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CAÇA E CAÇADOR

CAÇA E CAÇADOR

Autor:: RACHEL WEINZ
Gênero: Romance
Um simples banquete e a vida de Karen Reinmann nunca mais será a mesma. O caminho dela acabou de cruzar a linha de Connor Schaeffer e esse homem arrogante tem suas próprias ideias e está caçando uma esposa! O que ele não sabe é que escolheu a pior presa de todas e ela com certeza não vai desistir de colocá-lo de joelhos! Uma história instigante e bem humorada que vai manter seus olhos presos até o final.

Capítulo 1 A ESCOLHIDA

JOE

Estou aturdido no terceiro banquete esse mês. Meus olhos passeiam pelo salão. Já fazem quatro meses que estou nessa missão. Caso não conhecesse meu chefe há tanto tempo acreditaria firmemente que ele enlouqueceu. Não esqueço o dia em que ele me chamou no escritório e me deu a atribuição de encontrar uma esposa, me dando os requisitos de que a esposa teria que ser bonita, educada e ter algo em seu passado que ele pudesse usar para coagi-la. Não fosse o homem que é, eu teria pensado que ele perdeu inteiramente o juízo.

Meu chefe é um homem absolutamente implacável seja na vida pessoal ou nos negócios. Ninguém discute com ele e de certa forma tenho pena da feliz (ou infeliz?) sortuda que ele venha escolher. Me sinto como um caçador prestes abater a presa. Já fiz isso antes, duas outras vezes eu escolhi e pesquisei a vida pregressa de diversas mulheres para encontrar uma que satisfizesse os requisitos do meu chefe, sem sucesso. Meu método de trabalho é ver as mais bonitas, me informar quais são solteiras e depois vem o árduo trabalho de pesquisa de antecedentes familiares, de saúde e por fim, se eu tenho algo que posso usar contra ela. Na verdade eu não, meu chefe.

Encontrei uma que satisfazia parcialmente os requisitos na minha primeira busca, mas não consegui impressionar meu chefe. Estou perdido em pensamentos, quando meus olhos pousam em uma garota no canto. Ela é bonita, mas não muito impressionante. Está vestida com trajes modestos para este banquete e não parece muito feliz de estar aqui. Vou juntar as informações dela às outras cinco que já coletei. Suspiro, boa sorte à felizarda! Será que é hoje que conseguirei cumprir a minha missão? Tomara porque meu chefe já está irritado.

CONNOR

O Sol brilha das janelas do chão ao teto do grande escritório em Manhattan. atrás da mesa um homem está trabalhando silenciosamente. É outono em Nova Iorque, mas apesar do tempo ainda quente, o clima na sala é frio.

"Entre", digo impaciente ao ouvir a batida. Nem preciso pensar para saber que é Joe.

Minhas costas doem um pouco depois de quatro horas de trabalho ininterruptas.

"Sr. Schaeffer, a lista que pediu", ele me passa alguns arquivos.

"Certo", digo e espero que Joe evapore logo.

Joe não é ruim, tanto que ainda é meu assistente. Já foram tantos, acho que ele foi o mais esperto que pude achar e pelo menos posso suportar.

Joe sai imediatamente da sala. Passo os olhos na papelada. "Droga", penso. Tenho que resolver isso logo. A coisa que mais me irrita são coisas pendentes.

Aos 30 tenho sucesso suficiente e trabalho suficiente e tudo que se pode querer, mas ao que parece isso não é o suficiente. Minha família espera que eu me estabeleça. Até já tentei, mas não tenho paciência ou vontade de fazer isso. Relacionamentos não são para mim. Liberdade é a máxima da minha vida. Faço meu trabalho e quando quero viajo para um lugar qualquer para desestressar, prestar contas não faz parte da minha cartilha.

Minha mãe está se tornando um tormento feroz na minha vida. Sei o que ela quer e espera e até poderia me safar se ainda tivesse meus irmãos. Depois do acidente na montanha com a Mia e o Stephen o único que sobrou fui eu. Então não tem como fugir de satisfazer a obrigação de dar continuidade à família. Então, tenho que cumprir essa agenda.

Primeira garota, isso e aquilo... com certeza uma oportunista.

Segunda... só falta o cérebro.

Terceira, deixa de lado depois vou ver melhor.

Quarta, essa família nem pensar.

Quinta... Wells? Há! Parente de qualquer Wells? Jura.

Sexta...

"Joe", aperto o interfone.

Joe entra ofegante.

"Terceira e sexta", quero vê-las.

Joe arregala os olhos de surpresa. "Quando?"

"Hoje".

Joe me olha descrente e arrependido. "Há! Joe te pago bem, faça seu trabalho", penso. Volto para minha papelada.

São duas horas e Joe me liga. "A senhorita Martin está aqui".

"Nome", pergunto, porque não lembro mesmo.

"Anne Martin", Joe responde.

"Mande entrar".

A porta se abre e vejo uma mulher jovem, pelo relatório em torno de 25. Ela me olha espantada.

"Você é Anne Martin?", pergunto.

"S... sim".

"Sou Connor Schaeffer, gosta do que vê?", pergunto.

"Hã?", a mulher me olha aturdida.

Suspiro. Ela parece me olhar com medo e está atordoada.

"Saia", eu digo entre dentes. "Droga", eu penso.

A mulher sai quase correndo.

"Joe", assovio pelo interfone.

"A outra?", pergunto assim que Joe abre a porta.

"Bom...", ele fala baixinho, olhando para baixo.

"Bom o quê? Onde está?", já estou indignado.

"Ela não quer vir ver o senhor, chefe", diz Joe sem me olhar nos olhos.

"Como é?", sinto a raiva fazer a minha têmpora latejar.

"Isso está sendo mais irritante do que pensei que seria", penso.

"Arraste aqui, não importa como", nem olho para Joe e volto para meus papéis. "Gente é muito chato", penso.

Olho de novo e Joe está congelado na porta.

"Algo mais?", pergunto já no fim da minha paciência.

"Só confirmando... 'todos os meios mesmo', chefe?", Joe me olha com olhos arregalados.

"Use todos os meios necessários. Só não mate ou aleije", eu digo palavra por palavra.

Joe me olha e fica paralisado por um instante. Seus olhos encontram os meus e sai imediatamente da sala.

JOE

Meu coração está aos pulos. Cada encontro com o Senhor Schaeffer é uma aventura. Aventura perigosa. Mas "pegar" essa garota, simplesmente é novidade. Simplesmente "arrastar aqui" é meio extremo até para o meu chefe. Sei o jeito que ele lida com os negócios e o quão implacável ele pode ser, mas o que ele me mandou fazer acho que o nome é sequestro se não me engano!

"Essa garota...que droga!", digo baixinho.

Estou paralisado. Se ela fosse racional ou soubesse o que é bom para ela teria aceitado vir aqui quando a encontrei mais cedo, mas depois de me ouvir, ela riu e disse que não tinha interesse. Claro que tentei por todas as formas convencê-la, mas ela disse não.

"O que tem de errado com a Anne? Tão bonitinha e boazinha! O que o Sr. Schaeffer não gostou nela?", meu estômago está revirando.

Situações extremas, pedem medidas extremas.

"Certo, vamos lá", sento na minha mesa e traço um plano.

Logo dois guarda-costas do grupo especial de elite chegam.

"Temos uma missão diferente hoje. Antes que digam qualquer coisa, já antecipo que o Sr. Schaeffer quer que seja feito. Trabalho limpo. O alvo é Karen Reinmann. Não a machuquem. Tenham em mente que ela pode vir a ser a Sra. Schaeffer, então usem o cérebro. Vocês têm que trazer ela aqui para o Sr. Schaeffer o mais rápido possível. Esqueçam o convencimento, porque já tentei por todos os modos. Então limpo e rápido, o mais indolor possível. Aqui está o arquivo dela", passo para os dois os papéis.

"Boa sorte e sinto muito por vocês", eu penso com pena dos dois.

KAREN

Estou atolada até os cabelos em tudo isso!

"Droga!", digo entre dentes ao ler o relatório na minha frente.

"Se aquele infeliz não estivesse na cadeia, eu o mataria com minhas mãos, juro que mataria!", a raiva está fervendo no meu sangue.

Há dois anos estou na subsidiária. Dois anos no exterior. Tudo pelo que meu pai por anos trabalhou até a exaustão terminou na mão do Antony Myer, o vice-presidente, quando meu pai teve um infarto fulminante.

Eu? Era jovem demais, tola demais.

"Esse crápula desviou dinheiro, sonegou impostos, encheu a empresa de ratos!", suspiro.

Depois que o escândalo estourou, voltei às pressas e estou no olho do furacão. O caos está instalado de cima a baixo não só na matriz, mas nas filiais e coligadas.

"Inferno", suspiro tentando me acalmar.

Então está explicado porque eu tinha que ser transferida para o exterior e porque eu era "tão necessária lá fora". Sim, porque aqui 'dentro', eu iria logo ver que a casa estava roída por dentro.

Levanto e vou à copa do andar. Preciso andar! Se eu não andar um pouco, vou explodir!

Café! Isso!

"Um capuccino vai bem", eu penso.

Enquanto a máquina funciona, lembro do sujeito que me abordou cedo. "Joe", disse ele. "Quem será Connor Schaeffer?", me pergunto.

Estou aqui há dois meses e estou por fora de assuntos domésticos. Não tenho tempo nem para coçar a cabeça e vou me dar ao trabalho de ver um sujeito que nem sei quem é? Porque eu faria isso? "Há... as pessoas se acham bem demais!", eu zombo.

Tomo meu capuccino com um sorriso. Sorrir faz bem para a saúde e relaxa. Fecho os olhos sorrindo e respiro fundo. Sei o valor de nossas crenças e por isso tenho como certo que tudo vai dar certo e ir bem, mesmo que seja no final, bem no finalzinho. Sorrio mais, de olhos fechados. Agora me sinto bem.

"Vim, vi e venci", como dizem os romanos, suspiro com um sorriso, voltando para minha sala.

O telefone toca.

"Sim", respondo, esperando que não sejam mais problemas.

"Tem um oficial aqui com uma intimação pessoal para a senhora", diz a recepcionista.

"Mentira!", zombo de mim mesma. "Ainda bem que tomei um capuccino", penso e saio para o elevador recolhendo o sorriso que mantive pela minha sanidade.

Capítulo 2 SEQUESTRO

Vou para a recepcionista que me dirige um olhar solidário.

"Onde ele está?", pergunto suspirando.

"Lá", ela aponta perto da porta.

Olho na direção e tem um homem vestido como oficial da justiça. Quantos já atendi? Perdi as contas. Tem outro de mesma aparência. "Deve ser grave", penso.

"Posso ajudá-los?", pergunto.

"Srta Karen Reinmann?", o homem com os papéis pergunta.

"Eu mesma, em que posso...", o homem agarrou meu braço.

Ele grita para a recepcionista que é da polícia e que estou sendo presa.

"O quê?", grito em pânico.

Sem qualquer explicação o homem me puxa pelo braço para fora da porta rapidamente e o outro homem gruda no meu outro braço. Os dois me empurram para um carro e quando entro no banco de trás, um dos homens que entrou comigo põe um saco de pano preto na minha cabeça.

"Estou sendo sequestrada", penso quando consigo ordenar minimamente meus pensamentos e fico espantada. "Desgraça nunca anda sozinha!", tenho que rir internamente.

"Droga!!!", cerro os dentes, "só faltava essa agora!!!"

"Srta Reinmann, não queremos lhe fazer mal, apenas colabore, que logo estará livre e terá as explicações que merece", diz o homem que está na direção.

Os meus pensamentos galopam desenfreadamente por minha mente. "O que está acontecendo? O que essas pessoas querem de mim? Será que querem dinheiro? Todo mundo sabe que estamos à beira da falência! Será que é vingança? Será que o Anthony está fazendo isso? Impossível! Quando cheguei ele já estava atrás das grades, então eu não tenho nada a ver com isso. Minha mente dava voltas e voltas e não conseguia chegar a uma conclusão.

Depois de algum tempo o carro parou e ouvi o barulho da porta se abrir e alguém me puxar para fora. Sinto a presença de 2 homens, um de cada lado enquanto andamos. Estamos parados há algum tempo, escuto o barulho do elevador. Então estamos em um prédio.

Tento relaxar, acho que logo terei as respostas que eu preciso.

A porta do elevador se abre, entramos. Escuto os andares passarem uma a um sem parar. Tento contar os andares, mas não consigo. Escuto o sinal e a porta se abre. Os homens seguram meus braços firmemente um de cada lado e começamos a caminhar. Sinto o carpete debaixo dos meus pés.

"Senhor ela está aqui", um homem ao meu lado diz.

"Ótimo!", diz uma voz diferente.

Estar com esta venda nos olhos me faz ter todos os meus sentidos em alerta.

Onde estamos, me pergunto.

"Tudo bem com ela?", a mesma voz...

"Sim", o outro homem ao meu lado responde.

"Bingo!", eu surto interiormente. Essa voz é do chato que me abordou mais cedo com uma conversa esquisita sobre ver um tal Connor Schaeffer.

Meu sangue gela. Será algum mafioso? Será que o infeliz do Antony até nisso se meteu? "Acalme-se e respire", eu tento me reorganizar.

"Senhor, ela está aqui", diz a voz do homem que suponho ser tal Joe que me encontrou de manhã.

Uma porta se abre, sinto apenas uma mão no meu braço que me puxa para frente.

O capuz é retirado rapidamente.

A luz faz meus olhos arderem.

Estou em um escritório. Tem um homem. Olho rapidamente ao redor, todos os instintos de sobrevivência no alerta máximo. Estamos alto em algum prédio. Analiso rapidamente minhas probabilidades de fuga. Poucas infelizmente. Capangas, elevador, prédio alto. Tenho que usar a inteligência.

Respiro fundo. Olho calmamente para o homem atrás da mesa. Anos nos negócios me ensinaram a ser fria, mas ele definitivamente me ganha. Os olhos dele estão me analisando da cabeça aos pés. O que ele quer?

"Karen Reinmann?", ele pergunta.

"Sim", respondo esperando a explicação.

"Gosta do que vê?", ele me pergunta sugestivamente de forma simples.

A surpresa me invade. Titubeio por instantes. "O que?" eu penso. Me sinto inacreditável.

Eu não consigo deixar de rir de escárnio, e curvo meus lábios inconscientemente.

"Quem é você e o que quer?", eu pergunto, já perdendo a paciência, a graça acabou e o sorriso se foi.

"Minha pergunta primeiro", ele insiste.

A minha raiva sempre foi rápida e ela me enche até escorrer dos poros."Palhaçada", penso bufando.

"Levante-se e venha", eu digo.

O homem ergue a sobrancelha esquerda.

"Vamos, não tenho o dia todo", digo sem rodeios.

O homem bufa, mas vem até mim.

Movo o dedo para que ele dê uma volta em torno de si mesmo.

Esse idiota egocêntrico não quer que o avalie como a um cavalo em um leilão? Que seja! Já que estou aqui, vamos brincar e acabar com essa besteira logo.

Ele para bem diante de mim e sinto a temperatura cair vários graus. "Boa", penso. Ele sabe intimidar e é bom nisso, só que sou vacinada na escola da vida.

Levanto a sobrancelha e digo a que vim logo.

"Senhor, você teve a ousadia de me tirar dos meus negócios para te avaliar, então deixe ver o material para dar o veredicto, ou vou embora porque não tenho tempo a perder", digo franzindo os lábios de tanta insatisfação.

"Que idiota", penso.

Vejo um olhar assassino enviando setas em minha direção, mas se ele é só um idiota egocêntrico e não um gangster, estou aliviada e em vantagem.

Ele dá um passo atrás e roda em seu próprio eixo devagar, levantando os braços e termina me encarando.

Minha raiva ainda não foi aplacada.

"Tire o paletó e a gravata", ordeno como uma rainha.

O espanto enche os olhos dele.

"Rápido", digo bufando.

A sala cai vários graus e o homem está visivelmente com muita raiva.

No fundo estou até me divertindo, mas não deixo transparecer. Fria como o gelo, baby.

Ele sem dizer uma palavra tira o paletó e o joga sobre o encosto de uma cadeira, a gravata vai na sequência. Seus olhos me fuzilando.

Olho para ele com uma expressão muito insatisfeita de propósito.

Ele bufa e tira a camisa.

Estou rindo por dentro, mas meu olhar frio é de puro desdém e insatisfação.

O homem à minha frente é absolutamente lindo, poderia até ser modelo naquelas revistas que eu só vejo quando estou aguardando alguma consulta médica. Abdômen perfeito, olhos azuis, cabelos loiro escuro, rosto cinzelado. Ele deve gastar muito tempo na academia e por isso é tão vaidoso e egocêntrico.

Ele gira na minha frente, sem levantar os braços desta vez. "Quê? Está tímido agora?", penso enquanto olho para o sujeito na minha frente.

"Então?", ele levanta uma sobrancelha e me encara com a mandíbula cerrada.

"Resisto? Não resisto?... Não resisto!!! Como alguém poderia não zombar?", penso.

"Talvez... dê para o gasto", respondo laconicamente, como se visse uma mercadoria muito comum e barata.

O rosto do homem na minha frente escurece e o olhar é mortal.

Por um momento um calafrio corre por minha espinha e sinto uma pitada de arrependimento por zombar tão abertamente desse estranho, afinal ele me sequestrou não foi?

Ele se aproxima e sinto o perigo.

Dou um passo para trás, giro e começo a andara pelo escritório. O homem sem camisa atrás de mim, mas eu continuo andando como se estivesse em uma exposição de arte, olhando ao redor. "Ainda bem que é grande", eu penso.

Quando sinto que ele vai me alcançar, me viro para ele.

"Minha vez", digo a queima roupa."Quem é você e o que quer?", eu pergunto de novo.

"Sou Connor Schaeffer", responde com orgulho como se eu devesse saber quem ele é.

Lanço meu melhor olhar interrogativo.

Reviro os olhos, não dá para aguentar tanta arrogância.

"Senhor Connor Schaeffer, eu não faço a menor ideia de quem o senhor seja. Também pouco me importo. O senhor tem consciência de que sequestro ainda é crime, certo? Podemos fingir que nada aconteceu e eu volto para minha vida e o senhor fica com a sua. Estamos de acordo? Afinal eu já o avalie como queria, portanto, já cumpri meu papel", digo com um sorriso frio no final.

O homem na minha frente cruza os braços no peito nú e bufa com um sorriso.

"A sua tarefa Karen Reinmann é se casar comigo e me dar um ou dois filhos. Ser obediente e leal e atender minhas expectativas. Esqueci, tem que ser agradável com a minha família", me respondeu ele em alto e bom som.

A incredulidade me assola.

"Um doido, só o que me faltava", quase deixo escapar meu riso, mas mantenho a máscara muito bem, afinal depois de anos nos negócios eu sei que quem não consegue manter a cara de pôquer é comido vivo.

"Vamos lá, então", penso.

"E porque em nome de Deus eu casaria, teria, como você disse um ou dois filhos seus e ainda me esforçaria para agradar a sua esplendida família? O senhor tem algum problema? Nem nos conhecemos!", me esforcei para não gritar com o idiota.

"Porque eu sei como está o legado do seu pai e você não tem saída. Sem capital, sem patrimônio humano e sem prestígio, não tem como manter as portas abertas. Banco não te empresta, vocês estão sem credibilidade no mercado. O nome Reinmann hoje por si só é sinônimo de fraude. R&R Corporation é quase passado, porque quando a matriz se for, vai arrastar as filiais, as subsidiárias e as associadas. Você tem consciência disso, não tem Karen Reinmann?", o homem diz isso com orgulho vazando pelos olhos, com um sorriso zombeteiro.

"E o senhor, senhor Connor Schaeffer é aquele que vai salvar o R&R?", digo zombando.

"Se você fizer o que eu quero...", ele diz me olhando arrogantemente.

Me forcei a curvar um sorriso no meu rosto para ter algum tempo para pensar.

Capítulo 3 EXCÊNTRICO

"Olhe com cuidado, você gosta do que vê?", ele me pergunta de novo.

"Finalmente entendi", eu bufo com um sorriso incrédulo.

"Um reprodutor? É isso?", eu não tenho como não perguntar.

Ele me olha e seu olhar é profundo e frio.

"Se é assim que você vê, não me importo. Na minha cartilha o que interessa é o resultado", ele diz sem rodeios.

"E como sei que você pode cumprir com sua parte do acordo?", pergunto por costume, porque ele está me propondo um negócio. Um negócio esquisito, mas que talvez pudesse por a salvo o legado do meu pai.

"O que você precisa saber?", ele olha me perfurando.

"Tudo que eu quiser ver, tenho que ter acesso", eu digo e duvido que ele consinta, então daremos essa conversa maluca por encerrada.

"Joe", ele toca o interfone.

Joe entra na sala rapidamente e olha esperando instruções do homem sem camisa com um olhar estranho, mas não diz uma palavra.

"Coitado, deve estar acostumado ao chefe louco", eu penso rindo interiormente.

"Acompanhe a Sra Schaeffer e lhe dê acesso ao que ela precisar", ele diz olhando diretamente para mim.

A frase me atinge.

"Ainda não concordei com nada", eu digo de uma vez cerrando as sobrancelhas.

"Concordou a partir do momento em que me fez tirar a roupa para você, Sra Schaeffer", ele diz como se não fosse nada.

Quero responder, mas Joe segura meu cotovelo e me leva para fora.

"Posso sentar, Joe?" pergunto.

"Claro, Sra Schaeffer, tudo que quiser", me diz Joe obsequiosamente.

Eu o olho cansada. Estou em um pesadelo, é só esperar, uma hora vou acordar.

"Quero um capuccino Joe", olho para ele fazendo olhos de cachorrinho.

Na verdade quero um jantar completo de dez talheres. Estou morta de fome. Mal tomei café e estamos no final da tarde.

Que dia louco. Me sinto incrédula com os últimos acontecimentos.

Joe volta com o café.

"Joe sente aqui comigo", peço.

Joe senta e parece hesitante.

"Tudo que eu quiser, lembra?", digo sem cerimônia.

"Sim, Sra Schaeffer", diz Joe sentando.

"É seguro falarmos sem ser ouvidos aqui Joe?", eu pergunto.

Joe ergue as sobrancelhas de espanto.

"Sim", diz ele.

"Seu chefe Joe... tem gente que é esquisita, dizem que são excêntricos, mas o seu chefe... ele tem problemas sérios, não é?", insinuo, esperando ansiosamente para saber no que estou me metendo.

Joe dá um suspiro e ri.

"Não Sra Schaeffer, ele não é louco. Ele só quer uma esposa e não está disposto a ter um relacionamento, então por isso que ele propôs à senhora dessa forma", ele suspira. "Eu sei que não é convencional raptar as esposas hoje em dia, é meio Neanderthal, não é?", seu olhos claros em mim, pedindo que eu aceite bem suas palavras.

Engulo por ouvir 'Sra Schaeffer' de novo, e não sei se rio ou choro.

Olho para Joe e acho que sou boa em julgar pessoas e me sinto à vontade de metralhar Joe com minhas dúvidas, porque não acho que ele poderia me enganar.

"Joe, quem é o seu chefe?", pergunto iniciando minha pesquisa.

Os olhos dele se arregalam de espanto.

"A senhora não conhece o Sr. Schaeffer? A senhora não é daqui?", ele me devolve a pergunta.

"Sou daqui, mas fiquei muito tempo fora nos estudos, depois fui para uma subsidiária da R&R no exterior", digo levantando a sobrancelha devolvendo a pergunta.

"Bom... O Sr. Schaeffer herdou a maior empresa do país e agora estamos em 24 países. A senhora tem certeza que não conhece a holding SC Corporation?", ele diz me olhando incrédulo.

SC Corporation eu sei muito bem quem é. O que eu não sabia era sua relação com esse homem.

"Quero ver os livros", olho inocentemente para Joe.

A cor dele vai embora.

"Eu sei que estou esticando a corda, Joe", eu penso, "vamos ver aonde isso vai", estou rindo por dentro.

"Vou ver com o chefe...", ele se afasta e liga para o Connor Schaeffer.

Vejo Joe voltar com olhos arregalados.

"A senhora pode ver tudo, vamos à contabilidade e a senhora pode ver o que quiser, me acompanhe", diz ele de uma vez.

Eu também tenho que admitir o espanto. Esse Connor nasceu ontem? Me deixar acessar a caixa preta? Ver o que quiser nos livros e na contabilidade, saber os negócios da empresa?

De repente a realidade me atinge com força. "Droga", deixo escapar baixinho. Eu acho que sou a tal Sra Schaeffer e não tem como dizer não para esse homem.

Já sei que ele pode fazer pela R&R o que disse e agora ele pretende que eu faça o que ele quer. Nem preciso abrir um livro para saber que ele pode, qualquer idiota sabe que o CEO da Holding SC pode fazer o que quiser. Esse homem não é muito visível, mas é óbvio que é implacável ou não estaria nessa posição.

"Joe, mudei de ideia, quero ver o Connor", digo sem respirar.

Olho para Joe e sinto pena.

Na minha cartilha negócios são negócios e vida pessoal é à parte. Não sou uma prostituta que vou pagar com o corpo pela minha empresa, mesmo que seja o legado do meu pai.

Esse homem presunçoso pelo visto não vai me deixar ir, então...situações extremas exigem medidas extremas.

Joe liga para ele e parece espantado em me avisar que posso entrar de novo no escritório.

"Connor, eu estive pensando... porque você me escolheu para essa tarefa?", pergunto com curiosidade genuína, mas forçando uma intimidade, o que ele não gosta certo?

Me posiciono ao lado de sua cadeira de trabalho.

Ele me olha desconfiado.

"Qual a relevância disso?", devolve.

"Existe um motivo, não é? Estamos pondo às claras, então me responda o porquê", claro que insisto.

"Não há um motivo específico. Ambos podemos nos ajudar", ele diz sem mover um músculo e volta seus olhos para os papéis, a caneta funcionando ao assinar os documentos.

Eu acreditei nele. Um homem como ele não ia querer uma mulherzinha chorona incomodando.

"Há! Espere e veja Connor Schieffer", pensei.

Na contramão dessa realidade, me aproximei e sentei no colo dele, pondo meus braços ao redor de seu pescoço, meu nariz quase grudando no dele.

Fiz o meu melhor olhar de cachorrinho, inclinei a cabeça e lancei a frase de efeito: "Então, quando se apaixonou por mim Connor?"

Suspirei em expectativa. "Poderia receber o Oscar agora mesmo", pensei comigo.

Vejo a surpresa estampada por todo o rosto dele, até a máscara fria caiu por um momento.

Escuto atrás de mim a porta abrir e uma voz de mulher: "Filho, posso entrar?"

Sinto braços fortes que me apertaram inesperadamente com força e lábios sobre os meus, a língua se forçando dentro da minha boca, a mão na minha nuca impede a fuga. Quero resistir, mas a força dele supera muito a minha. Penso por um momento e vejo que não tenho saída. Vou permitir e ser pegajosa até ele implorar ajoelhado para se livrar de mim.

O beijo se aprofundou até que ofeguei por ar, enquanto a mulher nas minhas costas pedia desculpas embaraçada pelo flagrante involuntário.

Connor me beijou na testa e se levantou, me levando com ele.

Pegou minha mão e me levou à frente da mulher recém-chegada.

Admito que fiquei com vergonha, mas a esta altura todas as coisas loucas do mundo estavam acontecendo comigo!

"Mãe, esta é Karen Reinmann, minha esposa", ele disse sem nem tremer.

"Que mentiroso miserável!", pensei e olhei para ele inconscientemente.

Imediatamente olhei para o chão, para ter tempo de respirar e me recompor. A mulher à minha frente é ou será minha sogra? "Droga, droga, droga, mil vezes droga!", urrei por dentro. As coisas agora se complicaram muito. "Inacreditável, em um dia fui sequestrada e agora sou nora e esposa? Pare o mundo, eu quero descer! Por favor? Hã? Alguém?", estou petrificada.

Me recomponho o melhor que é possível nesse momento e olho para a mulher à minha frente.

Ela tem alguns traços do Connor, lembram levemente as feições dele, parece jovem, somente algumas pequenas rugas ao redor dos olhos denunciando a maturidade.

"Joan, não a Crawford", ela ri.

Entendo a piada e o bom humor dela ao lembrar vagamente que há uma atriz antiga com esse nome. Ao que parece ela é bem-humorada e é fácil lidar com ela, mas todo baú tem bagagem não é? Veremos.

Sorrio e estendo a mão: "Prazer em conhecê-la Sra. Schieffer", digo educadamente.

Ela sorri amplamente e replica: "O prazer é meu Sra. Schieffer".

Meu sangue gela ao mesmo tempo que o sorriso no meu rosto. Ela fez piada, mas não sabe o tamanho da piada.

"Vou sair agora e não atrapalhar mais, quero um neto o mais breve possível. Trabalhem crianças e foco na criança!!!", ela pisca um olho e ri com seu próprio trocadilho e sai feliz como o cachorro que roubou o peru da ceia de Natal.

Me digo e repito para respirar. "Respire. Respire. Karen, você é uma mulher forte você é poderosa, você consegue, você sai dessa, está tudo bem. Tudo bem, garota, tudo bem...", me sentei no sofá sorrindo para melhorar e ficar bem e estou no meio da minha auto sessão psicanalítica interna para poder me recompor, quando o sofá afundou ao meu lado.

"Então você gosta de mim?", Connor levantando uma sobrancelha me encara.

"Hã?", foi o que saiu da minha garganta, o cérebro fugiu faz um tempo, horrorizado coitado...

Encarando o olhar dele e a atmosfera ambígua, levei meu tempo para responder, olhando para ele e pensando nas palavras que ele disse. "O que ele disse?", vasculho o cérebro.

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