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Casada com o Chefe Bilionário Disfarçado

Casada com o Chefe Bilionário Disfarçado

Autor: Dragon
Gênero: Moderno
Para escapar da sua família que planejava vendê-la para um bandido, Ayla tomou uma decisão desesperada. Ela foi até a prefeitura e se casou com um completo estranho: Drake, um motorista de Uber falido que mal conseguia pagar o próprio aluguel. A punição veio rápido. Sua cunhada a expulsou de casa aos gritos, a chamando de parasita, enquanto o bandido a rastreou até um restaurante para assediá-la. Drake parecia a pior escolha possível: ele foi humilhado em público, a levou para morar num apartamento sujo e mofado no Brooklyn, e lhe entregou seus únicos quarenta dólares após dormir no chão duro. "Você trocou um homem rico por um perdedor falido? Saia da minha casa!" Todos diziam que Ayla havia arruinado sua vida. Mas as peças não se encaixavam. Se Drake era apenas um motorista esgotado e miserável, como ele conseguiu esmagar o pulso daquele bandido em segundos, exalando a aura fria e letal de um assassino de aluguel? Por que seus olhos carregavam uma autoridade tão absoluta que aterrorizava qualquer um ao redor? E quem era aquele velho andrajoso que apareceu na porta deles, os forçando a dormir na mesma cama sob ameaça? Ayla acreditava que estava apenas protegendo um homem vulnerável e lutando por sua independência. Ela não fazia ideia de que seu marido pobre era, na verdade, o implacável e sanguinário CEO bilionário do Grupo Moran, e que o plano dele para fazê-la implorar pelo divórcio estava prestes a sair totalmente do controle.
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Capítulo 1

Ayla apertou o pequeno bilhete, o número 42 borrado pelo suor que pingava das suas mãos.

Enquanto estava na calçada em frente à prefeitura de Nova York, com o peito subindo e descendo num ritmo acelerado e superficial, o vento frio atravessava seu vestido fino de algodão, mas ela não conseguia senti-lo, pois o pânico sufocante apertava sua garganta.

De repente, seu celular vibrou contra sua coxa, e quando Ayla o pegou, a tela se iluminou, revelando uma mensagem da sua cunhada, Brenda:

"Vinnie está te esperando às oito da noite. Nem pense em fugir. Você nos deve."

Ayla olhou para as palavras, e seu estômago se revirou com uma onda violenta de náusea. Em seguida, ela jogou o celular no banco de madeira ao lado dela, suas unhas cravadas tão profundamente nas palmas das mãos a ponto de quase rasgar a pele. Ela não voltaria de jeito nenhum, preferindo morrer a deixar que eles a vendessem para um bandido de rua.

Nesse momento, um rangido estridente de pneus ecoou pela rua.

Um Ford sedan velho parou na beira da calçada, enquanto uma fumaça preta e espessa saía do escapamento e formava uma nuvem de cinzas no ar. Ayla tossiu, abanando com a mão na frente do rosto.

Com um rangido metálico nauseante, a porta do motorista se abriu e

um homem saiu. Ele usava uma jaqueta jeans desbotada e barata, como se já tivesse sido lavada mil vezes. Porém, as roupas não combinavam com seu corpo enorme. Seus ombros eram largos, e sua presença imponente imediatamente dominou o ambiente.

Drake estreitou seus olhos escuros, seu olhar atravessando o ar empoeirado e se fixando em Ayla, que parecia pequena ali no seu vestido simples. Ele deu um passo em direção a ela.

Ao vê-lo se aproximar, Ayla ficou tensa, dando um passo cauteloso para trás. A presença do homem era sufocante, carregada de uma intensidade sombria que a fez se sentir aterrorizada.

"Você é... o filho de Phillip Moran?", ela perguntou com a voz trêmula.

Drake enfiou uma mão no bolso e curvou os ombros, numa tentativa de esconder sua postura perfeita.

"Sim, sou eu", ele grunhiu, forçando um sotaque forte do Brooklyn nas suas palavras, disfarçando a pronúncia clara e educada de um bilionário de Wall Street.

Ayla soltou um suspiro de alívio, e seus ombros relaxaram. Em seguida, ela pegou sua bolsa de lona e tirou duas folhas de papel impressas, as estendendo para ele.

"Aqui está o acordo", disse ela, com os olhos arregalados e desesperados.

Drake pegou os papéis finos, enquanto seus olhos percorriam o texto barato e mal formatado. Ele teve que morder a bochecha para não rir, achando que aquilo era uma desculpa completamente patética para um documento legal. Erguendo uma sobrancelha, ele se fez de desentendido e perguntou com uma voz lenta e confusa:

"O que é isso?"

Ayla achou que ele não havia entendido as palavras difíceis, então sua expressão se suavizou para um olhar paciente e gentil.

"Isso só diz que nossas finanças ficarão separadas. Não vou tocar no seu dinheiro, e você não tocará no meu. Vamos morar juntos, mas seremos independentes", ela explicou suavemente.

Drake olhou para os olhos claros e sinceros dela, e algo estranho se agitou no seu peito. Ele odiava caçadoras de dinheiro e todo esse acordo que seu pai havia lhe imposto. Mas, ao olhar para ela, esse ódio pareceu se dissipar por um instante.

Ele precisava testá-la, vê-la fugir.

"Olhe, moça. Sou motorista de Uber e acabei de ser banido de uma conta corporativa. Mal consigo ganhar o suficiente para comer. Talvez eu nem consiga pagar o aluguel no próximo mês. Tem certeza de que quer se casar com um fracassado?", perguntou Drake num tom ríspido, esfregando a nuca.

Ayla não se deixou intimidar. Erguendo o queixo, ela disse com firmeza:

"Tenho um emprego. Sou professora e recebo um salário fixo. Posso pagar metade das contas. Se você não conseguir, eu posso arcar com o restante."

As palavras atingiram Drake em cheio, o fazendo cerrar o maxilar. Ele a encarou, procurando a mentira nos seus olhos, mas não encontrou nada. Um brilho sombrio e indecifrável surgiu nas suas pupilas.

Pegando uma caneta de plástico barata do bolso, ele rabiscou seu nome na última linha.

Então, eles entraram na prefeitura. O prédio estava lotado, e o ar estava impregnado com um cheiro de perfume barato e suor. Acostumado com coberturas luxuosas e privativas, ele detestava aquele lugar sujo e cheio de gente.

De repente, uma mulher corpulenta passou por eles, seu cotovelo atingindo as costelas de Drake com força.

Uma irritação repentina surgiu no peito de Drake, que se virou com um palavrão na ponta da língua, prestes a repreender a mulher descuidada. No entanto, ele viu Ayla o olhando com os olhos arregalados e pedindo desculpas, o fazendo engolir o insulto e soltar um suspiro pesado e irritado. Esfregando as costelas, ele assumiu a postura de um motorista exausto que não tinha energia para brigar.

Ayla o puxou pela manga da camisa até o balcão.

"Você está com sua identidade?", ela perguntou, o tratando como um dos seus alunos do ensino fundamental.

Drake piscou, perplexo com o fato de que ninguém falava com ele assim desde que era criança.

A funcionária atrás do vidro parecia entediada. "Vocês dois estão se casando por vontade própria?"

Drake olhou para as mãos de Ayla, cujos nós dos dedos ficaram brancos de tanto segurar o balcão.

"Sim", ele respondeu, sua voz baixa e firme.

"Sim", Ayla repetiu. Embora sua voz estivesse trêmula, a determinação absoluta no seu tom era inconfundível, mostrando que ela estava determinada a romper com seu passado.

O carimbo de metal pesado foi batido no papel, o som ressoando pelos ouvidos de Ayla. Em seguida, dois certificados de casamento foram entregues, oficializando o vínculo legal entre eles.

Ayla pegou sua cópia, seus olhos ardendo com lágrimas que ameaçavam cair. Soltando um suspiro longo e trêmulo, ela sentiu o fardo esmagador no seu peito finalmente se dissipar. Agora, ela estava segura.

Drake olhou para sua cópia, o canto da sua boca se contraindo num sorriso frio e discreto. O plano para se livrar do seu velho havia começado oficialmente.

Quando eles se viraram para sair do saguão e caminhavam em direção às portas de vidro, Drake avistou de relance um sedã preto discreto parado do outro lado da rua. Não era o Maybach de sempre, mas Drake conhecia os veículos furtivos do seu pai. Instantaneamente, ele mudou sua postura, curvando os ombros para a frente para parecer derrotado e insignificante.

A janela traseira do sedã se abriu o suficiente para revelar o rosto severo de Phillip Moran. Ayla reconheceu o homem mais velho imediatamente, sabendo que foi ele quem organizou tudo isso. Ayla o levou para fora e até a calçada, parando a uma distância respeitosa.

"Senhor Moran, conseguimos", disse Ayla num tom educado, erguendo o certificado para que ele pudesse vê-lo pela janela.

Phillip acenou com a cabeça em satisfação, embora seus olhos observassem as roupas patéticas e desbotadas do filho com uma irritação contida. Então, seu rosto se enrijeceu numa expressão de autoridade absoluta enquanto sua voz ecoava bruscamente pela janela aberta, sem deixar espaço para discussão:

"Ótimo. Agora, vocês dois vão morar juntos imediatamente. Não vou deixar meu filho morar na rua enquanto está casado. Vocês vão morar sob o mesmo teto, ou o acordo será cancelado."

Os olhos de Ayla se arregalaram em choque, e seu coração disparou. Ela virou a cabeça, olhando para Drake em busca de ajuda.

Drake cerrou os dentes, encarando o pai e percebeu a ameaça silenciosa nos olhos do velho. Ele havia planejado deixá-la num hotel e ir embora, mas agora seu pai estava o forçando a agir.

Soltando um suspiro pesado e fingido, Drake deu de ombros.

"Tudo bem. Vamos morar juntos", ele murmurou, interpretando o papel de filho derrotado.

Capítulo 2

O vento frio atingiu Ayla, fazendo com que ela se abraçasse na tentativa de se esquentar. Enquanto isso, a exigência de Phillip era como uma marreta batendo na sua cabeça, já que morar juntos imediatamente nunca fez parte do seu plano.

Então, Drake avançou, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta.

Com a voz rouca, Drake mentiu: "Não posso te deixar ficar comigo, pois meu quarto alugado é do tamanho de um armário e não vamos caber lá."

Phillip soltou uma risada sarcástica e acenou para seu motorista, que saiu do banco da frente e lhe deu uma chave de latão num chaveiro barato. Quando Drake a pegou, o metal frio queimou sua palma, e ele sabia exatamente o que aquela chave significava. O velho desgraçado estava o prendendo numa prisão para ficar de olho no casamento.

Phillip disse friamente: "Comprei um apartamento velho no Brooklyn há anos. Vocês dois podem ficar lá. Considere como um presente de casamento."

Ao olhar para a chave na mão de Drake, seu estômago se revirou. A necessidade desesperada de independência a consumia por dentro.

"Não. Não podemos morar lá de graça. Vamos pagar aluguel", disse Ayla com firmeza.

Ao ouvi-la, um brilho de respeito genuíno passou pelo seu rosto enrugado ao olhar para ela.

"Tudo bem. Quinhentos dólares por mês. Só para constar", ele concordou calmamente.

Enquanto isso, Drake observava o rosto de Ayla, que já estava fazendo as contas na sua cabeça, com os lábios se movendo num murmúrio. Nesse momento, seu peito se encheu de desconfiança. Ela era esperta e estava pensando no futuro, se fingindo de honesta para garantir um pagamento maior depois.

Phillip se virou e caminhou em direção ao sedã parado. Antes de entrar, ele lançou a Drake um olhar mortal e de advertência, como se estivesse dizendo: "Não estrague isso." Após a porta do carro bater, o sedã seguiu seu caminho, desaparecendo no meio do trânsito.

De repente, o silêncio tomou conta do lugar, fazendo com que o constrangimento entre Ayla e Drake fosse tão denso que poderia ser cortado com uma faca.

"Vamos àquele lugar. Precisamos conversar", Drake propôs, apontando para um restaurante do outro lado da rua.

Eles se sentaram num banco de vinil grudento. Enquanto isso, o cheiro de café queimado e gordura velha invadia o local. Enfiando a mão no bolso interno da jaqueta, ele tirou uma pilha grossa e perfeitamente dobrada de papéis, os colocando sobre a mesa grudenta.

Ayla olhou para baixo, vendo que era um documento de seis páginas.

Quando ela abriu a primeira página, seus olhos se arregalaram. O cabeçalho dizia "Adendo ao Acordo Pré-Nupcial". As páginas estavam repletas de termos jurídicos complexos e agressivos. Era uma ampliação drástica do contrato original, acrescentando novas restrições e limites financeiros mais rígidos. "Com certeza nenhum motorista de Uber poderia ter escrito isso", ela pensou.

"O que é isso?", ela perguntou, num tom tenso.

Sem nem piscar, Drake respondeu: "É um adendo. Baixei um modelo na internet por cinquenta dólares. Não posso pagar um advogado, mas preciso me proteger. O primeiro acordo era muito vago, então isso deixará as coisas bem claras. Não quero que você tente ficar com meu carro ou de qualquer ganho futuro se nos separarmos."

Enquanto Ayla lia as novas cláusulas, seu coração disparou ao ver que os termos eram humilhantes. Ela não tinha o direito de perguntar sobre a agenda dele, nem de ter qualquer bem que ele pudesse adquirir. Se eles se divorciassem, ela sairia sem absolutamente nada além do que já tinha.

Drake pegou sua caneca de café ruim e tomou um gole, o líquido amargo queimou sua língua assim que ele o bebeu. Ele observava o rosto dela, esperando pela explosão. Imaginando que ela gritasse, jogasse os papéis na sua cara e exigisse dinheiro.

No entanto, Ayla franziu a testa um pouco e fechou o documento.

Em seguida, ela enfiou a mão na bolsa, pegou uma caneta e foi para a última página, assinando seu nome rapidamente.

Vendo isso, as pupilas de Drake se dilataram e ele prendeu a respiração.

"O que está fazendo?! Por que nem discutiu? Não tem medo de que eu esteja te enganando?", ele perguntou, sua voz um pouco trêmula.

Ayla ergueu a cabeça, o encarando com seus olhos penetrantes e claros.

"Tenho duas caixas de roupas velhas e alguns materiais de arte. Não tenho nada que você possa roubar. Este acordo me protege tanto quanto te protege. Ele estabelece limites para nós."

A honestidade na voz dela atingiu Drake em cheio. Sua boca se abriu, mas o insulto sarcástico que ele havia preparado morreu antes mesmo de ser dito, o fazendo sentir uma súbita e irritante sensação de derrota.

Ayla dobrou sua cópia do adendo e a colocou na bolsa, dando a ele um sorriso educado.

"Já que as regras estão definidas, preciso voltar para Queens para arrumar minhas coisas", disse ela, se levantando do assento.

Uma onda de irritação o atingiu, se levantando rapidamente. "Vou te levar."

"Não", disse Ayla, balançando a cabeça. Ela fez uma pausa, seu olhar se desviando para a tela do celular por uma fração de segundo. A mensagem ameaçadora de Brenda sobre Vinnie ainda estava na sua mente, lhe causando uma sensação de angústia. Ela já havia enviado uma mensagem para sua amiga Marisol há uma hora, pedindo que ela fosse até o apartamento para testemunhar e gravar tudo no seu celular. Marisol havia respondido com um joinha e as palavras "Já estou lá". Ayla soltou um suspiro lento, pensando que agora tinha um apoio e não estaria sozinha. "Seu carro gasta muita gasolina. O metrô é mais barato. Economize seu dinheiro."

Ao ouvi-la, Drake congelou, com as palavras dela o sufocando. Ele, um bilionário que gastava milhares numa única garrafa de vinho, acabara de ser rejeitado porque era pobre demais para pagar a gasolina. O absurdo da situação fez seu sangue ferver.

Ayla se virou e saiu da lanchonete, com as costas eretas e passos firmes. Drake ficou parado ao lado da mesa, seus olhos fixos na sua silhueta se afastando até desaparecer nas escadas do metrô.

No momento em que ela saiu de vista, Drake tirou um celular moderno e criptografado do bolso, ligando para seu assistente executivo, Alex.

"Senhor?", Alex atendeu prontamente.

"Faça uma investigação completa de antecedentes de Ayla Carter. Quero todos os detalhes da vida dela na minha mesa o mais rápido possível. E Alex, providencie uma equipe de segurança para ela, de forma discreta. Quero que fiquem de olho no apartamento dela em Queens em uma hora. Se alguém tentar fazer algo de errado perto dela, quero saber", ordenou Drake, sua voz não era mais o tom arrastado de um motorista, e sim o tom frio e autoritário de um CEO.

"Entendido, senhor. Ah, e só para lembrar, a reunião do conselho para a aquisição de tecnologia será em quarenta minutos."

Drake olhou para a estação de metrô, com o maxilar cerrado.

"Adie a reunião por uma hora. Tenho um assunto pessoal para resolver", ele ordenou antes de encerrar a ligação.

Então, Drake foi até o Ford enferrujado, abriu a porta e limpou a poeira do banco do motorista com um olhar de puro desgosto. Após entrar, ele deu partida no carro.

O motor ligou com um ruído áspero e estridente que disfarçava perfeitamente o mecanismo de alto desempenho personalizado escondido sob o capô enferrujado. Drake havia pedido aos seus mecânicos que instalassem um abafador de som para manter o som convincentemente lamentável. O carro entrou no trânsito com uma lentidão enganosa e pesada, escondendo o fato de que poderia avançar como um foguete se ele precisasse.

Drake segurava o volante com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, enquanto jurava para si que faria essa mulher falsa e hipócrita implorar pelo divórcio em um mês.

Capítulo 3

Assim que Ayla abriu a porta de metal desgastada do apartamento dos Queens, o cheiro forte de perfume floral barato e óleo de cozinha rançoso invadiu suas narinas e fez seu estômago revirar.

Sua cunhada, Brenda, estava esparramada no sofá da sala de estar apertada, assoprando suas unhas vermelhas recém-pintadas. Seu rosto se contorceu numa carranca assim que ela ergueu os olhos.

"Você está atrasada", ela ordenou. "Vinnie reservou uma mesa numa churrascaria chique. Coloque agora aquele vestido preto justo. Você precisa estar bem bonita."

Ayla não disse nada. Apesar de seu coração estar batendo forte contra as costelas, suas mãos se mantiveram firmes. Indo até a mesa de centro danificada, ela abriu o zíper da bolsa, pegou uma cópia da certidão de casamento e a colocou sobre a madeira.

O estalo ecoou na pequena sala.

Brenda parou de assoprar as unhas e franziu a testa, e o pegou para lê-lo. No instante seguinte, seus olhos se arregalaram em horror.

Ela se levantou do sofá e gritou, com sua voz perfurando os ouvidos de Ayla: "Que diabos é isso? Isso é alguma piada?"

Ayla a encarou fixamente. "Estou casada. O encontro com Vinnie está cancelado."

Diante dessas palavras, o rosto de Brenda empalideceu, e depois por um vermelho manchado e feio. A comissão que ela deveria receber de Vinnie foi por água abaixo, e seu pagamento foi arruinado.

Num rompante de fúria, Brenda avançou e cravou suas unhas afiadas no pulso de Ayla.

"Quem é esse Drake? O que ele faz? Quanto ele pagou por você para se casar com você?", ela gritou, enquanto sacudia o braço de Ayla.

Ayla puxou o braço de volta bruscamente e esfregou a pele ardida.

"Ele é motorista de Uber. Não houve dinheiro envolvido. Ele nem sequer podia comprar uma aliança de verdade", ela disse friamente.

Essas palavras foram como jogar gasolina na fogueira. Brenda soltou uma risada histérica e descontrolada.

Enquanto apontava um dedo trêmulo para o rosto de Ayla, ela cuspiu: "Sua vadia estúpida! Você trocou um homem rico por um perdedor falido? Nós te alimentamos! Te abrigamos! Sua parasita ingrata!"

De repente, os gritos acordaram Leo, irmão de Ayla, que saiu do quarto usando um pijama amassado. Em pânico, ele se colocou entre as duas mulheres.

"Brenda, pare!", ele implorou. Depois, se virou para Ayla, com os olhos cheios de tristeza e medo. "Ayla... você fez isso só para fugir de Vinnie?"

Ayla olhou para o irmão, com um aperto no peito.

"Fiz isso porque quero ter minha própria vida, Leo. Quero uma casa", ela disse com a voz ligeiramente embargada.

Brenda debochou: "Uma casa? Com um motorista? Tire suas tralhas da minha casa! Se você está casada, não vai dormir aqui esta noite. Saia!"

Ayla ficou tensa. "Estou arrumando minhas coisas agora mesmo. Não ficarei aqui nem mais um segundo."

Num acesso de raiva, Brenda chutou a lata de lixo de plástico, a fazendo voar pela sala, depois foi para o quarto e bateu a porta com tanta força que as paredes tremeram.

A sala ficou em silêncio, com o ar pesado e sufocante. Leo olhava para o chão, com os ombros caídos de vergonha e os olhos vermelhos.

Indo até uma prateleira empoeirada, ele pegou uma lata de biscoitos velha, depois vasculhou uma pilha de recibos e tirou um pedaço de papel amassado. Em seguida, foi até Ayla e o entregou a ela.

Ayla olhou para baixo e se deparou com um cheque de mil dólares.

Nesse momento, as lágrimas embaçaram sua visão e um nó se formou em sua garganta. "Leo, não. Você precisa disso para as crianças. Não posso aceitar."

Leo segurou a mão dela, fazendo com que seus dedos se fechassem em volta do papel. Sua voz saiu num sussurro rouco e embargado. "Pegue. É o único presente de casamento que posso te dar. Por favor, Ayla."

Ayla não pôde recusar, então passou os braços em volta do pescoço dele e o abraçou com força, enquanto uma lágrima quente escorria pelo seu rosto. Ela estava finalmente livre, embora a ferida fosse profunda.

Limpando o rosto, ela entrou no pequeno armário sem janelas que chamava de quarto e arrancou os lençóis da cama estreita. Em seguida, pegou duas caixas de papelão velhas e colocou suas roupas dentro. Por fim, embalou cuidadosamente seus lápis de carvão e cadernos de desenho, colocando-os cuidadosamente sobre as roupas, fechando as caixas com fita adesiva.

No quarto agora vazio, Ayla respirou fundo para acalmar seu coração acelerado. Então, pegou seu celular e discou o número de Drake.

O celular tocou quatro vezes antes que ele atendesse.

Quando ele atendeu, o barulho de fundo era estranho. Estava em silêncio total, um silêncio profundo e ecoante que parecia uma sala enorme e vazia. Não havia barulho da rua, nem do motor.

"Drake? Está ocupado? Preciso que venha buscar minhas caixas. Se estiver trabalhando, posso chamar um táxi", Ayla perguntou em voz baixa.

Após uma pausa de dois segundos na linha.

"Estarei aí em trinta minutos", a voz grave de Drake ecoou pelo alto-falante do celular.

Após desligar, Ayla se sentou em cima de uma das caixas fechadas e olhou para a parede em branco, enquanto seu estômago se revirava com uma mistura angustiante de medo e esperança pela noite que viria.

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