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Caminhos De Liberdade

Caminhos De Liberdade

Autor:: Xia Ying Xi
Gênero: Moderno
O cheiro de tinta fresca no meu apartamento mal disfarçava o amargo sabor de recomeço: hoje era o único dia em que Pedro me permitia ver João, nosso filho. Eu estava tentando me reerguer da depressão pós-parto, mas ele e Clara, a "amiga" dele, insistiam em me manter afastada, dizendo que eu não tinha "condições". A última visita foi devastadora; João estava pálido, com uma mancha vermelha no rosto, e Clara o tratava com uma frieza assustadora, quase como um objeto. Pedro, indiferente, minimizou tudo como "drama" meu. A humilhação era visível, mas nada preparou meu coração de mãe para saber que uma semana depois, João, meu bebê, havia caído da escada e não resistido. No hospital, Pedro chegou com terno impecável, reclamando de uma reunião importante, e Clara se agarrou a ele em um choro forçado, enquanto eu desmoronava. A visão daquela farsa, da frieza dele e das lágrimas de crocodilo dela, me encheu de uma raiva gelada e cortante. Não houve hesitação: eu a puxei pelos cabelos e a esbofeteei, minha voz um grito rouco de dor e ódio. Pedro me afastou com desprezo, escolhendo Clara, a causadora da morte do nosso filho. Foi ali que a verdade se tornou dolorosamente clara: eu era apenas uma peça em seu jogo. Meu casamento era uma transação, e eu, descartável. Com o coração em pedaços e a alma blindada pela dor, declarei: "Eu quero o divórcio, Pedro. E juro, vocês vão pagar por isso." Deixei a mãe dele, que só se importava com a reputação da família, para trás, sabendo que a guerra tinha acabado de começar. Eu me recusei a ser a vítima e embarquei para Portugal, decidida a reconstruir minha vida e encontrar a justiça que me foi negada. Quando Pedro, um homem assombrado pela própria culpa, me encontrou em Portugal e tentou me coagir com um "nós podemos recomeçar", Ricardo, com quem havia construído uma amizade, me protegeu. Seu "Nosso jantar vai esfriar, querida" fez Pedro soltar meu braço, e finalmente, pude deixá-lo para trás. A partir daquele momento, sabia que minha nova vida começaria, e eu ergueria algo belo das ruínas que ele deixou.

Introdução

O cheiro de tinta fresca no meu apartamento mal disfarçava o amargo sabor de recomeço: hoje era o único dia em que Pedro me permitia ver João, nosso filho.

Eu estava tentando me reerguer da depressão pós-parto, mas ele e Clara, a "amiga" dele, insistiam em me manter afastada, dizendo que eu não tinha "condições".

A última visita foi devastadora; João estava pálido, com uma mancha vermelha no rosto, e Clara o tratava com uma frieza assustadora, quase como um objeto. Pedro, indiferente, minimizou tudo como "drama" meu.

A humilhação era visível, mas nada preparou meu coração de mãe para saber que uma semana depois, João, meu bebê, havia caído da escada e não resistido.

No hospital, Pedro chegou com terno impecável, reclamando de uma reunião importante, e Clara se agarrou a ele em um choro forçado, enquanto eu desmoronava.

A visão daquela farsa, da frieza dele e das lágrimas de crocodilo dela, me encheu de uma raiva gelada e cortante.

Não houve hesitação: eu a puxei pelos cabelos e a esbofeteei, minha voz um grito rouco de dor e ódio.

Pedro me afastou com desprezo, escolhendo Clara, a causadora da morte do nosso filho. Foi ali que a verdade se tornou dolorosamente clara: eu era apenas uma peça em seu jogo.

Meu casamento era uma transação, e eu, descartável.

Com o coração em pedaços e a alma blindada pela dor, declarei: "Eu quero o divórcio, Pedro. E juro, vocês vão pagar por isso."

Deixei a mãe dele, que só se importava com a reputação da família, para trás, sabendo que a guerra tinha acabado de começar.

Eu me recusei a ser a vítima e embarquei para Portugal, decidida a reconstruir minha vida e encontrar a justiça que me foi negada.

Quando Pedro, um homem assombrado pela própria culpa, me encontrou em Portugal e tentou me coagir com um "nós podemos recomeçar", Ricardo, com quem havia construído uma amizade, me protegeu.

Seu "Nosso jantar vai esfriar, querida" fez Pedro soltar meu braço, e finalmente, pude deixá-lo para trás.

A partir daquele momento, sabia que minha nova vida começaria, e eu ergueria algo belo das ruínas que ele deixou.

Capítulo 1

O cheiro de tinta fresca ainda pairava no ar do meu pequeno apartamento, um lembrete constante de que eu estava recomeçando. Hoje era o dia. O único dia da semana em que Pedro me permitia ver meu filho.

Meu filho, João.

Meu coração batia descompassado enquanto eu escolhia uma roupa. Peguei um vestido simples, de cor clara, algo que uma mãe "normal" usaria. Eu precisava parecer estável, recuperada, sã. Qualquer coisa que fizesse Pedro reconsiderar.

Minhas mãos tremiam um pouco ao passar um batom discreto. O reflexo no espelho mostrava uma mulher mais magra, com olheiras que a maquiagem não conseguia esconder completamente, mas meus olhos tinham um brilho de determinação que não existia há meses. A terapia com o Dr. Ricardo estava funcionando. Eu estava saindo do poço escuro da depressão pós-parto e do esgotamento.

Eu estava pronta para ser mãe. Pronta para ter meu filho de volta.

A lembrança da última vez que tentei argumentar com Pedro veio como um soco no estômago.

Foi há duas semanas, no escritório dele. O lugar era frio, impessoal, todo em vidro e aço, assim como o homem que eu um dia amei.

"Pedro, eu estou melhor. As sessões estão ajudando. Eu quero o João de volta em casa."

Ele nem sequer levantou os olhos dos papéis em sua mesa.

"Ana, não comece. Você não tem condições."

"Eu tenho! Eu sou a mãe dele!"

"Uma mãe que mal conseguia sair da cama. Uma mãe que chorava o dia todo. Você acha que isso é bom para uma criança? Clara está fazendo um trabalho excelente. João está feliz e seguro com ela."

Sua voz era calma, desprovida de qualquer emoção, o que a tornava ainda mais cruel. Ele falava como se estivesse discutindo um negócio, não o destino do nosso filho.

"Clara não é a mãe dele. Ela é sua 'amiga' ."

A forma como eu disse a palavra "amiga" fez com que ele finalmente me olhasse. Seus olhos eram frios como gelo.

"Clara é mais mãe para ele do que você jamais foi. Acabou a conversa."

Ele se levantou, ajeitou o terno caro e simplesmente saiu da sala, me deixando sozinha com o eco de suas palavras.

Sacudi a cabeça, afastando a memória dolorosa. Hoje seria diferente. Eu não ia implorar. Eu ia observar, reunir provas de que eu estava certa, de que algo estava errado.

O Uber parou em frente à mansão imponente que um dia chamei de lar. Respirei fundo e saí do carro. Cada passo em direção àquela porta gigante parecia pesar uma tonelada.

Toquei a campainha.

A porta se abriu, e não foi Pedro quem me recebeu. Foi Clara.

Ela usava um vestido de seda que parecia caro demais para um dia em casa. Um sorriso falso se espalhou por seus lábios.

"Ana! Que bom te ver. Você parece... melhor."

O veneno em sua voz era sutil, mas eu o senti.

"Eu vim ver o meu filho, Clara."

"Claro, claro, entre. Pedro está em uma ligação importante. O trabalho nunca para, você sabe."

Ela me deu as costas e caminhou para a sala de estar. Eu a segui, meu coração apertando a cada passo.

E então eu o vi.

Meu João.

Ele estava em um cercadinho no canto da sala. Estava menor do que eu me lembrava. Uma mancha vermelha e irritada se destacava em sua bochecha pálida. Ele estava quieto, quieto demais para um bebê de poucos meses. Seus olhos grandes pareciam vazios.

Clara se aproximou do cercadinho com uma mamadeira na mão.

"Olha quem está com fome de novo. Esse menino tem um apetite de leão."

Ela enfiou o bico da mamadeira na boca dele com uma força desnecessária. João se engasgou um pouco, virando o rosto, mas ela insistiu.

Uma onda de fúria e pânico subiu pela minha espinha.

"Pare. Você está o machucando."

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

Clara se virou para mim, o sorriso falso de volta no lugar.

"Não seja boba, Ana. É assim que ele gosta. Ele é um bebezinho teimoso."

"Me dê ele. Eu quero segurá-lo."

Eu me movi em direção ao cercadinho.

Clara se interpôs entre mim e meu filho, seu corpo bloqueando meu caminho.

"Acho melhor não. Ele acabou de mamar, pode vomitar. E com essa sua... instabilidade, não queremos que ele se assuste, não é?"

A humilhação queimou em meu rosto. Ela estava usando as palavras de Pedro, as minhas fraquezas, contra mim.

Naquele momento, Pedro entrou na sala, o celular ainda colado na orelha. Ele encerrou a chamada com um gesto impaciente.

"O que está acontecendo aqui?"

"Pedro!" , corri até ele, minha voz um sussurro desesperado. "Olhe para o João. Ele não está bem. Aquela mancha no rosto dele... e a forma como Clara o trata..."

Pedro lançou um olhar rápido para o cercadinho e depois para mim, sua expressão era de puro fastio.

"Ana, pelo amor de Deus. É só uma assadura. E Clara está cuidando muito bem dele. Não comece com seu drama. Você tem uma hora. Aproveite."

Ele se virou, pronto para sair.

"Pedro, por favor, me escute!"

Ele parou, mas não se virou.

"Eu estou te escutando, Ana. E estou cansado de ouvir suas reclamações. Se você não consegue nem mesmo fazer uma visita sem causar problemas, talvez seja melhor repensarmos esses encontros."

A ameaça pairou no ar, fria e cortante.

Clara, sentindo sua vitória, se abaixou e pegou João do cercadinho. Ela o segurava de uma forma estranha, quase como um objeto.

"Vamos, meu amorzinho. Vamos para o seu quarto, para longe de toda essa agitação. A titia vai cuidar de você."

Ela sorriu para mim por cima do ombro de João, um sorriso de triunfo absoluto, e o levou para fora da sala, subindo as escadas.

Eu fiquei ali, paralisada, ouvindo os passos dela se afastarem e o som da porta do quarto de João se fechando. Sozinha na sala de estar fria, com o olhar indiferente de Pedro me queimando as costas. Eu não tinha conseguido nem tocar no meu filho.

Capítulo 2

Uma semana depois, o telefone tocou. Era um número desconhecido.

Uma voz feminina e apressada do outro lado da linha disse palavras que não faziam sentido no início.

"Senhora Ana? Aqui é do Hospital Santa Lúcia. Seu filho, João Oliveira, deu entrada na emergência. Houve um acidente."

O mundo parou. O ar em meus pulmões congelou.

"Acidente? Que tipo de acidente?"

"Ele... ele caiu da escada, senhora. Eu sinto muito. A senhora precisa vir para cá."

Eu não me lembro de desligar o telefone. Não me lembro de pegar minha bolsa ou de chamar um carro. A próxima coisa que soube é que eu estava correndo pelos corredores brancos e estéreis do hospital, o som dos meus sapatos ecoando o pânico em meu peito.

Uma enfermeira me encontrou no balcão da emergência. Seu rosto era uma máscara de pena. Ela me guiou por um corredor silencioso até uma pequena sala de espera.

"O médico virá falar com a senhora em breve."

Eu não me sentei. Fiquei em pé, tremendo, abraçando meu próprio corpo.

O tempo se arrastou. Cada segundo era uma tortura. Onde estava Pedro? Onde estava Clara?

Finalmente, a porta se abriu. Um médico com um rosto cansado e triste entrou. Ele se apresentou como Dr. Almeida.

Ele não precisou dizer nada. Eu vi nos olhos dele.

"Eu sinto muito, senhora Oliveira."

Aquelas palavras. Aquelas quatro palavras que destroem universos.

"Não..." , o som saiu da minha garganta, um ruído animalesco. "Não... ele está bem. Ele tem que estar bem."

"A queda foi muito grave. Ele teve um traumatismo craniano severo. Nós fizemos tudo o que podíamos, mas..."

Eu parei de ouvir. O mundo ao meu redor se dissolveu em um zumbido alto e ensurdecedor. Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos no chão frio do hospital. Um grito rasgou minha garganta, um som de pura agonia, de uma dor tão profunda que parecia que meu corpo estava sendo partido ao meio.

Meu filho. Meu bebê. Meu João.

Não. Não podia ser.

Era um pesadelo. Eu ia acordar.

Mas eu não acordei. A dor era real, física, esmagadora.

Eu não sei quanto tempo fiquei ali no chão, soluçando, até que a porta se abriu novamente.

Pedro entrou.

Ele não estava correndo. Não estava pálido de pânico. Ele caminhava calmamente, o celular na mão, o rosto franzido em aborrecimento.

"Que inferno. Tive que sair no meio de uma reunião importantíssima. O que aconteceu? Clara me ligou chorando, não entendi nada."

Ele olhou para mim no chão, depois para o médico, e uma sombra de impaciência cruzou seu rosto.

"O que foi?"

O médico, visivelmente chocado com a atitude de Pedro, pigarreou.

"Senhor Oliveira, eu sinto informar, mas seu filho... ele não resistiu."

Pedro piscou. Por um instante, apenas um, vi uma rachadura em sua fachada de gelo. Mas foi só por um instante.

Ele guardou o celular no bolso.

"Entendo."

Foi tudo o que ele disse. "Entendo."

Eu me levantei, cambaleando. Olhei para o homem com quem me casei, o pai do meu filho morto, e vi um estranho. Um estranho frio e calculista.

E naquele momento, uma clareza terrível e cortante me atingiu.

Nosso casamento não era uma parceria. Era uma transação. Eu era a arquiteta talentosa de uma família respeitada, uma boa adição ao seu portfólio de sucesso. João era o herdeiro, mais um item para a lista de conquistas dele. Mas quando eu quebrei, quando eu me tornei um "problema" , ele simplesmente me descartou e terceirizou a criação do herdeiro para alguém mais conveniente.

Meu filho. Meu filho morreu por causa dessa conveniência.

"Acabou, Pedro."

Minha voz era um fio, mas carregada com o peso de todo o aço do mundo.

Ele me olhou, confuso.

"O que acabou?"

"Nós. Você e eu. Acabou."

Naquele momento, a porta se abriu e Clara entrou correndo, o rosto banhado em lágrimas de crocodilo.

"Pedro! Oh, meu Deus, Pedro! Foi horrível! Eu só me virei por um segundo..."

Ela se jogou nos braços dele, soluçando dramaticamente.

Ver aquilo... ver aquela mulher nos braços dele, depois de tudo...

Uma fúria branca e pura tomou conta de mim.

Eu marchei até ela.

Puxei-a pelos cabelos, tirando-a dos braços de Pedro.

E dei um tapa em seu rosto. Com toda a força que eu tinha.

O som ecoou na pequena sala.

Clara gritou, mais de surpresa do que de dor.

"VOCÊ!" , eu gritei, minha voz rouca de dor e ódio. "FOI CULPA SUA!"

Pedro reagiu instantaneamente. Ele me agarrou pelos braços, me afastando dela.

"Ana, você ficou louca?!"

Ele me empurrou para trás, com força. E então, ele se virou e abraçou Clara, protegendo-a. Consolando-a.

"Calma, meu bem, calma. Ela não sabe o que está fazendo."

Ele olhou para mim por cima do ombro dela, e seus olhos não tinham nada além de desprezo.

Aquele gesto. Aquele simples gesto de escolher ela, de proteger a mulher que causou a morte do nosso filho, em vez de mim, a mãe em luto... foi a pá de cal.

Eu me virei, ignorando os dois. Fui até a porta, mas parei e olhei para trás uma última vez. Meus olhos encontraram os dele.

"Eu quero o divórcio, Pedro. E eu juro, eu juro por tudo o que é mais sagrado, que você e ela vão pagar por isso."

Saí da sala e não olhei para trás. Enquanto eu caminhava pelo corredor do hospital, uma figura mais velha e imponente vinha em minha direção. A mãe de Pedro. Seus olhos duros me avaliaram de cima a baixo.

"Ana. O que aconteceu? Onde está o meu neto?"

Eu parei na frente dela. A mulher que sempre me pressionou, que me via apenas como uma incubadora para o "herdeiro perfeito" .

Eu a encarei, o rosto sem expressão, a dor dentro de mim se transformando em uma armadura fria.

"Pergunte ao seu filho. E à cadela dele."

Eu passei por ela sem esperar por uma resposta, deixando-a paralisada no meio do corredor. A guerra estava apenas começando.

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