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Cafajeste Resturado

Cafajeste Resturado

Autor:: Lili Marques
Gênero: Romance
Ela sempre foi apaixonada pelo irmão da melhor amiga, mas guardou isso para si até o dia em que ele lhe olhou pela primeira vez. Elizabeth se entregou a ele sem pudor e amarras, finalmente estava nos braços do homem que sempre amou. Só não esperava que fosse ser rejeitada por ele na manhã seguinte. Cristian forjou a própria morte e agora seis meses depois está de volta querendo retomar sua vida. Ele não tinha esquecido a mulher que mexeu com seu coração na única vez em que estiveram juntos e quando descobriu que ela estava viva soube que era a hora de voltar. Mas os problemas dele são maiores do que o perdão da mãe de seu filho. As pessoas que estavam atrás dele ainda estão vivas e querem calar sua boca a qualquer custo, mesmo que signifique usar sua família.

Capítulo 1 Prólogo

Já parou pra pensar em como sua vida pode se transformar da noite para o dia com apenas uma escolha?

Foi assim comigo, cada escolha que fiz me levou exatamente para onde eu estava naquele momento.

Poderia me arrepender de algumas delas sim, mas como meu cunhado gostava de dizer: se eu tivesse escolhido diferente não teria as coisas maravilhosas que a vida me trouxe.

Foram minhas escolhas que trouxeram Lise para a minha vida, assim como a nossa filha. E eu não iria querer perder isso de jeito nenhum.

Posso até ter começado do jeito errado, irritando as pessoas a minha volta. Mas agora eu finalmente tinha tudo aquilo que sempre quis e nem sabia que precisava.

Então o melhor era aprender a lidar com as consequências. Mesmo que uma delas fosse um assassino apontando uma arma pra minha cabeça.

- E então, suas últimas palavras? - meu carrasco perguntou, aparentemente se divertindo com meu desespero.

Olhei para Gael, desacordado agora, com uma bala no abdômen. É meu amigo, nossa jornada foi tortuosa pra caralho, mas ele cumpriu até o fim sua promessa de me manter seguro.

Pensei em todas as nossas conversas e em como ele sempre me disse para dizer diretamente as pessoas o que eu sentia, pois não sabíamos quanto tempo ainda nos restava.

- Nenhuma das pessoas que eu me importo estão aqui, não faz sentido dizer minhas últimas palavras pra voce. - falei a verdade e ergui o rosto. - Adeus irmão. - me despedi de Gael e encarei meu carrasco.

Se ia morrer precisava encarar a morte de frente.

Então o homem mascarado a minha frente deu de ombros antes de mirar em minha testa.

Capítulo 2 I

Eu estava cansado de esperar, não podia ficar escondido mais nem um dia sequer.

Ver minha família e amigos chorando em meu funeral foi difícil, mas eu me consolei em saber que eles estavam mais seguros com a minha morte fingida.

Com o passar dos meses me tranquilizei em saber que eles estavam seguindo com suas vidas, voltando a viver aos poucos.

Meu pai tinha voltado para a cadeira da presidência, dando uma pausa em sua aposentadoria.

Mamãe estava se reerguendo aos poucos, imaginei que seria mais difícil pra ela não ter seu caçula por perto, mas ela voltou a cuidar da loja que tanto amava.

Emma me encheu de orgulho quando decidiu destruir as correntes que a prendiam impedindo que ela vivesse de verdade. Minha irmã tinha voltado a não ter medo da vida, se arriscando e fazendo o que seu coração mandasse.

Pela primeira vez em anos ela estava se permitindo novamente.

Eu me contentei aqueles meses em passar alguns dias vigiando a vida deles de longe, ouvindo o que os policiais me contavam e vendo fotos da minha família.

Mas foi no dia que eu fugi que tudo mudou.

Sai escondido no meio da noite e peguei um táxi até o prédio de Elizabeth. Ela tinha estado tão destroçada no meu enterro, chorando de uma maneira que me chocou.

Lise deveria estar com ódio de mim depois de eu a ter levado pra cama e corrido de lá minutos depois que me esvazie dentro dela.

Todos ficaram sem falar comigo por semanas, Charles até mesmo saiu do país para não ver minha cara. Ele sim não compareceu ao enterro, mas ela ao invés de ficar tranquila com minha morte, se debulhava em lágrimas junto a minha família.

Ela não entrou no programa de proteção, não tínhamos nenhuma ligação que pudesse colocar sua vida em risco. Mas eu precisava vê-la, ter a certeza que ela estava bem sem mim, que tinha superado depois de meses.

Aproveitei a penumbra da noite e me mantive escondido entre as árvores de frente ao seu prédio, esperando o momento em que ela apareceria e eu poderia seguir em paz sabendo que ela estava bem.

Não sei por quanto tempo fiquei por ali, observando a rua quieta na madrugada, olhando para o andar onde eu sabia ficar seu apartamento, esperando por qualquer sinal dela.

Até que a baixinha de cabelos castanhos e o corpo de parar o trânsito apareceu.

Lise parecia radiante, um carro parou em frente a entrada do prédio e ela acenou abrindo um sorriso largo. Seu brilho finalmente tinha voltado e mesmo que me causasse um incomodo saber que eu nunca seria o causador de seus sorrisos, eu estava feliz que ela tinha seguido em frente.

Ela se voltou para dentro do prédio mais uma vez antes de sair arrastando uma mala. A porta do carro se abriu e um homem velho saltou do carro indo ajudá-la, provavelmente um motorista de aplicativo.

Lise estava indo viajar? Aquela hora da noite?

Mas assim que a mala foi colocada no porta malas, ele se virou para ela abraçando como se fossem bons amigos.

Quem era aquele homem? Tinha idade para ser seu pai com certeza, mas Lise não tinha uma relação tão boa assim com o pai dela, isso eu sabia.

Os dois se afastaram e ele levou as mãos a barriga dela, abrindo o sobretudo que Lise usava revelando uma pequena volta em sua barriga, a blusa branca apertada não deixava muito para imaginação.

Ela estava grávida!

Dei um passo em frente, saindo finalmente das sombras pronto para atravessar a rua e poder ver de perto. Podia ser meu? Faziam cinco meses que eu tinha partido, era pequena volta em sua barriga, mas eu não sabia medir o tempo daquelas coisas e duvidava muito que ela já estivesse grávida antes de nós dormirmos juntos.

O homem e ela sorriram conversando animadamente antes que ele a levasse até a porta do carona. Corri para o outro lado, mas antes que alcançasse o carro uma mão me segurou.

Gael me puxou para trás com força e jogou meu corpo contra a parede sem dar nem tempo para explicações.

- Porra ela não pode ir!

- O que você estava pensando? Atravessar a cidade e ficar observando a garota eu até entendo, mas ir falar com ela? Está ficando louco playboy? Quer matar a garota e se matar? - ele bradou e socou a parede ao lado da minha cabeça. - Se for isso me avisa que eu mesmo acabo com você e facilito meu trabalho.

Bufei irritado e empurrei seu braço pra longe de mim, caminhei até o meio da rua, mesmo que soubesse que não seria possível nem mesmo ver o carro mais.

Me sentei no meio fio e enfiei minha cabeça entre as mãos inconformado que tinha perdido a chance de falar com ela.

- Nem adianta pensar que poderia ter sido mais rápido. Você já foi otário de mais em não ter notado que te segui desde que deixou a casa. - é claro que eu deveria ter imaginado que não seria tão fácil assim fugir dele, o cara era uma cola no meu sapato.

Gael era o policial designado a me manter protegido até o fim da investigação.

Se eu imaginasse que minha vida se tornaria isso pensaria duas vezes antes de ajudar a polícia.

A verdade é que quando me procuraram dizendo que o chefe de uma grande quadrilha do Brasil estava querendo investir na empresa e que eu poderia ajudar a colocar um fim nessa quadrilha, eu não pensei nas consequências.

Na minha cabeça estúpida seria fácil, eu faria todos os contatos, deixaria que eles me colocassem dentro da operação, entregaria todas as provas pra polícia federal e eu seria um herói no fim da história.

Mas quando um deles fugiu sabendo que eu era o infiltrado que tinha recolhido as provas, virei um alvo ambulante.

As ordens eram que ninguém deveria saber, apenas eu e os policiais sabiam de todo o esquema. Estava proibido de contar para qualquer pessoa fora da polícia, parentes e amigos, ninguém podia saber até que tudo tivesse acabado.

- Ela está grávida! - exclamei quando senti a mão de Gael em meu ombro.

- Você acha que pode ser seu? - ele se abaixou ao meu lado e eu finalmente ergui a cabeça encontrando a expressão mais aliviada agora.

- Eu estava prestes a perguntar quando você me parou.

Gael era um policial bom, por isso foi designado a me seguir como uma sombra, éramos parecidos e ninguém desconfiaria de dois jovens perambulando pela noite.

Eu estava com vinte e cinco, mas ele já tinha trinta mesmo que não aparentasse.

O homem parecia um armário de tão grande, os ombros largos e braços fortes, ele malhava mais do que necessário eu podia dizer. Os cabelos pretos eram sempre mantidos baixos, assim como a barba que ele nunca deixava crescer mais do que dois dias.

Ser um policial disfarçado permitia que ele se vestisse do jeito que quisesse, mas sempre carregando um par de armas.

- Anda, levanta playboy. - ele bateu em minha cabeça como um irmão mais velho pé no saco. - Tem outros jeitos de descobrir se esse bebê é seu!

- E se for? Deus eu não vou ficar escondido e perder de ver meu filho, nem mesmo se me amarrar.

Gael sorriu olhando de um lado para o outro antes de abrir a porta do carro.

- Se for seu filho, os dois acabam de entrar no programa de proteção.

Eu pulei me levantando e seguindo ele até o carro. Depois de quase nove meses com ele em meu pé poderia dizer que nos tornamos amigos, mas é claro que o ranzinza negaria tudo. Mesmo que cuidasse de mim como um irmão, afirmava que era apenas seu trabalho e eu engolia a mentira calado.

Por isso não me surpreendi quando ele passou três dias até aparecer com a resposta que eu precisava.

- Onde estamos indo? - tinha se passado três dias desde que vi Lise, me corroía saber que a mulher não atualizava as redes sociais desde que eu fui dado como morto.

Tornava bem mais difícil para mim descobrir qualquer coisa sobre ela sem isso.

- Estamos indo ver sua namorada. - Gael falou tranquilo atrás do volante enquanto cortava o trânsito do centro da cidade. - Parabéns playboy! Você vai ser papai.

Arregalei meus olhos e busquei em seu rosto qualquer indício de que ele estava brincando. Era verdade? Lise esperava um filho meu?

- O que? E agora como isso vai funcionar? O que ela tem que fazer?

- Alguns policiais já foram designados pra proteger ela de longe, assim como está sendo com sua família.

- O que mas eu pensei que ela ficaria comigo, no esconderijo e não solta pela rua correndo riscos...

Colocar uma segurança em volta dela e do meu filho não eram suficientes! Se aquelas pessoas descobrissem sobre o bebê e que eu era o pai Lise e nosso filho estaria correndo grande perigo.

- Ei, se acalma playboy. É melhor assim, ou vai querer que sua família encare mais um luto?

Respirei fundo pesando suas palavras e pensando nas escolhas que eu tinha. Não ia permitir que aquela situação me atrapalhasse de ver a gravidez dela de perto, de poder segurar o meu bebê nos braços.

Ao mesmo passo que não podia fazer minha família encarar mais uma tragédia.

Porra eu estava em um beco e só via uma saída.

- Eu vou voltar!

Capítulo 3 II

Meses atrás

Tinha acabado de entrar na boate e já tinha avisado várias mulheres no lugar, mas eu não gostava de ser apressado, a noite estava só começando tinha tempo de sobra pra escolher bem a garota que ia comigo pra casa essa noite, ou as garotas.

Eu sabia que as pessoas me viam como um tremendo cafajeste, mas cá entre nós elas adorariam estar no meu lugar e viver a minha vida.

Amar e ser amado é coisa que não cabia pra mim, se entregar daquela forma era uma coisa estúpida a se fazer e diferente do que sempre falam em filmes e em livros, você pode sim escolher não amar.

Basta só algumas coisas como: não ligar no outro dia, pegar a melhor amiga, chamar a garota pelo nome de outra, não atender as ligações e nem responder a mensagem.

E é assim que você se torna um cafajeste!

Mas eu tinha orgulho disso, diferente do meu amigo Charles que parecia ter se cansado da boa vida e decidido se entregar para outra garota.

Esse foi meu pensamento assim que o avistei dançando agarradinho com Lise.

Ela balançava a bunda contra o quadril dele, os dois envolvidos naquela bolha romântica. Mal sabiam que aquilo era uma armadilha, uma forca enfeitada.

Lise ergueu a cabeça e seu olhar se encontrou com o meu, sorri pra ela e assisti seu corpo se forçar mais contra o dele, Lise segurou as mãos de Charles subindo a que estava em sua barriga até seu seio e a outra descendo até sua coxa.

Eu sabia que ela gostava de mim, Emma tinha dito isso em uma festa e eu não fazia ideia do motivo, já que nunca ficamos, nem mesmo lhe dei esperanças disso.

Não demorou para que ela se virasse de frente pra ele, fugindo do meu olhar. Era até engraçado de ver, mas tratei de esquecer a cena quando uma loira sentou no meu colo.

Os seios dela quase saltavam para fora do vestido brilhoso, os lábios vermelhos se abriram em um sorriso sedutor antes que ela dissesse qualquer coisa.

- Está sozinho bonitão? - a voz manhosa, não fazia muito meu tipo, mas não me importei.

- Agora não mais!

Ela começou a puxar uma conversa fiada, mas eu não estava muito a fim de papo hoje. Então coloquei um fim em todo o falatório puxando-a pela nuca e unindo nossos lábios.

Nossas línguas se enrroscaram e eu puxei seu cabelo, querendo intensificar nosso beijo.

Mas bastou ouvir a voz de Charles me chamando para que me distanciar dela.

- E aí cara, não sabia que vinha hoje. - ele e Lise se sentaram a minha frente. Ela agora não tinha nem a sombra de um sorriso nos lábios carnudos. - Você tá com uma coisinha aqui.

Charles apontou pra minha boca e eu passei a mão vendo o tom vermelho pintar a ponta dos meus dedos.

Praguejei me levantando e murmurando que já voltava, mas para ninguém em específico, quem sabe a senhorita boca de palhaço fosse embora enquanto eu estivesse limpando aquela bagunça.

Entrei no banheiro na área VIP e vi a obra de arte que tinha virado minha cara. Era uma péssima forma de começar a noite.

Talvez eu nem devesse ter saído de casa hoje, tinha tanta coisa na minha cabeça desde que comecei a ajudar os federais.

Aquela coisa toda de ajudar a desbaratinar uma quadrilha parecia excitante, mas até agora estava sendo apenas estressante. Eu não costumava ser um estraga prazeres, mas minha cabeça estava cheia de mais.

- Ei conseguiu se livrar de toda maquiagem? - Charles me questionou me pegando de surpresa.

Estava tão concentrado nos meus pensamentos que nem ao menos tinha me dado conta dele parado atrás de mim.

- Quase tudo. A garota ainda está lá?

- Não, umas amigas apareceram e puxaram ela pra outro lugar.

- Graças a Deus, preciso dar o fora daqui. Não estou com cabeça pra nada hoje, achei que sair iria me ajudar, mas não foi o caso.

Ele entrou em uma das cabines, mas eu sai querendo ir direto para fora dali.

- Eu já falei que não! Me larga seu idiota! - ouvi uma mulher gritando e isso me fez parar no mesmo instante, me virando a procura de quem quer que fosse.

- Qual é gatinha, para de se fazer de difícil.

No mesmo instante eu avistei Lise gritando com um homem que a segurava pelo braço, ela se sacudia tentando se livrar do aperto e todos em volta pareciam alheios de mais para prestar atenção nela.

Atravessei as mesas com fúria, eu via vermelho nesse momento, meu coração disparou e eu só queria acertar a cara do desgraçado.

- Oh babaca! Acho que ela disse pra você largar o braço dela!

Nem consegui chegar perto, pois Lise acertou uma joelhada no saco do homem, fazendo ele cair de joelhos no chão.

- Isso é pra você aprender seu idiota.

- Ela saiu andando enquanto o homem choramingava e eu fiz sinal para os seguranças que ficavam na porta.

- Lise você está bem? - questionei correndo atrás dela, empurrando as pessoas em meu caminho até que alcancei seu cotovelo e a puxei para mim. - Você está bem?

- Estou ótima e não precisava de você ali! - ela bradou erguendo o queixo de forma altiva, mas nem tentou afastar o braço do meu toque.

- Eu vi que você soube se defender muito bem, mas isso não quer dizer que eu não me preocupe com seu bem estar.

Lise piscou rápido duas vezes, parecendo chocada com minhas palavras e eu vi o segundo em que suas barreiras foram ao chão.

Aproveitei que ela tinha se acalmado e subi minha mão por seu braço nu, senti os pelos finos se arrepiando com meu toque e porra, aquilo era bom!

Os seios dela começaram a subir e descer quando me aproximei ainda mais, sua respiração descompassada fazia aquilo e eu desejei que aquele tomara que caia caísse de uma vez por todas.

- Você é um cafajeste, não se importa com as mulheres. - ela murmurou tentando ser forte, mas fechou os olhos em apreciação quando subi meus dedos por seu pescoço, contornando a curva do ombro até sua nuca.

- Eu tenho uma irmã Lise. - me curvei sobre ela até que minha boca pairasse em sua orelha. - Posso ser um cafajeste, mas respeito os desejos das mulheres. - ela estremeceu e eu deslizei a outra mão em sua cintura, puxando seu corpo ainda mais contra o meu. - Gosto ainda mais de realizar esses desejos.

Ouvi ela suspirar, uma de suas mãos agarrou a camisa social que eu usava, me mantendo perto dela.

Mas antes que pudesse ir adiante vi Charles vindo na nossa direção e dei um passo para trás.

- Ei o que aconteceu? Um dos seguranças disseram que um cara te atacou.

- Eu estou bem, não foi nada de mais. - Lise abraçou ele de volta e murmurou algo baixo de mais para que eu conseguisse ouvir sobre toda a música alta.

- Ela foi mais rápida do que qualquer um e derrubou o babaca com uma joelhada.

Charles segurou o rosto dela com as duas mãos e deu um beijo rápido nela. Franzi o cenho quando constatei que poderia ser eu ali beijando ela nesse momento.

Eu sei que ele era meu amigo de infância, mas porra ela gostava de mim não dele!

- Você pode Chris? - a voz dele me fez voltar a conversa rapidamente. - Você falou que estava indo pra casa, pode deixar Lise no apartamento dela? Eu iria com o maior prazer, mas tem dois investidores que estão vindo conhecer a boate e eu vou precisar fazer sala pra eles.

- Não precisa...

- Claro! - exclamei interrompendo o protesto dela. - Claro que eu levo, fica no meu caminho.

Ele sussurrou algo no ouvido dela e os dois se beijaram, um beijo longo de mais.

Me despedi de Charles e segurei ela pela mão, Lise estava prestes a reclamar quando jurei que era apenas para não nos perdermos um do outro no meio de toda a gente, mas a verdade é que eu queria sentir aquela sensação de novo.

Eu já tinha tocado nela em festas de família, na floricultura da mamãe, mas dessa vez foi algo diferente. Senti como se nossos corpos se conversassem.

- Você não precisa me levar, não quero estragar sua noite, posso pedir um carro no aplicativo.

- Nem pensar! E você não está estragando minha noite, eu estava indo direto pra casa.

Entramos no carro e o silêncio pesou entre nós, eu sabia que se abrisse minha boca seria para flertar e mesmo que ela fosse uma tentação, estava com meu amigo, não podia fazer isso com Charles.

Liguei o rádio e deixei que a música nos envolvesse enquanto atravessavamos São Paulo.

Mas meus pensamentos não saíram dela. Seria errado dormir com Lise, se ela já gosta de mim? Não seria como fazer uma boa ação?

E eu podia unir o útil ao agradável, nunca estive com uma mulher que gosta de mim sem que tivéssemos sequer beijado.

- Aqui está ótimo. Obrigada por me trazer. - fiquei observando o prédio que não tinha uma portaria, aquilo não era nada seguro pra ela.

- Quer que eu entre com você? É meio perigoso andar sozinha até seu apartamento a essa hora.

- Christian eu moro aqui, ando pelo prédio a qualquer hora. - ela já tinha tirado o cinto e segurado a maçaneta da porta quando eu decidi agarrar seu pulso. - O que você quer?

- Você! - falei em um impulso. - Porra eu quero você, Lise!

Agarrei sua nuca e grudei nossos lábios, levou apenas um segundo para que seu corpo relaxasse e ela correspondesse o beijo.

Suguei seu lábio inferior fazendo ela abrir a boca e me deixar enfiar a língua ali.

Porque beijá-la parecia tão certo? Dava pra dizer que parecia um encaixe perfeito entre nossas bocas, nossos toques eram quase sincronizados como se já tivessemos feito aquilo antes.

Lise gemeu contra minha boca e eu joguei toda racionalidade para o espaço! Foda-se todo mundo, eu precisava me enterrar nela essa noite!

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