Um dia especial se iniciava, Emília estava rodeada por seus amigos e familiares comemorando seu décimo nono aniversário. Sua mãe havia encomendado seu bolo favorito e seu namorado Lucas estava prestes a chegar. Tudo estava perfeito e Emília não poderia estar mais feliz.
De repente, uma sirene tocou longe, mas logo o som foi ficando mais alto. O pai de Emília ficou em estado de alerta, enquanto sua mãe corria para o outro lado do quintal e abria a grande porta no chão. Emília ficou confusa com toda aquela situação. Gritos podiam ser ouvidos vindos da rua, mas antes que Emília pudesse ir até eles e entender o que estava acontecendo, seu pai a puxou pelo braço, a levando até o abrigo.
― Pai, o que está acontecendo? ― Emília perguntou enquanto era arrastada. Atrás dela, seus amigos pegavam seus aparelhos celulares para buscar informações. ― Pai! ― Emília gritou e seu pai olhou para ela, seu rosto pálido a assustou.
― Eu explico lá dentro, agora entrem. ― Roberto, o pai de Emília, disse apressado.
Assim que o pai de Emília fechou as pesadas portas de madeira, todos ficaram em silêncio. A tensão era grande de mais para falarem. Sons pesados soavam sobre eles, como batidas ritmadas que faziam as paredes do abrigo tremerem. Emília se agarrou ao braço de sua mãe até que tudo ficou em silêncio.
― Parece que já se afastaram. ― Roberto disse, sentando em uma cadeira dobrável e respirando fundo. Emília se aproximou, ficando de joelhos diante do seu pai.
― Quem se afastou? O que está acontecendo, papai? ― a voz de Emília estava trêmula, o medo já a estava dominando, assim como a todos que estavam naquele abrigo.
― Minha filha, achei que você nunca teria de passar por isso. Trabalhei por tantos anos para que essa guerra nunca acontecesse. ― Roberto falou pesaroso. Todos os olhares se voltaram para ele e Emília, então o celular de um dos amigos de Emília começou a soar uma mensagem de emergência.
― Alerta de emergência! Ataque de Lobisomem! ― Todos se reuniram ao redor do celular, menos roberto, que ficou sentado de cabeça baixa. ― Este é um chamado de emergência para todos os habitantes das cidades agora sob o ataque de lobisomens. Abriguem-se, não saiam de suas casas sob nenhuma circunstância; não confie em estranhos, qualquer um pode ser um lobisomem disfarçado; use meios de comunicação seguros para manter-se atualizado. As autoridades estão trabalhando para controlar a situação. Unidades especiais foram convocadas para acabar com essa ameaça. ―
Assim que a mensagem foi finalizada, um som ecoou dentro do abrigo. Roberto se levantou e olhou para sua esposa e filha, lágrimas enchiam seus olhos ao saber o que o esperava e que sua sobrevivência não era garantida. Ele puxou o pequeno aparelho de seu bolso e apertou um botão vermelho. Todos estavam tensos, olhando uns para os outros em busca de qualquer tipo de explicação.
Roberto abraçou forte sua esposa Karol, como se fosse a última vez que sentiria o calor de seu corpo. Então ele segurou os ombros de Emília, lembrando do pequeno bebê que foi colocado em seus braços a exatos dezenove anos. Muitas famílias dependiam dele e de sua equipe naquele momento.
― Fiquem aqui até que alguém venha buscá-los. Tem comida e água suficiente para três meses. ― Olhares apavorados caíram sobre Roberto, que sorriu de forma triste.
― Isso só pode ser uma piada de mal gosto. ― um dos rapazes, amigo de escola de Emília, disse. Sua voz estava trêmula, mas ele tentava manter o controle, acreditando que tudo aquilo era um completo absurdo. ―Lobisomens não existem.
― Eu queria que eles não existissem. ― Roberto disse, caminhando até as escadas que davam para a saída. ― Não saiam desse abrigo.
Com aquelas palavras, Roberto saiu do abrigo. Os sons de gritos e explosões entraram no abrigo e todos se afastaram.
As horas passaram, Emília tentava entrar em contato com Lucas, mas não teve nenhuma resposta. As notícias ainda eram confusas, mas todos diziam o mesmo. Lobisomens saíram das florestas e começaram a atacar as cidades. Após alguns poucos dias, países já haviam sido tomados, humanos que não conseguiam escapar eram mantidos como escravos.
Dentro do abrigo todos estavam cansados do confinamento. Uma das amigas de Emília não estava mais suportando ficar trancada, enquanto todos descansavam ela abriu a porta do abrigo para ver como tudo estava.
A casa de Emília estava destruída, árvores haviam sido arrancadas e carros estavam completamente queimados nas ruas. Não havia nenhum som, apenas o vento soprando e sirenes ao longe.
Antes que a jovem pudesse perceber, uma figura grande surgiu diante dela. Um lobo de pelos cinzas do mesmo tamanho de um carro, seus olhos amarelos a encaravam. Assustada, ela correu de volta, escorregando e rolando pelas escadas. Todos acordaram assustador e ao perceberem a porta aberta tentaram se esconder, mas já era tarde.
As mulheres foram acorrentadas juntas e levadas para um grande caminhão militar. Homens e mulheres com traços fortes e ferozes, eles tinham olhos de cores incomuns e caninos proeminentes. Emília ainda achava difícil acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo. Karol mantinha sua cabeça baixa, evitando olhar para qualquer um. Ela sabia que, se aqueles lobisomens haviam conseguido chegar até seu abrigo, significava que seu marido e a equipe dele haviam falhado em sua missão. A dor em seu coração era absurda, mas Karol precisava se manter firme, principalmente por sua filha.
Confusas e com medo, as meninas sentaram-se juntas, chorando baixinho enquanto o caminham rodava pela cidade recolhendo mais prisioneiras. Nas ruas, alto-falantes informaram que todos os humanos deveriam se apresentar imediatamente, caso tentassem fugir seriam executados imediatamente. Emília se atreveu a olhar em volta, constatando uma destruição sem precedentes da cidade em que nasceu e cresceu.
Algumas mulheres no caminhão começaram a se agitar, então Karol puxou Emília e suas amigas para mais perto. ― Suas bestas malditas! ― uma mulher gritou, seu rosto banhado de lágrimas após descobrir que seu marido e filho, que foram convocados para a guerra, não haviam sobrevivido. ― Por que não ficaram no buraco sujo que sempre viveram? ―
Uma mulher lobisomem se aproximou, sua presença era tão forte que todos se encolheram enquanto ela se aproximava da mulher que havia gritado. Seu corpo era tomado por tatuagens e cicatrizes, seus olhos dourados transmitiam sua raiva pelos humanos, um sentimento que ela carregava desde jovem, quando seu pai e irmãos foram massacrados pelas forças especiais, enviados para aniquilar qualquer criatura que atravessassem seu caminho.
― Seu hálito podre está me dando náuseas. ― a mulher lobisomem segurou o rosto da mulher humana, cravando as longas e afiadas unhas na carne da humana. ― Melhor calar a sua maldita boca antes que eu arranque a sua língua.
O caminhão parou, a mulher lobisomem saiu arrastando a mulher, ainda presa em suas longas unhas.
― O que está fazendo Nora? ― Ryker, um lobisomem forte com longos cabelos brancos e olhos vermelhos, se aproximou. ― Kaiser foi claro quando mandou que nenhuma fêmea deveria ser ferida. ― Nora soltou a mulher, levada para a fila, que já se formava diante do caminhão.
As mulheres estavam apavoradas, Emília se agarrou a sua mãe com força ao se ver cercada por todas aquelas criaturas. Seu destino era incerto, o medo de não saber o que seria feito com ela, sua mãe e suas amigas crescia a cada paço. Dois homens se aproximaram e começaram a separar as mulheres em dois grupos. Karol foi puxada e levada com outras mulheres mais velhas para outro caminhão, que partiu imediatamente.
Os olhares de mãe e filha não se desconectaram até que o caminhão estivesse muito longe. Karol conhecia o destino que a esperava, ela conhecia as mulheres que estavam com ela naquele caminhão. Todas eram esposas dos membros das forças especiais. Karol chorou em silêncio até que a dor, medo e tristeza se mesclaram e ela já não sentia nada.
Emília e suas amigas foram levadas para dentro do prédio que antes fora o museu da cidade. Suas obras estavam destruídas, espalhadas pelo chão. Móveis destruídos por toda parte. Em alguns lugares havia manchas de sangue que fizeram Emília tremer.
Todas as jovens estavam alinhadas, algumas pareciam mais jovens do que Emília. Uma a uma, foram levadas para uma sala, algumas saiam e outras não. Então a vez de Emília chegou. Ryker puxou as cordas que prendiam suas mãos, a fazendo tropeçar. Dentro da sala havia uma grande mesa de madeira escura, diante dela, apoiado de forma casual, estava Kaiser, o Rei Alpha.
Kaiser era um lobisomem forte, o mais poderoso dentre todos. Graças a sua inteligência e ferocidade, o ataque aos humanos havia se tornado um grande sucesso, o tornando o Rei Alpha daquela nova era que se iniciava. Quando Ryker lhe disse sobre a leva de humanas que havia sido encontrada, Kaiser se viu curioso, afinal nunca havia entendido como criaturas tão pequenas e fracas poderiam ser atraentes para alguns lobisomens. Emília, que tremia dos pés a cabeça, traduzir exatamente o que Kaiser imaginava, mas ele também percebeu algo diferente naquela pequena humana. Emília o olhou com ressalvas, tentando ser discreta, mas Ryker empurrou sua cabeça para baixo. Kaiser não disse nenhuma palavra, apenas fez um sinal com a mão para que Ryker levasse Emília junto as outras que ele havia escolhido. Emília, a partir daquele momento, se tornou a escrava do Rei Alpha.
Cansada, com fome, o corpo dolorido pelo transporte precário fornecido, Emília estava sozinha. Suas amigas haviam sido mandadas para outros lugares, enquanto Emília foi direcionada para uma grande e bela mansão junto a outras jovens com as idades aproximadas das dela. Todas estavam assustadas, ninguém ainda entendia completamente o que estava acontecendo e nem qual seria o futuro a partir daquele momento.
Os dias passaram, Emília já havia se adaptado a rotina daquele estranho lugar. Todos os seus pertences haviam sido levados, inclusive seu celular, a deixando completamente no escuro com relação a notícias. As roupas fornecidas eram simples, camisetas brancas e calças jeans.
As mulheres trabalhavam como empregadas, arrumando a mansão e limpando tudo. Algumas tentaram escapar, tentando usar a noite como cobertor, mas era inútil. Emília aprendeu muito rápido com essas jovens que fugir era se condenar a morte. Tudo o que ela precisava fazer era manter a calma e trabalhar em silêncio. Os lobisomens machos eram extremamente assediadores, soltando piadinhas para todas as mulheres que viam. Aquelas que possuíam um cheiro forte, mostrando que estariam em seus períodos mais férteis, eram as mais assediadas.
Por estar mais relaxada com a sua situação, a personalidade de Emília começou a se mostrar. A falta de paciência com mulheres que passavam grande parte do dia chorando pelos cantos. Quando acontecia dela ficar responsável por alguma área da mansão com uma dessas mulheres, Emília se afastava. Ela preferia ser vista como uma pessoa fria, do que chamar atenção desnecessária sobre si.
Em um desses momentos, quando sua companheira começou a chorar, dois lobisomens se aproximaram delas. A jovem ficou apavorada, pois ela já havia presenciado como os lobisomens tomavam as mulheres. A jovem começou a tremer e se apoiou em Emília para não cair no chão.
― Que gracinhas, tão pequenas.― um dos lobisomens falou, passando a língua pelos lábios. Ele olhou para Emília de forma lasciva, analisando seu corpo. Emília se enfurece imediatamente.
― Pequeno deve ser seu cérebro, se não percebeu que estamos tentando trabalhar e você sujaram tudo com suas patas nojentas.― os dois lobisomens olharam para Emília em choque. Nunca tinham tido aquele tipo de resposta vinda de uma mulher humana. O desejo deles cresceu, junto a curiosidade sobre aquela fraca criatura.
Um dos lobos, cego pelo desejo, segurou o braço de Emília com força, a puxando para perto. ― Vamos ver se vai conseguir falar tanta merda quando eu enfiar o meu...―
― O que está havendo?― a voz de trovão de Kaiser dominou aquele estreito corredor.
Kaiser olhou todos naquele lugar, os lobisomens baixaram suas cabeças em respeito, mas por dentro eles estavam em pânico, pois haviam tocado na propriedade do Rei Alpha. Emília se manteve de pé enquanto a jovem apavorada se jogou no chão, desejando em seu íntimo sair com vida daquele encontro. Ao erguer seus olhos, Emília ficou admirada ao ver a beleza de Kaiser pela primeira vez. Kaiser percebeu o olhar de Emília e voltou sua atenção para ela, que desviou o olhar envergonhada por ser pega o analisando. Kaiser observou a postura de Emília, sua estrutura e então sentiu o cheiro que emanava dela.
― Saiam.― Kaiser ordenou. Imediatamente os lobos deram a volta e partiram sem dizer nada, apenas gratos por escaparem daquela situação.
A jovem se levantou e Emília estava pronta para partir com ela, mas Kaiser segurou seu braço a impedindo de escapar. ― Você vem comigo.
Enquanto Emília era levada por Kaiser até o seu escritório, a jovem fugia correndo de volta para a cozinha, contando para todas que estavam presentes que Emília havia sido levada pelo Rei Alpha.
O escritório de Kaiser havia sido modificado para ser mais confortável para ele, que tinha uma estrutura física grande, com um corpo musculoso e estatura acima da média, mesmo entre os lobisomens. Kaiser estava no auge de seu poder, aos trinta anos já havia conquistado várias alcateias. Ao conquistar a vitória para seu povo, foi escolhido dentre todos os alphas como o único rei, após vencê-los em batalha e mostrar sua superioridade.
Ao se sentar na cadeira, Kaiser apontou para a cadeira diante da mesa, mas Emília se manteve de pé diante dele. Emília não queria ser tratada como inferior, ela poderia ter se acostumado, mas não aceitava completamente sua situação. Após ter sido tratada de forma tão truculenta pelos lobisomens no corredor, Emília decidiu que não aceitaria mais aquilo. Ela não tinha nada a perder e Kaiser podia ver a decisão que Emília havia tomado dentro de seus olhos.
― Você entende a sua situação, humana?― Kaiser perguntou enquanto se reclinava em sua cadeira.
― Eu seria uma idiota se não entendesse.― Emília disse e Kaiser riu. Uma risada que deveria lhe causar medo, mas as vibrações que cresciam dentro de Emília eram completamente diferentes.
Enquanto caminhava pelo escritório, observando com atenção a detalhes, como pinturas e objetos decorativos, ela notou em um canto, uma vitrola e uma caixa com vários discos. Kaiser observava Emília com cautela, sem jamais baixar a sua guarda diante de um humano. A forma que Emília se movia o hipnotizava, seu jeito se caminhar e como ela estendia seus dedos para tocar as superfícies que mais chamavam a atenção dela.
― Você gosta disso?― Kaiser perguntou enquanto se levantava e ia até onde Emília estava. Emília ficou surpresa com a aproximação de Kaiser, mas tentou se manter impassível perante sua presença.
― E quem não gosta de música? ― Emília perguntou se virando e tomando uma certa distância de Kaiser.
― Eu não gosto.― Kaiser disse pegando um dos discos e o girando em suas mãos. ― É um barulho desnecessário, que apenas nos faz perder o foco e confunde a percepção ao nosso redor.― Emília o olhou confusa. Kaiser sabia que uma humana jamais entenderia como o barulho das músicas que eles produziam feriam a audição de um lobisomem.
― Bem, eu adoro. Uma pena que não é permitido que escutemos dentro da mansão.― Emília se vira e então Kaiser está sobre ela, as mãos apoiadas na parede, a prendendo. Emília se sente intimidada por Kaiser, que sorri ao ver aquela pequena humana impressionada com sua presença de Alpha. ― Eu não tenho medo de você.― Emília tentava manter sua voz sem emoções, mas seu corpo tremia e Kaiser notou isso.
Kaiser se aproximou, tocando seus lábios na orelha de Emília, a fazendo sentir os pelos de seu corpo se arrepiando. ― Mas eu não quero que você tenha medo de mim.
A personalidade de Emília era diferente de tudo com o que Kaiser estava acostumado. Uma mulher humana não lhe devia respeito e nem submissão, diferente das lobas que o cercavam. Nenhuma loba podia rejeitá-lo, se ele escolhesse uma para ser a sua companheira, ela não poderia dizer que não, bem diferente do que acontecia com Emília.
Os constantes encontros com Kaiser já estavam deixando Emília irritada, ela sabia que não eram coincidências e sempre o ignorava em suas investidas. Kaiser gostava daquela jogo, de precisar cercar sua presa até que ela ficasse cansada e finalmente ele pudesse atacar. Emília não se deixava intimidar por sua presença e poder, também não se deslumbrava com seus status e força, mas Kaiser sentia que sua aparência física a atraia. Sempre que percebia uma brecha, Kaiser se aproximava sorrateiro, pegando Emília com sua guarda baixa e tirando delas as reações mais diversas. Quando Kaiser chegava muito perto, Emília conseguia sentir seu cheiro tão natural e limpo, como o de grama recém-cortada.
Em uma tarde, quando Kaiser estava apenas passando em direção ao seu escritório, se deparou com Emília. Ela olhava pela janela de forma sonhadora, pensando como e onde sua mãe e suas amigas estavam, se estavam se saindo bem e se algum dia elas se encontrariam novamente. Emília respirou profundamente e percebeu o característico cheiro de Kaiser, que se aproximava lentamente dela, observando com cuidado a reação de seu corpo diante de sua presença.
― Parece que você está com bastante tempo livre. ― Kaiser disse se inclinando e cobrindo Emília, que apenas lhe deu as costas e continuou a varrer o longo corredor.
― Estou mesmo, mas não para você. ― Emília deu um paço, se afastando, mas Kaiser segurou sua mão a detendo.
O toque suave da grande e quente mão de Kaiser surpreendeu Emília. Kaiser se inclinou um pouco mais e beijou os dedos de Emília, que tremeu com o contato dos macios lábios de Kaiser contra a sua pele.
― É mesmo uma pena, eu adoraria ter a sua ajuda em um assunto. ― Kaiser passou a língua nos dedos de Emília, que puxou a mão sentindo seu rosto esquentando. Kaiser sorriu ao ver que obteve a reação que desejava de Emília, cujo coração batia de forma frenética em seu peito.
― Não faço ideia de como eu poderia ser de alguma ajuda em qualquer coisa. ― Emília disse voltando a ficar de costas para Kaiser, tentando esconder seu nervosismo, mas era inútil. Kaiser conseguia sentir as leves mudanças no cheiro de Emília, seu nervosismo e excitação dominavam o olfato de Kaiser, que passou a língua por seus longos caninos.
― Venha comigo. ― Kaiser disse passando por Emília e seguindo na direção de seu escritório, porém ela não o seguiu como esperado. Emília permaneceu no mesmo lugar, irritada com a falta de educação vinda de Kaiser. Em sua mente, mesmo que ela fosse sua prisioneira, ele não tinha nenhum direito de mandar nela. Kaiser se virou e olhou irritado para Emília, que se manteve imóvel. ― Eu mandei vir comigo.
― Mandou, mas quem foi que te disse que eu quero ir com você? ― Kaiser ficou chocado com a respostada de Emília, que precisou respirar fundo algumas vezes para não rir da estranha expressão no rosto de Kaiser.
Kaiser se aproximou com passos largos, prendendo Emília contra a parede. Emília se sentia minúscula perto daquela criatura tão poderosa, mas jamais permitiria que ele a intimidasse.
― Acho que você ainda não entendeu a sua situação, humana. ― Emília respirou fundo e olhou diretamente para Kaiser, que já estava se contendo para não tomá-la naquele corredor.
― Eu sei exatamente a situação em que estou, por isso mesmo que eu não me importo. ― Emília não sentia medo, também não tinha nenhum tipo de arrependimento ou esperança. Kaiser nunca havia conhecido alguém como Emília antes.
Kaiser colocou sua grande mão ao redor do pescoço de Emília, mas ela não disse ou fez nada, apenas olhou dentro dos misteriosos olhos negros. ― Eu poderia quebrar seus ossos frágeis com um movimento simples dos meus dedos.
― E daí? Eu não tenho um lugar para voltar e nem uma família para me receber. ― Mais uma vez Emília surpreendia Kaiser com suas palavras e sua inteligência. Ver uma mulher tão pequena e frágil possuindo tamanha coragem, comparável aos lobos que o serviam, mexia com a curiosidade do Rei Alpha.
Com um movimento rápido, Kaiser enlaçou as pernas de Emília e a jogou sobre seu ombro, a surpreendendo. Os utensílios que estavam nas mãos da jovem caíram e ela soltou um gritinho de surpresa, fazendo o grande e sério Lobisomem rir e lhe dar um tapa na bunda.
― O que pensa que está fazendo?! ― Emília gritou, mas Kaiser apenas a ignorou e continuou seu caminho para o escritório. ― Me coloca no chão agora! Está me ouvindo?! ― Emília batia com os punhos fechados contra as costas de Kaiser que ria ao sentir as leves batidas contra seus fortes músculos.
Kaiser deu um forte tapa na bunda de Emília, a fazendo gritar de surpresa mais uma vez. ― Apenas fique calada, está chamando muita atenção. ― Emília mordeu o lábio, contendo outra reclamação, o Rei Alpha sorriu e eles caminharam em silêncio.
Dentro do escritório, Kaiser colocou Emília sentada na cadeira e ficou de pé diante dela. Sua estrutura pequena a fazia parecer ainda mais frágil, porém o rei Alpha sabia que aquela humana era diferente de todas as outras. Emília não se deixaria abalar por ameaças ou intimidações, nem mesmo daquela criatura bela e assustadora diante de seus olhos.
O silêncio se prolongou, Emília já estava se sentindo desconfortável sob o olhar afiado de Kaiser. Com seus olhos negros, o poderoso Lycan percorreu o corpo de Emília, sem compreender a atração avassaladora que crescia em seu íntimo. A jovem, que nunca havia tido uma experiência que fosse além de beijos e carícias, se via sendo dominada por desejos primais por aquele lobisomem. Emília de movia na cadeira, tentando conter as estranhas reações que seu corpo estava tendo sob a presença de Kaiser, que percebeu de imediato as respostas da pequena humana a ele.
― Você será transferida. ― disse Kaiser com uma voz sem nenhuma emoção, deixando Emília confusa e apavorada. Um sorriso satisfeito se formou nos lábios de Kaiser, que irritou Emília. Ela se levantou e Kaiser chegou a pensar que ela tentaria agredi-lo mais uma vez.
― Você está de sacanagem com a minha cara? Eu não vou sair daqui. ― determinada, Emília cruzou seus braços, destacando mais seus fartos seios e chamando a atenção de Kaiser.
― Sim, você vai. Será levada ainda hoje para a minha casa. Minha nova casa. ― Kaiser disse pegando um pedaço de papel sobre sua mesa e entregando para Emília, ele agradou com paciência que ela o lesse. A raiva cresceu dentro de Emília ao passar seus olhos pelas poucas linhas.
― Uma empregada particular? Por que não chama do que realmente é? Eu serei a sua puta particular. ― amassando o papel, Emília o jogou contra o rosto de Kaiser, que não pareceu se abalar, mas que, na verdade, estava cada vez contendo mais seus desejos selvagens por aquela humana estranha.
― Você realmente não faz ideia da honra que está recebendo. ― Kaiser segurou o pescoço de Emília por trás, a fazendo girar e parar com o rosto a centímetro do dele. Os olhos deles estavam conectados, os batimentos de Emília estava frenético, seu rosto corado e sua respiração rápida apenas era mais combustível para as fantasias que Kaiser criava em sua mente. ― Assim que sair dessa sala, será levada para a minha casa e vai me esperar chegar, como uma boa prisioneira.
Com um estalar de dedos, dois lobos entraram na sala. ― Podem levá-la e certifiquem-se de que ela não tenha nenhuma chance para fuga. ― Emília riu e empurrou o peito de Kaiser, se afastando do belo lobisomem.
― Já disse, não tenho uma casa para voltar e nem família. Para onde caralhos eu iria? ― a personalidade de Emília se mostrava cada vez mais, como se estar perto de Kaiser liberasse tudo de mais intenso e ruim que vivia dentro dela, o qual tentou esconder por muitos anos.
Ao deixar a sala, Emília foi levada por um carro até o centro da cidade, no caminho ela percebeu que grande parte da cidade já havia sido reconstruída e muitas pessoas caminhavam pelas ruas. Com um olhar mais minucioso e alerta, notou que não eram pessoas, mas todos eram lobisomens. Ela já sabia quais eram as principais características para diferenciá-los dos humanos, mas todo aquele conhecimento de nada valia estando cativa do Rei Alpha. Aquela era a vontade de Kaiser e ninguém iria contra os desejos do Rei Alpha.