muito em você.

Eu assenti e ele continuou. - Preciso ir, prometi a Charlotte que chegaria no horário, para participar da escolha da lista de convidados.

E foi aí que tudo pareceu um castelo de cartas que com um pequeno sopro, foi derrubado. Se o meu coração fosse um pedaço de papel, ele estaria bem picotado, e depois estaria queimando nas chamas da desesperança.

Se eu pudesse voltar no tempo, assim teria feito. Não teria errado o caminho e nem subiria aquelas escadas, e não teria esbarrado nele. Mas não posso voltar no tempo, e nem mesmo posso mudar o que eu sinto por dentro. Infelizmente.

- Até mais!

***

Assim que atravessei a porta do apartamento, dei uma olhada por cima do ombro antes de fechá-la. Pude ver a minha amiga largada no sofá, com vários papéis em mãos. E eu arriscaria dizer que seria todas as costas desse mês e poucas do anterior que estavam atrasadas.

Não podia me abster da culpa. Como eu não conseguia trabalho, tentava ajudar no mantimento do apartamento com um pouco de dinheiro que havia conseguido juntar trabalhando como secretária em um escritório. E ainda precisava dividir esse dinheiro em partes para que eu conseguisse ajudar meus pais também.

Eles estavam passando por um grande aperto. Meu pai trabalhava em sua loja de tecidos, e o que lucrava mal dava para cobrir algumas das despesas e minha mãe não podia trabalhar, tinha meus dois irmãos menores para tomar conta.

O dinheiro que restava em minha conta, tinha seus dias contados para acabar, e não iria dar para cobrir os dois feitos. Além do mais, não iria viver nas costas da minha amiga.

- Aqueles idiotas! - Ela falou retorcendo os lábios. - Daqui a pouco vão cobrar taxas para a gente andar pelos corredores. Isso é um absurdo.

Meu coração se remexeu por dentro, em ver toda aquela situação, e ainda em pensar que tudo poderia piorar. Precisava encontrar uma solução para aquilo rápido.

- Elô, sua mãe ligou. - Ela se voltou em minha direção e depois apontou para o telefone. - Como foi o café com o príncipe encantado?

- O "príncipe encantado" - Falei fazendo aspas no ar - Está noivo, e vai casar no próximo mês.

- Eu me esqueci dessa parte... - Ela fez uma pausa e bateu no sofá para que eu me sentasse. - O que vai ser de nós? - Stacie falou jogando os papéis sobre a pequena mesinha à nossa frente.

- Ele só me chamou lá para fazer uma proposta. - Estiquei minhas pernas sobre a mesinha. - No começo achei que estava brincando com minha cara.

Stacie se inclinou para frente e uma de suas sobrancelhas se ergueu. Então me pus a contar toda a conversa que tive com Charlie, e ela escutou tudo atenta, e até arregalou os olhos algumas vezes e levava a mão para tapar a boca.

- Está falando sério?

Assenti.

- E você vai aceitar? - Ela indagou. - Não parece tão ruim assim.

E poderia haver outra chance? Outra oportunidade?

Eu sabia que não haveria nada que chegasse tão rápido. E todas aquelas contas não iriam esperar.

Eu precisava aceitar.

Deslizei a ponta de meus dedos pelos cabelos, e os levei para trás. Meu olhar caiu novamente sobre a grande pilha de boletos acumulados, e respirei fundo.

É apenas um mês, Eloise.

Você pode fazer isso.

De toda forma, o que pode acontecer em um mês?

- Vou ligar para o Charlie. - Me levantei do sofá. - Eu vou aceitar.

***

Não se passava das quatro da tarde, quando liguei para Charlie. Avisei que eu tinha uma resposta positiva para a sua proposta e ele pareceu feliz com a minha decisão. E por que não ficaria?

Ele chegou rápido em meu apartamento, ficara combinado que ele me levaria até seu pai, o grande cabeça dessa ideia maluca, e também para que pudesse me explicar um pouco mais sobre tudo que eu precisaria fazer e como aquilo poderia, de alguma forma, dar certo.

Eu não conseguia parar de pensar em como tudo aquilo parecia uma espécie de brincadeira, e que a qualquer momento, alguém iria tocar em meu ombro e gritar, que eu estava em uma pegadinha.

Balancei as pernas e às vezes batia com a ponta do sapato no chão firme, e olhei ao redor. O lugar parecia um tanto frio, embora lá fora estivesse bem quente.

Arrumei a minha postura na cadeira, assim que ouvi a porta se abrir atrás de mim. Um senhor passou por mim, e em poucos segundos se sentava atrás da mesa que tinha à minha frente. Ele me lembrava um pouco o Charlie, mesmo com os cabelos grisalhos e uma expressão mais séria, ainda lembrava.

- Você é a senhorita, Eloise Becker. - Ele esticou sua mão para tocar a minha e sorriu.

Ele pareceu um pouco gracioso, mesmo com a tentativa falha de sorrir. Seus olhos eram de um verde colonial, e também notei algumas feições das quais Charlie havia puxado.

- Tenho certeza que o Charlie lhe explicou tudo. - Ele falou e eu balancei a cabeça em positivo. - Bem, o que posso dizer? Esse é meu último recurso, para tentar ajudar meu filho e lhe ensinar uma lição ou pelo menos tentar. Atitude claramente desesperada.

- Eu entendo. - Minha voz saiu arrastada.

- Enfim, para prosseguir, tenho uma proposta de pagamento pelo trabalho que será feito - Ele abriu uma gaveta conectada a sua mesa, e tirou de lá um papel e uma caneta. - Me diga se essa quantia está boa para você. - O mesmo rabiscou algo no papel e lançou em minha direção.

Coloquei minha mão sobre o papel e depois puxei. Eu hesitei um pouco antes de olhar o que havia escrito, mas quando meus olhos caíram na porção de zeros, minha mão começou a tremer e até pisquei algumas vezes para saber se estava enxergando certo. Engoli em seco, enquanto tentava assimilar a quantia que estava descrita ali.

Aquilo era mais do que eu ganharia em um ano, com o meu trabalho de secretária. Ou talvez até mais, não consegui fazer as contas direito.

- Se não for de seu agrado, eu posso aumentar a quantia facilmente. – Sua voz era dura, mas ele tentava passar calma.

- Não! - Soltei, mas havia saído um tanto alto, o que me fez levar a mão à boca. Respirei fundo antes de continuar, e dessa vez tive o cuidado de baixar um pouco a voz - Isso está ótimo.

Ele assentiu e voltou sua atenção para a gaveta, em busca de pegar algo dali - Então temos um acordo? - Ele perguntou e eu confirmei depressa - Ao final do mês deve me relatar tudo o que foi ocorrido, e depois disso seu trabalho estará concluído. Confiarei no seu julgamento.

Ele puxou o que devia ser um contrato e o passou o mesmo em minha direção e logo me entregou uma das canetas postas sobre a mesa.

Li tudo o que estava escrito ali. O tempo, quantia em dinheiro e o que ficaria em minhas mãos, em meus cuidados, tudo estava correto ali, e eu só precisava assinar.

Segurei a caneta que a mim foi oferecida, e segurei um pouco contra o papel, demorou um pouco, mas eu assinei meu nome na última linha. Então devolvi o papel.

- Para continuar, você ficará responsável pelos cartões de créditos e as chaves do carro e da moto que estiverem em posse do Gregory. - Ele começou e colocou os itens em cima da mesa, e depois deslizou eles em minha direção. - Tais não devem ser entregues a ele, você usará quando for necessário, para alguns gastos.

- Sim, senhor - As minhas palavras saíram no automático.

- Eu estou confiando em você, senhorita Becker - Sua fala me deixou apreensiva. - Já que meu filho Charlie também tem toda confiança em você.

Ele estendeu sua mão em minha direção, para um novo cumprimento - E mais uma coisa, fico feliz em ter aceitado.

Apertei sua mão, e não evitei o sorriso que veio instantaneamente. Mas aquilo não queria dizer que eu estava feliz.

Um mês, um mês. É apenas isso, Eloise. Relaxa.

Tentei me apegar à ideia de que os dias passariam rápido. Eu seria capaz de lidar com ele, e também mantê-lo longe de encrenca.

Esse mês passaria em um piscar de olhos. E para melhorar, eu quitaria as contas do apartamento, enviaria uma quantia um pouco maior para meus pais, e ainda teria o bastante para fazer o que eu quisesse. Dessa vez nada daria errado, não dessa vez.

Nada daria errado para Eloise Becker.

Gregory Blackwell, não pode ser tão ruim assim!

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