Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Braços de amor
Braços de amor

Braços de amor

Autor:: Ana_Elisa
Gênero: Romance
" alguns filhos ganham heranças que acalmam a alma, a minha, me fez perde-la" Melissa Charlie é uma garota que está iniciando sua faculdade de medicina, juntamente com sua amiga Lavínia. Vivendo um perrengue com sua madrasta e o suposto namorado, melissa que mais do que tudo sua independência. Na faculdade, fica encantada por um garoto no fundo da sala, com o olhar mais misterioso que ela já viu. Logo descobre coisas sobre ele, fora da faculdade, fazendo sua vida vira de ponta cabeça. Quais os segredos que essa garoto misterioso tem? Melissa é capaz de faze-lo se abrir?

Capítulo 1 O início!

Princesas não choram, não! - aviva - princesses dont's cry

Melissa Charlie

Fico olhando para o nada, enquanto faço um leve carinho nos pêlos acinzentados do meu porquinho da Índia. Minha amiga falava, falava e falava, mais minha mente viajava no que esse dia significava para mim.

Hoje era dezessete de janeiro, faziam exatos um ano que meu pai me deixou com a incrível e ridícula madrasta.

- Você não está prestando atenção, está? - Escuto.

Saio do meu transe, olho para meu porquinho da Índia que adormecia tranquilamente em meu colo, assim, vou com meu olhar até Lavínia, minha amiga que continuava a me olhar com uma das sobrancelhas erguidas.

- O que disse? - Pergunto sem entender o porquê esse olhar de julgamento a mim.

- Você está aérea, é devido a hoje né? Vamos sair, ir para uma balada ou uma festa! - Ela sugere com um sorriso.

Solto um suspiro, encosto a cabeça na parede da minha cama.

- Sabe que não gosto dessas coisas! - Falo.

Olho para meu porquinho que se mexeu no meu colo. Lavínia pega ele no colo, coloca perto do seu rosto.

- Bom, Fred e eu acreditamos que deveria ir! -Fala ela dando um leve beijo nele.

- Não, ele acredita que eu deveria ficar aqui, ao doce som de rebel nation enquanto eu decido o que faço da minha vida! - Falo pegando meu fone.

Lavínia coloca Fred em sua gaiola, vem até mim e se senta do meu lado. Pego um travesseiro e abraço o mesmo.

- Sei que não é fácil para você, principalmente porque sua madrasta não deixa você pegar um centavo do dinheiro que seu pai deixou! Eu já te falei, se quiser, eu pago o seu quarto na faculdade! - Fala ela.

- E eu já disse que não vou aceitar isso! O quarto é mais de duzentos reais! Eu vou trabalhar meio período em um bar, não é o melhor emprego do mundo, mas é o que eu consegui no momento! - Falo e dou um leve sorriso.

Minha melhor amiga se aproxima de mim, deita sua cabeça na minha e solta um suspiro.

Depois que meu pai se foi, as coisas em casa ficaram bem mais complicadas. Minha madrasta tomou pose do seu dinheiro, além de encher o rabo do namorado dela com o dinheiro. Depois que completei meus dezoito anos, fiz cursos e mais cursos de enfermagem, até que finalmente com meus dezenove, o dinheiro da faculdade que meu pai queria me colocar foi liberado. Iria cursar o que eu mais sonhei, medicina.

Lembro que meu pai sempre falava que queira me ver com roupa de médica, que eu seria seu pequeno, grande orgulho.

Sinto uma lágrima escorrer pela minha bochecha, quando tomo conta de tudo que está a minha volta, percebo que Lavínia já fora embora e já estava de noite. Levanto-me da cama, pego minha toalha e vou para meu banheiro.

Gosto de tomar um banho quando estou assim, era como se a água levasse embora minha dor e houvesse uma renovação de forças, o que era uma grande mentira. Sento-me na banheira, deito minha cabeça na mesma e fico olhando para o teto. Fecho meus olhos tentando aliviar minha dor.

...

Tento me soltar de seus braços mais é inútil, solto um grito. Seguro-me na parede, o que não adiantou muito, ele era mais forte que eu. Em um puxão, faz com que eu me solte da parede, acertando meu corpo em cima de um jarro de flores.

O barulho do jarro de vidro se despedaçando no chão, se junta com os trovões que a chuva forte fazia lá fora, ainda mais com a escuridão da noite, parecia mais uma cena de terror.

Sinto meu ombro arder, me viro para olhar o mesmo. Um corte, parecia bem fundo, sangrava, sujando minhas roupas. Sinto ele me puxar novamente e solto um grito.

- Sem gritos, cachorrinha! Me obedeça! - A voz dele soa.

Quando vejo a banheira, meu desespero aumenta. Sei exatamente o que ele vai fazer.

Estamos do lado, começo a bater minhas pernas, meus braços, minhas mãos, o que foi inútil, já que ele conseguiu me jogar lá dentro e me prender em baixo d'água.

...

Volto a realidade, meus pulmões sem ar, saio rapidamente de baixo da água, tossindo engasgada. Meu coração estava acelerado, minha boca estava entre aberta, tentando respirar melhor. Meus olhos vão ao meu ombro direito. Essa cicatriz estava ali, como se ela quisesse sempre me lembrar dos horrores que vivi, mesmo quando esqueço por um momento, só de sentir essa marca no meu corpo, meus velhos tormentos vem a tona. Provavelmente tirei um cochilo e escorreguei. Meus pensamentos vão ao meu sonho, um frio passa pela minha nuca, a mesma sensação de medo que tive a três anos atrás vem a tona.

Saio da banheira, coloco uma toalha em meus cabelos, enrolo meu corpo e volto para meu quarto. Tranco a porta do mesmo, coloco uma blusa que mais parece um vestido em mim e me jogo na cama.

Eu me considero a garota mais sofrida que existe, de todas as dores que tive e pensar que também não cheguei a conhecer minha verdadeira mãe. Tiro a toalha de meus cabelos, me viro para o lado direito e fico olhando Fred em sua corrida noturna, na sua rodinha.

Às vezes eu me pego pensando em como seria a minha vida, se meu pai e minha mãe estivessem aqui. Com toda a certeza que existe, séria muito melhor do que a vida que estou vivendo no momento. Olho para a janela, era quase meia-noite, gostava desse horário, pois a lua ficava bem centralizada a minha janela, me dando um "show" particular de sua beleza.

Solto um suspiro. Então, o som das risadinhas da minha madrasta aparecem, com sussurros de seu namorado. Pego meu fone, coloco uma música calma, tentando fugir da minha dolorida realidade.

Minha garganta arde querendo soltar meu choro, mais depois de tudo que vivi, só consigo derramar uma lágrima, era como se meu corpo já estivesse cansado de chorar. Puxo o edredom, me colocando por baixo dele. Fecho meus olhos e me deixo levar, querendo sumir desse mundo que só soube me causar dor.

Capítulo 2 Um estranho atraente

Melissa Charlie

Termino de arrumar minha bolsa, pego meu celular e meu fone, saindo do meu quarto. Eram seis e meia da manhã, hoje seria a abertura dos portões da faculdade para os recém - chegados.

Faço um capuccino rápido de chocolate, com um brioche de chocolate. Como enquanto mexo em meu celular.

"Já estou indo para a faculdade! Nós vemos lá, tô ansiosa ♡!" - Foi a mensagem que recebi de Lavínia.

Escovo meus dentes, checo se não esqueci nada e saio de casa. Vou até o ponto de ônibus, coloco meu fone e fico esperando o horário dele passar. Alguém para do meu lado, fico concentrada olhando meu celular com a música em meus ouvidos, o ônibus chega, me levanto, passo meu cartão e me sento no fundo do ônibus. A pessoa entra logo em seguida e pelos seus pés, vejo andar até o fundo, onde estou, mais se senta na janela esquerda.

"Estou no ônibus, em breve chego aí!" -Mando para Lavínia.

O céu estava limpo, mais não havia vestígios de sol. Meu pai dizia para mim, quando eu era pequena, que quando o sol não aparecia, era porque estava indo atrás do amor da sua vida, a lua.

Amava essa história, ele criou essa teoria no dia que conheceu minha mãe. Um céu limpo e sem sol, ele era o sol e minha mãe a lua, estavam do lado um do outro o dia inteiro e não perceberam. Quando vejo o ônibus parar, saio dos meus devaneios e corro para descer.

- Mel! -Vejo Lavínia me chamar e acenar com a mão.

A rua estava cheia de alunos, esperando os portões serem abertos. Ando até ela rapidamente, dando um abraço forte na mesma.

-Dá próxima vez, eu vou te buscar com meu carro! - Fala ela sorrindo.

- Sabe que não gosto de incomodar! -Falo sorrindo levemente.

- Já falei mil vezes a você que não me incomoda! Você é minha melhor amiga! - Fala ela.

Lavínia era minha amiga desde sempre, crescemos juntas, sua família também me tratava como filha. E agora, a única família que me sobrou, já que a minha se foi.

- Mesmo assim! Sabe como eu sou? - Falo fazendo uma cara de "Isso é meio obvio".

Os portões se abrem logo após eu terminar minha fala. Lavínia solta um grito de animação, sem mais delongas, me puxando para dentro da faculdade.

Essa é uma das melhores aqui do Canadá, meu pai

havia me ajudado a escolher e isso me entristece. Foram excelentes momentos ao lado dele, e sempre construímos planos onde ele estava ao meu lado, me acompanhando. Perdê-lo tão repentinamente foi uma dor para mim, fiquei meses, trancada no meu quarto, sem querer ter contato com o mundo exterior. Não foi fácil voltar a minha rotina normal e ainda com a minha madrasta e seu mais novo namorado, só complicou ainda mais a minha vida.

Os alunos se juntavam em um salão, nos sentando nas cadeiras que estavam espalhadas. Eram muitos alunos, não dava para contar, mais com certeza, eram mais de dois mil alunos, muito mais.

- Bom dia aos mais novos alunos da nossa Universidade e para os antigos também. Eu sou Douglas Adams, sou o Diretor desta Universidade.

Este ano ganhamos muitas parcerias. - Começa ele ao fazer seu discurso.

Desviando minha atenção, fico olhando em volta, procurando algo que nem sei o que é. Estava sentindo ser observada, meus olhos eram falhos em procurar quem estava me olhando. Passo meus olhos por um garoto, mais logo volto, descobrindo quem me olhava.

Um par de olhos verdes escuros, batendo seus cílios cumpridos. O portador dos olhos verdes tinha cabelos negros como a noite, uma pele nem tão clara, mas também nem tão escura, seus lábios eram carnudos, mais não chegavam a ser exagerados. O que me chama atenção é o brilho em seu olhar.

Os olhos dele brilhavam em uma intensidade que me deixava sem ar, parecia conseguir ler todos os meus segredos, como se eu fosse um livro aberto para ele. Um músculo na sua mandíbula contraiu, como se tivesse pensando algo que não o agradou, assim desviou o olhar.

Voltei a olhar para frente, ainda desestabilizada com a intensidade de seu olhar.

- Você está bem? - Perguntou Lavínia baixinho.

Apenas aceno com a cabeça. Volto a olhar para sua direção, mais ele não estava mais lá, como se nunca estivesse ali. Minha mente ficava me dando flashbacks de seu olhar.

- Os dormitórios foram abertos gratuitamente a todos, sábados e domingos, vocês ficam em suas casas. Na saída entregaremos os livros ques irão usar no semestre e a chave do dormitório. É isso, um bom primeiro dia de aula a todos. - Fala.

Assim todos começam a aplaudir, assobiar e até a gritar em comemoração. Todos foram em direção a saída, nas categorias separadas por: veterinária, medicina, literatura, entre outros.

Ando até medicina, a mulher me entrega meus livros com um sorriso lindo e as chaves do dormitório. O número do meu dormitório era cento e dez.

- Cento e vinte, o seu...? - Perguntou Lavínia correndo toda desengonçada, com seus livros na mão. Ela iria estudar psicologia.

- Cento e dez! - Falo mostrando a chave com o número.

- Ah! Não, vamos ser vizinhas!? - Fala ela batendo seus pés no chão.

- Ainda vamos estar perto uma da outra. - Falo dando risada de sua pequena birra.

- Mais não vamos ser vizinhas. Se eu pegar um vizinho ou vizinha chata, essa faculdade vai me expulsar de tanta briga que eu vou arrumar! - Fala ela revirando seus olhos.

- Ok! Que tal você pegar a minha bolsa, ai? Preciso guarda essas coisas no quarto e ir busca minhas coisas na minha casa de final de semana! - Falo mostrando minha bolsa no chão.

Havia colocado ela ali para conseguir pegar os mais de dez livros de estudo do curso de medicina, ainda com a chave do dormitório que estava segurando, eu me equilibrava para não cair com esses livros. Lavínia fica me olhando para ver como iria colocar em mim com tudo aquilo, assim ela coloca a chave na minha mão esquerda.

- Não quer uma ajudinha? - Perguntou ela com uma expressão desastrada no rosto.

- Não, eu consigo! -Digo com dúvida de mim mesma.

- Ok! Vou arrumar minhas coisas também, até mais amiga. - Fala ela dando um beijo rápido na minha bochecha.

Tento ajeitar os livros nas minhas mãos e começo a ir em direção aos dormitórios. Um grupo de meninos passa correndo por mim, quase me fazendo derrubar os livros.

- infantis! -Falo rolando meus olhos.

Subo as escadas com dificuldade, chego no número cem, assim começando a procurar meu dormitório. Rapidamente acho o meu, tento arruma a chave na minha mão. Sem conseguir ver, começo a procurar o encaixe da chave, tentando abrir a porta, mas isso só me faz derrubar a chave no chão.

- Ah que maravilha! -Falo jogando minha cabeça para trás.

Abaixo - me mais isso faz um dos livros começar a escorregar, seguro ele e me ergo novamente. Solto um suspiro alto.

Escuto passos se aproximando, pronta para pedir ajuda, vejo ser o dono dos olhos verdes que estavam me observando na reunião. Ele estava com alguns livros na mão também, mais não tantos como os meus e com sua mochila nas costas. Ele abre a porta do seu quarto, que era do lado direito do meu, me olha rapidamente e entra, fechando a porta.

É sério que ele viu meu estado e não me ajudou?

Não vendo mais ninguém se aproximar, faço mais uma tentativa falha de tentar pegar as chaves. A porta do meu mais novo vizinho direito se abre, ele já estava sem suas coisas nas mãos.

Assim, o mesmo se abaixa, pega minhas chaves e abre a porta do meu quarto, segura minha mochila e alguns livros, entrando no quarto. Entro logo em seguida, coloco as coisas em cima de uma escrivaninha que tinha lá dentro, ele faz o mesmo e coloca minha bolsa no chão.

- É... obrigado! Foi muita gentileza da sua parte. -Falo tentando dar meu melhor sorriso.

O portador dos olhos verdes apenas me olha, anda até a porta e sai, fechando - a Atrás dele.

Isso me faz pensar: "Será que ele é mudo? Não falou nada"

Passo as mãos em meus cabelos, olho em volta do quarto. Era um lugar simples mais bem aconchegante. Uma escrivaninha, cama, guarda-roupa, criado mudo, banheiro e uma janela que dava vista para o pátio da faculdade.

Ando até a cama e me sento na mesma, o colchão era confortável, não fazia barulho, parecia até novo. Vou em direção ao banheiro, acendo a luz clara que tinha para ver como era por dentro.

Paredes brancas, chão branco, teto branco, o banheiro era completamente branco. Tinha um box, a parede do box era a única diferente, de azulejo bege bebê, bem claro, combinando com o resto do comodo.

Volto para o quarto, eu poderia decorar da minha forma. Ja estava mentalizando tudo que eu poderia fazer para deixar a minha cara. Escuto um toque calmo, parecia um teclado, ou piano, tocava baixo e suavemente. Era uma melodia triste, mais emocionante.

Logo percebo vir do meu vizinho de olhos verdes.

Ele sabe tocar?

Capítulo 3 Pequena órfã

Melissa Charlie

Termino de fechar minha terceira mala, deixando somente o básico na minha casa de feriado. Minha madrasta até o momento está na porta do meu quarto, me observando pegar minhas roupas.

Ela já havia falado que me queria aqui, eu não a respondi, apenas comecei a guardar minhas coisas.

- Já falei! Me obedeça! - Fala ela se desencostando da porta.

Não respondo novamente, tiro as malas de cima da cama, as colocando no chão.

- Melissa, eu já falei que não! -Fala bloqueando minha passagem.

Solto minhas malas, cruzo meus braços e olho nos olhos dela.

- Você não é minha mãe, Gabriela! Você nunca fez esse papel, não vai me impedir de ir para minha faculdade! -Falo.

Pego minhas malas, empurro a mesma liberando espaço para passar. Escuto ela bufar atrás de mim, abro a porta da frente e vejo Lavínia esperando com o carro dela.

-Demorou! - Reclama pegando uma das malas.

- Tive que aturar a minha suposta "mãe", não me deixando vir. - Falo colocando minhas malas em seu porta mala.

- Pelo menos, só vai ver a cara deles no sábado e domingo. -Fala e em seguida fecha o porta mala.

Entramos no seu carro, Lavínia dá partida e começa a seguir em direção da faculdade.

- Já falei para você, eu quero ter meu próprio apartamento, não precisar ser grande. Cuidar do meu próprio nariz, sem ver aquela mulher na minha frente! -Falo e solto um suspiro.

- Seu trabalho é em qual bar? - Perguntou ela.

- Um que abriu recentemente. Irei começar hoje a tarde, até às sete da noite. - Explico.

Chegamos na faculdade, pegamos minhas malas e entramos. Uma garota de cabelos loiros, olhos azuis e um jeitinho de fofa se aproxima de nós.

- Bom dia meninas, aqui está, - Disse ela nos entregando um convite. -Sempre fazemos um baile de boas-vindas, apareçam lá! Vestidos de galã hein! - Termina saindo sem falar mais nada.

- Mal chegamos e já vai ter baile? -Pergunto olhando o convite prateado.

Subimos as escadas.

- Se acostume, geralmente faculdades são cheios de festas e bailes. -Fala Lavínia quando paramos em frente ao meu quarto.

Pego a chave, destranco e entramos logo em seguida.

- Eu não vou participar. - Falo deixando minhas malas no meio do quarto e me jogando na cama.

- Ah! Mais você vai sim! Eu vou não vou participar de nada sem a minha melhor amiga. - Fala ela cruzando os braços.

- Você sabe cuidar do seu próprio nariz. - Falo me sentando.

-Amiga, você vai comigo! Precisa se enturmar, depois de tudo aquilo você nunca mais se enturmou... nunca mais se apaixonou. - Fala ela se sentando na minha frente.

Meu pequeno bloqueio que vaga comigo. Lavínia tinha razão, desde que meu pai se foi não sou mais a mesma garota, que faz amizades fáceis, faz tempo que não me abro a nenhum garoto, não olho nenhum homem com outros olhos.

- Você sabe do meu bloqueio. - Falo tocando na cicatriz do meu ombro.

- Eu tenho aula agora e você também, mas não deixe seu bloqueio te impedir de ter amizades, de amar. -Fala pegando sua bolsa e saindo do meu quarto.

Solto um suspiro, pego meu celular e vejo serem mais de dez da manhã, minhas aulas iriam começar às onze. Arrumo minha bolsa, amarro meus cabelos em um rabo de cavalo. Mesmo com o rabo de cavalo alto, meus cabelos ainda ficavam um pouco a baixo dos ombros.

Saio do quarto. Quando vou me virar acabo esbarrando em alguém que segura minha cintura, não me deixando cair.

- Opa, cuidado boneca. - Escuto uma voz masculina.

O garoto ainda não soltava minha cintura, ergo meu olhar e me deparo com um par de olhos cinzas claros. Nunca vi um olho assim pessoalmente, era realmente encantador essa cor.

-Se machucou? - Perguntou.

Saio do meu transe, me afasto, fazendo ele soltar minha cintura. Passo a mão em meu rabo de cavalo.

- Me desculpa, não prestei atenção onde estava indo. - Respondo dando um leve sorriso.

- Se você sempre esbarrar em mim, eu vou passar mais vezes aqui! - Fala dando uma piscada.

Solto uma risada sem graça. Um garoto parecido com esse a minha frente, se aproxima. Seus olhos também eram cinzas, mais desta vez, escuros.

- Mal começou o ano e já está tentando agarrar as meninas, Domínic? - Perguntou o outro garoto.

Dominic, deu nome combinava com sua aparência. Os dois rapazes lembravam muito um ao outro, a grande diferença é que Domínic tinha um estilo mais solto, tipo aqueles garotos de filme que não cuidam do seu próprio nariz. Já o garoto ao seu lado, cujo ainda não sei o nome, tem um estilo mais intelectual, mais 'nerd', mais isso não o deixava menos bonito.

- Eu não! Essa boneca acabou esbarrando em mim e eu só quis ajudar. -Fala e ergue sua mão para me tocar.

O garoto ao seu lado segura sua mão e revira os olhos.

- Por que não vai ao seu time de futebol americano, fica se achando para as líderes de torcida e deixa que com os alunos novos eu me resolvo? - Perguntou ele. Parecia estar acostumado com o jeito de Domínic.

- Estraga prazeres! Até mais tarde, baby! -Diz.

Quando passa por mim, deixa um beijo na minha bochecha e sai correndo.

Escuto o outro garoto que ainda estava ali comigo, soltar um suspiro.

- Me desculpe! Meu irmão pensa que pode ter todas as garotas do mundo, só por ser o capitão do time. - Ele explica.

Agora tudo faz sentindo.

- Tudo bem! De qualquer forma, badboy, "playboy" não faz meu estilo. - Falo ajeitando minha bolsa em meu ombro.

Ele dá um leve sorriso e acena com a cabeça.

- Sou Jonathan. Estudo gastronomia e sou representante da faculdade. - Diz e estende sua mão.

- Sou Melissa, estudo Medicina. Pensei que em faculdade não tinha essa coisa de representante. -Falo dando um leve aperto em sua mão.

- Tem sim! Mais aqui é complexo o trabalho do representante. Sou eu quem organizo passeios e viagens, sou eu quem dou advertências e entrego a diretora, entre essas coisas.

- Nossa! Você é quase um vice-diretor.

- Bom, não irei tomar mais seu tempo. No intervalo, eu te mostro algumas coisas que você pode fazer aqui na escola. Até mais, Melissa. -Se despede ele indo em direção as escadas.

Logo em seguida, também desço e procuro minha sala. Entro na mesma, me sentando na terceira fileira, bem no centro. Já haviam vários alunos ali e todos pareciam bem animados.

Com a medicina vem também, ciências, inglês e a própria medicina. Hoje seria o início de tudo, com a aula de inglês.

Três garotas entram na sala, como se estivessem desfilando na sala, às três eram loiras, inclusive a garota que entregou os convites da festa estava com elas. Às três tinham olhos azuis e pele branca, mais não pareciam nada uma com a outra, então descarto que poderiam ser irmãs.

Logo em seguida, um garoto entra, meu vizinho, o portador dos olhos verdes mais intensos que já vi. Ele passa por elas, mais a suposta líder agarra seu braço, o fazendo parar de andar.

- Oi gatinho! Sou Alexa e você? -Perguntou ela passando a mão no pescoço dele.

Alexa, eu bem que estava reconhecendo ela. Fiz jardim de infância com ela, até o quarto ano do ensino fundamental. Sofria 'bullying', ela sempre teve um grupinho em seus pés e era a famosinha da sala.

O garoto de olhos verdes segura a mão dela, fazendo a mesma o soltar, assim virando de costas para ela e andando para as arquibancadas. O mesmo passa por mim, deixando seu perfume no ar. Era forte, marcante e bem no final, um cheiro suave. Ele sabia deixar sua presença registrada.

Às três garotas começam a subir, quando passam por mim param e voltam até ficar bem a minha frente.

- Hora, hora, hora! Se não é a Órfã do quarto ano! Que surpresa tê-la aqui! Você mudou muito em, está até mais... bonitinha, não, bonitinha não, aceitável! Você é muito pálida, isso estraga você.

Sem falar que sim, seu corpo é bonito, mais falta definição aí. Talvez algumas plásticas te deixe mais atraente. - Fala se sentando em uma das mesas.

Todos estavam olhando, uns cochichavam. Ela tinha que falar para todos escutarem que sou órfã.

- Bom vê-la novamente, Alexa! Você não mudou nada. - Falo baixo.

- Bom dia! Todos em seus lugares! -Fala o professor entrando na sala.

A mesma sai da minha mesa, deixando meu estojo cair no chão.

- Opa, sem querer! -Fala e passa pisando por cima.

Abaixo-me e pego o mesmo. Sinto minhas costas queimaram, quando olho para trás, aqueles olhos verdes estavam me observando. Fico sem graça, minha bochecha esquenta, tenho certeza que estou vermelha no momento.

Ajeito-me na mesa, olho para o professor e solto um suspiro.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022