Naquela manhã, com uma dor de cabeça incessante, resultado de várias noites de sono perdidas, Ally não conseguiu lembrar ao certo à que horas havia dormido, e se quer houve tempo para lembrar-se, pois assim que desligou o despertador, que tocava numa altura extremamente exagerada, sua avó abriu a porta. Mandy, apesar de já desfrutar de alguns sinais da terceira idade, era muito bela, com uma boa estatura e em plena forma física. Sua pele morena e delicada sempre realçando seus olhos verdes como esmeraldas, que nesse instante, estavam vidrados em Ally.
Ao notar a figura parada em sua porta, Ally resmungou, mas não em uma altura audível, pois, certamente seria repreendida, por sua quase sempre, doce e carinhosa avó. Ally abriu os olhos e em seguida forçou um sorriso para Mandy, e foi correspondida com com uma sequencia arfante de tosse seca.
"Ei, você está bem? Parece abatida." - Disse Ally carinhosamente.
Em seguida ouviu a voz rouca de Mandy forçando-se a não se extinguir:
"Minha querida passei apenas para te desejar um 'bom dia'".
Ally foi até sua avó e deu-lhe um abraço apertado, que Mandy retribuiu com um carinho no cabelo da neta.
"Não sei o que faria sem você, minha pequena" - Disse Mandy pesarosa.
"Com certeza, teria menos rugas de preocupação"
Mandy gargalhou e logo foi arrebatada por outra crise de tosses.
"Você tem certeza que está bem?"
Mandy dispensou a pergunta de Ally com ferocidade, apenas com um aceno de mão.
"Use sua mão esquerda para segurar a coronha"
"Certo"
"Agora segure o cabo com a sua mão direita e alinhe a espingarda em seu omb..."
Antes que George pudesse completar a frase, o som estridente da espingarda rompeu o silêncio que até então os camuflava. Charles caiu no chão desnorteado com a dor do coice da espingarda, enquanto George Levantou ligeiramente, tomou a espingarda de suas mãos, foi até o cervo caído, que insistia em tentar levantar-se e o acertou mais uma vez.
"Ao menos você o acertou" - Disse George com um sorriso caloroso enquanto ajudava Charles a se levantar.
"Você está bem?
"Está tudo bem, eu sou profissional" - disse charles num tom zombeteiro
"Acho melhor tomarmos cuidado ou então a sua mãe vai caçar nós dois" - Respondeu George brincando.
"Melhor voltarmos para o nosso local de acampamento, já está escurecendo".
"Acho que os outros devem estar nos procurando" - Comentou Charles.
George e Charles arrastaram o cervo mata adentro, sendo guiados apenas pela luminosidade da fogueira. Após alguns minutos andando esforçadamente por entre uma densa vegetação, chegaram ao acampamento. Ao notarem o retorno dos colegas com a caça, todos foram em direção aos dois interrogar e ouvir George contar sobre como Charles havia abatido o animal. Enquanto faziam os preparativos para assar o cervo, George sentiu o peso da exaustão, após a longa caminhada preferiu ir dormir sem o jantar, diferente de Charles que permaneceu ao redor da fogueira por boa parte da noite, mas optou por não participar do banquete.
Ally olhou para o relógio fixado na parede imediatamente.
"Droga, vou me atrasar para o primeiro dia de aula" - pensou enquanto corria para o banheiro. Antes de bater a porta, olhou para Mandy que permanecia imóvel, dando a perceber como sua aparência estava desfavorável e um tanto quanto diferente naquela manhã. Então Ally finalmente disse:
"Te amo, vovó".
Ao sair do banho, pegou sua mochila e mais algumas coisas, que eram adicionadas de maneira desorganizada e apressada em sua mochila, enquanto ela descia as escadas. Ao passar pela cozinha, pegou uma maçã e deu um beijo em sua avó que nem ao menos teve tempo de retribuir o carinho; antes que percebesse, Ally já havia atravessado a porta.
Ao sair de casa, Ally percebe sua carona chegar e sem nem pensar duas vezes, entrou ligeiramente no banco de trás da caminhonete azul, que, logo em seguida, se pôs em movimento. Assim que entrou, ela foi recebida com um abraço caloroso de sua melhor amiga Kathy.
"Eu tenho tanta coisa pra contar, você nem imagina" - começou Kathy, que parecia que não via Ally há anos - " Você não faz ideia de quem vai estudar bem na nossa sala!"
Ally olhava fixamente para Joe enquanto mastigava lentamente e quase pausadamente sua maçã. Ela nem sequer notou oque Kathy havia dito. Mesmo sem uma resposta, Kathy estava ansiosa pra contar, então, ela não se importou com o fato de que sua amiga estava outra vez babando por seu irmão ao invés de lhes dar atenção.
" O Elliot"
A frase veio acompanhada de histeria, meia dúzia de suspiros e um olhar super protetor de seu irmão. Joe tirou os olhos da estrada por um instante e os fixou em Kathy através do espelho retrovisor. Ao voltar sua atenção para estrada, Joe foi pego de surpresa e tentou desviar a caminhonete de um cervo que estava parado logo a frente. Freando bruscamente, ele jogou o volante para a esquerda, os pneus derraparam um pouco e eles quase foram jogados para fora da estrada.