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Brincando com fogo!

Brincando com fogo!

Autor:: Bre Macedo
Gênero: Romance
Uma publicitaria determinada, um chefão do ramo, a convivência conturbada entre eles e a descoberta dos seus sentimentos. Sempre ouvimos que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, Edward e Diana descobrirão que isso é totalmente verdade.

Capítulo 1 COMO MINHA HISTÓRIA COMEÇOU.

Eu sempre soube que para ser a melhor eu teria que espelhar nos melhores e me destacar entre os demais, teria que trabalhar incansavelmente para conseguir alcançar os meus objetivos e metas, trabalhar com Edward Harris me proporcionou uma visão única de como os vencedores vivem e sobrevivem no mundo corporativo.

Edward era um homem jovem, aparentemente amargurado com a vida e que havia construído um grande império com base no seu esforço, ele era um empresário brilhante e bem sucedido. Não eram só os seus atributos intelectuais e seu completo sucesso no mundo da publicidade que faziam dele o cara mais disputado em Los Angeles, o seu rostinho angelical e o bumbum delicioso também faziam parte do pacote.

Eu me lembro da primeira vez que o vi, na entrevista de emprego, ele é alto mas não de um jeito desengonçado, tinha cabelos pretos meio longos que raspavam no colarinho da camisa social branquíssima, os olhos eram cor de avelã e os lábios eram vermelhinhos demais, eu senti vontade de lamber aquela boca desde que a vi pela primeira vez.

Outra coisa que precisam saber sobre o Edward é que ele não costuma desistir tão facilmente, eu diria até que ele nunca desistiu de nada na vida, ele é intimidador simplesmente por ser quem é, eu demorei um pouco pra entender que não tem pra onde fugir quando Edward Harris está atrás de você, querendo você.

Quando eu comecei a trabalhar na EHpublicity eu era um pouco ingênua demais, condescendente demais para esse ramo, eu havia acabado de me formar e estava extremamente animada e ansiosa com meu novo emprego, a entrevista foi estranhamente tranquila, apesar de me sentir completamente intimidada com a postura fria e distante do Senhor Harris, eu consegui passar pela entrevista ilesa, e ainda o deixei impressionado com varias das minhas respostas naquela tarde, eu tinha arrasado.

Já se passavam 2 meses desde que eu chegara na agência de Publicidade de Edward Harris, uma das maiores do país, lidávamos com contas enormes de empresas multimilionárias, e posso dizer que nunca deixamos a desejar no desenvolvimento das campanhas publicitarias.

Então, eu era uma mulher de 22 anos, que havia acabado de sair da faculdade, morando na cidade dos sonhos e com o emprego perfeito pra mim, eu tinha tudo que eu precisava, certo? ERRADO.

Desde a infância eu sempre tive uma necessidade enorme de ser aceita e amada por todos a minha volta, com a adolescência isso só se intensificou, então quando eu sai do meu habitat natural para explorar novos lugares, eu me senti totalmente como um peixe fora d'água, eu tinha certeza que meus pais e meus amigos me amavam incondicionalmente, mas e aquelas pessoas que eu mal conhecia, que conviveriam comigo o dia todo no trabalho? Elas iriam gostar de mim?

Quando cheguei a California eu estava realmente tentando encontrar o meu caminho e me tornar uma grande executiva da indústria publicitaria, ali era o meu lugar, e apesar de todas as inseguranças que tive durante esse processo, nada me fez crescer mais do estar aqui, e as pessoas que conheci nos últimos meses me fizeram sentir como parte de suas vidas, o que aliviou todos os meus temores.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Eu havia voltado do almoço há poucos minutos, então ouvi alguns barulhos vindos da sala do Senhor Harris, parecia que alguém estava revirando todos os seus arquivos e os jogando com raiva por toda sala, além do som claro de gavetas sendo fechadas com muita força, resolvi ir até sua sala que ficava no fim do corredor, bem próxima a minha, talvez ele estivesse precisando de algo e eu pudesse ajudar.

Cheguei na porta de sua sala e não encontrei sua secretaria Betty em sua mesinha na recepção, como de costume. Betty era a terceira secretaria de Edward nos últimos 2 meses, o cara não era exatamente fácil de lidar. Parei por uns instantes diante de sua porta fechada e respirei fundo, eu não o que me esperava de trás daquela porta. Tomei coragem e resolvi bater, o barulho do outro lado da porta cessou, e pude ouvir sua voz grave autorizando minha entrada.

Levei a mão a maçaneta e abri a porta com cuidado, o que diabos poderia estar acontecendo ali dentro. Ao abrir totalmente a porta pude vislumbrar uma cena bem parecida com a que já tinha imaginado na minha cabeça, os arquivos estavam realmente espalhados por toda a sala, e haviam papeis e pastas por todo o lugar.

Entrei em sua sala e fechei a porta atrás de mim, Edward levantou uma das sobrancelhas ao me ver de pé em sua frente, eu não costumava procura-lo em sua sala, normalmente tratávamos de tudo nas reuniões de equipe.

-Posso ajuda-la Senhorita Allen?

Ele estava visivelmente irritado com a interrupção, então me apressei em responder:

-Eu ouvi o barulho vindo da sua sala Senhor Harris, e vim ver se precisava de ajuda?

Ele ri ironicamente, um riso sem emoção nenhuma.

-Você quer me ajudar Senhorita Allen? – eu assenti com a cabeça e ele prosseguiu.

-Me arrume uma secretaria que seja competente, uma secretaria com quem eu não precise me aborrecer todos os dias por ela simplesmente não fazer o seu trabalho como deveria ser feito.

Resolvo perguntar sobre a Betty, mesmo sabendo que isso não é uma boa ideia, a pobre mulher provavelmente estaria no RH agora assinando sua demissão, mas enfim, eu precisava saber o que aconteceu.

-Hum, e quanto a Betty?

Ele respirou profundamente antes de responder.

-A Betty é uma incompetente que conseguiu excluir todo o nosso trabalho envolvendo a campanha do Bruce James, e como você já sabe essa merda tem que ser lançada até o inicio da próxima semana, pois combinamos esse prazo com o cliente, e ele espera lançar sua nova coleção de roupas com uma campanha publicitaria enorme e bem elaborada, campanha essa que toda a equipe passou semanas preparando.

Eu não podia acreditar nisso, nós trabalhamos incansavelmente por dias e noites sem parar para concluir esse projeto antes do feriado, todos tinham dado tudo de si para que tudo saísse perfeito, a maioria de nós já tínhamos feito planos para o feriado, eu não, mas grande parte da equipe já tinha planejado viagens familiares, encontros românticos, comemoração das bodas de prata. Isso iria acabar com o feriado de todo mundo.

Eu sei que talvez essa seja a pergunta mais idiota para fazer em um momento como esse, mas eu precisava saber.

- Não é possível recuperar o arquivo eletrônico de alguma forma?

Ele me olhou como se não tivesse entendido minha pergunta, e eu queria que ele não tivesse entendido mesmo, assim eu podia fingir que não perguntei aquilo.

-Senhorita Allen, você acha que se existisse alguma forma de reaver esse arquivo, eu já não teria feito isso? Você acha que eu estaria revirando meus armários atrás de algo que nos ajudasse a refazer a campanha, caso eu soubesse como recuperar essa droga de documento?

Ele estava realmente aborrecido, eu havia o visto assim só uma vez, quando a equipe de artes visuais fugiu da proposta comercial da empresa e criou uma identidade visual tosca para a campanha que estávamos fazendo.

Eu respirei fundo, e resolvi agir para resolver a situação, eu estava tão frustrada quanto ele, essa campanha havia me custado tempo, dedicação e noites em claro planejando cada detalhe.

-Bom, o que podemos fazer para resolver a situação, Senhor Harris?

Ele parecia realmente esgotado por toda a situação, quando se dirigiu a mim para dizer o que faríamos, ele realmente parecia contrariado com sua decisão.

-Não há muito o que fazer, eu terei que manter toda a equipe trabalhando sem parar nisso, inclusive no feriado. O Bruce não costuma ser tolerante com atrasos, e sinceramente nem eu me permito aceitar atrasos nessa empresa.

Que grande merda, então era isso? Todo o trabalho que havíamos feito nas ultimas semanas havia ido pelo ralo, e nos só podíamos nos despedir do nosso descanso e trabalhar o dobro para recuperar o que já havia sido feito. Eu não havia planejado nada, mas a maioria dos meus colegas já haviam se programado para coisas importantes, muitos já haviam comprado passagens aéreas ou feito reservas em hotéis, e todos teriam que desmarcar seus compromissos.

- Eu não acho que a equipe vai receber muito bem essa notícia, Senhor Harris. A maioria do pessoal já fez planos há semanas para esse feriado, e sinceramente, todos nós trabalhamos duro demais nesse projeto.

Ele passou os dedos pelo cabelo, claramente irritado com tudo isso.

-Sim, Senhorita Allen, todos trabalharam duro nesse projeto, mas não há o que fazer, a minha empresa não vai deixar de entregar uma campanha desse nível por causa de um feriado, que vocês refaçam seus planos pois quero todos vocês nessa agência nesse 4 de julho.

Eu fico paralisada no lugar, plantada sob meus pés, absorvendo suas últimas palavras.

-Agora, se não se importa, eu gostaria que saísse da minha sala e voltasse ao seu trabalho.

Eu engulo suas palavras e me viro para sair de sua sala o mais rápido possível, antes que eu gire a maçaneta ele me chama pelo nome.

-Diana, é bom que já avise aos seus colegas sobre a mudança de planos para o feriado, acho que eles podem ficar aborrecidos se forem informados muito em cima da hora.

Ele ergue um dos cantos de sua boca, o esboço de um pequeno sorriso de satisfação.

QUE BABACA.

Capítulo 2 O QUE EU FIZ PRA MERECER

O resto do meu dia só pode ser descrito como caótico, os ânimos de todos se exaustaram quando contei sobre a campanha do Bruce, e não é pra menos, essas pessoas estavam planejando esse feriado há semanas, e então agora teriam que dar adeus aos seus planos e passar o 4 de julho enfiados em uma sala chique alugada na área nobre de Los Angeles, para fazerem um trabalho que já havia sido feito.

Eu tentei conter a situação, tentei melhor o humor de todo mundo, mas ninguém parecia muito interessado em me ouvir, e eu não os culpava por isso, eu também estava irritada com tudo isso.

No fim do expediente me dirijo ao elevador para ir embora daquele caos que se tornou o quarto andar daquele prédio hoje, aperto o botão para o térreo e aguardo pacientemente, enquanto aguardo Charlie se aproxima de mim e espera o elevador também.

Charlie é um dos contadores da empresa, talvez o empregado mais velho que temos ali, ele aparenta ter idade o suficiente para se aposentar, apesar de trabalhar mais que a maioria dos jovens empregados naquela agencia, enquanto esperamos Charlie puxa papo comigo.

-Então, Diana quais eram os seus planos para o feriado, já conseguiu cancelar os seus compromissos.

O tom de voz dele é doce e gentil, e Charlie é um dos meus colegas de trabalho preferido, ele sempre tem algo de bom para falar das pessoas, por mais que elas não mereçam.

-Oh não Charlie, eu não tinha feito nenhum plano, então não precisei cancelar nada e nem informar ninguém da minha ausência.

Sorrio sem jeito para ele, e ele toca meu ombro gentilmente.

-Eu tenho certeza de que você teria muito o que fazer no feriado, se quisesse.

Eu rio abertamente para ele, o Charlie era assim sempre, apesar de eu não acreditar em suas palavras, eu sempre o agradecia por dize-las.

-Obrigada Charlie, mas e você? Quais planos teve que desfazer?

Ele me lança um olhar triste, e isso não é algo que seja comum vindo do Charlie.

-Eu havia planejado uma viagem a Vermont com a minha esposa, nós completamos 30 anos de casado no mês passado e não tivemos como comemorar na data, pois eu estava muito envolvido com os números da campanha publicitaria do Bruce James, então aproveitaríamos o fim de semana e o feriado para termos essa segunda lua de mel.

Ele esboça um sorriso triste que me deixa arrasada por ele, ninguém deveria ter que cancelar seus planos, ainda mais o Charlie, ele era um homem incrível, trabalhador, honesto, eu não estava acreditando que sua segunda lua de mel seria cancelada pelo trabalho.

Chegamos ao térreo e nos despedimos rapidamente, aquela quinta feira tinha sido insuportável, um dos dias mais difíceis que enfrentei no trabalho, tudo o que eu queria era chegar no meu apartamento, tomar um longo banho de banheira e desfrutar de uma boa garrafa de vinho, eu estava precisando urgentemente espairecer.

Cheguei em casa e enquanto encho a banheiro procuro uma música relaxante na minha playlist, pego uma taça no armário e a encho de vinho até a borda, entro na água quente da banheira enquanto ouço Paramore ecoando pelo banheiro, ótimo talvez isso resolva todos os meus problemas e refresque minha mente.

Estou relaxando no banho quando relembro a história de Charlie, a comemoração que ele adiou por tanto tempo, e que não irá acontecer. Se eu pudesse fazer algo por ele e toda a equipe, eu sabia todos os detalhes daquela conta e saberia fazer o trabalho sozinha, sem sombra de dúvidas. Mas eu conseguiria fazer em um único fim de semana?

A cada taça de vinho que eu toava, a minha coragem aumentava ainda mais, é claro que eu conseguiria entregar o projeto no prazo, eu era boa nisso. Todos ficariam tão felizes por eu ter salvado o feriado de todo mundo, eu seria adorada, e ajudaria o Charlie a ter sua segunda lua de mel, eu estava decidida a resolver a situação.

Pego o meu celular e resolvo mandar uma mensagem ao Senhor Edward Harris, bom que mal teria isso?

"-Caro Senhor Harris, diante dos últimos acontecimentos e da reação triste dos meus colegas ao receberem a notícia, eu venho me candidatar para ajuda-lo a refazer a campanha do Senhor James, eu sei todos os detalhes da conta em questão e garanto que conseguirei realizar o trabalho sem a ajuda do restante da equipe. Por favor deixe que eles sigam os seus planos e aproveitem o feriado, eu me responsabilizo por esse trabalho.

Atenciosamente,

Diana Allen.''

Respiro fundo antes de enviar, e alguns minutos depois recebo sua resposta.

"-Ok, senhorita Allen. Espero que saiba o que está fazendo.

Atenciosamente,

Edward Harris."

Termino de ler sua mensagem com as mãos trêmulas, meu Deus, eu sabia o que estava fazendo?

Bom, amanhã eu descobriria.

Termino o banho e a garrafa de vinho, ainda estou pensando na última mensagem de Edward, o que ele quis dizer com, "Espero que saiba o que está fazendo", e se eu não soubesse? Eu só queria que todos ficassem felizes e aproveitassem seus feriados, porque ele tinha que trazer todo esse drama para uma decisão tão nobre da minha parte, eu só queria ajudar.

Vou até meu quarto, visto meu confortável pijama e me dirijo a cozinha, eu preciso comer, abro a geladeira e encontro outra garrafa de vinho, bom, porque não tomar mais algumas taças, nada que eu faça pode piorar esse dia.

Preparo alguns petiscos que estavam nos armários, me sirvo uma taça de vinho bem cheia e me sento no sofá da sala.

Olho para o meu celular na mesa de centro e pondero sobre os meus próximos passos, eu deveria responder a mensagem do Edward? Eu meio que precisava saber o que ele quis dizer com aquelas palavras.

Pego o aparelho, e encaro a tela por um tempo antes de escrever uma mensagem para Edward Harris.

"-Caro senhor Harris, talvez eu não saiba o que estou fazendo nesse momento, eu tomei um pouco de vinho essa noite, mas isso definitivamente não muda o que eu penso em relação a toda essa situação, essas pessoas trabalharam demais para aproveitarem esse feriado com suas famílias, o senhor não pode simplesmente tirar isso delas.

Atenciosamente,

Diana Allen."

Após clicar em enviar, seguro o celular com força contra o peito. Será que eu fui longe demais? Eu posso falar assim com o meu chefe? Meu Deus, eu amo esse emprego, eu não posso ser demitida por isso. Eu estou bêbada?

Meu celular vibra me tirando do meu estado de histeria.

"-Senhorita Allen, primeiramente, eu posso tudo. Mas não pense que quero manter os meus funcionários presos na agencia durante o feriado, eu valorizo os esforços da minha equipe, mas é uma situação extraordinária, eu esperava mais compreensão e profissionalismo, já que eu também cancelei os meus planos e estarei trabalhando no dia 4 de julho. Quanto ao seu estado de embriaguez, eu nada tenho a dizer, só peço que modere suas palavras, pois gosto muito do seu trabalho e lamentaria demiti-la por conduta inapropriada. Mas tem algo que me intriga muito, você é uma defensora do "direito ao feriado", mas se ofereceu para trabalhar no lugar dos demais, você não tem compromissos melhores?

Atenciosamente,

Edward Harris."

Eu gostava de pensar que estava fazendo isso para ver o Charlie ter sua segunda lua de mel em Vermont, ou para que os meus outros colegas tivessem seus feriados maravilhosos e encantados como planejado, mas talvez eu tivesse assumido a responsabilidade de refazer esse projeto simplesmente porque eu não tinha nada melhor para fazer nesse dia, talvez eu só queria estar ocupada o suficiente no 4 de julho para sequer lembrar que eu estava do outro lado do país, sem meus amigos, sem minha família, sem a familiaridade que eu sentia todos os anos durante esse feriado. Nesse ano eu havia decidido não viajar até a Virginia, por mais que fosse difícil pra mim, esse seria meu primeiro 4 de julho longe de casa e eu tudo que eu tinha planejado era assistir a filmes cult na televisão, eu só queria ver filmes em preto e branco enquanto tomava vinho e não faria mais nada.

Mas sinceramente, os meus planos eram deprimentes demais para compartilhar com Edward Harris. Então eu omiti.

-"Para o sua informação, eu tinha sim, vários planos para o feriado, porém o meu altruísmo me fez priorizar os compromissos dos meus colegas de trabalho, eles realmente tinham programas importantes. E outra coisa, você é o chefe, aposto que não abriria mão dos seus compromissos se fossem tão importantes assim.

Atenciosamente,

Diana Allen."

Eu estava ficando fora de controle, eu não devia estar falando assim com o cara que pode chutar a minha bunda pra fora da sua empresa. A resposta dele chegou mais rápido que o esperado.

"Senhorita Allen, eu não cheguei onde estou negligenciando meu trabalho e priorizando o prazer, nada é mais importante do que cumprir com os compromissos profissionais. De toda forma, acho que a senhorita já está aprendendo isso, irei aceitar sua proposta, trabalharemos sozinhos na campanha do Bruce, teremos o fim de semana e o feriado para conclui-la, caso não consiga o seu emprego será de outra pessoa, antes mesmo que a próxima semana acabe.

Estamos entendidos?

Atenciosamente,

Edward Harris.

Era um desafio, algum tipo de teste? Ele duvidava da minha capacidade de concluir esse projeto? Mas, eu mesma acreditava nisso? Eu conseguiria fazer tudo em 4 dias? Isso iria custar meu emprego, mas eu nunca me arriscava, talvez estivesse na hora de crescer.

Digitei com toda a minha determinação.

"Eu aceito senhor Harris, nós começamos amanhã.

Eu espero um aumento depois de concluir esse projeto e salvar a sua pele.

Bom, até mais.

Atenciosamente,

A garota que concluiu uma campanha de meses em apenas 4 dias."

Dessa vez sua resposta demorou alguns instantes, até meu celular vibrar.

"Senhorita Allen, você pode conquistar muito mais que um aumento caso conclua essa tarefa no prazo.

Te desejo sorte.

Atenciosamente,

O cara que está ansioso para ver como você vai resolver este enorme problema."

Concluir esse projeto agora era uma questão de honra, e eu precisava mostrar que era capaz, precisava mostrar para todos.

Capítulo 3 PELO BEM DE TODOS!

É sexta-feira e eu acordo com uma dor de cabeça horrível, resultado da quantidade de vinho que eu tomei na noite passada, sinto minha cabeça girando ao me levantar da cama, eu ainda poderia estar bêbada? Creio que não.

Tomo um banho rápido e me arrumo para o trabalho, estou uma pilha de nervos e ansiedade, afinal eu assumi a responsabilidade de entregar no prazo uma campanha gigantesca. Mal consigo engolir o café da manhã, meu estomago embrulha só de pensar em encarar Edward Harris depois das mensagens que trocamos ontem, ele provavelmente ainda estava bravo pela forma como o abordei, e eu me arrependia do meu rompante movido à álcool.

Tento não pensar na noite passada enquanto dirijo para o trabalho, apesar de estar com medo, imaginar a felicidade do Charlie e de todos os meus colegas ao saberem que poderão curtir o feriado como haviam planejado me faz acreditar que fiz a escolha certa ao decidir cuidar do projeto sozinha.

Chego a agência um pouco mais tarde que o habitual, o transito de Los Angeles estava caótico essa manhã, passo pela recepção e vou direto a minha sala.

Paro abruptamente na porta ao ver o Senhor Harris sentado na cadeira de frente à minha mesa.

-Atrasada para o trabalho, senhorita Allen? É com esse comprometimento que pretende finalizar o projeto do Bruce James? -ele mantinha uma postura desafiadora, os olhos demonstrando o interesse na minha resposta.

Caminho até a minha mesa e me sento, depositando a bolsa no móvel ao lado. Sustento seu olhar enquanto respondo de forma breve e direta.

-Não creio que o meu breve atraso irá impactar na minha produtividade, vou compensar esses minutos trabalhando até mais tarde hoje.

Ele se aproxima, os cotovelos apoiados na minha mesa, uma das mãos segurando seu maxilar másculo e recém barbeado.

-Eu não sei se você realmente entendeu a situação, caso não conclua esse projeto no prazo, haverá consequências desastrosas para a agência. -ele encara intensamente meus olhos e dá ênfase à próxima frase.

-E para você também, senhorita Allen.

Eu engulo em seco ao ouvir essas palavras, é evidente que eu sabia da complexidade do projeto, mas eu não havia cogitado a possibilidade de fracassar, mas Edward Harris deixou bem claro que isso poderia acontecer, e parecia que era exatamente o que ele achava que fosse acontecer.

Antes que eu pudesse responder sua provocação, ele se levanta e sai da minha sala, me deixando ainda mais nervosa do que estava ao acordar essa manhã.

Diferentemente de ontem quando ele havia me obrigado a dar a má noticia para os meus colegas, hoje Edward resolveu que seria ele o portador das novidades. Alguns minutos após a minha chegada na empresa, sou convocada a comparecer no refeitório, meu chefe havia reunido todos os funcionários ali para anunciar que eu e ele resolveríamos sozinhos o problema com o projeto do Senhor James, e que assim eles poderiam aproveitar os seus feriados como planejado inicialmente.

Durante seu comunicado ele evitou dizer palavras encorajadoras ou agradáveis, era nítido o seu desconforto e descrença na minha capacidade de resolver isso sozinha, mas então porque ele tinha concordado com essa ideia?

Evitei encarar seu rosto enquanto ele falava, eu me impressionava com sua frieza e indiferença, tudo o que tentei fazer foi deixar todo mundo feliz, me ofereci para resolver a situação, mas o babaca não parecia satisfeito.

No fim do seu breve discurso, todos ao redor estavam radiantes, um contraste interessante em comparação à cara de poucos amigos que Edward Harris ostentava. Depois de receber alguns agradecimentos pela minha nobre atitude de me sacrificar pela equipe, eu pego um café na cafeteira e volto pra minha sala. Eu tinha muito trabalho pela frente, e quanto antes eu começasse seria melhor.

Passei toda a manhã refazendo o esboço da campanha, eu me lembrava muito bem dos detalhes e isso facilitou muito o meu trabalho. O clima na agencia era festivo, a alegria dos meus colegas exalava pelo ar, o que me deixava mais confiante por ter feito essa escolha.

As horas passavam mais rápido que o normal enquanto eu lutava contra a pilha de papeis e arquivos ao meu redor, a minha cabeça doía depois de tanto tempo sentada na frente do meu computador, o horário de almoço foi completamente ignorado por mim enquanto eu revisava o esboço e parâmetros do projeto.

Eram 14h quando a Mia bateu na minha porta, me tirando do caos que havia se tornado minha mesa, e me arrastando até Starbucks do outro lado da rua.

Mia era uma das poucas amigas que eu havia feito em Los Angeles, nós duas nos conhecemos na faculdade e participamos da seleção de novos talentos da EHpublicity há alguns meses, estudar e trabalhar com uma mulher como a Mia era um privilegio, além de ser uma amiga excepcional ela também era uma profissional impecável. Ela era intimidadora e nós tínhamos orgulho de sermos tão parecidas nesse quesito.

Nós duas gostávamos de sair e conhecer caras, mas desde que nos formamos e começamos a trabalhar para Edward, essas saídas se tornaram raras. O nosso foco na carreira era o mesmo.

Nos sentamos em uma mesinha no canto da cafeteria e pedimos nosso cappuccino diário.

-Eu não acredito que aquele idiota tá te obrigando a trabalhar sozinha no feriado, o que você fez pra ele? -Mia parece inconformada com isso.

-Ele não me obrigou, quer dizer, não obrigou só a mim. Mas você tinha que ter visto a cara do Charlie por ter que cancelar seus planos, eu não podia permitir que isso acontecesse com ele. Então eu me ofereci para concluir o projeto sozinha.

Ela me encara atônita.

-Você enlouqueceu Ana? A equipe toda passou semanas fazendo o projeto para que ficasse pronto à tempo, você não pode fazer isso sozinha, eu também virei trabalhar no feriado.

Eu nego veementemente.

-Claro que não, você planejou essa viagem para visitar os seus pais há muito tempo, esse é um dos motivos para eu ter me oferecido, eu quero que você aproveite o seu feriado.

Ela tenta contestar, mas eu mudo de assunto rapidamente.

-O Marc me ligou ontem a noite, queria saber quais os meus planos para o feriado.

Mia me olha com curiosidade e interesse.

-E então?

Eu bebo um pequeno gole do meu cappuccino e respondo sem muita importância.

-Bom, eu não estou muito interessada em falar sobre os meus planos com o meu ex paquera da faculdade, até porque eu não tenho planos mesmo.

-Mas era isso que ele queria, fazer planos com você.

-Duvido muito, o Marc não é do tipo de cara que toma iniciativa, e eu não estou procurando nenhum relacionamento agora, tô focada apenas no trabalho.

Ela concorda com a cabeça, nós duas tínhamos os mesmos objetivos no momento.

Passamos os minutos seguintes falando sobre besteiras e caras da faculdade, quando termino meu café eu corro de volta para minha sala.

Apesar de estar atolada de trabalho, eu estava muito bem por estar fazendo aquilo, a minha vida social era quase inexistente á aquela altura, então não seria um problema passar o feriado e o fim de semana trabalhando em prol da felicidade dos meus colegas.

Quando o expediente se encerrou e as pessoas começaram a sair de suas salas e irem embora, eu olhei para o relógio e constatei que havia passado o dia todo dedicada ao projeto e mal havia comido ou tomado água decentemente, então quando a Mia apareceu na minha sala com uma caixa de rosquinhas e suco de pêssego, eu a agradeço um grande sorriso.

-Você tem certeza de que vai fazer isso sozinha? Eu posso ficar e ajudar você, posso visitar me- eu a interrompo antes que ela termine a frase.

-Não precisa se preocupar, eu tenho tudo sob controle. Aproveite seu feriado e dá um abraço nos seus pais por mim.

Ela sai da sala depois de muito relutar, essa era uma das maiores qualidades da Mia, ela faria de tudo para ajudar um amigo, mas naquele caso eu não poderia aceitar sua ajuda, tudo o que eu queria era que ela tivesse um ótimo feriado junto com os pais.

-Você jura que vai me ligar se precisar de alguma coisa? - eu concordo imediatamente e abraço.

-Não se preocupe comigo Mimi, eu vou me virar bem, prometo.

Depois de se certificar de que eu realmente ficaria bem, ela sai da minha sala e vai em direção à saída do prédio.

Quando estou finalmente sozinha no silencio da sala, eu olho ao redor e tento traçar uma estratégia para sobreviver ao fim de semana e entregar o projeto no prazo, além de imaginar como vai ser passar todos esses dias trabalhando sozinha com Edward Harris.

Bom, sem dúvidas seria um fim de semana interessante.

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