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Assinando o Fim do Amor

Assinando o Fim do Amor

Autor:: Viola
Gênero: Romance
Minha mãe havia falecido há um mês, e o luto abriu um buraco no meu peito. Pedro, meu marido, o famoso jogador de futebol, estava mais preocupado em atender Larissa, sua ex-namorada, do que em me dar apoio. "Eu sinto muito. Mas o que você quer que eu faça? Pega um táxi. Me mantém informado", ele disse, desligando o telefone na minha cara, enquanto minha mãe agonizava no hospital. Naquela noite, a ficha caiu: eu estava completamente sozinha. De volta do funeral, Pedro jogava videogame no sofá, mal me olhando, enquanto eu voltava com as cinzas da minha mãe. Ele não notou minha dor, só se importou em me avisar que a Larissa tinha trazido um bolo – sempre ela. A humilhação atingiu o ápice quando Pedro decidiu cozinhar, pela primeira vez em cinco anos de casamento. Não para mim, mas para Larissa, que viera jantar porque seu cachorrinho estava doente. Meu marido jogava sal na minha ferida aberta, no meu luto. Eu só queria acabar com tudo, mas sabia que Pedro jamais assinaria o divórcio se soubesse o que era. Ele era orgulhoso demais para admitir o fracasso. Mas eu tinha um plano. Misturei os papéis do divórcio aos contratos de patrocínio que ele nunca lia, e o observei assinar, com sua letra grande e arrogante, enquanto falava com Larissa ao telefone, sorrindo. Ele estava tão cego pela outra que nem percebeu que, naquele instante, assinou o fim do nosso casamento. Ainda não havia notificação oficial. E a dor me corroía por dentro, a raiva me consumia. Como pude ser tão invisível para o homem que jurei amar? Eu não queria vingança, queria justiça, e acima de tudo, minha liberdade. E então, minha jornada de libertação começou, silenciosa, mas implacável, onde cada gesto, cada palavra, seria um passo para a minha verdadeira independência.

Introdução

Minha mãe havia falecido há um mês, e o luto abriu um buraco no meu peito.

Pedro, meu marido, o famoso jogador de futebol, estava mais preocupado em atender Larissa, sua ex-namorada, do que em me dar apoio.

"Eu sinto muito. Mas o que você quer que eu faça? Pega um táxi. Me mantém informado", ele disse, desligando o telefone na minha cara, enquanto minha mãe agonizava no hospital.

Naquela noite, a ficha caiu: eu estava completamente sozinha.

De volta do funeral, Pedro jogava videogame no sofá, mal me olhando, enquanto eu voltava com as cinzas da minha mãe.

Ele não notou minha dor, só se importou em me avisar que a Larissa tinha trazido um bolo – sempre ela.

A humilhação atingiu o ápice quando Pedro decidiu cozinhar, pela primeira vez em cinco anos de casamento.

Não para mim, mas para Larissa, que viera jantar porque seu cachorrinho estava doente.

Meu marido jogava sal na minha ferida aberta, no meu luto.

Eu só queria acabar com tudo, mas sabia que Pedro jamais assinaria o divórcio se soubesse o que era.

Ele era orgulhoso demais para admitir o fracasso.

Mas eu tinha um plano.

Misturei os papéis do divórcio aos contratos de patrocínio que ele nunca lia, e o observei assinar, com sua letra grande e arrogante, enquanto falava com Larissa ao telefone, sorrindo.

Ele estava tão cego pela outra que nem percebeu que, naquele instante, assinou o fim do nosso casamento.

Ainda não havia notificação oficial.

E a dor me corroía por dentro, a raiva me consumia.

Como pude ser tão invisível para o homem que jurei amar?

Eu não queria vingança, queria justiça, e acima de tudo, minha liberdade.

E então, minha jornada de libertação começou, silenciosa, mas implacável, onde cada gesto, cada palavra, seria um passo para a minha verdadeira independência.

Capítulo 1

A decisão estava tomada.

Ana Beatriz segurava os papéis do divórcio com as duas mãos, o papel frio contra a pele quente.

Sua mãe havia falecido há um mês, e esse luto abriu um buraco em seu peito que nada parecia preencher, mas também clareou sua mente de uma forma brutal.

Ela olhou pela janela do pequeno apartamento que alugara em sua cidade natal, um lugar que não via há anos.

Não havia mais espaço para lágrimas, apenas uma calma e firme resolução.

O casamento com Pedro Henrique, o famoso jogador de futebol, tinha acabado.

Ele só não sabia ainda.

Uma semana antes, em sua antiga casa, a casa que dividia com ele, Ana Beatriz preparou o cenário com cuidado.

Pedro chegou tarde da noite, como sempre, cheirando a grama de campo e ao perfume caro do seu agente.

Ele jogou a mala no chão e se largou no sofá, exausto e irritado.

"Que dia. Não aguento mais reuniões."

Ana não disse nada, apenas se aproximou com uma pasta cheia de documentos.

"Pedro, preciso que assine isso. São os papéis da renovação do patrocínio da marca de bebidas."

Ela colocou a pasta no colo dele.

Ele nem olhou para ela, já pegando o celular para responder a uma mensagem.

"Onde eu assino?"

"Aqui, aqui e aqui", ela apontou com o dedo, o coração batendo um pouco mais rápido, mas o rosto impassível.

No meio dos papéis de marketing e contratos de imagem, estavam os papéis do divórcio.

A cláusula de divisão de bens era simples, ela não queria nada dele, apenas sua liberdade.

Ele pegou a caneta, rabiscou seu nome famoso nos locais indicados sem ler uma única linha, totalmente imerso na conversa do seu celular.

"Pronto", ele disse, empurrando a pasta de volta para ela.

Ana Beatriz pegou os papéis, sua mão tremendo levemente.

Ela tinha conseguido.

Dois dias depois da assinatura, ela foi até a escola onde trabalhava como professora.

Entrou na sala do diretor, um homem gentil que sempre a elogiou.

"Senhor Martins, eu vim pedir demissão."

Ele a olhou, surpreso.

"Ana Beatriz? Mas por quê? Você é uma das nossas melhores professoras."

"Eu preciso de uma mudança. Vou voltar para minha cidade natal."

Não havia mais nada a ser dito.

Ela entregou a carta formal e esvaziou sua mesa, deixando para trás os desenhos dos alunos e os anos de dedicação.

Era um corte limpo.

Naquela mesma semana, ela organizou um jantar de despedida.

Convidou todos os "amigos" que ela e Pedro tinham em comum, a maioria deles jogadores de futebol e suas esposas, pessoas que viviam no mesmo mundo superficial que ele.

A mesa estava farta.

Ana passou o dia todo na cozinha, preparando pratos que ela amava, mas que raramente fazia.

Pão de queijo quentinho, feijoada completa, moqueca capixaba, todos os sabores que a lembravam de casa.

E para a sobremesa, seu famoso bolo de fubá com goiabada.

Pedro chegou com Larissa, sua ex-namorada, a tiracolo.

Ele nem achou estranho, era algo comum.

Larissa sorriu para Ana, um sorriso que não alcançava os olhos.

"Nossa, Ana, quanto trabalho. O Pedro me disse que você estava organizando um jantarzinho."

Durante a noite, os amigos riam e bebiam, todos elogiando Pedro por seu último gol.

Ninguém perguntou a Ana sobre sua mãe, sobre como ela estava se sentindo.

Na hora da sobremesa, Pedro provou o bolo de fubá e fez uma careta.

"Ana, você sabe que a Larissa não gosta de goiabada. Por que você não fez aquele pudim de leite condensado que ela adora?"

O silêncio caiu sobre a mesa por um segundo.

Todos olharam para Ana.

Ela apenas sorriu, um sorriso cansado.

"É verdade. Eu esqueci."

Meio mês se passou.

Ana Beatriz já estava instalada em sua cidade natal.

O cheiro do mar e a brisa suave eram seus companheiros constantes.

Ela caminhava pela orla ao entardecer, sentindo a areia sob os pés, quando o viu.

Pedro Henrique estava parado do outro lado da rua, perto de um carro de luxo que não pertencia àquele lugar simples.

Ele não estava com o time, não havia jogo na cidade.

Ele estava sozinho, olhando para ela.

A brisa da noite soprou, bagunçando o cabelo dele.

E sob a luz fraca do poste, Ana Beatriz viu claramente as lágrimas escorrendo pelo rosto de Pedro, o homem que nunca chorava.

Ele parecia perdido, quebrado.

Mas para Ana, era tarde demais.

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Capítulo 2

A morte da mãe de Ana Beatriz foi o ponto de partida para tudo.

Ela se lembrava da ligação do hospital no meio da noite, da voz do médico, suave mas definitiva.

Ela estava sozinha em casa.

Pedro estava em outra cidade para um jogo importante.

Ela ligou para ele, a mão tremendo tanto que mal conseguia segurar o telefone.

"Pedro, minha mãe... ela piorou. Preciso ir para o hospital agora."

Do outro lado da linha, ela ouviu um suspiro de impaciência.

"Ana, o jogo é amanhã. É a final. Eu não posso sair daqui agora."

"Mas é a minha mãe."

"Eu sei, eu sinto muito. Mas o que você quer que eu faça? Pega um táxi. Me mantém informado."

Ele desligou.

Ana ficou parada no meio da sala escura, o telefone mudo na mão.

Naquele momento, ela entendeu que estava completamente sozinha em seu casamento.

Quando voltou do funeral, dias depois, a casa estava silenciosa.

Pedro estava no sofá, jogando videogame.

Ele mal olhou para ela quando ela entrou, carregando uma pequena caixa com as coisas de sua mãe.

"E aí? Como foi?", ele perguntou, os olhos fixos na tela.

"Foi... difícil", ela respondeu, a voz baixa.

"Imagino. A Larissa passou aqui mais cedo, ela queria te dar os pêsames. Deixou um bolo pra você."

Ele apontou para a cozinha.

Ana olhou para o bolo na bancada, um bolo comprado em uma confeitaria cara.

Larissa. Sempre Larissa.

Naquela noite, algo inédito aconteceu.

Pedro decidiu cozinhar.

Ana o observou da porta da cozinha, incrédula.

Em cinco anos de casamento, ele nunca havia preparado uma refeição completa.

Ele estava fazendo macarrão ao molho branco, com muito queijo, o prato favorito de Larissa.

"A Lari está vindo jantar. Ela está meio pra baixo, o cachorrinho dela está doente. Pensei em animá-la um pouco", ele disse, sem jeito, como se estivesse se desculpando.

Ana não disse nada.

Apenas se virou e foi para o quarto.

A dor do luto era uma ferida aberta, e Pedro, seu marido, estava jogando sal nela.

Foi naquela noite que ela planejou como conseguir a assinatura dele nos papéis do divórcio.

Ela sabia que ele nunca assinaria se soubesse o que era.

Ele era orgulhoso demais para admitir o fracasso do casamento, mesmo que ele fosse o principal culpado.

Ela esperou o dia em que o agente dele enviou uma pilha de novos contratos de publicidade.

Eram dezenas de páginas, cheias de cláusulas e jargões legais que ela sabia que Pedro jamais leria.

Ela habilmente inseriu as duas folhas do divórcio no meio da pilha.

"Pedro, chegaram os contratos novos. Precisa assinar hoje", ela disse, com a voz mais neutra que conseguiu.

Ele estava no telefone, rindo de algo que Larissa dizia do outro lado da linha.

"Tá, tá, já vou. Deixa aí na mesa."

Ele desligou o telefone e se sentou, pegando a caneta.

Ele folheou os papéis rapidamente, assinando onde o "X" estava marcado.

Quando chegou aos papéis do divórcio, ele nem piscou.

Sua assinatura, grande e arrogante, preencheu a linha pontilhada.

Naquela noite, quando ele chegou em casa, Ana sentiu.

O cheiro do perfume dela.

Não era o cheiro que ficava na roupa depois de um abraço rápido.

Era o cheiro que impregna na pele, no cabelo, um cheiro de intimidade.

Ele entrou no quarto e a abraçou por trás, um gesto raro.

"Você está tão quieta hoje."

Ana se enrijeceu.

O perfume de Larissa era doce e floral, um perfume que ela odiava.

Era o cheiro da traição, da negligência, do fim.

Ela se soltou dele suavemente.

"Estou cansada. Só isso."

Ela se deitou na cama, de costas para ele, e fechou os olhos, mas não dormiu.

Ela ficou acordada a noite toda, sentindo o cheiro dela no travesseiro dele, e soube que sua decisão, por mais dolorosa que fosse, era a única possível.

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