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As marcas do passado

As marcas do passado

Autor:: Choryah
Gênero: Romance
Desde a morte da sua amada nenhuma outra mulher foi capaz de despertar o amor de Carlos até que sua nova secretária acendeu novamente aquilo que achava está morto. Mas o que fazer quando a mesma que te trouxe esses sentimentos foi a que lhe deixou tantas feridas? Marcas do passado conta a história de duas pessoas que tiveram suas vidas destruídas depois de um trágico acidente. Contudo o destino lhe reservava bem mais do que isso.

Capítulo 1 O princípio

Dez anos haviam se passado desde o trágico acidente que acabou ceifando a vida da única mulher que Carlos foi capaz de amar.

Não podia negar que durante esses anos outras mulheres não fizeram parte da sua vida, mas a maioria não passava de apenas uma noite.

Carlos ansiava com o dia que ele encontraria aquela que lhe causou tanta dor e que lhe tirou o grande amor da sua vida. Ele a faria pagar por todas as feridas que nem mesmo uma década foi capaz de cicatrizar.

- Carlos, ocupado?

Marcos era um homem alto, forte, de pele negra que chamava atenção por onde passava, entrou na sala com um envelope na mão.

- Alguma coisa?

Carlos afastou sua cadeira um pouco para trás e sentou colocando seu braço sobre a mesa.

- Sua espera terminou...ela finalmente retornou.

Marcos colocou o envelope sobre a mesa e Carlos tirou algumas fotografias de lá.

- Uma espera de dez anos que finalmente chegou ao fim.

Ele olhava atentamente para a mulher que estava naquelas fotografias.

- O que pretende fazer?

Questionou Marcos se sentando logo em seguida.

- O que acha? - ele sorriu.

- Cara, como seu melhor amigo tenho te apoiado em todas as suas decisões, mas não creio que esse seja o melhor caminho, não fará bem para ela e muito menos para você.

Como melhor amigo de Carlos, Marcos não poderia deixar de se preocupar, afinal alimentar ódio por outra pessoa fazia muito mais mal a pessoa que odeia do que a pessoa que o ódio era direcionado.

- E o que ela fez foi certo? Não pagar pelos seus crimes foi certo?

Ele bateu à mesa com as fotos.

- Calma, só quero que você pense um pouco, já se passaram dez anos, Carlos, dez anos.

- Exatamente! Faz dez anos que ela fez da minha um inferno. Dez anos que sofro com a falta da única mulher que fui capaz de amar um dia. Você sabe o quanto eu sofri com tudo isso, então por favor não me peça para não fazer nada porque eu não consigo vê-la ser feliz enquanto a única pessoa a sofrer nessa história seja eu. A única coisa que eu quero é fazer a justiça que a lei não foi capaz de fazer.

Seu tom de voz e seus olhos denunciavam o tamanho do ódio que ele havia alimentado por todos esses anos.

- Tá bom, cara, faça o que você achar que é melhor, mas depois não diga que eu não avisei.

Marcos se retirou da sala o deixando sozinho.

- Por onde devo começar, Ana?- amassou uma das fotos.

Dez anos haviam se passado desde a última vez que Ana esteve em seu país e voltar não estava em seus planos, mas por causa da doença de seu pai se viu obrigada a retornar.

Ana não queria voltar para o lugar que lhe causou tanta dor e que lhe deixou tantas marcas, mas não podia deixar sozinho o único que a amou quando todo o mundo a condenava inclusive a sua própria mãe.

- Oi, amiga!- atendeu o celular.- Sim, já cheguei, só vou pegar um táxi e ir para um hotel.

- Não vai ficar na casa de seus pais?

- Não creio que seja uma boa ideia reencontrar a minha mãe mesmo depois de tanto tempo...um táxi, amiga, depois eu te ligo.

Antes que Clara pudesse dizer alguma coisa, Ana terminou a ligação.

Já no hotel Anna perguntar à recepcionista se não havia algum quarto que não tivesse banheira, mas nem quartos vazios tinha.

- E agora, o que eu faço?-indagou olhando para sua bagagem.

Novamente pegou um táxi e se dirigiu para o hotel mais próximo.

- Boa tarde! poderia me informar se tem algum quarto disponível?

- Sim , respondeu a recepcionista.

- E tem algum que não tenha banheira? diga que sim, por favor.

- Infelizmente não.

- Que pena! - ela se retirou. -- Só me resta apelar.-Ela ligou para o seu pai.- Pai, no hotel do senhor tem algum quarto que não tenha banheira?

- Por que não me disse que já tinha chegado?

- Não queria incomodar, mas infelizmente não encontrei nenhum hotel com um quarto que não tivesse banheira. Então, tem algum?

- Qual a necessidade de procurar um hotel quando o seu pai é dono de vários? Mas tem, Ana.

Sabendo da condição de sua filha, John, mandou que em todos os seus hotéis fossem feitos quartos que somente ela poderia usar e que em nenhum deles deveriam ter banheiras.

- Não precisa ficar bravo, tá! vou pegar um táxi e depois eu ligo.

Ana se dirigiu ao hotel de seu pai e pode perceber que diferente dos demais que estavam bastante movimentados o dele havia pouco movimento.

- Boa tarde! não sei se meu pai já ligou...

- Boa tarde! sim, ele já ligou, senhora Ana.- disse a interrompendo.

- Que bom! tudo que eu preciso agora e tomar um banho e descansar.

Ela pegou a chave e se dirigiu em direção ao quarto.

- Finalmente!

Ana se jogou sobre a cama e sem perceber acabou adormecendo.

Com suas mãos trêmulas e cheias de sangue, Ana tentava manter a sua concentração na estrada enquanto dirigia o carro da família debaixo de uma densa chuva.

Lágrimas escorriam por toda a sua face e por mais que ela tentasse manter as esperanças suas mãos sujas de sangue sobre o volante insistiam em lembrá-la em ir mais rápido.

- Ana!

Uma voz feminina fraca a tirou de seus pensamentos.

- Vai ficar tudo bem. - dizia sem ao menos olhar para trás.

- Ana des-desculpa.

A voz que antes a chamava se silenciou fazendo com que Ana tirasse seus olhos da estrada e por causa de uma fração de segundos sentiu um impacto que a fez perder seus sentidos

Nesse momento sentiu algo a puxar subitamente a tirando daquele terrível pesadelo.

- Estava demorando.

Sua respiração estava ofegante e todo o seu corpo estava suado.

Desde a morte da sua irmã em um terrível acidente Ana passou a ter pesadelos recorrentes daquele dia, mas que com o tempo foi desaparecendo, porém retornar ao seu país trouxe de volta o que ela apenas queria tanto esquecer.

- Um banho seria ótimo.

Na manhã seguinte, Ana se dirigiu ao restaurante do hotel onde marcou de tomar o café da manhã com o seu pai.

- Ana, aqui!- seu pai a chamou.

- Pai! - ela não podia esconder a emoção que era vê-lo novamente e o abraço.

- Bom dia! - uma voz masculina grave, mas calma chamou a sua atenção.

- Desculpa, é que faz tempo que não vejo a minha filha.

- Tudo bem! - ele sorriu.

A sua frente estava um homem alto, forte, de cabelos escuros e olhos claros.

- Uau! Ele é bonito!- pensou.

- Filha, esse é Carlos Hernandes, o meu futuro sócio. Carlos, essa Ana minha filha e também sucessora de tudo aquilo que eu administro.

- Prazer, senhora Ana.

- Senhorita! Ela não é casada. -John o interrompeu.

- Ah, é que ela é tão bonita que pensei que já estivesse casada.- olhou fixamente para ela.

- Como queria que isso fosse verdade...pelo menos teria esperança de ter um neto.

-Pai! Prazer, senhor Carlos. Ah, não ligue para ele.

- Pode me chamar só de Carlos! Não se preocupe, os meus são piores. -ele riu.

- Tá bom, enquanto tomamos café conversamos sobre o que viemos fazer aqui.

John percebeu a forma que Carlos olhava para sua filha e apesar da diferença de idade ele gostaria que algo acontecesse entre os dois. Afinal, Carlos era um ótimo partido.

Depois que todos fizeram seus pedidos Anna perguntou o porquê daquela reunião.

- Como sabe, filha, seu pai já não é mais o mesmo. O médico me recomendou repouso absoluto e isso significa que preciso me abster de todo o meu trabalho, mas como fazer isso se não tenho quem tome a frente dos meus negócios. Então, aceitei ser sócio do Carlos pelo menos nesse hotel por causa da sua experiência no ramo da hotelaria e na esperança de que você possa aprender com ele e um dia tome posse não somente deste hotel, mas dos demais também.

- Se me permite.- disse Carlos o interrompendo.

- Sim, claro.

- Seu pai me disse que trabalhava como secretária em uma grande empresa na França.

- Sim, mas não era nada parecido com um hotel.

- Bom, também administro os negócios do meu pai, mas no momento estou à procura de uma nova secretária já que a minha pediu demissão para se casar.

- E o senhor quer... perdão, e você quer que eu seja sua secretária? E isso?

- Sim! Mas não se sinta ofendida... é só uma troca de favores... enquanto trabalha para mim como secretária aprende como funciona a administração de um hotel.

- Tem certeza que é isso que o senhor quer, pai?

Ana não se sentia capaz de tal coisa.

- Seria uma ótima oportunidade! Carlos administra os negócios de seu pai desde muito novo e tem tido êxito nisso.

Era nítido o interesse de John nessa parceria.

- Não seria mais fácil contratar uma secretária de acordo com as suas exigências?

Ana voltou o seu olhar para Carlos enquanto ele tomava mais um gole de café.

- Para ser sincero, não! Tem todo um processo de entrevistas onde nem todas possuem os critérios que exijo.

- E quais seriam eles?

- Você tem experiência, fala outros idiomas, trabalhou em outro país e também é filha do meu futuro sócio. Então acho que preenche os meus requisitos.

Carlos fazia questão de manter os seus olhos fixos sobre ela.

- Não sei se eu seria a pessoa indicada nesse caso.

Ana já estava desconfortável pela forma que ele a olhava.

- Não quero pressioná-la ou algo do tipo. Só quero dizer que você me ajudaria a poupar o tempo que gastaria entrevistando outras secretarias e eu a ajudo a cuidar dos negócios do seu pai...ou seja, uma mão lava a outra.

Ele sorriu enquanto levava novamente a xícara até sua boca.

- Se é isso que o meu pai quer.

- Ótimo! Então já vou indo. Quando a papelada do acordo estiver pronta envio para sua residência. Ana, foi um prazer conhecê-la. -Carlos os deixou a sós.

- Sei que não é o que deseja, mas não posso deixar que todo o trabalho de uma vida se perca... você entende, não é querida? - John pegou em sua mão.

- Então nesse caso farei o meu melhor.

Não era o que ela queria, mas não poderia deixar seu pai preocupado.

Capítulo 2 Finalmente parte II

Já no seu escritório Carlos andava de uma lado para o outro.

- Assim vai acabar criando um buraco na sala. Marcos brincou.

- Não sei se você percebeu, mas não estou para brincadeiras.

Carlos se aproximou dele e deu três tapinhas em seu peitoral.

- Tá bom.

- A papelada do acordo já está pronta?

- Estão sendo imprimidas.

- Assim que terminar envie para casa do senhor John.

- Ela aceitou mesmo ser sua secretária?

- Mais fácil do que eu pensei que seria.

- Sim, e agora, o que pretende fazer?

- O que acha que mais machuca uma mulher?

- Não sei...o quê?

- Ser desprezada por aquele que ela ama.

- Meu amigo, às vezes acho que ao invés de ser um adulto de trinta e cinco anos é apenas um adolescente com uns planos nada a ver. Você é o que? dez anos mais velho do que ela? O que te faz pensar que isso dará certo?

- Quer apostar? - disse confiante.

- E ainda dizem que eu sou o mais infantil de nós dois. Sou mais mulherengo, mas infantil, não!

- Tá com medo de perder?

- Tá, vamos supor que você consiga conquistá-la e depois... irá beijá-la mesmo sabendo que ela é a culpada da morte da Lisa? Conseguirá ir para cama com alguém que tem odiado por tanto tempo? Me desculpe, mas esse plano é falho, meu amigo e você sabe disso.

Diante das palavras do seu melhor amigo, Carlos apenas permaneceu calado.

Já era noite e Ana estava pronta para dormir quando seu celular tocou.

- Número desconhecido... alô.

- Oi, Ana! Desculpe incomodar a essa hora.

- Quem é?

- Carlos.

-Ah, senhor, digo, Carlos...o que deseja?

- Liguei para informar que seu pai e eu somos oficialmente sócios e que preciso que você se faça presente amanhã aqui no meu escritório.

- Amanhã?

- Sim, algum problema?

- Não é que foi tudo tão rápido.

- Como eu disse...estou sem secretária.

- Me passa o endereço e amanhã estarei lá.

- Não se preocupe, mandarei um carro para ir buscá-la.

- Não... desligou na minha cara? O que tem de bonito tem bruto.

Deitado sobre sua cama Carlos pensava nas palavras do seu melhor amigo, "conseguirá beijá-la ou dormir com ela?" Ele não sabia se conseguiria, mas era um sacrifício a ser feito e quando ela estivesse apaixonada a humilharia e a deixaria como se fosse um lixo a qual não pode ser reciclado.

Ana praticamente madrugou no dia seguinte deixando sobre sua cama algumas roupas que pretendia usar no seu primeiro dia de trabalho.

- Quem é a essa hora? - seu celular estava tocando- Oi, Clara.

- Amiga, você nem me ligou.

- Desculpa, estava muito cansada.

- Então, viu sua mãe?

- Ainda não. Meu pai disse que não era um bom momento.

- Como ele está?

- Apesar de querer parecer está bem sei que ele não tá.

- E você? Tem tido pesadelos?

- Só no dia que eu cheguei.

- Qualquer coisa me diz que eu pego um avião e vou até você.

- Eu sei.

Desde que Ana se mudou para França que Clara se tornou um pilar que na maioria das vezes a impedia de cair. Eram como irmãs sempre apoiando uma à outra.

- Amiga, depois nós falamos...preciso me arrumar para ir trabalhar.

- Já?

- Pois é...irei trabalhar como secretária do sócio do meu pai.

- Hum?

- Bom, é uma longa história, mas resumindo, enquanto presto serviços de secretária ele me ensinará como se administra um hotel.

- Tomara que ele não seja como aquele velho decrépito do seu antigo chefe.

- Bom, pelo menos ele não é.

- E como ele é.

- Bonito, muito bonito...eu preciso ir.

Assim que terminou a ligação, o telefone do quarto tocou informando que havia um homem esperando lá fora.

- Bom dia!

- Quando me disse que mandaria alguém vir me buscar não esperava que esse alguém fosse o senhor, digo, você.

- Sou tão velho assim?

- Desculpa, força do hábito.

- Relaxa, estava apenas brincando.- ele abriu a porta do carro.

Antes de chegarem à empresa, Carlos entregou sua agenda.

- Todos os meus compromissos estão aí, se tiver dúvidas me chame.

- Agora pela manhã terá um café da manhã com o senhor William.

- Que droga.

- Hum?

- É sempre um desprazer me encontrar com ele...nunca nada tá bom.

Era nítido o descontentamento dele em ter que se encontrar com William.

- Tem algo que eu preciso saber sobre ele?

Ana estava com uma certa curiosidade.

- William tem uma agência de turismo que indica o nosso hotel para os turistas, mas ele é sempre tão exigente em tudo que se torna um estorvo.

- Ah, mais alguma coisa?

- Certamente ele a convida para sair, mas não se preocupe cuidarei disso. Agora me diz essa ou essa?- perguntou apontando para duas gravatas, uma preta e uma azul.

- A azul!

- Pode me ajudar a colocá-la? Nunca fui bom nisso, então quem me ajudava antes era a Alice, minha antiga secretária.

- Senhor, já chegamos!

- Assim que Ana terminar de colocar a gravata sairemos.

- Sim, senhor. - o motorista os deixou às sós

- É, licença.- ela pegou a gravata e se aproximou dele.

- Que perfume você usa?

- Hum? - aquela pergunta a fez perceber que ele a olhava fixamente e não podia negar que a sua voz de certa forma era um tanto sedutora o que a fez perceber que provavelmente estava diante de um mulherengo.

- Não é perfume.- respondeu olhando em seus olhos, mas logo desviou o seu olhar.

- E esse cheiro é o quê? - desviou seu olhar para os lábios dela.

- O meu hidratante...se não gostar...-ela percebeu que os olhos dele estavam sobre os seus lábios.- É...se não gostar eu...

O seu olhar a deixava desconcertada.

- O que foi?- Carlos percebeu que a deixou nervosa.

- Nada! - Ela se afastou- Se não gostou, não usarei novamente.

Tentava evitar olhar para ele.

- Pelo contrário...gostei bastante -- ele sorriu.

- Perfeita.- disse olhando para sua gravata.

-Vamos.

Ele novamente abriu a porta do seu carro e a esperou sair.

Antes de irem se encontrar com William, Carlos a levou até a sua sala.

- Ana, esse é o Marcos, Marcos essa é a Ana.

- Seja bem-vinda.

Marcos não sabia como deveria agir diante de Ana, mas tentou agir o mais natural possível.

- Obrigada.

Ana só conseguia pensar em como tinha homem lindo naquele escritório diferente do seu antigo emprego.

- E onde eu ficarei?

- Aqui na minha sala.

- Por que? - sua voz saiu um pouco alta.

-Desculpa!

- Sei que deve estar estranhando, mas como você também veio aprender como administrar um hotel o melhor é ficar aqui perto de mim, não acha? - ele a observava enquanto ela olhava para a sala.

- Bela sala.

- Obrigada! Marcos, iremos nos reunir com o William, então deixo com você o trabalho de providenciar uma mesa para Ana.

- Ok.

- Vamos?

- Sim.

Carlos a levou para um dos hotéis de seu pai.

- Sabe o que não entendo...

- O quê?

- Como alguém que administra vários hotéis vira sócio da sua concorrência.

- Até hoje só tenho administrado os hotéis do meu pai. Então queria experimentar administrar algo meu, mas como eu não teria todo esse tempo o melhor é ser apenas sócio ao invés de dono. E você, por que ser secretária ao invés de administrar os negócios da família?

- Não pretendia voltar, mas meu pai ficou doente e aqui estou eu tentando recuperar o tempo perdido.- sorriu sem graça.

- E por quê não queria voltar?

Antes que Ana pudesse responder foram interrompidos por William.

- Vejo que está bem acompanhado.

William puxou a cadeira e se sentou ao lado de Ana. - Como se chama?- jogou o seu corpo para o lado dela.

- Você nunca muda, não é William!

Carlos a puxou para perto de si.- Agradeceria se não assustasse a minha nova secretária justo no seu primeiro dia de trabalho.

- Todas as suas secretárias são umas beldades, um verdadeiro colírio para os olhos.

Ana podia sentir-se despida apenas pela forma que William a olhava.

- Bom, aos negócios. - ele tirou uma pasta da sua maleta e colocou sobre a mesa. - Como sabe próximo mês será um mês bem movimentado e gostaria de saber qual será a minha porcentagem dos clientes que irão se hospedar no seu hotel.

- Sabe que a porcentagem é de 10%.

William movimentou a sua cabeça em sinal de negação.

- 15% o que acha?- tentou negociar.

- Não mesmo!- Ele riu.

- Menos que isso eu não negocio.

- Se é só isso, vamos Ana.

Carlos se levantou e enquanto arrumava o seu paletó William voltou atrás com suas palavras.

- 12% que tal?

- Tá bom! Vamos Ana!

Aquela foi a negociação mais rápida que já ela participou em toda a sua vida.

- Faça um contrato com essa nova alteração e envie para o escritório dele.

- Tá bom.

Tudo foi tão rápido que nem sequer deu tempo deles tomarem café.

Já era quase a hora do almoço e Ana se perguntava quando ele a liberaria para comer, pois estava com muita fome já que nem café eles tomaram.

- Carlos, não vai sair para almoçar?

Marcos tinha o costume de entrar na sala sem se anunciar e isso fez com que Ana se assustasse já que a sala estava em silêncio desde a hora que eles chegaram.

- Me desculpa! Eu a assustei?

- Sem problema -- respondeu com um sorriso.

- A hora passou tão rápido que nem percebi.

Carlos olhava para o relógio em seu pulso.

- Só se for para você porque pra mim quase que ela não passa.- pensou consigo.

- Ana, você não vem?

Sua voz a tirou de seus pensamentos.

- Para onde senhor Carlos?

- Almoçar, você não vem?

- Com vocês?

- Sim, algum problema?

- Não é que prefiro ir sozinha.

- Sem problema! A vejo mais tarde.

Marcos e Carlos se direcionaram até o elevador.

- Senhor Carlos? Acho que seu plano não está dando certo- Marcos brincou.

- Calma, é só questão de tempo.

- Cara, outras mulheres ficaria super felizes em ser convidada para almoçar com um de nós dois, mas ela não parecia tão contente assim.- ele riu.

- Tá rindo do quê? Nem com você ela ficou animada, acho que está perdendo o seu charme senhor Marcos.- ironizou.

- É porque nunca joguei o meu charme para ela, caso contrário ela já estaria na minha. Já você tenho certeza que tentou e o resultado não foi tão bom assim...pelo menos foi o que percebi.

Carlos e Marcos eram bastante conhecidos por serem bastante cobiçados pela mulherada e que nenhuma mulher havia resistido ao charme e ao dinheiro deles.

Capítulo 3 Não deveria ter voltado

O final de semana havia chegado e finalmente Ana teve folga desde que começou a trabalhar com Carlos.

Aprender como se administrava um hotel não era nada fácil, mas ele a ensinava com muita calma e paciência. Às vezes sentia um certo olhar vindo da parte dele, mas sempre achava que pudesse ser apenas impressão da sua parte.

- É hoje que irá visitar a sua mãe?

Ana falava com Clara ao telefone.

- Acho que já evitei o que tinha que evitar.

Fazia dez anos desde que Ana havia tido contato com a sua mãe já que a mesma se recusava a falar com ela desde a morte de Sara.

Talvez esse seja o maior motivo que faz com que Ana ainda se sinta culpada mesmo sabendo que ela tentou fazer o melhor que pôde diante daquela situação.

- independente do que você veja ou ouça saiba que você não é culpada e que eu estarei aqui para o que você precisar, te amo.

- Também te amo!

Ana sabia que não seria uma tarefa fácil encontrar com a sua mãe, mas não poderia evitá-la para sempre.

- Coragem, Ana!

Tentava animar a si mesma.

Ao chegar na antiga casa que costumava ser seu lar, apenas encontrou Joana, a governanta da casa.

- Menina, Ana!

Joana começou a trabalhar para a família quando Ana nasceu, por isso mantinha um carinho especial por ela.

- Joana, quanto tempo!

Ana a abraçou e depois de tanto tempo sentiu o que está em casa novamente.

- Seu pai não está.

- Não vim ver ele e sim minha mãe, ela está?

- Sua mãe?

Ana percebeu que Joana começou a agir estranho depois que ela perguntou sobre a sua mãe.

- Aconteceu alguma coisa que não estou sabendo, Joana?

Vendo que Joana não respondia, Ana subiu as escadas e encontrou o quarto de Sara aberto.

- Não mudou nada!

Sobre a escrivaninha havia um retrato das duas e Ana o pegou.

- Ela era tão linda!

Ana não podia deixar de se emocionar ao vê-las naquela fotografia.

- Quem é?

Ao ouvir aquela voz seus batimentos aceleraram e todo o seu corpo estremeceu.

Ana virou-se para ver a dona daquela voz que por tantos anos anseia ouvir nem que fosse por ligação, mas que em nenhum momento esse desejo se tornou realidade.

- Quem é? O que faz no quarto da minha filha?-

Mesmo estando face a face com sua mãe a mesma já não a reconhecia por outro lado Ana não se esqueceu de nenhum traço sequer do seu rosto.

- Não gosto que entrem no quarto da minha filha sem serem convidadas e ainda mais que fiquem mexendo em suas coisas.-

Marta pegou o porta retrato de suas mãos e o colocou no mesmo lugar.

Antes que Ana pudesse dizer alguma coisa seu pai entrou no quarto.

- Ana!

O semblante de seu pai demonstrava surpresa e preocupação.

- Ana? Você é a Ana?

- Sim, mãe! sou eu, sua filha.

Sem perceber, Ana apenas sentiu quando sua mãe a esbofeteou.

- Como ousa voltar aqui? Como ousa entrar no quarto da minha filha depois do que fez? Vai embora daqui! Saia do quarto da minha Sara!

Marta apenas gritava sem parar deixando Ana surpresa e assustada diante daquela situação.

Seu pai a puxou pela mão e pediu que Joana acalmasse Marta.

- Por que não me disse que viria?

- Eu achei que...o que tá acontecendo? Por que a mamãe está assim? E-ela não parece estar bem.

Ana foi novamente em direção a sua mãe, mas seu pai a impediu e tudo que ela conseguia ouvir era a sua mãe chamar pela Sara.

- Não vá...sua mãe não quer vê-la.

- O que devo fazer então? Dez anos que eu não a vejo e tudo que recebo é um tapa na cara. O que está acontecendo, pai?

- Desde a morte da sua irmã sua mãe não foi mais a mesma... têm dias que ela tem esses ataques e outros ela vive em um mundo que ela mesma criou.

- O senhor já a levou em um profissional?

- Sim, e eles me indicaram deixá-la internada, mas não posso fazer isso com a sua mãe, não posso fazer isso com a mulher da minha vida. Por isso tenho cuidado dela em casa na esperança que um dia ela possa ser a que um dia foi.

- Por que não me disse isso antes.

- E você iria fazer o que? Veja como sua mãe ficou só de vê-la.

- Tem razão, não deveria ter vindo...acho que nem viva eu deveria estar.

Ela apenas saiu correndo daquela que um dia foi seu lar e que viveu tantos momentos bons. Seu pai a quis alcançar, mas devido a sua idade e a sua condição não pôde.

Ana caminhou a tarde toda pelas ruas até que a noite resolveu voltar ao hotel onde encontrou Carlos a esperando.

- Ana!

Vendo que ela parecia estar distraída, pegou em seu braço a assustando.

- Desculpa, não quis te assustar, mas é que a chamei e como você não me ouviu.

- Algum problema no trabalho?

Carlos percebeu que algo estava acontecendo e aproveitou disso para chamá-la para sair.

- Não! É que como faz tempo que não esteve no país pensei em chamá-la para beber algo, aceita?

- Obrigada, mas não bebo.

- Pela sua expressão acho que uma cerveja já ajudava.

- Tá tão na cara assim?

- Sim, mas todos nós temos nossos dias bons e ruins, o importante é não deixar que os ruins estraguem os bons. Vamos, eu pago.

Ana não bebia por conta dos medicamentos que costumava fazer uso, mas naquele dia tudo que ela precisava era de um ombro e talvez de bastante álcool.

- Por quê não, não é?

Carlos a levou até um barzinho que costumava frequentar.

- Espero que goste é um dos meus lugares favoritos.

- Não costumo andar em bares.

- E o que faz para se divertir?

- Trabalho, vou ao cinema, a restaurantes e converso com a minha melhor amiga.

- E desde quando trabalhar é um divertimento?

- Desde que ele te faça esquecer um pouco da sua vida.

Carlos estava curioso para saber o que havia acontecido, mas não queria perguntar caso ela decidisse ir embora, mas não porque ele estava preocupado e sim porque queria aproveitar da situação para se aproximar um pouco mais dela.

- Então vamos beber! Garçom, duas bebidas das mais forte que tem.

- Seu pedido é uma ordem, senhor Carlos.

Enquanto as bebidas eram preparadas ele a observava.

- Sinto que algo grave aconteceu, mas não sei se devo perguntar sobre isso.

- Prefiro não falar.

- Tudo bem! Diga, você tem namorado?

- Não!

- Por que não?

- Desde o meu último envolvimento que prefiro ficar sozinha.

- Se decepcionou tanto assim?

- Aqui suas bebidas patrão.

- Obrigado. Aqui, beba de um só gole.

Ana apenas fez o que ele disse e imediatamente sua expressão mudou.

- Isso queima! Meu Deus, isso arde! Realmente é forte.

Carlos apenas riu da sua reação.

- Tá rindo do quê? Garçom, traz outro igual a esse.

- Tá bêbada? Tá brincando, não é?

Carlos não acreditava que ela poderia estar bêbada em tão pouco tempo e com tão pouco álcool.

- Por acaso uma mulher não pode ficar bêbada? Só um homem que pode? Eu bem que vi que você era igual a todos, nenhum homem presta!

- É, você realmente está bêbada!

Ana bebeu um, dois, três, quatro...seis...sete e quando ia beber o oitavo drink Carlos a impediu.

- Deixa de ser chato!

- Não pode, já chega!

Carlos pegou o copo da sua mão, mas Ana o tomou.

- Eu já disse que não pode!

Ele gritou e os olhos delas encheram de lágrimas.

- Gritou comigo?

- Me desculpa, tá?

- Não grita comigo!

Ela gritou com ele chamando a atenção de todos que estavam no local.

- Vamos embora!

- Não vou enquanto não terminar de beber.

- Aqui, só esse!

Vendo que não iria adiantar impedir que ela bebesse apenas entregou o copo a ela.

- Agora podemos ir. Opaaa.

Ana perdeu o equilíbrio, mas antes que pudesse cair Carlos a segurou.

- De onde esse homem tão bonito saiu? Tem namorada? Se não tiver eu posso ser a sua.

Todos os olhavam estranhamente fazendo com que Carlos saísse dali o mais rápido possível.

Ele a levou até seu carro e pediu que o seu motorista os levasse até o hotel que ela ficava, mas desistiu no meio do caminho e a levou para o seu apartamento.

Inconsciente, Ana foi levada até a sala do apartamento de Carlos onde ele a deitou sobre o sofá da sala.

- O que devo fazer com você?

Ele se questionava enquanto a observava dormir.

Carlos não sabia se conseguiria dormir com ela então aproveitou que ela estava bêbada e a levou para o seu quarto e a deitou sobre sua cama.

- Onde estou?

Por um breve momento Ana abriu os seus olhos e o encarou. Naquele momento Carlos sentiu seu corpo todo arrepiar.

- Elijah!

Ana o confundiu com seu ex namorado e o beijou.

Ao sentir os lábios dela sobre os seus a empurrou e com o dorso da sua mão direita limpou os seus lábios.

- Está fazendo calor!

No mesmo momento Ana começou a se despir ficando somente de calcinha e sutiã.

Foi nesse momento que Carlos teve a brilhante ideia de fingir que passou a noite com ela.

Carlos deitou ao lado dela e a puxou para mais perto de si colocando a cabeça dela sobre o seu peitoral.

Aquela noite parecia não ter fim e nunca antes enquanto estava com uma mulher desejou que a noite passasse tão rápido como ele estava desejando naquele momento.

Estava quase adormecendo quando a sentiu se movimentar e dizer algumas palavras.

Ele não conseguia entender o que ela estava dizendo, mas pode ver algumas lágrimas escorrer dos seus olhos.

Carlos se aproximou para ouvir melhor o que ela estava tentando dizer, mas se assustou quando ela abriu os olhos novamente.

- Carlos!

Ele pensou que ela gritaria ao vê-lo, mas foi surpreendido quando ela o abraçou.

- Não deveria ter voltado, não é?

Fechou seus olhos e adormeceu novamente o deixando desconcertado com aquele abraço.

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