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Atraída Pelo Mafioso

Atraída Pelo Mafioso

Autor:: Lais Santos
Gênero: Romance
"Atraída pelo Mafioso" é uma história intensa de amor, redenção e sacrifício, onde a força dos sentimentos prevalece sobre a escuridão do submundo. Juntos, Mariana e Alessandro descobrem que, mesmo nas circunstâncias mais sombrias, é possível encontrar a luz e criar um futuro repleto de esperança e felicidade.

Capítulo 1 O Encontro Inesquecível

Mariana Costa era uma mulher de hábitos simples. Aos 25 anos, vivia em São Paulo, dividindo seu tempo entre o trabalho como assistente editorial em uma pequena editora e os estudos de pós-graduação em Literatura Comparada. Sua vida era marcada por uma rotina tranquila, quase previsível: acordar cedo, pegar o metrô lotado, trabalhar em meio a pilhas de manuscritos, e à noite, mergulhar nos livros acadêmicos. Mariana era introspectiva, preferia a companhia de seus romances clássicos a grandes eventos sociais, mas sua vida estava prestes a mudar de uma forma que ela jamais imaginara.

Naquela sexta-feira à noite, uma chuva intensa caía sobre a cidade, tornando o ar frio e úmido. Mariana, que não era fã de tempestades, estava apressada para chegar em casa, onde planejava se aconchegar com um bom livro. Porém, ao passar em frente a uma cafeteria no caminho, algo a fez parar. As janelas embaçadas e a luz quente que emanava do lugar a atraíram como um ímã, oferecendo um refúgio da chuva e da correria do dia a dia. Sem pensar muito, Mariana entrou na pequena cafeteria.

O ambiente era acolhedor, com um aroma irresistível de café fresco e doces recém-saídos do forno. Havia poucas mesas, todas dispostas de maneira a criar um clima intimista. Mariana escolheu uma mesa perto da janela, onde podia observar a chuva caindo lá fora enquanto se aquecia com uma xícara de cappuccino. Ela tirou um livro da bolsa – um romance policial que vinha lendo nas últimas semanas – e começou a folhear as páginas, tentando se perder na história para esquecer o caos do mundo exterior.

Foi então que ele entrou. O som do sino sobre a porta anunciou sua chegada, mas Mariana não olhou imediatamente. Estava absorta na leitura, imersa em um capítulo particularmente emocionante. Mas o ambiente mudou sutilmente, como se o ar tivesse ficado mais denso, carregado de uma energia que não estava lá antes. Curiosa, Mariana levantou os olhos de seu livro e o viu.

Ele era alto, com ombros largos e uma postura que exalava confiança. Usava um terno preto sob medida, que destacava sua figura imponente. O cabelo escuro, levemente ondulado, estava perfeitamente penteado, e a barba bem aparada delineava seu rosto angular. Mas o que mais chamava a atenção em Alessandro Ferraro eram seus olhos. Profundos e sombrios, eles pareciam carregar o peso de segredos inconfessáveis, ao mesmo tempo que transmitiam uma intensidade hipnótica.

Alessandro entrou na cafeteria como se fosse dono do lugar, embora fosse a primeira vez que Mariana o via ali. Ele deu uma rápida olhada ao redor, notando imediatamente Mariana em sua mesa. Seus olhares se encontraram por um breve momento, e Mariana sentiu uma estranha mistura de medo e atração. Era como se estivesse diante de um predador, mas ao mesmo tempo, sentia uma vontade inexplicável de se aproximar.

Ele caminhou até o balcão e fez um pedido em voz baixa, que Mariana não conseguiu ouvir. Enquanto esperava, olhou de novo na direção dela, desta vez com mais intensidade. Mariana tentou desviar o olhar, fingindo estar concentrada em seu livro, mas não conseguia se concentrar nas palavras impressas. Seu coração batia mais rápido, e uma curiosidade incontrolável começou a se formar em sua mente.

Alessandro pegou seu café e, para a surpresa de Mariana, veio em sua direção. Ele parou ao lado da mesa dela e, com um sorriso discreto, perguntou:

- Este lugar está ocupado?

Mariana ficou sem palavras por um momento. O tom de sua voz era baixo e rouco, com uma cadência que a fez estremecer. Ela olhou ao redor, percebendo que havia outras mesas vazias na cafeteria, mas Alessandro estava ali, diante dela, esperando uma resposta. Finalmente, ela conseguiu murmurar:

- Não, por favor, fique à vontade.

Ele se sentou em frente a ela, colocando o copo de café na mesa com um movimento calculado. Por um momento, nenhum dos dois disse nada. Mariana se sentiu desconfortável, sem saber como reagir à presença dele. Alessandro parecia estar completamente à vontade, como se sentar-se com uma estranha fosse algo que ele fazia todos os dias.

- Você gosta de romances policiais? - Ele perguntou, apontando para o livro que Mariana ainda segurava.

Ela assentiu, tentando esconder seu nervosismo.

- Sim, gosto de mistérios... e você?

Alessandro sorriu de maneira enigmática, como se soubesse de algo que ela não sabia.

- Eu gosto de enigmas... e de desafios. - Ele respondeu, sem desviar o olhar.

Mariana não soube o que responder. Sentia-se atraída por aquele homem de uma forma que nunca havia experimentado antes, mas ao mesmo tempo, algo em seu comportamento a alertava para o perigo. Era como se uma parte dela soubesse que se aproximar dele era como brincar com fogo.

- Meu nome é Alessandro. - Ele disse, estendendo a mão para ela.

- Mariana. - Ela respondeu, apertando a mão dele.

O toque foi firme, e a pele dele era surpreendentemente quente, considerando o frio lá fora. O breve contato a fez sentir um arrepio que percorreu seu corpo.

- Mariana... um nome bonito para uma mulher intrigante. - Ele comentou, observando-a com um olhar que parecia querer desvendar cada segredo seu.

Ela corou ligeiramente, tentando desviar o assunto.

- O que o traz a essa parte da cidade em uma noite tão chuvosa?

Alessandro deu de ombros, seu sorriso se tornando mais suave.

- Negócios. Mas agora estou feliz por ter encontrado este lugar. E você, por que está aqui?

Mariana hesitou antes de responder.

- Eu estava tentando fugir da chuva... e, quem sabe, encontrar um pouco de paz depois de um dia longo.

Alessandro inclinou a cabeça, como se estivesse considerando as palavras dela.

- Todos nós procuramos por paz, em algum momento. - Ele disse, com uma nota de melancolia na voz que Mariana não pôde deixar de notar.

Por alguns minutos, eles conversaram sobre trivialidades: o tempo, a cidade, livros. Mas em cada palavra trocada, havia uma tensão palpável no ar, algo que ambos sentiam, mas nenhum dos dois mencionava. Era como se um fio invisível os conectasse, puxando-os cada vez mais perto um do outro.

Mariana percebeu que estava se sentindo estranhamente confortável na presença dele, como se estivesse falando com um velho amigo, e não com um estranho que acabara de conhecer. Mas ao mesmo tempo, havia algo de perigoso em Alessandro, uma aura que ela não conseguia decifrar.

Quando a conversa finalmente chegou ao fim, Alessandro olhou para o relógio e se levantou.

- Foi um prazer conhecê-la, Mariana. Espero que possamos nos encontrar novamente.

Mariana assentiu, sem saber o que dizer. Alessandro deixou dinheiro suficiente na mesa para pagar o café de ambos e se dirigiu à porta. Mas antes de sair, ele olhou para ela uma última vez, e disse:

- Tome cuidado, Mariana. Nem tudo é o que parece ser.

Com essas palavras enigmáticas, ele saiu, deixando Mariana sozinha com seus pensamentos. Ela ficou sentada ali, com o som da chuva batendo nas janelas, tentando entender o que acabara de acontecer. Alessandro era diferente de qualquer pessoa que ela já havia conhecido. Havia algo nele que a atraía de uma forma inexplicável, mas também algo que a fazia sentir um medo profundo.

Mariana sabia que sua vida acabara de mudar para sempre, mas ainda não tinha ideia do quão profunda seria essa transformação. Naquela noite, ao voltar para casa, ela não conseguia parar de pensar em Alessandro e no que aquele encontro significava. Sentia-se como uma mariposa atraída pela luz de uma chama – fascinada, mas consciente do perigo.

E, embora não quisesse admitir, uma parte dela já sabia que, a partir daquele momento, não haveria mais volta. Ela estava irremediavelmente atraída pelo misterioso Alessandro, e isso a levaria a lugares que jamais imaginou.

Capítulo 2 O Passado que Não se Apaga

Mariana não conseguia parar de pensar em Alessandro Ferraro. Após aquele encontro na cafeteria, sua mente foi tomada por pensamentos constantes sobre o homem misterioso que parecia ter surgido do nada, trazendo consigo uma sensação de perigo e atração incontroláveis. Nos dias que se seguiram, ela tentou manter a rotina de sempre, mas tudo parecia fora de lugar. Era como se, de repente, sua vida comum tivesse se tornado enfadonha, desprovida do brilho e da intensidade que ela experimentou na presença de Alessandro.

A obsessão por Alessandro começou a se infiltrar em sua vida de maneiras inesperadas. No trabalho, Mariana se pegava distraída, pensando no breve momento em que os olhares deles se cruzaram, no tom grave e hipnótico da voz dele. Seus colegas de trabalho começaram a notar sua falta de concentração, mas Mariana dava desculpas, tentando mascarar o que realmente estava acontecendo.

Uma tarde, enquanto revisava um manuscrito, ela foi interrompida por sua amiga e colega de trabalho, Luísa. Luísa era o oposto de Mariana: extrovertida, cheia de energia e sempre pronta para uma aventura. Elas se conheceram na faculdade e desde então se tornaram inseparáveis, apesar de suas diferenças.

- Ei, Mariana! - Luísa chamou, inclinando-se sobre a mesa de Mariana com um sorriso travesso. - Você tem estado muito no seu mundo ultimamente. Algo aconteceu?

Mariana hesitou antes de responder. Ela e Luísa costumavam contar tudo uma à outra, mas por algum motivo, ela sentiu que deveria guardar Alessandro em segredo. Algo nela sabia que aquela era uma história diferente, algo mais profundo do que qualquer outra coisa que ela já havia vivido.

- Nada demais, Lu. Só um pouco cansada - mentiu, tentando sorrir de forma convincente.

Luísa, no entanto, não era fácil de enganar. Ela estreitou os olhos, observando Mariana com um olhar perspicaz.

- Você está diferente. Vamos, pode me contar.

Mariana suspirou, sabia que não conseguiria esconder nada de Luísa por muito tempo.

- Ok, talvez eu tenha conhecido alguém - admitiu, sentindo um leve rubor subir por suas bochechas.

Os olhos de Luísa brilharam de curiosidade.

- E quem é o sortudo? Conte-me tudo!

Mariana hesitou novamente, mas acabou cedendo.

- Ele se chama Alessandro. Nos conhecemos em uma cafeteria... ele é... diferente.

Luísa ergueu uma sobrancelha, claramente intrigada.

- Diferente como? Bonito? Misterioso? Ricos demais?

- Tudo isso - respondeu Mariana, mais para si mesma do que para Luísa. - Ele é bonito de um jeito que intimida, e tem algo nele que é... perigoso. Não sei como explicar, mas senti que não deveria me aproximar.

Luísa deu uma risadinha, balançando a cabeça.

- Perigo pode ser muito atraente, minha amiga. Mas você precisa ter cuidado. Não vá se meter em encrenca.

Mariana sabia que Luísa estava certa, mas algo em seu coração insistia em negar. Alessandro a havia marcado de uma maneira que ela não conseguia entender completamente, mas sabia que estava além de sua capacidade de resistir. Ela decidiu que deveria deixar o encontro para trás, focar em sua vida e esquecer aquele homem que parecia uma tempestade prestes a explodir em sua vida pacata.

Mas o destino parecia ter outros planos. Naquela noite, ao chegar em casa, Mariana encontrou um envelope discreto sob sua porta. Seu nome estava escrito à mão, em uma caligrafia elegante que ela não reconhecia. Intrigada e um pouco assustada, ela pegou o envelope e o abriu.

Dentro, havia um bilhete simples:

"Gostaria de vê-la novamente. Encontro amanhã, 20h. Restaurante La Perla. - Alessandro"

Mariana sentiu seu coração disparar. Ela releu o bilhete várias vezes, tentando compreender o que estava acontecendo. Como ele havia encontrado seu endereço? Por que queria vê-la novamente? Tudo nela gritava que ela deveria recusar, que se envolver com Alessandro Ferraro era um risco que ela não deveria correr. Mas ao mesmo tempo, havia uma parte de Mariana que queria desesperadamente ir, descobrir mais sobre o homem que havia invadido seus pensamentos.

Ela passou o dia seguinte em um turbilhão de emoções conflitantes. Durante o trabalho, não conseguia se concentrar em nada. Luísa percebeu sua inquietação e tentou tirar mais informações dela, mas Mariana se manteve evasiva, guardando o segredo para si.

À medida que o horário do encontro se aproximava, Mariana se viu lutando contra a vontade de ir. Ela passou horas em frente ao guarda-roupa, escolhendo e descartando várias roupas, tentando encontrar algo que não fosse chamativo, mas que a fizesse sentir-se confiante. Optou por um vestido preto simples, de corte elegante, que acentuava suas curvas sem ser excessivamente revelador.

Quando finalmente chegou ao restaurante La Perla, uma sensação de ansiedade a dominou. Era um dos restaurantes mais exclusivos da cidade, frequentado por pessoas ricas e poderosas. O ambiente era sofisticado, com luzes suaves e música ao vivo tocando ao fundo. Mariana sentiu-se um pouco deslocada, mas entrou, determinada a não deixar que o nervosismo a dominasse.

Ela foi recebida por um garçom que, aparentemente, já sabia que ela estava esperando por alguém. Ele a conduziu a uma mesa no fundo do restaurante, em um canto mais reservado. Quando se aproximou, viu Alessandro sentado, elegante como sempre, olhando-a com um sorriso discreto.

- Mariana - ele disse suavemente, levantando-se para puxar a cadeira para ela. - Estou feliz que tenha vindo.

Mariana tentou ignorar o frio na barriga ao se sentar. Havia algo na maneira como Alessandro a olhava, algo que a fazia sentir-se como se fosse a única pessoa no mundo. Ela tentou parecer despreocupada, mas sabia que ele poderia ver através de sua fachada.

- Confesso que fiquei surpresa ao receber seu convite - disse ela, tentando manter a voz firme. - Como conseguiu meu endereço?

Alessandro sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo sedutor e enigmático.

- Tenho meus meios. Mas não se preocupe, não é nada para se alarmar. Eu só queria vê-la novamente.

A resposta dele não acalmou as preocupações de Mariana, mas ela decidiu não insistir. Eles pediram o jantar, e enquanto esperavam, Alessandro começou a fazer perguntas sobre a vida dela: seu trabalho, seus estudos, seus interesses. Ele parecia genuinamente interessado em conhecê-la, mas Mariana não pôde deixar de notar que ele evitava falar sobre si mesmo.

- E você, Alessandro? - Ela finalmente perguntou, depois de responder a várias perguntas. - O que faz da vida, além de aparecer em cafeterias e enviar bilhetes misteriosos?

Alessandro riu, um som grave e contagiante que fez Mariana relaxar um pouco.

- Ah, Mariana, minha vida é complicada demais para explicar em uma noite. Mas vamos apenas dizer que eu cuido dos negócios da família.

Mariana não estava satisfeita com a resposta vaga, mas antes que pudesse pressioná-lo, Alessandro mudou de assunto, perguntando sobre os livros que ela gostava de ler. A conversa fluiu naturalmente, e Mariana se surpreendeu ao perceber que estava realmente se divertindo. Alessandro era um excelente conversador, sempre sabendo o que dizer para mantê-la interessada.

À medida que o jantar progredia, Mariana percebeu que havia algo de magnético em Alessandro. Ele era um homem de poucas palavras, mas cada uma delas era cuidadosamente escolhida, como se cada frase fosse parte de um jogo de xadrez intrincado. Ela não conseguia evitar a sensação de que ele estava sempre um passo à frente, guiando a conversa na direção que ele queria.

Quando o jantar terminou, Alessandro pediu a conta, insistindo em pagar apesar das tentativas de Mariana de dividir. Enquanto saíam do restaurante, ele a acompanhou até o lado de fora, onde a chuva havia parado e a noite estava clara e fria.

- Posso levá-la para casa? - Ele ofereceu, apontando para um carro preto estacionado na esquina.

Mariana hesitou por um momento, mas acabou aceitando. Durante o caminho, Alessandro foi novamente enigmático, evitando perguntas diretas sobre sua vida. Mariana notou que o carro era luxuoso, com bancos de couro e um cheiro suave de lavanda. Tudo nele gritava poder e riqueza, e mais uma vez, ela se sentiu deslocada.

Quando finalmente chegaram ao prédio de Mariana, ele parou o carro e se virou para ela.

- Gostaria de vê-la novamente, Mariana - disse ele, com um tom de voz que deixava claro que não estava fazendo um pedido, mas uma afirmação.

Mariana sentiu uma mistura de emoções. Por um lado, sabia que deveria recusar, que se envolver com Alessandro era brincar com o perigo. Mas, por outro lado, havia algo nele que a atraía como um ímã, uma força que ela não conseguia resistir.

- Talvez - respondeu ela, tentando manter uma expressão neutra.

Alessandro sorriu novamente, um sorriso que fez o coração de Mariana acelerar.

- Eu vou esperar por esse talvez.

Ele inclinou-se levemente para frente, e por um momento, Mariana pensou que ele iria beijá-la. Mas Alessandro apenas tocou delicadamente a mão dela, segurando-a por um momento, antes de soltá-la suavemente. Foi um toque breve, mas a sensação permaneceu na pele de Mariana como se fosse uma marca indelével. Ela saiu do carro, ainda sentindo o calor da mão de Alessandro na dela, e entrou em seu prédio sem olhar para trás, com o coração batendo descompassado.

Quando chegou ao seu apartamento, Mariana se jogou no sofá, tentando processar tudo o que havia acontecido naquela noite. Alessandro era um enigma que ela não conseguia desvendar, mas a atração que sentia por ele era inegável. Aquele homem despertava nela sentimentos que ela jamais havia experimentado: excitação, medo, curiosidade. E, ao mesmo tempo, algo lhe dizia que estar perto dele poderia significar se envolver em algo muito maior e mais perigoso do que ela poderia imaginar.

Nos dias que se seguiram, Mariana tentou voltar à normalidade, mas a sombra de Alessandro estava sempre presente, como se ele a estivesse observando de longe, aguardando o momento certo para reaparecer. Ela continuou com seu trabalho, mas sua mente estava constantemente distraída. Luísa, percebendo o estado da amiga, não perdeu a oportunidade de provocá-la, mas Mariana manteve para si os detalhes daquele segundo encontro.

Mas Alessandro não a deixou em paz por muito tempo. Uma semana após o jantar no La Perla, Mariana recebeu outro bilhete. Desta vez, ele foi entregue diretamente em sua mesa de trabalho, em um envelope igual ao anterior. Seus colegas olharam curiosos enquanto ela abria o bilhete com mãos trêmulas. Era uma mensagem curta, mas clara:

"Espero vê-la hoje à noite. 20h, mesmo lugar. - Alessandro"

Mariana ficou imóvel por um momento, encarando o bilhete como se ele fosse um aviso de algo inevitável. Ela sabia que deveria dizer não, que deveria se afastar de Alessandro antes que fosse tarde demais. Mas a verdade era que, desde o primeiro encontro, ela não conseguia parar de pensar nele. A ideia de vê-lo novamente a deixava ansiosa e, ao mesmo tempo, tomada por uma curiosidade insaciável.

E então, quase como se estivesse em transe, Mariana tomou a decisão. Naquela noite, ela se vestiu novamente com o mesmo cuidado, escolhendo um vestido que misturava simplicidade com elegância, e foi ao encontro de Alessandro.

Quando chegou ao restaurante, ele já estava lá, sentado na mesma mesa, esperando por ela com aquele olhar penetrante que parecia enxergar através dela. O jantar foi parecido com o anterior: conversas triviais, risadas ocasionais e o jogo constante de perguntas que nunca eram completamente respondidas. Mas desta vez, havia algo diferente no ar. Uma tensão, uma expectativa de algo prestes a acontecer.

Ao final do jantar, Alessandro a acompanhou até o lado de fora, onde o mesmo carro a aguardava. Mas, em vez de perguntar se poderia levá-la para casa, ele fez uma proposta diferente.

- Gostaria de dar uma volta comigo, Mariana? - perguntou, seu tom de voz mais sério do que antes.

Mariana hesitou. Algo dentro dela dizia que aceitar aquele convite significava cruzar uma linha, uma linha da qual não haveria retorno. Mas, ao olhar para Alessandro, seus olhos encontraram aqueles olhos profundos e enigmáticos que a puxavam como uma maré poderosa, e ela se sentiu incapaz de resistir.

- Sim - respondeu finalmente, quase em um sussurro.

Alessandro abriu a porta do carro para ela, e logo eles estavam dirigindo pelas ruas de São Paulo, iluminadas pelas luzes da cidade. Mas desta vez, não foi para a casa de Mariana que Alessandro a levou.

Depois de algum tempo, o carro entrou em um bairro mais afastado, onde as ruas eram menos movimentadas e as casas mais luxuosas. Mariana começou a se sentir nervosa, sem saber para onde estavam indo. Finalmente, o carro parou em frente a uma imponente mansão, cercada por altos muros e portões de ferro. Alessandro saiu do carro e abriu a porta para Mariana, oferecendo-lhe a mão para ajudá-la a sair.

- Onde estamos? - perguntou ela, olhando em volta.

- Minha casa - respondeu ele, com um sorriso enigmático. - Quero que veja algo.

Mariana o seguiu pelo caminho de pedras que levava à entrada da mansão, o coração batendo rápido. O lugar era deslumbrante, com jardins bem cuidados e uma arquitetura que misturava o clássico com o moderno. Alessandro a levou até uma sala grande e luxuosa, com móveis de madeira escura, uma lareira acesa e paredes adornadas com obras de arte.

Ele gesticulou para que ela se sentasse em um dos sofás, e então se afastou por um momento, apenas para retornar com duas taças de vinho. Ele entregou uma a ela e, depois de um brinde silencioso, sentou-se ao lado dela.

- Há muito que você não sabe sobre mim, Mariana - começou ele, olhando fixamente para o fogo na lareira. - Mas se você continuar me vendo, se continuar entrando na minha vida, chegará o momento em que precisará saber a verdade.

Mariana sentiu um calafrio correr por sua espinha.

- Que verdade, Alessandro?

Ele a olhou, seus olhos agora mais sombrios do que nunca.

- Que minha vida não é tão simples quanto parece. Que o homem que você vê não é apenas um empresário... há coisas em meu passado, em minha vida, que você talvez não queira conhecer.

Mariana não soube o que dizer. Ela sentiu a gravidade das palavras de Alessandro, a escuridão que parecia envolver aquele homem que a fascinava tanto. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela queria conhecer essa verdade, por mais sombria que fosse.

- Eu não tenho medo de saber - respondeu, com mais convicção do que sentia.

Alessandro a olhou por um longo momento, como se estivesse avaliando suas palavras. Finalmente, ele se levantou e caminhou até uma estante no canto da sala. Ele puxou um livro grosso e, para surpresa de Mariana, a estante se moveu, revelando uma porta secreta.

- Venha - disse ele, estendendo a mão para ela.

Mariana hesitou por um breve momento, mas o desejo de descobrir o que Alessandro escondia era mais forte. Ela se levantou e pegou a mão dele, permitindo que a guiasse pela porta secreta. Eles desceram uma escada estreita e mal iluminada, até chegarem a um porão amplo e frio.

O que Mariana viu a deixou sem palavras.

O porão era um verdadeiro centro de operações, com mesas cobertas de papéis, computadores, e mapas espalhados pelas paredes. Havia homens em trajes escuros, conversando em voz baixa, e todos pararam para olhar quando Alessandro entrou com Mariana ao seu lado.

- O que é isso? - sussurrou Mariana, com os olhos arregalados.

Alessandro a observou por um momento, antes de responder.

- Esta é a parte da minha vida que eu queria manter longe de você. Mas se vamos continuar nos vendo, é melhor que você saiba desde o início. Eu não sou apenas um empresário, Mariana. Sou um homem com inimigos, com responsabilidades... com uma vida que não é fácil de entender.

Mariana começou a perceber o que Alessandro estava tentando dizer. A maneira como ele se movia, como ele falava, o respeito que os outros homens lhe mostravam. Tudo fazia sentido agora.

- Você está dizendo que... você é um...?

Alessandro assentiu lentamente, sem desviar o olhar.

- Sim, Mariana. Eu sou um mafioso. E a vida que eu levo é perigosa, cheia de riscos que você não pode nem imaginar. É por isso que eu hesitei em me aproximar de você, mas agora é tarde demais. Eu não posso mais ficar longe de você.

Mariana sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Ela estava diante de uma revelação que jamais esperaria ouvir, e agora tinha que tomar uma decisão. Continuar ao lado de Alessandro significava se envolver em um mundo que ela não compreendia, um mundo onde o perigo estava à espreita a cada esquina.

Mas, ao olhar nos olhos de Alessandro, ela soube que já havia feito sua escolha.

- Eu quero ficar, Alessandro. Eu quero conhecer tudo sobre você, sobre sua vida, por mais perigosa que seja.

Alessandro a olhou com uma mistura de alívio e apreensão. Ele sabia que, ao permitir que Mariana entrasse em sua vida, estava expondo-a a riscos que ele jamais desejaria para alguém que amava. Mas, ao mesmo tempo, ele não conseguia resistir à força que os unia.

- Então você vai ficar, Mariana - disse ele suavemente, antes de se inclinar para beijá-la, um beijo cheio de promessas, de perigos e de uma paixão que apenas começava a se revelar.

E, naquele momento, Mariana soube que sua vida jamais seria a mesma novamente.

Capítulo 3 Uma Escolha Perigosa

Nos dias seguintes à revelação de Alessandro, Mariana sentiu que vivia em uma realidade paralela. A imagem de um mundo perigoso e cheio de mistérios começava a se sobrepor à vida tranquila que ela conhecia. Cada olhar, cada palavra de Alessandro trazia consigo um novo vislumbre de uma vida que, até então, ela só conhecia por livros ou filmes.

Apesar das dúvidas e dos temores que surgiam em sua mente, Mariana não conseguia afastar-se de Alessandro. Havia uma força inexplicável que a mantinha ligada a ele, uma conexão que ia além da simples atração física. Era como se, de alguma forma, o destino a tivesse levado até ele, para que ela descobrisse algo mais profundo sobre si mesma e sobre o mundo.

Mas a decisão de continuar ao lado de Alessandro não foi fácil. Naquela noite, depois de sair da mansão dele, Mariana mal conseguiu dormir. O peso do que tinha descoberto pairava sobre ela como uma nuvem sombria. Ela passou horas acordada, revivendo cada detalhe do que havia visto no porão de Alessandro: os homens, os mapas, os sussurros de conspirações que pareciam envolvê-lo em um emaranhado de segredos.

Na manhã seguinte, Luísa percebeu imediatamente que algo estava errado. Mariana chegou ao trabalho com olheiras profundas e uma expressão distante, como se estivesse presente fisicamente, mas sua mente estivesse em outro lugar. Luísa tentou puxar conversa, mas Mariana permaneceu evasiva, não querendo revelar os detalhes do que havia descoberto.

- Mar, você está bem? - perguntou Luísa, com um tom de preocupação genuína.

Mariana forçou um sorriso, tentando afastar as preocupações da amiga.

- Estou, Lu. Só uma noite mal dormida. Coisas demais na cabeça.

Luísa não parecia convencida, mas decidiu não insistir. Mariana sabia que, em algum momento, teria que contar a verdade para sua amiga, mas ainda não estava pronta. A verdade era que ela mesma ainda estava processando tudo o que tinha acontecido.

Durante o trabalho, Mariana se viu incapaz de se concentrar. Os pensamentos sobre Alessandro e o que ele havia revelado consumiam sua mente. A imagem do porão, dos homens que trabalhavam para ele, não a deixava em paz. Mas, ao mesmo tempo, havia uma parte dela que sentia uma excitação irracional, como se estivesse prestes a embarcar em uma aventura perigosa e irresistível.

No final do dia, enquanto saía do escritório, Mariana recebeu uma mensagem de Alessandro. Ele queria vê-la novamente, e dessa vez, o tom da mensagem era mais urgente.

"Precisamos conversar. Hoje à noite, na minha casa. Estarei esperando."

Mariana sentiu um arrepio correr pela espinha. A urgência na mensagem a deixou inquieta, mas ela sabia que não conseguiria recusar o convite. Havia uma parte dela que queria fugir, esquecer tudo e voltar à sua vida pacata, mas outra parte – aquela que se sentia atraída pelo desconhecido – sabia que não poderia simplesmente se afastar.

Quando chegou à mansão de Alessandro naquela noite, o ambiente parecia diferente. Havia uma tensão no ar que ela não conseguia identificar, algo que deixava tudo mais pesado, mais sombrio. Alessandro a recebeu na porta, sua expressão séria, sem o sorriso que ela estava começando a se acostumar.

- Obrigado por ter vindo - disse ele, guiando-a para dentro.

Mariana notou que a mansão estava mais movimentada do que da última vez. Havia mais homens circulando, todos com expressões tensas e focadas. Ela sentiu um nó se formar em seu estômago, uma sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer.

- Alessandro, o que está acontecendo? - perguntou ela, tentando manter a calma.

Alessandro a levou até a sala onde haviam conversado da última vez. Ele gesticulou para que ela se sentasse, mas permaneceu de pé, andando de um lado para o outro, claramente perturbado.

- A situação se complicou mais rápido do que eu esperava, Mariana - começou ele, com um tom grave. - Eu não queria envolvê-la nisso, mas agora que você sabe, preciso que esteja ciente dos riscos.

- Que tipo de riscos? - perguntou Mariana, sentindo o coração acelerar.

- Há pessoas que sabem da sua existência, pessoas que não gostariam que eu tivesse uma fraqueza. E, para elas, você é essa fraqueza, Mariana.

Mariana sentiu um calafrio. Ela sabia que estar perto de Alessandro a colocava em perigo, mas ouvir isso de forma tão direta era aterrorizante.

- Eu não quero que você corra risco algum, mas eu também não posso mais te deixar fora disso. Há uma guerra acontecendo, uma guerra que vai além do que você pode imaginar. E, se você continuar ao meu lado, precisará estar preparada para as consequências.

Mariana estava prestes a responder quando a porta da sala se abriu abruptamente, e um dos homens que ela havia visto antes entrou, com uma expressão tensa.

- Alessandro, temos um problema. - O homem falou rapidamente, olhando de relance para Mariana.

- O que foi, Dante? - Alessandro perguntou, claramente irritado com a interrupção.

- Eles estão se movendo mais rápido do que prevíamos. Nossos informantes dizem que um ataque pode ocorrer a qualquer momento.

Mariana sentiu o chão tremer sob seus pés. Um ataque? Quem eram essas pessoas? Ela olhou para Alessandro, esperando alguma explicação.

- Preciso cuidar disso agora - disse Alessandro, virando-se para Mariana. - Vou mandar alguém te levar para um lugar seguro.

- Não! - Mariana respondeu rapidamente, surpreendendo a si mesma. - Eu não quero ser protegida. Quero saber o que está acontecendo, quero estar ao seu lado.

Alessandro hesitou, claramente dividido entre o desejo de protegê-la e a necessidade de manter a situação sob controle.

- Mariana, isso não é um jogo. Essas pessoas não hesitarão em machucar você para chegar até mim.

- Eu sei disso, Alessandro. Mas eu fiz a escolha de ficar ao seu lado, e não vou voltar atrás agora.

Os olhos de Alessandro se suavizaram por um momento, e ele deu um passo em direção a ela, segurando suas mãos.

- Eu prometo que vou fazer tudo para te proteger, mas você precisa confiar em mim.

Mariana assentiu, embora o medo ainda estivesse presente em seus olhos.

- Eu confio em você.

Alessandro fez um gesto para que o homem, Dante, esperasse do lado de fora. Assim que ficaram sozinhos, ele se aproximou de Mariana e a puxou para um abraço apertado. Mariana sentiu o calor do corpo dele, o batimento forte do coração, e, apesar de toda a tensão, Alessandro segurou Mariana firme em seus braços, como se temesse que ela pudesse desaparecer a qualquer momento. Sentindo o calor dele ao seu redor, Mariana fechou os olhos, tentando encontrar conforto no toque daquele homem que, apesar de toda a escuridão que o cercava, fazia com que ela se sentisse segura.

- Eu não sei onde tudo isso vai nos levar - sussurrou Alessandro, a voz grave e carregada de preocupação. - Mas não vou permitir que nada te machuque.

Mariana se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. Havia uma determinação silenciosa ali, uma promessa de que ele lutaria até o fim para mantê-la a salvo.

- Eu sei que não é fácil, Alessandro - respondeu ela suavemente. - Mas eu escolhi estar aqui, ao seu lado, e vou enfrentar o que vier. Não estou com medo de você, nem do que você representa.

Ele a observou por um longo momento, e então inclinou-se, beijando-a com uma intensidade que fez o coração de Mariana acelerar. O beijo era uma mistura de paixão, medo e uma promessa silenciosa de que, juntos, enfrentariam qualquer perigo que estivesse à espreita.

Quando se separaram, Alessandro respirou fundo, como se estivesse se preparando para a batalha que sabia que viria.

- Vamos sair daqui - disse ele, decidido. - Vou levá-la para um lugar seguro, mas desta vez, ficaremos juntos.

Mariana assentiu, sabendo que, ao lado de Alessandro, estava entrando em um mundo de sombras e incertezas, mas disposta a seguir em frente, seja qual fosse o preço.

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