Com o corpo em chamas, Sheila Jones ansiava por algum tipo de alívio. Era como se ela tivesse mergulhado de cabeça numa piscina de lava.
O peito firme de um homem estava pressionado contra o dela, e ela arqueou as costas em resposta, sussurrando: "Niko, como você pôde se esquecer de mim? Sinto falta dos dias em que você ainda me amava."
Ao ouvir o nome "Niko" da mulher, os olhos do homem se cerraram um pouco, pressionando-a com mais intensidade.
"Hum..."
Quando a primeira luz da madrugada surgiu pela janela, Sheila se virou na cama e se deparou com um peito escaldante. Abrindo os olhos, ela viu um rosto incrivelmente bonito.
"Espere aí! Quem é você? O que está fazendo na minha cama? O que aconteceu?"
Percebendo que não era um pesadelo e que estava nua debaixo das cobertas, Sheila soltou um grito de pânico.
Encostado na cabeceira da cama, Shane White a olhou da cabeça aos pés, notando as marcas vermelhas que pontilhavam a pele dela.
"Acho que a pergunta é: o que você fez comigo?", disse Shane, com uma voz rouca e sensual. "Assim que saí do elevador ontem à noite, você veio para cima de mim. Qualquer um pensaria que você era a desesperada ali."
Ao ser confrontada com isso, Sheila foi tomada por um misto de vergonha e raiva. Esse cara arrogante acabou de compará-la a uma prostituta?
Com esse pensamento, ela começou a levantar a mão para dar um tapa. Mas, quando ela foi fazer isso, o lençol escorregou, a deixando totalmente exposta.
Puxando o lençol para cima, Sheila o advertiu severamente: "Olha só, o que aconteceu ontem à noite ficará neste quarto. Quando sairmos daqui, seremos dois estranhos. Se você sequer insinuar isso para alguém, vai se arrepender amargamente."
Após impor as regras, Sheila pegou suas roupas espalhadas pelo chão e se vestiu.
A constatação de que havia perdido a virgindade com um desconhecido encheu os olhos dela de lágrimas.
Limpando as lágrimas com um movimento rápido e irritado, ela se recusou a deixar suas emoções mais frágeis transparecerem.
Percebendo a angústia dela, Shane suavizou o tom de voz: "É óbvio que o que aconteceu não foi planejado. Mas se você estiver disposta, posso te assumir."
"Você quer dizer se casar comigo?", perguntou Sheila, sem conseguir conter sua descrença e indignação. Com os olhos em chamas, ela retrucou: "Você acha que uma noite juntos permite que continuemos com isso, mas só se eu tiver um anel no meu dedo?"
Que audácia! Era como uma comédia distorcida.
Shane não esperava por isso.
Ao longo dos anos, as mulheres praticamente faziam fila para ter uma chance de ficar com ele, mas ele nunca sentiu a necessidade de se comprometer. Agora que ele ofereceu, ela não quis?
Terminando de se vestir, Shane pegou um cartão de visita com relevo dourado do seu bolso e o colocou na mesa de cabeceira.
"Aqui está meu número. Se mudar de ideia, você sabe como me encontrar."
Assim que ele se foi, Sheila afundou na banheira, esfregando as marcas na pele dela como se pudesse apagar todo o ocorrido. O mundo parecia um pouco mais sombrio do que antes.
Na noite anterior, ela havia ido a uma festa de família quando sua meia-irmã, Rita Jones, lhe entregou uma taça de vinho. Após terminar de beber, ela não se lembrava de mais nada.
Embora soubesse que não era muito boa de copo, uma taça de vinho não deveria ter tido esse efeito.
Só podia ser Rita que havia colocado algo no vinho!
Seis meses atrás, Niko Evans, o homem com quem Sheila namorava há dois anos, sofreu um acidente. Quando ele recuperou a consciência, não se lembrava dela. Pior ainda, ele ficou caidinho pela irmã dela, Rita.
Sheila tentou de tudo para fazê-lo se lembrar do tempo que passaram juntos, mas nada funcionou.
Agora, ela não tinha mais nada, pois Rita parecia ter lhe roubado o amor e a família.
Aquilo era o limite. Ela não podia mais deixar por isso mesmo.
Após o banho, Sheila pegou um táxi de volta para a casa da família Jones.
A casa da família Jones estava estranhamente silenciosa naquela manhã.
Quando ela estava prestes a entrar na sala de estar, ouviu sua madrasta e meia-irmã conversando.
"Mãe, perdemos uma oportunidade de ouro ontem à noite! O cara não filmou Sheila enquanto eles estavam, você sabe, juntos. Imagine se ele tivesse filmado! Poderíamos ter mostrado esse vídeo para Niko, e ele com certeza teria terminado com ela."
Então, outra voz, com um tom de escárnio, se juntou à conversa: "Não esquenta. Com vídeo ou não, Sheila não será mais um problema entre você e Niko."
Rita ficou confusa com essas palavras.
Sua mãe, Paula, riu baixinho antes de continuar: "Se lembra de Timothy, que estava na festa ontem à noite?"
"Timothy Green? Aquele cara mais velho e inquietante? Ouvi dizer que ele já teve seis esposas, e nenhuma delas está viva para contar a história. Agora ele está à caça da azarada número sete."
"Claro. Seu pai mencionou o interesse de Timothy em Sheila. Ele pretende vir aqui daqui a alguns dias para conversar sobre a união das nossas famílias", disse Paula. "O papai iria tão longe a ponto de entregar a Sheila para o Timothy?"
Paula deu uma risadinha, com os olhos brilhando como se ela tivesse acabado de desbloquear o código secreto da vida. "A empresa do seu pai está por um fio. Timothy está disposto a investir uma grana. Para salvar a empresa, seu pai está praticamente encurralado."
"Nossa, que incrível!"
Embora Rita estivesse cheia de entusiasmo, uma semente de ciúme brotou dentro dela.
Como Sheila conseguiu fazer isso?
Ela acabara de perder Niko e agora chamara a atenção de um velho rico como Timothy? Rita só queria poder apagar aquele sorriso sedutor do rosto dela!
Ao ouvir tudo isso, Sheila sentiu como se tivesse sido atingida por um raio.
Seus pés cederam, fazendo-a cambalear alguns passos para trás.
Então o cara da noite passada era um garoto de programa, um peão no jogo sujo de Rita?
E seu próprio pai iria entregá-la em casamento a Timothy, um homem velho como o mundo?
Ela já o havia visto antes.
Na festa, ele a comeu com os olhos como se ela fosse um pedaço de carne.
Os boatos diziam que ele era algum tipo de pervertido, e sua fama de crueldade com mulheres jovens o seguia como uma sombra.
Casar-se com ele seria a sua tragédia. Será que seu pai a considerava mesmo sua filha?
Quando as coisas iam bem no Grupo Lothian, ela se sentia uma estranha, sem receber amor ou atenção. Agora que a empresa estava em crise, ele estava disposto a jogá-la aos leões?
De jeito nenhum.
Ela não iria aceitar isso.
Com essa determinação, Sheila saiu, tomando cuidado para não alertar ninguém.
À tarde, Sheila se viu esperando por Niko do lado de fora do prédio do Grupo Evans.
"O que você está fazendo aqui?"
Niko a olhou como se fosse uma completa estranha. "Não deixei claro? Estou apaixonado pela Rita agora. É melhor você não me procurar mais."
Sheila havia chegado com um discurso sincero, mas as palavras frias dele o congelaram na ponta da sua língua.
Há apenas um ano, eles estavam construindo seus sonhos para o futuro.
Agora, aos olhos dele, ela não passava de uma perseguidora pegajosa, uma louca determinada a assombrá-lo e, pior, alguém que tentava roubar o amor da própria irmã. Ele sentia repulsa por ela!
Contendo um soluço, ela murmurou: "Meu pai e minha madrasta estão me forçando a casar com um homem terrível. Não tive a quem recorrer a não ser você."
Niko a encarou, com o rosto tão inexpressivo quanto uma parede. "E o que eu tenho a ver com isso?"
Era o que faltava. Sheila sentiu como se fosse alvo de uma piada cósmica.
Ela sabia que ele não se lembrava dela, então por que continuava agindo como uma criança perdida, correndo para ele ao primeiro sinal de problema?
"Desculpe por incomodar você. Já estou de saída."
Ela se virou e saiu apressada, fazendo o possível para manter o mínimo de amor-próprio que lhe restava.
Lágrimas inundaram seus olhos.
Ela havia se esforçado ao máximo, mas parecia estar encurralada, sem saída.
Se um dia ele se lembrasse dela, esperava que não a culpasse por sua falta de insistência.
Ao vê-la se afastar, a testa de Niko se franziu. Mas no momento em que Rita ligou, convidando-o para jantar, seu rosto se suavizou e ele voltou ao normal.
Vinte minutos depois, um anúncio pessoal apareceu discretamente em um aplicativo de rede social.
"Sou uma mulher de 23 anos, 1, 65m de altura e 48 quilos. Atualmente, trabalho na empresa da minha família. Não tenho doenças genéticas ou maus hábitos. Minha família tem uma boa condição financeira; meu pai administra uma pequena empresa e eu tenho minha própria casa e carro. Estou procurando um homem confiável para ser meu marido. Ele deve ser honesto, gentil, trabalhador, de uma família estável, não ser filhinho de mamãe e não ter problemas com álcool ou jogos de azar."
Enquanto isso...
Na cidade de Shusea, dentro de um escritório no último andar de um arranha-céu, um homem estava parado perto da janela, com uma mão no bolso. Seu corpo imponente projetava a silhueta de um governante soberano.
"Chefe." Seu assistente, Zayd Wood, entrou no escritório, mantendo uma distância respeitosa. "Conseguimos algumas informações sobre a mulher com quem você passou a noite. Há alguns detalhes intrigantes que acho que podem te interessar."
Lentamente, Shane se virou da janela, enquanto o sol do fim de tarde pintava um brilho dourado suave em seu rosto marcante.
Zayd lhe entregou um iPad. "Ela publicou um anúncio pessoal na internet."
"Um anúncio pessoal?"
Shane leu os detalhes do anúncio, com uma expressão indecifrável.
"Ora, isso é bem interessante..."
Nessa mesma manhã, ela havia recusado seu pedido de casamento, e agora estava anunciando que procurava um marido?
Será que ela o achava tão repulsivo assim?
Em apenas meio dia, Sheila conversou com nada menos que cinquenta homens.
Seja porque queria irritar sua família ou evitar as investidas de Timothy, ela estava com pressa para encontrar um marido.
Depois de eliminar aqueles que só estavam interessados em relacionamentos casuais ou ajuda financeira, ela marcou encontros com alguns candidatos promissores. No entanto, para sua surpresa, ela se viu sozinha em um café no dia seguinte.
Todos os homens haviam lhe dado um bolo.
Sem outra alternativa, Sheila decidiu tentar a sorte em outro aplicativo de namoro.
"Que coincidência!"
Uma voz rica e suave interrompeu seus pensamentos enquanto ela registrava sua nova conta.
Ao erguer os olhos, ela se deparou com um rosto familiar. Era o gigolô contratado por Rita na outra noite: Shane. Nesse momento, as bochechas dela ficaram vermelhas como um tomate.
"Está sozinha? Posso me juntar a você?", Shane perguntou.
"Prefiro que não", respondeu Sheila.
Sem se abalar com a rejeição, Shane se sentou graciosamente na cadeira à frente dela. "Soube que está procurando um marido."
Sheila o olhou com desconfiança. "Como soube disso?"
Ao invés de responder, Shane fez outra pergunta: "Já que passamos uma noite juntos, por que não me considera?"
Enquanto olhava para a boca dele formando as palavras, ela pensou em todos os homens que a haviam abandonado.
Seus olhos se estreitaram, a suspeita inundando seu olhar. "Rita te mandou?"
Shane arqueou uma sobrancelha. "Rita? Quem é ela?"
"Não se faça de ingênuo! Sei que ela te contratou para me violentar naquela noite! Quanto ela está te pagando agora para se casar comigo?"
Será que não havia limites para o que pessoas como ele fariam por dinheiro?
Percebendo o tom dela carregado de repulsa, Shane cerrou os dentes. "O que você acha que sou?"
"De qualquer forma, você não é alguém que eu chamaria de bom", Sheila respondeu, tirando uma nota da bolsa e a jogando sobre a mesa. "Isso deve cobrir o que você pedir. Vá dizer a Rita que caí no esquema dela uma vez, mas isso não acontecerá novamente."
Com isso, ela se levantou para ir embora, pensando que qualquer discussão com ele seria uma perda de tempo inútil.
No entanto, quando ela tentou passar por ele, de repente ele agarrou seu pulso e a puxou de volta, a fazendo perder o equilíbrio e cair para trás.
Após um breve momento de desorientação, ela percebeu que havia caído nos braços dele e agora estava sentada no seu colo.
As mãos dele seguravam sua cintura fina, a impedindo de se mover.
"Seu desgraçado, me solte!", Sheila gritou, tentando se libertar do aperto dele.
Shane sentiu o cheiro familiar dela, assim como naquela noite. Lentamente, seus olhos se obscureceram.
No passado, ele nunca se interessou muito por mulheres.
No entanto, naquela noite, o cheiro dela despertou algo dentro dele. Apesar de ter pensado melhor, ele preferiu segurá-la do que afastá-la.
"Você deveria se sentir sortuda por ter me encontrado naquela noite", disse ele.
Sheila ficou surpresa. "Do que está falando?"
"Naquela noite, depois que você foi drogada, havia outro homem escondido nas sombras com uma câmera. Se você não tivesse se aproximado de mim, imagens comprometedoras suas poderiam estar em toda a mídia agora."
Ao ouvir isso, Sheila sentiu sua mente girar. "Está falando sério?"
Em resposta, Shane jogou seu celular sobre a mesa de centro.
"Não acredita em mim? Dê uma olhada."
Relutantemente, Sheila pegou o celular dele e o desbloqueou. O que ela encontrou foi um vídeo de vigilância do corredor do hotel.
Nas imagens, ela podia ver claramente um homem de meia-idade escondido nas sombras, com uma câmera na mão, a observando como se ela fosse uma presa pronta para ser capturada.
Nesse momento, Shane saiu do elevador e ela caiu nos braços dele. O homem com a câmera só foi embora depois que eles entraram no quarto do hotel.
Ao ver isso, Sheila sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Rita não só a drogou, como também arranjou um cara assustador para ser o estuprador.
Se ele tivesse conseguido filmá-la...
Ela nem queria pensar no que poderia ter acontecido.
"Mesmo que você não tenha sido enviado por Rita, como foi parar naquele hotel naquela noite? Se não me engano, Timothy havia reservado o lugar todo, e você precisava de um convite para entrar!"
Diante dessas palavras, os olhos de Shane se desviaram ligeiramente. Sua cobertura ficava no topo do hotel, e era lá que ele costumava ficar. Embora Timothy tivesse reservado o lugar todo, isso não incluía a cobertura de Shane. Ele havia ido para lá descansar naquela noite e, assim que saiu do elevador, ela estava lá...
Após olhá-lo por um momento, Sheila disparou: "Você estava lá para encontrar alguma mulher rica?"
A testa de Shane se franziu e ele riu. "Uau, você tem uma imaginação e tanto!"
Sheila ficou atônita. Ele acabou de confirmar isso?
Com os dentes cerrados, ela o olhou novamente. "Tudo bem, seja lá o que você for. Venha comigo."
Shane arqueou uma sobrancelha. "Para onde?"
"Você disse que queria se casar comigo, não disse? Estamos indo para o cartório, e é melhor nos apressarmos, pois eles fecharão em breve."