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Aprendendo a Amar

Aprendendo a Amar

Autor:: Faby Comb's
Gênero: Romance
Ela já havia sofrido bastante, veio de uma infância pobre, começou a trabalhar ainda criança, foi violentada. Casou-se com 18 anos, foi mãe aos 21 anos, mas o casamento não foi aquilo que ela idealizou...depois de ser oprimida por um relacionamento abusivo, mitigada pelo machismo velado por parte do marido e da família, e mesmo em meio a isso se doando por completo, ela foi traída. Isso fez ela mudar, não ia aceitar mais isso, então ela chegou a conclusão que não existia amor real, tudo era ilusão, e a felicidade dela iria consistir nela e no seu filho, nunca mais ela ia se envolver com alguém.....até que alguém aparece e....

Capítulo 1 Prólogo

Anos atrás

Estou com fome, sinto minha meus intestinos se revirando de tanta vontade de comer, meu irmão caçula fala com minha mãe: "Estou com fome, quero comer alguma coisa",

percebo no semblante da minha mãe um misto de dor e tristeza, e ela o responde "oh meu filho vou fazer um negócio ali pra gente comer".

E aí meu coração dói, mesmo sendo tão nova, com apenas 9 anos, eu já consigo me solidarizar a dor de minha mãe. Somos humildes, minha mãe trabalha como empregada doméstica,

meu pai, bem, meu pai, não podemos contar com ele, é alcóolatra, não tem muito senso de responsabilidade com a família. Por isso minha mãe passa um perrengue, ganha tão pouco,

ai é necessário fazer revezamento entre pagar aluguel, água, luz, e comida, sim e comida também, muitas das vezes a única refeição que vamos fazer ao longo do dia será

a merenda que servem na escola, às vezes, ela faz uma marmitinha de comida lá no trabalho dela, ela deixa de comer, para fazer essa marmita escondida, e fala com a gente pra irmos lá buscar, eu sou a do meio, eu e meu irmão mais novo vamos lá na maior alegria, pegamos a marmita, e voltamos pra casa e dividimos entre nós três, eu meu irmão e minha irmã.

Meu estômago dói, mas confesso que meu coração dói ainda mais, e ali eu reflito, um dia vamos sair dessa vida.

Estava 9 para 10 anos, uma mulher estava precisando de alguém para 'ajudar', detalhe ela queria uma empregada doméstica, mas não queria o ônus de pagar, ela disse para minha mãe, que iria me ajudar nos estudos, que eu teria alimentação, e em troca eu ajudaria ela, mas em uma semana me dei conta que não era bem isso. Eu ia à escola cedo, chegava por volta do almoço, almoçava, isso era ótimo, ter comida

quando chegava da escola, mas me doía não saber se meus irmãos também teriam comida no prato deles. Logo em seguida, começava minha rotina, arrumar cozinha, limpar a casa, detalhe a casa era uma pequena mansão,

ainda mais para uma criança bem esquelética como eu era, eu não conseguia limpar a casa toda em um dia, e como eram 3 pavimentos, limpava 1 por dia, acabava o trabalho moída de cansada.

Nem conseguia fazer qualquer atividade de tão cansada, com os dias fui percebendo que aquilo não iria me levar a nada, ela me proibia de ver minha família, com a desculpa que eu tinha que focar, focar não sei no quê.

Minha mãe foi me procurar e falou "passaremos fome juntos, mas não vou aceitar isso", e eu concordei imediatamente, peguei minhas coisinhas que não eram muitas e fui embora. No outro dia vi ela, e falei que não iria mais

querer a ajuda dela, agradeci a oportunidade, e segui minha vida.

Alguns dias depois, uma vizinha estava grávida e precisava de alguém para ajudá-la, conversamos, e acabei fechando com ela, iria arrumar casa, lavar e passar roupa.

Nesse eu tinha um pagamento era bem pouco, mas já era de grande ajuda, e ela permitia que eu almoçasse lá, o que já fazia toda diferença. Só tinha um porém, o filho mais velho dela, era uma criança um tanto maldosa, ivia me batendo, bagunçava o que eu arrumava, sujava o que eu limpava, ele me dava muito trabalho, era agressivo quando as coisas não eram feitas da forma que ele queria, a mãe dele estava grávida, então ela nem fazia nada, eu sofria tudo calada. E fiquei nessa durante 1 ano e pouco.

Quando ainda trabalhava lá, uma outra pessoa me convidou para trabalhar com ele, seria uma oportunidade e tanto, como ele mesmo dizia, eu iria aprender muita coisa, e iria receber um pouco mais que recebia no outro trabalho.

Me vislumbrei pela oportunidade de aprendizado. Morávamos em cidade pequena, toda oportunidade de aprendizado era super bem vinda. Mas aí começou um pesadelo, na verdade as inteções dele eram outras.

Precisava do trabalho, era praticamente uma criança, não conhecia a maldade humana. E foi aí que vivi o meu maior trauma.

Capítulo 2 Traição

Hoje estou aqui refletindo minha vida, me casei tão nova, apesar de tudo que vivi na vida, quis acreditar que o amor era algo que transformasse, idealizei tanto quando entrei nesse casamento, devia ter visto os sinais lá atrás, mas não, quis acreditar que tudo poderia ser um conto de fadas, e no começo, apesar das brigas, parecia que seria mágico, engravidei 3 anos depois, trabalhava, e havia entrado para a faculdade, foi um desafio e tanto, ainda mais

por passar tão mal, tive tudo que uma grávida pode ter. Sempre pensei que gravidez não era doença, mas nos deixa no mínimo numa situação de desigualdade. Quando descobri minha gravidez, estava quase me separando, havia acabado de descobrir uma traição, só que com a descoberta da gravidez, os mal estares, essa questão foi relegada.

Meu marido era uma 'boa pessoa', mas era extremamente desagradável quando queria, era grosseiro, não tinha um pingo de compreensão com minha condição, eu era forçada a fazer coisas que não queria, mas eu não conseguia ver o erro naquelas situações todas.

Me tratava como um cavalo, principalmente na frente da família dele, aquilo foi me aniquilando, só fazíamos o que ele queria e o que a família dele decidia, eu não podia optar em nada.

Ao longo dos anos fui me tornando menos intolerante com esses tratamentos, acredito que depois de tanto suportar certas coisas, ninguém consegue se manter intacto, entrei em depressão, mas lidava com tudo sozinha, pois para ele e a família dele, isso era frescura. Tive que enfrentar meus traumas do passado aliado as frustações do presente. Tudo isso foi endurecendo meu coração. Mas confesso lá no fundo ainda existia amor, havia uma menina que idealizava o conto de fadas, mas não, as coisas só foram piorando, ele ia sendo agressivo, me humilhava, menosprezava, botava em crédito a minha maternidade, dizia que eu não sabia cuidar bem do meu filho, mas eu não conseguia enxergar como ele estava fodendo com meu psicológico. Até que seis anos depois, ele fez uma viagem a trabalho, no início da viagem, ele ligava todos os dias, dizia que nos amava, mas deu uns 4-5 dias, ele simplesmente passou a nos ignorar, me refiro aqui a mim e ao meu filho, nos fins de semana ele sumia, mandava mensagem pela manhã e depois, só bem a noite.

Quando ele recebeu uma folga e voltou para casa, acabei descobrindo o motivo dos sumiços, e o pior de tudo, foi constatar a família dele o apoiando, e falando mal de mim, fazendo sátiras enquanto ele apresentava a "colega" de trabalho.

Com aquilo meu mundo ruiu, só conseguia chorar, era um misto de dor e de raiva pela traição, doía tanto, porque me entreguei totalmente em uma relação que de repente me dei conta, nunca existiu, não existiu porque somente eu cedia, somente eu tinha que ser a compreensiva da equação, sempre me sujeitava aos caprichos dele e da família dele. E aí foi nascendo uma nova Kaelly, ela estava em processo de reconstrução com sigo mesma.

Nesse processo de reconstrução, depois de muitas lágrimas roladas, ele voltou ao trabalho, e para minha constatação, no retorno descobrir novas coisas, aí o coração virou aço, se fechou de vez.

Ele pediu perdão, como sempre o fazem né, falou que iria mudar, reconheceu que foi ausente, talvez um bocado 'insensível', mas que era o jeito dele, mas que estava disposto a mudar. Entretanto, essa nova Kaelly aqui, já não conseguia acreditar em contos de fadas mais, pra essa nova versão isso não existe mais. Só quero viver minha vida em paz com o meu filho Julian.

Capítulo 3 Mudança

Foi um verdadeiro caos nossa conversa em relação a minha decisão de mudar de cidade. Havíamos nos divorciado, fiquei com a guarda unilateral, briguei por isso, afinal, eu e meu filho Julian já havíamos passado tantas coisas sozinhos, pra que eu iria

permitir agora que ele compartilhasse a guarda dele, ele se omitiu em tantas situações.

Ele não queria aceitar que nós mudássemos, mas isso não era uma alternativa, era uma decisão dessa nova Kaelly. Ele tava lá falando, aliás gritando, "Você está sendo inconsequente, irresponsável, eu não vou permitir que você vá embora com o meu filho,

se você for, saiba que nunca mais haverá chance de voltamos", revirei o olho mentalmente, respirei fundo e disse: "Jhon você não tem o poder sobre as minhas decisões, já lhe falei antes e vou repetir, eu não estou pedindo sua permissão para me mudar,

estou apenas te informando, para que você esteja ciente, minhas decisões a partir de nossa separação, são pautadas naquilo que eu decidir, e se você não está contente, o problema é seu, agora me respeita, respeita a minha decisão, e saia daqui", ele

me olhou espantado, tentou articular palavras mas não conseguiu, ele sempre gritava comigo, no começo da relação eu gritava, ficava chateada, com o tempo fui deixando ele gritar, e ficava calada enquanto ele me esculachava, mas hoje, essa Kaelly que

falou com ele, foi firme, sem gritarias, e não titubeou, eu apenas o coloquei no lugar dele.

Decidi que essa mudança seria o melhor para mim e o meu filho, pesquisei oportunidades de trabalho, e consegui uma entrevista em uma empresa multinacional, eu não sabia se iria dar certo, mas coloquei em minha mente, que eu seria a minha delimitadora,

por isso, confiei que tudo iria dar certo, que eu seria anbençoada em minha nova fase.

2 dias depois

"Julian meu filho, já está pronto, nosso táxi chega em 30 minutos", parei na porta do seu quarto e fiquei o observando, Julian é uma criança de 6 anos, um menino de ouro, muito inteligente, carinhoso e sensível, ele estava de frente para a janela, olhei aqueles

cachinhos cor de mel, ele é minha versão masculina eu sempre digo, ele se parece comigo tanto físico, quanto no jeito de ser. Ele parecia que estava em transe, nem esboçou qualquer reação ao que eu havia dito, fui até ele, e o peguei pelo ombro, pra minha

tristeza e dor, quando o virei, lágrimas escorriam pelos seus olhos, aquela cena partiu meu coração, comecei a chorar, sim sou dessas, eu choro junto com ele em situações difíceis, sentei no chão e o puxei para os meus braços, senti naquele momento, impotência, medo,

e uma tristeza por pensar que estava fazendo mal ao meu filho, então afaguei e fiquei lá uns minutos com ele, depois peguei aquele rostinho delicado com minhas mãos, dei um beijo na testa, e em cada lado das buchechas, e o perguntei: "oi meu amor, você não quer mais viajar?",

eu fiz essa pergunta, porque ele estava mais animado do que eu para fazer esta viagem, mas de repente senti medo, que ele estivesse fazendo isso só para não me ver sofrer, e ele da forma mais singela disse: "não mamãe, estou triste, porque o papai me ligou e disse que não

vai poder vir se despedir de mim, mas que na primeira oportunidade ele irá me visitar, ele também pediu desculpas por não ter me buscado ontem para passarmos o dia como tinha combinado, e eu fiquei com muita tristeza mamãe, o papai parece que nem liga para mim, ele não me a-ama...",

Ai ele começou a chorar copiosamente, as lágrimas que rolavam em silêncio, agora vinham com soluços, meu coração afundou com tudo aquilo.Respirei fundo, o abracei, e disse: "ei amor, é lógico que o papai te ama, é só que ele deve estar muito ocupado no trabalho, mas isso

não significa que ele não te ama, cada pessoa tem seu jeito de amar, está bem, mas como ele te disse, ele vai te visitar, e eu vou estar aqui sempre por você, tudo bem?! Não fique triste, porque meu coração dói te ver assim, vai dar tudo certo, e seremos muito felizes com essa

mudança, mas agora vamos, porque nosso táxi está quase chegando, e precisamos ir para o aeroporto, ta ok?" Ele concordou com a cabeça, levantou do meu colo e disse, "eu sempre vou estar aqui por você também mamãe, agora vamos rápido se não perdemos o vôo". Meu coração inflou com

essas palavras, ele é realmente uma criança incrível.

Pegamos o vôo, e o pai dele como sempre, não apareceu, eu sabia que ele estava muito triste, então tentei animar ele, comprei uns chocolates que ele gostava, e eu geralmente limitava as quantidade para ele não ingerir açúcar em excesso, e até dei refrigerante para ele.

Agora ele estava melhor.

Depois de horas de vôo, mais táxi, finalmente chegamos em nosso novo lar, na verdade na cidade, nos hospedamos em um hotel simples, eu não podia esbanjar dinheiro, afinal estava em uma cidade diferente, e o emprego ainda não era garantido, e nós não éramos ricos, havia juntado

todas as minhas economias para fazer essa nova fase dar certo. A entrevista seria há dois dias, eu já havia contatado uma escola em tempo integral, e eles aceitaram o Julian, eu o levaria no dia seguinte para se adaptar. Decidi tomar banho e descansar um pouco, chegamos cedo no nosso novo destino,

por isso queria dar uma olhada na cidade, para conhecer melhor. Tomamos banho, descansamos, e depois descemos para conhecer melhor nosso novo lar. A cidade era bonita, tudo bem limpo, organizado, me encantei com tudo aquilo, o Julian mais ainda, havia um parque na praça, ele fez até alguns

amiguinhos, foi muito bom o passeio pensei.

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