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Aprisionada Por Um Turco Mafioso

Aprisionada Por Um Turco Mafioso

Autor:: JL Oliveira
Gênero: Aventura
Valentina Carvalho, está desiludida ao descobrir a verdadeira face de seu noivo, e descobre que ele não a ama e a trai com várias garotas, ela então decide fugir sem destino. No entanto, seu caminho cruza com Emir Aksoy, um bilionário, líder da máfia turca que precisa de uma esposa e um filho, seu herdeiro para continuar sendo o CHEFE. Emir descobre que a família de Valentina está enfrentando problemas financeiros e que o pai dela está doente. Porém a única que não sabia dos problemas familiares era Valentina. Emir oferece o tratamento para o pai dela e o pagamento das dívidas ao se casar com ele. Presa em um mundo desconhecido e perigoso, Valentina encontra conforto na companhia de seu guarda-costas, Park Joon-Ho, despertando ciúmes inéditos em Emir. Será que o coração frio de Emir está se aquecendo por Valentina?

Capítulo 1 Esbarrando no Destino

Valentina Carvalho

A estrada se estendia à minha frente, um caminho sem fim que eu não sabia para onde levava. As últimas horas tinham virado minha vida de cabeça para baixo, tudo o que eu acreditava ter vivido durante tantos anos era uma mentira. Uma mentira que me deixou sem rumo, sem direção.

Dirigi por mais de uma hora, sem destino, sem propósito. Apenas seguindo a estrada, deixando para trás a vida que eu conhecia. As lágrimas molhavam meu rosto, uma mistura de tristeza, raiva e confusão. Não sabia como havia chegado tão longe, como havia permitido que minha vida se transformasse nessa bagunça.

O painel do carro piscava, alertando que a gasolina estava acabando. Parei em uma cidade desconhecida, sem saber onde estava. A única coisa que sabia era que precisava sair do carro, respirar, tentar entender o que estava acontecendo.

Foi quando vi o aeroporto. O avião pousando na pista, as luzes brilhando na escuridão. Não abasteci o carro, não voltei para a estrada. Em vez disso, segui para o aeroporto.

Caminhei pelo aeroporto, observando as pessoas andando de um lado para o outro. Foi então que percebi que não tinha dirigido por uma hora, mas sim por várias. O meu celular começou a tocar, mas eu não queria falar com ninguém. Olhei para o nome da companhia aérea e decidi que era hora de fugir de tudo aquilo.

De repente, eu esbarrei em um homem que parecia uma parede de músculos, meu corpo foi jogado para trás com o impacto, mas ele me segurou para que eu não me esborrachar no chão.

- Nereye bakarak yürüyorsun? (Não olha para onde anda)" ele disse. Eu não fazia ideia do que ele estava dizendo.

- Me desculpe, senhor - respondi, sem saber o que mais dizer. Ele estava com vários outros homens, todos pareciam ser seguranças. Eu tinha entrado na frente dele sem querer. Seus olhos claros me observavam atentamente, mas eu segui meu caminho até o guichê, deixando o cara bonito para trás.

- Eu quero uma passagem, para o próximo avião que for decolar - disse a atendente.

- Como assim, senhora? - ela perguntou, parecendo confusa.

- O próximo avião que for sair deste aeroporto, eu quero uma passagem - repeti.

Ela me informou que havia um avião que iria decolar em meia hora e que os passageiros já estavam embarcando. Eu concordei, querendo apenas sair dali o mais rápido possível.

Quando ela me disse o valor da passagem, quase caí para trás. Era muito mais do que eu esperava, mas eu paguei. Passei o cartão, torcendo para que minhas economias fossem suficientes para cobrir a despesa. O meu telefone continuava a tocar, mas eu só queria fugir.

- Vai despachar alguma mala, senhora? - a atendente perguntou.

- Não - respondi. Eu não ia dizer a ela que nem mesmo malas eu tinha. Eu só queria fugir.

Estava com meu passaporte? Sim, estava, eu tinha uma lua de mel que não iria. Mas não fazia ideia de para onde estava indo.

- Moça, para onde o avião vai? Preciso de passaporte? - perguntei, enquanto a atendente me ajudava a embarcar.

- Istambul - ela respondeu e eu me apavorei.

- Istambul? Aquela lá na Turquia?

- Sim, aquela mesmo.

Nós duas conversávamos enquanto ela me guiava até o avião. Tudo que eu tinha era minha bolsa. E por pura sorte, meu passaporte estava ali, dentro dela. Senti uma vontade imensa de chorar ao lembrar por que ele estava ali. Meus olhos se encheram de lágrimas.

- Tenha uma boa viagem e aproveite, espero que as coisas melhorem para você.

- Seja bem-vinda - disse uma das aeromoças, me encontrando e me direcionando ao meu assento. Enquanto ela falava, eu só conseguia pensar em como tinha vindo parar na primeira classe.

O avião decolou e eu pude aproveitar tudo que a primeira classe tinha a oferecer. Eu estava triste, e sabia que a maioria das pessoas não iria se empanturrar de comida como eu estava prestes a fazer. Mas eu pedi tantas coisas e comi tudo que ela trouxe. Chorei até soluçar, mas eu não queria mais sofrer. Essa viagem seria para me libertar.

Sabia que se ficasse, as outras pessoas me fariam ver que quem estava errada era eu. Jogariam a culpa em mim. Levantei-me e fui até o banheiro. Olhei no espelho e prometi a mim mesma que ninguém mais tomaria conta da minha vida. Eu era a dona da minha própria vida. Eu não sou uma modelo internacional, mas não sou um monstro. E decidi que nunca mais me apaixonaria por ninguém. Nunca mais.

- Ninguém mais vai me fazer de boba. Eu tomo as rédeas da minha vida de agora em diante - ergui minha cabeça e seria uma nova mulher.

Ao abrir a porta do banheiro, quase morri de susto. Havia um homem parado ali, bem na minha frente, o mesmo cara do aeroporto. Ele era alto e forte, com vários centímetros a mais que eu. Quando olhei para cima, me deparei com seus olhos claros. Ajeitei meus óculos, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele me empurrou para dentro do banheiro.

O beijo que ele me deu foi tão rápido e intenso que mal tive tempo de processar o que estava acontecendo. Meu coração batia acelerado, minha mente girava. Aquele homem lindo estava ali, na minha frente, me beijando com tanta paixão.

Foi um turbilhão de emoções. Eu não sabia quem ele era, porque estava ali ou porque havia me beijado. Mas naquele instante, nada disso importava. Eu estava ali, vivendo aquele momento intensamente.

Ele me levantou e me sentou na pia, minhas mãos imediatamente correram até os seus cabelos e meus dedos se entrelaçaram ali. Ele puxava o meu corpo para perto do dele, era tão diferente de tudo que eu já tinha vivido.

As mãos dele passeavam pelo meu corpo, explorando cada centímetro da minha pele. Sua boca deixou a minha e desceu pelo meu pescoço, me fazendo soltar gemidos involuntários. Mesmo por cima do tecido, ele abocanhou meu mamilo, me fazendo arfar de surpresa e prazer.

Tantas sensações... Eu nunca tinha sentido algo assim antes. Nunca tinha experimentado esse tipo de intimidade com um desconhecido, muito menos em um banheiro de avião. Eu sabia que não deveria estar ali com ele, mas estava gostando. Era algo passageiro, casual. E eu, estava tão chateada com tudo que havia acontecido...

Eu estava cansada de me sentir triste, de me sentir culpada. Eu queria algo diferente, algo que me fizesse esquecer, mesmo que por um momento, de tudo que estava acontecendo. E aquele homem, aquele desconhecido, estava me proporcionando isso.

Eu me entreguei àquele momento, àquelas sensações. Deixei que ele me explorasse, que me fizesse sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes. Eu sabia que era errado, que eu não deveria estar fazendo aquilo. Mas naquele momento, eu não me importava.

Eu estava vivendo algo novo, algo excitante. E por mais que eu soubesse que aquilo era passageiro, que não passava de um momento de loucura, eu não me importava. Eu estava gostando, estava me sentindo viva. E naquele momento, era tudo que eu precisava.

Enquanto estávamos perdidos naquele momento de desejo, um som alto e insistente ecoou pela porta do banheiro, nos tirando abruptamente da nuvem de prazer em que nos encontrávamos. Alguém estava batendo na porta, interrompendo aquele momento intenso. Um brutamontes apareceu na porta e disse com uma voz firme:

- Chefe, conseguimos as informações - o homem me olhou e ficou com os olhos arregalados.

- Agora não, seu idiota - respondeu o homem com quem eu estava. Eles começaram a discutir, aproveitei a oportunidade para passar entre os dois com uma rapidez impressionante. Graças a Deus eu era pequena. Minha roupa estava amassada e um pouco aberta, eu me sentei rapidamente no meu assento, tentando me isolar e fugir daquele homem.

- Onde eu estava com a cabeça, de quase me entregar a um homem no banheiro de um avião? - coloquei as mãos na cabeça.

Doze horas depois, finalmente cheguei ao aeroporto de Istambul. Era um lugar grande e bonito, mas eu estava cansada e precisava encontrar um hotel. Já havia pesquisado alguns e sabia que eram caros, mas consegui fazer uma reserva. Agora, só precisava encontrar um táxi.

Segui para fora do aeroporto e avistei um carro com um homem segurando uma placa com meu nome. Estranhei, mas entrei no carro mesmo assim.

- O hotel te enviou? - perguntei, mas o homem não respondeu. Em vez disso, ele trancou todas as portas do carro, deixando-me em pânico - Para onde estamos indo? - gritei, desesperada e comecei a beber nele com a minha bolsa. Mas o homem apenas pegou um spray e jogou no meu rosto. Senti meu corpo enfraquecer, a consciência se dissipando lentamente. Tentei abrir a porta, lutar contra o sono que me dominava, mas logo caí em um sono profundo.

O que estava acontecendo? Quem eram essas pessoas? Minha mente estava cheia de perguntas sem respostas, enquanto meu corpo se entregava ao sono profundo, levando-me para um destino desconhecido.

Capítulo 2 Voando

Valentina Carvalho

Eu acordei com uma dor latejante na cabeça, mal conseguindo abrir os olhos devido à intensa claridade que fazia minhas têmporas pulsarem. Tentei me situar no ambiente ao meu redor e percebi que estava em um quarto luxuoso, com uma cama dossel majestosa, cortinas negras e uma parede de vidro que levava a uma sacada com sofás e arcos. Era como se eu tivesse sido transportada para um palácio sombrio e desconhecido.

A confusão tomou conta de mim e a pergunta ecoou em minha mente: "Onde eu estou?". Lembrei-me vagamente das últimas horas, quando reservei o hotel e um homem misterioso segurava uma placa com o meu nome. Recordo-me de ter entrado no carro com ele e, pensei que ele tinha sido enviado pelo hotel, algum serviço de transfer. O próximo fragmento de memória que surgiu foi o homem borrifando algo em meu rosto, fazendo-me desmaiar.

O desespero tomou conta de mim ao perceber que estava presa naquele quarto. Corri até a porta e tentei abri-la, girando freneticamente o trinco, mas ela estava trancada. Meu coração acelerou e a sensação de pânico se intensificou. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto enquanto eu me perguntava como cheguei a esse pesadelo.

Senti-me impotente e vulnerável, sem ter ideia de quem poderia estar por trás disso ou qual era o propósito de me manter aprisionada. A angústia e a incerteza se misturaram, criando uma tempestade de emoções dentro de mim.

Eu me encostei na porta, as lágrimas continuavam a escorrer pelo meu rosto. Levei as mãos ao rosto molhado, tentando conter o desespero que tomava conta de mim. Como eu havia chegado a esse lugar? Será que eu tinha caído em alguma armadilha cruel? Essas perguntas ecoavam em minha mente, aumentando ainda mais a minha angústia.

Decidi seguir até a sacada, em busca de uma possível saída. Talvez eu pudesse pular dali e procurar ajuda, talvez até mesmo ir direto para a polícia. Minha bolsa, contendo meu passaporte, estava comigo. Era irônico pensar que essa seria minha primeira viagem para fora do Brasil e eu me encontrava em uma situação tão desesperadora.

Ao chegar na sacada, percebi que a porta de vidro que dava acesso ao parapeito estava aberta. Um raio de esperança surgiu dentro de mim, alimentando a ideia de que talvez eu pudesse escapar dali. Mas quando olhei para baixo, meu coração afundou. A altura era assustadora demais.

- Droga, é alto demais - murmurei para mim mesma, sentindo um misto de frustração e medo. Eu sabia que pular dali seria um risco enorme, poderia até mesmo ser fatal. A sensação de impotência me envolveu novamente, fazendo com que eu me sentisse ainda mais aprisionada.

Estou determinada a fugir do quarto pela sacada. Amarro um lençol bem firme em uma das extremidades da sacada e jogo o lençol, que começa a balançar de um lado para o outro com o vento. Me preparo para descer pela corda improvisada, mas quando coloco o pé no parapeito, percebo que estou descalça e meu pé escorrega, deixando-me pendurada e balançando de um lado para o outro.

- Merda, eu vou cair daqui e me esborrachar no chão.

Desesperada, tento me segurar e solto alguns gritos. A situação fica ainda mais complicada quando um pássaro pousa no parapeito da sacada e me observa atentamente. O que eu não esperava era que ele fosse se aliviar e seu cocô caísse bem na minha cabeça!

- Ah, não, seu pássaro, filho da mãe, eu não acredito que você fez isso.

O desespero toma conta de mim enquanto tento pensar rápido para sair dessa situação. Estou a vários metros do chão e a ideia de cair me aterroriza. Segurando firmemente no lençol, tento subir novamente, mas meus braços pequenos e finos mal conseguem aguentar o meu peso. Preciso encontrar uma solução, e rápido.

Decido que não estou em um filme de ação, mas isso não me impede de tentar algo arriscado. Com coragem, decidi me jogar no quarto de baixo, na esperança de que a porta esteja aberta e eu consiga escapar dessa situação.

- Ah, meu Deus, me ajude a fugir desse lugar - sussurro em desespero, rezando para que meu plano idiota dê certo e eu consiga sair dessa situação desconhecida.

Com as pernas enroladas no lençol, tomo uma grande inspiração e me lanço no ar. O tempo parece passar em câmera lenta e meu coração dispara e sinto um misto de medo e empolgação, enquanto tento descer.

Faltava pouco para eu chegar próximo ao quarto de baixo, quando o lençol que eu achava que tinha prendido fortemente começou a se soltar. O tecido escorregadio fez com que minha jornada se tornasse ainda mais rápida, meu corpo descendo centímetros a cada segundo, deixando-me pendurada entre o quarto em que estava e o debaixo. O lençol não iria durar muito tempo e eu sabia que tinha que ser ágil, ou... eu não queria nem pensar no que poderia acontecer.

- Quando eu disse que queria morrer ontem, eu estava brincando, hein, era tudo brincadeira, eu juro.

Enquanto tento me segurar desesperadamente, flashes do dia anterior invadem minha mente quando ela havia dito que sua vida estava acabada e que morrer seria a única solução para os seus problemas.

Logo a imagem do meu noivo com a prima dele, tomando banho juntos no apartamento que seria a nossa casa, me atinge como um soco no estômago. Eu nunca esperava que tudo fosse acontecer tão rápido. A dor da traição e a sensação de ter meu coração partido às vésperas do casamento me fez desejar a morte, mas agora, tudo o que eu queria era sair dessa situação e dar o troco naquele imbecil.

A adrenalina corre em minhas veias enquanto meu corpo balança no ar, lutando para se manter firme. Eu me agarro ao lençol com todas as forças que tenho, sentindo meus braços doerem e minha respiração acelerar. É uma mistura de medo, raiva e determinação que me impulsiona a continuar lutando.

Com o tempo se esgotando, vejo a sacada aberta no quarto de baixo. É a minha única chance de escapar. Reúno toda a coragem que tenho e me impulsiono para frente.

O ar sopra em meu rosto enquanto eu voou, sentindo uma mistura de liberdade e pavor. Por um instante, sinto como se estivesse voando, mas a realidade logo me atinge, o lençol se solta e eu grito como louca e fecho meus olhos, esperando o baque com o chão.

De repente, sinto um aperto ao redor da minha cintura, como se estivesse nos braços de alguém forte. Sinto até mesmo um perfume bom e másculo que me faz pensar que estou sonhando. Abro um olho de cada vez, esperando ver o chão, mas em vez disso, vejo um par de olhos preocupados me encarando.

- Você?

Capítulo 3 Coelhinha

Valentina Carvalho

- O que você estava fazendo? - ele me pergunta.

- Eu estava tentando fugir, me prenderam no quarto lá em cima - tentei explicar para ele - Eu peguei o carro que o hotel tinha me enviado, mas o homem me dopou e eu acordei naquele quarto lá em cima - aponto com o dedo - Eles prenderam você também?

Eu nunca imaginei que fosse ver aquele rosto novamente, mas ali estava ele, o cara que eu tinha esbarrado no aeroporto e beijado no banheiro do avião. Meu coração dispara ao vê-lo, e não posso negar que uma parte de mim tem vontade de beijá-lo novamente. Seus olhos verdes me olham com estranheza, como se não entendesse o que estou pensando.

- Você também está preso aqui? - pergunto, tentando disfarçar a emoção em minha voz - Venha, vamos ver se a porta está aberta.

Sem pensar duas vezes, seguro a mão dele e o puxo em direção à porta. Sinto uma conexão instantânea com ele, como se estivéssemos destinados a nos encontrar novamente.

- Vamos, não podemos ficar aqui parados, digo ao cara bonitão ao meu lado - Precisamos encontrar uma saída.

A adrenalina corre em minhas veias e ele sorriu, não entendi aquela reação dele, enquanto estávamos em perigo e o homem rindo. Será que eu disse algo engraçado?

Desci as escadas, vez ou outra algum segurança passava e eu me encolhia na escada para não ser vista, já o grandalhão descia como se fosse um rei. E a casa realmente parecia um palácio.

- Não deixe eles verem você ou não vamos conseguir sair daqui - puxo ele para que ninguém nos veja.

Assim que encontrei o caminho para o primeiro andar, meus olhos se fixaram na grande porta de saída. Um sorriso involuntário se formou em meus lábios. Em pouco tempo, eu estaria livre daquele lugar. Se o bonitão não quisesse ir comigo, eu daria um jeito de sair dessa prisão.

Mas o homem à minha frente tinha outros planos. Sem dizer uma palavra, ele desceu as escadas. Enquanto eu me dirigia à porta, senti braços fortes me envolverem e, de repente, estava jogada sobre seus ombros.

- O que você tá fazendo? - gritei, começando a bater nele para me soltar.

Ignorando meus protestos, ele me levou até um escritório. Entrou, trancou a porta e me colocou sentada em uma cadeira. Levantei-me imediatamente, o pânico se instalando. Ele estava com o pessoal do hotel? Minha mente era uma bagunça de perguntas sem respostas.

- Valentina Carvalho - como meu nome saiu da boca dele fez meu coração parar. Imediatamente, me virei para encarar o rosto bonito que estava sentado na poltrona, olhando para mim. - Não tente fugir, minha coelhinha assustada - ele me entrega um lenço - Seu cabelo está sujo, acho que algum pássaro fez cocô em você.

- Que merda é essa de coelhinha? Quem está me prendendo nessa casa? - minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.

Ele se inclinou para frente, seus olhos escuros fixos nos meus. - Temos muito o que conversar.

O suspense se instalou no ar, deixando um gosto amargo de medo e incerteza. Eu estava presa, mas não sabia por quê. E o homem à minha frente parecia ser a única pessoa que poderia me dar as respostas que eu tanto procurava.

- Valentina Carvalho, 25 anos, administra uma empresa de móveis no interior de São Paulo - ele começou, fazendo uma pausa enquanto eu arregalava os olhos em choque. - Foi traída pelo noivo, o seu casamento estava marcado para daqui a cinco dias e estão todos a sua procura.

- Como você... Sabe de tudo isso? - minha voz mal passava de um sussurro.

- Você é um livro aberto, querida. Descobri sobre sua vida antes mesmo de colocar os pés em Istambul. Sei que gastou suas economias para comprar a passagem e que é a filha mais velha...

- O que você quer comigo? - interrompi, a confusão e o medo se misturando em minha voz. - Por que você pesquisou sobre minha vida e o mais importante, o que eu estou fazendo aqui?

Ele riu, um som baixo e rouco que enviou calafrios pela minha espinha.

- Para uma garota que todos pensam ser uma boba, você faz perguntas demais - ele se levantou e encostou na mesa de mogno do escritório, cruzando os braços. - Antes que você comece a tentar fugir, sua mãe já sabe que você está comigo. Sente-se, vamos conversar um pouco.

- Você falou com a minha mãe? - minha voz saiu estrangulada, a realidade da situação começando a se instalar.

Ele apenas acenou com a cabeça, um sorriso misterioso brincando em seus lábios. Eu estava presa, e o homem à minha frente parecia ter todas as respostas. Mas eu estava pronta para ouvir? Ainda não sabia. Mas uma coisa era certa: eu precisava descobrir o que estava acontecendo. E rápido.

O homem que eu quase tinha transado no banheiro do avião sabia tudo sobre minha vida. Acho que sabia o valor exato de quanto eu tenho no banco. Como ele sabia que meu noivo havia me traído? Arrumei meus óculos, sentindo a necessidade de entender o que estava acontecendo ali naquele escritório.

- Como sabe da traição do meu noivo? - minha voz tremia, misturando-se com a confusão e o desespero.

Ele apenas sorriu de forma irônica. - Acho que todos sabiam, minha querida, menos você. Sua mãe me contou. Ela estava preocupada com você, e seu ex-noivo estava lá no momento em que liguei. Também falei com ele.

- Você falou com o Danilo? - minha voz saiu trêmula, a decepção se misturando com a raiva.

Ele assentiu, sua expressão impassível. - Como você pode ficar tantos anos, noiva de um cara como aquele Valentina? - Ele voltou até a mesa, sentou-se e abriu uma gaveta. Em seguida, retirou um envelope e me entregou. - Dentro deste envelope tem algo que seu pai e sua mãe esconderam de você. Abra.

Com as mãos trêmulas, peguei o envelope e abri, retirando vários papéis de lá de dentro. Eram exames médicos. Meus olhos percorreram cada um deles, e o diagnóstico dizia que aquela pessoa estava com câncer. Mas foi quando olhei o nome escrito que um buraco se abriu em meu peito. Eu não podia ter ideia de que tudo isso estava acontecendo bem debaixo dos meus olhos, e eu não havia percebido.

- De onde você tirou isso? - minha voz saiu embargada pelas lágrimas que começavam a inundar meus olhos.

Ele inclinou a cabeça, seu olhar penetrante. - Do hospital onde seu pai faz tratamento.

- Ele está com câncer? - minha voz falhou, a dor se espalhando por todo o meu ser. - E por que não me disseram nada?

- Eu não posso responder a essa pergunta. Sei que seus pais estão passando por uma crise financeira.

Recuei na poltrona, me sentindo frágil e desamparada. Meu olhar se perdeu em algum ponto vago da sala. Eu tinha pegado minhas economias e ido para a Turquia, enquanto meus pais estavam enfrentando dificuldades financeiras. Meu pai precisava de cada centavo para seu tratamento.

- Seu pai, além do tratamento, gastou o resto do dinheiro no seu casamento, e a conta bancária dele está vazia. - as palavras do homem ecoaram em minha mente, como uma faca afiada cortando meu coração.

Não pude acreditar no que estava ouvindo. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, e a dor se misturava com a culpa. Como minha família pôde esconder a doença do meu pai de mim? Como pude ser tão ingênua e não perceber o que estava acontecendo ao meu redor?

Chorei na frente do homem que acabara de conhecer, desabando sob o peso da revelação. Minha vida tinha virado de cabeça para baixo em questão de minutos. Agora, eu precisava encontrar uma maneira de lidar com os segredos revelados e consertar os erros que cometi. Mas será que ainda há tempo?

- Preciso voltar para o Brasil - disse decidida, me levantando e indo em direção à porta do escritório.

Mas ele se colocou em meu caminho, bloqueando minha saída. Seu olhar era intenso, cheio de mistério e talvez até um pouco de perigo.

- Minha coelhinha, você não vai sair daqui - sua voz soou firme e autoritária. E dei um passo para trás.

Fiquei perplexa. Como assim eu não ia sair dali? O que ele estava planejando afinal? A confusão em minha mente só aumentava.

- O quê? Como não vou sair daqui? - perguntei, minha voz carregada de desespero e frustração. - Afinal, o que eu estou fazendo aqui?

Ele sorriu de forma enigmática, como se soubesse algo que eu não sabia.

- Eu quero ajudá-la Valentina. Sente-se, coelhinha, e ouça o que eu tenho para lhe propor. Garanto a você que será benéfico para nós dois.

Um ar de suspense pairava no escritório, deixando-me curiosa e, ao mesmo tempo, temerosa. O que ele estava tramando? Será que eu poderia confiar nele? Minha mente estava cheia de dúvidas, mas algo me dizia que eu não tinha muitas opções. Eu precisava ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo que isso significasse entrar em território desconhecido.

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