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CEO militar

CEO militar

Autor:: claudia maria
Gênero: Romance
podemos não sair vivos desta vez. Explosões ressoam no céu e nas minhas calças. Estou encharcada de suor. Ian, de inıćio, estava vestindo uniforme camulado, mas eu o arranquei com os dentes. E por isso que sei que estou sonhando - minha boca não é tão hábil assim. Na vida real, eu quebraria um dente no zıṕer dele. O despertador berra outra advertência. Minha mente despertando grita: Levanta ou vai se atrasar! Eu me envio mais ainda sob as cobertas, e meu inconsciente vence. Ian dos Sonhos me joga por cima do ombro, como se estivesse tentando ganhar uma Medalha de Honra, e então caıḿos em um beliche de metal. Outra indicação de que isso é um sonho é o fato de que a parte carnuda da minha bunda bate na quina do beliche, mas não dói. Ele se esfrega em mim e balança a cama. Eu arranho suas costas. - Nós vamos ser pegos, soldado - eu gemo. Sua boca cobre a minha, e ele me lembra: - Aqui é uma zona de guerra; podemos fazer quanto barulho quisermos. Uma saraivada de tiros de metralhadora soa do lado de fora. Botas pesadas fazem barulho rumo à porta trancada. - Rápido, precisamos fazer uma barricada! - eu imploro. - Mas como? Não há nada de útil aqui, apenas aquele chicote de couro e meus coturnos que vão até os joelhos! Ele me puxa contra a porta, e nós nos olhamos. A solução de repente se torna clara: teremos de usar nossos corpos como um bloqueio sexy. - Ok, toda vez que eles chutarem a porta, eu vou entrar em você, entendeu? No três: um, dois... Assim que meu sonho chega à parte boa, meu celular começa a tocar "Islands in the Stream", de Kenny Rogers e Dolly Parton. O country pop dos anos 80 soa no volume máximo. Ouço sintetizadores. Eu gemo e me forço a abrir os olhos. Ian mudou meu toque novamente. Ele faz isso algumas vezes por mês. A anterior era outra música boba de dois velhos malucos. Pego o celular e o puxo para baixo das cobertas comigo. - Tá, tá - eu respondo. - Já tomei banho e estou passando da porta. - Você ainda está na cama. A voz profunda e rouca de Ian dizendo a palavra "cama" faz com que coisas engraçadas aconteçam no meu estômago. Ian dos Sonhos está se misturando com o Ian da vida real. Um deles é um tenente bonitão com braços de aço. O outro é meu melhor amigo, cujos braços são feitos de um metal que nunca tive o prazer de sentir. - Dolly Parton desta vez? Sério? - pergunto. - Ela é um tesouro nacional, assim como você. - Como você arruma essas músicas? - Eu tenho uma playlist no celular. Por que você está respirando com tanta dificuldade? Parece que você daria conta de embaçar um espelho. Ai, meu Deus. Eu me sento e me livro dos resquıćios do sonho. - Adormeci vendo as reprises de M*A*S*H novamente. - Você sabe que há outros programas para ver, não sabe?! - Sim, sei, só que ainda não encontrei um homem que me excite como Hawkeye. - Você sabe que Alan Alda está na casa dos 80, certo? - Ele provavelmente ainda tá com tudo em cima. - Se você diz, Hot Lips... Eu gemo. Assim como acontecia com a Major Houlihan, esse apelido me irrita... um pouco. Afasto os cobertores e planto os pés no chão. - Quanto tempo eu tenho? - O primeiro sinal toca em trinta minutos. - Parece que vou ter que pular aquela corrida matinal de mais de dez quilômetros que estava pretendendo fazer. Ele ri. - Arram. Começo a vasculhar o armário, procurando um vestido e um cardigã que estejam limpos. Os requisitos de vestimenta dos funcionários da nossa escola me obrigam a me vestir como a versão feminina do sr. Rogers. Hoje, meu vestido de verão é vermelho-cereja, e meu cardigã é rosa-claro, apropriado para o primeiro dia de fevereiro. - Alguma chance de você ter enchido uma garrafa térmica extra com café antes de sair de casa? - pergunto, esperançosa. - Vou deixar na sua mesa. Meu coração palpita de gratidão. - Quer saber, eu estava errada - eu provoco, fazendo um tom afetado e apaixonado

Capítulo 1 Quero isso

Hoje, meu vestido de verão é vermelho-cereja, e meu cardigã é rosa-claro, apropriado para o primeiro dia de fevereiro. - Alguma chance de você ter enchido uma garrafa térmica extra com café antes de sair de casa? - pergunto, esperançosa. - Vou deixar na sua mesa. Meu coração palpita de gratidão. - Quer saber, eu estava errada - eu provoco, fazendo um tom afetado e apaixonado. - Há um homem que me excita mais do que Hawkeye, e seu nome é Ian Flet... Ele geme e desliga. A Oak Hill High School a cinco minutos de bicicleta do meu apartamento.

Também a cinco minutos de bicicleta da casa de Ian. Poderıámos fazer o trajeto juntos, mas temos rituais matinais drasticamente diferentes. Eu gosto de tentar a sorte e forçar a barra com o despertador. Me causa emoções boas dormir até o último segundo. Ian gosta de acordar com o padeiro. Ele está inscrito em uma academia e faz valer a mensalidade todo dia pela manhã. Seu percentual de gordura corporal é próximo dos de adolescentes. Eu estou inscrita na mesma academia, e minha carteirinha está escondida atrás de um amado cartão de recompensas do Dunkin' Donuts. Ele olha feio para mim cada vez que mando para dentro uma rosquinha com cobertura de morango ao meio-dia. Aquelas engenhocas bárbaras na academia me intimidam. Certa vez, torci o pulso tentando alterar o peso em uma máquina de remada, e você já viu todos os diferentes tipos de puxadores, cordas na máquina com aquela polia? Metade dos equipamentos parece se resumir a brinquedos sexuais para cavalos. Em vez de me submeter a ir para a academia, premiro minhas corridas diárias de bicicleta. Além disso, não há como lutar contra minha fisiologia neste momento. Eu sou uma mulher de 27 anos, ainda aproveitando a onda de que meu shape vem naturalmente com a juventude e com o planejamento alimentar que um professor pode custear. Os únicos #gains que existem em minha vida são as maratonas do programa Do Velho ao Novo, com Chip e Joanna Gaines. Ian diz que sou muito dura comigo mesma, mas no espelho vejo joelhos nodosos e bojos pequenos quase não preenchidos. Em dias bons, tenho um metro e sessenta. Acho que posso fazer compras na Baby Gap. Quando chego à escola (dez minutos antes do primeiro sinal), encontro uma barra de granola ao lado da garrafa térmica de café na minha mesa. Na pressa de chegar à escola, esqueci de pegar algo para o café da manhã. Eu me tornei previsıv́el o ciente para que Ian tenha guardado belisquetes em cima e dentro da minha mesa. Posso abrir qualquer gaveta que sei que vou encontrar alguma coisa - nozes, sementes, biscoitos de manteiga de amendoim. Tem até um Clif Bar colado com adesiva embaixo da minha cadeira. Meu arsenal é mais para o bem dele do que para o meu. Eu sou a pessoa mais ansiosa que você já conheceu. Quando meu açúcar no sangue cai, eu me transformo na Jean Grey versão destrutiva. Eu engulo a barra de granola e tomo meu café, mandando uma mensagem rápida para agradecê-lo antes que os alunos comecem a lotar a sala de aula para o primeiro tempo. SAM: Obg pelo café da manhã. O café tá O AUGE. IAN: o blend que você comprou na semana passada. Seus alunos estão te ensinando novas gıŕias de novo? SAM: Eu ouvi ontem na hora da saıd́a. Ainda não tenho certeza se sei usar. Trago mais detalhes em breve. - Bom dia, senhoura Abrams! - meu primeiro estudante cantarola. E Nicholas, o editor-chefe do jornal de Oak Hill. E o tipo de garoto que usa suéter na escola. Ele leva minhas aulas de jornalismo muito a sério - ainda mais a sério do que leva sua paixonite por mim, o que significa muita coisa. Dou a ele um olhar de reprovação. - Nicholas, pela última vez, é senhorita Abrams. Você sabe que não sou casada. Ele sorri muito abertamente, e seu aparelho reluz. Ele mandou botar os elásticos com cores alternadas, azul e preto, as mesmas da escola. - Eu sei. Eu só gosto de ouvir você dizer isso. - Que garoto implacável. - E se me permite dizer, o tom do seu vestido está muito apropriado. O vermelho quase combina com o seu cabelo. Com um estilo desses, você vai virar uma senhoura casada muito em breve. - Não, não permito que você diga isso. Sente-se. Outros alunos estão começando a entrar na minha sala. Nicholas se senta na frente, bem no centro, e eu evito contato visual com ele o máximo possıv́el enquanto começo minha aula. Ian e eu temos empregos drasticamente diferentes na Oak Hill High. Ele é professor de Quıḿica Aplicada II. Ele tem mestrado e trabalhou na indústria após terminar a faculdade. Durante a pós- graduação, ajudou a desenvolver uma tira adesiva para a lıńgua que alivia queimaduras de coisas como café quente e pizza pegando fogo. Parece estúpido - o SNL até zombou disso -, mas despertou muito interesse no mundo da ciência, e essa experiência faz com que os alunos o admirem. Ele é o professor maneiro que arregaça as mangas da camisa até os cotovelos e explode as coisas em nome da ciência. Sou apenas a professora de jornalismo e coordenadora de equipe do Oak Hill Gazette, um jornal semanal lido por exatamente cinco pessoas: eu, Ian, Nicholas, a mãe de Nicholas e nosso diretor, o sr. Pruitt. Todo mundo acha que eu me enquadro na categoria "se não sabe fazer, ensine", mas na verdade gosto do meu trabalho. Ensinar é divertido, e eu não fui feita para o mundo real. Jornalistas sérios não são muito de fazer amigos. Eles entram em ação, pressionam, cutucam e expõem histórias importantes para o mundo. Na faculdade, meus professores me davam broncas por apenas produzir "textos muito arrumadinhos". Tomei isso como um elogio. Quem não gosta de coisas fofas? De qualquer forma, estou orgulhosa do jornal e dos alunos que ajudam a administrá-lo. Começamos cada semana com uma "Reunião Geral", como se fôssemos um jornal real e funcional. Os alunos apresentam suas ideias para matérias ou me informam sobre o andamento dos trabalhos. Quase todo mundo leva isso a sério, exceto os poucos garotos que procuraram o jornalismo para tirar boa nota facilmente - o que, cá entre nós, acontece mesmo. Ian diz que sou meio bestalhona. Estou conversando com uma aluna que se enquadra na segunda categoria agora. Acho que ela não entregou uma tarefa sequer desde que voltamos das férias de Natal. - Phoebe, você pensou em uma história para o jornal da próxima semana? - Ah, ahn... sim. - Ela estoura uma bola de chiclete. Sinto vontade de tirá-lo de sua boca e enviá-lo em seu cabelo. - Acho que vou perguntar por aı ́ se os zeladores estão se dando bem depois do expediente ou algo assim. - Você me deixe o pobre do sr. Franklin em paz. Vamos lá, o que mais você tem aı?́ - Ok, que tal... Almoço escolar: saudável ou não? Interiormente, eu envio as unhas nos meus globos oculares. Esse tipo de texto já foi escrito tantas vezes, que a merendeira da escola e eu criamos um sistema. Eu mantenho os alunos longe de sua cozinha e, em troca, ganho todas as batatas fritas que quiser. - Não há nenhuma novidade nesse tema. A comida não é saudável. Nós todos sabemos disso. O que mais? Ouço algumas risadinhas. As bochechas de Phoebe ficam vermelhas, e seus olhos se estreitam. Ela está chateada porque dei uma bronca na frente de toda a classe. - Ok, tá. - Sua voz está carregada de um tom atrevido e cruel, como só a de uma adolescente consegue ser. - Que tal eu fazer algo mais saliente? Talvez um artigo sobre amor proibido entre professores? Fico tão entediada, que bocejo. Rumores sobre Ian e eu são notıćias velhas. Todo mundo presume que, como somos melhores amigos, estamos saindo. Não tem como ser menos conectado com a realidade. Eu sinto vontade de dizer a eles: Sim, eu QUERO ISSO, mas sei que não sou o tipo de Ian. Aqui

Capítulo 2 Fios de cabelo

modelos altas e taciturnas cuja envergadura é duas vezes maior que a minha. Pareciam pterodáctilos fêmeas. Nós dois somos grandes fãs do O Senhor dos Anéis e adivinha só: SAM E O MELHOR AMIGO, NAo O O INTERESSE AMOROSO. Ah, claro, houve aquela vez em que me forcei a me vestir como uma versão piranhona da Hermione (o ponto fraco dele) para o Halloween e tentei seduzi-lo. Ian me disse que eu parecia mais com a Hermione de cabelos lãzudos dos primeiros anos e menos com a Hermione pós- puberdade do Baile de Inverno. Talvez eu silenciosamente tenha tido um colapso.

Ian e eu nos tornamos amigos há três anos e meio, coisa de uns 1300 dias atrás, se alguém muito trouxa estivesse contando. Quando fomos contratados para lecionar na Oak Hill, nos colocaram no mesmo grupo de orientação. Havia quinze novas contratações no total, e Ian imediatamente chamou minha atenção. Lembro da primeira vez que o vi e me recordo mais dos detalhes especıficos e aleatórios do que qualquer outra coisa: como suas mãos pareciam imensas segurando o manual de orientação, como ele estava bronzeado das férias de verão e o fato de que ele se destacava sobre todo mundo ali. Meu primeiro pensamento foi que Ian devia ser incrivelmente intimidador, com aqueles olhos azuis penetrantes e cabelo castanho curto e levemente ondulado, mas ele cortou a onda quando sorriu para mim assim que nossos olhos se encontraram no meio de todos aqueles novos professores. Foi muito desarmante e descontraıd́o, mas, acima de tudo, foi seriamente sexy. Meu coração disparou. Ele era o garoto da casa ao lado que se tornara um homem com mandıb́ula esculpida e braços sólidos. Ele estava vestindo uma camiseta preta, e foi nela que me concentrei quando vi que Ian caminhava em minha direção. - Você gosta de Jake Bugg? - ele perguntou. - Eu também. Eu respondi com um porcamente pronunciado "hein?". Seu sorriso de comercial de pasta de dentes se alargou um pouco mais, e ele apontou para minha camisa. Ah, tá. Eu estava usando uma camiseta de banda do Jake Bugg. Iniciamos uma conversa educada sobre a última turnê da banda nos Estados Unidos, e fiquei controlando minha baba o tempo todo. Quando chegou a hora de começar a orientação para os novos professores, Ian perguntou se eu queria sentar com ele. Durante uma semana, aguentamos juntos vıd́eos instrutivos sobre assédio sexual e regras no local de trabalho. Enquanto cassete carcomidas dos anos 90 reproduziam o conteúdo em uma televisão presa em um suporte, Ian e eu trocamos bilhetes atrevidos. Eventualmente, juntamos nossas mesas e conversamos sussurrando. Tıńhamos muito material para fazer piada e conversar. Falávamos muito rapidamente, como se estivéssemos com medo de que o outro desaparecesse a qualquer momento em uma nuvem de fumaça. Não prestamos atenção em nada em toda a orientação, e nos ferramos. Eles nos deram um teste no final da semana e nós dois reprovamos. Aparentemente, foi um teste da Oak Hill. A prova é ridiculamente fácil se você tiver prestado o mıńimo de atenção. Tivemos de refazer a aula de orientação, e nossa amizade foi cimentada no embaraço e na vergonha compartilhados. No final da segunda semana, comemoramos nossa aprovação bebendo - ideia de Ian. Eu tentei não imaginar coisas com isso. Afinal, nós dois irıámos acompanhados. Foi quando conheci a garota com quem ele namorava na época: uma dermatologista tipo elegantona. No bar, ela nos presenteou com histórias interessantes da sala de exames. - Sim, as pessoas não percebem quantos tipos diferentes de pintas existem. Ela me deu conselhos não solicitados, como: - Devido à sua pele clara, você realmente deveria consultar um médico e fazer um exame de pele duas vezes por ano. A propósito, ela não tinha poros ou sardas visıv́eis. Quando nós dois nos levantamos para usar o banheiro no meio da noite, minhas inadequações se multiplicaram. Nossa diferença de tamanho era obscena. Eu poderia caber no bolso dela. Para quem estava assistindo, eu parecia a pré-adolescente de quem ela estava tomando conta durante a noite. O único lado positivo foi que eu a fiz dar uma olhada nas sardas em meus ombros enquanto esperávamos que as cabines fossem desocupadas. Tudo certinho. Na época, eu também estava saindo com alguém. Jerry era um banqueiro com trabalho voltado para fundos de investimentos que q p q conheci por meio de um amigo de um amigo. Aquele passeio foi nosso terceiro encontro, e eu não tinha planos de continuar a vê-lo, especialmente depois que ele passou a noite falando sobre como era a vida nas alfa-beta-gamas da Universidade da Pensilvânia. - Pois é, fui presidente de fraternidade no meu primeiro e último ano. UH-RÁ. Então ele começou a cantar bem alto o hino da fraternidade dele para todo o bar ouvir. Imagino que ele tenha achado engraçado, mas não senti que eu fazia parte daquela brincadeira. Eu só queria apertar um botão vermelho e ser ejetada pelo teto. Os olhos de Ian se fixaram nos meus do outro lado da mesa, e parecia que ele sabia exatamente o que eu estava pensando. Ele tinha percebido quão desconfortável eu estava, o quanto a situação me incomodava. Nós dois começamos a controlar uma risada. Meu rosto ficou vermelho de tanto esforço. Ele precisou morder o lábio. No final, cedi primeiro e tive de pedir licença para ir ao banheiro de novo, para poder rir com privacidade. A namorada de Ian mais tarde disse a ele que estava preocupada que eu tivesse algum problema na bexiga. A hora do almoço na escola é bem-vinda agora. Minhas aulas de jornalismo são intercaladas com aulas de inglês avançado. Não é minha parte favorita do trabalho, mas é a única maneira pela qual o diretor Pruitt pode me manter trabalhando em tempo integral. Os alunos dessas classes já foram aprovados e culpam o que chamam de formanditite pelo dever de casa atrasado e pelas notas baixas nas provas. Eu busco essa suposta doença em um site de medicina para provar que ela não existe. Eles nem tiram os olhos do celular por tempo suficiente para ouvir. A maioria deles não seria capaz nem de fazer um retrato-falado meu. Na semana passada, um garoto pensou que eu era estudante e pediu meu Snapchat. Ian não tem esse problema. Suas aulas estão lotadas de nerds superdotados, crianças que já foram aceitas nas faculdades da Ivy League, mas ainda sentem a necessidade de fazer 27 aulas do programa avançado. A maioria deles me intimida, mas eles o tratam como se Ian fosse um Obi-Wan. - Conte-nos mais sobre a tira de língua, sr. Fletcher! - Bill Nye não é nada perto de você, sr. Fletcher! - Escrevi sobre você em meu ensaio de admissão à faculdade, sr. Fletcher. Eu tive que escolher a pessoa que mais me inspirou a buscar aprender! Sento-me para almoçar na sala dos professores e respiro fundo, tentando afastar alguns fios de cabelo da testa. Eles são evidências de que puxei meu rabo de cavalo de forma angustiada muitas vezes esta manhã. Ian desliza em seu assento de sempre, à minha frente, e sua energia positiva obstrui o ar entre nós. Ou talvez seja o perfume do seu sabonete lıq́uido. - Vamos ver o que temos aqui - diz ele. - Não foi minha melhor escolha. Peguei um stick de queijo, pretzels, uvas e um sanduıćhe de manteiga de amendoim e geleia. Ele pegou um sanduıćhe de peru de várias camadas com abacate e brotos de alfafa, melancia fatiada e amêndoas. Sem dizer nada, começamos a troca. Pego metade de seu sanduıćhe de peru. Ele pega metade do meu com ma

Capítulo 3 Muito perto

estendendo a mão. Eu bato a mão na sacola, definitivamente quebrando a maioria deles ao meio. Valeu a pena. - Você conhece as regras. Sua sobrancelha escura se arqueia. - Eu tenho aqui cookies de chocolate de um dos meus alunos. A mãe dele fez como agradecimento pela carta de recomendação que escrevi para ele. Em um piscar de olhos, minha cara feia ameaçadora se transforma em um sorriso. Minhas covinhas aparecem para efeito adicional. - Por que você não disse antes? Eu viro a sacola de pretzels quebrados em sua direção.

Embora a sala dos professores esteja lotada, ninguém se senta à nossa mesa. Eles já estão cientes. Não é que sejamos rudes, é só que, para as outras pessoas, acompanhar nossa conversa é difıćil. Conversamos usando gıŕias, códigos e piadas internas. - A reunião geral foi boa? Eu tento usar minha melhor imitação de âncora de notıćias locais. - Ian, a comida do nosso refeitório é saudável? Ele geme em comiseração. - Pois é, aı ́mais um aluno ameaçou expor nosso relacionamento. - Você se refere àquele que não existe? - Exatamente. - Certo. Certo! - A sra. Loring, a professora de teatro, grita perto da geladeira, interrompendo o barulho na sala. - Adivinha que dia é hoje..." - O primeiro dia do mês! - alguém grita com entusiasmo. - Rádio Confisco no ar! Nos próximos segundos, há uma quantidade esmagadora de aplausos e conversas. Se bobear, daqui a pouco cai confete do teto. - Ok. OK! Acalmem-se - Sra. Loring grita animadamente. - Alguém tem itens atrasados? Ian se levanta e tira um bilhete amassado do bolso. As pessoas batem palmas como se ele fosse um herói da cidade voltando da guerra. - Peguei durante o primeiro tempo - ele se gaba. Algumas professoras agem como se estivessem tendo uma parada cardıáca enquanto o observam atravessar a sala. A sra. Loring estende seu pote de vidro, e Ian o joga dentro. Em seguida, volta ao seu assento na minha frente, e, de repente, é hora de começar A Leitura. Em cima da geladeira da sala dos professores há um pote de conserva de tamanho médio, no qual colocamos os bilhetes que pegamos dos alunos durante a aula. A medida que o tempo vai passando, a jarra vai se enchendo. No primeiro dia de cada mês, a sra. Loring interrompe nosso almoço para uma leitura dramática. Pode parecer cruel, mas não se preocupe, mantemos tudo no anonimato. Ninguém conhece a fonte, exceto o confiscador. Portanto, o diretor Pruitt realmente não se importa muito com o nosso ritual. E bom para a nossa moral. Pense nisso como uma forma de garantir o vıńculo afetivo entre a equipe de educadores. A sra. Loring mete a mão na jarra como uma criança procurando doces no Halloween, e então a puxa com um bilhete cuidadosamente dobrado dentro. Eu me viro para Ian, tonta. Nossos olhares se encontram. No ano passado, assisti uma aula sua enquanto ele fazia um experimento com os alunos. Ian queimou elementos diferentes para mostrar que cada um produzia uma chama de cor diferente. Cálcio queima laranja, sódio queima amarelo. Os alunos ficaram encantados, mas até aı ́eu também, porque quando ele queimou cobre, produziu uma chama azul-escura e vıv́ida - a cor exata dos olhos de Ian. Eu mantenho uma pequena tigela de moedas brilhantes na minha mesa de cabeceira desde então. A sra. Loring pigarreia e começa. Ela é a melhor pessoa para essa tarefa. Ela não faz nada meia-boca. E uma atriz com formação clássica, e quando lê as missivas apreendidas, usa diferentes sotaques e atua com uma seriedade convincente. Se eu pudesse, traria meus pais para assistir à exibição. - Estudante nº 1: Ei, você viu que "nome redigido" sentou ao meu lado durante o primeiro tempo? - Estudante nº 2: SIM! Acho que ele gosta de você. - Estudante nº 1: Somos apenas amigos. Ele não gosta de mim desse jeito. - Estudante nº 2: FALA SE RIO! VOCE SO PRECISA DAR UM PASSO! Da próxima vez que você abraçar ele, empurra os peitos contra ele. Essa é a minha arma secreta. Um punhado de risadas soltas pelo nariz interrompe a leitura antes que a sra. Loring restaure a ordem. - Estudante nº 1: Digamos que isso realmente funcione – mas e se mudar tudo? E se isso estragar a amizade? - Estudante nº 2: E daı?́ Estamos prestes a nos formar. Você precisa dar uma. - Estudante nº 1: Ok, toupeira alada. Eu, por exemplo, realmente acho que é possıv́el ter amigos homens sem ter que transar com todos eles. - Estudante nº 2: Você está só se enganando. E apenas uma questão de tempo até que os melhores amigos do sexo oposto se transformem em AMANTES. A palavra final em negrito, lida com dramaticidade exagerada, produz gargalhadas estrondosas. Mas, à nossa mesa, o silêncio é conspıćuo. Ouço grilos. O bilhete se conecta demais com a minha vida. Eu me inquieto na cadeira. Uma onda de calor sobe pela coluna. Está me dando urticária. Talvez eu esteja tendo uma reação alérgica ao sanduıćhe de peru do Ian. Na verdade, eu gostaria de estar tendo uma p g - ter um choque analilático parece maravilhoso comparado a isso. Parece que alguém acabou de transcrever os pensamentos do anjinho e do demônio em meus ombros. Eu odeio esse jogo. Eu odeio que Ian esteja tentando me fazer encontrar seu olhar de chama azul, provavelmente tentando fazer alguma piada amigável. Quando o almoço terminar, vou me levantar e fazer uma pausa. Vou recusar o convite para acompanhá-lo de volta à sala de aula para comer biscoitos, e quando nos separarmos, vou me esforçar para manter meu tom e meu olhar calmos. Ele nunca vai saber que tinha algo errado. Eu tive de pisar em ovos nos últimos 1300 dias. Ian e eu temos um relacionamento que depende muito da minha capacidade de compartimentalizar meus sentimentos por ele no inıćio de cada dia escolar e, lentamente, abrir essa garrafa à noite. A pressão aumenta, e aumenta, a cada dia. E por isso que meus sonhos são tão sacanas. E por isso que não saio com ninguém há séculos. Essa caminhada na corda bamba está ficando cada vez mais difıćil, mas não há o que fazer. Por 1.300 dias, fui melhor amiga de Ian Fletcher, e por 1.300 dias, me convenci de que não estou apaixonada por ele. Eu apenas gosto muito, muito, de moedinhas de cobre. Ian Sam e eu já somos amigos há algum tempo - há tanto tempo, na verdade, que sei que ela não gosta de mim. Aqui estão quatro vezes em que ela deixou esse fato perfeitamente claro: Uma vez ela me disse que fica nervosa sempre que estamos muito perto. - Você é um touro, e eu sou uma porcelana barata. Você provavelmente poderia sentar em mim e me esmagar até a morte. O último cara com quem ela namorou era baixo o suficiente para poder usar os jeans dela. O tipo dela são os caras chatos de negócios, que gastam o primeiro mês de salário em uma moldura cara para seu certificado de MBA. Certa vez, a ouvi ao celular xingando para a mãe que "Nunca, nunca, nunca seríamos mais do que amigos". Parecia uma versão Kidz Bop da Taylor Swift. Ah, e teve a festa de Halloween ano passado, quando ela se vestiu de Hermione, e eu tentei beijá-la e ela riu na minha cara... e depois vomitou nos meus sapatos. Hoje é quarta-feira, o que significa que Sam já está em minha casa quando chego do treino de futebol. Sou o treinador principal da equipe júnior de Oak Hill. Estamos invictos, e Sam nunca perdeu um jogo, embora esportes não sejam realmente sua praia. - Por favor, diga que já começou o jantar, Senhora Secretária - eu digo quando entro e largo minha bolsa. - Está no forno, Senhor Presidente. Ela está na mesa da minha cozinha, curvada de costas para mim. Eu não consigo ver o que está fazendo, então me aproximo e me inclino sobre seu ombro. Sam está espalhando purpurina em cartolinas, adicionando os toque

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