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Arrebatados no Amor

Arrebatados no Amor

Autor:: Maddu Nascimento
Gênero: Moderno
Enzo Cooper é o astro que define uma geração: sua voz inconfundível, presença magnética e charme arrebatador conquistam multidões. Para ele, a vida é um palco de momentos passageiros - sem compromissos, apenas diversão. Mas o destino tem planos mais ousados, e o coração de Enzo logo será desafiado de maneiras que ele nunca imaginou. Cristtine Miller, por outro lado, é uma sonhadora que sempre acreditou no poder transformador do amor. Atrás das luzes do showbiz, ela esconde um coração romântico e uma determinação inabalável. Quando seus caminhos se cruzam, ela sente que encontrou o protagonista do seu "felizes para sempre". Mas, em meio a uma paixão avassaladora, Cristtine descobre que o amor, por si só, não resolve todos os problemas. Com egos, segredos e escolhas difíceis no caminho, o romance de Enzo e Cristtine enfrenta turbulências que ameaçam destruir tudo o que estão construindo. Será que eles conseguirão provar que o amor pode vencer, mesmo quando o mundo insiste em separá-los? Prepare-se para se apaixonar, dançar e se emocionar nesta história vibrante de desejo, sacrifício e redenção. Afinal, toda grande melodia tem seus altos e baixos. Entre no ritmo com Enzo Cooper e Cristtine Miller!

Capítulo 1 Maps

CAPÍTULO UM (Enzo Cooper)

Sinto falta do sabor de uma vida doce, sinto falta das conversas. Estou procurando uma canção esta noite, estou mudando todas as estações.

- Maroon 5, Maps

O meu celular vibrava em cima do criado-mudo daquele hotel. Resmunguei palavras incoerentes enquanto, ainda em completo sono, me remexia na cama. Olhei para a ruiva que ainda estava dormindo ao meu lado e em seguida consegui pegar o celular e deslizei para atender.

- Qual foi, Viviane? - perguntei com a voz rouca de sono.

- Enzo, onde você está? – a voz fina e em estresse soou alta.

Senti minha cabeça doer e afastei o telefone da orelha. Meu corpo todo ainda estava adormecido.

- Eu estou no hotel com muito sono e falando com vocêê. – Eu disse, bocejando.

- Enzo, é sério! O seu voo sai daqui a meia hora. – Ela continuava a gritar.

- E para onde vamos dessa vez? - Me levantei da cama indo até o banheiro.

- Amsterdam, Enzo! – ela exclamou, repetindo novamente o meu nome. - Esqueceu que hoje inicia sua nova turnê com a Cristtine Miller?

Soltei a respiração e encarei meu reflexo no espelho.

- Como se você me deixasse esquecer. – Bufei. - Em dez minutos eu encontro vocês no aeroporto. - Peguei minha escova de dentes.

Percebi que Viviane estava prestes a gritar novamente, mas ela hesitou. E seu humor mudou rapidamente. Isso acontecia com frequência.

- Não me diz que você está dormindo com outra fã? - ela indagou rindo alto.

- É para dizer ou não? - perguntei com a boca cheia de espuma.

- Você é tão idiota. – Ela sorriu e desligou.

E era isso que toda mídia comentava sobre mim e sinceramente, eu não me importava nem um pouco.

Naquela geração, eu era uma das "estrelas de maior reconhecimento" das últimas décadas, mas eu não me sentia uma estrela ou nada disso. Eu só fazia o melhor que podia para ver o olhar brilhante de cada fã meu. E eu dividia as coisas em que acreditava e as coisas que sentia usando a arte, transformando em música. E com isso eu me importava. Reconhecimento era só uma consequência.

Eu havia lutado por tudo que conquistei no decorrer desses dezenove anos de carreira. E naquele dia, eu começaria mais uma turnê e dessa vez não estaria sozinho no palco. Mas sim, com a Cristtine Miller. Uma das artistas que também estava naquela colocação.

Assim que eu arrumei tudo o que era meu naquele quarto de hotel, deixei um pequeno recado para aquela menina que dormiu comigo que eu já não conseguia lembrar mais o nome.

Segui para o elevador e fui até o aeroporto. Chegando lá, fui saudado pela Viviane, minha empresária, em todo seu estresse me relembrando do quão irresponsável eu estava sendo. E como melhor resposta, coloquei meu fone de ouvido e entrei no avião.

Uma hora depois estávamos pousando na graciosa Amsterdam e indo ao hotel que ficaríamos por mais uma semana.

- A Cristtine já está aqui. - Viviane comentou ao meu lado logo que passamos pelas portas do hotel com várias pessoas de nossa produção.

- Eu estou vendo.- eu disse quando a observei chegar ao topo daquela longa escada dourada.

Cristtine Miller usava um curto vestido vermelho e estava com óculos escuros. O loiro do seu cabelo reluzia com as luzes da janela à medida que ela descia os degraus da escada.

- E eu vou subir. Acho que vou dormir. – falei com Viviane.

- Enzo! - Ela me repreendeu do jeito que eu sabia.

- Estou brincando, boba. - Beijei sua testa e me afastei.

Comecei a me movimentar, subindo as escadas e me aproximando de Cristtine. Notei que ela falava em total estresse ao telefone. Seus cabelos claros balançavam com seus movimentos frenéticos com a cabeça.

- Então é isso, Isaac? Eu estou cansada disso tudo. - Ela falava com seu namorado.

É, Isaac e Cristtine sempre foram um dos casais mais comentado da imprensa. Mas de alguma forma, eu sabia que tudo ali apenas se mantinha por pressão da mídia, um jogo de marketing, talvez. Isso era mais fácil de acontecer nesse mundo do que um namoro de verdade e só quem estava no meio disso tudo sabia.

- Espera. – Ela falou afastando o telefone e me olhou enquanto se aproximava. - Oi, Enzo. - Ela sorriu ao dirigir a palavra a mim.

- Olá, Cristtine. - Dei um curto sorriso.

- Olha, eu vou ter que resolver umas coisas ali. - Ela revirou os olhos e levantou o celular. - Mas em breve passarei em seu quarto e nós resolveremos tudo que ainda falta, está bem?

- Claro, sem pressa. E espero que tudo se resolva. - Apontei para o celular.

Cristtine acabou rindo. Um sorriso tão bonito quanto ela era.

Então, subi até o meu quarto e dei de cara com a arrumação estava do jeito que eu gostava. Além da cama, metros depois estava um sofá com o meu violão. Encarei meu instrumento e naquele instante, me deu uma vontade enorme de compor. Uma canção diferente de todas que eu já tinha escrito antes.

Capítulo 2 White Horse

CAPÍTULO DOIS (Cristtine Miller)

Eu era uma sonhadora, antes de você chegar e me pôr pra baixo. Agora é tarde demais pra você e seu cavalo branco aparecerem.

- Taylor Swift, White Horse

Tudo poderia estar como sempre desejei; minha carreira junto ao meu sonho de um dia estar no mesmo palco lado do Enzo Cooper e como aquilo era uma realização pessoal e de fã para mim. Mas como em inúmeras vezes, o Isaac sempre tinha o poder de me machucar e estragar cada expectativa minha.

Foi como aconteceu no mesmo dia em que eu iniciaria minha nova turnê. O Isaac sempre com seu lado possessivo e extremamente infantil, alimentou um ciúme insaciável do Enzo. Mas não me pergunte o porquê, eu desconhecia qualquer razão lógica, sobretudo agora, naquela fase do meu trabalho. Eu havia acabado de falar com o Enzo enquanto saía para encontrar o Isaac e isso piorou tudo.

Isaac havia saído de Las Vegas até Amsterdam onde eu estava. Não para assistir o meu show, longe disso. Eu sabia que não. Então, eu estava indo a uma cafeteria para encontrá-lo e assistir o seu pequeno show. Entrando no estabelecimento, eu pude vê-lo batendo na mesa com as pontas dos dedos e parecia inquieto.

- Para que você vai passar no quarto do Enzo depois que sair daqui? - Isaac perguntou antes mesmo que eu pudesse me sentar em sua frente.

- Você esqueceu que meu trabalho agora é com ele? Esqueceu que hoje começa a turnê? Provavelmente não. Senão, não estaria aqui. – Fui direta e bufei.

O meu nível de paciência estava diminuindo... diminuindo... E eu poderia explodir a qualquer momento.

- E precisa ser no quarto dele? – Isaac insistiu.

- Eu vou aonde eu quiser! – eu disse alto, esquecendo as pessoas que estavam ao meu redor. - Seja no quarto, no banheiro, ou no inferno. Quantas vezes já te falei que você não manda em mim?

- Mas eu deveria. - Seus olhos azuis me fitaram.

Respirei fundo e tirei meus óculos de sol. Sentei-me ereta na sua frente e tentei manter minha calma e minha postura.

- Não deve nada, Isaac! – falei baixo. - Você é o meu namorado, não é o meu pai e muito menos o meu dono. Agora me explica o motivo dessa palhaçada. - Cruzei as mãos sobre a mesa.

- Eu não quero que você fique a sós com Enzo. – Ele disse com tranquilidade, sem hesitação.

- O quê? – sorri, incrédula. - Então é você que vai subir naquele palco e cantar com ele, não é? – fui irônica.

Isaac deu de ombros e bufou. Como se ele estivesse agindo da forma mais sábia do mundo.

- Não é isso. – Ele disse, mas sem apresentar argumentos.

Dessa vez, foi minha vez de bufar e a minha paciência estava no limite do limite.

- Pra mim é. – voltei ao assunto. - Esse é o meu trabalho, é toda a minha vida. Você me conheceu assim, sabendo de tudo e ninguém vai me mudar.

Eu já estava tão cansada de repetir tudo aquilo. A raiva já estava a mostra no meu tom de voz.

- Eu não posso deixar você ficar com esse Enzo. Você sabe que ele é um galinha pegador. – Isaac resmungou entre os dentes.

- E daí? Ele "pega" quem ele quiser – utilizei aquela expressão que particularmente achava ridícula. - E a pessoa que quer ser "pega" por ele. Nunca ouvi o Enzo ser acusado de estupro.

- Você quer ser pega por ele? – a voz de Isaac chegou imparcial no meu ouvido.

E isso foi a gota d'água. Eu ouvi direito aquilo?

Sim, você ouviu, Cristtine. E a minha paciência extrapolou.

- Eu não vou deixar você falar isso de mim, que insinue o que está por trás de suas palavras. Eu não vou deixar que você continue com esse seu charme. Eu não vou permitir que você estrague o meu dia. Eu lutei muito para chegar até aqui, e você nunca, nunca vai poder mudar uma opinião e um sonho meu. Acabou, Isaac! - me levantei daquela cadeira e sai pelas portas daquele café.

- É o que? - ele também levantou e me seguiu.

- Você ouviu. - Atravessei a rua gritando e não me permiti olhar para trás.

- E por que isso? – ele me seguia.

- Por que o quê? - eu gritei e girei entre os calcanhares. - Repensa todo o nosso relacionamento, repensa tudo o que você me falou hoje e chega a sua conclusão. - Segui até a entrada do hotel em passos rápidos, mas parei para encará-lo uma última vez. - Nunca mais me procure. Você me perdeu, Isaac, por sua culpa! E eu sinto muito por isso.

Entrei naquele hotel correndo e eu não iria chorar. Eu me proibia disso. Com o coração na garganta, fui até o quarto onde o Enzo estava e bati em sua porta. Alguns instantes depois, ele a abriu.

- Enzo, eu... - parei de falar quando eu o vi só com uma toalha branca em seus quadris.

Engoli em seco.

Ele havia acabado de sair do banho. Os cabelos escuros se tornavam ainda mais escuros, quase negros por sua umidez. Toda sua barriga ainda estava com pequenas gotículas de água e daquele jeito, deixando a tatuagem que vinha do seu peito até os braços mais a amostra, era tão... balancei a cabeça.

- Hãm... Desculpa. - Mordi o lábio. - Eu volto outra hora.

- Eu que peço desculpa. Eu pensei que era a Viviane com as letras das músicas. Mas pode entrar, eu me troco rápido. - Ele ofereceu e abriu mais a porta.

Dei um passo para trás.

- É melhor não. - falei rápido.

Era desconcertante só olhar para o seu rosto e imagina vê-lo só de toalha e molhado?

- Eu vou... é... – Voltei a falar com dificuldade. – Eu também vou dar uma olhada nas letras das músicas ainda. Você passa no meu quarto, é melhor. Resolvemos lá.

Tirei os meus olhos rapidamente de seu tórax e ele acabou rindo daquele jeito torto que fazia todas as suas fãs derreterem de amor por ele.

- Ok, Cristtine. Vou me trocar e passarei lá logo depois. – Ele sorriu e fechou a porta.

E eu segui para o meu quarto. Por um instante, eu havia esquecido o que tinha feito minutos atrás, mas só foi eu entrar no meu quarto e...

Por que isso novamente?

Caio no choro.

Capítulo 3 I'm yours

CAPÍTULO TRÊS (Enzo Cooper)

Bem, abra sua mente e veja como eu. Considere outros planos, e caramba, você se libertará. Olhe para seu coração e encontrará amor. Escute a música do momento, pessoas cantam e dançam. Nós somos só uma grande família e é nosso direito divino sermos amados.

- Jason Mraz, I'm Yours

Foi quase impossível não ver a pele pálida de Cristtine se transformando em um tomate vermelho ao me ver de toalha em frente ao meu quarto. Eu poderia estar me achando por causar aquele efeito em uma mulher como ela, mas não. Desde que soube que entraria em turnê com a Cristtine, eu prometi para mim mesmo que não. Não dormiria ou teria qualquer envolvimento que não seja profissional com ela.

A Cristtine por mais foda que conseguia ser em suas músicas e shows, era diferente. Eu podia sentir. Só era ouvir suas músicas que esbanjavam amor e sonhos de fantasias a dois das quais eu nunca acreditaria. E eu nunca poderia querer nada com ela, mesmo ela sendo absolutamente linda e um absurdo de gostosa.

Eu, Enzo, sem nenhum rótulo, não brincaria com sentimentos de nenhuma mulher. Não aos trinta e seis anos de idade. E era esse o motivo de eu nunca ter entrado em um relacionamento. E por isso também, a fama do "Enzo Galinha Pegador Cooper".

E como prometido, eu estava indo ao quarto de Cristtine como ela havia pedido. À medida que eu me aproximava da porta conseguia ouvir pequenas notas sendo entoadas em um violão. Sorri e bati na porta.

- Um minuto. - Sua voz soou baixa.

Esperei alguns segundos até ela abrir a porta.

- Ah, oi, Enzo! – ela sorriu assim como eu. - É... pode entrar. – E rapidamente desviou os olhos dos meus.

Não deixei de notar que os seus olhos cor de mel estavam avermelhados e inchados. Ela estava chorando? Quando entrei em seu quarto, pude ver seu violão na cama junto com um caderno e uma caneta.

- Ah, desculpa. Eu estava compondo. – Cristtine tirou o violão da cama e guardou o seu caderno rapidamente.

- Você estava chorando? – abri a boca pela primeira vez desde que cheguei em seu quarto.

Ela parou por um segundo ainda de costas, e eu senti a tensão pressionando os seus ombros, mas mesmo assim ela virou de frente para mim novamente.

- Não! - ela tentou sorrir, mas falhou.

- Tem certeza? - Insisti.

- Você não entenderia. – Cristtine abriu os braços de maneira dramática e soltou a respiração.

Ela parecia tensa demais. E eu nunca a tinha visto assim. Só conhecia sua versão descolada e animada que ela sempre mostrava ao público. Era uma mulher forte, mas isso não a deixava imune aos pontos baixos da vida.

- Tem razão. – Eu voltei a falar. - Mas eu posso te ouvir.

Havia duas almofadas no chão, perto da imensa janela de vidro, eu me sentei em uma e indiquei a outra para ela. Cristtine sorriu e se sentou ao meu lado.

- Eu preciso desabafar, mas a única amiga que eu tenho está ocupada demais planejando nosso show hoje á noite. Show que será daqui a três horas e eu estou um caco. Se eu começar a falar, eu não vou conseguir me segurar. - Ela deu um sorriso triste brincando com as mãos.

- Eu não posso deixar você subir em um palco sabendo que não está bem. A não ser que me fale o que aconteceu e eu puder ajudar de alguma forma. – falei paciente e tentei sorrir.

Ela ficou em silêncio por um instante enquanto mordia o lábio, concentrada demais, e ela estava tão atraente e sexy daquele jeito.

- O Isaac... – Cristtine começou a falar, hesitei por um instante, mas ela continuou. - Nós terminamos, bem, eu terminei. – Ela fechou os olhos. - Não daria certo. Eu sempre soube disso, mas como eu ainda acreditava em contos de fadas, insisti nisso. No início eu era feliz, muito. Ele me apoiava em tudo, mas daí ele começou a mudar e me tratar de uma forma tão comum, tão insignificante. Eu não podia deixar que ele estragasse o que eu demorei anos para construir. Mas também não poderia deixar que ele se fosse... – ela baixou os olhos e seus olhos estavam marejados. - Por mais durona que eu demonstro ser, eu não sou. Eu sou forte, e ao mesmo tempo sou fraca. Sou amada por muitos, mas ao mesmo tempo não. Eu só queria que tudo fosse mais simples. Eu não estou chorando por ele. Mas por tudo o que eu tentei construir, e ele desfez, e me deixou ir... - ela ficou em silêncio por alguns minutos. - Falei muito, não foi? - sua risada saiu doce.

- Não. - Eu estava sério. - Você o amava?

Ela parou por um minuto. Ficou pensativa e parecia buscar fatos do fundo de sua memória para responder aquilo. Mas a sua expressão só era de raiva, não de sentimento nostálgico.

- Não mais. – Ela concluiu, e de alguma forma eu havia ficado feliz por ouvir aquela resposta.

- Então você fez a escolha certa. – Eu dei de ombros.

- Fiz? – ela me encarou, os olhos cintilando.

- Sim. Primeiro; se você não o amava qual era a necessidade de estar junto? Algo carnal, talvez. Mas isso qualquer pessoa pode te dar. Ou talvez por medo da solidão. Mas se não há amor, não consigo entender por que insistir em um relacionamento. – Fui sincero com a mulher que me olhava boquiaberta. – Segundo; para você ser feliz, você tem que se amar primeiro, ser completa, e saber que existem vários amores por aí. O que você não pode deixar é que nenhum desses atrapalhe seus sonhos e metas e a faça esquecer quem você realmente é. Terceiro; se ele também amasse você, ele estaria aqui agora. Estaria te apoiando em cada escolha sua e não sendo o motivo de suas lágrimas no dia de hoje. Então, Cristal...

Ela hesitou quando a chamei daquele jeito. Enxuguei uma lágrima que descia do seu rosto.

- Você realmente vai chorar por alguém como o Isaac Carson? - fiz uma careta. - Você é amada por milhões de pessoas, é linda e é só você estalar os dedos que eu sei que homens aos seus pés não faltarão.

Ela sorriu me fazendo olhar para seus lábios se esticando e naquele momento eu desejei beijá-la, tirando todo o foco que eu havia forçado para mim mesmo que manteria.

- Você já amou? - ela me surpreendeu com essa pergunta.

Fiquei confuso com o rumo da conversa. Mas não precisei pensar. E fui breve em minha resposta.

- Não, eu nunca amei. Acho que não sou capaz disso.

- Conta outra. – Cristtine sorriu. - E todas aquelas músicas é inspiração de quem?

- Eu me imagino no lugar de alguém e escrevo. – Dei de ombros.

Cristtine me olhou séria, tentando desvendar alguma coisa em minha expressão que provasse que eu estava mentindo e eu que eu já fui apaixonado por alguém. Ela desistiu e eu sorri, como um vencedor.

- Obrigada, Enzo. - Ela sorriu e se aquele sorriso foi para mim, eu era o cara mais sortudo do mundo. - Desculpa por encher seu saco com meus problemas.

- Você não fez nada. Gosto de saber os sentimentos profundos de Cristtine Miller. - brinquei e ela sorriu mais uma vez.

Ficamos em silêncio por mais alguns segundos. E estranhamente, aquilo não me deixou incomodado, não me deixou inquieto. Era ali onde eu realmente estava gostando de estar. E isso é raro, nunca fico satisfeito estando ao lado de uma mulher apenas conversando. Mais uma prova de que Cristtine era diferente.

- Eu não quero estragar nossa abertura hoje. – Cristtine lamentou.

- Então não vai. – Eu me levantei e ela logo em seguida, lhe estendi a mão. - Se você não quer estragar, não vai. Você é aquilo que você quer. Então, você vai subir comigo naquele palco hoje e vamos fazer valer a pena cada ingresso comprado.

- Mas a gente nem ensaiou pela última vez. – Ela choramingou.

- Eu sou ótimo em improvisos. - Abri a porta. - Vai entrar ou cair fora?

- Vou entrar. - Ela levantou a cabeça em desafio.

- Então te vejo no carro. – Eu disse enquanto dava um pequeno sorriso.

Sua respiração mudou e ela engoliu em seco com a bochecha rosada.

- Tchau, Enzo. - Ela fechou a porta.

Segui sorrindo pelo corredor. Nada era mais excitante do que vê-la corar.

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