A boate mais luxuosa da Cidade J, chamada Grand Nightclub, já estava funcionando a todo vapor quando as luzes da cidade a iluminaram. Seu nome sugeria a imagem de um lugar sofisticado e de alta classe.
"Mary, entregue essas garrafas de vinho para na sala VIP número oito", pediu Jada Chen, chamando uma moça que se aproximava. Jada era a gerente da boate e responsável pela distribuição das bebidas servidas no estabelecimento.
"O que devo fazer?" Mary Liu indagou atrapalhada, porque este era seu primeiro dia na boate. Ela cursava o terceiro ano na Universidade C e atravessava uma situção muito difícil, porque seu pai tinha sido acusado de suborno e ao final do julgamento, acabou na prisão. Por outro lado, sua mãe, extremamente abalada pela situação, teve um colapso e não estava em condições de se cuidar sozinha. Portanto, Mary não teve outra opção a não ser trabalhar para ganhar dinheiro, porque, no momento, ela era a única em condições de sustentar a família.
Ela tinha batalhado para encontrar um emprego com bom salário nos últimos dias, mas o acaso quis que uma boa amiga, Lainey Li, comentasse com ela que poderia fazer um bom dinheiro trabalhando em boates, mas deveria tomar muito cuidado porque o ambiente de trabalho era bastante arriscado.
Entretanto, Mary não tinha escolha, precisou pegar este emprego para ganhar dinheiro. Além disso, a seu ver, tudo correria bem se tomasse bastante cuidado.
"Seja rápida, os clientes já estão esperando por um tempo, e se você atendê-los bem, ganhará uma boa gorjeta", avisou Jada, advertindo-a de que esse atendimento era urgente.
"Está bem, gerente Jada. Já estou indo lá." Mary, por sua vez, estava nervosa e falava baixinho, mas apesar do stress, começou a trabalhar e rapidamente levou o vinho para sala VIP.
'O Grupo Liu acabou de falir', repetia a si mesma enquanto caminhava. 'Você deixou de ser uma garota rica, e sua família só pode contar com você. Seu pai está esperando que você o ajude a limpar sua reputação e o tire da prisão, e sua mãe está impotente na cama. Você tem que assumir toda a responsabilidade daqui para a frente! Então confie em si mesma, você pode fazer isso!'
Depois de apresentar-se ao trabalho na boate, outra garçonete chamada Emma Zhou a havia orientado de acordo com as instruções de Jada, explicando-lhe sobre suas obrigações e também sobre a disposição de salas da boate.
Com uniforme do estabelecimento e sapatos de salto altos, Mary aparentava ainda ser mais alta do que seus 1, 70m, mas como não estava acostumada a usar sapatos de salto alto, andava devagar e subia as escadas com lentidão.
Quando acabou de subir ao segundo andar, percebeu que havia uma grande discrepância com o ambiente festivo do andar de abaixo. Parecia que ela entrava em outro mundo, misteriosamente silencioso. Nunca esperou que estes dois espaços completamente diferentes estivessem abrigados no mesmo edifício.
Ela segurou firmemente as garrafas de vinho, caminhou até a porta da sala oito, se armou de coragem e respirou fundo antes de bater na porta.
"Pode entrar", disse uma uma voz amigável do lado de dentro.
Ao abrir a porta, deparou-se com os ocupantes da sala em uma conversa animada, sem sequer perceber a sua presença. Com medo fazer algo errado, Mary dirigiu-se à mesa redonda no meio da sala VIP de cabeça baixa, depositou as garrafas e perguntou: "Vocês querem mais alguma coisa?"
Assim que ela falou, todas as conversas estancaram e um dos homens de meia-idade respondeu primeiro: "Não fique tão nervosa, levante sua cabeça e sirva-nos um pouco de vinho." O homem se chamava Zeke Wu, era diretor da XY Entertainment Company, e estava prestando atenção em Mary desde que ela abriu a porta. Entretanto, ele tinha levado consigo um convidado muito importante, precisava apresentar uma boa imagem e causar-lhe uma boa impressão. Em fato, ao ver Mary, ele já ficou impressionado por sua beleza. O uniforme que ela usava na boate se resumia a uma camisa rosa com gola em formato de coração, e uma minissaia justa nas cores verde e rosa. Sua figura, vestida com essa roupa que evidenciava suas longas pernas, era extremamente agradável a qualquer pessoa, e Zeke, sempre ávido por mulheres belas, sentia uma sensação de luxúria em seu coração.
Era a primeira vez que Mary trabalhava em um estabelecimento daquele tipo, em um ambiente de boate, então não tinha a menor ideia do funcionamento da casa. Por outro lado, ela achou que o homem de meia-idade se deu conta de que ela estava nervosa e estava sendo amável ao lhe dizer para relaxar. Fez o que ele pediu, que era servir o vinho.
Quando a garota levantou os olhos, Zeke ficou sem fôlego, porque ela era tão bonita que sua pele clara e delicada resplandecia. Como de costume, ela não usava maquiagem, por isso seus olhos grandes e suas sobrancelhas grossas bem delineadas sobressaíam. Era do conhecimento de todos no mundo dos espetáculos, que o chefe da XY Entertainment Company sentia grande atração por garotas castas e ingênuas como ela.
Depois de servir o vinho, ela ficou de lado com a cabeça baixa, à espera das ordens dele. 'Embora nunca tenha ido a uma boate antes, posso dizer por suas roupas e educação que estas pessoas não são gente comum.' Isso a fez tomar mais cuidado, porque temia fazer algo que pudesse desagradar àqueles clientes e, consequentemente, perder o emprego que conquistou com tanta dificuldade.
Todos aqueles homens pertenciam à elite do mundo empresarial, e lá estavam a convite de uma pessoa muito importante, Franklin Leng, um jovem de 29 anos que já era CEO do Grupo Leng. Seu grupo atuava nos setores imobiliário, financeiro, hoteleiro, entretenimento, alimentação e em grande parte de outros negócios. Sua empresa figurava na lista das cinquenta principais organizações comerciais do planeta no ano anterior.
O CEO era muito jovem e ambicioso, não era casado e não tinha filhos. Nem mesmo algum escândalo pairava sobre ele, o que poderia ser a razão pela qual seu desempenho na cama havia se tornado um motivo de fofocas entre os empresários. O empresário era arrogante e dominador, com características que pareciam ter nascido com ele.
Assim que a conversa sobre negócios foi encerrada, eles começaram a bater papo e pediram que chamassem algumas garotas da boate. Não era de se estranhar que homens bem sucedidos fossem mulherengos.
Logo as moças entraram na sala e se sentaram junto com eles. Por sua vez, Mary, que nunca havia se visto em tal situação, estava louca para sumir dali o mais depressa possível, então foi se dirigindo à porta, mas Zeke logo percebeu, por que esteve observando-a. Na hora em que viu a oportunidade, o homem foi chegando perto dela. Ele se aproximou e perguntou com muita educação: "Senhorita, pode me dizer o seu nome?"
"Oh, eu me chamo Mary Liu." Ela não estava esperando essa pergunta, então respondeu prontamente, com sinceridade. Então parou de falar, tentando encontrar uma desculpa para sair.
"É um nome muito bonito", comentou Zeke. "E você representa muito bem esse nome, Mary. Venha comigo se sentar. Sente-se aqui ao meu lado. Você já ficou muito tempo em pé hoje."
"Não, agradeço. Tenho mais trabalho a fazer e devo ir embora. Mas por favor, me chame se quiser que lhe sirva mais alguma coisa." A garota tentou caminhar até a porta outra vez, mas Zeke alcançou a mão dela. "Não se preocupe. Tudo o que você deve fazer esta noite é me servir bem, e não precisa fazer qualquer outro trabalho. Garanto-lhe que sua chefa não lhe causará problemas, e você ainda receberá uma boa gorjeta." Quando terminou de falar, ele a obrigou a se sentar ao seu lado.
"Senhor, por favor, me solte", ela se queixou, lutando para se levantar, e repetindo: "Eu realmente tenho mais trabalho a fazer."
"Asseguro-lhe que você pode compartilhar alguns copos de vinho comigo antes de ir atender às outras tarefas." Zeke já estava decidido que ela lhe faria companhia naquela noite.
Mary, por sua vez, podia ser bastante ingênua, mas sabia que algo errado estava prestes a acontecer. Alguma coisa no clima daquela sala estava lhe dizendo para ir embora, por isso ela queria sair. Ela lutou ferozmente e, na luta, deixou tombar uma taça de vinho tinto que salpicou o valioso terno do homem.
"Não se faça de ingênua comigo. Você não é uma garota da boate? Pare de representar tanta pureza, você deveria agradecer ao seu destino o fato de eu gostar de você." Obviamente Zeke não esperava que ela o rejeitasse, e muito menos terminar borrifado de vinho. Por causa disso, perdeu as estribeiras e jogou a culpa nela, apesar de ser rico e importante.
"Sinto muito, não fiz isso de propósito. Por favor, deixe-me sair. Vou pagar pelo dano às suas roupas. Sou apenas uma garçonete comum, não entrei aqui para trabalhar como uma garota da boate. Eu sinto muito. Sinto mesmo." O tom de voz da garota tinha abaixado. Ela sabia que teria que se humilhar naquela hora, para fazer com que aquele homem finalmente a deixasse ir.
"Posso fazê-lo, é claro, mas como você danificou minhas roupas, então ao menos terá que fazer alguma coisa para reparar. Bem, penso que posso te perdoar, se você tomar três taças de vinho. Depois disso estaremos quites! Mas, se você se recusar, contarei à sua gerente que você desrespeitou os clientes e que não apresenta as qualidades necessárias para ser uma funcionária de boate. Além disso, vou dizer pessoalmente a ela que alguém como você não é merecedora de trabalhar aqui. O que você me diz disso? O que vai decidir? Dou-lhe um minuto para resolver." Como ele já a desejava, o olhar inquieto estampado no belo rosto da moça só serviu para aumentar ainda mais seu desejo.
"Ooooooh." Como os outros convidados haviam escutado suas últimas palavras, em consequência, ouviu-se um murmúrio no local.
"Sr. Zeke, pela expressão da moça, fica evidente que ela ainda é muito jovem e inocente. Não seja tão cruel com ela. As meninas hoje atualmente preferem um homem do tipo príncipe encantado, por isso você deveria agir com mais gentileza."
O jovem que havia falado parecia estar defendendo Mary, mas os demais já sabiam que esta era uma maneira sarcástica de afrontar Zeke.
Já podiam antecipar as cenas que iriam se desenrolar à sua frente, visto que não seria a primeira vez que presenciavam algo semelhante. Apenas Franklin, sentado em um lugar mais distante, permanecia indiferente. Ele não tinha sequer se dignado a olhar para a moça, desde que ela entrou na sala.
Mary, por sua vez, passava por um conflito interno. 'Não posso perder este trabalho. Só me restam duzentos yuans na conta bancária. Se eu perder este emprego, não vou conseguir encontrar outro que pague bem e não coincida com o horário de meus cursos. Ainda sou uma universitária e não conseguirei trabalhar em uma empresa decente antes de receber meu diploma. E se eu não tiver um trabalho para ganhar dinheiro, não terei como pagar as despesas de advogado para meu pai e as despesas médicas de minha mãe. Mas na verdade eu não sei beber, pois só bebi uma vez na minha vida.'
"O minuto que te dei para pensar está se esgotando, você deve tomar a decisão", disse Zeke, mirando-a com olhos ameaçadores. 'Certamente esta garota irá optar por beber, porque se este trabalho não tivesse muita importância para ela, já teria se retirado na hora que eu estabeleci as condições. Porém, ela continuou aqui, envolvendo-se ainda mais nesta situação.'
Mary apertou os dentes, mentalizando que, de qualquer modo, seriam apenas três taças de vinho. 'Não devia ser tão difícil. Vou falar com a gerente e pedir para ela me deixar sair depois de beber. Não acho que vá me causar algum problema se eu for logo para casa.'
E então ela se encheu de coragem, pegou a primeira taça e começou a beber. Mas ela desconhecia que a bebida escolhida por ele era muito forte e continha alto teor de álcool. Mesmo Zeke, que bebia frequentemente, não se atrevia a ingerir três taças daquele vinho de uma vez só.
Na hora que o líquido atingiu sua língua, Mary sentiu um misto de calor e formigamento que se alastrou pelo corpo inteiro. Aquele vinho deixava também um gosto muito picante que permanecia na boca.
Então ela tossiu bem alto quando sua garganta começou a queimar. Mas Mary não tinha escolha e devia beber mais duas taças além daquela. Ela respirou fundo, endireitou os ombros e tomou a segunda taça. A sala rompeu em aplausos e Zeke a encarou, com determinação.