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Arrematada Pelo Meu Chefe

Arrematada Pelo Meu Chefe

Autor:: Karyelle Kuhn
Gênero: Máfia
Ela é uma jovem virgem. Ele é um chefe arrogante. Ela não tem escolhas. Ele não aceita recusas. Nascido em berço de ouro, Matteo Ricci pretende ter o controle total dos negócios de sua família e, para isso, precisa se casar. Maria West deseja um emprego para pagar o tratamento da sua mãe e acreditou que apenas se oferecia para um emprego em uma multinacional. Mas depara-se com um homem de olhar frio, poderoso e a quem será incapaz de dizer um simples não.

Capítulo 1 Matteo Ricci

- Você tem que falar com este garoto, eu não vou conseguir ficar muito tempo aguardando a sua boa vontade, Ava. - A voz grave de meu pai demonstra o quanto ele está estressado.

- O que você quer que eu faça, Domênico? Amarre ele a uma ragazza qualquer?

Eu apenas queria tomar o meu café em paz, apenas isso.

- Vamos, Matteo, você já vai completar 33 anos - o meu pai me lembrou.

Estávamos sentados à mesa tomando café, ou pelo menos tentando.

A minha mãe apenas nos observava, ela nunca se metia em nossas discussões.

- E o que isso tem a ver? - Dei de ombros.

- Precisa se casar, tem que deixar essa vida de prostitutas - falou. - Preciso de um herdeiro, Matteo.

- As notícias não saem mais nos jornais, não era isso que você queria? - perguntei.

- Matteo, eu preciso que o mais novo Capo da Máfia Italiana seja respeitado.

- Desde quando preciso me casar para que isso aconteça? - perguntei indignado.

- Desde quando eu me tornei o Don e você só terá esse posto, quando me der ao menos um neto.

- Você está louco? - perguntei alterando a voz. - Já tentamos uma vez e isso não deu certo - lembrei-o.

- Aurora nos enganou, ela foi um dos meus maiores erros. - bufei com a lembrança.

Empurrei a minha xícara para longe, fazendo com que derramasse um pouco de café na mesa.

Meu pai se acha Deus por ser o Capo. Como de costume, esse cargo é passado de geração em geração e já está chegando o momento em que eu vou assumir o seu lugar, mas ele quer que eu me case antes para que isso aconteça.

Eu nunca desejei ocupar esse cargo, claro que amo o poder que isso me dá, mas o fato de todos te bajularem por medo ou por interesse, não me atrai em nada.

Meu pai nunca me deu ouvidos, sempre tive que acatar suas ordens, fui treinado junto ao meu primo Romeo e sempre adiei a nomeação do meu cargo, que é sempre comemorado com uma festa que dura dias.

- Matteo, não fale assim, meu amor - minha mãe pediu.

- Mas ainda tem a Lisa, ela sempre foi apaixonada por você - meu pai lembrou. - Lisa seria uma ótima esposa e não demoraria para nos dar os próximos herdeiros.

- Já disse que o que tenho com a Lisa é apenas casual. - Me levantei da cadeira. - Você deseja que seja alguém de dentro da máfia, não é? - perguntei.

- Não, diante da situação, abrirei uma exceção. - Meu pai me encara. - Pode se casar com qualquer mulher, desde que em um ano, você me dê um neto.

- Calma aí! - Massageei as têmporas. - Você bebeu?

- Sou a autoridade, ninguém vai questionar seu casamento com alguém de fora.

- Tem certeza do que está falando, Domênico?

- Absoluta, Matteo Ricci. - Ele sorriu. - Se em seis meses esse casamento não acontecer, Romeo ocupará o seu lugar - afirma de forma autoritária.

- Nem fodendo, Domênico, nem fodendo.

Sai da sala e amaldiçoei o momento que decidi dormir aqui, claramente deveria ter ido para minha casa.

- Merda, Matteo! - gritei-o para mim mesmo.

Fui direto para garagem, entrei no meu carro e segui para a empresa.

Sou Matteo Ricci, o maior CEO de Nova York no ramo de direito, mas a empresa é apenas uma fachada para os negócios da família, aqueles que eu em breve serei o chefe, já que logo assumirei o cargo do meu pai.

Me apaixonei pela Aurora, ela era minha prometida, seu pai trabalha para o meu na Máfia Italiana. Nosso amor não foi algo que aconteceu e de uma hora para outra, não me apaixonei de cara, ela foi me conquistando aos poucos e quando me dei conta, já estava a mercê dela, mal eu sabia que tudo não passava de um plano da Máfia Russa.

Desde então, preferi me manter longe do tal amor, prefiro apenas as fodas casuais, é algo que me deixa protegido de qualquer mulher e consequentemente, a máfia.

Sei que já se passaram seis anos, mas ter o coração partido só me fez ser mais gélido.

Lisa era apenas uma foda casual, sei que ela me ama, mas agora ela aceitou que eu não sinto o mesmo por ela e decidiu se casar com o Noah.

O meu pai é uma pessoa difícil de se lidar. Mas se eu quiser ter o que é meu por direito, terei que arrumar um jeito de aceitar seus caprichos.

Fui direto para empresa, por mais que ela fosse de fachada, ainda tínhamos alguns casos para resolver, já que precisávamos alimentar a mentira.

Assim que cheguei, subi às pressas, e como os meus funcionários são espertos, eles sabem que quando chego e não cumprimento ninguém, é porque o dia não vai ser fácil. A única certeza que tenho é que preciso de um plano, preciso mostrar a ele que eu mereço essa empresa que as coisas não vão se repetir.

- O que foi, Matteo? - Romeo perguntou enquanto passava por ele feito um tornado.

- Merda! Merda! Merda! - Entrei na minha sala e derrubei tudo o que tinha na minha mesa.

- Eita! - Romeo falou entrou na sala. - Vai me dizer o que está acontecendo? - Ele se jogou em uma das poltronas da minha sala.

- O meu pai só vai me colocar no testamento e passar o seu cargo quando eu me casar.

- Eu não acredito que o zio fez isso. - Ele riu.

- Sim, mas pelo menos ele me disse que posso me casar com qualquer uma - contei. - Ele quer apenas um herdeiro, apenas isso.

- E como você vai resolver isso?

- Ainda não sei - confessei enquanto caminhava de um lado para outro.

- Olha, você pode ter um casamento por contrato. Arrumar uma mulher que aceite se casar com você por um período de tempo, engravidar, e depois se separar por algum motivo plausível. Sem envolvimento romântico. Não é isso que você quer? - sugeriu.

- Onde vou achar uma mulher que aceite desfazer esse contrato depois?

- Tem o Club House.

- Você ainda vai nesse lugar? - perguntei

- Sim.

- Isso é tráfico de mulher, Romeo.

- Claro que não. – Deu de ombros. - São mulheres que precisam de dinheiro, elas não são forçadas a nada. Se você topar, em breve eles mandam o portfólio com as candidatas.

- Ok, apenas me envie quando receber - pedi.

- Claro, chefinho.

- Debochado. - Reprimi um riso.

- Ou você prefere se casar com a Lisa?

- Não, ela é vazia.

- Pense bem, o club é uma das suas melhores opções.

- Ok. Agora me deixe trabalhar.

Romeo não é só meu primo, ele é meu melhor amigo, meu braço direito. Três anos mais novo que eu, não foi difícil para ele me acompanhar por todo lado, todos diziam que era minha sombra. Mas não de uma forma ruim, por mais que eu sempre soube que um dia eu seria seu chefe, sempre o enxerguei como uma extensão de mim.

A única diferença entre nós dois é que sou mais seletivo com quem levo para minha cama. Romeo comia toda mulher que passava na sua frente. Culpa de seus cabelos longos castanhos claros, sua barba sempre cheia, mas arrumada, juntamente com o porte físico digno de atleta de futebol americano. Entretanto, o que mais chama atenção daqueles que o conhecem direito, é seu coração. Por isso ele e eu sabemos que ele não é o adequado para o cargo de Don, já que não consegue matar nem sequer uma mosca. É um excelente diplomata e um assassino horroroso .

- Matteo, agora falando sobre a empresa, precisamos de uma secretária - Ele parecia um papagaio repetindo essa mesma ladainha todos os dias - Em algumas semanas, Ana sai de licença e a Martha não vai dar conta de tudo.

- Ok. Peça para Martha selecionar alguns currículos, amanhã faremos as entrevistas para uma nova secretária.

No final da tarde, participei de algumas reuniões mesmo estando com a cabeça no mundo da lua. Houve alguns momentos que o Romeo precisou me chamar mais de duas vezes, mesmo assim, o nosso novo contrato foi um sucesso.

- Martha selecionou alguns currículos - Romeo falou quando a sala de reuniões ficou vazia.

- Ok, já marcou as entrevistas?

- Sim, amanhã a partir das nove.

- Obrigado, Romeo.

- Você está me agradecendo?! - falou, duvidando, enquanto coloca uma das mãos sobre o seu peito.

- Menos, Romeo, menos.

- Pensou no que eu te disse? - Porra, Romeo parecia uma criança quicando na cadeira, enquanto eu tentava revisar um novo caso.

- Ainda estou pensando.

- Matteo, posso te pedir um favor?

- Qual? - Risquei um dos termos de pedido de reembolso feito contra meu cliente. Estão pedindo o triplo do que foi pago. Balancei a cabeça, deixando um sorriso se abrir em meu rosto, por saber que esse caso será fácil demais para resolver, o que nos renderá uma boa grana, fácil, fácil.

- Você pode me substituir hoje na universidade?

Romeo presta tutoria a alguns alunos que não tem condição de pagar pelo serviço, o que aproveitamos, pois os melhores trazemos para estagiar na nossa empresa. Uma bela desculpa para meu primo fazer o que ama, já que meu pai jamais deixaria que o futuro Consigliere realmente fosse um professor universitário.

- Por que eu faria isso?

- Você sempre quis dar aula, esse é o momento de usar o seu disfarce - lembrou. - Apenas um dia, só hoje, é uma prova de orientação, você precisa apenas aplicá-la e ficar de olho neles, somente isso. - Deu de ombros.

Fiz todo o processo para dar aula na universidade central, apenas para matar a curiosidade de como seria ser um professor, pois o meu destino como Don já estava traçado.

- Apenas isso?

- Sim, Matteo, você aplicará a prova, ficará de olho se nenhum deles vai colar e depois disso, guardará todos os papéis e me entregará amanhã.

- Você vai ficar me devendo uma - afirmei.

- Te devo até dez. - Ele sorriu. - Preciso ver a Nat.

- Seu problema sempre é mulher - debochei.

- Obrigado, cugino. - Ele me entregou a pasta com as provas. - Está tudo aqui.

- Ok, até amanhã. - Juntei a papelada, deixando-o só na sala de reuniões.

Capítulo 2 Maria West

- Vamos, Maria - minha mãe me chamou pela décima vez.

Eu estava morta, havia saído na noite anterior com a Alex, minha amiga, e acabei exagerando na bebida.

- Maria... - Ela entrou no meu quarto e começou a abrir as cortinas, a claridade tomou conta do ambiente, e como se isso não fosse o suficiente, ela ainda puxou a minha coberta de uma vez só. - Maria.

- Já estou indo, mamãe - resmunguei ainda meio sonâmbula e ela riu.

Me levantei a contragosto feito um zumbi e fui direto para o banho. Parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim.

Depois escolhi uma roupa confortável, pois preciso ajudar na floricultura.

Minha mãe tem uma floricultura num dos melhores bairros de Nova York. Meu pai faleceu quando eu tinha apenas dez anos, em um acidente de carro, ficando dias internado, mas não resistiu. O destino, não satisfeito com o nosso sofrimento, após três anos do falecimento de papai, levou também minha vozinha. Desde então, somos apenas minha mãe e eu.

Vesti um short jeans claro, uma regata azul bebê, um blazer branco por cima e o meu all star azul. Fiz um coque desajeitado no meu cabelo e desci para tomar café.

- Achei que não iria mais descer - mamãe reclamou, me fazendo revirar os olhos, quando entrei na cozinha. - Como foi a noite ontem?

- Até que foi legal - contei.

- Por que você não termina o seu namoro com o Héctor logo de uma vez?

- Estamos bem, mãe. - Sentei para tomar café.

- Já tem mais de um ano e meio que vocês não se veem, isso não é um namoro - afirmou veemente.

- Na próxima semana ele vem me ver. - Tentei tranquilizá-la.

- Espero que dessa vez ele realmente venha.

- Ele virá, mamãe. - Tentei não gaguejar.

A essa altura, até eu já começava a perder as esperanças.

- Vai me ajudar hoje na floricultura?

- Vou sim. - Voltei minha atenção para o café, de modo a encerrar o assunto.

Após nosso desjejum, fui para a floricultura com a minha mãe e, como de costume, passamos o dia todo lá.

As coisas na floricultura estavam indo de mal a pior, minha mãe fingia que não, e eu fingia que não vinha notando. Os lucros eram poucos, as dívidas foram se acumulando e essa é a única fonte de renda que temos. A vida em Nova York não é nada barata, principalmente porque tivemos que hipotecar nossa casa, a um ano atrás, seria isso ou abdicar da floricultura. E isso eu não poderia deixar, pois ela é a vida de minha mãe. Ela ama o que faz, ama estar entre plantas e flores, organizar arranjos, escrever dedicatórias. Ver um amor nascer por meio de uma flor.

Sai de lá apenas para ir à faculdade.

Sou sortuda em ter conseguido uma bolsa no curso de direito em uma das melhores faculdades do estado. Os custos com os materiais são muitos, mas consigo amenizar os gastos, usando livros de ex-alunos. Eu me esforço ao máximo, é um sonho de minha mãe me ver formada e eu quero que ela tenha muito orgulho de mim.

- Maria - Alex me puxou pelo braço quando me viu passando pelo portão de entrada.

- Oi, Alex, o que foi? - perguntei.

- Tem um novo professor - contou.

- E daí?

- Nossa, Maria, como você é uma chata - reclamou. - Ele é um gato.

- Você sabe que eu tenho namorado.

- Falando em namorado, quando ele vem te ver? - perguntou.

- Na próxima semana.

- Espero que dessa vez ele realmente venha - afirmou.

Alex é minha amiga desde o último ano do colegial, ela conhece a minha história com o Héctor, por isso ela gosta dele, sei que ele já vacilou comigo, mas me jurou que nunca mais iria me trair, e como eu o amo, decidi dar um voto de confiança.

- Senhorita West, podemos conversar? - A nossa conversa foi interrompida quando ouvi a voz da diretora.

- É claro, Senhora Moore.

- Até depois, amiga. - Alex me deu um beijo na bochecha e saiu rumando a passos largos para a sala da diretora.

Seguimos para a sala da Senhora Moore em silêncio, tentei me lembrar se tirei alguma nota baixa para estar me chamando em sua sala, mas tamanho o nervosismo não consigo me lembrar de nada. Sempre fui uma aluna exemplar, então acho que não é em relação à nota.

- Senhorita West. - Indica o lugar para que eu me sente. - Falta apenas dois semestres para que você se forme.

- Já estou no final do oitavo. - Mexo as mãos um pouco nervosa.

- No próximo ano você não terá mais a sua bolsa. - Me olhou por cima dos óculos.

- Como assim?

- A empresa que doava parte dela, fechou.

Fiquei em silêncio por alguns minutos sem saber como relacionar, como eco suas palavras vão e vem na minha mente, "eu não posso ficar sem a bolsa e-eu... Meu Deus, o que eu vou fazer".

- Como assim fechou? - Deslizei minha mão pelos fios de cabelo, não é possível que isso esteja acontecendo comigo.

- Na verdade, ela foi comprada por outra empresa, e até então eles nada informaram quanto a continuidade do programa de bolsas.

- Meu Deus! O que eu farei?

- As suas notas são excelentes, você é a melhor da turma. - A senhora Moore me encarou, apoiando suas mãos sobre a mesa. - Mas isso não é o suficiente para te manter aqui sem uma bolsa integral. Veja com os seus pais. De repente eles possam pagar a metade do valor da mensalidade.

- Não, somos apenas minha mãe e eu, e mesmo com a floricultura, não temos o suficiente para pagar esse valor, ainda que eu consiga manter a bolsa parcial.

- Sinto muito por isso.

- Posso ir? - perguntei.

- Claro.

Segui para sala sem rumo, essa notícia me pegou de surpresa, preciso dar um jeito de conseguir um emprego e pagar os dois semestres que faltam.

Assim que entrei na sala, me deparei com o professor gato que Alex tinha falado e pude perceber que ele realmente era lindo. O homem era alto, de olhos verdes, a sua barba estava impecável e ele me olhava de uma maneira como se pudesse ler a minha alma.

- A senhorita vai entrar, ou vai ficar parada aí na porta? - perguntou.

Nossa! Que arrogante!

Não disse nada, apenas segui para o meu lugar ao lado da Alex.

Ele se apresentou e só aí descobri que ele é o Matteo Ricci, o maior CEO na área de direito, se eu conseguisse fazer estágio na empresa dele com certeza teria a minha vida feita.

As provas foram distribuídas e durante o preenchimento trocamos olhares algumas vezes e fiquei tão vidrada na beleza desse homem que por um momento até esqueci que o Héctor existia.

Assim que finalizei a prova e saí da sala, ouvi os passos da Alex logo atrás.

- Maria, você viu como ele ficou te olhando? - perguntou enquanto saíamos da sala.

- Claro que não, Alex, isso é coisa da sua cabeça. - eu disse.

- Se não fosse pelo Andrew, eu daria em cima dele facinho.

Rimos.

Alex namora o Andrew desde quando eu a conheço e são aquele tipo de casal apaixonado que sabemos que será para sempre.

- O que a senhora Moore queria com você? - perguntou.

- Perdi a bolsa de estudos. - falei enquanto caminhávamos para o estacionamento.

- Como assim? Você é uma excelente aluna, suas notas são as melhores. - Alex ficou tão indignada quanto eu.

- Vou ter que procurar um emprego, e só assim conseguirei pagar ao menos um semestre.

- Caso não consiga, tenho outra maneira de te ajudar.

- Não precisa, eu vou dar um jeito.

Fiquei todo o trajeto de volta para casa pensando em como farei para conseguir um emprego. E minha mãe, o que direi a ela?

Aproveitei que quando cheguei em casa minha mãe estava na rua e entrei direto para o quarto, precisava ficar sozinha. Pensar em tudo, fazer contas e decidir o que fazer antes de informar a ela.

Me preparei para dormir esperando a ligação de facetime com Hector. Mas desisti depois da sexta vez em que liguei e ele não atendeu.

Agora não estava com tempo e nem cabeça para ele, pois estava tão desesperada que até entreguei currículos em lanchonetes. Não me importo de trabalhar em algo que não faz parte da profissão que almejo, a única coisa que preciso no momento é pagar a universidade e poder me tornar uma das melhores advogadas de Nova York.

***

- Mamãe, posso trabalhar naquela boate - sugeri.

Estávamos sentadas a mesas tomando café.

- Não, vamos dar um jeito - falou.

- Preciso terminar a faculdade de um jeito ou de outro. Ou arrumo um emprego rápido, ou rezamos para que o novo dono da empresa volte com as bolsas.

- Podemos pegar o empréstimo no banco, filha, e tentar pagar pelo menos a metade do que falta. - Me olhou com a voz embargada, os olhos molhados com as lágrimas que ainda não escorreram, a ruga de preocupação em sua testa. O semblante abatido, tudo o que não queria ver no rosto dela.

- Não, mamãe, isso apenas pioraria a nossa situação - avisei.

- Mas quero que você conclua os seus estudos, eu sei que se o seu pai estivesse aqui, nada disso estaria acontecendo - reclamou.

- Calma, mamãe, as coisas vão dar certo. - Tentei confortá-la. - Eu só prec...

Naquele momento o meu celular tocou e quando olhei no visor vi que era um número desconhecido.

- Quem é?

- Eu não sei.

- Então atenda, Maria.

- Alô?

- Senhorita West?

- Sim, sou eu.

- Sou a Martha e falo da "RICCI LAW", recebemos um currículo seu e gostaríamos de saber se ainda tem interesse na vaga de secretária?

- Claro, tenho sim.

- Ok, vou enviar as informações por e-mail.

- Obrigada.

- A sua entrevista é daqui a uma hora, por favor, não se atrase.

- Não vou me atrasar.

Antes mesmo que eu pudesse agradecer, o telefone ficou mudo.

- Conseguiu a vaga?

- Calma, mamãe, ainda é uma entrevista.

- Você vai conseguir. - minha mãe falou toda eufórica. - A sua entrevista é ainda hoje?

- Sim, é daqui a uma hora. Preciso me trocar.

Ao menos consegui uma entrevista. Isso acendeu as esperanças no meu coração e preciso correr para me preparar.

Subi às pressas para o meu quarto e já fui tirando as roupas que estou vestindo e pensando no que irei vestir para poder causar uma boa impressão.

Fui até o meu guarda-roupa e... droga! O que eu vou vestir?

Decidi tomar mais um banho antes, lavei meus cabelos e fiquei imaginando o que precisarei falar no momento da entrevista.

Assim que saí do banho, voltei para o meu guarda-roupa e após alguns minutos o encarando, optei por uma saia lápis preta, uma camisa azul clara, um blazer preto e um scarpin azul, no mesmo tom da camisa.

Sequei meus cabelos e fiz um rabo de cavalo baixo, uma maquiagem leve e quando me olhei no espelho, constatei que estava linda e pronta para arrasar.

Desci para me despedir da minha mãe e percebi que Alex, sempre passava aqui em casa antes de ir trabalhar com o seu pai, ainda não tinha chegado.

- Onde você vai toda linda desse jeito?

- Bom dia, Alex - falei assim que entrei na cozinha e ela sorriu. - Tenho uma entrevista de emprego.

- Vou cruzar os dedos para dar certo, amiga.

- Também espero por isso. - Sorri para ela, cruzando os dedos também - Você não imagina qual empresa é.

- Amiga, eu não faço ideia. - Deu de ombros.

- É a Ricci Law.

Alex gritou.

- Eu não acredito que é na empresa daquele gostosão.

- Me deseje sorte - pedi.

- Te desejo uma sentada, no mínimo.

- Alex - minha mãe repreendeu, mas logo sorriu também...

- Se alimente bem - mamãe pediu e dou risada.

- Você não vai para aula hoje? - Alex perguntou.

- Claro que vou, não posso perder nenhuma.

- Eu já disse que os meus pais podem te ajudar - me recordou.

Os pais da Alex são proprietários de uma empresa de marketing, a única certeza que tenho é que eles têm muito dinheiro.

- Agradeço de coração, mas como já disse ainda, não vou abusar de sua amizade.

- Deixe de ser boba. - Alex bufou, me dispensando com a mão.

- Eu já vou indo, beijos. - Saí antes que Alex falasse mais uma vez sobre essa ideia sem sentido

Darei um jeito. Tenho que dar.

Capítulo 3 Maria West

Quase uma hora depois, deixei a minha mãe na floricultura com a Alex e fui para o endereço que recebi no meu e-mail.

Assim que estacionei na frente daquele enorme edifício, respirei fundo, peguei a minha bolsa e desci.

Quando passei pela porta de entrada, me deparei com um hall lindo e enorme, nos tons de cinza e preto, com o chão todo laminado, também acompanhando as cores das paredes. E no fim dele, havia uma placa enorme com o logo da empresa "Ricci law".

Seria um sonho conseguir estágio nessa empresa, ainda mais no meu ramo, seria maravilhoso para o meu currículo.

A empresa é do CEO de Nova York, Matteo Ricci. Com apenas 26 anos, ele já triplicou o império dos seus pais e é uma grande inspiração para todos os profissionais da área do direito. Matteo vem de uma família poderosa, talvez isso já o ajude com os negócios. Vi a sua entrevista numa revista muito importante da cidade, pois eles questionavam que ele além do fato de ser novo e já ter conquistado tanto, era um dos solteiros mais cobiçado de Nova York, mas isso já tem um pouco mais de 5 anos, acredito que hoje em dia ele deve ter ao menos uma namorada. Um pedaço de mal caminho desses não deve ficar sozinho por muito tempo.

Ao perceber que estou divagando, saí dos meus pensamentos e caminhei até uma moça, pedindo informação.

Fui até o elevador e apertei o botão para o último andar, as minhas mãos já estavam suando, era a primeira entrevista que iria fazer na minha vida.

Respirei fundo quando a porta do elevador abriu no meu andar, encarei a parede branca do outro lado do corredor imenso e por fim, saí dele. Caminhei até a mulher negra que aparentava ter por volta dos cinquenta anos, com os cabelos crespos em um corte black power, grisalhos, mas não de um aspecto envelhecido. Ela parecia a personagem Tempestade de X-men. Ela sorriu assim que notou minha presença, mostrando sua postura altiva e alegre. Se levantou dando a volta na mesa, provavelmente é a recepcionista ou a secretária dele.

- Bom dia! - falou toda sorridente enquanto me aproximava.

- Bom dia. - Retribuí o sorriso.

- Você deve ser a senhorita West. - Estendeu a mão para me cumprimentar.

- Sim, sou eu.

- Sou Martha Davis. - Ela continuou com o sorriso receptivo nos lábios. - Chegou bem no horário. - Observou o relógio de mesa. - E só isso já fez você ganhar um ponto com o chefe - Ela soltou uma piscadela - O senhor Ricci já vai lhe chamar.

Merda! É o próprio Ricci que vai fazer a minha entrevista!

As minhas mãos começaram a suar e meu coração parecia que ia pular pela boca.

Droga! Não posso ficar assim só de pensar no senhor Ricci.

- Obrigada - agradeci a ela.

- Sente-se - Martha pediu e me sinalizou a poltrona do outro lado. Logo em seguida, ela pegou a pasta sobre a mesa e caminhou em direção ao final do corredor, entrando na porta de vidro embaçado. Observei sua silhueta transitar pela sala e uma silhueta masculina surgiu, como se estivesse sentado longe de sua mesa. É ele.

Alguns minutos depois ela retornou.

- Senhorita West, o senhor Ricci a espera.

- Obrigada, Martha.

A mulher sorriu e me instruiu:

- Siga até o fim do corredor, pode entrar sem bater.

Agradeci mais uma vez e segui em direção à sala.

Pelo caminho, observei que nas paredes havia várias pinturas e consegui identificar algumas obras de artistas bem conhecidos, duas delas eram de Edvard Munch. Um deles sendo a obra intitulada "O grito" e o outro "A fumaça do trem". E que se forem originais, devem valer uma fortuna. Todo o ambiente é trabalhado em branco e prata, as únicas cores vêm dos quadros. Continuei caminhando até a enorme porta cinza e para a minha sorte, ou não, ela estava semiaberta.

Respirei fundo e a empurrei devagar.

- Com licença. - Entrei sem bater, como Davis pediu.

Observei a sala e ela era linda, a sua decoração era nas cores preto com cinza, seguindo a estética da entrada e logo atrás da mesa tem uma estante, nela haviam alguns livros, quadros com fotos e um vaso com uma planta que eu não sei o nome.

As janelas eram naquele estilo de arranha-céu e no meio do teto tinha um lustre preto enorme, era lindo.

Logo atrás da mesa, vi uma cadeira enorme na cor preta e eu perdi as palavras quando ele se virou e eu dei de cara com aqueles olhos verdes penetrantes.

- Senhorita West. - Ele fez uma pausa. - Buongiorno - O deus grego, quero dizer, italiano, falou, mas eu mal consegui assimilar suas palavras. - Está tudo bem? - O meio sorriso em seus lábios foi o sinal para que eu voltasse à terra. Ao me dar conta de que estava o encarando, percebi que minhas bochechas estavam quentes e abanei a mão para tentar me refrescar. Vi sua língua passear pelo lábio inferior quando ele umedeceu os lábios. Balançar minha cabeça era o único movimento que conseguia fazer.

- Muito bem, sente-se, por favor - Indicou a cadeira logo à sua frente. - Você é aluna do Romeo, não é?

- S-sim. - Pigarrei, descansando minhas mãos no meu colo, atentando as juntas dos meus dedos. O que não passou despercebido pelo homem, que me encarou, e logo depois levantou a cabeça me analisando.

Droga, Maria!

Será que ele se lembrou de mim na noite que deu aula na faculdade?

O senhor Ricci me encarou e dessa vez com um sorriso de lado, ele estava adorando me ver desconfortável. E eu de alguma maneira gostei da atenção recebida dele.

- Vamos lá, deixe-me ver o seu currículo. - Voltou a sua atenção para a pasta parda que Davis tinha em mãos a pouco.

- Senhorita West, a informação disposta aqui diz que faltam dois períodos para você se graduar em direito, correto?

- Sim - respondi ainda me sentindo nervosa.

- Um estágio neste momento não irá atrapalhar? - questionou.

- Na verdade, eu sou bolsista, e perdi a minha bolsa. Preciso do emprego para pagar a faculdade. E, claro, porque sei que aprenderei muito. Seria um sonho poder começar minha carreira aqui.

- E por qual motivo você perdeu a bolsa? Não acho que tenha sido por causa de notas nem nada do tipo, já que para estar na turma de Romeo você deve ser boa no que faz.

Não deixei de encarar como elogio o que era apenas uma constatação, entretanto, praticamente desde que entrei, ele mal olhou para mim. Não foi antipático, longe disso, porém, um pouco gélido. Mas acho que é este o papel de chefe, afinal estarei aqui - caso seja contratada - para trabalhar, não fazer amizades.

E Matteo Ricci parecia ser um homem de poucos amigos. Pela postura ser misteriosa, como se guardasse um grande segredo; perigoso e desafiador.

- A empresa que garantia o programa de bolsa foi incorporada a outra e o novo proprietário ainda não se pronunciou quanto ao programa. E pelo andar da carruagem, será cancelado.

- Muito bem... Preciso de uma secretária para ajudar a Martha, ela está sobrecarregada. - Ele se encostou contra a cadeira, me olhando intensamente e me deixando consternada - E para essa vaga, o que preciso é de alguém que ajude tanto com os trabalhos organizados aqui, mas principalmente com meus trabalhos pessoais, que não envolvam exclusivamente a empresa. Você está disponível para viagens?

- Que tipos de viagens, senhor? Como já falei, minha condição final...

- A empresa bancará qualquer custo durante suas viagens. Juntamente com seus honorários, então não se preocupe com isso, senhorita West. - Antes que eu possa falar algo, ele continuou: - Está disposta a cumprir regras rígidas e trabalhar sob pressão? - Descansou a caneta sobre papelada, juntando as mãos sobre a mesa e a forma com que ele olha para mim, me faz esquentar. E de repente comecei a suar. Seus olhos verdes se prenderam nos meus, assim como fazia todas às vezes que a intensidade se apropriava de nós dois. Ele me encarou e eu o encarei de volta. Não é normal essa atração fatal que sinto por esse homem.

O senhor Ricci tinha um sorriso lascivo em seu rosto e me contive para segurar um gemido.

O que está acontecendo comigo?

O gostoso... quer dizer, o senhor Ricci pigarreou esperando minha resposta para uma pergunta que eu mal escutei.

- Desculpe, o senhor me perguntou alguma coisa?

Sorriu.

- Perguntei se a senhorita estaria pronta para me satisfazer... - A pausa em sua fala me fez perder o ar.

- O-o quê?

- Sou caprichoso nas coisas que faço, senhorita West. Gosto que seja pontual, metódica e extremamente profissional. Não aceito envolvimentos entre funcionários. E que esteja disponível quando eu precisar. Então, a senhorita topa?

- É claro - respondi toda empolgada.

- Pois bem, a senhorita está contratada.

- Ah, meu Deus! - Sorri e ele imitou meus gestos. Quando se levantou, veio até mim e se aproximou estendendo a mão para me ajudar a levantar.

O perfume dele envolveu tudo ao meu redor, e sem conseguir me conter, respirei profundamente. Ele abaixou seu rosto, próximo ao meu, mas não tão próximo ao ponto de ser um decoro. Seus olhos percorreram meu rosto e pararam em minha boca, não me contive e os umedeci com a língua, vendo seu pomo de Adão se mover.

Por fim, ouvimos as batidas na porta atrás de nós e nos afastamos rapidamente um do outro. Ele voltou para trás de sua mesa, enquanto vi o meu tutor entrar.

- Maria, o que faz aqui?

- A senhorita West é minha nova secretária, Romeo.

- Ah, que bom. Ela é uma ótima aluna. - Fiquei sem graça e senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Quando desviei meus olhos do meu tutor, a carranca que estava no rosto de Matteo me desconcertou.

- Obrigada, professor - agradeci depois de alguns segundos constrangedores.

- Por favor, Maria - Ele tocou gentilmente meu braço - Pode me chamar de Romeo, afinal seremos colegas de trabalho agora.

Concordei com um gesto de cabeça.

- Pois bem, senhorita West, Martha entrará em contato informando todos os documentos de admissão. Por enquanto é somente isso, a senhorita já está dispensada.

- Obrigada, Senhor Ricci.

Me despedi dos dois homens e saí da entrevista super feliz porque agora vou conseguir guardar dinheiro para finalizar o meu curso e a oportunidade de estagiar na Ricci Law me abrirá muitas portas.

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