Maria Julia tinha um enorme sorriso ao entrar com seu crachá naquele prédio espelhado, em seu primeiro dia de estágio. Deu bom dia a todos, da faxineira a recepcionista e se encaminhou para o elevador, apertando o botão do último andar, onde ficava a presidência.
Nem conseguia acreditar que tinha conseguido a tão sonhada bolsa de estágio remunerado oferecida há um ano para estudantes mulheres da universidade que ela quase teve que trancar. Ela era a terceira participante do projeto de engajamento feminino no quadro de programadores da Psy Corp. O projeto dos sonhos de todo estudante de programação, não só pela remuneração e benefícios, que eram os maiores do mercado, mas pela oportunidade de passar 6 meses sendo treinada pelos melhores da área. Todos tinham o sonho de fazer parte do quadro, mas poucos eram escolhidos. E para o projeto de engajamento então, era apenas uma estudante do quinto semestre.
Quando ela voltou para a universidade, depois do acidente que lhe tirou seus pais, estava no terceiro semestre e se lembra bem do grande rebuliço que foi quando o projeto foi anunciado. A universidade disse que não tinha poder de decisão e nem sabia os critérios que o CEO da Psy usava para escolher a estudante, mas que era um grande orgulho a nossa instituição ter sido escolhida.
Maria julia achou melhor se alinhar e parar de pensar nisso. Entrou com seu sorriso na recepção quando desceu do elevador e se apresentou, sendo encaminhada para uma secretária grávida que se apresentou como Patrícia.
- Muito prazer, Maria Julia . Sinto muito, mas o senhor Jhonny tirou alguns dias de licença e não pode acompanhar seu início. Hoje vou te apresentar a empresa, nossos colegas e depois do almoço você vai ficar na sala dele, onde a Sra Sheila está o substituindo.
Maria Julia gostou muito da boa energia de Patrícia. Conseguia acompanhá-la por todas as salas e como tinha boa memória, também conseguia se lembrar de nome e função das pessoas que ela lhe apresentou, mas não conseguia acompanhar as fofocas que ela fazia, principalmente na hora do almoço em que as duas ficaram sozinhas.
Quando estavam no elevador voltando para Maria júlia ser apresentada a Sheila, madrasta de Jhonny que estava cobrindo sua licença na administração da empresa e sua filha Eleanor, Patrícia ficou estranhamente em silêncio, o que Maria júlia aproveitou para organizar todas as informações que recebeu dela em sua mente.
Jhonny era o CEO, filho do fundador Paulo Gustavo. Ele voltou da França há dois anos, quando o pai faleceu, onde ele viveu por 10 anos. Ele era noivo, e a moça ficou resolvendo as coisas por lá antes de vir para o Brasil para se casarem. Quando ele chegou, era um rapaz alegre, sorridente, sempre tratava todo mundo bem e exigiu que se caísse por terra o tratamento formal entre os colaboradores, por isso todos se chamavam pelos primeiros nomes.
Sheila o ajudava a comandar a empresa, era inteligente e muito humana também e eles sempre se davam muito bem, mas junto com ele veio a filha dela, Eleanor, que era uma patricinha mimada que não entendia nada, mas tinha um cargo importante. Ela cercava Jhonny e no início dizia que iria se casar com ele, mas a noiva chegou, ele se casou meio que escondido e ninguém foi convidado.
Ele saiu do escritório para uma reunião, tirou uma licença de um mês e voltou com uma aliança no dedo, já não era mais o mesmo rapaz bem humorado. Tiveram tempos difíceis, ele passou a ser exigente demais, rígido demais e ninguém conhecia a esposa. Ela nunca foi ao escritório, Patrícia nunca atendeu uma ligação dela, entre os gastos nunca pagou uma fatura sequer da esposa.
Ele tinha um melhor amigo como assessor, mas depois que ele voltou da lua de mel, o amigo foi pra França e se enrabichou por alguma francesa, se casou e não voltou mais. Os colaboradores tinham muitas teorias para justificar a mudança de temperamento de Jhonny , mas a que mais tinha força era de que Jhonny era gay e teve o coração partido pelo "amigo" se casar.
A porta do elevador abriu e Maria Júlia se obrigou a voltar os pensamentos para sua função. A vida pessoal de seu novo chefe não lhe dizia respeito, mesmo porque tinha uma vida bem bagunçada para ficar cuidando da vida dos outros. Se lembrou de nunca fazer qualquer comentário sobre ela na empresa, pois percebeu que tudo virava fofoca ali.
Foi encaminhada para a sala da diretoria, avisada que ali seria onde ela iria trabalhar. E apresentada para uma senhora de uns 40 anos, loira natural, bem cuidada, bem vestida e sorridente.
- Olá. Sou Sheila, presidente interina. Você vai conviver pouco comigo, pois trabalho de casa e quem comanda isso aqui é meu enteado Jhonny . Mas você vai adorar tudo o que vai aprender aqui, e deu muita sorte de ser a escolhida do projeto para ser treinada por ele. Não é querendo me gabar, mas meu filho é o melhor na área. - Sheila sorriu para Maria julia que já gostou dela.
O resto da tarde passou voando. Sheila era prática mas gentil, designou uma mesa para Maria julia com três computadores e disse que ali ela iria trabalhar. Explicou a rotina que se seguiria pelos próximos 6 meses, com ela fazendo tarefas que Jhonny prepararia para ela no intuito de moldar o conhecimento. E que em dias alternados, teria a tutoria de outros programadores.
Ao fim do expediente, Maria julia recolheu suas coisas e foi direto pra faculdade, feliz. Sabia que teria um monte de gente querendo saber como foi e que ela desse dicas do que aprendeu, estava preparada para a palestra que teria que dar uma vez por mês para os colegas, era um pedido dos professores a estagiária dividir o conhecimento e ela não cabia de prazer em fazer isso.
Vinha de família de programadores, por isso a escolha. Mentalmente, corrigiu Sheila. Seu pai era o melhor nessa área! E antes de começar a palestrar, se prometeu mais uma vez que iria tomar a empresa dos seus pais de volta!
Maria Julia passou toda a semana sem conhecer o novo chefe. Jhonny ainda não tinha voltado. Sheila disse que ele faz essas saídas a cada dois ou três meses, pra passar mais do que um final de semana com a esposa, que mora em um condomínio de luxo em Mairiporã. Embora a licença dele se estendeu mais do que o costume, pois ele sempre volta pra fechar a semana do escritório.
No seu segundo dia, conheceu Eleanor, que não disfarçou seu descontentamento em ter uma moça nova e bonita trabalhando na mesma sala que Jhonny. Sua mãe a repreendeu e disse pra ela não se esquecer que Jhonny era um homem casado.
Patrícia depois lhe contou que ela nunca aparecia no escritório enquanto o senhor Paulo Gustavo era vivo, mas depois se aboletou lá e vivia grudada em Jhonny. Todos acreditavam que a noiva nunca viria da França e eles acabariam por se casar mesmo. Maria Júlia não gostava de fazer perguntas e se envolver nas fofocas da secretária, mas não conseguiu evitar de perguntar se eles não eram irmãos.
- Não. Dona Sheila engravidou muito nova e o pai da Eleanor a abandonou. Ela era a secretária do senhor Paulo, que era um homem muito bom e a ajudou. Ele criava Jhonny sozinho e os dois acabaram se envolvendo e se casaram. Quando isso aconteceu, Jhony tinha 12 anos e Eleanor 10. Foram criados juntos, praticamente, mas não são irmãos. Quando Jhonny terminou o ensino médio, foi fazer faculdade na França e um estágio na filial francesa Global. Lá ele conheceu a noiva que não sabemos nem o nome e fixou residência. Mas o Sr Paulo teve Covid na primeira leva e ele teve que voltar. Quando reabriram as fronteiras, a noiva dele veio e eles se casaram numa cerimônia muito simples para evitar aglomerações e não fizeram nenhuma comemoração.
Quando chegou em sua cobertura depois da faculdade na sexta-feira, Maria Júlia não conseguiu deixar de pensar nessa história, e em como o seu casamento aconteceu do mesmo jeito.
Se obrigou a tentar se lembrar de tudo o que aconteceu nos últimos dois anos em sua vida...
Ela era filha única. Viviam em Mairiporã, interior de São Paulo, e tinham uma vida confortável. O pai era dono de uma empresa de programação e um homem extremamente inteligente. Dona Lúcia e Sr Geraldo se conheceram na faculdade, e o pai então desistiu da vida desregrada que vivia. Ele e seu melhor amigo Thomas eram hackers e tinham o costume de fazer algumas coisas ilegais. Geraldo conheceu Lúcia e resolveu se afastar disso, dar sequência na faculdade e montar sua própria empresa de software e convidou Thomas para fazer parte.
Thomas achava que trabalhar e pagar impostos era uma grande besteira. Como resultado, foi preso quando Maria Júlia tinha 5 anos e Geraldo deu assistência para ele nos 6 anos que cumpriu. E quando saiu, lhe deu um emprego de confiança na empresa. Maju se lembrava do tio Thomas por toda a sua vida. Quando entrou no ensino médio, teve sua fase de rebeldia. Vivia de baladas, bebia. Estava deixando os pais de cabelo em pé, e tio Thomas até ajudou algumas vezes com isso. A buscou, a socorreu e era até um bom amigo. Lhe ensinou a pilotar e dirigir com 16 anos.
Quando estava terminando o ensino médio, decidiu fazer faculdade na capital e os pais lhe compraram aquela cobertura. Até passaram as festas de final de ano com ela na capital , mobiliaram o apartamento e seu pai lhe deu um carro de presente de Natal, mesmo que ela só poderia começar a se habilitar dez dias depois, quando faria 18 anos.
Mal começou a universidade e a pandemia começou. Como teria que fazer a distância, voltou para casa e fizeram isolamento social juntos.
Depois de um ano, começou semipresencial, então voltou pra capital. Na mesma semana que voltou, os pais fizeram uma chamada de vídeo contando a novidade.
Durante o Lockdown, ele teve tempo de trabalhar em um grande projeto. Desenvolveu o software da vida dele, e iria vender para uma empresa poderosa. Mas não quis dar detalhes até que tudo estivesse resolvido. Eles estavam tão felizes! Se fechassem o contrato como esperavam, deixariam de ser uma microempresa para serem tops e estava até cogitando se mudar para a capital para gerenciar tudo o que estava por vir.
Não que eles não tivessem dinheiro. Sempre tiveram uma vida muito confortável e a empresa saiu muito melhor do que eles esperavam. Mas a mãe dizia que ela seria grande, muito grande, e uma empresa familiar de pequeno porte não comportaria o tamanho que ela teria.
Maju achava os pais dois fofos. Se amavam tanto, contaram para ela as coisas ilegais que o pai fazia, para lhe mostrar que não precisaria fazer nada parecido. Lhe deram boa educação, foram descolados, foram amigos e estavam sempre lá pra ela. Ela nunca se envolveu com ninguém, justamente porque esperava uma relação igual a dos pais. De parceria e cumplicidade e muito, muito amor. Então ela às vezes dava uns beijos, mas nunca se envolvia com ninguém. Não via sentido em namorar se fosse pra ter menos do que os pais tinham.
Pela criação que teve, tinha total devoção a eles. Por isso estava torcendo muito pelo negócio do pai. Se desse certo e ele viesse pra capital, poderiam viver juntos de novo. Marcou um final de semana com alguns colegas de faculdade no clube, mas na sexta feira recebeu a visita surpresa deles.
Contaram que teriam uma reunião na segunda, na hora do almoço com o chefão da empresa que não quiseram lhe contar o nome e resolveram passar o final de semana com ela e não permitiram que ela cancelasse o final de semana com os amigos.
- Tem certeza, mãe? Eu só consigo voltar na segunda de manhã...
- Vai, filha, você tem todo o direito de se divertir. Vou ajudar você a arrumar a mochila. Coloque aquele seu biquíni pink maravilhoso que deixa seu corpinho magnífico.
E ela foi! Despreocupada e feliz, gastando o dinheiro deles, sabendo que quando voltasse sua mãe teria congelado várias refeições pra ela e ajeitado mais um monte de coisas em seu apartamento.
Curtiu mais uma manhã de sol com sua amiga Laila e entregaram o chalé ao meio dia, pararam pra almoçar e depois seguiram de volta pra casa. Eram as únicas duas que não trabalhavam, por isso se deram a esse luxo.
Quando iam começar a dirigir de volta, resolveu ligar pra mãe pra avisar, depois de duas tentativas sem sucesso, achou que a mãe ainda estava na reunião importante deles e desistiu.
Estava dirigindo há uns 15 minutos quando seu telefone tocou, Laila viu que era "mamãe", baixou o som e atendeu, toda sorridente. De repente, fechou a cara, desligou o celular e mandou ela encostar.
Maria Júlia não entendeu, mas quando encostou, perguntou o que estava acontecendo.
- Desce. Eu vou pro piloto. - Laila já foi tirando o cinto e descendo. Maria julia tirou o cinto e quando abriu sua porta, só perguntou:
- Eles estão vivos?
- Não sei. Disse apenas que houveram quatro vítimas no local e todas foram encaminhadas para o hospital.
Laila dirigiu enlouquecida, devem ter conseguido pelo menos umas duas multas de trânsito. Mas quando chegaram, receberam a notícia de que o acidente foi grave demais. Seus pais morreram no local, tinha uma moça jovem em coma e o outro motorista estava com escoriações.
E Maria Júlia foi obrigada a crescer, de uma hora pra outra, sem nada.
Jhonny olhava sua linda Juliete em uma clínica em estado vegetativo. Os médicos diziam pra ele não vir mais, mas todos os finais de semana dirigia até Mairiporã e passava com ela.
A cada dois ou três meses, tirava ela da clínica e a levava pra casa que ele comprou pra ela. A casa era toda adaptada com rampa de acesso para a maca, ele dispensava as enfermeiras que a acompanhavam na clínica. Pagava 4 só para acompanhá-la, para ela não se sentir sozinha.
Estava levando ela de volta naquele domingo. Depois de ajeitá-la, aguardava a acompanhante chegar pra ele poder voltar para casa, se lembrando de como foi essa semana com ela.
Ele tinha perdido o controle e gritado com ela, bêbado, enquanto se lembrava de como chegaram àquela situação. Normalmente, ele era calmo, lhe dizia coisas boas, mostrava fotos que a família dela mandava da França. A casa era calma, aconchegante, e ele tinha muitas esperanças de ela sair daquela situação.
Os médicos diziam que ela tinha menos de dez por cento de condições de voltar a ter atividade cerebral, e ele confiava nessa porcentagem. Precisava dela. Precisava se redimir do que fez com ela e com aquela família.
Se lembrou de quando a conheceu, como foi simples começarem a namorar e fazer planos.
Ele tinha ido para França fazer faculdade, fugindo do que aconteceu em casa. Sua mãe era uma mulher doce e gentil, mas teve câncer quando ele tinha 6 anos e perdeu a batalha antes de ele completar 8. O pai, sempre muito rígido, sofreu demais a perda, mas não perdeu a mão com sua educação. O luto durou bastante tempo, até que ele resolveu se juntar com Sheila. Devagar, introduziu mãe e filha na família, até que decidiram se casar quando Jhonny tinha 12 anos.
Ele gostou muito da idéia. Uma nova mãe e uma irmã, e Sheila sempre o tratou com muito carinho e cuidado. Mas Eleanor era mais complicado. Teve crises, era mimada, tinha o temperamento forte. Os próximos 4 anos do casamento dos pais foi de luta constante para a menina se adequar.
Jhonny tentava de todas as maneiras contornar a situação, mas Eleanor era complicada. Ruim até. Tratava mal os empregados, era cheia de vontades, fazia birra.
Com 14 anos, decidiu que estava apaixonada por Jhonny e que iriam se casar e ela seria a senhora daquela casa quando Paulo Gustavo morresse. Ela simplesmente planejou que a mãe seria o fardo que ela carregaria, e deixaria de ser a senhora da casa e da empresa. Jhonny teve toda paciência do mundo com isso, mas disse a ela que não tinha a menor pretensão de se casar com 16 anos e ela era sua irmã, não sua namorada.
Durante todo o ano seguinte, surpreendentemente, Eleanor parou de fazer investidas. Começou a agir com ele como irmã, estudava com ele, pedia até conselhos sobre meninos e pesquisava as melhores universidades. Ele se afeiçoou muito à nova personalidade dela e até começou a levar ela em alguns rolês, com os amigos dele e os dela.
Quando chegou sua formatura, ainda não tinha decidido qual universidade se matricular, mas não estava encanado, o pai o ajudaria depois. Eleanor foi sua acompanhante de formatura e estava linda. Na volta, foi até o quarto dele para ajudá-la com o vestido e uma garrafa de champanhe.
- Eu sei que seu pai e minha mãe não me deixam beber, então pensei que você me ajudaria a brindar sua formatura com meia tacinha...
- Não conto nada se você não contar...
Jhonny abriu a champanhe e ela tomou das mãos dele e pediu para abrir os botões do vestido atrás. Depois que ele abriu, ela serviu duas taças do líquido. E ele não lembra de mais nada até o dia de hoje.
Apenas de acordar com Eleanor nua em seus braços em sua cama. Sheila entrou enquanto ele ainda olhava pra ela, confuso.
Foi um fuzuê na casa, seu pai pela primeira vez deu-lhe um tapa no rosto. Sheila não estava realmente chateada com ele, mas os três juntos decidiram que seria melhor ele se afastar por um tempo, para tudo não virar um escândalo e eles dois ter que se casar aos 17 e 15 anos.
Então o pai buscou alguns de seus contatos no exterior e conseguiu vaga em universidade e estágio na França. Eleanor ficou desesperada e ameaçou se matar se ele saísse do país, o pai se trancou com ela por horas no escritório. Depois que saíram, ela estava calma e até feliz e deixou ele ir.
Ele foi pra França com bastante mágoa, mas dois meses depois já estava achando que tinha feito a melhor coisa da vida dele. Adorava seus novos amigos, a universidade. Ali ele não era o filho de um homem poderoso, era só ele. Um menino de quase 18 descobrindo a vida. Estava apaixonado por essa vida nova quando Sheila e o pai vieram lhe visitar.
Sheila contou que marcou consulta para a filha no ginecologista, para saber se o estrago não era ainda maior do que eles esperavam. Ela conseguiu adiar o quanto pôde, mas na semana passada, enfim, descobriram que realmente Jhonny não fez nada com ela, que ainda era virgem. Então ele poderia voltar pra casa, pra sua família.
- Vocês estão loucos? Primeiro, já comecei a universidade e estou gostando daqui. Não tenho mais mágoas de você, papai, por ter me tirado de casa e não ter acreditado em mim. Gosto daqui, gosto dos meus amigos e do meu trabalho. E segundo, não vou voltar para aquela pirralha armar de novo contra mim.
- Eu entendo, filho. Mas temos um problema. Quando convenci Eleanor te deixar partir pra evitar o escândalo, foi com a promessa de que você viria, se formaria e voltaria para assumir sua responsabilidade.
- Como não tem nada pra assumir, você não está voltando atrás em sua palavra.
- Sim, mas Eleanor é muito esperta e me pediu garantias. Então redigi um novo testamento. E ele diz que se você não for casado um ano depois de minha morte, ela assume todo meu patrimônio.
- Com ela? Você disse que eu me casaria com ela?
- Não sou tão idiota, e ela não percebeu o termo, ou ficou emocionada demais que o plano dela deu certo que não notou esse detalhe. Apenas disse que você tem que ser casado.
- Então deixa como está, papai. E se cuida até pelo menos eu me casar.
- Eu preferia que o testamento fosse mudado novamente. Ela teve a mente capciosa para planejar o golpe, e para segurar de descobrirmos a verdade até que o novo testamento fosse registrado - Sheila disse, evidentemente muito nervosa.
- Relaxe, mamãe. Eu não vou me casar com ela, nunca. E também não vou me importar de dividir meu patrimônio com ela depois que o papai ir pra terra dos pés juntos.
E assim o tempo passou, Jhonny estava quase formado quando conheceu a garçonete que mudou sua vida. Juliete era linda, pequenininha, loira, olhos azuis, um espetáculo de mulher. Rapidamente começaram a namorar, ele se formou e arrumou uma vaga pra ela na empresa, onde foi efetivado. Nunca teve oportunidade de trazê-la em nenhuma das visitas ao Brasil, mas os pais falavam com ela ao telefone e por chamadas de vídeo.
Seu melhor amigo, Alain, o ajudava em tudo e conseguiu um imóvel para ele comprar. Juliete se apaixonou pela arquitetura do lugar e projetou a reforma. Ele pagava a universidade dela. Quando terminou a reforma, ele a pediu em casamento e a levou para morar com ele, mas ela só aceitava se ele esperasse ela terminar a faculdade, ainda faltavam 3 anos. Ele estava com 26, achava que seria bom aguardar. Era um acordo perfeito. Mas no ano seguinte, seu pai pegou a maldita doença e ele viajou pro Brasil para acompanhar. Depois que o pai morreu, as fronteiras já estavam fechadas. Ele ficou longe de sua amada, fazendo Lockdown com Sheila e Eleanor e cumprindo o luto, enquanto Juliete fazia Lockdown sozinha naquela casa enorme que eles projetaram para ter três filhos.