Viena, a cidade das valsas e das fachadas imperiais, é muito mais do que um pano de fundo para essa história. É um lugar onde segredos são sussurrados entre os corredores dos museus, onde as sombras da história parecem sempre à espreita e onde relações inesperadas encontram espaço para crescer. É uma cidade que inspira paixão, arte e, por vezes, decisões que desafiam o destino. Para Ava Radcliffe e Ravi Lockwood, melhores amigos e ex-cunhados, Viena agora serve como palco de um acordo que mudará o curso de suas vidas para sempre.
Ava sempre foi uma mulher prática. Guiada pela paixão pela arte e pelo senso de responsabilidade com sua avó, ela aprendeu desde cedo que os sonhos exigem sacrifícios. Determinada a construir sua carreira como restauradora, Ava encontrou no Museu de Arte Lockwood o cenário perfeito para transformar seus objetivos em realidade. Ravi, por outro lado, carrega o peso de seu sobrenome como uma armadura. Filho de uma das famílias mais influentes do meio artístico, ele cresceu cercado de expectativas que não apenas moldaram sua vida, mas também limitaram sua liberdade de escolha. Apesar de suas diferenças, os dois construíram uma amizade sólida, baseada em confiança, apoio mútuo e no tipo de compreensão que só quem viveu desafios semelhantes pode oferecer.
Mas o destino é imprevisível, e às vezes as circunstâncias forçam decisões que parecem impensáveis. Unidos por um contrato de casamento, Ava e Ravi embarcam em uma jornada de dois anos que exige muito mais do que compromisso público. Para Ava, o acordo representa uma maneira de recompensar seu amigo por sempre estar ao seu lado. Para Ravi, é a solução para consolidar sua posição no controle do museu de sua família. Contudo, o que começa como um simples "ato de amizade" para resolver problemas externos logo se revela muito mais complicado.
Durante esse período, Ava e Ravi se veem obrigados a confrontar não apenas as pressões externas de um mundo que observa cada um de seus passos, mas também as questões não resolvidas que guardam em seus corações. Enquanto os dias passam, os pequenos gestos de carinho, os olhares trocados e a proximidade inevitável começam a borrar as linhas entre amizade e algo mais profundo. Em cada momento juntos, reforçam o vínculo que sempre compartilharam, mas também despertam sentimentos que ambos tentaram ignorar por muito tempo.
A sociedade vienense, fascinada e cética em igual medida, observa de perto o relacionamento entre Ava e Ravi. Para muitos, o casamento é visto como uma aliança estratégica, um movimento calculado por parte de Ravi para proteger seu legado. Para Ava, isso significa viver sob os holofotes e enfrentar questionamentos que nunca imaginou ter que responder. Mas o que ninguém sabe - talvez nem mesmo eles - é até que ponto esse contrato pode mudar suas vidas.
Enquanto lidam com as cláusulas rigorosas do acordo, Ava e Ravi descobrem que manter as aparências não é a parte mais difícil. O verdadeiro desafio está em navegar pelas emoções inesperadas que surgem no processo. Será que as decisões que tomam são apenas pelo bem do contrato, ou existe algo muito mais pessoal por trás de cada escolha?
Nesta história de amor, perdão e segundas chances, Ava e Ravi aprendem que, às vezes, o amor floresce nos lugares mais improváveis. Os laços de amizade que os uniram ao longo dos anos podem ser a base de algo ainda maior. No entanto, em um cenário onde o passado nunca está realmente enterrado e o futuro permanece incerto, será que terão a coragem necessária para redefinir os próprios destinos?
Viena, com suas ruas iluminadas e seus jardins secretos, observa silenciosamente enquanto esses dois amigos enfrentam as complexidades do coração.
Bem-vindo(a) a uma jornada onde as convenções são desafiadas, e as emoções frequentemente falam mais alto do que os contratos. No fim, o que Ava e Ravi farão a seguir está apenas em suas mãos.
O sol da manhã de outono, mesmo escondido pelas nuvens, espreita pelas janelas da encantadora casa de campo em Hallstatt, pintando o quarto com tons suaves e dourados. O dia tão esperado finalmente chegou: a entrevista no Museu de Arte Lockwood, em Viena. Minhas mãos tremem de nervosismo. Sento-me enquanto observo as roupas cuidadosamente escolhidas espalhadas na cama, mas continuo em dúvida sobre qual vestir. Passei dias planejando cada detalhe, e agora é o momento de me preparar para enfrentar a jornada até a cidade grande.
Esta é uma oportunidade que não posso deixar escapar, e estou determinada a causar uma boa impressão.
Levanto-me da cama e caminho até o banheiro, onde um banho relaxante me aguarda. Tiro meu pijama - brega para alguns - preto com bolinhas rosa-choque, e o jogo no cesto de roupa suja. Adentrando o box, abro o registro e a água quente começa a escorrer pelo meu corpo, levando embora a tensão acumulada. Desde que me candidatei, venho estudando e revisando tudo que aprendi na faculdade, assim como nos cursos que fiz. Sei que preciso estar confiante para a entrevista, e a sensação de frescor após o banho me ajuda a acalmar os nervos.
Após sair do chuveiro, envolvo-me em uma toalha macia e atravesso o quarto, mas, ao olhar para a cama, percebo que nenhuma das opções me agrada. Vou até o meu guarda-roupa, abro-o, e meus olhos são imediatamente atraídos por ele: um elegante vestido azul-marinho que se ajusta perfeitamente ao meu corpo. Comprei-o especialmente para uma ocasião importante, e acredito que seja a escolha certa para este momento. Ao usá-lo, transmitirei profissionalismo e confiança.
Com cuidado, visto o vestido, sentindo-o se moldar a cada curva. Em seguida, passo algum tempo admirando minha imagem no espelho. Meus cabelos castanhos-avermelhados e encaracolados caem em cascata sobre os ombros; decido deixá-los soltos, apenas lhes dando um toque de definição com um pouco de spray. Faço uma maquiagem leve e natural, realçando meus traços sem parecer exagerada. Pego meu casaco e minha bolsa, onde já havia colocado uma cópia do meu currículo e algumas anotações importantes na noite anterior. Abro a porta do quarto, mas, antes de sair, meu olhar se volta para a paisagem deslumbrante que se estende além das janelas. Hallstatt, a pitoresca cidade às margens do lago, sempre será meu refúgio e minha fonte de inspiração. Sei que meu lar estará sempre aqui, mas, agora, preciso seguir em frente.
O relógio no criado-mudo anuncia que é hora de sair. Ajusto o vestido, verifico se tudo está nos devidos lugares e sigo para as escadas, passando pela sala de estar até a sala de jantar. Lá, um café da manhã simples já está preparado, mas meus nervos me fazem perceber que não estou com fome.
- Bom dia, minha princesa. - Vovó diz, entrando com um bolo nas mãos.
Olho para ela, sorrindo. Vou até ela e lhe dou um beijo. Desde pequena, quando me sentia triste, corria para os braços da vovó. Seu colo sempre me acalmava como ninguém.
- Bom dia, vovó.
- Sente-se para tomar um café reforçado antes de ir.
- Não estou com fome, vovó.
- Deixe disso, sente-se para comer. A viagem é longa.
- Tudo bem - digo, tirando minha bolsa do ombro e colocando-a em uma cadeira ao meu lado, juntamente com meu casaco.
Vovó coloca um pedaço de bolo no prato à minha frente. Pego um pedaço e começo a comer.
- Uau! - exclamo, tapando a boca. Ela me olha e sorri. - Está uma delícia, vovó - falo após mastigar.
- Fiz especialmente para você. - Sorrio, voltando a comer.
- E então, como será quando você chegar lá?
- Irei fazer a entrevista e, se tudo der certo, irei morar com a Leila.
- A filha da Melinda Mitchell?
- Sim, ela trabalha no museu e me ajudou bastante. A Leila disse que falou de mim para o dono do museu, sendo ele mesmo quem me chamou para a entrevista.
- Ela disse isso?
- Sim, mas é claro que também enviei vários currículos.
- Olha, você sabe que não gosto daquela gente. Essa menina não é de ajudar os outros. Sabemos que aquela família só faz algo querendo algo em troca, além de que ela gosta de sempre ficar com as suas coisas.
Flashback on.
O despertador toca, anunciando o dia tão aguardado. Mal posso acreditar que finalmente chegou a hora de pagar o curso pré-vestibular. Abro a gaveta onde guardava o dinheiro, fruto de minhas economias e da ajuda da vovó. Está tudo lá, contado e organizado.
- Hoje é o dia. Vou garantir minha vaga no cursinho - digo, sorrindo, e começo a tossir.
Respiro profundamente; já estou assim há alguns dias. Uma febre teimosa e persistente me abraça. Desço as escadas e vovó se aproxima, colocando a mão em minha testa.
- Que isso, menina, você está queimando! Vá tomar um banho e cama! Vou fazer algo quente para você tomar - diz, se virando.
- Vovó, hoje é o dia do pagamento do meu cursinho, eu preciso ir - falo e começo a tossir, me jogando no sofá.
- Não vai a lugar algum, princesa!
Ela insiste que eu fique em casa e cuide de mim mesma. Reluto, mas ela consegue me convencer.
- Vovó, por favor, cuide do dinheiro. Vou pedir à Leila para levar até o professor do cursinho. Não posso perder a inscrição. - Minha avó concorda, e me levanto, indo até o telefone para falar com minha amiga.
Assim que falei com Leila, ela se prontificou a me ajudar. Confio nela, afinal, somos amigas desde a infância.
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- Relaxa, amiga. Entrego isso lá e volto rapidinho. Você vai ficar bem - diz ela.
- Obrigada, Lê, não sei o que seria de mim sem você - falo, e ela sorri, se virando e indo em direção ao portão.
Entro e me jogo no sofá, me encolhendo enquanto ligo a televisão.
Dias depois...
Minha avó foi abordada pelo professor, cobrando o pagamento que, segundo ele, não foi realizado.
- Vovó, eu pedi para a Leila entregar. O dinheiro estava com ela! - falo, confusa.
Minha avó tenta me explicar, mas eu não entendo. Leila sempre foi confiável, pelo menos até agora. Vou até o telefone e ligo para Leila, que atende no quarto toque.
- Leila, o professor está cobrando a vovó. O que aconteceu? - pergunto, e a resposta não vem.
- Ava, eu... perdi o dinheiro.
- O quê? - incrédula, questiono, não acreditando no que estou ouvindo. - Como assim perdeu? Isso não é possível!
Leila tenta justificar, explicando que ficou com medo de contar, mas suas palavras não amenizam o impacto da revelação.
- Você não podia ter simplesmente me contado? Era meu futuro em jogo, Leila! - digo, furiosa.
- Me perdoe, amiga, mas fiquei com muito medo, por isso não contei.
- Leila, isso foi errado! Você me prejudicou! Por que não me contou antes? Teríamos dado um jeito de pagar. E agora? O que vou fazer?
- Eu sei, Ava. Estraguei tudo - fala, chorando ao telefone, e suspiro, desligando.
Minha avó, ao saber da verdade, com uma mistura de indignação e tristeza, me pegou pela mão e fomos para a casa de Leila, que fica a três casas da nossa. O dinheiro perdido não era apenas uma quantia; era meu sonho escorrendo pelos meus dedos.
- Como você pôde fazer isso, Leila? Confiei em você! - digo, triste e me segurando para não chorar. - Você deveria ter contado; iríamos saber de qualquer jeito.
- Se tivesse contado, Leila, eu teria pagado o curso - diz minha avó.
- Foi um erro, Ava e vovó. Eu devia ter contado antes - diz ela, entre soluços, mas suas palavras perdem força.
- Agora não adianta fazer mais nada; só me resta correr atrás do prejuízo. Essas coisas acontecem, até eu mesma poderia ter perdido o dinheiro - falo, suspirando.
- Me desculpa! - ela diz, e a abraço.
- Vamos passar uma borracha nisso e seguir em frente. - Leila sorri, limpando as lágrimas.
Após alguns minutos, eu e vovó voltamos para casa.
- Nada tira da minha cabeça que essa história está mal contada. Tenho certeza de que ela não perdeu dinheiro nenhum e que, por raiva ou inveja de você, ela não pagou o professor. Sabemos que ela queria fazer esse cursinho e, como não conseguiu e você, sim, ela fez isso por maldade.
- Claro que não, vovó! Leila é minha amiga.
- Só se for amiga da onça - fala, assim que entramos em casa, indo para a varanda dos fundos e me deixando sozinha na sala.
Flashback off.
Vovó sempre desconfiou de Leila, desde que sumiu o meu dinheiro quando eu era adolescente. Nunca esquecemos o pequeno prejuízo, mas relevei e entendi que ela poderia ter mesmo perdido o dinheiro e não o roubado, como a vovó pensa.
- Que isso, vovó! Eu e Leila nos conhecemos desde crianças. Planejamos juntas trabalhar no Museu de Artes Lockwood e combinamos que, se uma de nós entrasse primeiro, indicaria a outra - digo, tomando mais um gole do meu café.
- Ah, e já se passaram três anos desde que ela está lá.
- Vovó, ela não poderia me indicar antes. Sabemos que, para isso, ela precisa ter a confiança do chefe.
- Hum, sei! Aquela menina não me engana. Ela só se aproxima de você para te sugar ou, então, para se aproveitar de tudo de bom que acontece com você.
- Credo, vovó! - falo, olhando para o meu relógio. - Preciso ir. Daqui até Viena é um longo caminho. - Limpo minha boca com o guardanapo e me levanto da mesa.
- Menina, você nem comeu direito!
- Estou nervosa, vovó, não consigo. Mas o café estava uma delícia - comento, enquanto corro para o meu quarto para escovar os dentes.
Quando volto para a sala, vovó está tirando a mesa.
- Estou indo, vovó. Deseje-me sorte! - digo, e ela coloca a xícara que estava em sua mão na mesa, se aproxima e me abraça.
- Você não precisa de sorte, meu amor. Já deu tudo certo. Apenas confie em si. - ela diz e se afasta. - Vá com cuidado e que Deus guie seu caminho, protegendo-o.
- Amém e obrigada, vovó. - Beijo seu rosto e sorrio, pegando minha bolsa de cima da cadeira.
Pego as chaves do carro no aparador e abro a porta.
- Obrigada pelo café, vovó! Estava realmente uma delícia. E obrigada por tentar me deixar tranquila.
- Pare de ficar me bajulando e vá logo, menina! Assim, eu vou derreter igual a uma manteiga.
- Não é bajulação, vozinha, a senhora sempre esteve ao meu lado nos momentos difíceis. Sua força me motiva diariamente e me encoraja. - Vovó se aproxima e me abraça carinhosamente mais uma vez.
- Minha princesa, sempre acreditarei em você. Agora vá e brilhe! - ela diz, me afasto sorrindo, mando um beijo para ela e saio.
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O trajeto até Viena é longo, mas valerá a pena se isso significar a oportunidade de trabalhar no Museu de Arte Lockwood. A ideia de poder cuidar das valiosas obras de arte é um sonho que tenho desde a infância. Dirijo pelas estradas sinuosas que levam à cidade, e meu coração bate mais rápido a cada quilômetro que deixo para trás.
Meu celular toca, e atendo pelo painel do carro.
- Oieeee, amiga! Animada para a sua entrevista? - sorrio ao ouvir a voz de Leila.
- Oi, Lê. Sim, e nervosa também.
- Dará tudo certo. Falei muito bem de você para o senhor Dangelo e, principalmente, para o senhor encantador.
- Senhor encantador? - pergunto, sorrindo, enquanto Leila suspira ao telefone.
- Sim, mas aquele homem não olha para uma mera mortal como eu! Queria que ele olhasse, me notasse e me tocasse com aquelas mãos...
- Mulher, que isso! - digo, sorrindo, enquanto ela ri do outro lado.
- Nos falamos depois, preciso voltar a trabalhar.
- Ok, e obrigada mais uma vez.
- De nada, amiga. Até depois - ela diz e desliga.
Então, continuo o meu caminho, respirando fundo, tentando deixar todo o nervosismo de lado.
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A ida até o museu foi marcada por uma mistura de excitação e nervosismo. Enquanto eu andava pelas ruas de Viena em direção ao imponente prédio do Museu de Arte Lockwood, as lembranças das palavras gentis da minha avó traziam uma sensação de tranquilidade. Eu estava pronta para enfrentar a entrevista, vestindo não apenas um vestido que me fazia sentir elegante, mas também uma nova confiança que havia encontrado em mim mesma. Era o início de uma jornada que me levaria a Viena, ao museu com o qual sempre sonhei trabalhar e, quem sabe, a um futuro que sempre desejei.
Ao parar no estacionamento diante do majestoso edifício, sinto minhas mãos tremerem e meu coração acelerar de ansiedade. Pego minha bolsa e meu casaco, desço do carro e o vento frio do outono parece penetrar em minha pele, ecoando o turbilhão de emoções que se agitam dentro de mim. Esse é o momento tão esperado, mas que também desperta todos os meus medos.
Caminho em direção à entrada principal, mas algo em mim grita para que eu não entre da forma como estou. Um impulso incontrolável me faz virar à direita e seguir até o elevador. Entro e aperto o botão do terraço do prédio. As portas se fecham e o elevador sobe. Assim que as portas se abrem, corro pelo corredor e abro a porta, saindo. Coloco minhas mãos nos joelhos e, em seguida, me endireito, ajeitando minha bolsa no ombro. Caminho até o parapeito e observo a cidade inteira lá de cima. Suspiro e fecho os olhos, deixando o vento tentar me acalmar.
- Você está bem? - Abro os olhos e, ao olhar para o lado, uma visão surpreendente me aguarda.
Um homem alto, de cabelos avermelhados, vestindo um elegante terno de três peças na cor preta, que se ajusta perfeitamente ao seu corpo. É possível até notar seus músculos através do tecido. Ele está apoiado contra uma parede, concentrado em algo que segura em suas mãos. Seu olhar se eleva para encontrar os meus, e, por um breve instante, nossos olhares se cruzam. Ele é deslumbrante, deve ter uns dois metros de altura, pele bem clara, com olhos de cores diferentes: um verde e outro azul profundo.
Foi como se o tempo parasse e, em meio à minha ansiedade, encontrei uma estranha calma apenas olhando para aqueles olhos. Parece que ele percebe minha agitação, talvez até a reconheça em si.
- Me perdoe, eu... não deveria estar aqui - digo, ajeitando minha bolsa e me virando para voltar pelo caminho de onde vim.
- Você também está nervosa? - ele diz, com uma voz amistosa e suave, como se pudesse ler meus pensamentos.
- Sim, muito - respondo, me virando para encará-lo, sentindo um sorriso nervoso se formar em meus lábios. - Estou aqui para uma entrevista. - Ele assente compreensivamente.
- Entrevistas podem ser assustadoras. Mas não se preocupe, você vai arrasar.
Suas palavras de encorajamento me atingem como um raio de esperança. Eu não sei quem ele é, mas sua presença me transmite uma sensação de tranquilidade. Ele estende a mão, revelando uma pequena pedra lisa que está segurando.
- Esta é uma pedra de apoio - diz, segurando minha mão e colocando a pedra delicadamente nela. - Sempre que sentir nervosismo, basta segurar isso e lembrar que você é forte o bastante para superar qualquer desafio.
Olho para a pedra, sentindo-me profundamente grata por aquele gesto tão gentil e inesperado.
- Obrigada. - murmuro, tocada por sua generosidade.
- Agora vá lá e mostre a todos o quão incrível você é - diz, soltando minha mão e olhando para o relógio. - Já está quase na hora, e o entrevistador não gosta de atrasos. - Ele sorri, um sorriso que parece transmitir uma promessa de confiança e apoio.
Com a pedra de apoio na mão, sinto uma nova onda de determinação. Parece que o destino colocou aquele homem em meu caminho, para me lembrar de que não estou sozinha. Faço um gesto positivo com a cabeça, agradecendo novamente, e me viro, seguindo em direção à porta que usei para vir ao terraço, com minha coragem renovada.
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A entrevista é desafiadora, mas lembro-me das palavras do homem do terraço e encontro forças para responder a cada pergunta com segurança. A cada resposta, minha voz ressoa com determinação, transmitindo a confiança que eu havia encontrado dentro de mim. Cada pergunta é uma oportunidade para mostrar meu conhecimento e minhas habilidades, e eu abraço o desafio com fervor. A lembrança das palavras encorajadoras do homem gentil ecoa em minha mente, infundindo-me com coragem renovada a cada momento.
O senhor entrevistador... que, de tão nervosa, não me lembro o nome, me pergunta sobre minha experiência com restauração, e eu falo do estágio na Galeria Schmidt no ano passado. Noto que ele assente enquanto falo da minha monografia na faculdade sobre impressionismo.
- Gostei da sua análise sobre a obra. Poderia me falar mais sobre esse período do pintor? - Ele pergunta, apontando para o quadro que está na sala. Sorrio, pois este é um dos meus pintores favoritos.
Endireito-me na cadeira e começo a falar sobre ele. A todo momento, o entrevistador sorri com minhas palavras.
Cito meus conhecimentos em história da arte renascentista, adquiridos em um curso extra na Sorbonne, na Itália, e minha disciplina em projetos complexos, o que parece agradá-lo. Conto também sobre minha facilidade em lidar com prazos apertados no trabalho anterior e, pelo jeito, acho que estou indo muito bem nas minhas respostas.
No término da entrevista, o entrevistador me presenteia com um sorriso genuíno, reconhecendo o esforço que eu havia dedicado. Suas palavras finais foram como uma melodia de esperança, ecoando em meus ouvidos. Ele promete que, em breve, eu receberia notícias sobre o desfecho do processo seletivo.
Meu coração se enche de gratidão e otimismo. Sabia que havia dado o meu melhor e que agora era apenas uma questão de tempo para descobrir o resultado. Saio da sala de entrevista com a cabeça erguida, sabendo que, independentemente do desfecho, eu havia deixado uma impressão positiva.
Sinto um misto de alívio e esperança ao lembrar do sorriso do entrevistador. Já no carro, ligo para vovó e conto, entusiasmada, sobre a entrevista. Agora, só me resta aguardar ansiosamente a resposta sobre a vaga tão sonhada.