RICCARDO CACCINI
_3 anos atrás
Estava organizando os documentos para próxima entrevista, quando olhei para o relógio de pulso e vi que eram 15:45. Depois de um dia sendo uma completa merda resolvi descansar um pouco os olhos e beber um bom café. Havia feito tantas entrevistas que sequer podia contar.
É incrível como depois de tantas pessoas nenhuma tenha se mostrado competente. Essa última candidata era minha última esperança de encontrar uma boa e diligente secretária.
Pelo seu currículo, seu nome é Eliza Rocacchi, tinha por volta dos 23 anos e tinha todos os componentes necessários, motivo de minha esperança.
Faltando apenas 5 minutos pra sua chegada, terminei de tomar meu café e sentei-me a sua espera.
Ouvi uma batida na porta e permiti sua entrada. De repente a sala foi inundada com um forte cheiro de orvalho e lavanda e aquela mulher apareceu. Senti minhas pernas enfraquecerem e meu coração palpitar feito louco. Aquela definitivamente era a mulher mais linda e gostosa que já vi na vida. Seus cabelos longos e ondulados de tom castanho, quase como mel, seus olhos esverdeados e o corpo cheio de curvas fez meu pau quase saltar para fora da calça! Vestia um vestido preto na altura dos joelhos, um blazer longo também preto e um salto baixo, que a valorizava muito. Parecia meio tímida, mas confiante.
Sai de meu transe quando ela me disse um leve boa tarde. Devolvi o cumprimento e ordenei-a para sentar.
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Era incrível como ela tinha se mostrado tão boa em todos os requisitos. Sabia que não deveria contratá-la depois do que senti, mas a moça era muito boa para se deixar escapar. Mesmo que eu estivesse suspeito a comentar, já que claramente senti algo pela garota. Tentei me convencer que era apenas atração física e que eventualmente passaria, ignorei os pensamentos intrusivos que gritavam que ou teria aquela mulher naquele mesmo momento ou eu enlouqueceria e a encaminhei para o RH.
Já passava das 17 horas quando acabamos. Decidi que merecia um descanso a mais e fui para casa. Haviam sido muitas emoções por um dia.
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Entrei em meu AP, o calor do aquecedor me abraçando assim que passei pela porta. Era um dia frio em New York e depois dos acontecimentos passados resolvi vir para casa com a janela do carro aberta para esfriar o sangue. Pendurei as chaves e segui para a sala, composta por um sofá de canto preto, uma mesa de centro, uma poltrona e uma tv, era tudo muito simples porém elegante à sua maneira. Eu gostava e para mim era o que importava.
Passei por tudo isso e me direcionei às janelas, fitei a cidade abaixo de mim, visto que meu AP ocupava a cobertura de um arranha céu de 87 andares. Tudo parecia tão calmo aqui de cima. De repente me veio à mente Eliza naquele vestido preto e meu pau endureceu instantaneamente.
---Porra! - disse franzindo o cenho e fechando os olhos diante da situação. Aquela mulher mexeu comigo, mas eu me recusava a aceitar isso.
Suspirei fundo e por fim decidi tomar um banho frio para ajudar. Não queria ter que bater uma pensando em uma completa estranha nem ter que ir a qualquer boate em busca de uma puta pra foder essa noite.
Estava cansado e definitivamente já estava na minha hora de dormir e seria isso que faria!
RICCARDO CACCINI
Dias atuais
Estava tentando inútilmente me acalmar enquanto esperava o elevador chegar a cobertura, ou seja, meu escritório. Esse era mais um daqueles dias de merda e não queria inconsciente descontar minha raiva em Eliza novamente. A coitada já estava lidando com muitas coisas agora que descobriu que o atual namorado a havia traído com a própria irmã dela. Sabia que aquele cara a machucaria no momento em o vi um dia na recepção de minha empresa. Ele nem ao menos era bonito e quando ela tentou o beijar e o filho da puta negou virando o rosto, senti meu sangue ferver em puro ódio. Eliza era uma mulher deslumbrante e merecia alguém muito melhor que aquele desgraçado. E se a irmã dela a traiu com aquele merda, então ela era bem pior!
Tentei me acalmar novamente, já estava começando a ficar puto e não era isso que queria.
As portas do elevador se abriram e meu sentidos foram inundados com o cheiro de orvalho e lavanda, característico de Eliza Rocacchi. Senti meu corpo relaxar instantaneamente e a raiva diminuir. Segui em direção a minha sala, passando pela mesa da secretaria, ao qual estava vazia e isso só podia significar que Eliza estava organizando os documentos em minha mesa.
Parei na entrada. A garota estava de costas, com uma das mãos apoiada na minha mesa, enquanto colocava cada coisa no lugar onde ela achava que deveria ficar e, porra, aquela era uma cena divina! Minha vontade era agarra-la por sua cintura e fode-la ali mesmo. Por três anos venho tentado inútilmente tira aquela mulher da minha cabeça, mas a cada vez que a vejo sinto que vou enlouquecer. Senti que não deveria tê-la contratado naquele dia três anos atrás e não podia estar mais certo. Ignorei mais uma vez o desejo ardente que percorria meu corpo e por fim bati na porta. Duas vezes, como ela sempre fazia quando entrava. Ela se assustou e virou para mim com a cara fechada, provavelmente brava pelo susto. Já lhes disse como essa mulher é gostosa pra caralho?
---"Bom dia senhor Caccini!" - disse arrumando a saia. Estava com uma blusa branca de manga longa, uma saia justa beje que seguia até um pouco acima dos joelhos e um salto também branco. O cabelo preso em um rabo de cavalo só poderia significar uma coisa: dia de reunião na empresa, caso contrário ele estaria solto como sempre lhe dizia para deixar. Odiava vê-la prender aquele cabelo longo que fazia o que eu mais tinha vontade de fazer: bater na sua bunda, me deixava emburrado.
---" Dia." - cumprimentei de volta.
---"Dia ruim?"- disse em um tom de preocupação.
---"Digamos que sim."- disse enquanto caminhava em direção à mesa. "Posso saber o motivo deste cabelo preso?" - reduzi a distância de nossos corpos enquanto lhe lançava um olhar sério e percebi como ela enrijeceu fazendo cara de surpresa.
---" Reunião no décimo sexto andar, senhor."- ela disse dando um passo para trás e mordendo o lábio inferior. Caralh- " Depois, terá um almoço com a Srta. Cooper e vou acompanhá-lo como sempre, por isso achei melhor prendê-lo." - fiz uma cara de aversão quando ela mencionou "Cooper", Amélie Cooper para ser mais exato. Aquela mulher era, para mim, o próprio demônio. Sua voz era irritante e o jeito como forçava a voz e mexia em seu cabelo tentando inútilmente me seduzir fazia-me querer vomitar. No entanto, nossas famílias insistiam a pouco mais de 2 anos nos juntar afim de juntar as empresas.
---" Cancele com a Cooper, preciso ir a alfaiataria encomendar um novo terno para o evento tia de Carlyle. - disse me afastando enquanto colocava cruzava os braços.
---"Ok. No entanto, quanto ao evento da Sra. Belmont..."- fez uma pausa e já sabia que algo de ruim estava por vir. " Receio que sua acompanhante não estará presente".
---" Por qual motivo?" - perguntei desinteressado.
---" Infelizmente ela irá com outro participante do evento."
---" Então irá você comigo."- encerrei o assunto. Ela acenou com a cabeça e saiu da sala. O evento seria daqui uma semana, mas Carlyle era meu amigo de infância, por tanto não podia levar qualquer pessoa comigo.
Revisei os documentos que Eliza havia arrumado e me encaminhei para a reunião. Aqueles diretores eram um saco, o que só piorava meu dia ter que vê-los tão cedo.
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Sai do décimo sexto andar com a cabeça cheia. A empresa estava melhor do que nunca, no entanto, havia muitas coisas a serem resolvidas. Entrei no elevador sozinho. Meu corpo pedia apenas por um whisky e descanso, mesmo no começo do dia.
Cheguei ao meu andar, passando por Eliza que apenas acenou com a cabeça. Sentei-me em minha mesa olhando para minha sala. Digna de uma CEO de sucesso. Demorou muito para que conquistasse tudo isso apenas com meus esforços depois que meus pais me desertaram por favoritismo de meu irmão mais novo que engravidou uma jovem muito cedo na vida. Hoje, no auge dos meus 32 anos, me vejo com tudo o que sempre desejei. Exceto por uma coisa. Família. Uma que eu mesmo criarei, é claro.
Duas batidas na porta.
---"senhor Caccini?"- Eliza entrou meio tímida, me resgatando de meus pensamentos. " O carro que pediu está esperando na portaria."
---"Já estou saindo."- mais cedo havia pedido para que Eliza chamasse meu motorista, no entanto, me esqueci completamente. " Deixe tudo está. Você vai comigo, Srta Rocacchi.
---" Por qual motivo preciso ir?" - parecia confusa.
---" Você irá me acompanhar no evento da próxima semana, precisa de um vestido novo!" - disse pegando meus pertences e caminhando em sua direção.
---" Sr. Caccini, não preciso de um vestido novo. Tenho muitos vestidos apropriados e-" - nem fudendo que vou perder a chance de comprar um vestido pra está mulher!
---" Eu insisto! Vamos?" - interrompo segurando sua cintura e a guiando para fora.
Descemos a recepção e assim que o elevador se abre damos de cara com Amélie. Ela tenta disfarçar, mas sua raiva é visível e tudo que consigo pensar é em o que fiz para ter tamanho azar em encontrar este demon-... mulher, quando estava a caminho de uma tarde que prometia ser agradável ao lado de Eliza.
ELIZA ROCACCHI
Como se já não bastasse a tortura no elevador com este homem arrogante e cheio de si que é o meu chefe, agora tenho que lidar com essa desmiolada que Amélia Cooper representa. Com 29 anos, cabelos cacheados, olhos grandes e reta feito uma tábua, ela age feito uma criança toda vez que esta em frente a Riccardo Caccini que claramente despreza a pobre coitada.
Havia ligado remarcando o almoço que ele teria com ela a mando do Sr. Caccini e ela estava claramente decepcionada. Pelo visto, mais uma rejeição subiu ao seu minúsculo cérebro e agora ela esta fazendo está cena ridícula se jogando e se esfregando nele. E vendo como ele dá tantas desculpas descaradas para não a encontrar, deve estar cansado da jovem.
---"Sr. Caccini, o carro ainda está esperando."- interrompo os dois que me fitam ao mesmo tempo. O semblante de Amélie cai em desgosto no mesmo instante e sei que dirá algo desagradável.
---" Eliza né? Não pode esperar que nós terminemos de conversar para então interromper?"- antes que possa responder ela se vira para meu chefe e continua. " Riccardo, como pode permitir a falta de educação dessa secretariazinha? Você deveria coloca-la em seu lugar de vez em quando. Ela é muito abusada!
---" Meu Deus!"- digo baixinho enquanto reviro os olhos. Sua voz forçada me faz querer vomitar!
Fito meu chefe que tenta se desvencilhar do seu aperto pela milésima vez. Parece tão desconfortável quanto eu.
---" Desculpe Srta. Amélie, preciso ir a um compromisso neste mesmo instante. E não culpe a Srta. Rocacchi. Ela está apenas fazendo seu trabalho."- Riccardo diz se desvencilhando de seus braços. "Vejo você outro dia, certo?" - despede-se da jovem, dá as costas e sai do prédio. Deixando a moça plantada no mesmo lugar. Estou logo atrás.
Viro para olhar Amélie antes de sair e sua cara é impagável! Pobre garota.
Entramos no carro. Sr. Caccini abre a porta para mim e agradeço. Ele entra logo em seguida com um carranca que eu não sei dizer se quer matar a mim ou Amélie.
"Para a alfaiataria." - diz ao motorista e este o faz.
Meia hora depois, estamos do outro lado da cidade. A alfaiataria que meu chefe gosta fica muito longe de tudo, inclusive da cidade. Não sei o que ele vê neste homem, nem como o descobriu, mas este lugar me da arrepios em lugares que nunca pensei que teria.
Entramos. Roupas pré-prontas estão espalhadas pelo lugar que é pouco arrumado. Seb, o dono do lugar, sai de trás de um cabideiro. Seu olhar confuso como sempre. Não de surpresa por nós ver aqui, mas de... Insanidade. Talvez.
Ele caminha em nossa direção e nos cumprimenta. Cheiro de chá preto o acompanha.
"Riccardo! Que ótimo vê-lo." - começa. "Já tenho seu terno, apenas o experimente."
Meu chefe balança a cabeça, antes de seguir ao provador. Seb sempre faz isso. Sempre sabe quando vamos vir, sempre sabe como o Sr. Caccini quer seu terno e é isso que o faz... Especial.
"Eliza..."- encaro o homem que chama meu nome como quem chama um gato. "Seu vestido... como quer?"
Arregalo os olhos, pois pela primeira vez Seb não sabe o que alguém deseja vestir. Engulo em seco. Bichos parecem andar por minha pele.
O alfaiate chega próximo de mim. Talvez perto até demais. Consigo sentir seu hálito em meu rosto. Um sorriso um tanto louco estampado em sua face.
"Você sempre será um mistério, não é mesmo?"
Sorri e se afasta. Riccardo entra no mesmo instante, contente pelo alfaiate acertar não só suas medidas como seu gosto. Sempre.
Não esboço nada. Tento não sentir nada, mas estaria mentindo se não dissesse que este alfaiate sabe algo. Sabe muito, principalmente como nós fazer... Sentir.
Ele caminha ate meu chefe, sua atenção aparentemente em Riccardo. Tento não pensar muito enquanto olho para sua face. Olhos azuis, como de Riccardo, corpo largo e pele parda. Como um gêmeo perdido de meu chefe. No entanto, mais... Sedutor?
" Como estou, Eliza?" - meu chefe me suga de meus pensamentos.
"Está ótimo, Sr. " - respondo o que vem a mente.
O alfaiate me fita com um sorriso. Um de expectativa e orgulho no rosto. Algo que diga que minha opinião importa. Embora ainda não saiba.