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Aprendendo sobre amor

Aprendendo sobre amor

Autor:: Ketlin A. Barros
Gênero: Romance
Laura e Ethan se conheceram por acaso, mas, não foi amor à primeira vista, após alguns encontros desastrosos e brigas bobas, um grande amor surgiu entre eles, os fazendo viver momentos inesquecíveis de tirar o fôlego. No entanto, viver esse romance não será fácil, o irmão mais velho de Ethan fará o possível para mantê-los separados, por isso eles terão que lutar muito pela sua felicidade.

Capítulo 1 Um dia ruim...

Laura batucava a ponta da caneta sobre a quina da mesa de vidro, onde acabara de participar de uma reunião importante sobre um novo projeto, o qual vinha desenvolvendo há algum tempo, era de suma importância que tudo validasse com o que fora pedido, seria a oportunidade da sua carreira alavancar na empresa.

Um sorriso confiante surgiu em seus lábios, ela tinha certeza de que conseguiria a tão sonhada promoção. Observou mais uma vez o relógio de pulso caro que usava e constatou que perderia novamente meia hora do horário de almoço, como se seu tempo já não fosse curto o suficiente - estava tão preocupada, que mal tivera tempo para se alimentar nas últimas semanas - entretanto, caso tudo desse certo, conseguiria descansar e cuidar da alimentação precária. Terminou de ler a última parte do projeto em que os acionistas pediram pequenas modificações, anotou algumas observações ao final dela, recolheu sua bolsa, jogou a caneta em seu interior, e saiu em disparada para fora.

Passou pela sua secretária antes e entregou os documentos exigindo que as modificações estivessem prontas até o dia seguinte, com mais algumas cópias que seriam entregues aos acionistas.

No elevador batia freneticamente o pé direito em um tom ritmado e cheio de pressa, seu estomago roncava e nem ao menos conseguiria comer direito, teria que se contentar com salada, como sempre.

Deu uma rápida olhada nas mensagens, já que não teria tempo para responder naquele momento.

Quando a porta se abriu revelando o saguão principal, caminhou a passos rápidos rumo ao estacionamento onde pegou sua BMW M3 na cor preta e, como não daria tempo de chegar em casa, por ser muito longe, seguiu para um restaurante próximo.

O trânsito encontrava-se caótico àquela hora do dia, algo que sempre a deixava muito estressada.

Olhou-se pelo retrovisor e percebeu que seus cachos castanhos estavam bagunçados de um jeito estranho, rapidamente fez um coque baixo e voltou a atenção ao trânsito.

Chegando ao restaurante, estacionou o carro e adentrando o recinto, sentou-se a primeira mesa vazia sem esperar o atendimento de algum garçom.

- Boa tarde, senhorita. - uma garçonete aproxima-se com o cardápio em mãos.

- Eu quero uma salada com arroz integral e peixe grelhado, não demore, estou com pressa. - disse afobada, olhando para o relógio em seu pulso - E uma garrafa de vinho tinto.

- Sim, Senhora. - a garçonete saiu após um sorriso forçado.

Laura remexeu seu celular novamente, mas, não havia mensagens interessantes, pelo contrário, a maioria se tratava de trabalho, alguns pedindo urgência no retorno, sem lembrar que Laura também é um ser humano e precisava se alimentar e descansar, mesmo que por poucos minutos.

- Posso sentar-me aqui? - uma voz grossa e melodiosa, questionou.

Ela levantou a cabeça levemente para o encarar, suas sobrancelhas arquearam rapidamente, era incomum algum estranho se aproximar daquela maneira, ainda mais sendo um homem, e muito bonito por sinal.

- Não tem alguma outra mesa vazia? - questionou recostado na cadeira.

O rapaz soltou uma risada anasalada, balançou a cabeça levemente e então sentou-se, não parecia ter mais do que trinta anos, usando um terno feito sob medida, com abotoaduras personalizadas, cabelos alinhados e barba bem-feita.

Um sorriso involuntário se formou nos lábios de Laura, ela não costumava dar atenção a homens, principalmente desconhecidos, no entanto, havia algo de diferente nele.

- Bom, acredito que uma mulher tão linda não deva almoçar desacompanhada.

- Para quantas você jogou essa cantada hoje? - Laura cruzou os braços.

- Duas ou três... - deu de ombros.

Era impossível não rir diante do ar de espontaneidade dele, nem ao menos se sentira constrangido em falar aquilo, o que apontava uma certa mentira em sua resposta.

Laura não acreditava ser uma mulher extremamente linda, porém, sabia que atraia alguns olhares, sempre fora muito preocupada com a aparência, roupas e sapatos caros, os cachos muito bem cuidados, tratamentos de pele e unhas sempre feita.

- Com licença. - a garçonete retornou com duas taças e uma garrafa de vinho tinto - Eu posso

anotar o seu pedido?

- Não, agradeço, estou apenas cumprimentando uma amiga. - a dispensou.

A garçonete assentiu antes de sair.

- Até onde eu me lembro, nunca tinha te visto antes. - Laura comentou se servindo do vinho.

- Mero detalhe - meneou com os braços abertos -, enfim, quero convidá-la para sair essa noite, o que me diz?

- Você não sabe o meu nome, eu não te conheço e não é uma boa semana para sair. - revirou os

olhos.

- Está se esforçando demais para me rejeitar.

- Sério? O que mais? - perguntou apoiando os cotovelos sobre a mesa para encará-lo, com um

sorriso cínico.

- Até onde pude perceber, você está tensa com o seu trabalho, talvez uma possível promoção em mente, também é muito competitiva e se sente tentada a aceitar meu convite, não para sair comigo, apenas para ter uma relaxante noite de sexo. - respondeu sem tirar os olhos dos lábios dela.

- Quem é você? - se afastou levemente - Está me seguindo, por acaso?

- Claro que não, sou apenas um bom observador. - deu de ombros - Meu nome é Ethan, mas, pode me chamar de amor, sem problemas.

Laura o encarou por um tempo.

- Eu mereço, sempre me envolvo com gente estranha, quando não é um psicopata perseguidor é um maluco que "observa" demais.

- Ah, não seja tão cética, eu estou falando a verdade, me dê uma chance e vai descobrir.

- Está pedindo para uma mulher faminta e estressada acreditar na palavra de um desconhecido? - respirou profundamente.

Antes que ele pudesse responder algo, a garçonete retornou com o pedido de Laura.

- Se precisar de mais alguma coisa, basta me chamar. - informou antes de sair.

- Quer que eu espere você terminar de comer para podermos terminar a conversa? - Ethan

sorriu.

- Eu quero que você vá embora agora, eu tenho menos de quarenta minutos para comer e conseguir retornar ao trabalho a tempo.

- Tudo bem. - suspirou -, mas, nos veremos de novo.

Retirou um cartão de visitas do bolso do paletó e o colocou sobre a mesa a frente dela.

- Ficarei esperando seu contato, então é melhor ligar, não vai querer que eu pesquise tudo sobre a sua vida.

Levantou-se calmamente e saiu, após lhe dar uma piscadela.

Quando o perdeu de vista, Laura comeu rapidamente a refeição, bebeu um pouco mais de vinho e

então pagou a conta.

Não podia negar que Ethan mexera consigo, tinha um "que" de problema escrito na testa dele, provavelmente o típico mulherengo que se achava mais esperto que todo mundo, e Laura adorava mostrar que as coisas não funcionam dessa maneira quando se trata dela.

No cartão de visitas estava escrito o nome dele, o endereço da empresa onde ele trabalha, assim como informações de contato, o pior de tudo era saber que ele era um dos donos da empresa rival a dela.

- Era só o que me faltava... - sorriu sem humor.

Adentrou o seu carro e seguiu o mais rápido que pôde de volta a empresa, precisava se concentrar na sua promoção, estava cansada de ser subestimada na empresa e iria provar sua competência com aquela apresentação, após estacionar, adentrou o elevador.

- Ora, se não é Laura Braga! - Eduardo Silva, seu colega de trabalho, debocha.

Havia uma grande rivalidade entre os dois, porquanto competiam pela mesma vaga, cada um com seu projeto, desejando ser o melhor e conseguir a tão sonhada promoção.

- Não vem me encher o saco agora, Silva. - resmungou.

- Eu estou apenas cumprimentando uma colega de trabalho. - riu levemente - Preparada para

perder a promoção?

- Você não vai me vencer dessa vez, não caio nas suas trapaças.

- Certeza?

- O que quer em? - questionou - Nunca falou tanto tempo comigo.

Ele a observou com um sorriso cínico nos lábios, seus olhos percorriam todo o corpo de Laura,

que naquele dia usava uma saia justa preta com uma blusa de botões clara, em parte desabotoada.

- Nada, coisa da sua cabeça.

- Espero que a sua queda seja rápida e dolorosa. - disse empinando o nariz.

- Mulheres não possuem muito reconhecimento na empresa, lembre-se disso, antes de depositar

toda sua confiança. - provocou - A menos que esteja transando com o Sr. Bennett, vai perder feio, sem oportunidade de questionar.

Laura engoliu em seco, sabia que nenhuma mulher havia chegado mais longe do que onde ela estava na empresa, porém, se esforçava muito, queria mostrar sua eficiência e capacidade para chegar ao topo.

- Pode ser que dessa vez o Sr. Bennett escolha alguém por competência, ao invés do sexo.

Ele apenas gargalhou alto, quando a porta do elevador abriu.

- Boa sorte.

Se retirou caminhando tranquilamente, o que irritava Laura de uma maneira que lhe dava vontade de se vingar, fazer algo que o deixaria caladinho quando a visse.

Capítulo 2 Reencontro!

No dia seguinte, Laura estava de frente para o seu chefe, doutor Rogério Bennett, dono da empresa em que trabalha, Sky Bennett's, ele analisava novamente o contrato de um projeto o qual deveria ser entregue a um possível parceiro da empresa no mercado de publicidade e advocacia.

- A correção ficou ótima, Srta. Braga, meus parabéns. - a elogiou.

- Obrigada, Sr. Bennett. - agradeceu tentando não parecer tensa.

- Eu preciso que você fale com o advogado da McCoy's Stars, e tente marcar uma reunião para

entrar em um acordo. - ele informou a encarando por fim - Esse acordo é de suma importância para nós.

Entregou-lhe uma pasta preta com os documentos do processo judiciário ao qual estava

sofrendo devido à empresa rival.

- Sim, Sr. Bennett, farei isso imediatamente. - respondeu pegando a pasta.

- Ótimo, está dispensada! - disse com um aceno de mãos.

Balançando a cabeça, ela apenas levantou e saiu rumo a sua sala.

- Laura, Laura, ainda tentando?

Eduardo estava parado, recostado a parede do corredor com um sorriso cínico.

- Alguém precisa, não é?

- Se eu fosse você, desistia enquanto ainda é tempo. - comentou se aproximando.

- Por que você não vai se ferrar e me deixa em paz?

- Prefiro ver você se ferrando primeiro. - gargalhou levemente e saiu calmo.

Cada palavra dele a deixava muito irritada, tinha vontade de agredi-lo ali mesmo,

entretanto, pensava em sua carreira e o Sr. Bennett a demitiria imediatamente, sem esperar a menor explicação.

Resolveu passar no banheiro primeiro, antes de ir a sua sala, jogou um pouco de água no rosto, tentando acalmar os ânimos, poderia fazer alguma besteira.

- Srta. Braga! - a secretaria a chamou.

- Sim?

- Há um rapaz em sua sala, ele disse que precisava falar com a senhorita urgentemente, que combinaram no dia anterior. - ela respondeu prontamente.

De sobrancelhas arqueadas, Laura continuou seu percurso e entrou na sala ignorando totalmente a presença da mulher, não lembrava de ter marcado reunião com alguém, talvez a pessoa tenha se confundido.

De costas para ela, observando pela enorme janela de vidro, encontrava-se um rapaz, num terno cinza justo, muito bem alinhado, e sapatos pretos lustrosos aparentemente muito caros, pela postura deveria ser alguém importante.

Tinha cabelos pretos e pele bronzeada e ela rapidamente o reconheceu, de maneira alguma esqueceria aquele ar cínico e sexy ao mesmo tempo.

- Bom dia. - disse após terminar a observação.

O rapaz se virou, revelando o rosto conhecido.

Ele tinha olhos escuros, contrastando com a pele bronzeada e um belo sorriso no rosto jovial, sua gravata, perfeitamente alinhada sobre a camisa azul-céu, lhe dava um ar mais formal do que de costume, aquilo realmente mexera com ela.

Sentiu a boca seca, não era do tipo que ficava interessada em um homem logo após conhecê-lo, mas tinha que admitir o quanto Ethan sabia lhe tirar do sério, mesmo que aquela fosse a segunda vez que o via.

- Bom dia, Srta. Braga. - respondeu em um tom calmo e suave - Foi bem difícil encontrá-la sem saber seu nome, mas, eu disse que sou persistente.

- Pensei que ia desistir caso eu não mandasse mensagem. - fingiu desinteresse.

Ela queria saber até onde essa história chegaria, no entanto, saber que Ethan era um dos donos da empresa rival anulava qualquer possível chance de envolvimento entre eles, já que Laura poderia muito bem perder o emprego.

Ethan diminuiu o espaço entre eles dando a volta pela mesa, parando defronte a ela, um sorriso suave pairava em seus lábios, os olhos dele brilhavam e tudo o que Laura conseguia fazer era observar os lábios que infelizmente lhe pareciam convidativos.

Engoliu em seco.

- Sente-se, por favor, Sr. Ethan McCoy. - ela pediu com certo deboche e ele o

fez.

Laura dirigiu-se a sua cadeira, jogou a pasta sobre a mesa e sentou-se.

- Só para deixar claro, não vamos sair, você é um dos donos da empresa rival o que coloca o meu emprego em risco. - comentou com a expressão séria.

- Ser "dono" é uma palavra forte, porém, meu pai deixou metade da herança para mim, é verdade. - coçou o queixo - Caso ajude na sua decisão, podemos deixar tudo em segredo, não tenho objeções quanto a isto, mas, eu sei que não irá resistir a mim por muito tempo.

Ela deu de ombros, tentando parecer indiferente.

- Não vai rolar, me dediquei muito a minha carreira para perder tudo agora.

- Tudo bem, Srta. Braga, eu entendo o seu ponto de vista. - respirou fundo - Sempre há a opção de deixar a carreira de lado por um tempo e se divertir um pouco.

- Olha bem para a minha cara e veja se sou o tipo de mulher que aceita depender de homem. - resmungou - Já está enchendo minha paciência, é melhor sair daqui antes que eu o acerte bem nos países baixos.

Ele apenas sorriu e encarou a janela atrás dela.

- Desculpe, estou acostumado com outro tipo de mulher, porém, é sempre bom mudar de hábitos. - levantou-se - Que horas eu posso passar no seu apartamento?

- Foi divertido até agora, mas, já está passando dos limites. - respondeu - Apenas saia da minha sala, ao contrário de você eu preciso trabalhar.

O sorriso de Ethan aumentou rapidamente, a conversa não estava tomando o rumo que ele queria e isso não lhe pareceu de todo mal.

- Posso propor um acordo? - perguntou.

- Você é surdo? - ela praticamente berrou - Hum, desculpe.

Ethan suspirou tentando encontrar uma saída para a situação.

- Tenho alguns assuntos a tratar agora, mas faço questão de leva-la para almoçar, mais tarde. - informou se levantando - Continuarei aqui na empresa, qual o seu horário de almoço?

- Simplesmente já deu para mim, acho que o seu ego tapou seus ouvidos. - protestou.

- Eu pergunto a secretária o seu horário de almoço. - ele apenas lhe dirigiu uma piscadela e saiu sem esperar que ela respondesse algo.

Laura sentou-se novamente e passou a encarar a porta por qual o rapaz acabara de passar, confiante de que iriam almoçar juntos... realmente ela queria recusar?

Foi impossível não rir, Ethan era um idiota acima de tudo, mas, ela poderia usar aquele almoço como uma chance de tirar vantagem sobre o processo judicial pelo qual às duas empresas estavam passando.

O restante da manhã passara mais rápido do que esperava, Laura anotou algumas perguntas chaves em sua agenda para que não esquecesse os detalhes mais importantes.

- Que fique claro, aceitei almoçar com você apenas para tratarmos de alguns assuntos importantes. - comentou colocando o cinto de segurança.

Estava sentada no banco do passageiro do carro do Ethan, o encarando.

- Bom, nesse caso vai acabar se decepcionando. - respondeu - Quem cuida dos assuntos da empresa é o meu irmão mais velho, Ezra.

- E o que você faz na empresa?- virou-se para ele - Não me diga que sua vida se resume a gastar dinheiro com mulheres.

Ele franziu o cenho.

- Meu irmão disse a mesma coisa mais cedo - gargalhou levemente - Ezra é quem comanda tudo desde que o nosso pai morreu, eu apenas sirvo para assinar alguns papéis quando necessário.

- Esse almoço está cancelado. - resmungou retirando o cinto - Com esse terninho arrumado, os sapatos caros, cabelo alinhado... eu realmente achei que você seria útil para alguma coisa.

Era bom demais para ser verdade, ela pensou, quando finalmente acreditou estar nas rédeas da situação, se depara com um idiota que não tem a menor noção do que significa trabalho duro.

- Se continuar assim vai acabar me ofendendo.

Ethan a puxou pelo braço, impedindo que abrisse a porta.

- Fique por favor, eu garanto que meu interesse em você é verdadeiro.

Ela arqueou as sobrancelhas.

- Desculpe, não pareceu tão estranho quando eu pensei nessa frase. - Ethan franziu o cenho.

- Eu não quero perder meu emprego, estou perto de ser promovida, uma demissão atrasaria minha carreira, e muito! - se desvencilhou do aperto dele - Além do mais, eu prefiro homens que gostem de trabalho tanto quanto eu e ainda são aptos a ter responsabilidades.

- Laura, eu só quero almoçar com você, nada demais. - disse a encarando - Mas, claro que eu também quero te convidar novamente para sair, um jantar talvez, porém, acredite quando digo que você é a única mulher que me fez sentir um interesse genuíno.

- Sabe quantos homens me disseram isso ao longo da minha vida?

- Olha, você precisa relaxar um pouco, está muito tensa.

- Vai se ferrar!

- Ei, esse tipo de palavreado não combina com você. - estalou a língua - E se eu prometer te ajudar com seja lá o que você quer e ainda me esforçar mais dentro da empresa, eu posso até tentar acordar cedo para ir trabalhar e essas coisas de gente adulta.

- Quantos anos você tem? Dez?

Ethan tombou a cabeça levemente para o lado.

- Vai almoçar comigo ou não?

- Se prometer que vai mesmo ajudar, eu aceito.

- Ora, nem foi tão difícil.

- Um almoço apenas, nada de gracinha, e qualquer assunto desagradável vai me dar o direito de agredi-lo por justa causa.

- Você tem sérios problemas de raiva, não me admira estar solteira. - comentou rindo.

Infelizmente acabou se arrependendo diante do olhar furioso que recebera, engoliu em seco, não sabia o que dizer para amenizar a situação constrangedora em que estava.

Capítulo 3 Mensagens

- Foi uma brincadeira estúpida, sinto muito. - se desculpou.

Laura apenas ficou em silêncio, no final de tudo, o cara idiota, sexy e voz excitante era apenas isso... um

idiota.

- Foi um desprazer conhecê-lo, Sr. McCoy. - virou o rosto rapidamente - E eu sei que tenho problemas de raiva, não preciso que me digam isso.

Pegou sua bolsa e abriu a porta do carro, fechando-a com força ao sair, caminhando furiosa até seu próprio carro, se pudesse iria para casa e permaneceria o resto do dia por lá, sem a presença de ninguém, inclusive de homens.

Ethan respirou fundo, desde que se conheceram, todas as suas palavras e ações contribuíam para que os dois discutissem, a raiva era uma amiga constante de Laura, o que lhe parecia levemente fofo.

Observou o carro dela dando partida e saindo em alta velocidade.

Uma mulher difícil de lidar, ela o atraía sem nem mesmo se esforçar para isso, com certeza continuaria insistindo, mesmo que fosse para tê-la apenas uma noite, sempre preferiu as calmas, aquelas não costumavam responder ou alterar a voz, mas daquele momento em diante, Laura era o seu tipo preferido, mais do que isso, era a única que ele queria.

O problema seria manter esse segredo longe dos ouvidos do irmão mais velho, o qual era muito rígido e centrado, quando se tratava da empresa e poderia achar que Laura o estava usando, o que não deixava de ser verdade.

Ligou o veículo, saindo calmamente, esperaria até ela se acalmar, para tentar uma nova investida, caso não

funcionasse, teria que apelar, e ele não via problema algum em o fazer, sentiu o celular vibrar no bolso da calça, esperou chegar ao semáforo que estava fechado, antes de pegá-lo para verificar.

Havia duas mensagens de Ezra, seu irmão, e várias de Patrícia, diretora do RH, o celular continuava vibrando, a garota estava frenética, mesmo que fosse algo importante, teria que esperar.

******

Quando Laura retornou do almoço, que comera de forma solitária, sentiu certo incomodo.

Apesar de Ethan lhe parecer um grande imbecil, a princípio ele não lhe era tão mal, talvez o momento não tivesse sido propício para aquela conversa e ela mesma devia admitir que não era nenhuma flor delicada, sempre acostumada a homens estúpidos e machistas, os quais a faziam se sentir obrigada a estar na defensiva.

Olhando para o cartão de visitas dele dentro da sua carteira, sorriu ao lembrar de Ethan falando sobre querer levá-la para jantar, seu estresse diário acabava com o bom humor e autoestima, precisava de uma noite de sexo, com certeza ele desapareceria no dia seguinte sem cumprir o acordo, mas, se divertir um pouco não seria mal.

O celular vibrou freneticamente.

Observando a tela, percebeu que um número desconhecido lhe mandava mensagem, abrindo, por pensar

tratar de algum possível cliente da empresa, compreendeu que na verdade tratava-se de Ethan, pedindo desculpas novamente e lhe pedindo uma nova chance.

"Mande-me flores e algum presente caro, ainda hoje, e quem sabe posso pensar na possibilidade de um jantar.",digitou com um sorriso cínico nos lábios.

Acreditava ser perigoso aquele "jogo" com Ethan, porém, depois de mais um encontro desagradável com

Eduardo sentia que sua confiança não estava tão forte quanto antes, Sr. Bennett também começara a agir de forma estranha com ela.

"Deseja um presente em específico?", sentiu o celular vibrar novamente.

"Não, mas quanto mais caro, melhor!"

"Providenciarei imediatamente, Srta. Braga."

Laura não se importava com o presente, na verdade, também detestava receber flores, achava um grande

desperdício, entretanto, a provocação em meio a tensão sexual lhe deixava ainda mais excitada.

- Conheço esse sorriso! - Andreia fala a assustando - Bati na porta, mas, não me escutou, certo?

Ela balançou a cabeça constrangida.

A mulher a sua frente era bem mais velha, na faixa dos cinquenta anos, cabelo devidamente preso, roupa impecável, um dia fora totalmente ruiva, agora os fios grisalhos se mostravam fortemente.

- Tome cuidado, já te disse que você é péssima para escolher homens. - Andreia sentou-se.

Segurava uma fina pasta em mãos.

- Está sob controle dessa vez, sei o que estou fazendo.

As duas eram amigas há cinco anos, quando Laura começou a trabalhar na empresa Andreia já estava lá, foi a única que mostrara empatia com a novata, portanto, as duas se ajudavam mutuamente.

- E quem é? - questionou arqueando as sobrancelhas.

- Ninguém menos que Ethan McCoy.

- Da empresa McCoy's Stars? - Andreia estava surpresa.

- Sim, nos conhecemos ontem na hora do almoço, mas, eu não sabia quem ele era e suponho que nem ele sobre mim. - respondeu - Se acontecer algo, será apenas sexo, não se preocupe.

- Se o Sr. Bennett ao menos desconfiar, vai fazer da sua vida um inferno. - sussurrou.

Laura suspirou, antes de mostrar um leve sorriso.

- Ele só vai saber se você contar!

- Não faz isso comigo, Laura, vai acabar se metendo em encrenca e me levando junto.

- Andreia, relaxa por favor, eu estou muito estressada, cansada e ansiosa, no mínimo eu mereço uma noite de "descanso". - gargalhou levemente.

Não costumava se abrir daquela maneira para muitas pessoas, depois que sua mãe morreu de câncer, sobrara apenas Andreia, em quem confiava cegamente.

- Certo, ao menos ele é bonito? - perguntou curiosa - O irmão, Ezra é muito "gato", se forem parecidos, não vai se arrepender.

- Ele é um "gato", mas não consegui reparar se é bem-dotado ou não. - soltou risinhos.

- Você não presta, Laura, nem sei como ainda me surpreendo.

- Melhor do que sofrer por homem. - comentou respirando fundo.

- Sr. Bennett pediu para entregar isso, parece que o seu Ethan, trouxe em nome do advogado. - disse com um leve deboche, ao pronunciar o nome dele.

Revirando os olhos, ela pegou a pasta.

- Deve ser a respeito do processo, depois eu olho, tenho que entrar em contato com o advogado para marcar uma reunião.

- Tudo bem, mas lembre-se de fazer o mais rápido possível, é algo importante e o Sr. Bennett quer arrancar o couro de alguém, ainda essa semana. - informou se levantando.

- Farei antes do final do dia.

Andreia assentiu antes de se retirar, lhe dando uma leve piscadela, ao mesmo tempo que um entregador parou a frente de sua porta, o rapaz adentrou com cautela, segurava um buquê de flores e uma cesta grande de doces, com um urso de pelúcia.

- Srta. Braga? - questionou.

- Sim!?

- Me pediram para entregar essas encomendas, onde coloco?

- Pode deixar em cima da minha mesa, mesmo. - respondeu.

O rapaz fez o que ela mandara.

- Irei buscar o resto, volto já. - se retirou apressado.

Entre as flores havia um cartão na cor preta, com letras douradas, escrito o seu nome.

"Acredito que seja algum tipo de teste, onde qualquer resposta seria errada, por isso me esforcei muito!

Atenciosamente, Ethan"

O sorriso retornou aos lábios, era tudo muito supérfluo, mas saber que um home se esforçava para

chamar sua atenção, mesmo sem a certeza de sucesso, era impagável, fez sua autoestima elevar-se ao máximo.

O rapaz retornou trazendo três caixas, uma em questão era maior e aparentava ser bem mais pesada do que as outras, ele as colocou sobre a cadeira a frente da mesa e retirou um papel do bolso, com uma caneta.

- Pode assinar aqui, por favor!

Laura assinou rapidamente, dispensando o rapaz que fechara a porta em seguida.

Sabia que não ia demorar muito até que alguém do grupinho de fofoqueiras da empresa fosse checar o que recebera, a fim de descobrir quem era o remetente.

Abriu a primeira caixa, era um pouco menor que as outras, em seu interior havia um lindo par de sapatos, parecia totalmente feito de cristal, brilhava levemente, eram saltos altos, de uma marca muito conhecida e cara, aquele deveria ter custado quase o salário dela todo, o que não era muito para um milionário.

Na segunda caixa, surpreendeu-se com um maravilhoso vestido longo de alças finas, na cor rosa bebê, feito com seda e tule bordado, o corpete justo, a saia longa e esvoaçante com um zíper invisível na lateral, uma peça extremamente delicada.

Nem imaginava o que tinha na última, pelo tamanho, não poderia distinguir bem.

Abriu-a encontrando muitos livros, alguns títulos ela conhecia, outros não, a maioria consistia em romances adultos, os quais pretendia ler logo, interessava-se bastante por ler, não importava o gênero, mas como ele sabia, era o enigma.

Fechou todas as caixas, rindo com uma boba, o vestido e os outros presentes não importavam, os livros é que lhe chamaram a atenção.

Voltou a sentar sobre sua cadeira, pegando o celular.

"Você realmente se esforçou?"enviou rapidamente.

Não demorou muito para a resposta chegar.

"Mais do que imagina!"

"Não me surpreendeu, pensei que pudesse fazer melhor que isso!", provocou.

"É difícil te agradar, mas diga o que quer e terá."

"Esse é o problema, eu tenho que dizer sempre?"

"Tem toda razão."

Ela não digitou mais nada, queria que pensasse não estar interessada.

"Isso quer dizer que não teremos um jantar?", ele questionou após um tempo.

"Não.",digitou rapidamente.

Percebeu que ele não estava mais online, havia saído do aplicativo.

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