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Asas de Anjo

Asas de Anjo

Autor:: AlinePoirot
Gênero: Romance
Uma comédia romântica que conta a história de Bianca, uma jovem em busca de um novo começo. Depois de convencer seus pais de que estava preparada e madura o suficiente para morar sozinha, ela se matriculou em uma universidade localizada em uma pequena cidade do interior. No trem, indo para seu futuro novo lar, ela conhece Val, um jovem que tem todas as características de um "badboy". Val simpatiza com Bianca e a apresenta ao seu grupo de amigos, os temidos "Badboys" da UCC. Em especial o mal-humorado Eduardo, a quem tinha como um irmão. Em um mundo cheio de "certezas absolutas" e preconceitos, nem tudo é o que parece ... As pessoas são muito mais do que os olhos podem ver ...

Capítulo 1 Início

Eduardo olhou mais uma vez para as palavras que acabara de escrever em seu bloco de anotações. Respirou fundo, balançando a cabeça insatisfeito. Arrancou a folha com um misto de raiva e frustração, amassou-a e atirou-a no cesto de lixo, junto com as outras que já tinham sofrido a mesma rejeição.

Faltavam poucos meses para o concurso de música voltado à descoberta de novos talentos. Eduardo participou do concurso anterior, sua música conseguiu o segundo lugar, mas isso não bastava. Precisava conseguir o prêmio em dinheiro, além do contrato com uma renomada gravadora. Ao olhar mais uma vez para a pilha de bolas de papel dentro da lixeira, Eduardo se lembrou das palavras de um dos julgadores do concurso:

"Sua música é boa, você tem talento, mas precisa encontrar a alma de sua música dentro de si, para que ela chegue até o público".

Aquelas palavras ecoavam na mente de Eduardo, deixando-o ainda mais irritado. Levantou-se da cama e começou a andar de um lado para o outro em seu quarto.

"O que esse jurado pensa que sabe sobre música? Encontrar a alma da minha música? Quanta besteira!"

Eduardo olhou para o bloco sobre a cama, então para o violão, e soltando o ar dos pulmões de maneira irritada, saiu do quarto, batendo a porta atrás de si com um estrondo.

- Eita! Cara, o que houve? - Perguntou Rafael, que estava parado no corredor da Pensão Universitária.

Rafael era um jovem de 22 anos, estatura mediana, loiro de olhos azuis e rosto angelical, muito popular entre as garotas da faculdade. Somados a Renato, Val e Alex, eles formavam um grupo de cinco amigos inseparáveis, que, se fossem personagens de um livro, se encaixariam perfeitamente no estereótipo de Bad Boys.

Pelo menos assim que eram vistos na universidade por seus colegas e professores, mas a vida real é muito mais complexa...

- Nada, só estou de mau humor. - Respondeu Eduardo, enquanto continuava a seguir na direção da saída.

- Qual a novidade? Você sempre está mal-humorado! - Rafael soltou uma risada e seguiu Eduardo pelos corredores.

- Sabe quando o pessoal vai chegar? - Perguntou Rafael.

- Não. Val disse que voltaria hoje da casa do pai, mas não disse a hora. Os outros eu não faço ideia, sabe como eles são...

Era a última semana de férias e muitos alunos, que moravam na pensão universitária, ainda estavam nas casas de suas famílias. Rafael chegou pela manhã, Val passou uma semana na casa do pai e já estava à caminho de volta para a pensão. Os irmãos Renato e Alex disseram por telefone que só voltariam no dia seguinte. Eduardo ficou na pensão, como fez nos últimos anos...

- Como estão as coisas com ela? - A voz de Rafael mudou, se tornando hesitante devido à delicadeza do assunto, mas demonstrando sincera preocupação.

- Do mesmo jeito... Eu... Eu ainda não sei o que fazer... - Eduardo respondeu com o rosto sombrio, sem olhar para o amigo.

- Sinto muito, cara... -Rafael abraçou o amigo, maio de lado, de modo consolador. - Tudo vai dar certo, sabe que sempre vai poder contar comigo, não sabe?

Eduardo balançou a cabeça devagar, concordando com o amigo, sem dizer nada.

********************************

Val estava sentado no trem distraído, ouvindo músicas pelo celular. Seus dedos brincavam com o fio dos fones de ouvido sobre o peito. Suas pernas estavam dormentes devido às duas horas de viagem que se seguiram. Olhou pela janela e suspirou... Mais três horas, incluindo cinco paradas de tortura, antes de chegar em casa.

Ele tinha saído cedo de casa, despedindo-se do pai cinco horas da manhã, na estação ferroviária da cidadezinha onde o pai vivia com sua nova esposa e o meio-irmão de Val.

Val não gostava de deixar a mãe sozinha na pensão, especialmente para visitar o pai e a madrasta, duas pessoas que ele mal conseguia suportar. Mas ele gostava muito do meio-irmão e aceitava aturar a companhia do pai para manter contato com o pequeno Lucas.

Afinal, o menino praticamente idolatrava o irmão mais velho e não tinha culpa das ações dos pais deles...

Olhou as horas em seu celular, passavam vinte minutos das sete horas. Àquela hora ele encontrou assentos vazios, porém, depois de atravessar as duas primeiras cidadezinhas o trem sempre lotava, não importando a hora do dia. Suas previsões se concretizaram já na terceira estação, quando o trem lotou como uma lata de sardinhas e os passageiros que entraram ali teriam que seguir viagem em pé.

Ele olhou em volta, observando os rostos distraídos dos passageiros que acabaram de entrar, quando viu uma jovem aparentando cerca de dezoito anos, que carregava uma enorme bolsa de viagem com dificuldade. Ela fazia caretas à medida que se espremia para passar, pedindo licença aos demais passageiros, enquanto procurava um lugar confortável, se é que isso existe em um trem lotado...

Val levantou a cabeça para melhor observar a jovem que parou no meio do corredor do trem. As feições dela demonstravam o desânimo de quem acabou de tomar conhecimento do suplício que teria que enfrentar. Val passou a mão pelo rosto, escondendo o sorriso que se formou em sua boca ao observá-la. Cerca de 1,70, talvez um pouco mais. Morena, cabelos lisos, negros e compridos, presos por um rabo de cavalo. Vestia uma calça (jeans) justa e uma camiseta branca, bastante comprida, que valorizava seu corpo bem feito.

"Uau! Que corpão!"

Pensou, ainda com o sorriso no rosto. Voltou seu olhar para a tela do celular, escolhendo outra música para ouvir. Balançou a cabeça, seguindo as batidas da música e olhou novamente em direção a jovem que chamou sua atenção, mas não a encontrou.

Com a testa franzida, ergueu o corpo e olhou em volta. Um homem de meia-idade, se posicionando quase no meio do corredor, atrapalhava sua visão. Val continuou procurando a jovem discretamente, quando desceu o olhar e percebeu que o tal homem se posicionara exatamente atrás da jovem. O trem fez uma curva e Val pôde ver o rosto dela com a fisionomia contrariada e nervosa. A cada sacudidela do trem, o homem se esfregava ou passava a mão nela, ela olhava para o homem com os olhos arregalados, demonstrando irritação. Depois de tentar "chegar para lá", para evitar o contato com o inconveniente estranho, a jovem decidiu sair do lugar onde estava, carregando mais uma vez o peso de sua bolsa de viagem com dificuldade para um lugar mais próximo de Val, que agora a observava mais atentamente.

O rosto de Val não estampava mais nenhum sorriso.

O homem, sem nem ao menos disfarçar, seguiu a jovem e se posicionou mais uma vez atrás dela. Outra sacudidela do trem, e a mão do homem tocou mais uma vez a jovem, apalpando-a. Ela se virou irritada, mas antes que dissesse algo, Val interveio.

- Qual é a tua, pervertido? Quem te deu o direito de tocar no que não te pertence? - O som da voz de Val ecoou pelo trem, todos os passageiros olharam em sua direção. A jovem olhou para Val com os olhos arregalados de surpresa. - Não tem vergonha na cara não, oh, babaca? - Val completou, as mãos fechadas em punhos.

O estranho olhou para Val com o rosto exibindo ressentimento e indignação, fingindo ser vítima de uma injustiça. Estava pronto para responder, mas fechou a boca no mesmo instante que viu Val se levantar. Os olhos dele se arregalaram ao se depararem com o jovem "Hulk" de mais de 1.90 m de altura, corpo musculoso de boxeador e a expressão do rosto indicando pura fúria.

Acovardado, o homem resmungou algumas palavras que Val não conseguiu entender e mudou de vagão.

-Tudo bem com você, princesa? - Perguntou Val, ainda olhando na direção que o estranho pervertido tinha tomado.

-Sim... Eu estou bem! - Ela respondeu com a voz tímida.

- Gostaria de se sentar? - Perguntou Val ainda de pé.

A jovem o olhou agradecida e, sacudindo a cabeça, aceitou a oferta. Ela levantou a pesada bolsa que carregava e se preparou para sentar no lugar de Val. Ela não sabia, mas Val não tinha a menor intenção de seguir viagem em pé. Essa ideia, aliás, não passou pela cabeça dele em momento algum. Val simplesmente olhou para a pessoa sentada a seu lado, um rapaz magro, aparentando uns dezoito anos de idade, com óculos de aros grossos, escondendo seus tímidos olhos que estavam concentrados lendo Harry Potter e alheios a comoção.

- Hey, você! - Disse Val, com voz autoritária.

O rapaz levantou o rosto e ajeitou os óculos para dar ouvidos ao enorme Hulk desconhecido que se dirigia a ele.

- Levanta daí e deixa a dama sentar, coisa estranha! - Gritou Val, dando uma tapa no topo da cabeça do rapaz. Com o susto, o rapaz deixou o livro cair no chão e soltou um grito um tanto estridente e desproporcional, que fez Val olhar para ele com as sobrancelhas franzidas.

Hm...

A jovem mais uma vez arregalou os olhos, surpresa com a atitude dele, desviando o olhar de Val para o jovem fã de Harry Potter, que imediatamente pegou o livro e se levantou para que ela sentasse, sem nem ao menos olhar para ela. Ele desapareceu em meio aos passageiros antes que ela dissesse alguma coisa. Ela pretendia dizer que ele não precisava se levantar, ou pelo menos agradecer, mas ele correu para longe de Val, apavorado.

- Muito bem, meu rapaz, todos deveriam ser cavalheiros como você! - Gritou Val, olhando na direção que o rapaz seguiu.

Val indicou o lugar perto da janela para que ela se sentasse com uma reverência, estampando um sorriso sincero no rosto. A jovem, como se saísse de um transe, sentou-se hesitante. Depois de alguns instantes de silêncio, ela decidiu se apresentar.

- Obrigada... - Disse ela, colocando a imensa bolsa sob os pés. - Me chamo Bianca Barreto. -Completou, estendendo a mão para cumprimentá-lo.

- Lindo nome, BB. - Val pegou a mão dela e levou até os lábios, mais uma vez com uma reverência. - Meus amigos me chamam de Val.

- Muito prazer em te conhecer, Val, e mais uma vez obrigada por me defender.

- Não fiz mais do que minha obrigação. - Respondeu, com uma piscadela. - Pervertidos como ele mancham a imagem de nós, homens decentes.

Bianca sorriu encabulada e olhou para a mochila que estava no chão, entre as pernas de Val, e observou o símbolo estampado nela.

- Esse símbolo é da U.C.C, você estuda lá?

- Sim BB, estou voltando para lá, já que resta apenas uma semana de férias.

Bianca estava aliviada por conhecer alguém que estuda na mesma Universidade onde se matriculou. Não conhecer ninguém era excitante, mas apavorante. Ter pelo menos um conhecido tornaria tudo mais fácil.

- Que coincidência! - Comentou animada. - Estou indo para lá também, é meu primeiro período. Conhece a Pensão Universitária?

- Conheço sim! Vai se hospedar por lá?- O sorriso de Val se alargou.

- Vou! Acertei tudo pelo telefone com uma senhora muito simpática que me atendeu.

Dessa vez foi Val quem arregalou os olhos, surpreso. Lentamente seus lábios foram desenhando um sorriso mefistofélico.

"Isso vai ser muito interessante...".

Capítulo 2 Pensão Universitária

A pensão Universitária se localizava exatamente ao lado do terreno da universidade e pertencia à mãe de Val. Alunos vindos de outras cidades ou que buscavam uma vida independente de seus pais, se hospedavam e lá permaneciam até se formarem. A proximidade e preço razoável eram grandes atrativos, além da eficiência da proprietária em administrar o local.

Era um imóvel espaçoso, de três andares, com um terraço aberto. O primeiro andar se constituía de duas salas, sendo uma de estar com diversos sofás, almofadas e televisão. Uma outra sala funcionava como um salão de jogos, tendo um sofá antigo, uma mesa de sinuca, máquina de petiscos e de bebidas, dois fliperamas e uma estante repleta de discos de vinil e jogos de tabuleiro. Além das salas, também tinha uma ampla cozinha e uma lavanderia, onde os hóspedes podiam usar livremente as lavadoras, secadoras e ferro de passar. No segundo e terceiro andares ficavam os quartos, todos amplos com banheiros próprios. Seis quartos por andar, sendo todos duplos.

Eduardo e Rafael se divertiam jogando sinuca no salão de jogos. Eduardo segurava seu taco com precisão, corpo curvado sobre a mesa, concentrado, olhando para as bolas à sua frente. Haviam apostado uma caixa de cerveja e Rafael, para variar, estava ganhando.

Eduardo precisava acertar aquela jogada ou perderia jogo, o que significaria ser zoado pelo amigo até o próximo século. Ele estava tão concentrado, que não percebeu quando alguém se aproximou lentamente e não ouviu os passos atrás de si. Na hora em que se preparou para dar sua melhor tacada, um forte estalo ecoou pelo salão de jogos, seguido de um grito rouco e um estrondo de algo caindo no chão.

Rafael se esforçava para conter o riso, mas tal esforço o fez gargalhar ainda mais alto. Especialmente quando seus olhos voltavam para a cena a poucos passos dele. Deitado no chão, com a mão no rosto e um filete de sangue emergindo dos lábios, estava Alex.

- Cara, você me acertou um soco!- Gritou Alex, tocando os lábios com a ponta dos dedos.

- Que merda você pensou que estava fazendo ao me dar um pescotapa, seu corno? - Ripostou Eduardo, ainda furioso.

- Matando saudades? - Renato respondeu no lugar de Alex, entre gargalhadas.

Alex e Renato eram dois irmãos, vinte e vinte um anos, respectivamente. Alex era bem moreno, alto, magro, cabelos negros caindo na testa, mas sempre escondidos por um boné; Renato era o que no passado chamavam de mulato, pele bem morena, cabelo crespo e olhos cinzas, que dependendo do dia, pareciam mais azulados ou esverdeados. Renato tinha o corpo um tanto mais musculoso que o irmão, embora ambos fossem bem definidos pelo boxe que praticavam.

Alex e Rafael tinham um relacionamento de cumplicidade e amizade muito fortes, especialmente por terem personalidades parecidas. Ambos eram simpáticos, amigáveis e mulherengos. Renato, assim como Eduardo, era mais fechado e sério, embora a seriedade de Eduardo, as vezes, fosse um pouco sombria... Os irmãos entraram no mesmo ano que Eduardo e Rafael na faculdade e dividiam um quarto na pensão Universitária.

Eduardo estendeu a mão ao Alex para ajudá-lo a se levantar e se cumprimentaram com um abraço. Jogado no sofá, do canto da sala, perdendo a voz de tanto rir, estava Renato. Os amigos se cumprimentaram.

- Vai pagar a cerveja! - Disse Rafael.

- Porra nenhuma! Não tenho culpa de Alex ter acabado com o jogo!

- Mas você estava perdendo! - Protestou Rafael.

- Por que, em vez de comprarmos cerveja, não esperamos Val chegar, ele vem hoje, não vem? De repente a gente pode ir para o clube, rever as amigas... Sugeriu Alex apertando a mão de Rafael, que o cumprimentou pela ideia.

- Esse é nossa última semana antes das aulas começarem, temos que aproveitar! - Comentou Renato.

*****

Val abriu a porta do charmoso e antiquado prédio da Pensão Universitária e apontou o balcão da recepção, onde uma mulher madura, estatura mediana e cabelos cortados bem curtos, assistia a novela. Quando os viu entrar, a mulher se levantou de um salto e correu na direção de Val.

- Valdemar! Por que não me avisou que voltaria hoje? E por que não atendeu meu telefonema ontem à noite? Não sabe como me deixa preocupada quando ignora minhas ligações? - Gritou alegre Glória abraçando Val, que carregava sua mochila e a bolsa de viagem de Bianca.

- Oi, mãe, já pode parar de me espremer! - Disse sorridente, beijando em seguida a testa de Glória e propositalmente ignorando a enxurrada de interrogações que ela havia lançado sobre ele.

- Quem é essa linda jovem?- Glória perguntou, olhando para a jovem ao lado de seu filho.

- Me chamo Bianca. - Respondeu e estendeu a mão para cumprimentar a proprietária da pensão. - Reservei uma vaga aqui, acredito que falei com a senhora pelo telefone semana passada.

- Ah, sim, querida, será um prazer tê-la aqui conosco. Somos como uma grande família. - Glória pegou um molho de chaves em uma gaveta e jogou para o filho. - Leve-a até o quarto 203, Valdemar.

- Ok, mamãe, até mais tarde!

- Não tão mais tarde, desça logo que eu vou preparar um lanchinho pra você! Deve estar com fome e só de te olhar já vi que perdeu peso! - Glória se retirou para a cozinha na intenção de preparar tal lanche.

Val sorriu. A mãe sempre achava que ele tinha perdido peso cada vez que passava algum tempo na casa do pai. Na verdade, ele temia ter engordado já que, enquanto estava lá, não treinou como de costume.

- Foi muita sorte te conhecer no trem, Valdemar. - Bianca sorriu, levantando uma sobrancelha. - Eu acho que me perderia se estivesse sozinha!

- BB, isso é verdade, é sempre muita sorte me conhecer. - Disse Val, com uma piscadela. - Mas se me chamar de Valdemar de novo, juro que vai perder um amigo!

- Desculpa, Val, não resisti... Aliás, não há nada de errado com seu nome, só te provoquei porque achei sua tentativa de escondê-lo hilária.

- Ok... Esqueça meu nome! Venha comigo que eu te levarei até seu quarto. - Disse Val, quando Bianca terminou de preencher a ficha.

Subiram as escadas para o segundo andar e pararam em frente à porta do quarto 203.

- Voila, Mademoiselle!

Val abriu a porta do quarto para Bianca entrar e entrou em seguida, deixando a bolsa de viagem dela próxima à cama que estava vazia. No lado direito do quarto, tinha um guarda roupa grande e a cama destinada à Bianca. Entre a cama e o guarda roupa ficava uma cômoda/penteadeira com espelho. No lado esquerdo do quarto, onde ficava a janela, tinha outra cama com um violão sobre ela, uma mesinha de cabeceira, uma cadeira com um par de tênis masculinos e uma cesta de lixo cheia de papel amassado.

- Não vai me dizer que você é meu colega de quarto?

- Infelizmente, não... - Val conteve um sorriso e decidiu não comentar nada sobre a outra pessoa que ocupava o quarto 203. - Meu quarto fica no fim do corredor, número 206. Se precisar de alguma coisa, estarei por lá.

Capítulo 3 Eduardo

Bianca sentou naquela que seria sua cama, olhou em volta e se espreguiçou. Sorriu animada com a perspectiva de um novo começo. Tudo, a partir daquele dia, seria novo em sua vida, sem lembranças ruins, sem decepções, sem traições...

Pegou o MP3 para ouvir sua música favorita do One Direction, colocou os fones no ouvido e arrumou suas roupas nas gavetas vazias da cômoda. Sobre ela, espalhou perfumes, pente, escova e os cosméticos que trouxera. Levantou e suspirou ao abrir a porta do guarda roupa que estava cheio de roupas masculinas penduradas de maneira desorganizada. Soprou a mecha de cabelo que havia caído sobre a testa, suspirou mais uma vez ruidosamente e deslizou os cabides para o lado.

No espaço que sobrou, pendurou alguns vestidos e roupas sociais que trouxera. Sentindo-se cansada, decidiu que arrumaria o resto de suas coisas depois de um cochilo. Jogou-se na cama e fechou os olhos, pronta para cair no sono e descansar da viagem.

Bianca estava quase dormindo, naquele limbo entre o sonho e a realidade, quando alguém pigarreou ao lado dela para chamar atenção. Com o susto, Bianca despertou e se levantou. Na frente dela estava um jovem alto, moreno, cabelos castanhos e intensos olhos cinzas, vestindo apenas uma toalha em volta da cintura. Ele se virou de costas para ela por alguns instantes, revirando uma das gavetas da cômoda que continha roupas dele.

Quando se virou de frente para ela mais uma vez, ela não pôde deixar de notar o peito e braços bem definidos, a barriga "de tanquinho" por onde ainda escorriam algumas gotas d'água, indicando que ele tinha acabado de sair do banho.

- Sabe, se você quiser, pode tirar uma foto e guardar para ver depois... - Ele disse com um sorriso cínico estampado no rosto ao notar que o olhar dela passeava pelo corpo dele.

- E-eu... Não estava olhando...Eu só... - Bianca corou, as palavras se recusavam a sair de sua boca devido ao embaraço que sentia

- Você só... o quê? - Ele ergueu uma sobrancelha ao perguntar, mesmo sabendo que a estava deixando constrangida.

- Estava só olhando sua tatuagem.

"Meu Pai, abre um buraco no chão para eu me jogar!" Pensou Bianca, tentando se controlar.

- Gostou do que viu? - Ele a encarava com o mesmo sorriso cínico meio de lado no rosto.

- Sim... Quer dizer, não! - Bianca fechou os olhos de tão embaraçada.

- Sim ou não? - Ele perguntou com os olhos semicerrados.

- Sim.. É que gosto de tatuagens, essa de asas de anjo em suas costas é muito bonita. - Ela estendeu a mão para cumprimentá-lo, mudando de assunto. - Meu nome é Bianca, parece que seremos colegas de quarto.

- Ok. É um anjo caído. - Foi tudo o que ele disse antes de pegar uma bermuda e voltar para o banheiro, deixando a mão dela estendida, sem apertar. Instantes depois, vestindo apenas a bermuda, ele voltou para o quarto e se jogou na cama dele.

- Não vai me dizer seu nome? - Insistiu Bianca. - Seremos colegas de quarto, acho que vamos ter que, pelo menos, ser educados um com o outro.

Ele se virou para ela, deitado de lado, apoiando a cabeça sobre a mão, enquanto seu corpo estava apoiado sobre cotovelo. Olhou-a intensamente da cabeça aos pés, sem responder. Bianca corou, sentindo-se ainda mais tímida ao notar o olhar que ele não fez a menor questão de disfarçar.

Percebendo o desconforto que estava causando a ela, ele sorriu satisfeito. Não era um sorriso feliz, nem ao menos simpático. Levantando uma sobrancelha, ele exibiu um meio sorriso arrogante. Bianca não soube identificar ao certo o significado na expressão do rosto do jovem, que a olhava com olhos tão brilhantes.

De repente, a expressão do rosto dele mudou, ficou sério e distante.

- Meu nome é Eduardo.

Bianca olhou para Eduardo sem reação ao perceber que logo após dizer o nome, ele virou de costas para ela e voltou a atenção para tela do celular. Ela inspirou profundamente, enchendo os pulmões de ar e soltou o ar lentamente, jogando a cabeça para trás. Sem perceber, um sorriso se formou em seus lábios. Levantou, pegou uma toalha, uma muda de roupas limpas, uma bolsinha com seu kit de higiene pessoal e foi tomar banho.

Quinze minutos depois, Bianca saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cabeça, vestindo shorts e camiseta. Eduardo continuava a olhar atentamente para o visor do celular, entretido com um jogo.

Bianca parou no meio do quarto, inclinou o corpo para frente, tirou a toalha e levantou a cabeça, jogando o cabelo para trás, ficando assim de pé em frente a Eduardo, cujo olhar já não estava mais voltado para o celular. Agora se voltava intensamente para Bianca.

- Satisfeito ou prefere tirar uma foto? - Perguntou Bianca com um sorriso debochado estampado no rosto, exibindo as covinhas de suas bochechas.

Intencionalmente ela repetira as palavras ditas por ele quando ela, desavisada, o viu vestindo apena uma toalha. Ao ouvir as palavras dela, ele prendeu a respiração, surpreendido, mas foi apenas por uma fração de segundo. Sem interromper o passeio que seus olhos faziam pelo corpo dela, ele levantou o dedo indicador, como se pedisse que esperasse um momento.

Então, exibindo mais uma vez um sorriso cínico e um brilho malicioso no olhar, a encarou.

- Não preciso de foto, já decorei. - Ele ripostou com uma piscadela.

Bianca, com o comentário que fez, pensou que o deixaria tão desconfortável com a situação quanto ele a havia deixado, no entanto, Eduardo mais uma vez a fez corar.

Seguiu-se um silêncio desconfortável para ela, porém, com o canto dos olhos, ela percebeu que ele parecia estar se divertindo com a timidez demonstrada pela nova colega de quarto. O silêncio foi quebrado quando quatro jovens entraram no quarto, sem nem ao menos bater na porta.

Val estendeu a mão para Eduardo e o puxou da cama, abraçando-o.

- Fala aí cara, como esta essa força?

- Sufocando, seu corno! - Eduardo falou com a voz abafada, tentando se desgarrar do abraço do amigo. - Controla essa Felícia dentro de você!

Depois de quase sufocar seu melhor amigo com um braço de urso, Val o soltou para que Eduardo cumprimentasse os outros que entraram no quarto logo depois dele.

-BB! - Exclamou Val ao ver Bianca parada no meio do quarto. Ele foi até Bianca com os braços abertos, se preparando para "quase sufocar" sua próxima vítima. - Finalmente tem algo agradável aos olhos nesse quarto! O que está achando do quarto até agora?

Enquanto Bianca lutava por oxigênio ao ser espremida nos braços de seu mais novo amigo, os outros jovens presentes no quarto trocaram olhares de surpresa e admiração.

- O quarto é ótimo, muito confortável, e o chuveiro é incrível! Não tenho do que reclamar.

- Vocês se conhecem? - Perguntou Rafael olhando para eles, não conseguindo conter a curiosidade.

Val colocou Bianca de volta no chão sobre os próprios pés, pois ao abraçá-la, ele havia erguido o corpo dela, fazendo com que ela balançasse os pés no ar, soltando gritinhos e gargalhadas.

- Meu povo, essa morena linda aqui é minha amiga Bianca, conheci no trem vindo para cá. BB, esses são meus amigos: Rafael, Alex e o irmão dele, Renato. Creio que já conheceu seu colega de quarto, Eduardo. - Bianca notou que, por alguma razão, os olhos de Val tinham um brilho divertido ao mencionar Eduardo.

- É um prazer conhecer vocês! - Disse Bianca com sinceridade.

Um a um, os rapazes a cumprimentaram com dois beijos no rosto, menos Eduardo, que não se levantou da cama.

- Então, o que vamos fazer essa noite?- Perguntou Alex aos outros.

- Eduardo me deve uma caixa de cerveja! - Lembrou Rafael.

- Devo nada, Alex estragou o jogo, ele que pague! - Comentou Eduardo.

- Ai! - Gritou Alex, esfregando o ombro ao levar um tapa do irmão, em seguida caiu na gargalhada com a lembrança do susto que deu em Eduardo quando chegou. - Que se dane, valeu a pena!

- Engraçadão você! - Murmurou Eduardo mostrando o dedo do meio.

- Que tal irmos para o clube? - Perguntou Renato.

- Iremos para o clube sexta-feira comemorar meu aniversário. - Disse Val.

- Verdade, mano, sexta é teu aniversário, finalmente a idade que mais combina com você! -Comentou Eduardo

- Quantos anos de idade, Val?- Perguntou Bianca.

- Vinte e quatro.

"Hummmmmm" - Eduardo.

"Aaaaah"- Rafael.

"Uh la la"- Renato

SLAP

- Ai! - Rosnou Alex, esfregando o ombro onde tinha levado uma cotovelada de Val. - O que eu fiz? Eu sou o único que não estava te zoando!

- "Fi-lo porque qui-lo" - Ripostou Val, bem humorado.

Bianca não conseguiu conter a gargalhada e todos olharam para ela. Eduardo e Renato estavam sentados na beirada da cama, Val estava encostado na parede ao lado de Alex e Rafael estava debruçado na janela ao lado da cama de Eduardo. Bianca estava em pé de frente para eles.

- Você vai conosco, é minha convidada de honra, BB.

- Onde?

- Comemorar meu aniversário, claro!

- Quando e onde vai ser?

- Em um clube aqui perto, você vai gostar de conhecer. É bastante frequentado pelo pessoal da U.C.C. Não se preocupe, nós te levaremos e te traremos de volta sã e salva.

- Se vou ser convida de honra, não há como negar o convite! Além disso, eu não perderia o aniversário do meu herói por nada!

- Um momento, eu estou ouvindo coisas ou ela realmente chamou Val de herói? - Perguntou Rafael rindo, sem se dirigir a ninguém em particular.

- Por que ela está te chamando de herói, Val? - Perguntou Renato.

- Porque ela percebeu meu verdadeiro eu. - Respondeu Val, piscando para Bianca em cumplicidade.

Rafael, Alex, Renato e Eduardo caíram na gargalhada. Val não pareceu se incomodar, na verdade, também achava engraçado alguém o chamar de herói, especialmente pela reputação que ele tinha na U.C.C, mas Bianca não tinha como saber nada sobre isso...

- Acho que podemos comprar umas cervejas e jogar League Of Legends , está na hora do Draven ensinar a vocês the Draven ways. - Sugeriu Renato.

"Draven, Draven, Draven...".

- Boa ideia, "tô" dentro! - Disse Alex, cumprimentando Renato com "high five".

- Quer vir conosco, Bianca? - Perguntou Rafael.

- Hummm, essa eu vou dispensar. Estou super cansada e ainda tenho que terminar de arrumar minhas coisas.

- Mas sexta não aceitarei desculpas! - Lembrou Val antes de passar pela porta, a caminho do corredor.

- Não perderei por nada!

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