Treinei o meu corpo durante anos, treinei a minha mente e principalmente o meu coração para não sentir qualquer tipo de compaixão por Alexander Will Bennet.
Chamo-me Ava Smith, tenho vinte e quatro anos de idade e sou formada em economia. Falo cinco idiomas, francês, inglês, espanhol, alemão e italiano. Sou alta, cabelos ruivos, olhos azuis e sardas no rosto, tenho uma beleza exuberante. Sou poderosa, perigosa e deixo qualquer homem que eu quiser comer na palma da minha mão.
Não fui criada pelos meus pais, perdi eles muito cedo em um acidente de viação e desde então quem tem cuidado de mim é o meu irmão Natan. Diferente de mim, ele tem olhos verdes e o seu cabelo é loiro. Frio e calculista, essa é a definição perfeita do homem que eu considero um pai.
Fixo meu olhar no espelho pela última vez e como sempre estou belíssima. Meu belo corpo está coberto por um vestido preto justo e meus pés estão calçando sapatos altos da mesma cor, fiz uma maquiagem leve e prendi meu cabelo em um coque abacaxi.
Sempre fui apaixonada pela minha aparência física; amo tudo em mim, especialmente as sardas no meu rosto, a cor dos meus olhos e do meu cabelo. Confesso que quando perdi a Bella, eu não me importava com mais nada, apenas queria tê-la perto de mim novamente. Já perdi as contas de quantas vezes pedi a Deus que a trouxesse de volta para mim, mas infelizmente meu pedido nunca foi atendido. Talvez eu devesse implorar com mais fé, ou talvez devesse simplesmente aceitar a morte dela, mas acredito que isso jamais acontecerá. Passaram-se quatorze anos e mesmo assim ainda me lembro daquele dia como se fosse ontem.
Depois de alguns minutos pensando na minha vida, peguei minha bolsa dourada e saí de casa em um táxi.
O motorista parou em frente ao enorme prédio da família Bennet e tenho que admitir que ele é muito mais lindo pessoalmente do que nas fotos. Retirei da minha bolsa o dinheiro, entreguei ao taxista e saio do carro.
Respirei fundo antes de dar o primeiro passo e quando me recompus, caminhei até a entrada principal.
- o seu crachá senhorita - diz o segurança.
- não trabalho aqui ainda, vim para a entrevista para o cargo de assistente pessoal do dono da empresa.
- certo - disse, avaliando o meu corpo da cabeça aos pés - por favor dirija-se ao trigésimo sétimo andar.
- obrigada.
Assim que as portas do elevador se abriram vi uma mulher jovem de altura média, muito bonita, de cabelos pretos e olhos verdes.
- você deve ser a Sophia - sorriu
Quando a minha irmã se suicidou, meu irmão achou melhor mudar os nossos nomes e tudo que ligava o nosso passado, não foi fácil para nenhum de nós deixar a sua identidade, mas foi melhor assim. Hoje, o meu irmão chama-se Natan e não sei qual foi a última vez que o chamei de Brian, também não sei qual foi a última vez que ele me chamou de Ava.
Não foi fácil para mim deixar o meu país, não foi fácil deixar a cidade onde morava, os meus vizinhos e principalmente a Zara e a tia Alice, que eram como uma verdadeira família para mim, gostaria de vê-las de novo, mas ainda não estou preparada para isso.
Muita coisa mudou desde que a Bella morreu. Eu mudei, o Brian mudou, o mundo mudou. A única coisa que não mudou e jamais mudará é o ódio que sinto por Alexander Will Bennett. Esse homem destruiu o melhor de mim e estou decidida a mostrar-lhe tudo aquilo que me tornei.
- e você é a?
- Samantha - estendeu a mão e eu retribuí o gesto - vem, vou te levar até ao senhor Bennett.
Não havia prestado muita atenção e só agora vejo o quão tudo é lindo, pelo visto o desgraçado ama uma boa decoração. Mesas e cadeiras sofisticadas no meio da sala, computadores da Apple em cada uma delas e o piso é vinílico.
Pessoas correndo de um lado para outro com papéis na mão, outras simplesmente estão tomando café, deve ser para acabar com a ressaca.
Caminhamos em direção a uma sala diferente das demais e a Samantha bateu na porta duas vezes antes de ouvirmos um entre.
- senhor essa é a última candidata.
- obrigado, pode se retirar.
- com licença.
Estando em frente dele lembro de tudo que ele fez com a minha irmã, de como destruiu os seus sonhos e da maneira cruel que a deixou como se fosse um nada. Tenho acompanhado sua carreira a vários anos, é um homem bonito e de sucesso, será vitorioso destruir tudo que ele construiu a vida inteira, não falo só dá carreira profissional, falo de tudo mesmo.
Minha vontade neste momento é de pular pra cima dele e arrancar os seus olhos, mas jamais esqueço de um dos ensinamentos do meu maninho
"Nunca deixe suas emoções dominarem você Ava"
- por favor senhorita sente-se! - apontou na poltrona preta e assim o fiz. Ele me encarou por um tempo, como se buscasse alguém em mim e então percebi que se perdeu nos meus lindos e intensos olhos azuis - sou Alexander Bennet o CEO desta empresa - fala isso como se fosse uma grande novidade - os quatros candidatos que fiz questão de entrevistar pessoalmente têm um currículo muito recheado, assim como o seu. Me diz senhorita Villalobos por que razão eu deveria contratar você e não eles?
- porque eu estou disponível vinte e quatro horas por dia.
Alexander ficou em silêncio por vários segundos e pela sua expressão posso afirmar que a resposta agradou-lhe bastante, isso está sendo muito mais fácil do que imaginei.
As perguntas continuaram e eu respondia cada pergunta sem medo, tinha esperado aquele momento por vários anos e ninguém podia tirar das minhas mãos a oportunidade de ficar perto do inimigo.
- contratada - disse por fim - poderia começar amanhã?
- claro - abri o sorriso mais falso que consegui fazer.
- ótimo, ao sair fale com a Samantha, ela irá se encarregar de te disponibilizar tudo que precisares.
- obrigada senhor, garanto que não irá se arrepender.
- sei que não, eu nunca me engano.
Depois da Samantha ter me entregado a agenda do meu novo chefe e ter se encarregado pessoalmente do meu crachá, saí da empresa e decidi caminhar pelas ruas do País que fui obrigada a deixar quando criança. Tudo continua lindo, do jeito que lembrava, as pessoas sempre apressadas como se não existissem os outros, viaturas em alta velocidade e os aranha céus continuam chamando a atenção, porém alguns ficaram mais modernos.
Paro em frente a um restaurante e decido entrar. Dirijo-me a uma mesa distante das outras e sento.
- boa tarde madame. Já sabe o que vai pedir?
- sim, um prato de ciopino por favor.
- anotado, não demoro.
E não demorou mesmo.
Como é maravilhoso se deliciar de um bom prato típico do seu país, em Canadá existe vários restaurantes americanos, mas nada se compara na sensação de comer sabendo que finalmente está na sua terra natal.
Estava com saudades daqui, do clima quente e frio ao mesmo tempo, dos parques de diversões, das praças mas acima de tudo da comida.
Depois que saí do restaurante, passei de uma floricultura e comprei as flores que ela mais gostava( jasmim). Faz uma eternidade que eu não venho aqui, quatorze anos, muito tempo, eu sei. Meu irmão manda dinheiro todo o mês para o guarda que cuida deste cemitério e uma vez e outra ele pede um amigo para ver como a campa está.
- Porquê Bella, porquê fez isso com você mesma? Tudo bem que o amavas mas não precisavas ir tão longe, dizem por aí que é possível amar mais de uma pessoa nesta vida e que um amor pode muito bem curar outro amor. É, talvez eu não entenda muito dessas coisas do coração mas de uma coisa eu estou certa, ele não te amava.
As lágrimas que tentei segurar assim que cheguei, caíram e mais uma vez me vi a jurar que me vingarei.
Cheguei a casa e mandei uma mensagem para Natan dizendo que tudo deu certo e que finalmente estamos perto do inimigo.
Tomei um banho, vesti uma roupa confortável e jantei vendo uma novela qualquer.
Deitada na minha cama, fecho os olhos e adormeço feliz, sabendo que uma nova etapa da minha vida inicia amanhã.
Acordo com o som do alarme ecoando pelos meus ouvidos, são cinco em ponto e está mais que na hora de levantar dessa cama.
Tomo um banho rápido e começo a preparar, visto uma calça pantalona vermelha, casaco, camisa e saltos brancos. Amarro o meu cabelo em um rabo de cavalo e saio de casa em um táxi.
- Bom dia... William - falei depois de ler seu nome no crachá
- Bom dia senhorita, vejo que foi contratada.
- Por favor me chame de Sophia!
- Como preferir - sorriu - tenha um ótimo primeiro dia de trabalho.
- Obrigada.
Assim que entrei no escritório vi que a Samantha já encontrava-se na sua mesa, ela é muito pontual, assim como eu.
- Vejo que é pontual, vinte minutos antes?
- Não quero fazer feio no meu primeiro dia.
- Como estás?
- Feliz e você?
- Estou ótima.
- O Sr. Bennet chegou?
- Claro que não, são seis e quarenta, geralmente os donos costumam se atrasar.
- Verdade, mas alguns se fazem presente na empresa antes da secretária.
- Não é o caso do responsável pelos os nossos salários - falou sorrindo.
- Pra quem você trabalha?
- Pra o Sr. Leonardo, em breve irás conhecê-lo, mas vou logo avisando que é um mulherengo.
- não se preocupe, sei lidar com este tipo de homem.
Alguns funcionários já estão no local de trabalho. Alguns me dão boas-vindas e outros apenas sorriem para mim. Parece que ele tem uma equipe competente, que fala menos e trabalha mais. Bom pra mim, assim não terei pessoas falsas tentando puxar assunto comigo.
o chefe adentra no escritório com passos firmes e determinados. Seu porte imponente e postura confiante comprovam a sua posição de autoridade na empresa. Vestido com um terno elegante e uma gravata bem alinhada, ele transmite uma imagem profissional e respeitável.
Não gosto deste homem, mas não posso negar que a sua presença é perigosamente marcante.
Ando a passos rápidos atrás dele, revirando os olhos. É sério, detesto este tipo de trabalho, e se não fosse por uma causa maior, estaria no Canadá ajudando o meu irmão a administrar uma de nossas empresas.
- Bom dia, senhor.
- Bom dia - respondeu rudemente.
- Vim lembrá-lo de um compromisso importante que tem hoje - abri a agenda - às oito da noite, terá um jantar de negócios com os senhores Aniston e López. Quer que eu o acompanhe?
- Não - disse, com os olhos fixos em alguns papéis.
- Quer que eu prepare o seu café da manhã?
- Não, já comi em casa.
- O que posso fazer pelo senhor agora?
- Trabalhar - o meu novo chefe levantou o olhar e me encarou seriamente - Acredito que a senhorita tem muitas coisas a fazer.
- O senhor tem razão. Com sua licença.
Por Deus! Porquê ele foi tão grosseiro comigo? Será que ele é mesmo assim? Não duvido, algumas pessoas são realmente desprezíveis e o Alexander com certeza é uma dessas pessoas.
Estou apreciando a agenda do meu chefe, organizando cuidadosamente os compromissos e revisando as tarefas pendentes. É gratificante ver como tudo está bem planejado e estruturado, a ex secretária dele exercia com excelência essa função. Aproveito para ajustar os horários conforme necessário, garantindo que cada compromisso seja devidamente acomodado. Não fico satisfeita em contribuir para a eficiência e produtividade do homem que destruiu a minha irmã e a minha família, mas preciso fazê-lo para que ele fique feliz com o meu trabalho.
Agora estou organizando documentos importantes, criando pastas organizadas para garantir que os arquivos sejam mantidos adequadamente para fácil acesso.
- Está ocupada agora? - a Samantha perguntou com um simples sorriso no rosto.
Minha mesa está próxima da mesa da Samantha, criando um ambiente de trabalho próximo e colaborativo.
- Não muito, porquê?
- Gostaria de mostrá-la o lugar onde é fabricado os produtos da família Bennett.
- Eu ia adorar - sorrio.
Levantamos das nossas mesas e entramos no elevador. Assim que chegamos ao trigésimo oitavo andar, onde a fábrica de produtos de cabelos e pele da família Bennet está localizada, os meus olhos se arregalaram. O ambiente é preenchido com o zumbido constante das máquinas trabalhando em harmonia.
Os corredores são amplos e limpos, com funcionários engajados em suas tarefas, cada um desempenhando seu papel na criação dos produtos que a anos pesquiso.
- Isso é tão lindo - digo com admiração na voz.
- fiquei exatamente assim no primeiro dia que entrei neste lugar.
Chego a uma área de produção, onde máquinas avançadas estão em pleno funcionamento. Os produtos são envasados, embalados e etiquetados com cuidado, prontos para serem distribuídos para os consumidores. É uma visão impressionante da criação em massa.
Samantha permanece ao meu lado, atenta a cada detalhe assim como eu. Juntas, apreciamos o esforço e o empenho que são dedicados à criação desses produtos.
Saímos do lugar com sorrisos de orelha a orelha estampados no rosto e voltamos para às nossas actividades.
- Vamos almoçar Sophia?
- Por favor, estou morrendo de fome.
- Eu também, já perdi a conta de quantas vezes o meu estômago roncou - disse, fazendo-me gargalhar.
Estou sentada em um restaurante elegante, onde fui convidada para almoçar por Samantha a poucos minutos atrás.
Nossos pratos principais chegam à mesa, lindamente apresentados. Eu optei por um suculento bife grelhado acompanhado de legumes frescos. Samantha escolheu um risoto cremoso de cogumelos, que parece incrivelmente saboroso.
- O senhor Alexander é sempre assim?
- Assim como?
- Rude, grosso?
- Tem como ser diferente com aquela sua esposa chata? - Revirou os olhos, e eu ri.
Talvez o casamento dele não esteja no seu melhor momento. Se minhas suspeitas estiverem corretas, poderei aproveitar bastante disso.
- O que aconteceu com a última assistente dele?
- Casou-se e mudou de cidade.
- Ah, isso é bom.
- Pois é - disse sem expressar alguma alegria.
- Por que será que senti um pouco de tristeza nas suas palavras?
- Ela era a minha melhor amiga.
- Não é mais?
- Ah, Sophia, sei lá - respondeu triste - as coisas mudaram, ela casou-se e mudou-se com o seu marido, a vida de casada não é fácil e eu não quero ficar no meio dos dois.
- Entendo - estiquei a minha mão e peguei a dela - eu estou aqui agora e acredito que seremos boas amigas, posso não ser a melhor, mas serei uma ótima aliada.
- Creio que sim Sophia.
Samantha insistiu em pagar a conta, mesmo eu dizendo que não era necessário. Ela argumentou que era um presente de boas-vindas, e não tive outra escolha a não ser aceitar e expressar minha gratidão. Levantamo-nos da mesa e nos dirigimos para a saída do restaurante.
À medida que nos aproximamos do escritório, a conversa continua fluindo, e sinto-me confortável ao lado de Samantha. Existe uma química agradável entre nós, e acredito que trabalhar juntas será uma experiência positiva.
- Por favor segurem o elevador! - pediu um homem que está ao lado do meu chefe. A Samantha assim o fez - quem é essa obra-prima à minha frente? - perguntou depois de entrar no elevador.
- Sophia Villalobos, minha nova assistente - disse com a cara fechada.
- Muito prazer, senhorita. Sou Leonardo Walker, o vice-presidente desta empresa.
- O prazer é todo meu, senhor.
- Por favor, chame-me de Leonardo ou simplesmente de Léo.
- Desculpe, senhor, mas não costumo tratar meus superiores por você.
- Mas pode abrir uma exceção para mim.
- o que te faz pensar que eu faria isso por você, senhor? Por favor não misture as coisas, acho melhor o senhor agir como um profissional, será melhor para todos.
O Bennett olhou para mim com uma certa admiração, enquanto a Samantha segurava o riso. O Leonardo parecia devorar-me com os olhos. Que bom que percebeu de imediato que suas tentativas de flerte barato não terão efeito sobre mim.
Ao sair do elevador, pude sentir o olhar pesado do senhor Leonardo sobre mim, como se sua intensidade fosse capaz de penetrar minha pele.
- O que foi isso Sophia? - sorriu largamente - trabalho nesta empresa a quatro anos e nunca vi alguém falar com o meu chefe daquele jeito.
- Ele mereceu, não pode querer levar para a cama todas as mulheres lindas que ele vê na sua frente.
- Aquele momento ficará guardado na minha memória por um bom tempo.
- Na minha também, com certeza - rimos com humor.
- Gosto de você Sophia.
- Também gosto de você Samantha.
O dia passou muito lento, e se não fosse pela Samantha e suas conversas descontraídas tudo seria mais difícil, gosto dela e espero que sejamos boas amigas.
São sete da noite e estou revisando uns papéis que me foi entregue a tarde, eles são muito complexos, preciso adiantar uma boa parte para não acabar sofrendo amanhã.
- Sophia? O que faz aqui?
- Estou analisando os relatórios que o senhor me deu depois do almoço.
- Por favor arrume as suas coisas, terminas amanhã.
- Mas senhor...
- Sem mas, arrume as suas coisas!
- Está bem, senhor.
- Tem como voltar pra casa?
- Sim, irei de táxi.
- Não é seguro que você ande sozinha pelas ruas, eu levo você pra casa.
- Não é necessário, não quero incomodar.
- Não seja por isso, vamos.
No caminho todo, ninguém abriu a boca para dizer uma palavra sequer. De vez em quando, sentia seus olhos fixos em mim, mas toda vez que eu o encarava, ele desviava o olhar. Era difícil decifrar o que se passava na cabeça dele.
Era horrível estar no mesmo carro que o homem que destruiu a minha infância. Cada minuto parecia uma eternidade, enchendo o ambiente com um desconforto insuportável. O silêncio era sufocante, e a tensão pairava no ar, como uma nuvem negra que pairava sobre mim.
Sentia sua presença ao meu lado como uma sombra sinistra que me seguia implacavelmente. Eu não conseguia evitar o constante fluxo de memórias dolorosas que vinham à tona sempre que o olhava. Ele era o responsável por tantas feridas profundas, pelas cicatrizes que marcaram minha infância e moldaram quem eu me tornei. Cada vez que nossos olhares se cruzavam, era como se todas as emoções negativas que eu tinha guardado dentro de mim viessem à tona, uma mistura de raiva, tristeza e ressentimento. Eu me sentia impotente, presa em um carro com meu pior inimigo.
- O seu horário de saída é às seis da noite senhorita Villalobos, se tiver um trabalho que não tenha terminado trate de ultimar no dia seguinte, estamos entendidos? - disse depois de parar o carro no meu prédio.
- Sim senhor, obrigada pela carona. Tenha uma ótima noite.
- Obrigado e igualmente - desci do carro e vi o meu novo chefe se afastando.
É um alívio deixar para trás esse tormento, mesmo que apenas temporariamente.
Eu sei que não será uma tarefa fácil para mim estar ao lado dele quase o tempo todo, mas minha mente foi treinada ao longo de muitos anos para resistir aos abalos que ele possa causar.
Eu me vingarei, nem que isso seja a última coisa que eu faça na vida.
Hoje, decidi provocar um pouco o meu chefe. Vesti uma saia lápis cinza curta e uma camisa formal branca, deliberadamente desabotoada nos primeiros três botões. Eu sei exatamente o efeito que isso causará nele, especialmente quando se trata dos meus seios.
Entro na sua sala com confiança, ciente do olhar surpreso e desconfortável que se formará no rosto dele assim que me ver.
A medida em que eu me aproximo de sua mesa, seus olhos não conseguem evitar o óbvio. O olhar fixo nos meus seios denuncia uma mistura de surpresa, confusão e até mesmo um toque de desejo reprimido.
Estou amando o desconforto que estou causando nele. É uma pequena forma de vingança. Seu semblante muda rapidamente, engolindo em seco enquanto tenta manter a compostura.
Enquanto ele luta para disfarçar seu desconforto, eu mantenho uma expressão impassível, aproveitando o momento. Sei que estou atingindo o objetivo de perturbar sua tranquilidade e questionar seu domínio sobre a situação.
- Senhor, aqui estão os relatórios que o senhor pediu que eu revisasse ontem - falei, deixando os papéis na mesa e os seios na sua cara, tomando cuidado para evitar qualquer contato físico indesejado por mim.
- Obrigado - disse, engolindo em seco.
Sentei-me novamente na minha mesa e liguei o meu computador, organizando alguns documentos importantes. Seria uma boa ideia roubar tudo isso desse maldito, mas por enquanto não posso fazê-lo, todos irão desconfiar de mim, visto que sou nova por aqui e eu preciso ganhar a confiança de todos, principalmente do Alexander Will Bennett, quero entrar no coração dele, mas principalmente na sua mente, mexer com o seu psicológico e com todas as suas emoções.
Ele vai viver o inferno aqui na terra e eu viverei para garantir isso.
O telefone tocou, tirando-me dos meus devaneios e eu vi-me obrigada a atender.
- Empresa da família Bennet. Boa tarde! Em que posso ajudar?
- Gostaria de falar com o Alexander Will Bennett, sou o empresário Moritz da Alemanha e sou também investidor dessa empresa.
- Peço que aguarde um minuto, senhor!
Transferi a ligação para a sala do meu chefe e depois liguei para ele.
- O senhor Moritz está na linha um.
- Certo. Obrigado Sophia!
Encerrei a ligação e continuei com os meus afazeres. Esta empresa tem muito trabalho e não é pra menos, ela é o coração de Nova Iorque e do mundo, muitas famílias dependem dela para sobreviver e para garantir o seu sustento, Alexander tem um coração de ferro, mas em compensação tem uma mente brilhante.
Eu acompanho eles há muitos anos, quatorze anos para ser mais exata, vi de longe o crescimento desta empresa e por mais que eu não goste dele ele evoluiu muito ao longo desses anos.
Quatorze anos é uma vida, pessoas nascem e morrem, riem e choram, constroem uma carreira profissional de sucesso e aproveitam o melhor da vida. Mas comigo não foi assim, ao longo dos quatorze anos eu não sorri, eu não aproveitei o melhor da vida, muito pelo contrário, dediquei todo o meu tempo a planejar a minha vingança, e é exatamente por isso que não deixarei que nada atrapalhe os meus objetivos.
A hora do almoço chegou e eu ainda estou lotada de trabalhos, são documentos para revisar, contratos para analisar e ligações para atender, estou sem tempo para nada, nem mesmo para ir ao banheiro.
- Está na hora do almoço Sophia, vamos lá.
- Não posso, preciso ir buscar o almoço do senhor Bennett.
- Aaaaaah, tudo bem, até já.
- Até já.
Levanto-me da minha mesa e me dirijo para a porta do escritório. Já na rua, entro no restaurante, sentindo cheiros deliciosos que preenchem o ar.
Faço o meu pedido, explicando com clareza e fornecendo as especificações necessárias para atender às preferências do meu chefe.
Saio do estabelecimento quinze minutos depois, voltando minha atenção para a travessia da rua.
- Senhor, aqui está o seu almoço - falei depois de entrar na sua sala.
- A senhorita sabe que eu obedeço a uma lista semanal de refeições, certo?
- Sim, senhor, e segundo a sua lista, nas sextas-feiras o senhor come macarrão integral, filé de frango, salada verde e legumes levemente cozidos.
- Certo. Saia! - disse friamente.
Se ele pensa que o seu jeito arrogante e seco me incomoda ou intimida, está muito enganado. Ele não faz ideia de com quem está lidando.
Por enquanto, eu preciso permitir que ele me trate dessa forma, mas isso vai mudar assim que ele cair no meu jogo, como um pássaro que é engaiolado. Eu vou mostrar a ele o verdadeiro significado de poder e controle.
- Olha a comidinha.
- Oh, Samantha! Muito obrigada, mas não precisava se incomodar.
- Fiz isso com muito prazer.
- Depois eu te passo o dinheiro que você gastou.
- Tudo bem.
- O final de semana está chegando, o que vai fazer?
- Não sei Sophia, mas não estou com vontade de ficar em casa.
- O que acha de irmos para uma boate?
- Ótima ideia, eu até já tenho uma em mente.
- Perfeito, me mande o endereço logo.
- Pode deixar, mas uma vez que você está sem carro, acho melhor eu ir te buscar em sua casa.
- Obrigada, Samantha, você é um amor.
- Eu sei - disse fazendo beicinho.
Samantha é um amor de pessoa, ela é divertida, simpática e generosa, gosto mesmo dela e quero que sejamos muito amigas.
Depois do meu expediente ter terminado, decidi fazer uma parada em uma loja local que ainda estava aberta. Como eu tinha algumas compras pendentes em mente, aproveitei a oportunidade para dar uma olhada.
Quando chegou a hora de voltar para os Estados Unidos, percebi que não conseguiria levar todo o conteúdo do meu armário comigo. Sabendo disso, tive que fazer escolhas difíceis e decidir levar apenas o essencial. Peguei algumas peças versáteis que combinavam entre si e que eu sabia que seriam úteis em várias ocasiões.
O meu celular vibrou e eu o tirei da bolsa para ver o motivo dele ter vibrado.
"Olá minha pequena, desculpa não ter respondido sua mensagem antes, mas ando tão ocupado. Me diz como você está?"
Durante toda a minha vida, tive a sorte de contar com o apoio incondicional de Natan. Ele dedicou seu tempo, energia e talento para me orientar e me ajudar a alcançar o sucesso. Seu comprometimento incansável comigo e com o trabalho é incomparável, e é por isso que ele se tornou uma figura tão respeitada e prestigiada no Canadá.
Natan sempre acreditou no meu potencial, mesmo quando eu duvidava de mim mesma. Ele me incentivou a seguir meus sonhos e a trabalhar duro para alcançá-los. Sua sabedoria e experiência foram inestimáveis, pois ele compartilhou seus conhecimentos comigo, guiando-me pelos desafios e obstáculos da vida.
Todos os dias, testemunhava sua dedicação incansável ao trabalho. Ele não mediu esforços para alcançar a excelência e sempre foi um exemplo de profissionalismo e integridade. Através do seu exemplo, aprendi a importância da disciplina, do compromisso e da perseverança.
Tudo que sou hoje é resultado da influência de Natan em minha vida. Estou profundamente grato por tudo que Natan fez por mim. Seu papel em minha vida é insubstituível, e sempre lembrarei de sua generosidade e dedicação.
"Estou bem meu amor mas acho que você está um pouco sobrecarregado. Da pra relaxar um pouco e parar de trabalhar tanto?"
Entendo e respeito a paixão que Natan tem pelo trabalho, mas confesso que, às vezes, também questiono sua obsessão. Ele alcançou um nível de sucesso incrível e conquistou tudo que almejava, ele precisa desfrutar um pouco da vida fora do trabalho.
Seria benéfico para Natan aproveitar algumas férias, longe das responsabilidades e pressões do trabalho.
Já ouviu a frase parar é morrer?
Deixa de ser chatoooo.
Olha o respeito.
Você não me intimida.
Mas deveria.
Aposto que sorriu ao escrever essa mensagem.
Acertou em cheio.
Vem morar comigo nos Estados Unidos?
Pedido impossível.
Tire umas férias pelo menos.
Vou pensar sobre isso.
Está bem.
Sabia que você seria contratada, meus parabéns. Tenha uma ótima noite princesa, te amo.
Eu também te amo Pai.
Você sabe que detesto quando me chame assim, me sinto um velho.
Fiz de propósito.
Sua peste.
Pense bem no que eu te disse.
Está bem. Bom descanso.
Obrigada e igualmente. Beijos.
Após a conversa com meu irmão, senti-me tranquila e serena. A troca de palavras trouxe um certo alívio para minha mente. Com os pensamentos ainda frescos em minha cabeça, decido fechar os olhos e permitir-me descansar.