PREFÁCIO
Homens e mulheres tem uma visão muito diferente sobre sexo, paixão e prazer.
Os homens em geral buscam prazer e satisfação imediata, sem nenhum compromisso ou emoção. Seu objetivo é vencer as resistências e penetrar o campo adversário, atacar e fugir, como se fosse um jogo de futebol. E depois vão tomar cerveja e contar vantagem e suas aventuras aos amigos. Simples assim.
Mulheres buscam relacionamento, compromisso, carinho, parceria, etc. Claro que também gostam de sexo, mas preferem muitas vezes mais o jogo da sedução e a atenção recebida nas preliminares do que a penetração em si.
São pontos de vista muito divergentes e difíceis de conciliar. Foi assim no passado, é assim no presente e nada indica que será muito diferente no futuro.
Contos eróticos e histórias sobre aventuras sexuais escritas por homens são normalmente focados em descrever como conseguiram chegar ao sexo e os prazeres da dominação que exercem sobre a mulher.
É normalmente um erotismo forçado e carregado de expressões pesadas, como se toda mulher fosse uma prostituta a seu dispor.
Se você tentar acessar contos eróticos pela Internet, em uma simples busca encontrará alguns sites bons, mas a maioria deles ao ser acessado mostra em sua tela
imagens, vídeos em movimento ou mensagens que só degradam as mulheres, como se fossem meros objetos de prazer para os homens.
Este livro apresenta uma seleção de contos escritos exclusivamente por mim, mulher, sempre sob a ótica feminina da relação, visando também o prazer intenso, mas principalmente destacando a sedução e o prazer que imaginaram ou sentiram.
As histórias foram revisadas, corrigidas e adaptadas quando necessário, apenas para maior coerência do texto e facilidade de leitura.
Assim, ao ler os relatos criados por mim, você poderá se identificar com as sensações de outras mulheres reais e compará- las às suas de uma forma que nunca pode falar nem mesmo com suas amigas mais intimas.
Com exceção da capa deste livro, não há outras imagens para direcionar sua imaginação. Toda a sensualidade e detalhes das cenas de cada história será formada em seus pensamentos, a partir de cada palavra destes contos.
Relaxe, leia e aproveite a viagem ao prazer feminino intenso e verdadeiro.
Angelinna Fagundes
ACORDAR
Meus olhos ainda estavam fechados. Mas eu sabia onde estava. Em minha casa. Em minha cama.
Mas não estava sozinha. Senti uma mão passar por sobre minha perna. Isto me despertou, mas não toda. A mão continuou subindo e se deteve em meus seios.
Abri os olhos. Ele sorria com aquele olhar maroto. Olhar de adolescente apaixonado. O meu próprio olhar devia estar assim por que era exatamente assim que eu me sentia.
Então ele me beijou. Lenta e suavemente, enquanto sua mão atrevida descia pela minha virilha. Mas não parou por ali. Eu me senti invadida, primeiro por um dedo. E depois por mais um. Suspirei e meu corpo se contraiu, mas relaxei novamente.
Agora eu havia acordado plenamente. Passei a minha mão pelos cabelos dele e os puxei, trazendo sua cabeça suavemente em direção ao meu corpo. Ele levou sua boca sedenta aos meus seios e neles se perdeu por um bom tempo.
Quando se achou, me beijou enquanto subia por cima de mim e me prendia os braços, dominando-me. Eu era a caça e ele o caçador, sedento pelo meu corpo e pela minha pele.
Nem precisava. Ali naquele momento eu era totalmente dele. Seu pênis passava por cima da minha vagina e
clitóris e aquilo me deixou doida. Queria mais. Muito mais.
Ele soltou meus braços e foi beijando meu colo, meu umbigo e chegou onde queria. Segurou minhas pernas e colocou sua língua deslizando-a onde antes seu pênis me estava deixando doida.
E agora eu estava mais excitada, pois sua língua ao mesmo tempo me provocava e me invadia, lubrificando minha vagina para a eminente e tão esperada invasão.
Eu o queria logo, mas ele me torturou. Alternava sua língua e seu dedo, cada vez de forma mais rápida e intensa.
Eu não estava aguentando. Mais uma vez meu corpo começou a tremer e eu comecei a gemer, um gemido que tentava conter e ao mesmo tempo declarar ao mundo que ali estava uma mulher plena sendo satisfeita pelo seu macho.
Já não tinha controle sobre meu corpo e quando dei por mim ele finalmente colocou seu membro em minha vagina e começou a empurrá-lo para dentro de mim.
Não havia mais tempo, cheiro ou cor. Eu abria meus olhos para ver o rosto de satisfação dele e os fechava logo a seguir para sentir de forma mais intensa (se é que era possível) aquela doce invasão do meu corpo.
Ele procurou meus lábios para beijar e em seguida também mordia meu pescoço, estocava sem pênis em mim para tentar ir mais fundo e voltava a me beijar.
Como mulher me sentia plena. Era tudo o que eu queria naquele momento. E ele sabia disso.
Abandonei meu corpo ao desejo e percebi que ele estava chegando ao auge do prazer. Mas eu queria mais e comecei a rebolar para provoca-lo ainda mais.
Ele intensificou os movimentos: mais força, mais velocidade. Mas não havia dor. Apenas o desejo de que aquele homem, sim, meu homem, me tomasse por sua.
E ele assim fez. Como eu, ele começou a gemer e urrar para o prazer eminente que não demorou e veio da forma de uma onda quente de sua essência dentro de meu corpo.
Ele parou por um instante o máximo de seu membro dentro de mim como se quisesse apreciar exatamente aquele momento em que me enchia com seu amor.
Mesmo já tendo se satisfeito, ele continuou a entrar e sair de mim, e agora cada vez que seu pênis abria caminho entre os lábios de minha vagina, voltava uma onda de calor e tremor.
Percebendo que eu ainda não havia chegado ao orgasmo, ele voltou a acelerar os movimentos ao mesmo tempo em que segurava meus seios, os beijava e apertava os bicos, o que normalmente já me dava prazer.
Assim, uma nova onda me invadiu e eu descontrolada gritava para que não parasse.
E assim ele o fez até que eu me desmanchei, num novo orgasmo.
Ele ficou dentro de mim e eu abraçada com ele até que nos recuperamos.
- Adoro ser acordada desta forma... - eu disse.
- E eu adoro ser o seu despertador sexual. Rimos. Eu o amo.
PRAZER EM CASA
O telefone tocou. Era ele dizendo que queria me ver. Não queria ficar sozinha em casa com ele, mas sua voz rouca e seu tom sensual me convenceram.
Já era tarde. Eu já estava me preparando para ir dormir. Então simplesmente coloquei um jeans, uma blusinha leve e fiquei esperando, aflita.
Como foi longa a espera...
Enfim ele chegou. Quando o interfone tocou, apertei tremendo o botão e abri o portão da frente do prédio. Fiquei esperando, imaginando a loucura que estava para fazer. Já fazia tanto tempo...
Ele chegou e tocou a campainha. Eu abri a porta e ele já chegou abraçando e me beijando no rosto, com aquele jeitinho abusado e carinhoso que só ele tem. É legal namorar e gostar de alguém assim, com tanta intensidade.
Ofereci um copo de água. Ele aceitou e quando trouxe, ele tomou um pouco, sorriu e me beijou com a boca molhada. Que delícia! Que lingüinha gostosa! Fiquei queimando por dentro, sobressaltada.
Ele, como um bom abusado, ficou olhando como se quisesse medir meu tesão. Deve ter gostado de ver o quanto eu o estava desejando...
Beijou minha boca de novo. Desta vez, mais demoradamente, com a língua e já veio me abraçando,
sufocando com o beijo, se encostando e se apertando em mim.
Quando nossos corpos se encostaram, poucos senti sua ereção e fiquei louca de tesão e medo de que acontecesse alguma coisa.
Pensei em afastá-lo, mas fiquei quietinha para ver onde ia dar. Já não tinha muito mais controle ou pudor. Apenas queria que tudo aquilo não tivesse fim.
Ele foi me empurrando de encontro à parede e passando as mãos nas minhas costas, apertando... Quase morri! Quase morri de tesão e prazer!
Qual não foi meu susto quando ele desabotoou meu sutiã. Nem imaginei que ele fosse fazer aquilo. Que ingenuidade! Fiquei louca, com as pernas bambas deixando que ele me apertasse ainda mais forte contra a parede.
Aí ele veio passando as mãos nas laterais do meu corpo em direção aos meus seios com rapidez. Respirei fundo e segurei suas mãos, impedindo-o de me tocar. Quase caí das pernas!
Olhei nos olhinhos verdes dele quase morrendo de tesão e resolvi dizer o quanto ele era bom naquilo.
- Você está me deixando louca. Faz muito tempo que não fico assim com alguém. Você está me assustando.
- Calma, meu anjo. Tudo bem, temos todo o tempo do mundo. A noite é só nossa.
Falei que não ia transar com ele. Ele fez uma carinha de safado como a dizer: "Ah, não! Eu quero..." Fiquei quieta esperando ele me beijar de novo, mas resolvi beijá-lo, tomando a iniciativa.
Ele, que nem havia tirado as mãos de dentro da minha blusa, foi me apertando contra a parede com a cintura e subindo as mãos até meus seios.
Deixei e quase sufoquei de prazer. Ele aproveitou que estava enlouquecida e começou a beijar meu pescoço, minha orelha, a lamber... Fiquei toda arrepiada, molinha...
Ele esfregava e apertava com força. Outras vezes acariciava devagar. Ele entendia mesmo de mulher. Sabia mesmo como satisfazer uma.
Já estava me sentindo uma cachorra quando ele levantou minha blusa, se abaixou e começou a chupar meus seios com vontade. Seu cheiro era uma delícia, seu gosto, seu cabelinho curtinho e espetadinho...Que tentação!
Ele foi mordiscando minha barriga até o umbigo até que se levantou de repente e, olhando nos meus olhos, desabotoou minha calça e enfiou a mão na minha calcinha, sentindo meus pelos.
Só deu tempo de respirar fundo e ele já estava deslizando o dedo, esfregando meu clitóris lubrificado. Devagar, forte, até no fundo. Fazia um movimento de "vem cá" que quase me enlouquecia.
Perguntei o motivo pelo qual ela não largava aqueles livros para dar-me um pouco de atenção. Tímida como de costume, ela obedeceu ao meu pedido, quase ordem, fechou os livros, colocou-os no criado mudo, fixou-se sentada em posição conchinha abraçando suas pernas com os braços e ficou a olhar apenas para frente. Eu tive que iniciar uma conversa. Percebi que ela não estava à vontade.
- O que está achando de morar aqui conosco?
- Normal.
- E o que é normal para você?
- Não saberia dizer.
- Eu sou normal para você?
- Você me deixa constrangida.
- Porque?
- A forma com que me olha.
- E de que forma eu olho para você?
- Não saberia dizer.
- Olhe para mim e tente.
A timidez a fez olhar para mim e desviar o olhar rapidamente. Eu segurei em seu queixo, virei o seu rosto em minha direção e pedi para que ela olhasse em meus olhos. Ela não teve como não fazer isso pois não tirei minha mão do seu queixo.
Penetrei o máximo que pude o seu olhar. A penetração foi tão intensa que consegui ver o que ela estava vendo.
Ela viu que o meu olhar era de desejo, enquanto o dela era de indecisão. Seus olhos brilharam, e foi quando percebi que ela já estava prestes a tomar uma decisão.
- E agora, saberia dizer?
- Você é esposa do meu irmão.
- Não! Eu sou a mulher que está olhando para você. Você está me olhando como mulher do seu irmão, ou como mulher?
- Como mulher, mas que afinal é esposa do meu irmão.
- Faça um esforço. Use a imaginação, e, pelo seu olhar sei que a imaginação está solta! A esposa do seu irmão viajou com ele. Ela só está em casa quando ele está. Quem eu sou agora? O que diz o meu olhar para você?
Ela me olhou nos olhos por uns segundos e em seguida passou a olhar para a minha boca. Enfim sua indecisão havia sido eliminada.
Era a hora de dar início ao atendimento da minha vontade, porém, esperei que ela desse o primeiro passo.
Deitei-me em sua cama, ainda olhando em seus olhos, e seus olhos percorreram todo o meu corpo. Ela não moveu-se de imediato, passou quase dois minutos na mesma posição que estava, olhando para o seu lado direito. Depois desses longos e excitantes quase dois minutos, ela pareceu transformar-se em outra pessoa.
No fundo eu sempre soube que ela não era tímida como demonstrava ser. Seus olhos e seu sorriso diziam isso.
Ela virou-se para mim e começou a passar as mãos em meu corpo levemente e lentamente como se quisesse conhecer as curvas dele ainda cobertas pelo vestido.
Ao chegar em minhas coxas ela não fez uso de tanta leveza. Sua língua percorreu seus lábios que por sua vez foram mordidos por seus dentes.
Ao vê-la com tanto tesão sem sequer ter me visto despida ou mesmo ter provado meu beijo, fechei os olhos e soltei o primeiro S da serpente indiana (ssssssssssss).
Ao abri-los, ela já estava em cima de mim, nua a me olhar nos olhos.
Segurou tão firmemente em minha cintura que nem percebi que ela estava levantando o meu vestido para deixar livre meu corpo de qualquer coisa que o deixasse coberto.
Ao retirar meu vestido, ela não havia percebido que uma calcinha intrusa ainda encontrava-se cobrindo o que eu passei a chamar de céu depois daquela noite.
Eu comecei a retirá-la, mas ela segurou firme em minhas mãos querendo dizer que ela mesma faria isso. Antes segurou em meus cabelos, o puxou numa mistura de leveza e grosseria e encaixou seu rosto em meu pescoço.
Sentiu o cheiro e o gosto dele deixando-me assim arrepiada dos pés à cabeça. Ela ainda estava só começando, mas eu cheguei ao primeiro orgasmo apenas com o ralar de suas coxas.
Ela desceu um pouco mais, sentiu o tamanho dos meus seios com seus lábios e os deixou arrepiados com sua respiração e medição. Tocou rapidamente o bico com sua língua, parou, olhou para mim e percebeu o quanto eu já estava desnorteada.
O primeiro beijo aconteceu. Sua língua e a minha pareciam dançar num mesmo ritmo. Sua respiração forte como a minha fazia nossos corpos mexerem-se. O conjunto do beijo mais a respiração, uma mãos nos meus seios e outra na minha cintura era perfeito! Um verdadeiro quadro que eternizaria o prazer entre duas mulheres.
Ah! Se eu soubesse que seria tão bom eu teria pedido para meu esposo trazer logo sua irmã, que morava na cidade grande e veio para o nosso interior justamente pelo fato de seus pais terem descoberto que ela era lésbica.
Acharam que aqui ela esqueceria a namorada que ficou em sua cidade e suas amizades consideradas inapropriadas.
O melhor ainda estava por vir. Ela parou de me beijar para retirar o que cobria o meu céu, que por sinal estavam totalmente molhados: o céu e cobertor.
Como era caminho, retirou meu salto. Alisando-me dos pés para as coxas, abriu minhas pernas e passou a morder levemente minhas coxas e a sentir com sua língua o sabor da minha pele inferior.
Malvada, lambia minha coxa, subia, e ao chegar no botão mágico que há no meu céu, passava levemente sua língua e rapidamente ia para a outra coxa.
Depois de fazer várias vezes esse passeio entre coxa, botão e coxa, passou a beijar o que não era minha boca.
Tudo ao meu redor ficou embaçado, duplicou... eu fiquei indecisa, não sabia se mordia ou lambia meus próprios lábios, se eu falava algo, para que lado deixar a cabeça, já que ela movia-se de um lado para o outro, se eu olhava para ela... eu fiz tudo isso ao mesmo tempo, e obviamente não tinha o controle para decidir o que fazer.
Ficou tudo muito fora de mim! Ela parecia estar diante de algo que conhecia perfeitamente. Sabia quais as reações que eu teria com cada movimento que sua língua fazia.
No movimento de beijo eu jogava meus braços para trás como se estivesse voando. No movimento em que ela
rodeava com a língua o meu botão eu colocava as mãos em minha cabeça para não perder o juízo.
No movimento em que ela tocava e deixava de tocar o botão várias vezes fazendo uso apenas da ponta de sua língua eu curvava meu corpo, olhava para ela e minha boca se abria e novamente meus lábios mordia.
No movimento final desta etapa onde ela percebeu que meu céu cabia quase todo em sua boca, e ela ainda podia movimentar a sua língua verticalmente para cima e para baixo e horizontalmente de um lado para o outro, eu segurei forte o seu cabelo para tentar me controlar um pouco, pois, o meu corpo pareceu estar tendo um ataque epilético.
Eu a puxava para cima de mim, e o que ela continuava a beijar estava sensível demais. Ela parecia estar provando o que do meu céu estava saindo.
Ela voltou a beijar – minha boca – para que eu sentisse o meu próprio gosto enquanto suas mãos percorriam o meu corpo que ainda estava adormecido, mas, a dormência logo sumiu quando seus dedos foram sentir o resultado do que fez sua língua.
Sua língua passou a rodear os meus seios, cobrindo cada pedaço e depois chupando meus mamilos. Eu quis beijá-la mais, não é exagero dizer que seu beijo foi o melhor que já provei em toda minha vida.
Tinha gosto de primeira vez, e todos os beijos que demos tiveram sempre o mesmo gosto.
Senti o céu dela junto ao meu, aquilo foi muito excitante! Ela encaixou-se em mim de um jeito que nos tornou uma só. Uma espécie de tesoura, não sei como explicar. Mas ela conseguiu uma união entre céus e botões e ao mesmo tempo podíamos nos beijar.
E nessa tesoura onde céus e botões ficaram colados, ela rebolava, me beijava, decalcava meus seios, apertava minha cintura, puxava meus cabelos... ela conseguia tudo! Chegamos juntas ao orgasmo. Ela em seu primeiro e único, eu em meu... nem lembro quantos. Nossos corpos relaxaram, ela em cima de mim, eu alisando suas costas... ela levantou-se, olhou para mim e falou:
- Se não for pedir muito eu agora preciso dormir. Boa noite, esposa do meu irmão.
Retirei-me sem nada a dizer. Não consegui dormir direito, passei a noite toda lembrando e foi impossível controlar os meus instintos, porém, a porta dela já estava trancada e eu não tive coragem de bater, por isso tive que satisfazer as vontades das minhas recentes lembranças sozinha mesmo.
Meu esposo chegaria cedo no outro dia e eu teria que acordar cedo para arrumar umas coisas e desfazer outras. Ao acordar ouvi pessoas despedindo-se. Ao chegar na sala as pessoas já haviam saído, estava apenas meu esposo. Os pais vieram buscá-la.
- O que houve?
- Não sei ao certo. Ela trouxe alguma amiga aqui em casa, ou você ouviu algum boato de que ela estava andando com alguma menina por aí?
- Não, não ouvi nada! Porque?
- Ela ligou para os nossos pais dizendo que havia tido algo com uma mulher daqui. E sabemos que ela falou a verdade porque ela não mente jamais! Estranho... ela está aqui pouco mais de um mês...
- E ela não voltará mais?
- Não! Já que aqui não conseguimos dar um jeito, nossos pais irão levá-la para outro lugar.
- Para onde?
- Para a casa de uma tia nossa. Ela tem três filhas e soube educá-las muito bem. As nossas primas com certeza irão fazê-la tirar da cabeça essa ideia de lesbianismo.
- Passe-me o endereço depois para que eu possa visitá- la.
- Você sempre comentou que nunca trocou mais de dez palavras com ela. Ficaram amigas durante esses dois dias que estive ausente?
- Digamos que sim. Eu estava quase convencendo-a a deixar de ser lésbica...
Desde então nunca mais pude vê-la, ela recusa minha presença. Nunca pude dizer para ela que a nossa noite de amor foi até hoje a única que eu pude descrever por ter envolvido: carinho, tesão, leveza e grosseria nas horas certas, precisão, enfim... por ter sido com uma mulher que sabia como e onde eu queria.
Hoje, sozinha satisfaço-me mais, já que não mais posso tê-la, ou melhor, já que ela não mais deseja ter-me. E eu que pensei que iria enlouquecê-la aquela noite...