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As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

Autor:: Gavin
Gênero: Romance
Isabela Freitas amava Arthur Collins há dez anos, desde o dia em que seu pai trouxe para casa aquele garoto magricela e calado, tirado das ruas. Ele se tornou seu irmão de nome, mas em seu coração, sempre foi algo mais. Então, na noite em que ele a pediu em casamento, ela ouviu sua conversa gélida com Amanda Bastos: o noivado deles era apenas o primeiro passo em sua vingança calculada para destruir a família dela. Cada beijo, cada palavra terna desde então, era uma mentira. Ele a chamou de nojenta, de monstro, e mandou seus homens a espancarem, tudo enquanto ela suportava, sabendo que era apenas um peão em seu jogo cruel. Ele até deu a última lembrança de sua mãe assassinada para Amanda, a mesma mulher que orquestrou o incêndio que a matou. Ela não conseguia compreender tamanha traição vinda do garoto que amara, aquele que havia jurado protegê-la. Por que ele acreditava nas mentiras de Amanda em vez dela, em vez da família que o acolheu? Com o coração reduzido a cinzas, Isabela Freitas fez uma escolha: ela apagaria sua identidade, desapareceria completamente e deixaria Arthur para enfrentar as consequências de seu próprio ódio cego.

Capítulo 1

Isabela Freitas amava Arthur Collins há dez anos, desde o dia em que seu pai trouxe para casa aquele garoto magricela e calado, tirado das ruas. Ele se tornou seu irmão de nome, mas em seu coração, sempre foi algo mais.

Então, na noite em que ele a pediu em casamento, ela ouviu sua conversa gélida com Amanda Bastos: o noivado deles era apenas o primeiro passo em sua vingança calculada para destruir a família dela.

Cada beijo, cada palavra terna desde então, era uma mentira. Ele a chamou de nojenta, de monstro, e mandou seus homens a espancarem, tudo enquanto ela suportava, sabendo que era apenas um peão em seu jogo cruel. Ele até deu a última lembrança de sua mãe assassinada para Amanda, a mesma mulher que orquestrou o incêndio que a matou.

Ela não conseguia compreender tamanha traição vinda do garoto que amara, aquele que havia jurado protegê-la. Por que ele acreditava nas mentiras de Amanda em vez dela, em vez da família que o acolheu?

Com o coração reduzido a cinzas, Isabela Freitas fez uma escolha: ela apagaria sua identidade, desapareceria completamente e deixaria Arthur para enfrentar as consequências de seu próprio ódio cego.

Capítulo 1

Isabela Freitas amava Arthur Collins há dez anos. Tudo começou no dia em que seu pai trouxe para casa o garoto magricela e calado, tirado das ruas de São Paulo, com os olhos cheios de uma escuridão que ela, uma herdeira paulistana, nunca tinha visto. Os Freitas o adotaram, e ele se tornou seu irmão de nome, mas em seu coração, ele sempre foi algo mais.

Por anos, ele foi apenas Arthur, o garoto quieto que a seguia por toda parte, aquele que ela protegia e mandava na mesma medida. Então, tudo mudou.

Um advogado do mundo da tecnologia apareceu um dia. Arthur Collins, o adolescente sem-teto, era na verdade Arthur Monteiro, o herdeiro perdido de um gigantesco império de tecnologia. A notícia foi um choque, mas para Isabela, só deixou uma coisa mais clara.

Seus sentimentos por ele não eram mais uma paixão de adolescente. Eram reais.

Depois que ele resolveu seus assuntos de família, voltou para São Paulo. Ele não voltou como o garoto quieto que ela conhecia. Voltou como um homem de imenso poder e riqueza, um homem que podia ter o que quisesse.

E ele disse que a queria.

Ele a pediu em casamento sob as estrelas, no terraço da cobertura da mansão da família, com as luzes da cidade piscando abaixo deles como um tapete de diamantes. Ele segurava um anel que brilhava tanto que feria os olhos.

"Bela", ele disse, sua voz baixa e séria, "case-se comigo."

O coração de Isabela batia descontroladamente em seu peito. Era tudo o que ela sempre sonhou. Por dez anos, ela o amou, e agora, ele estava pedindo para ser sua esposa. Ela sentiu uma alegria tão pura e avassaladora que lágrimas brotaram em seus olhos.

"Sim", ela sussurrou, a voz trêmula. "Sim, Arthur. Claro que sim."

Ele deslizou o anel em seu dedo e a puxou para um beijo profundo. Por um momento, o mundo foi perfeito. Ela ia se casar com o homem que amava. A vida deles juntos estava finalmente começando.

Mais tarde, naquela mesma noite, a euforia não a deixava dormir. Ela desceu até a cozinha para beber um copo d'água. Estava prestes a acender a luz quando ouviu a voz de Arthur vindo do escritório ao lado. Ele estava ao telefone.

Ela congelou, um sorriso feliz ainda no rosto, pronta para entrar e surpreendê-lo. Mas as palavras seguintes dele a paralisaram.

"Não se preocupe, Amanda. O noivado é só o primeiro passo."

A voz dele era outra. Fria. Despida do calor que ele lhe mostrara horas antes. Era uma voz que ela nunca o ouvira usar.

"Eu não suporto olhar para ela", ele disse, e Isabela sentiu o ar faltar em seus pulmões. "Toda vez que ela me olha com aqueles olhos de adoração, me dá nojo."

Ele estava falando dela.

"Ela e toda a família dela vão pagar pelo que fizeram com você. Vou transformar Isabela Freitas na piada de São Paulo, e depois vou destruir tudo o que os Freitas possuem. Este casamento é como vou fazer isso. É por você, Amanda. É tudo por você."

O copo de água que ela ainda não havia enchido pareceu pesado em sua mão, embora estivesse vazio. Seu anel de noivado, antes um símbolo de seus sonhos mais loucos, agora parecia uma algema. O futuro lindo que ela imaginara momentos atrás se desfez em pó.

Ela se afastou da porta em silêncio, o corpo dormente. Foi para seu quarto e ligou para seu advogado.

"Preciso cancelar minha identidade", disse ela, a voz vazia e sem emoção.

"Senhorita Freitas, esse é um processo complexo. Pode levar até uma semana."

Uma semana. Isabela riu, um som seco e sem humor. Uma semana para apagar uma vida inteira. Uma semana para suportar seu falso afeto, seu romance encenado, sua vingança cruel e calculada.

Ela desligou e voltou para a sala de estar. Arthur estava lá, cantarolando uma melodia enquanto preparava uma xícara de chá de camomila para ela, assim como costumava fazer quando eram mais novos e ela não conseguia dormir. Ele sorriu para ela, a imagem de um noivo amoroso.

Os Freitas haviam adotado Arthur quando ele tinha quinze anos. Ele era um garoto magro e desafiador que havia passado pelo sistema de abrigos e não confiava em ninguém. Isabela, acostumada a conseguir o que queria, o declarou seu projeto pessoal.

"Você é meu irmãozinho agora", ela anunciara, agarrando o braço dele. "Isso significa que você tem que me obedecer."

Ele tentou se soltar. "Não sou nada seu."

Ela simplesmente apertou mais forte, com uma teimosia estampada no rosto. "Errado. Você mora aqui agora. Você é meu."

Naqueles primeiros dias, ela era uma pequena tirana. Ela beliscava o braço dele com força se ele não respondesse quando ela o chamava.

Ele odiava isso. "Não me toque", ele sibilava, afastando a mão dela.

Ela apenas sorria de canto. "Eu toco em você o quanto eu quiser. Você é meu irmão."

Mas agora, anos depois, era ele quem a procurava. Ele se aproximou por trás dela e envolveu seus braços em sua cintura, descansando o queixo em seu ombro.

"Não conseguiu dormir?", ele murmurou em seu ouvido.

Isabela estremeceu, todo o seu corpo enrijecendo ao toque dele. O abraço que a teria emocionado ontem, hoje parecia uma jaula. Ela se afastou dele.

"Estou bem", disse ela, a voz tensa. "Só com sede."

Ele não pareceu notar a frieza dela. "Fiz um chá para você. O seu favorito."

Ele lhe entregou a caneca fumegante. Ela olhou para ela, depois para o rosto dele. O rosto do homem que a amava. O rosto do homem que a odiava.

Toda São Paulo achava que a história deles era um conto de fadas. A herdeira e o órfão, irmãos não biológicos que se tornaram amantes. Um romance moderno para a história. Eles não tinham ideia de que era uma tragédia.

Ela se lembrou do pedido de casamento novamente. O passeio de helicóptero sobre a cidade cintilante, o terraço coberto por milhares de rosas brancas, a maneira como ele se ajoelhou diante dela. Ele a olhara com tanta intensidade, tanto fogo nos olhos.

"Bela", ele sussurrara, a voz embargada de emoção, "eu te amo há tanto tempo."

Ele a beijara então, um beijo tão apaixonado que a deixou sem fôlego. Pareceu tão real.

Ela fora completamente enganada.

Naquela noite, ela acordou novamente, um pavor gelado a preenchendo. Ela saiu sorrateiramente da cama e parou junto à porta do escritório mais uma vez. A voz dele flutuou novamente, desta vez carregada de um veneno que fez seu estômago revirar.

"Sim, Amanda, eu prometo. Em breve. Assim que eu tiver tudo, vou descartá-la como lixo. Você é a única que eu sempre amei."

Ela não precisava ouvir mais nada. Voltou para o quarto e pegou o telefone. O e-mail de confirmação de seu advogado estava lá. O processo para apagar Isabela Freitas havia começado.

Seu coração, que ardera tão intensamente de amor por ele, agora era apenas um monte de cinzas frias. Era tudo mentira. O amor dele, o pedido de casamento, o futuro deles.

Ele não a amava. Ele amava Amanda Bastos, a filha do antigo caseiro da propriedade deles.

E ele só estava com Isabela para arruiná-la. Para se vingar de algo que ela nem conseguia compreender.

Ela olhou seu reflexo na janela escura. Sua família, seu nome, seu legado. Ele queria destruir tudo. Ela não deixaria. Se o preço para proteger sua família era seu próprio coração, sua própria existência, então que assim fosse.

Ela jogaria o jogo dele por mais uma semana.

Na manhã seguinte, ele a encontrou olhando pela janela. "O que há de errado, Bela? Você parece distante."

Sua voz estava cheia de falsa preocupação.

Ela se virou para ele, forçando um pequeno sorriso. "Eu estava apenas pensando. Quando você percebeu que me amava, Arthur?"

Ele sorriu de volta, um sorriso perfeito e ensaiado. "No momento em que te vi de novo depois de todos aqueles anos. Me atingiu como uma tonelada de tijolos. Eu soube que não poderia viver sem você."

A mentira era tão suave, tão sem esforço. A deixava enjoada.

Ela assentiu lentamente. "Entendo."

"Vou trazer a Amanda aqui mais tarde", ele disse casualmente. "Ela está tão animada com o casamento. Pensei que ela poderia te ajudar com parte do planejamento."

O sorriso de Isabela não vacilou, mas por dentro, ela sentiu um pedaço de si morrer. A última semana havia começado.

Capítulo 2

Amanda Bastos chegou parecendo uma flor delicada prestes a desmaiar. Estava vestida com um vestido simples e pálido e segurava uma pequena bolsa como se fosse uma boia salva-vidas. Seus olhos estavam arregalados e lacrimejantes quando viu Isabela.

"Bela", ela sussurrou, a voz quase inaudível. "Estou tão feliz por você e pelo Arthur."

"Está mesmo?", respondeu Isabela, a voz afiada. "Não sabia que tínhamos te convidado."

Arthur imediatamente se adiantou, colocando um braço protetor ao redor dos ombros de Amanda. "Bela, seja gentil. Amanda é nossa convidada."

Amanda se encolheu contra ele. "Está tudo bem, Arthur. Eu sei que a Bela nunca gostou de mim. Eu não deveria ter vindo."

"Bobagem", disse Arthur, seu tom endurecendo enquanto olhava para Isabela. "É o aniversário da Amanda na próxima semana. Quero dar uma festa para ela aqui, para apresentá-la adequadamente aos nossos amigos."

Ele estava usando a casa deles para promover seu verdadeiro interesse amoroso, bem na frente de sua noiva. A audácia era de tirar o fôlego.

"Nós todos crescemos juntos", continuou Arthur, com uma falsa alegria na voz. "Somos família."

"Sim, família", ecoou Amanda suavemente, então deu um passo em direção a Isabela. "Bela, eu sei que tivemos nossas diferenças. Eu esperava... eu esperava que você pudesse me perdoar."

Antes que Isabela pudesse responder, Amanda fez algo extraordinário. Ela se ajoelhou.

"Por favor, Bela. Me perdoe. Eu só quero que todos nós sejamos felizes."

Era uma atuação digna de um prêmio. A pobre menina vitimizada, implorando por perdão da herdeira cruel. Isabela sentiu uma onda de raiva quente.

Amanda olhou para cima, seus olhos marejados de lágrimas, e lançou um olhar para Arthur. Era um apelo silencioso para que ele a resgatasse.

Arthur correu e levantou Amanda. "Amanda, o que você está fazendo? Você não precisa fazer isso."

Ele a segurou perto, acariciando seu cabelo enquanto ela soluçava em seu peito. Então ele virou seu olhar furioso para Isabela.

"Olha o que você fez", ele sibilou. "Você não consegue mostrar um pingo de compaixão? A família dela perdeu tudo por causa da sua. O pai dela perdeu o emprego, e eles têm passado por dificuldades há anos."

Isabela o encarou, perplexa. "Do que você está falando? O pai dela se aposentou com uma pensão integral. Meu pai deu a ele um bônus generoso."

"Não minta, Isabela!", a voz de Arthur era cortante. "Amanda me contou tudo."

"E você acredita nela?", a voz de Isabela falhou. "Você acredita nela em vez de mim? Em vez da minha família, que te acolheu?"

"Chega!", gritou Arthur. "Pare de ser tão cruel!"

A mente de Isabela girava. Era o aniversário da morte de sua mãe na próxima semana. O aniversário de sua morte em um incêndio na propriedade deles. Um incêndio que consumiu a pessoa mais importante de sua vida.

E ele queria dar uma festa para Amanda.

"Fora", disse Isabela, a voz baixa e trêmula de raiva. "Vocês dois, saiam da minha casa."

Arthur olhou para ela como se fosse um monstro. "Bela, eu não sei o que deu em você."

Ele tentou pegar a mão dela, mas ela a puxou de volta. Ele estava tentando apaziguá-la, manter seu plano de vingança nos trilhos.

"Vamos todos nos acalmar", ele sugeriu, sua voz suavizando para aquele tom falso e gentil que ela agora desprezava. "Por que não nos sentamos e conversamos sobre isso?"

"Eu estou indo embora", choramingou Amanda, interrompendo-o. Ela se afastou de Arthur, o rosto uma máscara de tragédia. "Estou apenas causando problemas."

Ela se virou e correu para fora da sala, seus soluços ecoando pelo corredor.

Sem hesitar um segundo, Arthur correu atrás dela. "Amanda, espere!"

Isabela ficou sozinha na grande sala de estar, o silêncio zumbindo em seus ouvidos. Ele sempre fazia isso. Ele sempre corria para protegê-la.

Ela se lembrou de quando eram adolescentes. Um grupo de garotos de uma escola rival a encurralou, zombando da riqueza de sua família. Arthur, que ainda era magro e baixo para sua idade, se lançou sobre eles sem pensar.

Ele era sua sombra naquela época, seu protetor. Ele entrava em brigas por ela, levando socos destinados a ela e nunca reclamando. Ele ficava na frente dela, seu corpo pequeno um escudo, e encarava qualquer um que ousasse olhá-la de forma errada.

Ele ficou com um olho roxo e um lábio cortado naquele dia. Ele passou a briga inteira garantindo que ela ficasse intocada.

Quando acabou, ele se virou para ela, sangue escorrendo de sua boca, e suas primeiras palavras foram: "Você está bem, Bela?"

Ela segurou o rosto dele em suas mãos, o coração doendo por ele. Ele era seu garoto feroz e leal.

Quando ele mudou? Quando sua lealdade se transferiu tão completamente para Amanda?

Isabela soltou uma risada amarga. Não importava quando. Tinha acontecido. O garoto que teria levado um soco por ela era agora o homem que ficaria parado e a veria queimar.

A festa para Amanda foi um evento grandioso. Arthur não poupou despesas. Ele transformou o salão de festas em uma terra de fantasia de flores e luzes cintilantes, tudo para apresentar a filha do caseiro à alta sociedade de São Paulo.

Amanda estava no topo da escada em um vestido feito sob medida, uma visão de beleza recatada. Ela sorriu timidamente enquanto Arthur pegava sua mão.

"Eu estou bem, Thur?", ela perguntou, a voz suave e cheia de falsa insegurança.

Era uma performance, e todos estavam acreditando.

Capítulo 3

Os olhos de Arthur se suavizaram ao olhar para Amanda. Era um olhar de genuína ternura, um olhar que ele nunca dera a Isabela, nem mesmo quando a pediu em casamento.

"Você está linda, Amanda", disse ele, a voz uma carícia baixa. "Mais linda do que qualquer uma aqui."

Isabela sentiu uma dor aguda no peito, mas a reprimiu, substituindo-a por uma fúria fria. Ela caminhou em direção a eles, seus saltos clicando ruidosamente no chão de mármore.

"Ora, ora", disse ela, a voz pingando sarcasmo. "Se não é a convidada de honra. Você fica bem arrumada, Amanda. Para a filha de um empregado."

As palavras foram cruéis, e ela sabia disso. Mas a visão deles juntos, parecendo tanto o casal perfeito, havia arrancado sua compostura.

O rosto de Arthur endureceu, seus olhos se transformando em gelo. Ele olhou para Isabela com puro nojo. "Peça desculpas a ela. Agora."

Amanda puxou o braço dele, os olhos se enchendo de lágrimas. "Está tudo bem, Arthur. A Bela só está chateada. Eu entendo."

Ela se virou para Isabela, uma imagem de inocência ferida. "Nós éramos amigas, Bela. Lembra quando éramos pequenas? Compartilhávamos tudo."

"Ah, eu me lembro", disse Isabela, a voz perigosamente baixa. "Lembro de você sempre querendo o que era meu. Você até tinha um apelido para o Arthur, não é? 'Thur'."

O uso do apelido infantil foi uma provocação deliberada. Era um nome que apenas Amanda usava, um símbolo de sua história secreta e compartilhada.

Isabela viu um brilho de triunfo nos olhos de Amanda antes que eles se enchessem de lágrimas novamente.

"Você me deu este vestido, Thur", disse Amanda a ele, tocando suavemente o tecido de seu vestido. "É a minha cor favorita."

O sangue de Isabela gelou. Ela reconheceu o design. Era um dos seus, um esboço de seu portfólio particular. Um design que ela mostrara apenas para Arthur.

Ela se lembrou de Amanda tentando roubar seus esboços de design na faculdade, alegando que eram dela. Isabela ficara furiosa.

"Você é uma ladra, Amanda", disse Isabela, a voz tremendo de raiva. "Esse design é meu. Você o roubou, como sempre faz."

Amanda ofegou e tropeçou para trás, caindo no chão como se Isabela a tivesse golpeado. "Bela, não! Por que você diria isso?"

Ela se arrastou em direção a Arthur, agarrando a barra de sua calça. "Thur, me ajude. Ela está me assustando."

Arthur se ajoelhou, o rosto uma máscara de fúria dirigida a Isabela. Ele ajudou Amanda a se levantar, seu toque gentil. "Está tudo bem. Eu estou aqui."

Ele olhou para Isabela, e seus olhos estavam cheios de um ódio tão profundo que pareceu um golpe físico. "Você é inacreditável. Não suporta ver ninguém feliz, não é?"

Isabela sentiu seu coração se estilhaçar em um milhão de pedaços. Ele não acreditava nela. Ele nunca acreditaria nela.

Mais tarde naquela noite, ela se aproximou dele, segurando uma pequena caixa de veludo. Era uma oferta de paz, um esforço desesperado e de última hora. Dentro havia um par de abotoaduras de diamante antigas que ela comprara para ele.

"Arthur", disse ela suavemente. "Sinto muito pelo meu comportamento mais cedo."

Ele pegou a caixa sem olhar para ela. Abriu, olhou para as abotoaduras e depois caminhou até Amanda.

"Aqui", disse ele, entregando a caixa a ela. "Um presentinho para o seu pai."

Ele dera o presente dela, um presente destinado a ele, para a família da mulher que ele realmente amava. Foi uma rejeição tão total, tão completa, que ela mal conseguia respirar.

"Não se preocupe, Amanda", disse ele, virando-se para ela com um sorriso. "Vou te dar aquele estúdio de design que você sempre quis. O que você desejar."

Isabela os observou, uma onda de náusea a invadindo. Ela se virou para sair, querendo apenas escapar daquela exibição sufocante de afeto.

De repente, houve um barulho alto. Uma enorme escultura de gelo decorativa no centro da sala se desestabilizou e estava caindo. Estava indo direto para onde Amanda e Isabela estavam.

Em uma fração de segundo, Arthur se moveu. Ele se jogou na frente de Amanda, protegendo-a com seu corpo enquanto o enorme bloco de gelo se estilhaçava ao redor deles.

Ele nem sequer olhou para Isabela.

Um grande caco de gelo voou pelo ar, atingindo Isabela com força na lateral do corpo. A força do impacto a derrubou. Ela gritou de dor ao atingir o chão.

Sua visão ficou turva. A última coisa que viu antes de desmaiar foi Arthur segurando uma Amanda aterrorizada, sussurrando palavras de conforto em seu cabelo, completamente alheio ao fato de que sua noiva sangrava no chão a poucos metros de distância.

Ela acordou em um quarto de hospital branco e estéril. A primeira coisa que viu foi Amanda, sentada ao lado de sua cama, enxugando os olhos com um lenço de renda.

"Oh, Bela, você acordou", chorou Amanda, a voz embargada de falsa preocupação. "Eu sinto muito, muito mesmo. A culpa é toda minha."

Isabela apenas a encarou.

"Se não fosse por mim, você não teria se machucado", continuou Amanda, sua performance impecável.

"Você está certa", disse Isabela, a voz rouca. "A culpa é sua. Você é uma maldição. Tudo de ruim que já aconteceu comigo é por sua causa."

Amanda recuou, os olhos arregalados de choque. "Bela! Como você pode dizer isso?"

Arthur entrou naquele momento, o rosto uma máscara trovejante. "Como você pode ser tão cruel? Ela ficou ao seu lado a noite toda, preocupada com você, e é assim que você a trata?"

"Ela é uma atriz, Arthur", disse Isabela, olhando para além dele, para a janela. "E você é o fã mais devoto dela."

Ele ignorou as palavras dela. "Você sempre foi assim. Mimada, egoísta e cruel."

Isabela virou a cabeça lentamente para olhá-lo. "Você uma vez jurou que me protegeria, Arthur. Lembra disso?"

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