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Aprisionada nas Arábias

Aprisionada nas Arábias

Autor:: wilma1207
Gênero: Romance
Ashilley resistiu como pôde, decidida a não facilitar a tarefa daquelas mulheres. O esforço porem foi em vão. Minutos depois, encontrava-se vestida como uma odalisca, o corpo esbelto revelando-se sobre cetins e musselinas coloridas. Quando a colocaram sobre um improvisado tablado erguido entre as tendas, conseguindo finalmente entender o que se passava. Ia ser leiloada entre aqueles nômades que a haviam sequestrado! Já se julgava perdida, mas de repente um silêncio nervoso abateu-se sobre os presentes. Um inesperado visitante se aproximava. O desconhecido acercou-se sem dizer nada e tomou-a nos braços. No instante seguinte ele a acomodava no cavalo e disparava em direção ao deserto...

Capítulo 1 Onde Tudo Começou

Ashilley Hilden sentou-se próximo à fogueira do acampamento, procurando se aquecer. Ao seu lado encontravam-se dois homens, que a luz do fogo iluminava em um vago tom dourado.

- Não é espantosa a rapidez com que esfria no deserto? - ela comentou com os companheiros. - Parece impossível que aqui seja tão quente durante o dia e tão frio à noite.

O mais jovem dos rapazes voltou-se para ela com um sorriso Sarcástico.

- Isso não devia surpreendê-la. Não é assim com sua vida também? - O olhar dele percorreu-lhe o corpo como se quisesse tirar-lhes as roupas, usava shorts jeans e uma camisa branca de algodão.

Os olhos verdes de Ashilley brilharam de raiva. Will Kennet havia sido desagradável desde que iniciaram a viagem a Yahren, o pequeno país desértico no Norte da África. Ela chegou à conclusão de que ignorá-lo era a melhor coisa que tinha a fazer. Levantou-se e dirigiu um sorriso para o homem mais velho.

- Boa noite, Roby. Eu vou me deitar.

- Eu também vou, embora não me seja nada agradável a ideia de voltar àquela barraca abafada. Ainda bem que estamos quase terminando o trabalho! Já não suporto mais este clima.

Ashilley tinha uma grande afeição por Roby Ricks, embora o conhecesse há pouco tempo. Olhou para ele com ar preocupado, notando-lhe a palidez do rosto. De certo modo, sentia-se culpada pelo desconforto do colega, uma vez que era a responsável por ele permanecer no acampamento. A parte de Roby no trabalho já estava encerrada e ele poderia voltar para casa, mas decidiu ficar apenas para não deixá-la sozinha com Will naquele local isolado.

Se não fosse pelas atitudes atrevidas e insistentes de Will, aquela seria uma missão maravilhosa.

Quando o editor da revista Architectural World entrou em contato com ela na pequena faculdade em que trabalhava, em Maryland, nos Estados Unidos, Ashilley havia ficado entusiasmada. Toda a comunidade arqueológica estava excitada com a descoberta de uma tumba datada da época dos faraóis na longínqua Yahren, já que aquela era a primeira descoberta do gênero que foi do Egito. A múmia e todos os objetos encontrados nas salas funerárias ainda estavam sendo avaliados por especialistas e, portanto, foi um feito notável a Architectural World ter obtido permissão para fotografar a tumba antes de ela ser liberada para exposição.

Roby era editor da prestigiosa revista e encarregou-se da missão. Will seguiu como fotógrafo e Ashilley, na função de arqueóloga, deveria examinar a estrutura das salas e determinar qual teria sido o uso de cada uma delas. A reportagem seria o destaque de um dos próximos números da publicação.

Após deixar a fogueira naquela noite, Ela entrou na barraca e certificou-se de fechá-la com cuidado antes de começar a tirar as roupas. Will parou de tentar partilhar de sua cama, mas ela não tinha dúvidas de que o rapaz não hesitaria em dar uma espiada se encontrasse uma brecha na lona. Vestiu a camisola e desmanchou a longa trança em que prendia os cabelos. Soltas, as mechas loiras caíam sedosas sobre seus ombros, emoldurando as linhas delicadas do rosto de beleza clássica. O tecido fino exibia com perfeição o corpo bem feito e curvilíneo, mas não a protegia da temperatura baixa da noite, e ela não tardou a enfiar-se no aconchegante casulo de cobertores sobre a cama baixa.

Um ruído acordou Ashy no meio da noite. O luar entrando pela abertura da tenda revelou um homem usando o longo traje típico dos árabes. Ashilley sentiu o ódio arder o seu rosto, pensando que daquela vez Will tinha ido longe demais!

Ela sentou-se na cama e puxou o cobertor até o queixo.

- O que você pensa que é? O sheik das Arábias? Se não sair daqui agora mesmo eu vou começar a gritar!

Quando ela estendeu o braço em busca da lanterna, o homem segurou-a pelo pulso. Chocada, Ashy descobriu que não era Will! A pessoa de pé à sua frente era um árabe dos desertos, que ela, às vezes, via a distância. As tribos nômades nunca os haviam perturbado, mas eles tinham sido avisados para ter cuidado quando acampassem em regiões isoladas.

Ashilley saltou o braço e pulou da cama, gritando por socorro enquanto corria para a entrada da tenda. Porém, um outro homem, maior ainda do que o primeiro, bloqueou-lhe o caminho, segurou-a pela cintura e levantou-lhe o queixo, de modo que a lua iluminasse seu rosto amedrontado. Disse algo em uma língua que ela não compreendeu e os dois estranhos riram.

O coração de Ashilley pulava dentro do peito, enquanto os árabes a devoravam com um olhar malicioso.

- Tire as mãos de mim! Eu sou uma cidadã americana, entenderam? - Ao ver que suas palavras não surtiam efeito, ela entrou em pânico. - Eu lhes darei dinheiro ou qualquer coisa que tiver aqui na tenda! Por favor, soltem-me!

O homem que a segurava pela cintura pareceu compreendê-la, mas o alívio de Ashilley durou pouco.

- Nós levamos dinheiro e levamos você, também. - Os olhos dele brilharam ao examiná-la da cabeça aos pés.

- Vocês vão ter problemas se não saírem daqui. Meus amigos têm armas. - "Onde estariam Roby e Will?", ela pensou, desesperada. "Não teriam percebido o movimento?"

Obteve a resposta quando o homem colocou-a sobre o ombro e carregou-a para fora. Roby e Will estavam deitados no chão e amarrados.

- Sinto muito, Ashy - murmurou Roby. - Eles nos dominaram antes que percebêssemos que estavam dentro da tenda.

- Não posso acreditar - ela disse, debatendo-se sem sucesso. - O que vou fazer agora?

- Eles não ousarão machucá-la. Tenho certeza de que vão levá-la apenas para pedir um resgate. - A voz de Roby não parecia muito convicta. - Pagaremos qualquer coisa para tê-la de volta - disse ele aos homens, que o ignoraram.

Ashilley foi atirada sobre a sela de um dos dois cavalos que esperavam. Sem mais uma palavra, os raptores montaram e levaram-na através do deserto.

Aquele foi o início de três dias de ansiedade e medo. Ela foi conduzida ao acampamento dos árabes, um amontoado de tendas que abrigava homens, mulheres e crianças. Uma infinidade de animais domésticos andava entre as barracas. Ao ver o lugar tão calmo, ela sentiu-se mais aliviada. Era certo que eles não a molestariam na presença de suas famílias!

No mesmo instante, os homens juntaram-se em torno dela. Tocaram-lhe o cabelo, sentindo a textura e o comprimento. Depois, tentaram tocar-lhe o corpo, mas Ashilley os repeliu com fúria. Os árabes não insistiram, apenas riram entre si.

Após muita conversa, da qual ela não entendeu nada, Ashilley foi levada para uma grande tenda e entregue aos cuidados de várias mulheres, que pareciam tão interessadas nela quanto os homens. Elas mexiam nos laços da camisola e examinavam um pequeno anel de ouro em seu dedo.

- Eu o darei a vocês se me ajudarem a sair daqui - tentou Ashy, sem ser ouvida.

Deitou-se, imóvel, sobre o tapete que as mulheres lhe indicaram, tentando imaginar qual era sua situação. Talvez Roby estivesse com a razão e aquelas pessoas apenas quisessem um resgate. Se tivessem mais alguma coisa em mente, já a teriam feito, em vez de alojá-la com as mulheres.

Ainda assim, não gostava da maneira como os homens a fitavam. Quem poderia garantir que eles a libertariam depois de receber a quantia que pedissem?

Na manhã seguinte, Ashilley recebeu um kaftã para vestir, o que, pelo menos, permitiria que saísse da tenda para avaliar suas chances. Porém, as mulheres a seguiam por toda parte, sem que ela soubesse se obedeciam ordens ou apenas estavam curiosas. Não podia falar com as pessoas porque ninguém no acampamento compreendia sua língua, exceto o homem que a raptou, cujo nome descobriu ser Akmed, e que havia desaparecido do local. Ele voltou após três dias e parecia satisfeito.

Ashy apressou-se em enfrnta-lo.

- O que vão fazer comigo? Não podem me manter aqui para sempre.

- Você não está feliz? Não se preocupe, irá embora logo. Aquelas palavras, no entanto, não a convenceram. De fato, quando as mulheres a levaram à tenda e começaram a despi-la, ela soube que a situação estava piorando.

Ashilley resistiu como pôde, decidida a não tornar a tarefa fácil para as mulheres.

O esforço, porém, foi em vão, pois minutos depois encontrava-se nua no meio do aposento. Elas, então, a vestiram com calças largas de tecido fino e esvoaçante, presa na altura dos quadris por um cós de lantejoulas que lhe deixava o umbigo à mostra. Um sutiã faiscante completava o traje, expondo grande parte dos seios firmes.

Ashilley olhou para si própria, incrédula. Parecia uma dançarina árabe... ou uma noiva nativa. Seria possível que a fariam se casar com um daqueles homens do deserto? Uma onda de pânico subiu-lhe à garganta, quase a sufocando.

Após lhe pentearem os longos cabelos claros, arrumando-os em torno dos ombros nus, as mulheres fizeram Ashy sair da tenda, colocaram-na sobre uma mesa que havia sido armada no centro do acampamento e se retiraram.

Havia uma atmosfera de excitação entre os homens que se agruparam em torno do palanque improvisado. Os olhos escuros brilhavam com avidez quando eles a examinavam como se fosse uma peça de mercadoria:

De repente, Ashilley compreendeu o que se passava. "Ia ser vendida!", refletiu: os três dias de espera haviam sido necessários para contatar todos os chefes locais. Seria leiloada como uma escrava! Como aquilo poderia estar acontecendo com ela? Olhou os homens morenos que a devoravam com o olhar e sentiu enjoos.

Os lances se iniciaram logo, com os árabes empurrando-se uns aos outros e acenando os braços para chamar atenção. Akmed era um leiloeiro astuto e passava todo o tempo afagando os longos cabelos loiros de Ashilley e apontando para várias partes de seu corpo, para elevar as ofertas.

Todos estavam tão concentrados no leilão que não notaram a aproximação de um retardatário. Olharam-no com surpresa quando ele, montado em um imponente cavalo negro, misturou-se à multidão de compradores. Vestia um caftã de brancura imaculada, em contraste com às roupas puídas usadas pelos outros homens. O kaffiyeh que levava à cabeça, preso à testa por um cordão, escondia grande parte de seu rosto, mas Ashy calculou que ele devia ter cerca de trinta e cinco anos. Os olhos castanhos escuros estavam apertados e sérios.

Embora irradiasse poder e arrogância, havia no recém-chegado alguma tensão ao observar atentamente o grupo que a cercava. Ashilley perguntou-se o que poderia preocupar um homem tão audacioso. Com certeza, não seria medo.

Quando os olhos dele passearam com admiração sobre seu corpo semi despido, ela estremeceu. Não havia dúvida quanto à significação daquele olhar: também veio para participar do leilão. A voz dele soou com determinação ao falar em voz alta na estranha língua nativa.

Capítulo 2 Raptada Outra Vez

O que quer que ele estivesse dito, causou um tumulto de protesto entre os homens reunidos. Akmed, porém, exibia um ar de aprovação e seus olhos brilhavam de ganância ao estender a mão na direção do desconhecido, para receber dele uma pequena bolsa de couro. Ashilley assistiu atordoada à transação, sentindo a realidade fugir do alcance de sua compreensão. Mas, quando o retardatário aproximou-se da mesma e envolveu-lhe a cintura com o braço, ela recuperou a consciência e lutou com todas as forças de que era capaz seu corpo esguio.

- Não pode fazer isso comigo! ― gritou, batendo com os punhos no peito sólido como rocha de seu raptor. O braço que lhe prendia a cintura com firmeza revelava que o esforço era inútil, mas mesmo assim Ashilley continuou a resistir freneticamente.

Ele inclinou a cabeça até encostar-lhe a boca no ouvido.

- Eu aconselharia você a cooperar, a menos que goste da ideia de se tornar um brinquedo nas mãos de um desses homens.

Ashy ficou tão surpresa que amoleceu o corpo. O estranho tirou vantagem do momento para montar e levantá-la até a sela. Mantendo-a presa entre os braços, esporeou o cavalo e deixou para trás o acampamento.

- Você é americano! - ela exclamou. - Mas por quê...

- Mais tarde eu explico - avisou ele, tenso.

A mente de Ashilley fervilhava com perguntas, mas não havia oportunidade de expressá-las. O galope do cavalo tornava a conversação impossível e ela era forçada a segurar-se ao corpo forte do homem que conduzia o animal para manter-se segura sobre a sela. As coxas firmes dele roçavam as suas, deixando-a incomodamente consciente do contato entre seus corpos. A única esperança que a alentava era pensar que o cavalo não poderia continuar naquela marcha veloz para sempre.

Muito tempo se passou antes de chegarem a um pequeno oásis, nada mais do que um agrupamento de palmeiras junto a um escasso gramado. Um nativo com um rifle e um cavalo tomava conta de um velho jipe.

O homem que conduzia Ashy desmontou e dirigiu-se ao guarda.

- Algum problema, Abdbbul?

Ao receber a resposta negativa, ele entregou ao árabe algum dinheiro antes de voltar para junto do cavalo e ajudar Ashilley a descer.

Ela sentia as pernas moles e dores por todo o corpo. Quando ele tentou ampará-la, Ashilley o repeliu.

- Quem é você, afinal?

- Podemos falar disso mais tarde. No momento temos assuntos mais importantes para tratar.

Ele tirou o kaffiyeh da cabeça, revelando os cabelos escuros e uma pequena cicatriz na testa. Ao despir o caftã, Ashilley surpreendeu-se ao ver que ele vestia um calção jeans branco e uma camiseta azul por baixo do traje árabe. Quem seria àquele homem? Por que fingia ser um nômade? As perguntas tiveram que esperar, porque ele já lhe entregava o caftã e a empurrava para dentro do jipe.

- Aqueles sujeitos não ficaram muito satisfeitos quando eu tirei você do acampamento. Acho melhor sairmos logo daqui antes que pensem duas vezes e resolvam vir atrás de nós.

O jipe afastou-se do oásis através do deserto, enquanto Ashilley tentava pôr os pensamentos em ordem. Decidiu que não poderia esperar mais para saber o que estava acontecendo.

- Há alguma razão para você não querer me contar quem é?

- Nenhuma. Meu nome é Taylor Hunter.

Havia um tom de expectativa na voz dele, como se esperasse que ela reconhecesse o nome. Na verdade, Ashy o achou vagamente familiar, mas estava muito preocupada para pensar nisso.

- O que está fazendo em Yahren e como apareceu de repente no meio do deserto?

- Acho muito mais estranho a sua presença naquele lugar.

- Oh, sim foi horrível! Eles me sequestraram, me mantiveram presa por três dias e eu não tinha como me comunicar com as pessoas e descobrir o motivo. Mas parece que você fala a língua deles. Onde aprendeu?

- Passei algum tempo aqui no ano passado. Eles não a molestaram, não é?

- Não fisicamente, mas a ansiedade que senti foi uma verdadeira tortura. Primeiro pensei que eles tinham me prendido para pedir resgate, e quando descobri... Não quero nem falar nisso. Como podem vender um ser humano?

Ele esticou o braço e segurou a mão de Ashilley, transmitindo-lhe uma inexplicável sensação de segurança. Embora nem soubesse bem quem era aquele homem, ela experimentava a estranha impressão de que nada de ruim poderia lhe acontecer enquanto estivesse ao lado dele.

- Eles fazem qualquer coisa por dinheiro. Além disso, você precisa se lembrar de que é uma mercadoria muito valiosa. Loiras de pele clara são uma raridade nesta parte do mundo. E eu duvido que eles já tenham visto alguma vez um par de olhos de um verde tão lindo quanto os seus.

- Está defendendo aqueles sujeitos?

- Não, apenas explicando. - Ele sorriu com ar malicioso e seus olhos brilharam ao fitar o corpo de Ashy, envolto na túnica árabe. - Pensando bem, talvez eu tenha um pouco de inveja daqueles nômades. Há algo de atraente nas sociedades que ainda não foram atingidas pela chamada "civilização".

- Como pode dizer isso? Iria querer uma mulher que você tivesse que comprar?

- Quem sabe? - ele murmurou, rindo ao ver o ar zangado de Ashilley. - Não se preocupe, minha querida, isso nunca aconteceu comigo.

Ela o observou com o canto do olho, pensando que aquele homem nunca precisaria comprar uma mulher. Era mais provável que o problema dele fosse escolher entre as pretendentes. Tinha um rosto bonito e, mais do que isso, interessante e atraente. Dava a impressão de ter sempre vivido com intensidade...e de ter amado muitas mulheres. Ashilley se surpreendeu imaginando que tipo de amante ele devia ser. Terno? Autoritário? Embaraçada, apressou-se em afastar o pensamento.

Foi com alívio que viu uma cidade surgir no horizonte. O longo pesadelo estava quase terminado! Ainda tinha problemas a enfrentar, como descobrir o que havia acontecido a Roby e Will, contatar a revista para receber instruções, arrumar roupas decentes, mas eram insignificâncias em relação ao sufoco pelo qual acabou de passar.

Taylor entrou em uma tranquila rua residencial, estacionou o jipe ao lado de um Mercedes prateado e desligou o motor.

As apreensões de Ashilley retornaram.

- Por que paramos aqui? Preciso de um telefone.

- Daqui a pouco você o terá - ele garantiu, ajudando-a a sair do jipe e entrar no Mercedes.

- Por que estamos mudando de carro?

- Não precisa se preocupar tanto. Mercedes são comuns por aqui e não repararão em nós. Além disso, ele tem a vantagem de ser rápido. Tenho certeza de que posso despistar qualquer carro de polícia.

- Mas por que faria isso? Eu quero ver a polícia!

- Ah, é? - ele retrucou, em tom cínico. Sem lhe dar chance de responder, entrou no carro, fechou a porta e deu a ela o Katieh que usava na cabeça com o caftã. - Coloque isso e mantenha-se abaixada.

- Não! Não obedecerei mais nenhuma ordem antes de saber para onde está me levando.

A expressão de Taylor endureceu.

- Ouça, garota, eu acabei de pagar um resgate milionário por você e faço questão de obter o que vim procurar. Depois disso, pode ir à polícia, se for tola a esse ponto.

O automóvel veloz movia-se pelas ruas desertas. Ashilley já não compreendia nada e sua sensação de segurança havia evaporado, mas, pelo menos, não se sentia tão indefesa na cidade. Sempre poderia pedir ajuda em alguma casa. Encolheu o corpo pensando nas chances de sobreviver se pulasse do carro em movimento.

- Nem pense nisso - avisou Taylor, lendo-lhe os pensamentos. - Mesmo que não quebre esse lindo pescoço, eu posso correr muito mais depressa do que você nessa túnica comprida, Ele tinha razão, admitiu Ashy, afundando-se no banco de couro e desistindo do plano. Era preciso manter a calma e esperar para ver o que iria ocorrer.

Poucos minutos depois, Taylor entrou por um portão aberto em um muro branco que circundava inteiramente uma casa, deixando-a pouco visível da rua. Havia extensos gramados e jardins bem-cuidados diante da residência, uma imponente mansão de pedras rosadas em estilo mourisco.

Quando Taylor a conduziu através do vestíbulo, Ashilley notou que os aposentos abriam-se todos para um pátio interno. Uma fonte azulejada no centro refrescava e alegrava o ambiente e um grande número de vasos de flores e plantas ornamentais perfumava o ar com aromas delicados.

O interior do prédio estava fresco, apesar do calor que fazia do lado de fora. As grossas paredes funcionavam como isolantes naturais. A mobília da sala combinava de modo harmonioso o moderno e o antigo: confortáveis sofás brancos combinavam com os belos tapetes persas que cobriam o assoalho de madeira. Mesmo nas circunstâncias em que se encontrava, Ashilley apreciou o ambiente em que era introduzida.

- Vou lhe mostrar seu quarto - disse Taylor.

- Não vou ficar aqui. Você está sempre prometendo respostas, mas por enquanto ainda não me contou nada. Quero saber com exatidão qual é a sua parte em toda esta história!

- Eu pretendo lhe contar e, em troca disso, espero uma igual franqueza. Apenas pensei que você gostaria de se refrescar primeiro, já que eu estou ansioso por uma ducha. Mas, se prefere conversar agora, por mim está bem.

Ashilley lembrou-se que há três dias não tomava um banho decente e sentia-se suja e suada. Depois de tudo que passou, mais meia hora sem esclarecimentos não faria muita diferença.

- Eu gostaria de tomar banho, se você prometer que depois iremos conversar.

- Eu prometo.

O quarto a que foi conduzida era tão bonito quanto o resto da casa. Uma grande cama coberta por uma colcha de seda rosa era cercada por cadeiras almofadadas e tapetes felpudos no chão escuro.

O interesse de Ashy, porém, concentrava-se no banheiro, em especial no grande chuveiro fechado por um box de vidro transparente. Logo que Taylor a deixou sozinha, ela tirou o caftã e o ridículo traje de dançarina árabe e abriu as torneiras.

Lavou primeiro os cabelos e, depois, ensaboou o corpo esbelto para livrá-lo da areia. Demorou, longos e deliciosos minutos sob a água e apenas quando saiu do chuveiro e enrolou-se em uma toalha lembrou que não tinha roupas limpas para vestir. Era inadequado ter de colocar a túnica suada que acabou de tirar.

Capítulo 3 A Hora Da Verdade

Após pentear os cabelos molhados, Ashilley voltou para o quarto com a vaga ideia de olhar o guarda-roupa. Talvez algum hóspede anterior pudesse ter deixado algo que ela pudesse usar. Antes de cumprir seu propósito, percebeu algo sobre a cama e aproximou-se para identificar o que seria. Encontrou um vestido branco de algodão, e roupas íntimas.

Feliz por ele ter resolvido seu problema, Ashilley pendurou a toalha em um cabide e começou a se vestir. Foi então que se lembrou de que havia deixado a porta do banheiro aberta enquanto tomava banho. "Será que ele a tinha visto?", pensou. Sentiu o corpo todo esquentar diante da possibilidade, mas convenceu a si própria de que aquilo era apenas uma reação da raiva. O vestido lhe coube perfeitamente. Não havia como arrumar sandalias, mas não se importava por ficar descalça. Era um alívio estar limpa e vestida de modo decente. Os cabelos, já quase secos, foram penteados para trás.

Taylor a esperava na sala, vestindo uma calça caqui que moldava os quadris estreitos. A camisa branca de linho estava desabotoada até a metade sobre o peito bronzeado. Ele parecia muito urbano e sofisticado e era difícil imaginar que pudesse ser o mesmo homem que a resgatou no leilão e atravessou o acampamento com ela nos braços.

Ao avistar Ashilley, ele se levantou e sorriu.

- Sente-se melhor?

- Sim. Obrigada pelas roupas limpas.

- Foi um prazer levá-las a você - disse ele, com um sorriso malicioso nos lábios.

Já não havia dúvidas de que ele a viu no chuveiro, pensou Ashilley, sentindo as faces corar.

- Era necessário me espionar?

- Eu juro que não foi intencional. Você deixou a porta do banheiro aberta.

- Porque pensei que estava sozinha!

- Eu não podia saber. - Os olhos escuros de Taylor a observaram com admiração, dos seios firmes às pernas bem delineadas e tornozelos delicados. - Mas não vejo por que você está aborrecida. Não tem nenhum defeito a esconder. Até mesmo aquela pequena mancha rosada em sua... nádega... é charmosa.

- É assim que você pretende me tranquilizar?

- Você não tem que se preocupar, acredite em mim. Nunca violentei uma mulher. Seu problema é que está tensa demais. Que tal um drinque para relaxar?

- Não, obrigada.

- Está com medo que eu tente drogá-la?

- É claro que não! Quer parar de me assustar?

- Não acho que você se assuste com tanta facilidade. - Ele aproximou-se de Ashilley, levantou-lhe o queixo e examinou seu rosto com ar de aprovação. - Você é corajosa, garota. Muitas mulheres estariam profundamente abaladas se estivessem passando por metade das coisas que você enfrentou.

- Não foi tão fácil assim para mim.

- Tente esquecer isso. Já está quase terminado. - Ele acariciou-lhe o rosto com delicadeza. - Apenas dê-me o amuleto e pode voltar para casa.

Os longos dedos de Taylor na pele de Ashilley lhe davam uma imensa sensação de conforto Por um momento, ela teve uma vontade quase irresistível de descansar a cabeça naqueles ombros largos e deixar que os braços fortes a envolvessem em um ninho de segurança. Foi então que registrou as últimas palavras dele.

- Que amuleto?

- Você não vai poder escapar com ele, Ashilley. Será que isso é mais importante que sua liberdade?

- Como sabe meu nome?

- Sei tudo sobre você - Taylor afirmou, com calma.

- Como?

- Greg Watson, o editor-chefe da revista para a qual você está trabalhando, é um velho amigo meu. Quando as coisas se complicaram por aqui, ele me pediu para encontrar você e livrá-la da enrascada. Roby Rikcs telefonou e contou a ele o que havia acontecido.

- Quer dizer que ele está bem! Eu fiquei tão preocupada! A última vez que o vi, ele e Will estavam amarrados e abandonados no deserto.

- Conseguiram se soltar e chegar à cidade, pelo menos Roby. Ele estava mesmo chocado. Telefonou do aeroporto e pegou o primeiro avião de volta para os Estados Unidos.

- Roby não se deu bem com o clima daqui. Posso compreender por que ele deixou o país, mas por que o sr, Watson não chamou a polícia depois do telefonema de Roby?

- Infelizmente, ele chamou. --Ashy sentia-se atordoada e confusa.

- Por que não devia ter chamado?

- Porque pareceu estranho você desaparecer ao mesmo tempo que o amuleto.

- Que amuleto? É a segunda vez que você fala nisso e eu não sei a que está se referindo.

Taylor observou-a por um longo momento, demorando os olhos no rosto agitado de Ashilley.

- Está bem, vou entrar no seu jogo e contar toda a história, como se você não soubesse de nada. Pelo que me disseram, você foi contratada para fornecer informações sobre a tumba recentemente descoberta.

- Exato. Todos os objetos haviam sido removidos e, portanto, uma pessoa comum não saberia para que as salas funerárias eram usadas. Os reis antigos acreditavam que a morte era uma transição necessária para uma outra vida. Por isso eram enterrados com todos seus bens materiais, incluindo dinheiro e jóias, coisas que eles poderiam precisar no outro mundo. As tumbas eram, na verdade, apartamentos completos. No entanto, sem o mobiliário é necessária a presença de um arqueólogo para interpretar as pinturas e sinais gráficos na parede e identificar a função de cada aposento.

- Muito interessante. Essas tumbas são muito escuras, não é? Acredito que até um pesquisador treinado poderia passar por cima de alguma coisa, mesmo que fosse um rubi encravado em uma peça de ouro que, após todos esses milênios, já devia estar sem brilho. Um amuleto como esse valeria uma fortuna.

- Está dizendo que esse tal objeto foi encontrado e depois perdido?

- Não, estou dizendo que você e seu parceiro Will Kennet o encontraram e agora estão tentando vendê-lo. O erro estúpido, porém, foi oferecê-lo para venda aqui em Yahren. O governo não gostou de ver seu tesouro nacional em mãos alheias.

Ashilley ficou um momento em silêncio, tentando dar sentido às palavras que ouvia.

- Se existe mesmo essa peça, só agora ouvi falar dela. Nunca vi esse amuleto!

- Não vai adiantar, Ashilley. Apenas você saberia o valor de tal descoberta.

- Que adiantaria para mim? Fui raptada, lembra-se?

- Isso deve ter sido um acidente previsto nos planos originais, mas não altera os fatos. Você não desistiria do amuleto com facilidade, mas poderia estar guardando a peça para usar como um último recurso: sua liberdade em troca do amuleto.

Ashy sentia-se atordoada e tentava afastar o pânico para poder raciocinar melhor.

- Você disse que Will ofereceu o objeto para vender. Como poderia fazer isso se eu estivesse com o amuleto?

- Ele ofereceu o objeto, mas não mostrou a mercadoria. Talvez esteja tentando dar um golpe. Com certeza, sabe bem como é o amuleto e pode fazer sua descrição soar autêntica. Porém, logo que Will começou a falar, a notícia de que um valioso ornamento antigo estava sendo vendido no mercado paralelo espalhou-se depressa. O governo tomou conhecimento e agora toda a polícia está atrás de você e de seu companheiro. Não poderá sair do país, minha querida, a não ser que se torne invisível. Sua única chance é devolver o amuleto.

Ashilley sentiu as pernas trêmulas e teve que sentar-se no sofá. Como Taylor poderia pensar que ela, uma arqueóloga, privaria o mundo de um tesouro como o que descreveu? Lembrou-se, então, do estranho comportamento de Will no dia anterior ao ataque dos nômades do deserto. Ele havia feito várias perguntas a respeito de ornamentos antigos e as razões pelas quais esses povos esculpiam em pedras preciosas. Foi a única conversa amistosa que tiveram e Will parecia entusiasmado pelo assunto. O motivo acabava de ficar claro para Ashilley.

Os olhos de Taylor suavizaram-se ao notar que ela tremia, mas suas voz continuou seca.

- Se você está com ele ou sabe onde se encontra, é melhor me dizer.

- Eu falei a verdade. Sei que não existe qualquer razão para acreditar em mim, mas eu nunca soube desse amuleto antes de você me falar dele.

Ele enfiou as mãos nos bolsos e a observou com atenção

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