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As 40 faces do amor: Face 1- O marido substituto

As 40 faces do amor: Face 1- O marido substituto

Autor:: Cenira Chollet
Gênero: Romance
Ela era a esposa rejeitada de alguém que nunca a amou. Ele o filho rejeitado de um príncipe. Um casal pouco provável, unidos apenas por obrigação e conveniência, ou não. Quando Teo descobre que sua finada esposa está viva, e que mudou completamente de vida, não pensa duas vezes em abandonar sua esposa e os filhos, para ir atras dessa e reatar seu relacionamento. Porém as leis de Isias Rar são rígidas quanto ao abandono de cônjuges, a única saída dele para não ser preso, foi passar a concessão de casamento de sua esposa humana para um dos homens da sua família, o único que poderia aceitar era seu irmão mais novo, o Ministro Ford. A sorte daquela mulher muda completamente assim que seus olhos cruzam com os de seu marido substituto. O que nem mesmo Teo poderia imaginar era as mudanças que suas escolhas fariam na vida de cada um deles.

Capítulo 1 Infelizes ... Quase sempre

Mirela estava cozinhando, o choro do enteado no carrinho estava irritando-a ainda mais, enquanto mexia a carne moída de terceira na panela, extremamente temperada para disfarçar o cheiro e o sabor do produto de péssima qualidade; revirou os olhos ouvindo o som da briga dos dois enteados mais velhos, os garotos de sete e oito anos estavam sempre brigando, mas Teo nunca estava lá para ajudá-la com os filhos. Mirela suspirou fundo, torcendo os lábios, aqueles filhos sequer eram dela.

Três anos de casamento, muitos anos depois das dimensões terem se unido e "os super-humanos" terem sido descobertos. Mirela havia perdido tudo que havia construído na Terra Antiga, quando decidiu ficar em Isias Rar com Teo e seus amigos, todos "super-humanos" morando em um dos vilarejos da Terra dos Djins.

Sua família, todos humanos, foram contra aquele casamento, a mãe nem mesmo atendia mais seus telefonemas, impossibilitada de voltar à Terra Antiga, antes conhecida como a dimensão dos humanos. Devido às relações diplomáticas cada vez mais caóticas entre os Imperadores Djin e Humanos, e a guerra entre esses dois povos estava sendo considerada como questão de tempo pelos demais povos. Os aeroportos e a estrada férrea que antes eram as duas formas de chegar até a Terra Antiga, agora apenas funcionava uma única vez no ano, no Dia do Imperador, que era a data de seu nascimento, onde Kalisto II mostrava-se indulgente com os Djins e os permitia ir à Terra Antiga, sem nenhum motivo lógico para isso, apenas por que ele desejava e podia.

Talvez Mirela não se importasse com isso se não fossem as atitudes estranhas que Teo estava tendo desde seu retorno de uma das cidades principais de Isias Rar, a qual ela sequer lembrava o nome.

Era o final da manhã, Sins entrou na casa para ajudar Mirela a preparar o almoço. Naquele dia Miro e Teo estavam voltando para a vila após expulsarem um grupo de Sereias (Sirens) de uma vila próxima à deles, era assim que os dois Djins conseguiam o sustento de suas famílias, fazendo pequenos serviços em outras vilas e povoados. Mirela e Sins passavam muito tempo sozinhas cuidando de suas crianças.

Assim que entrou, Sins percebeu a irritação de Mirela, algo estava incomodando sua amiga humana, fazia alguns dias que Sins havia notado sua amiga um pouco abatida, parecia chateada, e já que estavam a sós resolveu perguntar, ela sorriu colocando a mão em seu ombro e perguntou:

- Mirela?!

- Fale.

- Eu percebi que tem algo te incomodando... Como estão as coisas com Teo?

Mirela voltou seu rosto para baixo e suspirou, frustrada:

- Teo não se decide, Sins. No fundo acho que ele ainda procura pela mãe dos meninos.

- Mas ela morreu, não foi, Mirela?

- Teo nunca acreditou nisso... Ele acha que ela se juntou às tropas do Imperador que estão em Brujeria. Há pouco dias ele foi à chegada de uma das armadas que havia voltado da Terra das Bruxas...

Sins abriu e fechou a boca, passou a mão sobre o rosto mal barbeado (todas as mulheres da raça Djins possuem muitos pelos faciais, como os homens humanos, sendo muito fácil para um Humano da Terra Antiga confundi-las com um homem, por seus excessos de pelos faciais e os seios pouco desenvolvidos), puxou o ar para dentro dos pulmões, pegando uma espécie de batata para descascar e cozinhar, questionou já imaginando a resposta de sua amiga:

- E então, ele se convenceu?

Mirela sorriu revirando os olhos:

- Não... Ele está convencido de que ela passou pela Cerimônia de Resignação, assumiu um novo nome e nova vida...

- O quê?

- É isso que você escutou. E o pior é que ele nem toca mais em mim, está obcecado em passar por essa cerimônia e ir atras dela... Eu larguei tudo por ele... E se Lusa estiver viva ou vivo, ele não vai hesitar em me abandonar.

Mirela olhou para o lado de fora da porta, pensativa, enquanto Sins esbraveja:

- Teo é um imbecil. Será que ele não percebe que se Lusa passou por todas as etapas para participar da Cerimônia de Resignação é por que ela havia se cansado dele. Será que ele não considera os sacrifícios que você fez por ele? O quanto você gosta dele?

- O problema Sins, é que eu o amo. Mas Teo não sente isso por mim. Nunca sentiu, apenas eu não percebia isso.

Mirela diz, com um sorriso forçado nos lábios, para disfarçar sua tristeza. Sins a olha com uma expressão de tristeza e diz:

- Vocês precisam conversar.

- Eu preciso tomar uma decisão, não posso ficar esperando para sempre... Não quero viver na sombra de Lusa, eu preciso ter minha vida.

Capítulo 2 A Notícias

Sins a olhava surpresa e com uma ponta de tristeza. Sabia que agora era uma questão de tempo para que ela partisse para longe de Isias Rar, para uma mulher Djins como Sins aquele local era sua casa, era um local inóspito com um clima único que nenhuma outra terra possuía. Se Mirela fosse embora, nunca mais voltaria. Por um lado, ela entendia a humana: viviam na miséria, eram quase selvagens; a garota precisa cuidar sozinha de cinco crianças que nem mesmo eram dela.

Nesse momento sentiu raiva de Teo, sentiu raiva de Lusa, sentiu raiva de si mesmo por não poder fazer nada, seus pensamentos foram interrompidos pela algazarra das filhas gêmeas que entravam com Miro, seguido de Magoou, pensativo. Mirela observou o pequeno bruxo, questionando:

- O que foi, Magoou? Algo aconteceu?

Miro se sentou próximo à parede, no chão - as casas das vilas mais pobres em Isias Rar não possuíam móveis como as humanas -, enquanto o pequeno bruxo pulava nos braços da humana abraçando-se a ela. Mirela questiona:

- Onde está Teo? Ele não estava com vocês?

Miro respira fundo, nem conseguindo acreditar no que havia acontecido, e antes que pudesse dizer algo, Magoou disse:

- Aquele idiota do Teo foi atrás de uma daquelas Armadas Djins que apareceu em um vilarejo no litoral. Aquele idiota acha que o Comandante da Armada pode ser a Lusa.

- O que, Magoou?

Miro fala sem ânimo:

- Sim, Mirela, soubemos por alguns nômades que há alguns dias uma das Armadas tem estado pelos vilarejos do litoral, o Comandante é um homem misterioso sobre quem ninguém havia ouvido falar antes, diz que tem conhecimentos de cura e está ajudando os doentes, realizando a guarda daquelas localidades e matando e expulsando Sirens que tentam tomar aquelas terras. Como sempre, quando Teo ouve um relato desses... Ele foi imediatamente atrás do comandante com a esperança de que fosse Lusa.

Mirela olha para Miro, a decepção em seu rosto é visível. Um sorriso desanimado tomou conta de seus lábios. Ela olhou para Sins, balançou positivamente a cabeça, constatando:

- Entendo, ele jamais vai deixar de pensar nela.

Mirela disse mais para si do que para os outros. Colocando Magoou no chão, pegou seu arco e flecha, colocou algumas roupas em uma mochila, as poucas que ainda possuía, beijou as crianças e, se dirigindo para fora da casa, o pequeno de Bruxo protesta:

- Mirela, aonde vai? Não vai atrás do idiota do Teo, fique aqui.

Miro responde com voz séria:

- Magoou, deixe, Mirela precisa ficar sozinha agora. Não podemos ajudar.

Magoou faz uma expressão arrasada enquanto a observa se afastando devagar, saindo para dentro da floresta. Mirela queria ficar um pouco sozinha para pensar, não aguentava mais aquela situação, estava ao lado dele há três anos, e em nenhum momento Teo havia cogitado parar de procurar por Lusa. Sentiu-se uma idiota, naquele tempo todo não pensou nos pais, nos irmãos e no avô que desde que se casara, não via mais, pensou no sofrimento que estava causado a esses, estava abrindo mão de todos que amava para ficar ao lado de alguém que a abandonava pela mera possibilidade da presença de uma morta ou de uma mulher que havia resolvido trocar de vida, abandonando o marido e os filhos. Enquanto pensava, Mirela continuou a andar, só percebeu que havia andado por horas quando viu que o sol estava se pondo no céu.

Sentou-se sobre um amontoado de pedras e neve, sempre nevava em Isias Rar, mesmo com o calor insuportável que fazia naquela terra. Sentou-se perto de um rio, ficou observando, tentando achar uma saída para sua situação. Odiava Isias Rar, odiava a vida miserável que levava, sabia que sentiria falta de seus amigos, mas não suportaria ver Teo ao lado de Lusa, não seria sua segunda esposa, e se ele fizesse a Cerimônia de Resignação, seu casamento com ele se tornaria inválido.

Queria ir para a Terra Antiga naquele momento, mas não havia essa possibilidade. As lágrimas escorriam de seus olhos em cascata, estava exausta daquela situação, estava disposta a desistir de tudo e partir sem olhar para trás. Foi desperta de seus pensamentos intempestivamente:

- O que faz aqui? Você é Humana, não é?

Mirela ergueu os olhos por um segundo, sem nem ao menos precisar se virar na direção da voz que lhe falava, tudo o que não precisava era de algum oficial Djin, teria de dar muitas explicações do motivo de estar andando sem seu marido por Isias Rar. Seus olhos castanhos se apertaram, ela disse frustrada:

- Só o me que faltava.

- Responda, você é Humana?

Insistiu com seu tom de voz grave e imperativo, sem se mover de onde estava, atento, observando ao redor deles e qualquer reação da jovem humana. Mirela responde com certa irritação na voz:

- O que você quer? Não pode me deixar em paz apenas hoje, seria muito pedir isso a um Djin?

Ela voltou seus olhos na direção de quem lhe falava, estava com problemas, já havia visto aquele Djin poucas vezes em sua vida, mas sabia quem era ele. Ford era o irmão mais novo de Teo, ao contrário do irmão mais velho, um Djin. Ford era um mestiço de Youkai e Djin, o que lhe deixava muito diferente da maioria dos homens daquele povo, seu rosto era bem menos delicado, possuía os traços fortes da raça de sua mãe, embora ninguém pudesse negar Ford era um Djin poderoso e temível como todos os Ministros de Isias Rar.

A forma como ela falou o fez rir, ninguém tinha coragem de lhe falar daquela forma, muito menos um humano, foi só depois que percebeu que conhecia a humana em questão, era a esposa de Teo, teve de admitir para si mesmo sempre admirou a coragem da nova esposa de seu irmão, embora achando que ela era uma tola por abandonar tudo por Teo. Pensou um pouco, aquela situação despertou sua curiosidade e preocupação: o que estaria incomodando aquela humana? Ela parecia estar sozinha. Onde estava seu irmão? Nem mesmo os sobrinhos pareciam estar ali. Ford se moveu depressa até próximo de onde Mirela estava, parou de pé à sua frente, e questionou:

- Isso são modos de falar com um parente? O que está fazendo sozinha? Quer ser presa, sequestrada? Qual o problema? Está querendo morrer?

Mirela estava tão cansada daquela situação toda, não queria ter de lidar com o cunhado. Para ser Ministro daquele vilarejo, com certeza Ford era um tirano cruel, só isso explicaria o motivo do próprio Imperador Djin tê-lo nomeado. Naquele momento o encarou sem se importar com o que aconteceria, respondeu:

- Me deixa adivinhar... Agora vai dizer que me matará pela minha insolência e mais uma série de coisas sem sentido que só um Djin diria, e ainda vai falar sobre eu ser uma Humana nojenta e burra?

Ela suspirou com uma visível irritação, Ford parecia um pouco surpreso com a reação da garota. Nunca em sua vida um ser humano ousou falar daquela forma com um Djin, ainda mais sendo um ministro. Mirela se levantou de onde estava sentada, dando alguns passos para longe sem sequer olhá-lo. Aquilo começou a preocupá-lo, não podia deixar a esposa do irmão partir. Rosnou tentando parecer ameaçador:

- Aonde vai? Não lhe dei permissão para partir.

- Não necessito de sua permissão, Ministro Ford.

Capítulo 3 A esposa do meu irmão

Mirela, pela primeira vez o encarou, olhando dentro de seus olhos, por um instante se questionou mentalmente:

"Desde quando o irmão de Teo é tão bonito?".

Mirela estava perdida em seus pensamentos sobre a aparência do cunhado, Ford permaneceu parado em silêncio, seus grandes olhos verdes estavam observando-a atentamente, estava confuso com a reação dela. Por um instante Mirela percebeu que podia ter cometido um erro que acabaria com sua vida.

O grande Djin estava parado observando a humana, percebeu que ela estava transtornada, não podia permitir que ela andasse sozinha em seu vilarejo, os Djins não gostavam dos humanos, ela com certeza acabaria morta ou escravizada, ou ambas as coisas. Ela não era problema seu, era responsabilidade de seu irmão cuidar dela, não entendia o que ela fazia ali sozinha, mas não podia deixá-la circulando. Mirela virou-se rapidamente para fugir de Ford, mas antes que ela pudesse dar mais um passo, sentiu a mão do Djin segurar seu braço com força, puxando seu corpo para perto de si. Mirela levou as mãos sobre a dele para tentar soltar-se enquanto se debatia sob o olhar atento dele. Ford se questionava sobre o porquê da reação dela e o que a trouxe aquela situação:

- Por que está irritada? Eu não posso deixar você andando sozinha por aí, se acalme e volte para casa...

- Eu não tenho para onde ir.

Explodiu Mirela, em prantos, caindo de joelhos no chão. Ford estava perplexo, realmente não sabia o que estava acontecendo e muito menos o que fazer. Balançou a cabeça para tentar organizar seus pensamentos, falou:

- O que houve? Aconteceu algo com meu irmão?

- Ele me trocou, por um homem...

Gritou Mirela, chorando ainda mais, agora ela tinha deixado Ford realmente preocupado. Se isso fosse verdade, o irmão e ela estavam com sérios problemas, agachou-se próximo dela, tentando ser amável para tranquiliza lá:

- Por favor, acalme-se! Vamos resolver isso, deve ser um mal-entendido... Me acompanhe, eu...

- Você vai me sequestrar? Eu sei disso. Djins sequestram, estupram e vendem mulheres humanas...

- O quê?

- Você vai me transformar em uma escrava sexual, depois vai me vender para algum povo esquisito, acabarei em um prostíbulo na Zona Morta...

Mirela chorava e gritava, esperneando para se afastar dele. Ford estava perplexo. O que ela achava que ele era? Olhou para os lados, aquilo não podia estar acontecendo, tentou acalmá-la:

- Pelo amor de Deus, você é casada com meu irmão...

- Isso não o impediu de me abandonar.

- Mirela, eu sou um Ministro eu não posso simplesmente deixá-la aqui.

- Claro que não, você é um pau mandado do Imperador, o que ele diria disso? Que seu cãozinho não está caçando mulher para que possa vender.

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