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Barriga de Aluguel

Barriga de Aluguel

Autor:: JulikaNesser
Gênero: Romance
Vicente é um milionário frustrado pois seu maior sonho de ser pai não se realizou. Luana é um mulher quebrada e cheia de dívidas que se depara com uma solução até fácil. Os 2 unem o útil ao agradável. Mas será que Luana conseguirá ser apenas uma barriga de aluguel?

Capítulo 1 Um

🖤 Janeiro de 2019 🖤

- E é isso, to decidido! - Vicente terminava de desabafar com seu amigo Bruno em seu escritório naquela manhã. - É minha resolução de ano novo, e eu vou realizar.

O amigo coçava a nuca - Mas... pagar pra ter um filho Vicente? Porque você só....se envolve com uma mulher e tem uma filho...

- Porque quero esse filho pra mim! Se eu me envolver com uma mulher essa mulher vai querer o filho tambem! Bruno... - ele suspirou - Esse é o maior sonho da minha vida, não deu certo com a Mariana, ela não queria ter filhos,não quero passar por outro divórcio...

- Mas então porque não adota?

- Eu vou, mas também quero ter uma criança com meu dna correndo por ai, poxa é muito errado mesmo isso?

Bruno olhou o desespero do amigo. Sabia do sonho que ele tinha há anos, desde adolescente...mas também se preocupava com ele - Mas... como você vai encontrar alguém que não vai querer a criança depois?

- Ainda não sei... mas to conversando com meu advogado, e estamos fazendo todos os papéis e contratos, ela vai ter que assinar tudo antes se concordar.Não vai ter direito nenhum a criança depois que nascer. E claro que eu vou dar a melhor gravidez que poderia, afinal sou milionário.

- E quanto tu ta querendo pagar pra isso?

- Eu e meu advogado pensamos em um milhão.

- Um mi... porra, se eu fosse mulher eu assinaria agora!

Vicente riu - Acha que alguém vai aceitar então?

- Alguém muito desesperado vai aceitar, acredite. Tem gente doida pra tudo nesse mundo.

-

Luana estava completamente desesperada. Estava quase sendo despejada do muquifo onde vivia, já estava devendo quase 6 meses de aluguel. Sua profissão como tatuadora não estava tendo muito sucesso já que era uma profissão arriscada na região onde morava. Suas dividas se empilhavam e ela não sabia mais o que fazer. Estava desesperada, muito!

- Olha, eu te pago um café, senta ai - Carlos bateu nas costas da amiga que se sentou na cafeteria onde se encontraram.-Tu ta com a cara péssima....

- Eu to péssima,merda - disse chutando o nada com suas botas pesadas.

-Ainda sem conseguir emprego?

Luana assentiu - Com essas tatuagens ninguém contrata, e eu como tatuador ta foda... os estudios estão todos trabalhando as escondidas, só tiro uns trocados pra passar a semana...

Carlos era amigo de Luana desde a faculdade, quando a mesma desistiu no meio dela porque não queria viver engomada. Agora, ele tentava o ajudar como podia.

- Eaiiii - ouviram a voz de Bruno que chegou na cafeteria, era amigo de Carlos, mas não conhecia Luana.

- Bruno, quanto tempo, senta ai, essa é minha amiga Luana. Lu, esse é Bruno ele trabalha nas empresas Brandão.

- Falando na empresa, meu patrão ta doido. - ele riu pedindo um café.

- Doido? Ainda aquela historia do filho?

- Ele ta obcecado! Eu conheço ele há anos, mas nunca achei que ele chegaria a esse ponto...

- Que ponto?

- Pagar alguém pra ser barriga de aluguel pra ele.

Luana, que nao prestava atenção na história, de repente virou os olhos para os dois.

Carlos riu. - E onde ele vai achar uma doida pra isso? Porque ele não tem no modo convencional?

- Ele diz que quer o bebe só pra ele, e que se fizer do modo convencional a mulher vai se apegar e enfim, ele ta certo.

- Por inseminação? - Luana perguntou pela primeira vez.

- Provavelmente sim. - Bruno deu de ombros.

- E ele vai achar uma doida, tenho certeza - Carlos falou.

Eles riram e depois foram embora. Chegando em seu apartamento no subúrbio, Luana mascava um chiclete e pensava. Nunca quis ter filhos, odiava ter nascido mulher. Não era de sua personalidade ser carinhosa ou atenciosa. E bem, o que eram nove meses? Ela não teria contato com o cara que com certeza era um velho asqueroso, teria o bebê e o dinheiro na conta, quem sabe fosse uns 50 mil? Sanaria todas suas dividas e ela poderia ir embora viver em outro país.

Não conseguiu dormir a noite, pensando que, sera que teria sido coincidência aquela conversa ter chegado a até ela?

Ligou para Carlos "Lu, diga"

- Me passe o telefone daquele seu amigo de ontem, o da cafeteria.

"O Bruno? Espera to te mandando por mensagem, mas o que..."

- Obrigada - e desligou. Logo a mensagem com o numero do tal Bruno chegou e Luana discou.

Capítulo 2 Dois

- Bruno, atende logo esse telefone, ta me dando nos nervos - Vicente falou enquanto digitava no notebook.

- É número desconhecido, alo?....sim é ele.... sim me lembro sim... sobre... - ele levantou os olhos pra Vicente - eu... garota isso é um piada?bufou - espera, eu te retorno. - Discou outro numero e andou pela sala, ficando mais longe - Carlos? Porque diabos aquela sua amiga Luana ta me ligando dizendo que quer ter o filho do meu patrão?

"O que? Entao era por isso que ela queria seu numero... ela falou isso?"

- Falou - disse mais sussurrado no telefone - Falou que odeia crianças, que não vai querer contato depois, disse que precisa do dinheiro, essa garota é louca?

"Ela realmente precisa do dinheiro Bruno, mas não achei que ela estaria tão desesperada... ela é uma garota boa, fora essa pose de má, e eu nem vou dizer nada porque capaz da Luana ja ta ai, ela sempre age mais com a emoção.

- Merda... - desligou - Vicente eu preciso... ir la embaixo um pouco, ja volto.

O patrao nem respondeu, Bruno desceu os andares do predio ate chegar na entrada e realmente encontrou a outra ali. Aquela garota realmente era estranha. Cabelos pretos até a metade das costas, uma jaqueta de couro pesada, calças rasgadas e botas, uma mochila nas costas...

- Era você mesmo que eu queria ver! - ela falou já se aproximando.

- Olha... eu falei aquelas coisas, mas não devia ter dito nada, se meu patrão fica sabendo...

- Eu quero, eu quero ter esse filho dele, eu to falando sério!

- Você ta desesperada, as coisas nao são assim...

- São sim! Eu to com a corda no pescoço, eu não ligo pra crianças, cara... só me deixe conversar com ele...

- Merda - Bruno disse e quando viu ja estava entrando com Luana a sua cola no escritorio de Vicente.

- O que foi que você foi resolver Bruno? - ele disse saindo de tras do computador pra ver uma cena que ele não esperava. Tinha uma mulher com ele, uma mulher nada normal.

- Essa é Luana - Bruna disse dando um longo suspiro - mulher, amiga do Carlos, desesperada por dinheiro...

- Bruno... - Vicente se levantou andando a passos pequenos.

- Eu soltei sem querer a conversa, e... - coçou a cabeça - tcharam, temos uma interessada.

Luana olhava Vicente com curiosidade. Era ele que queria um filho? Não era um velho asqueroso e nojento? - Bom dia senhor Brandão, meu nome é Luana Alves, tenho 24 anos, estou em uma situação bem dificil financeiramente no momento, sou saudavel,aceitaria sua oferta com o maior sigilo.

- Bruno Alencar- Vicente disse mais duro.

- Eu sei... - o amigo disse arrependido.

- Eu vim com as melhores das intenções, sou um a mulher saudavel, podem fazer os testes que quiserem, é serio, não vou vazar isso, eu só... eu preciso do dinheiro, não ligo se usarem meu utero por 9 meses.

Vicente sentia o coração acelerado, chegou mais perto alguns passos e sentiu o cheiro de doce de laranja que ele sabia que a mulher tentava despistar com inibidores. Ela era bonita, tinha um olhar duro mas perdido. Ele se preocupou.

- Não acho que você tenha psicologico pra passar por isso.

- Eu tenho, o senhor não conhece minha historia, eu te conto se for o caso mas, eu realmente preciso do dinheiro, 50 mil ja ajudaria, eu poderia realizar meu sonho de ir embora daqui e você teria seu bebê.

- 50 mil? - Vicente disse confuso - Você não disse quanto eu ofereceria?

- Não - Bruno disse baixinho.

Vicente suspirou -Vamos todos nos sentar, eu acho que to ficando tonto...- foi ate a sua mesa e pegou o telefone - Fabiano, traga café pra três e um comprimido pra dor de cabeça e chame Leonardo, meu advogado por favor.

Vicente se jogou em sua cadeira e encarou Luana a sua frente que o encarou de volta.

Em toda sua vida jamais ficou frente a frente com uma mulher com uma presença tão forte quanto a dela. Fazia seu e querer acalentá-la.Era um sentimento estranho, seu estomago revirava, ele estava realmente coma cabeça explodindo.

Mal sabia ele que Luana sentia as mesmas coisas.

Eram seus instintos se reconhecendo.

Aquele seria um acordo interessante.

Capítulo 3 Três

Luana não era do tipo que se sentia acuada, mas naquele momento se sentiu. Estava em um consultorio médico, com o tal Vicente Brandão a olhando de canto com os braços cruzados, o advogado dele, o amigo estranho e o médico, que fazia milhares de perguntas a ela enquanto a enfermeira lhe entregava os papéis de seus inumeros exames. Tinha tirado tanto sangue que tinha ficado ate tonta.

Examinaram cada parte de seu corpo, fizeram ultrassom em todos os orgãos - principalmente o útero - viram a questão de seu instinto interior, seus hormonios,pelo menos se não desse certo ela teria passado pelo unico check up geral de sua vida.

- É, não há indícios de substâncias ilícitas no organismo dela... - fez careta - E ela é bem saudavel mesmo senhor Brandão, é uma ótima candidata. E a ovulação dela esta proximo, daria pra agendar pra semana que vem.

Vicente assentiu - Vamos todos pro meu escritorio, temos que discutir outras coisas agora.

Luana se levantou, olhando tudo ao redor. Era uma realidade bem alternativa a que estava vivendo e ela nem tinha acreditado ainda que tinha se colocado naquilo.

- Senhorita - o advogado lhe chamou quando se sentaram no escritorio do empresario naquela tarde. - Vou ter que falar duro com você, porque esse assunto é delicado e precisamos ser claros.

- Eu sei disso - Luana disse com a voz firme.

- Se realmente for acertado, faremos a inseminação artificial. Se a inseminação vingar, você carregara o filho do senhor Brandão pelos nove meses. Daremos todo o apoio e sustento durante esse tempo. Você não precisara se preocupar com nada, te daremos um lugar pra morar,comida, roupas, um tratamento adequado. Mas quando o bebê nascer, você não tera direito algum sobre ele.

- Eu sei disso - Luana repetiu.

- Senhorita, você não podera nem chegar perto da criança, ela não será sua, sera somente do senhor Brandão, você entende isso?

- Eu não tenho intenção nenhuma de continuar morando aqui quando tudo isso acabar, então vocês podem ficar tranquilos quanto a isso, vou pra bem longe.

- Você diz isso agora, mas quando o bebê for gerado dentro de você, ou quando o ver...

- Não sera problema, eu garanto.

O advogado suspirou - Tudo isso esta sendo feito no maior sigilo possivel senhorita. Vicente Brandão é uma figura publica, aqui esta a cópia do contrato e gostariamos que, por enquanto, se hospedasse em um dos nossos hoteis.

Luana riu em deboche - Querem ficar de olho em mim né?Tudo bem, vai ser melhor do que onde eu to vivendo mesmo. - ela pegou os papéis que foram oferecidos.

- Um dos nossos motoristas vai te levar ate la, já esta tudo arranjado.

Luana assentiu e se levantou, olhando de canto de olho o empresário na janela, ele roia uma unha,e olhava para a janela. E Luana sentiu uma sensação estranha.

Sensação que esqueceu completamente quando se deitou na cama macia do quarto de hotel onde o hospedaram.

Ela riu, pensando em tudo que poderia acontecer, mas que finalmente poderia ir embora.Pelo menos usaria seu utero de forma que pudesse lhe dar um futuro, quem diria que ser mulher prestaria pra alguma coisa.

Ele tomou um banho demorado. E depois, de roupão, começou a ler o tal contrato.

Não era nada do que já esperava, e concordou com tudo sem pestanejar.

Os dias foram passando muito rápido, o contrato foi assinado, assim como uma clausula de total sigilo, e um segurança que ficaria o tempo todo na cola de Luana.

Ela nem se importava, queria o dinheiro.

A inseminação foi marcada, e lá estava ela, na sala de espera. Já tinha se trocado, e estava apenas esperando o médico aparecer, mas se surpreendeu quando Vicente apareceu ali.

- Oi. - ele disse com a voz fraca.

- Eai - Luana respondeu.

- Sabe... eu evitei falar com você, ate pra não termos nenhum tipo de ligação mais forte...mas nós dois sabemos que, se o feto vingar, ficaremos mais ligados...

- É, eu sei - disse o olhando. Vicente cheirava menta. Era delicioso.

O outro engoliu em seco - Ainda da tempo de desistir.

- Eu não vou desistir, eu preciso disso senhor Brandão,você vai realizar seu sonho e eu o meu, ta tudo certo.

Vicente abaixou a cabeça, mordendo o lábio. De repente Luana viu que ele estava... chorando? - Obrigado Luana... eu... realmente não tenho palavras pra agradecer, esse sempre foi meu maior sonho, eu prometo que vou cuidar muito bem dessa gravidez, e te ajudar no que for no futuro se precisar.

- Eu espero não precisar senhor Brandão. Só esse acordo já basta. E... - engoliu em seco, não era bom com palavras - de nada? acho que... é, de nada. Não é nada mesmo, pra você significa mais do que pra mim.

Vicente assentiu, limpando o rosto assim que o médico chegou - Ah, já temos um papai chorão aqui? Preciso que saia agora senhor Brandão, vamos fazer o procedimento.

Luana respirou fundo. Era agora. Não tinha mais como fugir. E nem ia, não era de seu feitio fugir.No final do dia ela estava deitada em sua cama no hotel. Se sentia meio zonza pelos medicamentos, ia ter que tomar bastante naqueles primeiros meses pra ver se ia pegar.

Lembrou da mãe que a rejeitou por ser mulher, a dando pra um orfanato e sumindo no mundo.Lembrou das casas de adoção que passou. Lembrou de quando fugiu aos 16 anos com uma turma de tatuadores.

Luana não sabia o que era amor. Não tinha sido amada e não sabia amar. Ela precisava era de dinheiro, somente isso.

Mas naquela noite, com as mãos trêmulas,levou as em seu útero.

Tinha que dar certo. Ela precisava do dinheiro.

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