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Apostando no amor

Apostando no amor

Autor:: Grazi Domingos
Gênero: Romance
Madson Barnes vivia pulando de trabalho em trabalho para ajudar com as despesas da casa, sem saber que além do vício com a bebida, seu pai adotara o vício de jogos de azar. E em uma noite, quando ele imaginava estar com a sorte ao seu lado, ele aposta o seu bem mais precioso... A própria filha! Agora Madson se vê em uma situação complicada quando Caleb aparece e resolve cobrar o seu prêmio.

Capítulo 1 Caleb

Olhei mais uma vez para as pessoas a minha volta na mesa.

Uns olhavam para os outros, fingindo uma confiança que, na verdade, não sentiam.

Eu sabia que eu tinha ganho essa.

Todos colocaram seus jogos sobre a mesa, e eu olhei para o único homem à minha frente que não soltou as suas cartas.

Ele parecia mais confiante do que os demais, mas eu sabia que ele não tinha chance.

Essa partida era minha. Assim como a partida anterior e a outra antes dessa.

Eram todos aspirantes a vencedores e o homem a minha frente não seria diferente dos demais.

Dava para ver em seus olhos.

Chega a ser entediante, mas essa é a única coisa que ainda me distrai durante a noite.

E eu precisava muito de distração naquela noite específica.

_É a sua vez, Robert! _ um dos jogadores ao meu lado gritou, zombando.

Eu não gostava desse tipo de coisa. Eu não me sentia melhor do que ninguém ali naquela mesa.

Pode ser chamado de sorte ou o que quer que seja.

Eu sempre os vencia, mas eles insistiam em me chamar para jogar todas as vezes em que eu descia até o salão de jogos.

Fiz um sinal para Michel, nosso Crupiê, que me atendeu prontamente e aumentou as apostas.

Então me voltei para o senhor a minha frente.

Não usava roupas caras, observei.

Seu relógio não era uma peça de valor e ele já tinha apostado a casa.

Esse era o pior tipo de jogador que costumava aparecer aqui. E era o tipo que mais me enojava.

Ele pousou as cartas viradas na mesa, mas eu já adivinhava qual era o seu jogo. Seu olhar já dizia tudo o que eu precisava saber.

_Essa é minha! _ ele disse de maneira orgulhosa.

Não era a primeira vez que o via jogando ali no clube.

Todas as noites em que eu descia, ali estava ele.

E todas as noites ele saia frustrado.

Era incrível como ele ainda tinha coragem de voltar, noite após noite, apostando até o último centavo em seu bolso.

Imaginei se teria uma esposa em casa, esperando por ele.

Será que ela sabia que ele gastava todo o dinheiro que recebia com jogos de azar?

Não é da minha conta! Pensei.

_Você me parece muito confiante, Robert. _ eu disse de maneira inexpressiva, arqueando uma sobrancelha. _ Mas me diga, o que tem de mais valioso para oferecer nessa partida?

Eu pude percebeu seu sorriso falhando.

Ele já havia tomado algumas doses de Gim e eu sabia que não estava em condições de jogar mais uma partida sequer.

Era melhor mandá-lo logo para casa, de uma vez por todas.

Ele deu uma risada alta, me encarando com desdém.

_Meu bem mais precioso é minha filha, meu caro! _ disse ele, provocando risadas a nossa volta.

Mas eu não achei graça.

Ele queria brincar daquela maneira?

Então eu entraria na brincadeira...

_E apostaria sua filha? _ perguntei e o silêncio reinou a nossa volta.

O sorriso de Robert titubeou mais uma vez e notei uma gotícula de suor escorrer em sua nuca. Mas seu olhar desceu para as várias fichas na mesa e pude perceber que ele não recuaria.

Ele estava desesperado pela vitória.

Eu lhe dei a chance de recuar, mas ele preferiu ir em frente.

Minha consciência está limpa! Disse a mim mesmo.

_Aposto tudo o que tenho. _ foram suas últimas palavras.

_Então é justo que eu faça o mesmo. _ eu disse, fazendo sinal para que Michel colocasse todas as minhas fichas na mesa.

Michel sorriu disfarçadamente, enquanto o sorriso do amigo a minha frente diminuía.

_Apostas feitas! _Michel anunciou e esperei que o velhote virasse suas cartas.

_Full House! _ Michel disse e o sorriso do meu adversário aumentou.

Eu tirei um maço de cigarros do bolso, coloquei um palito na boca e o acendi calmamente, apenas para dar efeito.

Então virei minhas cartas sobre a mesa e observei a cor fugir de seu rosto, enquanto ele permanecia ali, completamente sem ação.

Eu estava cansado disso!

Me levantei da cadeira e lancei um olhar para Michel, que recolheu todas as fichas na mesa, inclusive o documento da casa que ele apostara mais cedo.

Então olhei diretamente em seus olhos.

_ Vá até meu escritório amanhã e falaremos sobre sua dívida comigo. _ eu disse, jogando um cartão na mesa, em sua direção.

Não fiquei para saber o que ele faria a seguir.

Era dessa forma que eu aumentava minha fortuna, cada vez mais.

Mas naquele momento, essa era a última coisa que me deixaria satisfeito.

Peguei o telefone do bolso do meu paletó e fiz uma chamada.

_Estou indo para o hospital. _ eu avisei e encerrei a ligação logo em seguida.

Quando cheguei do lado de fora do clube, meu motorista já esperava por mim.

Eficiência era a coisa que eu mais admirava em Dimitri, e eu confiava plenamente nele.

_Chegaremos em menos de dez minutos, Sr. Archer. _Dimitri avisou e eu assenti.

Eu não estava com pressa.

Eu já imaginava o que estava por vir e queria poder protelar um pouco mais para ir ter com minha avó no hospital.

Eu odiava o fato de que ela estava doente, mas odiava ainda mais o que ela esperava que eu fizesse.

Então peguei novamente o meu celular e liguei para Michel.

Ele atendeu no segundo toque.

_Sim?

_Descubra o que puder sobre a filha de Robert Barnes e me ligue de volta. _ eu ordenei.

_Pode deixar comigo.

Desliguei o telefone e fiquei olhando em volta, observando os carros passando a nossa volta enquanto uma ideia me ocorria

Capítulo 2 Madson

_Papai, é você? _ eu gritei saindo do banheiro, enrolada na toalha.

Eu tinha acabado de chegar em casa e percebi que ele não estava. Imaginei que conseguiria tomar um banho rápido primeiro antes de descer e fazer o jantar, antes que ele chegasse.

_Sou, eu querida. _ ele respondeu do andar de baixo.

Satisfeita, eu comecei a me secar, sentindo todo o meu corpo dolorido de tanto andar de um lado para o outro servindo mesas. Mas eu teria de suportar mais um pouco, pois ainda teria de voltar para meu segundo turno.

Hoje estava sendo um dia muito puxado no bar e faltavam funcionários. Eu não poderia deixar o Owen na mão. Então decidi passar em casa e me refrescar antes de recomeçar tudo novamente.

Peguei uma calça jeans surrada dentro do guarda roupas e uma blusinha curta.

Eu não gosto de trabalhar dessa maneira, mas ajuda a ganhar mais gorjetas e é disso que eu mais preciso no momento.

O trabalho noturno no bar, junto as aulas de dança que dou pelas manhãs, três dias por semana, ajudam a manter as contas em dia.

Principalmente as contas que ainda tinham com o hospital onde sua mãe ficara internada até seu último suspiro, um ano atrás.

Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo bem apertado, para que não ficasse caindo sobre meus olhos o tempo todo, e calcei novamente meu velho par de All star.

Desci correndo as escadas, indo direto para a cozinha e abri a geladeira para ver o que podia fazer para meu pai comer.

Havia uma salada de batatas que já não tinha uma aparência tão fresca assim, e toda a carne que tínhamos estava congelada.

Suspirei, resignada.

Eu não tinha tempo para preparar nada a não ser um sanduíche.

Isso teria que servir.

Foi então que notei o copo sobre a pia.

Eu não tinha deixado nenhuma vasilha suja quando saí para o trabalho mais cedo!

Fechei a geladeira novamente e peguei o copo, cheirando o líquido âmbar em seu interior.

Uísque!

_Papai! _ eu gritei, irritada e saí da cozinha a sua procura.

Meu pai estava deitado no sofá, de frente para a tv, apertando o botão do controle pulando os canais, sem escolher nenhum.

Eu achei aquilo muito estranho.

_Você está bem? _ perguntei, me abaixando a sua frente e acabei tombando na garrafa de uísque que ele deixou no chão próximo ao sofá.

Fiz uma careta.

Fazia muito tempo que não o via bebendo daquela maneira.

Ele tinha dispensado o copo e resolveu que beber diretamente da garrafa era melhor.

_ Eu acho que estraguei tudo, meu anjo. _ ele disse, suas palavras saindo um pouco emboladas demais para que eu compreendesse.

_Sobre o que está falando? _ eu perguntei.

Seja o que for que o estava incomodando, era sério! Pensei. A última vez que meu pai havia bebido tanto, foi no momento em que ligaram do hospital avisando que mamãe tinha morrido.

_Eu apostei o que não devia... _ ele tentou dizer, mas estava bêbado demais para se manter acordado e eu estava muito atrasada para tentar decifrar o que ele estava dizendo.

_Vamos conversar pela manhã e você me explica o que aconteceu, ok! _ Eu disse, ajeitando a almofada sob sua cabeça.

Peguei a colcha que mantínhamos sempre em um cantinho do sofá, para o caso de um de nós adormecer por ali mesmo, e joguei sobre ele após tirar seus sapatos.

Então peguei as chaves da minha moto, minha jaqueta e capacete, e saí rapidamente de casa.

Eu não gostava da ideia de deixá-lo sozinho naquele estado, mas eu não tinha escolha.

Owen precisava de mim no bar e ele estava sempre me ajudando.

Era minha vez de retribuir o favor.

_Mad, os rapazes da mesa quatro estão esperando suas cervejas! _ Owen gritou para mim do outro lado do balcão e eu revirei os olhos.

Já havia pedido diversas vezes para não me chamar pelo nome dentro do bar, mas ele sempre se esquecia.

_Já estou indo! _ gritei de volta e coloquei as cervejas sobre minha bandeja, andando o mais rápido que podia, tomando o cuidado de não as deixar cair.

Qualquer bebida desperdiçada sairia do meu bolso e eu precisava sair com eles cheios naquela noite e não o contrário!

_Ei gatinha, eu já estava ficando com sede... _ um dos rapazes falou comigo, olhando diretamente para o meu decote e não para a garrafa que eu colocava a sua frente.

_Desculpem a demora. _ pedi educadamente.

O bar estava lotado e estávamos dando o nosso melhor para atender todo mundo.

Já estava terminando de colocar a última cerveja na mesa quando senti a mão dele em meu traseiro.

_Há uma ótima maneira de se redimir... _ ele disse, me deixando enojada.

Observei o cara bem atentamente, para não esquecer seu rosto, assim eu poderia evitar atendê-lo novamente.

Cabelos ralos, barba por fazer e uma cicatriz que deixava seus lábios com uma aparência meio sinistra...

_ E eu conheço uma ótima maneira de você sair essa noite com todos os dedos no lugar. _ eu disse com um sorriso forçado enquanto erguia meu conjunto de abridor e canivetes. Um pequeno presente que Owen tinha me dado algum tempo atrás.

Os outros caras na mesa zombaram dele enquanto ele retirava a mão de cima de mim a contragosto e eu pude guardar meu canivete de volta no bolo da frente do meu jeans.

Me afastei com minha bandeja vazia de volta para o bar e suspirei cansada, enquanto dava a volta para dentro do balcão.

_Essa noite está uma bagunça! _ Owen disse parando ao meu lado enquanto eu lavava alguns copos.

_ Eu que o diga! _resmunguei. _ Não vou atender "mão boba" ali da frente. _ eu avisei apontando com o queixo para a mesa quatro e Owen seguiu o meu olhar.

_Você mostrou o canivete para ele? _ ele perguntou, recostando o quadril no balcão enquanto me encarava.

Dei aquela olhada de "o que você acha!" para ele e Owen riu, divertido.

_Essa é a minha garota! _ ele disse me dando um beijo na testa antes de se afastar novamente.

Isso era outra coisa que ele fazia muito ultimamente, e que não me agradava.

Fazia parecer... íntimo demais e ele sabia o que eu pensava a respeito de me envolver com alguém do trabalho.

Eu deixei isso acontecer uma vez...

E não cometeria o mesmo erro novamente!

Capítulo 3 Madson

Eu já estava terminando de limpar tudo no balcão quando minha amiga Jolly se aproximou de mim.

_Acha que o Owen toparia tomar uma bebida comigo quando fecharmos o bar? _ ela disse olhando para Owen, que terminava de recolher os copos de algumas mesas no meio do salão do bar.

Eu sempre soube que Jolly tinha uma queda por Owen, então não fiquei muito surpresa.

Dei de ombros.

_Eu não posso responder por ele, amiga. Tudo o que lhe resta é ir lá e fazer o convite. _ eu a incentivei, mas ela suspirou e jogou o pano que ela usava para limpar as mesas sobre a pia.

_Sabe que eu não tenho tanta coragem quanto você. _ ela respondeu, desanimada. _ Eu só queria que ele me notasse...

Desta vez fui eu quem suspirei e me voltei para ela.

_Se você ficar aí esperando ser notada por alguém, vai morrer solteira! _ brinquei e ela me deu um tapa, me olhando com uma expressão horrorizada.

Eu dei risada.

_Estou brincando. _ disse a ela. _ Apenas faça o convite, Jolly. Hoje o dia foi bom, ele vai estar de bom humor. E quem sabe o que pode acontecer lá no quartinho dos fundos...

Jolly arfou, me olhando novamente com aqueles olhos de corça assustada e eu não pude me conter.

Era minha amiga, mas eu adorava provocá-la daquela maneira, pois ela ficava vermelha quase que imediatamente.

_Eu não sei porque ainda sou sua amiga! _ Jolly exclamou, meneando a cabeça e lançando um último olhar para Owen.

_Porque eu te amo e você me ama... _ eu pisquei para ela, que sorriu para mim enquanto revirava os olhos.

_Sua idiota! _ ela disse apenas e eu terminei o que estava fazendo, ainda sorrindo.

_Ei, Mad! _ Owen me chamou e ergui meus olhos, procurando por ele.

Ele se aproximou de nós duas e eu pude sentir Jolly ficando tensa ao meu lado.

_Sim, Owen? _ eu perguntei, esperando-o se aproximar da gente.

_O que acha de tomarmos alguma coisa quando terminarmos aqui? _ ele quis saber e meu sorriso se desfez quase que de imediato, enquanto olhava para Jolly.

Owen, seu idiota! Eu xinguei em pensamento, notando o olhar triste de minha amiga.

Tentei consertar a situação.

_Sinto muito, Owen, mas deixei meu pai completamente bêbado em casa e preciso voltar o mais rápido possível. _ eu neguei e percebi o brilho no olhar dele se apagando também.

Ótimo! Pensei comigo mesma.

Eu estava me tornando uma estraga prazeres!

_Mas a Jolly precisa de uma carona para casa. Vocês podem parar no caminho e...

_Eu já tenho outro compromisso, sinto muito! _ Jolly disse antes de me lançar um olhar furioso e se afastar rapidamente.

_Mas você... _ eu gaguejei, mas ela não parou para me ouvir e continuou caminhando em direção a saída do bar.

Suspirei, resignada.

_A Jolly anda meio estranha ultimamente. _ Owen me disse, o clima agora ficando meio tenso entre nós dois. _Acho que ela está gostando de alguém...

Eu me virei de costas, para que ele não visse minha expressão, enquanto eu pensava:

"É de você, seu idiota!".

_Acho que sim... _ disse apenas, enquanto pegava as chaves da minha moto e a minha jaqueta que eu havia deixado jogada em um banquinho, e me preparei para sair.

_Você tem mesmo que ir, Mad? _ ele perguntou novamente e eu assenti.

_Tenho sim. _ respondi. _Até amanhã, Owen. _ eu disse antes de me afastar rapidamente, sem dar chance para ele se despedir.

O olhar que Jolly me enviou instantes atrás me deixou incomodada.

Ela gostava de Owen, mas ele não enxergava isso. E eu temia que o interesse repentino dele em mim, prejudicasse nossa amizade.

Quando cheguei lá fora, coloquei meu capacete, preparando-me para ir embora.

Estava preocupada com meu pai e esperava que ele estivesse bem. Eu dormiria algumas horas e assim que eu acordasse, teríamos aquela conversa novamente, então ele me explicaria o que ele queria dizer com "apostar o que não devia".

Quando cheguei em casa, ele ainda estava dormindo da mesma maneira que o deixei algumas horas atrás, quando saí para o trabalho.

Subi para o meu quarto e retirei minhas roupas, tomando outra ducha rápida para lavar o suor de meu corpo, assim como o cheiro de bebida e cigarro que impregnaram em minha pele.

Vesti uma calcinha e minha camiseta de dormir predileta e me joguei na cama, sentindo o cansaço do dia batendo em mim de uma vez só.

Eu só precisava dormir um pouquinho...

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