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CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE FINAL

CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE FINAL

Autor:: Nykka
Gênero: Bilionários
Ava Lockwood finalmente tem tudo o que sempre sonhou: um amor inabalável, uma família e um futuro promissor. Mas o passado não esquece... e muito menos perdoa. Após desafios que abalaram a confiança e a segurança, Ava e Ravi agora enfrentam as turbulências do amor, da maternidade e da luta pelo controle de suas vidas. Entre o nascimento dos filhos e a direção de um prestigiado museu, Ava descobre novas forças, enquanto Ravi é forçado a enfrentar fantasmas do passado. Uma ameaça silenciosa se aproxima. Segredos começam a emergir, sombras do passado voltam a assombrá-la e, quando menos espera, seu mundo perfeito começa a ruir. Mas o perigo implacável espreita, consumido pela vingança, deixando um rastro de terror. Enquanto isso, antigos segredos vêm à tona e novas alianças são formadas em uma trama cheia de traições, paixões avassaladoras e reviravoltas inesperadas. E alguém, nas sombras, está somente esperando o momento certo para agir. Um julgamento pode trazer justiça ou desencadear algo ainda pior? Pois o jogo ainda não acabou. Será que o amor será suficiente para superar as ameaças sombrias que cercam o casal? Ou o destino ainda guarda surpresas que podem mudar tudo? •••••♥••••• Nota Importante: Este livro não contém cenas explícitas de hot, pois esta autora não escreve erotismo. Se você decidir embarcar nesta história, seja bem-vindo e aproveite a leitura! Aviso: Este livro aborda temas sensíveis e contém gatilhos. Para acompanhar a história, sugiro que leia a parte 1 e 2 deste mesmo livro.

Capítulo 1 1 - Ava Lockwood

Dois meses se passaram desde o dia em que nossa família cresceu de uma maneira que nunca imaginamos. Agora, enquanto observo os pequenos rostos serenos de nossos gêmeos, uma onda de emoção e responsabilidade me envolve. Hoje não é somente mais um dia; é o momento em que assumo oficialmente a direção do Museu de Artes Lockwood, uma honra que carrego com a doçura de uma conquista e a seriedade de um compromisso vitalício.

Foi uma surpresa quando Ravi e meu sogro me contaram que eu ficaria à frente do local que sempre desejei administrar desde criança. Após o parto dos gêmeos, os dias tornaram-se um borrão de fraldas, mamadas e preciosas poucas horas de sono. No entanto, em meio a essa nova rotina caótica, encontrei momentos de clareza e propósito, refletindo sobre como gostaria de contribuir para o legado da família Lockwood. Ravi, sempre meu porto seguro, incentivou-me a dar esse passo, lembrando-me de que a arte, assim como a vida, evolui e se adapta - e que eu estava pronta para fazer parte dessa evolução.

Agora, enquanto me preparo para sair de casa pela primeira vez como diretora do museu, um turbilhão de emoções me domina. Escolho o vestido cuidadosamente separado para a ocasião, deslizo os dedos pela renda delicada e imagino o caminho que estou prestes a trilhar. A sensação é quase surreal, como se eu estivesse me preparando para interpretar um personagem em uma peça cujo final ainda está sendo escrito.

Observo Ravi segurando nossos bebês nos braços e seu sorriso encorajador me enche de confiança.

- Você vai arrasar e será incrível! Né, meus amores? Digam para a mamãe que ela vai arrebentar a boca do balão! - Ele brinca, animado. Sorrio ao ouvir aquilo.

- Vou arrebentar a boca do balão?

- Palavra da vovó Dulce.

- Tinha que ser. - Comento, rindo, enquanto finalizo os últimos detalhes.

Viro-me para olhá-los. Nossa princesa veste um lindo vestidinho branco de renda, e nosso príncipe, um terninho adorável.

- Pronta? - Ravi pergunta, estendendo os braços para mim. Pego nosso pequeno de seu colo e sorrio.

- Com você ao meu lado, sempre! Ele me oferece a mão e, sem hesitar, eu a seguro.

🧡📃💍🧡

Ao chegar ao museu, uma mistura de emoções toma conta de mim - alegria, orgulho e um toque de apreensão. Este lugar, repleto de história e cultura, agora está sob minha responsabilidade. Durante a cerimônia de posse, meu coração transborda gratidão por fazer parte deste legado, ao mesmo tempo, em que me sinto determinada a enfrentar os desafios que virão.

Em meu discurso, compartilho minha visão para o museu, destacando a importância de trazer novas exposições inspiradoras e educativas, além de preservar a arte como um testemunho da humanidade. Na plateia, meus olhos encontram Ravi, que me observa com orgulho. Seu olhar brilhante me fortalece, lembrando-me de que não estou sozinha nesta jornada.

Após a cerimônia, percorro os corredores silenciosos do museu, tomada por um profundo sentimento de reverência. Cada obra de arte conta uma história; cada escultura, cada pintura é uma janela para o passado. Sinto-me conectada com essa herança e determinada a honrá-la, ao mesmo tempo, em que trago novas perspectivas ao Museu de Artes Lockwood.

Assumir a liderança do museu apenas dois meses após o nascimento dos nossos filhos pode parecer um grande desafio, mas encontro forças nessa nova experiência que é a maternidade. Ser mãe me ensinou a importância de preservar e nutrir o futuro, e é exatamente isso que desejo fazer com o museu. Quero transformá-lo em um espaço que inspire as próximas gerações e que seja um testemunho duradouro do poder da arte.

Assim que entro na sala onde meus filhos estão, sou surpreendida por aplausos. Sorrio ao ver todos segurando taças em um brinde. Ravi se aproxima e me entrega uma, seus olhos cheios de carinho.

- Pode beber, amor, não tem álcool.

- Obrigada. - Faço um carinho em seu rosto e volto o olhar para nossos filhos, que dormem tranquilos no bebê conforto. - Darei o meu melhor e sou muito grata, mais uma vez, pela oportunidade que me foi oferecida. Vou me dedicar e trabalhar duro... - Lanço um olhar carinhoso para os pequenos e sorrio. - Quer dizer, dentro do possível. Mas prometo que darei orgulho a vocês, meus sogros, e a você, Vi, por ter acreditado em mim desde o começo. Ele sorri, me dá um selinho e erguemos as taças para brindar.

🧡📃💍🧡

Alguns dias depois...

À medida que o Museu de Artes Lockwood floresce sob minha direção, vejo transformações acontecerem diante dos meus olhos. As exposições ousadas e interativas cativam os visitantes, enquanto os programas educativos despertam a curiosidade do público infantil e jovem. O museu se torna um centro vibrante de cultura e inspiração, um verdadeiro farol para a comunidade e além.

Cada evento transforma-se em uma celebração da arte, uma oportunidade de conectar pessoas e criar memórias duradouras. Nos rostos dos visitantes, vejo a admiração e o encanto de vivenciar a arte de uma forma nova e envolvente. É um lembrete constante do poder transformador da arte e da importância de compartilhar essa magia com o mundo.

Com o passar das semanas, vejo a equipe se dedicando intensamente a novos projetos. O desenvolvimento de oficinas artísticas, eventos culturais e palestras sobre história da arte têm atraído cada vez mais o interesse da população. Estudantes e professores frequentam o museu com entusiasmo, e a mídia começa a destacar nossas iniciativas inovadoras. Cada dia que passa, minha confiança cresce e percebo que estou no caminho certo.

Além disso, trabalhar no museu tem me ensinado a equilibrar minha nova rotina de mãe e profissional. Ainda que desafiador, percebo que a maternidade me deu uma nova perspectiva sobre a importância do tempo e das prioridades. Aprendi a apreciar ainda mais os momentos em família, celebrando pequenas conquistas e encontrando alegria nas interações diárias com Ravi e nossos filhos.

Ao admirar a maestria dos artistas, uma onda de gratidão me invade. É um privilégio fazer parte desse universo, sendo não apenas uma admiradora, mas também uma guardiã da criatividade, da expressão e da história. O Museu de Artes Lockwood está apenas no começo de uma nova era, e estou ansiosa para ver aonde essa jornada nos levará.

Capítulo 2 2 - Ravi Lockwood.

Dois meses depois...

Estou sentado ao lado de Ava na sala do tribunal, enquanto o julgamento de Fridek Zimmerman, cúmplice do meu irmão, está prestes a começar. Este é um momento crucial, um passo em direção à justiça e à busca da verdade. Meu coração acelera, tomado por uma mistura de ansiedade e determinação.

- Fique tranquila, Ava. Vamos superar isso juntos - sussurro.

- Confio em você, Ravi. A justiça será feita - ela responde, apertando firme minha mão.

Olho nos olhos de Ava, que refletem a preocupação e o medo que ela enfrentou durante aquele terrível incidente no museu. Lembro-me do instante em que ela veio para os meus braços, ainda assustada.

A sala do tribunal está carregada de expectativa. Advogados, jurados e membros da imprensa aguardam o início do julgamento. Fridek Zimmerman parece uma sombra do homem que trabalhou para mim. Seus cabelos estão desgrenhados, a barba por fazer e o rosto pálido. Sentado no banco dos réus, mantém a postura tensa, cabeça baixa e mãos algemadas.

- Iniciaremos o julgamento. O réu enfrenta acusações de sequestro e tentativa de assassinato. A promotoria pode apresentar sua argumentação inicial - declara o juiz.

O promotor se levanta com firmeza.

- Excelentíssimo juiz, senhoras e senhores do júri, hoje apresentarei provas irrefutáveis que comprovam a participação de Fridek Zimmerman como cúmplice de Zadock Lockwood. Ele conspirou para sequestrar Ava Lockwood, esposa de Ravi Lockwood, e estava disposto a cometer um assassinato. As evidências que sustentam essa acusação foram fornecidas por uma fonte segura: sua ex-esposa.

Os áudios das conversas de Fridek com Zadock, bem como suas ligações com o sequestrador, ecoam pelos alto-falantes da sala. No telão, imagens dos dois se encontrando são exibidas, reforçando as acusações.

Fridek ergue a cabeça e me encara. Em seguida, seu olhar se volta para Ava. Seus olhos se arregalam ao notar Amber sentada ao lado dela, segurando sua mão firmemente. Ele engole em seco, e, num gesto quase imperceptível, enxuga uma lágrima que escorre por seu rosto.

A defesa então toma a palavra, tentando descredibilizar a acusação.

- Senhoras e senhores do júri, a promotoria não dispõe de provas concretas que confirmem, de forma irrefutável, a participação de meu cliente. Apresentaremos evidências que apontam falhas na investigação e a possibilidade de outra pessoa estar envolvida nos acontecimentos do museu. Além disso, a principal testemunha da acusação, a ex-esposa do réu, estava envolvida em um processo conturbado de separação, levantando dúvidas sobre suas reais intenções.

Amber, indignada, reage impulsivamente.

- Que mentira! - Sua voz embarga de emoção.

A tensão na sala aumenta conforme os argumentos são apresentados. Minha mente oscila entre a esperança de justiça e o temor de que Zimmerman escape impune.

Durante os depoimentos das testemunhas, as emoções transbordam. Lembro-me dos momentos angustiantes que Ava passou naquela sala trancada. Quando a última testemunha entra, sentimos um aperto no peito.

- Eu estava presente no museu no dia em questão. Fridek Zimmerman agia suspeitosamente e parecia envolvido no plano de Zadock. Ele saiu da sala da presidência minutos antes do sequestro da senhora Lockwood. Quando retornou, fomos imediatamente abordados pelo sequestrador. Tenho certeza de que tudo foi premeditado, até mesmo o tiro que ele levou - declara a testemunha de acusação.

Ava aperta minha mão com força. Passo o polegar suavemente sobre sua pele, tentando confortá-la.

- Se acalme, amor. Vai dar tudo certo - murmuro, olhando em seus olhos.

À medida que as declarações finais se aproximam, a tensão na sala do tribunal se intensifica.

O promotor se levanta novamente, sua voz firme e determinada.

- Senhoras e senhores do júri, chegou a hora de servir à justiça. Fridek Zimmerman é culpado pelo sequestro da senhora Ava Lockwood e pela tentativa de assassinato não apenas dela, mas também de seus filhos, Nikolas e Nayome Lockwood, que estavam em seu ventre, prestes a nascer. As provas e os depoimentos apresentados demonstram, de maneira incontestável, sua ligação com Zadock Lockwood e seu envolvimento nesse ato cruel.

O promotor encerra seu discurso e se senta ao lado dos advogados da acusação.

🧡📃💍🧡

O júri se retira para deliberar, e o tempo parece se arrastar enquanto aguardamos o veredicto.

🧡📃💍🧡

Finalmente, o momento chega. O veredicto será pronunciado.

- O júri decidiu, por unanimidade, que o réu, Fridek Zimmerman, é considerado culpado de sequestro e tentativa de assassinato. A sentença será marcada posteriormente. - O juiz anuncia, batendo o martelo para encerrar o julgamento.

Um suspiro coletivo de alívio percorre a sala. Nos lábios de Ava, um leve sorriso de satisfação se forma.

- Fizemos justiça, Ravi. Podemos finalmente seguir em frente - ela sussurra.

- Sim, meu amor. Agora podemos focar em reconstruir nossas vidas e cuidar dos nossos filhos com tranquilidade - respondo, lançando um olhar para Amber, que segura as lágrimas.

Sei que ela já previa esse desfecho, mas, depois de tudo o que viveu, ouvir o veredicto traz um alívio definitivo.

🧡📃💍🧡

Permaneço no tribunal, observando enquanto Fridek Zimmerman é escoltado pelos policiais para fora da sala. Seu olhar busca desesperadamente o de sua ex-esposa, Amber, que continua sentada. Ele tenta se aproximar, mas é contido pelos agentes. Meu coração se aperta ao ver a angústia em seus olhos. Sei que ele cometeu atos imperdoáveis, mas, no fundo, há um lampejo de arrependimento.

Aproximo-me dos meus advogados e murmuro:

- Por favor, peça aos policiais que permitam que ele fale com Amber por um instante. Estarei ao lado dela.

Meu advogado faz um breve aceno e conversa com os agentes, que, após um olhar de consentimento entre si, concordam em permitir a aproximação, ainda que algemado.

Volto-me para Amber.

- Dê a ele a chance de falar com você. Se não fizer isso, pode se arrepender depois por não encerrar esse capítulo da sua vida.

Ela me encara, hesitante. Respira fundo antes de assentir levemente.

Fridek se aproxima, os olhos carregados de tristeza e remorso. Primeiro, lança um olhar para Ava, depois abaixa a cabeça. Quando volta a erguer o rosto, seus olhos se fixam em Amber.

- Princesa... Eu só...

- Não me chame assim! - Ela o interrompe, a voz firme. - Você perdeu esse direito no instante em que nos abandonou.

Ele engole em seco.

- Eu só queria pedir uma coisa...

- O que mais você quer, Fridek? Já não basta o estrago que causou na minha vida?

Ele hesita por um momento antes de murmurar:

- Por favor, deixe-me ver nossa filha. Sei que cometi erros terríveis, mas ela... ela é minha filha também. Ela merece ver o pai.

O rosto de Amber endurece.

- Você não foi o mesmo que disse que eu deveria abandoná-la porque ela já estava morta? Ela não merece nada de você!

Ela se vira para sair, mas seguro seu braço suavemente. Seus olhos encontram os meus e sua expressão suaviza um pouco.

Pelo canto do olho, vejo Ava se aproximar.

- Amber... - ela diz, com a voz serena. - Não sabemos o que pode acontecer com ele na prisão. Não o prive desse pedido.

Amber suspira, a incerteza dançando em seu olhar. Por fim, pega o celular do bolso e faz uma ligação.

- Oi, Nancy, por favor, leve o celular até o quarto de Amy.

- Claro, senhora - responde à enfermeira.

Momentos depois, a tela exibe a imagem da filha deles, uma adorável menina de um ano e sete meses, adormecida na cama, conectada a um respirador.

Amber segura o telefone firme, seus olhos marejados.

- Esta é a nossa filha, Fridek. Ela é linda... mas... infelizmente, tem paralisia cerebral devido às complicações da meningite bacteriana. Ela lutou e continua lutando, por mim! Ela é a luz da minha vida.

Observo enquanto Fridek encara a tela, uma mistura de tristeza e arrependimento transbordando em seu olhar.

- Eu... Eu não sabia... - Fridek balbucia, a voz embargada. - Meu Deus, eu sinto muito, Amber. Sinto tanto...

- Obrigada, Nancy. Daqui a pouco estou chegando em casa. - Amber sorri levemente e desliga a chamada. Em seguida, volta-se para Fridek, seu olhar firme. - Não há nada que você possa fazer agora. Sua ausência nos momentos mais cruciais da vida dela nos afetou profundamente. Só Deus sabe o que passamos! Você não imagina a solidão que senti durante os três meses e vinte e oito dias em que fiquei no isolamento com a Amy... Espero que você nunca passe por isso. Que aprenda a lidar com a solidão. E, se um dia sair da prisão, não nos procure. Serei tudo o que você não foi para a minha filha.

Fridek abaixa a cabeça, um soluço escapa de seus lábios. Quando volta a erguer o rosto, as lágrimas deslizam livremente por sua pele.

- Eu... eu só queria que ela soubesse que eu a amo. Por favor, diga a ela que eu a amo.

Percebo que essas palavras são sinceras. Amber também nota isso; sua expressão se suaviza um pouco.

- Direi a ela, Fridek. Farei o possível para que saiba que teve um pai, apesar das circunstâncias. Ela saberá da parte mais feliz da minha vida e do quanto você gostava de conversar com ela, quando ainda estava na minha barriga.

Fridek engole em seco antes de murmurar: - E o que você vai dizer sobre mim? Qual será sua explicação para minha ausência na vida dela?

Amber respira fundo, como se já tivesse ensaiado essa resposta em sua mente.

- Que o papai dela precisou ir embora para um lugar muito distante, devido às escolhas que fez... e que nunca poderá voltar.

Fridek fecha os olhos por um instante, absorvendo aquelas palavras. A sensação de que esse breve encontro trouxe algum tipo de encerramento paira no ar. Os policiais indicam que é hora de levá-lo de volta. Antes de partir, ele lança um último olhar para Amber, mas ela mantém-se firme.

Minha esposa se aproxima de Amber, oferecendo-lhe um abraço silencioso. Ficamos ali, observando Fridek se afastar.

- É um momento difícil para todos nós. - Minha voz sai calma. - Embora ele tenha cometido atos imperdoáveis, também está lidando com seu próprio arrependimento. Você fez o que achou melhor para sua filha, Amber. Ela tem uma mãe incrível e amorosa.

Amber solta um suspiro trêmulo.

- Obrigada, Ravi. Vou seguir em frente, cuidando da minha filha da melhor forma possível.

- E tenho certeza de que você vai conseguir! - Ava sorri. - Estou ansiosa para conhecer a pequena Amy.

Amber sorri de volta, tocada pelas palavras dela.

- Vamos, vou pedir para Frederick te levar para casa - digo, notando como ela parece exausta.

Desde que nos aproximamos de Amber, percebi o brilho no olhar de Frederick sempre que está por perto dela... e como ele a faz sorrir.

Ao deixarmos o tribunal, o peso dessa experiência e a complexidade das emoções me acompanham. A vida pode ser cheia de nuances, e nossas escolhas carregam consequências profundas. Mas, ao mesmo tempo, percebo a importância de encontrar força para seguir em frente, mantendo o amor e o cuidado por aqueles que amamos.

Porque agora, Amber e Amy fazem parte da nossa família.

Capítulo 3 3 - Zadock Lockwood.

Estou preso há meses, condenado injustamente por crimes que, tecnicamente, não cometi... Quer dizer, fui condenado por colocar minha vingança em prática. Mas, ao contrário do que todos esperam, não ficarei nesta cela imunda para sempre. Uma rebelião está prestes a explodir nesta prisão corrupta, e, quando isso acontecer, estarei livre.

Enquanto planejo cada detalhe da minha fuga, minha mente vagueia pelos recantos mais sombrios da minha história. Jessyka surge em meus pensamentos, seu rosto assombra minha consciência. Minha relação com ela foi marcada por manipulação e crueldade. Usei-a como um peão no meu jogo sádico de poder e controle. Gostava da sensação de ter a ex-noiva do meu irmão em meus braços.

Flashback on...

O carcereiro surge na frente da minha cela, sorrindo.

- O que você quer agora? - Pergunto sem desviar os olhos do livro que estou lendo.

A história prende minha atenção. Um psicopata se apaixona por uma mulher linda, mas a espanca e a enterra viva. O detalhe interessante? Ela sobrevive. Um sorriso escapa dos meus lábios.

O carcereiro bate nas grades, impaciente.

- Você tem visita.

- Já disse que não quero ver ninguém.

Ele ignora minha resposta e insiste:

- É uma mulher muito linda. Ela é gos...

- Leve-me para o lugar combinado e depois a traga. - Fecho o livro e o deixo de lado antes de me levantar.

Ele abre a cela e seguimos pelos corredores até o espaço privado pelo qual paguei-a única coisa que me permite suportar este inferno. Aqui, ele traz algumas mulheres para me entreter.

Quando entro, sento-me na poltrona e espero. Não demora muito para que a porta se abra e, assim que vejo quem está ali, um sorriso surge em meus lábios. Seus olhos, carregados de luxúria, encontram os meus.

- Demorou muito para vir. - Murmuro, puxando-a pela cintura e capturando seus lábios nos meus.

Enquanto a beijo, vejo o carcereiro parado ali, observando. Me afasto dela e o encaro com frieza.

- O que você ainda está fazendo aqui? Cai fora!

Ele some pelo corredor, trancando a porta atrás de si.

- Eu...

- Shhh... - Coloco um dedo sobre seus lábios, silenciando-a. - Não temos muito tempo para aproveitar.

Tiro o dedo e volto a beijá-la. Ela suspira contra meus lábios.

- Senti sua falta.

Seus olhos se fecham antes de abrir-se novamente, encontrando os meus. Sorrio.

A troca de olhares carregados de desejo eletriza o ar ao nosso redor. Nossos corpos estão próximos, as respirações entrelaçadas. Tomo sua boca com voracidade. Cada toque, cada roçar de pele intensifica a chama que nos consome.

Nossos beijos são urgentes, intensos, repletos de uma paixão crua. Suas unhas cravam-se nos meus ombros, enquanto minhas mãos percorrem seu corpo, sentindo cada curva, cada tremor. Vou guiando-a até a parede, onde há uma cama ao lado.

Minhas mãos deslizam por suas costas e ela suspira suavemente, os dedos enroscando-se nos meus cabelos. Cada carícia envia uma onda de arrepios pela minha pele.

No calor do momento, ela me empurra levemente, invertendo nossas posições. Agora sou eu quem está contra a parede, seus olhos brilhando com a mesma intensidade que os meus.

- Você desperta algo em mim... Algo que nunca senti antes... Fico pensando se...

Coloco o dedo em seus lábios novamente, impedindo-a de continuar. Não quero palavras. Apenas desejo.

Volto a beijá-la, pegando-a no colo.

Flashback off.

Essa visita de Jessyka foi maravilhosa... Mas o que ela me contou depois me encheu de ódio. Já não bastava aquela criança que ela escondeu por cinco anos-agora havia outra?

Mandei que desaparecesse e abortasse o bebê que carregava. Não quero nada que me prenda. Não é egoísmo, sede de poder ou falta de compaixão que regem minha existência. Simplesmente, não quero vínculos.

🧡📃💍🧡

O caos explode dentro da prisão, exatamente como eu previ. Uma rebelião toma conta do ambiente, e essa é a minha oportunidade. A fúria e a vingança correm em minhas veias, alimentando minha determinação. Entre os gritos e o som das sirenes, me movimento com precisão, esperando o momento certo para escapar.

O carcereiro surge no meio da confusão, e eu o sigo. Quando estamos próximos à saída, ele me entrega algo.

- Isso é um rádio HT de longa distância. Siga para a floresta. Quando encontrar um pequeno rio, me avise. Deixei uma bolsa com roupas e dinheiro para conseguir ir para onde quiser.

Sorrio de canto, pegando o dispositivo.

- Assim que eu estiver em segurança e dormindo em uma cama confortável, alguém virá entregar o seu dinheiro. - Respondo.

Ele abre a porta para mim, mas antes que eu saia, meu punho atinge seu rosto com força. Ele cambaleia, me olhando confuso.

- Não podem te pegar. - Sorrio e lhe acerto outro golpe, fazendo-o desabar no chão, desacordado.

Saio rapidamente. Como esperado, a cerca já está cortada. Mantenho-me nas sombras, deslizando pela lateral do prédio sem ser visto. Tudo segue conforme o planejado.

Mergulho na água e nado com rapidez, desviando dos holofotes. Ao emergir na outra margem, corro para dentro da mata. As árvores fechadas oferecem cobertura enquanto avanço, desviando de galhos caídos. O rádio estala com um chiado.

- Não precisava ter me socado, cara!

Sorrio.

- Acordou rápido. - Respondo, ainda ofegante. Logo à frente, o som de água corrente alcança meus ouvidos. - Estou ouvindo um rio.

- Ótimo. Quando estiver de frente para ele, atravesse e siga as árvores com fitas amarelas. Mas tire as fitas conforme avança, para não deixar rastros. Eles já notaram que alguns presos fugiram.

Minha expressão se fecha.

- Como assim?

- Pegaram um grupo que fugiu antes de você... E me encontraram desacordado. Me levaram para a enfermaria, mas alguns conseguiram escapar pelo mesmo caminho que você.

- Merda.

Paro por um instante, tentando controlar a respiração. À minha frente, vejo o rio. Corro até a margem e entro na água, atravessando-a com dificuldade conforme a correnteza me empurra. Ao alcançar o outro lado, avisto a primeira árvore marcada.

- Cheguei.

- Continue. Você vai encontrar uma cabana abandonada. Sua mochila está na despensa.

- Ok.

- Eu deixei...

Jogo o rádio no chão e o esmago sob o pé repetidas vezes até destruí-lo completamente. Depois, lanço os restos no rio e sigo pelas árvores, arrancando as fitas amarelas à medida que avanço.

🧡📃💍🧡

Caminho furtivamente pelas ruas escuras, mantendo-me nas sombras. A liberdade pulsa dentro de mim, queimando como fogo. Meu coração bate com um único propósito: vingança.

Todos que me traíram... Todos que ajudaram a me condenar... Eles vão pagar.

Eu escapei. E agora, nada nem ninguém pode me deter.

Serei o predador nas sombras, o pesadelo que se arrasta pelas vielas silenciosas. O mundo será meu palco e eu espalharei o caos em cada lugar onde pisar.

Eles vão sentir o que senti.

Dias depois...

Abaixo ainda mais o boné na cabeça e sigo até uma banca de jornais. Pego uma revista com Ravi na capa, jogo o dinheiro para o vendedor e saio folheando as páginas.

Sento-me em um banco de praça e começo a ler a reportagem sobre ele.

Meu sorriso cresce.

Isso está só começando.

"Ravi Lockwood Assume uma Nova Empreitada Enquanto Ava Equilibra a Maternidade com o Sucesso do Museu LOCKWOOD"

Por: Eloá Meireles.

Na última edição da revista Élite, trazemos uma reportagem especial sobre Ravi Lockwood, o herdeiro e diretor do renomado Museu de Artes Lockwood, que recentemente deu uma reviravolta notável em sua carreira. Ravi, que já se destacava na administração do museu, agora também está à frente de uma empresa avaliada em bilhões de euros: a Inova Bot Engineering. Antes sob a direção temporária de Samuel Schneider, a multinacional agora conta com Ravi como líder principal, mantendo Schneider como seu braço direito, mas não mais como diretor da companhia.

Com uma visão de negócios excepcional, Ravi Lockwood aceitou o desafio de expandir seus horizontes além das artes e mergulhar no mundo empresarial. Sua nova empreitada reflete sua ambição e talento empreendedor, consolidando-o como uma figura influente tanto no cenário artístico quanto no corporativo.

Enquanto Ravi se dedica à nova empresa, sua esposa, a talentosíssima Ava Lockwood, enfrenta uma dupla jornada: administrar o Museu de Artes Lockwood e cuidar de seus adoráveis gêmeos, Nikolas e Nayome.

- Então eles tiveram gêmeos... - murmuro, apertando com mais força a revista em minha mão antes de continuar a leitura.

Apesar dos desafios da maternidade, Ava segue desempenhando um papel fundamental no sucesso do museu, que conquistou o primeiro lugar no prestigiado Mural das Artes do País por seis semanas consecutivas. Essa conquista é resultado direto de seu talento e dedicação em trazer exposições inovadoras e inspiradoras ao público.

Após o julgamento de Fridek Zimmerman, condenado a quinze anos de prisão pelo sequestro e tentativa de assassinato da senhora Lockwood, Ava e Ravi finalmente encontraram um senso de paz e alívio. Com a justiça sendo feita, eles agora aguardam o julgamento de Zadock Lockwood, acusado de inúmeros crimes. Esse processo representará mais um passo crucial para garantir a tranquilidade e segurança da família Lockwood.

Ava e Ravi Lockwood vivem um momento próspero, desfrutando de uma nova fase repleta de amor, sucessos e desafios. Com sua parceria forte e apoio mútuo, continuam trilhando um caminho de realizações, deixando um legado marcante tanto no mundo das artes quanto nos negócios.

Fique ligado na Revista Élite para mais atualizações sobre a notável jornada de Ava e Ravi Lockwood!

Amasso a revista com força em minha mão, meu peito queimando de ódio. Levanto-me abruptamente e a lanço na lata de lixo antes de caminhar em direção a um beco escuro.

A cada passo, a raiva ferve dentro de mim. Meu caminho é solitário, coberto pela escuridão que me consome. Agora é minha vez de reescrever essa história... e garantir que eles nunca sejam felizes novamente.

Pensamentos obscuros se desenrolam em minha mente. A justiça que eles tanto desejam? Eu a distorço à minha própria visão. Meu mundo perfeito nunca foi feito de luz e harmonia, ele é moldado pelo caos, pela dor e pelo medo.

Meu passado está repleto de violência e manipulação. E agora chegou o momento de abrir as portas para um futuro onde serei o deus do meu próprio destino, como sempre fui.

Nada me impedirá. Não há espaço para distrações, arrependimentos ou sentimentos fracos. Somente um caminho: a trilha de destruição e caos que deixarei por onde passar.

Agora é minha vez de acabar com essa vida feliz e colorida. Agora é minha vez de trazer a escuridão, a dor e o desespero que lhes prometi quando me encolhia, chorando sozinho naquele quarto escuro do colégio interno.

Eles acham que venceram?

Mal sabem que o verdadeiro pesadelo só está começando.

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