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Arcádia: Os Sumos Sacerdotes

Arcádia: Os Sumos Sacerdotes

Autor:: Homunculo
Gênero: Fantasia
Aquele que fora nomeado como O Maior, chegava agora nas últimas páginas de sua jornada. Steven deveria nomear aquele que seria seu sucessor como o Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia. Ao nomear três garotas muito distintas entre si, o mundo questionaria seus atos, dando brecha a Morgana, uma imperatriz de planos ambiciosos e escuros. Além dos conflitos pessoais e protegerem o mundo místico de Arcádia, as três garotas nomeadas então como Clérigos da Magia, disputarão entre si o mais alto e almejado posto dentre os magos.

Capítulo 1 I

Existem poucos eventos tão aguardados para as facções místicas de Arcádia quanto a cerimônia de escolha dos três futuros Clérigos da Magia e quando um ano atrás Steven havia anunciado a data para a escolha destes, um alvoroço tomou conta do mundo místico de Arcádia, milhares de cartas narrando feitos foram enviadas a Steven, muitos líderes místicos, religiosos e políticos deram suas opiniões e muitos mestres indicaram seus alunos, neste último ano seus afazeres como Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia se resumiram na preparação para a escolha de seus três possíveis sucessores, Steven era a mais

de trinta anos o Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia mas o tempo para ele passava muito diferente, apesar de alguns poucos cabelos grisalhos, seu rosto ainda era jovial, uma longa capa vermelha ia dos ombros até seus pés com o símbolo da Tríade do Lobo sobre a mesma, muitos colares eram pendurados em seu pescoço, sua roupa era preta e uma luva branca vestiam suas mãos.

Quando o dia finalmente chegou, na Floresta das Fadas, onde havia sido marcado o local da cerimônia, milhares de fiéis peregrinaram até o local, a expectativa era a maior em milênios pois Steven, considerado o maior dos Sumos Sacerdotes que já vestiram o manto, escolheria um sucessor no mínimo a sua altura. Ao sair do meio do bosque para agraciar a multidão, Steven se surpreendeu com o número abismal de pessoas que vieram prestigiar a celebração, ela se estendia para além de onde a visão pode alcançar, ao seu lado também saindo do bosque o Conselho de Anciões que sempre estiveram ajudando e aconselhando tanto o Sumo Sacerdote quanto os demais líderes místicos, caminharam atrás do mago. Ao fundo do mar de pessoas o sol podia ser visto nascendo, seus raios estavam fracos e ainda não aqueciam aqueles eram banhados por eles.

O chefe do conselho, chamado apenas de Mestre Ancião, deu os parabéns a Steven, que possuía muita estima dentre o conselho por sempre se mostrar alguém sensato e centrado, caminhando até seu lado, falou sem tirar os olhos da multidão.

- Cerimônia após cerimônia o número de fiéis vinha diminuindo e até mesmo nisso você foi pródigo em consertar, até mesmo as facções do extremo oriente vieram lhe prestigiar, caro amigo.

O Mestre Ancião, que como o nome sugere, era um senhor de muita idade, corcunda e com o rosto tão enrugado que não conseguia se distinguir se seus olhos estavam abertos ou fechados, sempre trajando um manto verde e um chapéu longo também verde, ele falava a verdade a Steven, a cerimônia contava com povos que a muito não participavam das cerimônias devido a distância, não apenas os orientais mas também povos negros do sul que vestiam suas típicas roupas ritualísticas com máscaras maiores que seus corpos, os povos da mata do oeste guiados por seus xamãs, até mesmo o Faraó das terras deserticas havia vindo e estes eram apenas alguns dos mais notáveis de Arcádia, o ancião sentia um verdadeiro orgulho de Steven, o homem comentou também que seu antigo mestre, Erwin, também estaria muito orgulhoso de seu aprendiz.

O manto vermelho de Steven começou a balançar enquanto flutuou acima da multidão que se curvou em uníssono, num gesto de respeito àquele que levava o título de O Maior. Com um truque simples, Steven fez sua voz alcançar a todos que estavam ali para ouvir a nomeação.

- Fico feliz que os povos tenham ignorado suas diferenças para virem aqui hoje prestigiar o futuro da magia. Conto com vocês, líderes de seus povos e fiéis e aqueles que um dia serão estes líderes a me ajudarem e futuramente ajudar aqueles escolhidos a manter a paz e o equilíbrio místico em Arcádia, pois o tempo de paz que alcançamos neste último século é apenas o primeiro tijolo de um futuro próspero!

Muitos aplausos foram a resposta da multidão, a maioria aplaudia com vontade respondendo que tinha plena convicção nas palavras de Steven.

- Após analisar os milhares de indicados tenho a certeza de que tive as melhores escolhas graças aos melhores aconselhamentos que todos vocês me deram e o primeiro nome que eu escolhi como Clérigo da Magia é a maga Elaine da grande cidade de Brelas.

Para a maioria que estava por dentro dos assuntos da magia em Arcádia a escolha de Elaine não era surpresa alguma pois seu destaque em comparação aos bruxos de sua geração era enorme, era cogita ainda como a possível melhor sucessora de Steven com potencial a até mesmo o superar.

Steven sentia muita confiança na mesma, pois a indicação por parte dela havia vindo de Lumenon, o Espírito de Arcádia.

Todos os mestres que lhe ensinaram sobre magia tinham a mesma conclusão: Não havia feitiços, bruxaria ou magia que Elaine não fosse capaz de dominar, uma verdadeira prodígio, muitas palmas foram dadas, no local que ela estava na multidão, uma roda foi formada com várias pessoas lhe dando os parabéns, ela era alta e tinha os cabelos encaracolados e loiros, seus olhos azuis eram apagados, assim como Steven usava uma longa capa mas a sua era negra e levava consigo um cajado, ela bateu o cajado ao chão e flutuou até chegar à frente de Steven, curvou a cabeça e, usando do mesmo truque que Steven, fez sua voz ser ouvida claramente por toda aquela imensa multidão.

- Será uma honra ser sua aluna, darei sempre o meu melhor e mostrarei o porquê de ser a melhor escolha para continuar seu grandioso legado.

Alguns poderiam tomar suas palavras como um poço de orgulho e vaidade, mas Elaine tinha confiança e se esforçava muito para que sua auto confiança não se tornasse arrogância. Após o alvoroço se acalmar, Steven então voltou a discursar.

- Minha segunda escolha é a monja Karma, do Templo a Irolic.

Os Monges de Irolic são uma das mais antigas e respeitadas facções religiosas, seus ensinamentos místicos e filosóficos são uma dupla perfeita de atributos para um Sumo Sacerdote da Magia e não houve ninguém que contestou esta escolha. Os líderes mais antigos e sabidos de política sabiam que a escolha de Karma, ao menos no momento, era devido a falta de outro grande nome para se comparar a Elaine e que a mesma havia sido escolhida por se encaixar bem no perfil de Clérigo da Magia, pois dos três escolhidos, apenas um se tornaria o Sumo Sacerdote e os outros dois continuariam em suas funções como Clérigos, servindo como ajudantes e administradores quando solicitado.

Ella era baixa e tinha cabelos curtos como os de um homem e eram lisos e negros, seus olhos verdes e pele negra e reluzente lhe davam uma beleza única, uma batina como a que os monges usam cobria seu corpo e tinha as cores num verde tão brilhante quanto seus olhos e inscrições em Arcadiano Primitivo feitas a ouro por toda a extensão desta. Karma seguiu da mesma forma que Elaine, abriu os braços e flutuou acima das pessoas, se curvou por completo a frente de Steven que seria seu novo mentor, sua escolha era tão bem vista quanto a de Elaine, até mais que a mesma mas seus discursos de agradecimento possuíam claras diferenças.

- Eu sou apenas a representante do Templo a Irolic, espero cumprir bem meu papel, almejando sempre a paz como objetivo final e pondo em prática tudo que aprendi com meus mestres e os demais monges do templo. - Ela carregava humildade e calma em suas palavras.

O mago sorriu, as pessoas abaixo bateram palmas, os sons de alegria e contentamento subiram até os três. O tom foi diminuindo até cessar então Steven voltou a falar.

- Como último nome, escolhi por mim próprio, sem conselho ou orientação, seguindo meus instintos como Sumo Sacerdote, minha já aprendiz, Shura. - O próprio mago ficou apreensivo esperando a resposta que viria da multidão.

Ao invés da chuva de aplausos de confirmações, murmúrios de questionamento e rostos de surpresa tomaram a multidão, Steven já previra a reação da multidão e estava preparado para se manter firme. Até mesmo Shura foi pega de surpresa por sua nomeação, ela era conhecida pela maioria das pessoas como uma espécie de filha de Steven, pois o mesmo havia cuidado dela desde os poucos anos de idade, mas o fato era que ela não era uma maga, Shura tinha os cabelos presos num rabo de cavalo e eram rosas, grandes olhos cor de mel e suas roupas não eram nada tradicionais, usava um short preto muito curto, botas da mesma cor que iam até os joelhos uma camisa muito justa e curta que mostrava sua barriga e uma porção generosa dos seios que tinham uma tatuagem de dragão em seu centro com muitas outras tatuagens espalhadas pelo corpo e diferente do que se espera de um verdadeiro mago, tinha uma espada em suas costas, sua aparência apenas era um ultraje maior aos grupos conservadores de magos e feiticeiros.

Ela que estava no bosque atrás do conselho de anciões, ficando parada por um momento observando, a jovem não tinha ideia de como iria fazer para subir junto dos demais, seu tutor e mestre sabia de sua condição, então com um balançar discreto de mãos ele usou de sua magia para elevar ela do chão até ao lado das duas outras garotas. Apesar de também ter sido pega de surpresa, ela sabia como se portar nessas situações, se ajoelhou na frente de Steven e lhe agradeceu pela indicação, fazendo isto a seu modo.

- É, valeu, eu acho. Já que fui escolhida vou dar meu máximo a, sabe, a aprender magia.

Ela falou e na última palavra encolheu os ombros como se tivesse proferido uma injúria aos próprios deuses na frente de toda aquela gente, e de fato havia muitos, para não dizer todos, que viam aquela nomeação como uma legítima ofensa pois nem mesmo o feitiço de projeção de voz Shura foi capaz de fazer, cabendo a Steven por fazer sua voz ser ouvida por todos ali.

Ao ver que o povo não se acalmava frente a nomeação dos escolhidos, Steven encerrou ali a cerimônia, indo com as três na direção do bosque, cabendo aos Anciões darem explicações a alguns líderes e mestres furiosos por seus alunos, cujo eles consideravam imensamente mais capacitados que Shura, não terem sido escolhidos.

Em meio as árvores ainda era possível ouvir os protestos dos inconformados e era quase impossível não notar que Elaine e Karma observavam Shura a todo momento. Um membro do Conselho dos Anciões chegou ao grupo e disse que o conselho estava convocando a presença de Steven e já esperando por isto, Steven se virou e pediu que as meninas o aguardassem ali, dando um olhar significativo para cada uma delas. Seguindo até uma clareira um grupo com vários Anciões lhe esperava e no centro o Mestre Ancião com uma expressão muito séria e zangada o aguardava, mas Steven não estava intimidado, muito pelo contrário, chegou ao local decidido e relaxado, se curvou em nome do Conselho mas o Mestre Ancião pulou qualquer tipo de formalidade e foi direto ao ponto.

- O Conselho chegou a conclusão que as escolhas devem ser refeitas e reformuladas! - sua voz estava dura e levava uma autoridade cujo o mesmo não tinha.

- Irei refletir sobre as sugestões do Conselho. Existe mais alguma coisa que desejam acrescentar? - o mago falou de uma forma muito calma e serena, que incomodou os membros do conselho.

- Isto vai além de uma sugestão, Steven! Falamos por todos os líderes da magia! Onde você estava com a cabeça ao nomear aquela garota cujo sequer é uma verdadeira maga para a posição de Clérigo!

- Não desejo ser rude mas a nomeação deve ser feita apenas por mim. É uma tradição o Sumo Sacerdote ouvir as diversas opiniões, mas a palavra final é minha.

- Steven, falamos isso para o seu bem e para o bem de todo o legado que o seu título carrega! Isso será uma ponta de dúvida para todas as suas demais decisões. Ninguém no mundo concordou ou concordará com esta decisão!

- E por isto que nenhum deles, se não eu, é o Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia e com todo respeito ao Conselho eu preciso ir pois tenho três aprendizes à minha espera.

Ele se virou de forma abrupta e com um movimento que fez sua capa esvoaçar, dando as costas ao conselho, ele ainda conseguia ouvir os gritos do Mestre Ancião para que retornasse mas Steven o ignorou completamente pois estava decidido a não voltar atrás em suas nomeações.

Capítulo 2 II

Após a discussão com o conselho, Steven levou suas três alunas até sua casa que serviria como morada e base de treinos a elas a partir de agora, o local era um grande carvalho retorcido com uma fenda do tamanho de uma pessoa que servia como porta, mas ao entrar o tamanho era comparável ao de um castelo, muito maior que a árvore que de circunferência já possuía um tamanho consideravelmente grande, o salão de entrada era um grande espaço com estantes forradas de livros, muitas mesas com objetos sobre elas, alguns caldeirões e poltronas espalhadas pelo local, apesar de bagunçado parecia aconchega

nte e a iluminação por uma lareira ao fundo do cômodo dava um ar amistoso ao local.

Steven mostrou os quartos a Elaine e Karma, pois Shura já possuía o dela e deixou as mesmas sozinhas para se acostumarem ao novo local. A noite chegou e Steven se preparava para ir a cama também quando foi parado por Shura no meio do salão que exigia explicações.

- Por que você me escolheu?! - Questionou ela sem rodeio algum, visivelmente alterada.

- Se acalme Shura.

- Me acalmar? Eu não pedi por isso, você decidiu sozinho sem perguntar se eu queria, agora todos vão cair em cima de mim, Steven!

A garota sempre se sentiu culpada por não atender as expectativas de Steven com relação a magia, ela sabia que ele sempre desejou que ela fosse uma grande maga como ele, mas ela não era e agora ele estava pressionando ela frente a toda Arcádia, Steven apenas a abraçou com força, Shura segurou suas lágrimas e se acalmou, devolvendo o abraço, o sentimento fraternal ali envolvido falou maior que toda a frustração que a mesma guardava em si.

- Confie em mim, Shura e o mais importante, acredite em si mesma.

Na manhã seguinte todos acordaram com o nascer do sol, era o primeiro dia delas como Clérigo da Magia, Karma e Shura estavam ansiosas pois não sabiam o que lhes esperava, já Elaine estava ansiosa para colocar em prática todos seus anos de estudo, muito diferente do que todas esperavam a primeira aula foi sobre simbologia arcaica, mais especificamente Arcadiano Primitivo, a origem da magia oral e suas limitações, Karma já tinha um conhecimento muito aprofundado no assunto devido suas lições no templo em que crescera, Elaine não ficava muito atrás da mesma, diferente de Shura que pareceu perdida do começo ao fim da aula.

Durante um intervalo, já no cair da tarde, Shura estava sentada ao lado de Karma no chão pedindo ajuda para entender melhor tudo que Steven havia dito enquanto Elaine praticava sua escrita em Arcadiano Primitivo pois a mesma deveria ser perfeita para o funcionamento de selos, a Toca do Carvalho, que era o nome que a casa havia recebido muito anos atrás, foi então visitada por uma ilustre presença, sem bater na porta ou qualquer aviso, no meio da sala uma forma começou a se levantar em frente a todo mundo, Elaine sabia que se tratava de algum espírito pois os seres físicos não são capazes de se materializar desta forma em qualquer lugar e como previsto por ela se tratava sim de um espírito, mas não qualquer espírito, era aquela que as wicca chamavam de Mãe Natureza, os astrólogos de Cosmo e os magos de Magia. Era uma forma translúcida e imaterial, não parecia homem ou mulher, rios eram suas veias, estrelas seus olhos, ramos seus cabelos e florestas seu corpo, ela era tudo e ao mesmo tempo era um, seu coração era o fogo mas havia algo de estranho nele, parte das chamas eram negras. Ela era tudo, e ainda sim ainda era um, ela era a floresta e o broto, a gota e o oceano, a pedra e a montanha, a formiga e o elefante, a ciência e a magia, ela estava em todos os lugares mesmo sem estar presente, e todos os nomes se referiam a ela, pois ela tudo era. Em sinal de respeito Steven se curvou a mesma e as garotas seguiram seu gesto.

- Irmão. - Sua voz era como uma doce e suave brisa de verão.

- Irmã. - Após responder a mesma, Steven se levantou seguido das garotas.

- Eu venho lhe fazer um pedido. A muito tempo os humanos iniciaram uma caça aos dragões, meus filhos. Mas os humanos extrapolaram e agora estamos à beira de um desequilíbrio, o último ninho de dragão foi encontrado e destruído e agora eles pretendem fazer uma execução pública do último dragão.

- Eu compreendo a calamidade da situação, mas não podemos interferir nos reinos dos homens, podemos apenas lhes aconselhar.

A Magia trocou o foco de Steven para as garotas.

- O equilíbrio precisa ser restaurado, mesmo que seja a força. A execução ocorrerá em três luas.

Com isto a forma imaterial da Magia desapareceu, deixando eles ali, o aprendizado para se tornar o Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia levava muitos ensinamentos práticos e este era uma boa oportunidade aos olhos de Steven para ensinar as garotas como o Sumo Sacerdote deve se portar frente a crises que envolvam os homens, mas assim que Magia saiu, Shura foi a primeira a falar.

- A gente precisa salvar esse dragão.

- Sim – concordou a controlada Karma. – os humanos devem ser respeitados mas também devem saber seu local, não é direito deles se impor perante outras criaturas.

- Karma e Shura, por mais que suas intenções sejam boas, nós não podemos agir apenas baseados em intenções, nós somos protetores e mediadores entre os homens e a magia, não podemos agir de forma agressiva e incisiva com os humanos. Eles têm suas próprias leis e convicções, negar a eles sua liberdade é cruzar uma linha de respeito mútuo.

- Não podemos ficar sentados e ver eles extinguirem toda uma espécie, Stev.

Era uma forma carinhosa de Shura chamar Steven, o que rendeu olhares acusadores por parte de Elaine.

- E não iremos nos sentar. Nós iremos impedir esta execução sem ser necessário o uso da força.

A forma que Steven pretendia cuidar da situação foi da aprovação tanto de Elaine quanto de Karma, para Karma porém esta era apenas uma medida inicial, caso os humanos não aceitassem libertar a criatura o uso da força se faria necessário, Shura era mais radical e num momento a sós com Karma posteriormente confessou a ela que achava que o melhor jeito era "fazer acontecer" com as próprias mãos, o que não foi completamente censurado por Karma. Por mais que fossem completamente diferentes, Karma e Shura acabaram por se darem bem logo de cara, naquela mesma noite enquanto Karma se mantinha em meditação para equilibrar seus chakras, Shura se deitava no chão ao seu lado para conversarem.

- Três noites, a tal da Magia disse, nós temos que salvar aquele dragão.

- Eu concordo, Shura. Mas você sabe ao menos onde ou quem pretende lhe executar?

De fato, para um evento tão importante Shura estranhou que outras autoridades místicas não estivessem fazendo um tumulto devido a situação, de fato, fora do Reino de Arcádia o assunto da extinção dos dragões sequer era conhecido, o que soava muito estranho para Shura.

- Então temos de descobrir isso amanhã, no máximo. Ao menos a tal da magia nos livrou de continuar aquela aula tediosa.

A descontraída Shura foi interrompida pela batida num livro e sua interruptora era Elaine que tentava se concentrar num livro sobre Línguas Antigas mas ouvia de forma involuntária a conversa das duas e tamanha ladainha por parte de alguém que era agora Clérigo da Magia era inaceitável para Elaine.

- De fato para você tais aulas não farão falta, já que é do conhecimento de todos que você é um completo fracasso, mas eu tenho de treinar para assumir o manto de Steven.

- Você quer aprender sobre símbolos? Então estuda o que esse aqui significa.

Ao falar isto, Shura mostrou o dedo do meio para Elaine que ficou ofendida com esta zombaria e deixou a sala para seu quarto batendo os pés e bufando, Karma que desejava se manter neutra não conseguiu segurar uma pequena risada que lhe escapou pelos lábios enquanto Shura caiu na gargalhada até sua barriga doer.

Na manhã seguinte, devido ao atual cenário, Steven decidiu que a aula sobre criação de portais interdimensionais viria bem a calhar, ele convocou as moças e pôs as três em fileiras e lhes explicou sobre a magia que ultrapassava dimensões, era de fato uma das mais complexas e difíceis magias existentes e poucos bruxos eram capazes de lhe dominar, o feitiço seguia a seguinte lógica: O usuário deveria ser capaz de acessar uma dimensão que usaria como canal, esta deveria ser segura para se transitar, mas para fazer isto você basicamente rompia a realidade a sua frente, distorcendo o tempo eo espaço para acessar uma outra dimensão e nesta dimensão o usuário abriria um segundo portal seguindo a mesma lógica anterior mas desta vez para o local da Terra que ele desejasse, devido às inúmeras variáveis este é um feitiço considerado muito perigoso e de alta complexidade e agora seria a hora delas o dominarem.

- Como vocês sabem, devido ao pedido de nossa irmã, Magia, nós iremos hoje mesmo resolver a situação com a execução do dragão. Caberá a vocês abrirem o portal que nos levará até lá.

Elaine estava confiante que seria capaz de executar o feitiço, Karma tinha suas dúvidas em como se sairia, já Shura estava completamente certa em seu fracasso total e absoluto.

- A primeira será Shura, abra um portal para alguma dimensão. - A mesma deu dois passos a frente, levantou as duas mãos a frente e fez o sinal de um círculo com as mesmas, respirando fundo, ela sabia que precisava cortar os fios que tecem a realidade naquele local e foi isto que a mesma fez e para a surpresa de todos, um grande portal se abriu, Steven sorriu e a parabenizou, um alívio tomou conta do coração de Ajuda ao ter consigo realizar este feitiço cujo ela sabia que era de uma enorme complexidades.

Todos seguiram para dentro do portal que se fechou assim passaram e numa nova surpresa, ao passarem o portal Steven rapidamente notou que Shura não havia aberto um portal para alguma dimensão qualquer mas sim para a Sangria, um local perigoso entre as dimensões, logo eles foram envoltos por uma escuridão gelada que parecia lhes consumir vivos, sem pensar duas vezes Steven envolveu todos num campo de luz provindo do amuleto que ele levava em seu pescoço, mas a luz que lhes protegeu também iluminou aquela escuridão revelando o que parecia serem rostos de cadáveres putrefatos que estavam antes lhes abraçando, Shura caiu sentada ao chão em quase desespero e Karma a puxou para perto de Steven que era o centro de luz que mantinha aquelas horríveis formas afastadas.

Notando que Steven estava concentrado em manter aquelas coisas abomináveis distantes e muito surpreso observando atentamente o local, Elaine que tinha um espírito muito proativo estendeu suas mãos e abriu um portal de volta para a Toca do Carvalho onde todos passaram rapidamente, ela o fechou enquanto Steven se ocupava em manter as criaturas longe.

Ao voltar a esta dimensão Karma sentiu-se muito enjoada e quase desmaiou, Shura caiu sentada ao chão pedindo inúmeras desculpas por ter aberto um portal para aquele local, já Elaine prestava atenção em Steven que encarava fixamente o local que o portal havia de fechado, completamente imerso em seus pensamentos.

- Mestre, o que era aquilo?

Demorou até que Steven a respondesse, ele pensava tanto no ocorrido quanto no que deveria contar a elas.

- Sinceramente, eu não sei como Shura abriu um portal para Aquilo. É a Sangria, chamada também de Terra das Sombras Eternas. Em resumo, existe um número quase infinito de dimensões, imagine elas como bolas de borracha jogadas dentro de uma piscina cheia d'água. A Sangria seria como a água, um local que separa as dimensões e as segura no plano da existência.

- Mas por que eu jamais encontrei sequer uma menção a elas em qualquer manuscrito?

Indagou de forma incisiva Elaine notando que Steven estava dando uma explicação muito breve para algo tão relevante.

- Isto é algo que apenas algumas poucas pessoas possuem conhecimento, Elaine. Ainda não é o momento de saberem sobre.

- Em meu templo, nos livros proibidos de Irolic há menções sobre esta Sangria mas todo o conteúdo sobre isto está numa língua que apenas o Dalai, monge chefe do monastério conhece.

- E o que diabos eram aquelas coisas? E como eu abri um portal pra essa tal coisa secreta?

Sinceramente Steven não possuía resposta para nenhuma das duas perguntas e isso lhe incomodava bastante. A Sangria era considerada virtualmente impenetrável desde a época do primeiro Espírito de Arcádia, Irolic, nem mesmo Steven havia conseguido adentrar a mesma e também não havia relatos dos Sumos Sacerdotes anteriores de terem entrado alguma vez nas Terras das Sombras Eternas e além disto, era dito que era um local desabitado, uma existência vazia que não abrigava nada, servindo apenas como estrutura base da existência, ao menos era isto que os Sumos Sacerdotes diziam em seus escritos nas raras menções a Sangria, três hipóteses se formularam na cabeça de Steven, ou os escritos estavam errados, o que abria margem para questionamento de todos os ensinamentos sobre o universo dos antigos Sumos Sacerdotes, ou que era dito como um local desabitado para desestimular eles a tentarem a acessar aquele plano da existência ou até mesmo que o primeiro Sumo Sacerdote havia sido enganado por algum motivo e esta informação falsa havia percorrido geração após geração, sendo algo verdadeiramente mirabolante.

Capítulo 3 III

Receoso com a jornada inesperada até a Terra das Sombras Eternas, Steven decidiu por ele mesmo abrir o portal para Arcádia. Assim que atravessaram o portal para uma dimensão de passagem e após isto voltaram para a Terra, saíram em frente à capital do Reino de Arcádia, um reino relativamente novo mas já de grande relevância.

A cidade era enorme e completamente murada, um grande contingente de homens guardavam a entrada no portão central que era a única entrada para a cidade, o chefe da guarda que estava de prontidão veio lhes receber, era um homem de meia idade com um longo bigode no meio do rosto e sua armadura era inteiramente dourada, muito diferente do resto da guarda que usavam armaduras prateadas, o rapaz se apresentou como Capitão Rogers e disse que a vinda de Steven já era esperada pela Rainha Morgana, o homem ainda disse que com o "show" muitos turistas estavam chegando a cidade, e com show ele se referia a execução pública do dragão que estava marcada para dali a três dias.

Uma carruagem fora chamada para levar os quatro forasteiros para o castelo no qual a rainha se encontrava, era uma carruagem de cor lilás puxada por seis cavalos muito vistosos fora trazido até ali, os mesmos agradeceram a recepção calorosa do Capitão e entraram na carruagem.

Quando passaram pelos portões e finalmente puderam ter algum vislumbre da capital ficaram chocados com o local, a quantidade de pessoas perambulando pelo local era imensa, todas parecendo muito apressadas, não havia criança alguma até onde os olhos de Shura conseguiam ir, o que impressionou Karma era a diversidade étnica do local pois nos estados de Arcádia a maioria dos povos evitava se misturar e tinham suas culturas bem definidas do que é a "cultura de seu povo" e os "costumes de estrangeiros", mas no Reino de Arcádia podia se ver morenos do sul, os rústicos do norte, os desconfiados orientais e muitos outros povos.

Além do povo que era muito diversificado, as construções do local levavam características de todos os cantos de Arcádia, casebres simples de um cômodo com porta e janela ao lado de construções feitas em madeira com alguns andares e de aparência oriental.

Elaine que já havia visitado o Reino de Arcádia em outra ocasião não teve esse choque com uma cidade tão densamente povoada, pelo contrário, ela estava mais interessada em Morgana.

- Você havia avisado Morgana sobre nossa vinda? - ela perguntou se virando para Steven que estava sentado no banco sozinho a frente enquanto as três outras garotas estavam juntas de frente a ele.

- Imagino que ela tenha deixado avisado a guarda para falar aquilo a qualquer pessoa de relevância que viesse à cidade para assistir a execução.

- Como é esta tal de Morgana, Stev? - perguntou Shura tirando os olhos da janela finalmente e se voltando para Steven, levando também a mão na barriga por conta do trepidar da carruagem que estava a deixando enjoada.

- É uma notável feiticeira e alguém que sempre pensa no futuro, o Reino de Arcádia é considerado por muitos o espelho de como os estados arcadianos devem seguir para prosperar.

- Quando nosso templo e o vilarejo em que ele era situado passaram a fazer parte de Arcádia, as condições de vida dos aldeões em geral melhoraram em muitos aspectos.

- Então ela parece ser muito legal! – Falou de maneira sonhadora a jovem Shura, com esperança de que se Morgana fosse uma mulher tão sábia quanto lhe atribuiam ela lhes ouviria e não seguiria em frente com tal barbárie de executar o último dragão, a espécie que no passado foi por tanto tempo o símbolo de Arcádia.

Quando a carruagem finalmente parou e a porta se abriu foi possível ver um castelo que era tão magnífico e grandioso quanto o resto da cidade, era mais de um quilômetro de pura construção, não havia muros separando o castelo da rainha do resto da cidade, tão pouco havia guardas no local, as únicas pessoas que eram vistas se tratavam de criados.

Um dos criados lhes recebeu na descida da carruagem e lhes guiou para as escadarias que davam num portão aberto, ao entrarem no castelo o primeiro cômodo era um salão enorme com muitos lustres e colunas, um tapete vermelho que corria pelo local e dava até um trono simples que estava vazio no momento, ao lado dele uma mulher de cabelos castanhos encaracolados e os olhos vermelhos observava a chegada dos três com um sorriso nada amigável no rosto. Era Katherine, a general das forças externas do Reino de Arcádia, lá ao longe ela cumprimentou apenas Steven, parecendo ignorar as três, o que ofendeu Elaine.

- A Rainha deseja falar com você a sós, Steven. - Após falar isto, a mesma pediu que Steven lhe acompanhasse e ele a seguiu, os dois conversaram rapidamente por menos de um minuto antes de chegarem ao quarto de Morgana que era onde a mesma esperava por Steven, Katherine deu o sinal para que o mesmo entrasse sem bater a porta pois a rainha já estava lhe esperando, o mesmo abriu a porta com cuidado e adentrou ao cômodo, Morgana estava sentada em frente a uma penteadeira se observando no espelho, seus cabelos negros iam até o chão, os olhos eram lilás e penetrantes, dizia-se que se a Rainha olhasse em seus olhos por um certo período de tempo era capaz até mesmo de você desmaiar, o vestido levava a cor dos olhos, seu nariz era arrebitado e pontiagudo, era uma mulher que parecia bela mas a sensação que ela passava a todos jamais era de atração mas sim de um frio incomum e desconfortável, havia a lenda de que homem algum era capaz de se deitar com ela e sobreviver a seu toque, por isto a Princesa Blue era órfã por parte de pai. Ela sorriu ao ver Steven pelo reflexo do espelho.

- O que trás o Sumo Sacerdote da Magia de Arcádia ao meu nobre reino? - Perguntou ela com um sorriso sarcástico no rosto.

- Você sabe que jamais fui contra seus ideais progressistas mas uma execução pública vai além dos limites toleráveis, Morgana.

- É apenas um animal, Steven. - ela sabia que isso mexeria com o mago, por isso falou usando um tom extremamente adocicado.

- É um ser ancião destas terras e o último de sua espécie! - seu tom de voz se elevou um pouco, devido as relações do passado está mulher mexia com ele.

- E representa o fim de uma era e o início da era dos homens e eu serei a iniciadora desta revolução e sei que você não pode interferir nos assuntos de nós humanos.

Ela falou de uma forma exageradamente despretensiosa e Steven sentia o ardor velado de suas palavras.

- Mas os demais reinos irão, a própria Magia pediu para que viesse aqui hoje, não demoraria até os demais estados se cansarem de seus métodos extremistas.

- Então eu terei de ser mais persuasiva em minha demonstração de poder.

- Por favor, Morgana, poupe o dragão.

- Isto está fora de cogitação, Steven, a não ser que você tenha outro pedido a fazer, lhe convido a se retirar do meu quarto.

Frustrado com as respostas de Morgana, Steven lhe deu as costas e foi em direção a porta, quando sua mão tocou a maçaneta, Morgana fez seu último comentário dirigido a ele.

- Eu sei que você não desistiu ainda, Steven.

De fato, Morgana sabia como inflamar alguém, Steven poderia não saber as reais intenções dessa ardilosa mulher mas estava ciente que se retirasse o dragão dali a força com suas próprias mãos causaria um incidente diplomático muito grande e sua credibilidade devido a nomeação de Shura como Clérigo da Magia estava muito abalada no momento o que de certa forma deixava suas mãos atadas.

No salão de entrada, onde estavam Shura, Karma e Elaine, no momento em que Steven deixou o local Shura se virou para suas colegas.

- Eu vou dar uma olhada por este castelo!

- E eu estou curiosa para ver mais desta cidade - confessou Karma.

- Devemos esperar aqui! – protestou Elaine contra a impertinência das duas, mas já dando as costas e seguindo para o cômodo contrário ao qual Steven seguiu, Shura a respondeu.

- Ninguém falou que deveríamos esperar aqui.

Seguindo o exemplo de Shura, Karma deu de ombros e foi para fora do castelo, apenas Elaine permaneceu no local.

Andando por alguns corredores e passando por diversos criados que pareciam ignorar completamente a presença de Shura, ela perambulou até sair num dos jardins laterais do castelo, havia ali uma moça parada com os braços cruzados, seus cabelos eram lisos e pareciam ser muito longos mas estavam presos num coque e a porção que não estava presa no coque serpenteava em pequenas presilhas espalhadas por sua cabeça. Seu vestido era da mais nobre seda, os olhos eram do mais belo azul e a face era a de uma garota que devia ter recém completado seus quinze anos, ela se virou assim que Shura se aproximou dela, aqueles olhos azuis a percorreram de um modo inquisitivo.

- Então mamãe estava certa, o Sumo Sacerdote veio e trouxe seus pets.

- Pets?

- Sim, pets.

- Escuta aqui, quem é você sua nariguda?

- Eu sou Blue, a princesa do Reino de Arcádia e você é Shura, a primeira Clérigo da Magia na história que não sabe magia, uma verdadeira vergonha e um grande fracasso de Steven.

As palavras daquela garota ferveram o sangue de Shura que queria partir para cima da garota, de fato sua beleza exterior não condizia em nada com sua personalidade, inclusive Shura notava semelhança entre ela e Elaine em seu modo de agir.

- Eu fui escolhida porque Stev vê potencial em mim. - ela falou isso de uma maneira que sua voz saiu quase sufocada como se ela tivesse convencendo a si mesma.

- Esta é a mentira que ele lhe contou?

- Cara, é sério, eu vou quebrar essa tua cara!

E de fato talvez Shura fizesse isto se não fosse interrompida por Elaine que estava lhe chamando em nome de Steven, revirando os olhos e se acalmando, Shura deixou aquela garota para trás.

- Vá balançando o rabinho, pois seu dono está lhe chamando.

Com um sorriso de superioridade Blue deu as costas a Shura e voltou a observar o jardim, Elaine ao ouvir a última frase comentou a Shura assim que a mesma se aproximou.

- Sua amiga?

- Talvez seja sua irmã perdida! – Respondeu Shura de maneira ríspida a Elaine e basicamente a ignorou durante o caminho de volta, Elaine não ligava para como Shura a tratava mas sentiu-se curiosa para saber o que havia ocorrido entre ela e a princesa para deixar Shura nervosa de tal de maneira.

Já Karma saiu do castelo descendo suas escadas e logo após o pátio onde a carruagem havia lhes deixado já se encontrava uma rua extremamente movimentada, ali logo a frente do castelo da rainha. Ela tentou conversar com algumas pessoas dali mas todos pareciam tão ocupados que simplesmente a ignoravam, ela tentou falar com um pouco mais de dez pessoas até que um idoso chegou até ela e pediu para que a mesma a acompanhasse. Ela seguiu o velho até um casebre, assim que adentrou no local o velho caiu de joelhos a seus pés.

- Irmã Karma, você realmente foi a escolhida!

- Perdoe minha ignorância mas eu não lhe reconheço.

- Eu sai do vilarejo quando você ainda era uma mocinha, eu vivia aos arredores do Templo a Irolic! - Karma o ajudou a se levantar e o cumprimentou com um beijo em suas mãos.

- Fico feliz de encontrar um conterrâneo aqui, ancião.

- Este local não é o que parece! Qualquer tipo de fé é extremamente proibida aqui, a magia é um crime com pena de morte!

- Mas isto é inaceitável!

- A rainha leva nossas crianças e às doutrina desde pequenas a odiarem qualquer tipo de religião que não seja o culto a imagem dela, nós que viemos de fora enxergamos a abominação que esta mulher é, mas aqueles que nasceram aqui a tratam como uma deusa, ela controla toda a informação que entra e sai, você precisa reportar isto ao Sumo Sacerdote e salvar estas pessoas, eu lhe imploro, irmã Karma.

- Se acalme ancião, irei fazer algo sobre isto assim que deixar sua moradia.

- Obrigado irmã Karma, obrigado!

Pouco tempo depois que Karma saiu da casa daquele homem, ela jamais soube mas soldados entraram e tiraram a vida daquele rapaz ali mesmo, o ancião sabia que este seria seu destino pois era proibido dar atenção aos estrangeiros, quanto mais levar os mesmos até sua casa, especialmente um Clérigo da Magia, mas o homem aceitou sua morte crente que está ajudaria este povo a ser livre no futuro.

Karma saiu dali decidida a confrontar Steven sobre o que ocorria ali, poucos minutos de caminhada a trouxeram de volta à frente do castelo onde estavam Shura, Elaine e Steven à sua espera.

- Steven, precisamos conversar.

- Se acalme, Karma, teremos tempo para isto.

- Não, Steven, eu tenho... – antes que pudesse concluir sua frase Elaine interveio na conversa dos dois.

- Você está parecendo a Shura, quando tentou abrir o portal, Steven disse depois, Karma! - A forma como Elaine forçou uma fala tão descontraída fez Karma entender que não deveria comentar nada naquele local, afinal não tinham ideia de quem poderia estar lhes ouvindo, até mesmo Shura achou estranho e entendeu que deveria ficar calada naquele momento. Não demorou até o Capitão Rogers, trajado em sua reluzente armadura vir lhes encontrar na saída do castelo, ele deu uma alegre risada ao lhes ver ali.

- Sei que a Rainha deve ter lhes oferecido as melhores suítes de toda a capital, mas seria uma honra se o Sumo Sacerdote e seus Clérigos pudessem passar uma noite em minha humilde casa! Minha pequena Sarah enlouqueceria com isto!

As três meninas se entreolharam por alguns segundos incrédulos que uma oferta destas viria numa hora tão boa pois eles não desejavam ficar no castelo de Morgana. Steven observou aquele rapaz de cima abaixo.

- E quem seria a pequena Sarah?

- Minha filha, a garota mais inteligente e com o sorriso mais belo deste mundo! Ela sempre ouviu muitas histórias do Sumo Sacerdote, conhecer você seria algo que marcaria toda a vida de minha princesinha.

Shura agarrou ao braço de Steven implorando para eles irem até a casa do Capitão, em todo momento ele observou os olhos daquele homem e algo neles que o fez aceitar.

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