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Olá tudo bem? Antes de iniciar a leitura, preciso informar o conteúdo que vocês encontraram aqui. Nesse livro aborda assuntos sensíveis como: luto, suicídio, automotilação, pensamentos e atitudes depressivas, violência e homofobia que podem ser gatilhos emocionais. Se você for sensíveis à esses assuntos, infelizmente não recomendo esse livro. Só quero que você esteja ciente do que vai ler, assim evitamos que você se sinta desconfortável no decorrer da história. O que eu menos quero é isso, sua saúde mental é mais importante. Agradeço desde já por lerem o meu livro. Vocês são incríveis! Bjs, Vah!
♡ EPÍGRAFE ♡
É possível encontrar o amor em um lugar improvável e amar alguém que achamos que odiamos?
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PRÓLOGO ♡
Meg Miller ♡
CINCO ANOS ATRÁS
- Quero ver filme de terror - afirmo animada no banco de trás do carro, enquanto coloco o cinto de segurança.
- Nada de terror, quero ver romance - retrucou minha irmã sem tirar os olhos do celular, sentada do meu lado.
Hoje mamãe resolveu que devermos fazer um programa em família, pois a um bom tempo que não fazíamos isso. Então cá estamos, indo para o cinema às oito horas da noite sendo que a sessão começa às nove, por isso papai está dirigindo rapidamente para não perdemos o filme. Filme esse que ainda não decidimos qual iremos ver.
- Nem a pau que eu vou ver romance, vai ser terror - reclamo revirando os olhos olhando para a cidade, que está agora com poucas pessoas na rua devido à chuva que está caindo bem forte do lado de fora do carro.
- E nem eu vou ver de terror - responde me fazendo bufar irritada e ouço a risada dos meus pais no banco da frente, provavelmente estão rindo da nossa discussão.
- Larga de ser chata Mandy, isso são só desculpas, porque tá com medo - provoco desviando os olhos da janela para ela e rio pela cara de surpresa que ela faz. - Medrosa - cantarolo fazendo ela revirar os olhos.
Eu sei dos seus medos, querida irmãzinha.
- Você é tão boba Meg, e eu não tenho medo. Só quero dizer que nem idade para vermos filmes de terror nós temos. Você tem quatorze e eu quinze anos esqueceu? Não podemos ver um filme de terror no cinema - Mandyson argumenta me olhando novamente e pisca para mim, acreditando que ganhou essa discussão. Eu a olho pasma com a boca aberta em forma de "O", mas logo tenho uma ideia, então abro um sorriso travessa e proponho:
- No cinema podemos não ver, mas em casa podemos sim. - Ela me encara desconfiada e eu abro ainda mais meu sorriso. - Duvido você assistir a um filme de terror comigo hoje quando chegarmos - acrescento firme com as sobrancelhas arqueadas fazendo ela me olhar espantada, porém logo muda sua expressão para determinada.
- Eu topo! - Exclamou fingindo estar animada e com isso arrancou uma risada minha e da minha mãe. Mamãe sabe que ela tem medo de filme de terror, principalmente os que têm fantasmas ou espantalhos assassinos.
- Mesmo Mandy? Vai topar ver um filme comigo? - Questiono estudando seu rosto, pois não acredito na sua resposta. Seus olhos esverdeados parecidos com os do papai, se mantém firmes nos como se tentasse me convencer com o olhar. Mandy empina seu nariz pequeno e arrebitado como se tentasse mostrar indiferença e seus lábios finos enrugam em uma linha fina. Sua pele clara é iluminada pelas luzes dos postes da rua por onde o carro passa deixando sua pele alaranjada. Observo seu rosto um pouco mais e noto as diferenças entre nós; meus olhos são azuis como os da mamãe, meu nariz é mais fino e meus lábios mais grossos. Há diferença também em nossos cabelos, enquanto o meu é loiro, o da Mandy é castanho claro. Somente o formato arredondado dos nossos rostos são parecidos. Mandy logo desvia o seu olhar do meu e bufa frustrada. - Eu sabia! - Afirmo me contorcendo de tanto rir.
- Mandy querida, não é vergonha ter medo de filme de terror - papai a conforta olhando para ela pelo retrovisor do carro, em resposta ela assente envergonhada e volta sua atenção para mim me olhando com desdém, e cruza os braços no peito e exclama:
- Você é muita chata!
- Sim, eu sei. - Ainda rindo eu bagunço sua franja castanha clara fazendo ela bater de leve na minha mão, mas depois ri.
- Chega dessa discussão boba, quem vai escolher o filme sou eu e vai ser de drama. - A minha mãe, Amélia Miller, intervém do banco da frente, a Mandy e eu nos olhamos, fazemos uma careta e dizemos em uníssono:
- Não! - Eu faço outra careta e acrescento: - Tudo menos drama, na minha vida já tem drama demais - choramingo e escuto meus pais rindo.
- Não seja dramática Meg. Só porque Kevin Lancaster não quis ir para o baile com você e preferiu ir com Diana Willians, isso não é o fim do mundo. - minha irmã comenta distraída olhando para o celular, só depois ela percebe o que disse e olha para mim apavorada, já eu a olho incrédula, afinal ela contou o que não devia.
Eu gosto do Kevin desde a quinta série, porém só a minha irmã sabia desse meu pequeno segredo. Agora meus pais também sabem.
Que droga!
- Quem é Kevin? - Mamãe questiona curiosa, se virando no seu banco para me olhar, ela franze a testa enquanto seus olhos azuis me estudam querendo uma resposta.
- Você tem um namoradinho? - Pergunta papai levemente zangado e me olha pelo retrovisor, mas logo volta a olhar para a estrada.
- Que isso John Miller, claro que não! É só um garoto da escola - respondo rapidamente tentando ser convincente e começo a rir, porém, tô rindo de nervoso. Desvio o olhar para a janela quando minha mãe continua me olhando com os olhos semicerrados, pois não acredita em mim. Vejo o instante que um raio corta o céu escuro e logo escuto o barulho do trovão.
Eu acho que não foi uma boa ideia sair com o tempo assim.
- Acho bom ser só um garoto da escola mesmo - papai resmunga no banco do motorista.
- Só um garoto da escola. - Mamãe repete minha resposta, como se tivesse refletindo. - Se é só um garoto da escola por que ficou vermelha? - Pergunta de forma intimidadora.
Eu fiquei vermelha? Merda.
Eu toco no meu rosto sentindo ele quente, fico envergonhada então desvio o olhar da janela para minhas mãos inquietas e fico quieta. Porém, o interrogatório não para.
- É o seu namorado Meg? Você sabe que eu não quero você arrumando namorado agora, a quero priorizando os estudos. Depois você pode pensar em namorar - o meu pai diz autoritário sem me olhar me fazendo revirar os olhos.
- O John está certo, vocês têm que priorizar os estudos - mamãe concorda com o papai.
Isso é uma droga, pois consigo lidar com às duas coisas ao mesmo tempo.
- Isso não é justo! - Exclamo irritada cruzando os braços e olhando para o meu pai no banco do motorista.
- É pai, eu concordo com a Meg. É injusto ela não poder namorar agora, pois eu sei que ela seria responsável e não deixaria o estudo de lado. - Mandy entra na conversa concordando comigo e eu balanço a cabeça positivamente olhando-lhe e depois olho para os meus pais no banco da frente, mamãe agora olhava atentamente para nós.
- Até porque se a Mandy pode, eu também posso - comento como se não fosse nada de mais, contando o segredinho da minha irmã de propósito. - Desculpa não foi a minha intenção contar - acrescento com uma falsa voz de surpresa olhando para ela fingindo estar arrependida com a mão no peito, e noto que ela fica vermelha pelo fato do seu segredo ter sido exposto.
Agora ela sabe na pele a sensação de ter seu segredo exposto.
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Olaa, tudo bem? Espero que tenham gostado do capítulo, comentem o que achou. Me sigam no insta: @autora_vanessarodrigues
Meg Miller ♡
- Como assim senhorita Mandyson? Eu quero saber de tudo agora? - Mamãe exige saber, ela vira para trás novamente e encara nós duas com uma expressão num misto de surpresa e confusão.
- Mandyson, eu quero saber de toda essa história agora. - Papai se junta a mamãe querendo uma explicação.
Acho que fiz merda.
- Você tinha que abrir essa boca, né Meg! - Ela exclama enfurecida elevando a voz para mim e ignorando nossos pais. Eu olho para ela incrédula balançando a cabeça negativamente.
Ou talvez não.
- Agora eu sou a culpada? Você que namora escondido e eu sou a culpada? Você é uma idiota, isso sim - retruco irritada olhando para ela, noto que seus olhos ficam ainda mais esverdeados devido à raiva que está sentindo.
- Idiota é você! Só porque o garoto que você gosta não dá a mínima para você querida irmã, não quer dizer que você tem que estragar o meu namoro - ela debocha.
- Isso não é verdade, eu não tava tentando acabar com o seu namoro - me defendo. - Mas assim deve ter sido melhor, ele iria se cansar rapidinho de você, ou você pensa que eu não sei da fama dele na escola? Ele só vai te usar e jogar fora - acrescento, sem me importar com a presença dos nossos pais.
- É mentira, Noah me ama. - Mandy eleva ainda mais a voz. - Olha só. - Me mostra seu celular e várias mensagens com juras de amor deles aparece na tela e eu leio a última mensagem dele:
"Mandy, minha linda. Eu espero o tempo que for para ter você. Quando estiver preparada quero ser o seu primeiro. Eu nunca quis tanto uma garota até conhecer você. ♡"
Sinto vontade de vomitar lendo isso, pois sei que é tudo mentira. Noah é o pior garoto da nossa escola e famoso por só usar as garotas e depois chutar, e ainda se gaba com isso se achando o maior fodão da escola.
Que garoto idiota!
- Agora chega, eu não quero mais brigas aqui dentro. - A mamãe esbraveja nos fazendo ficar quietas. - Mandy, me dê esse celular agora e depois vamos conversar sobre isso - ela estende a mão em direção a minha irmã.
- Mas mãe, é a minha privacidade, eu não vou te dar - responde colocando o celular no peito.
Nem a pau que vou deixar isso, eu quero que a minha irmã largue aquele garoto antes que ele a machuque.
- Vai da sim - ordeno tentado pegar seu celular, porém ela o segura forte e não me deixa pegar. - Me dá ele! - Exclamo puxando sua mão com o celular, mas ela solta o seu cinto de segurança e tenta se afastar mais colando o corpo na porta do carro.
- Mandyson e Meg eu quero os celulares das duas agora - papai ordena de forma autoritária.
- Me solta Meg, eu não vou dá o meu celular!
- Vai me dá sim! - Exclamo.
- Meg, eu te odeio! - Grita enfurecida me fazendo parar de tentar pegar o celular e olhar assustada para ela, assim como provavelmente os nossos pais também estão olhando. - Sua egoísta de merda. Como sempre, você quer toda a atenção dos nossos pais. Sempre querendo ser o centro das atenções. Você deveria estar feliz por mim, mas o que faz? Destrói minha felicidade, como sempre. Você não suportar me ver feliz, né? Eu faço de tudo por você e para você, e é assim que retribuiu irmãzinha? - Esbraveja furiosa, enquanto me olha com raiva. - Que irmã maravilhosa eu tenho - ironiza com o tom de voz enfurecido.
As palavras dela me deixou surpresa e sem reação. Eu não sabia que ela pensava assim sobre mim, porém eu tento disfarçar o nó que se instalou na minha garganta e engulo o choro, e respondo sem humor:
- Acredite irmã, estou fazendo para o seu bem.
Eu não sou egoísta, só não quero ver minha irmã sofrer.
- Já pararam com isso e me entreguem logo os celulares, só por causa disso vocês iram ficar de castigo e teremos uma reunião em família para falarmos sobre esses assuntos - mamãe advertiu já irritada, porém nem eu ou a Mandy obedecemos e continuamos a discutir e volto a tentar pegar seu celular.
Aquele garoto idiota só pode está fazendo a cabeça da minha irmã contra mim, ele sabe que eu não gosto nem um pouco dele.
- Me deem essas drogas de celulares agora! - Papai exclama elevando a voz num tom bravo, ele estende o braço para nós pedindo os celulares.
- Não! Eu não vou te dar - minha irmã nega irritada sem olhar para ele e tenta pegar o celular dela - que eu consegui pegar - dá minha mão quando eu vou entregar ao papai.
- Me devolva! - Minha irmã ordena exclamando enfurecida puxando meu braço que está o com o celular.
- Meg já parou com essa briga e me dê esse celular - papai volta a ordenar, mas a Mandy consegue pegar seu celular de volta e então eu volto a tentar pegar dela. - Já parou às duas! - Papai volta a ordenar. - Em casa conversaremos sobre isso - acrescentou extremamente irritado.
- Não, vamos resolver isso agora - exijo puxando o braço da minha irmã e ela reclama.
- Meg obedeça ao seu pai - mamãe manda entrando na conversa.
- Eu já disse que não! - Grito olhando para o papai, e ele em resposta se vira para trás, esticando um dos braços e tenta pegar objeto que é o motivo da nossa briga.
Em seguida só se ouvem gritos no carro e sentimos a colisão, pois o meu pai tentando acabar com a nossa briga idiota perdeu o controle do carro o fazendo capotar na pista molhada.
Dois dias depois
- Eu não devia ter vindo - sussurro olhando jogarem terra no caixão enquanto lágrimas escorrem sem parar pelo meu rosto. - Isso nunca devia ter acontecido - acrescento me jogando de joelhos no chão, soco o gramado várias vezes com uma mão sem me importar se irá machucar.
- Para com isso minha querida, você vai acabar se machucando. - Anne chega perto de mim e me puxa para cima com a mão que estava socando o chão, pois a minha outra mão está enfaixada porque quebrei no acidente.
Acidente esse que nunca vou esquecer.
- Como eu vou viver agora? - Questiono quase sem voz enquanto olho para a lápide feita a pouco tempo na minha frente.
- Vai ser difícil, mas você irá conseguir. Afinal você não está sozinha - ela tenta me consolar, e eu apenas balanço a cabeça confirmando mesmo sabendo que isso não é verdade.
- Vamos embora - mamãe me chama sem me olhar.
- Adeus - sussurro passando o dedo no nome que está na lápide.
Logo uma memória invade a minha mente me fazendo lembrar do dia em que nunca vou esquecer.
"Abro os olhos lentamente e logo o fecho, pois a claridade me incomoda. Assim que volto a abri-los, olho por todo o quarto branco para saber onde estou. Do me lado escuto uma máquina que apitava algumas vezes, vejo também um fio enfiado na minha pele e noto também a cama com lenços brancos que está me cobrindo.
Eu estou no hospital.
Como vim parar aqui?
Olho para o lado e encontro minha mãe sentada numa cadeira. Ela olhava fixamente para o chão, mas logo desvia para mim quando a chamo. Ela se levanta e caminha até minha cama, assim que ela está perto o suficiente, eu vejo seus olhos vermelhos denunciando que ela estava chorando e também tinha um enorme curativo na testa, e olheiras profundas.
- Mãe o que aconteceu? - Pergunto ainda confusa com tudo que aconteceu, mas logo cenas do acidente aparecem na minha mente.
- Sofremos um acidente - murmura baixinho voltando a olhar para o chão.
- O papai está bem? E a Mandy? - Questiono desesperada para saber, ela então me olha nos olhos e volta a chorar, com isso eu me sento na cama, pois pelo jeito, aconteceu algo.
- O seu pai tá bem. Só quebrou o braço, já a sua irmã... - ela não consegue terminar de falar e seu choro aumenta.
Não...
Isso não pode tá acontecendo!
- A minha irmã o que mãe? - A incentivo a falar enquanto meus olhos enchem de lágrimas, logo me encolho na cama tapando os ouvidos para não ouvir a reposta.
Ela não tá...
- Como a Mady estava sem o cinto o impacto nela foi maior - responde num fio de voz entre o choro. - Trouxeram ela às pressas para uma cirurgia urgente e... ela... não resistiu - mamãe força a voz sair para completar enquanto passa as mãos no cabelo desesperada.
Não... não... não...
- Isso não é verdade, me diz que isso é mentira - suplico quase sem voz em meios as lágrimas e soluços. - ISSO NÃO PODE TÁ ACONTECENDO! DIZ QUE É MENTIRA! - Grito desesperada."
Afasto esses pensamentos assim que chego em casa e minha mãe senta no sofá preto voltando a chorar, eu penso em ir até ela e confortá-la, mas não sei o que dizer e muito menos como agir. Logo a porta da frente é aberta e o meu pai entra cambaleando, e com uma garrafa de bebida na mão boa enquanto a outra está enfaixada. Desde que eu acordei naquele hospital, eu só tenho visto o papai com uma garrafa de bebida alcoólica na mão e com isso ele tem passado mais tempo bêbado do que sóbrio.
- Olha só, quem tá aqui - ele afirma com ironia apontando a garrafa para mim. - Se não é a assassina - acrescenta e solta uma risada amarga.
- Como assim assassina? - Murmuro confusa olhando para ele.
- Você matou a sua irmã! - Meu pai afirma friamente, fazendo meus olhos arregalarem não acreditando no que estou ouvindo.
- Você matou a sua irmã. - Volta a dizer lentamente jorrando ódio e raiva em cada sílaba.
- Co... mo? - Gaguejo incrédula ao ouvir o que ele disse.
Eu sou o quê?...
- Quer que eu desenhe? Você matou a sua irmã! Foi você que causou a droga daquele acidente. Garota você sempre foi assim, sempre causando problemas. Nunca fomos chamados na escola por causa da sua irmã, mas por sua causa quase toda semana estávamos na escola por você ter aprontado ou brigado com alguém. A Mandyson sempre foi obediente diferente de você que foi sempre difícil de lidar. - Papai joga todas essas palavras na minha cara. A cada palavra eu sinto a decepção e raiva dele.
Eu sempre soube que nunca fui uma garota fácil de se lidar e que minha irmã sempre foi a perfeita. Eu sempre soube. Então, porque doí tanto ouvir meu pai jogar tudo isso na minha cara?
Sinto algo escorrendo por minha bochecha e então percebo que estou chorando.
- Eu não matei a minha irmã - retruco atormentada elevando a voz e me sento no chão gelado abraçando minhas pernas com um braço chorando copiosamente.
- Matou sim, foi tudo culpa sua! - Ele grita enfurecido jogando a garrafa no chão que se quebra com o impacto, fazendo voar cacos de vidros para todos os lados e o líquido escuro escorrer pelo piso branco da sala.
- Para, por favor - eu imploro quase sem voz, meus pulmões parecem que diminuíram de tamanho, pois começo a respirar com muita dificuldade.
- Não paro não, por sua culpa a Mandy não está mais aqui! - Esbraveja friamente vindo para cima de mim, fazendo eu me encolher toda com medo. - Você que foi a culpada - acrescenta com raiva, rosnando cada palavra com ódio enquanto aponta um dedo em minha direção. Seus olhos azuis e frios, me olham por segundos e então papai me dá as costas saindo pela porta por onde entrou.
Tudo que o meu pai disse rodeia em minha mente não me deixando esquecer, me deixando totalmente confusa e atordoada. Por mais que tenha sido um acidente, se eu não começasse aquela discussão idiota nada daquilo teria acontecido.
- Eu sou a culpada? - Pergunto baixinho para mim mesma olhando para o chão com a visão embaçada. - Eu matei a Mandy, mãe? - Questiono com a voz embargada desviando o olhar do chão para a minha mãe, ela levanta do sofá e vem até mim.
- Você nunca deveria ter começado aquela maldita briga - apenas responde isso secamente enquanto me olha com os seus olhos vermelhos, e é difícil não notar que à raiva neles. Mamãe me dá as costas indo em direção a escada sem olhar para trás, ela sobe os degraus me deixando sozinha na imensa sala com os meus pensamentos que estão me deixando cada vez mais atormentada e estão me rodeando. Por mais que eu esteja em um lugar espaçoso e arejado me sinto sufocada e com dificuldades de respirar. Sozinha e só com os meus pensamentos como companhia e ouvindo meus próprios soluços com os olhos embaçados. Minha mente faz perguntas ao qual eu não sei responder.
Eu sou realmente culpada?
Eu matei a minha irmã?
Fui eu que causei aquele maldito acidente?
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Capítulo Um ♡
Capítulo Um ♡ Meg Miller ♡
DIAS ATUAIS
Ouço meu despertador tocar, avisando que já está na hora de me levantar e ir para a faculdade, porém já estou acordada há horas olhando o teto branco do meu quarto. Mais uma vez tive insônia e vi a noite se tornar dia pela claridade que entra pela janela aberta do meu quarto. Estou a horas pensando sobre a minha vida. Pensando em tudo que passei para chegar até onde estou hoje, e principalmente, pensando sobre o acidente que custou a vida da minha irmã.
Eu estou vivendo sem a Mandy há cinco anos, e não tem sido fácil.
Mesmo que já tenha se passado cinco anos, frequentemente acordo na meio da noite gritando, porque tive pesadelos com o acidente, ou tendo sonhos com a minha irmã. Nesses sonhos minha irmã sempre repete a mesma frase que me disse minutos antes do acidente acontecer.
"Eu te odeio Meg"
Essa pequena frase dela, invade minha mente diariamente, pois me dói saber que minha irmã morreu me odiando.
Como eu queria nunca ter provocado aquela briga idiota.
Como eu queria ter a minha irmã aqui comigo. Como eu queria que eu tivesse morrido e não ela.
Como eu queria...
Sinto algo escorrendo pela minha bochecha e logo noto que estou chorando em silêncio, seco minhas lágrimas com a manga do meu pijama e me forço a sair da cama para não continuar me machucando com os meus pensamentos. Porém, esses pensamentos nunca me largam, porque me sinto culpada pelo que aconteceu. De tanto meu pai me denominar como assassina, hoje eu me sinto uma. Mesmo não querendo, forço meu corpo a levantar, me arrasto até o meu banheiro para tomar um banho e ir para a faculdade.
A vida continua, né...
Repito essa frase milhares de vezes em minha mente para saber que tenho que continuar. Não por mim, mas sim pela Mandy. Eu sei que seria essa sua vontade mesmo ela me odiando. Assim que estou no banheiro, eu tiro minha roupa indo para o box e ligo o chuveiro. Logo depois, vou para debaixo da água e fecho meus olhos sentindo a água percorrer meu corpo me trazendo uma sensação de paz.
Hoje não vai ser um dia fácil, e eu preferia passá-lo em casa, pois hoje está fazendo cinco anos que minha irmã morreu. Nesse mesmo dia há cinco anos, nós estávamos rindo juntas durante o dia todo e a noite aconteceu o maldito acidente. Um soluço escapa da minha boca e a esse ponto minhas lágrimas estão misturadas com a água que sai do chuveiro. Minhas pernas fraquejam, já não consigo ficar mais de pé, deslizo pela parede gelada e molhada do box até estar sentada no chão com a água caindo sobre mim.
Eu não estou aguentando mais, essa dor que sinto só cresce ao invés de diminuir. Talvez o tempo não consiga curar tudo, afinal... Me sinto perdida, sozinha e sem motivos para levantar da cama diariamente.
Os meus pais me culpam pelo que aconteceu e com isso eles me desprezam. Principalmente meu pai, ele mudou tanto depois do acidente. Papai já não para em casa, eu sei que ele é ocupado por ser o dono de uma das maiores redes de hotéis em Manhattan e que se estende por toda New York. Esse negócio é de família, meu avô passou para o meu pai quando ele já era de maior e o meu pai iria passar para a Mandy, porém com o que aconteceu essa responsabilidade será minha, mesmo eu não querendo. Já a mamãe, foi uma modelo bem famosa um dia, mas hoje em dia gerencia a rede de hotéis com o papai e nos seus tempos livres está fazendo ações solidárias em algum orfanato ou com alguma família carente, é assim que ela está tentando preencher o seu vazio, mas com isso ela esqueceu completamente que tem uma filha que ainda está viva.
Porém, já me acostumei, desde o acidente meus pais nunca mais foram os mesmos comigo. Já tínhamos um relacionamento bem complicado antes porque eu não era obediente - sempre gostei das coisas do meu jeito e batia o pé quando discordavam comigo -, mas agora piorou num nível elevado. Eles mal conseguem me olhar, e só falam comigo o necessário. Eles me tratam como se eu fosse uma estranha, e não a filha deles.
Me sinto culpada, sei que se não tivesse começado aquela briga idiota, ela estaria aqui comigo. A dor que sinto pela falta da minha irmã é gigantesca, como se tivessem arrancado algo dentro de mim, deixando um vazio que não se pode preencher. Assim como os meus pais, nunca superei e nem sei se consigo superar essa perda um dia. Dói demais, e eu tento amenizar a dor massacrante que sinto, e também todo desprezo que os meus pais sentem por mim, descontando em mim mesma, entretanto minhas tendências autodestrutivas não estão diminuindo minha dor. Eu sei que isso não é saudável, mas eu já não sinto mais nada, sinto como se estivesse morrendo por dentro lentamente. Me sinto vagando sem vida.
Estou sempre escondendo esse meu lado, pois se meus pais ou alguém ver vão pensar que estou fazendo isso para chamar atenção. Por isso, esse é um segredo meu, ninguém entenderia, provavelmente ainda zombariam dos meus cortes. Eu não quero parecer fraca, frágil e não quero que sintam pena de mim. Quero parecer forte, fria, aquela que não se abala com nada, mesmo que esteja morrendo por dentro.
Noto que meus dedos estão ficando enrugados pelo tempo que estou debaixo da água, mas não me importo, olho para os meus pulsos e vejo cicatrizes e mais cicatrizes que fiz nunca tentativa de amenizar minha for, mas foi sem sucesso. Minhas lágrimas continuam saindo sem parar e o som dos meus soluços ecoam no banheiro. Com os meus olhos fechados, levanto meu rosto deixando a água cair sobre ele, fico assim por alguns minutos até meus pulmões reclamarem por precisar de ar, porém continuo com o rosto debaixo da água. Quando já estou quase perdendo a consciência por falta de oxigênio no cérebro, eu afasto meu rosto rapidamente da água e inspiro depressa em busca de ar. As vezes me pergunto como seria acabar com tudo, só parar de sentir, contudo não posso. Tenho que viver pela Mandyson, eu devo isso a ela.
Chega de chorar Meg, você tem que levantar e viver.
Lembro a mim mesma, pois sei que ficar chorando não irá trazer minha irmã de volta. Então eu me levanto fechando o chuveiro logo depois, enrolo uma toalha em volta do meu corpo magro e pálido, e vou para o meu quarto caminhando diretamente até meu closet onde pego uma calça jeans preta e uma camisa da mesma cor, e as vestindo logo depois. Faço uma maquiagem básica para disfarçar minhas olheiras, pois faz tempo que não sei o que é dormir bem, e penteio meus longos cabelos loiros e os deixo secar naturalmente. Já nos pés visto um tênis branco, e coloco também algumas pulseiras para esconder as cicatrizes nos meus pulsos, e por fim, pego minha mochila descendo em seguida para a cozinha onde encontro a Anne colocando a mesa.
Anne é a cozinheira, e trabalha nessa casa desde que eu era pequena. Ela é como uma segunda mãe para mim, e não sei o que seria de mim sem ela, pois foi ela que mais me ajudou durante esses anos e eu a amo demais. Ela não é só uma funcionária, ela já é parte da família. Observo Anne, quem olha ela não diz que já passou dos quarenta. Sua pele clara contrasta com seu cabelo grisalho, seus olhos brilham ao sorrir para mim, fazendo suas rugas aparecerem mais perto dos olhos.
Sento na mesa e me sirvo de suco e pego uma torrada passando um pouco de geleia de morango, e logo levo a boca dando uma mordida:
- Uhumm! Amo torradas! - Exclamo e mordo um pedaço me forçando a comer, mesmo estando sem fome. Fecho os olhos enquanto mastigo devagar desfrutando da geleia. - Anne, eu amo quando você faz essa geleia, ela é deliciosa - comento após engolir voltando a abrir os olhos, e olho para ela que está me encarando atentamente.
- Menina come rápido, se não vai se atrasar. - Anne me apressa do meu lado.
Mesmo tendo mais de 50 anos, a Anne aparenta ser mais jovem. Seus cabelos já estão mais grisalhos do que castanho, sua pele já apresenta sinais do tempo com pequenas rugas, mas isso não a incomoda, Anne está sempre radiante e distribuindo sorrisos doces a sua volta. Seus olhos castanhos atrás dos óculos de grau, me observam com atenção e doçura. Isso me faz abrir um pequeno sorriso para ela. Anne é como a luz no final do túnel, é a luz que eu precisei, preciso e sempre irei precisar. Sempre irei precisar de Anne na minha vida, ela é muito importante para mim.
- Calma Anne, a faculdade pode esperar. - Eu a tranquilizo fazendo um sinal positivo com o dedo para ela. Anne balança a cabeça negativamente enquanto ri um pouco.
- A propósito, como você está se sentindo hoje? - Ela pergunta calmamente se sentando do meu lado. Diariamente ela me faz essa pergunta.
Eu paro de comer sem saber o que responder, afinal, nem eu sei como estou me sentindo, então apenas balanço a cabeça negativamente e ela entende, pois, sabe que isso significa que não tenho resposta para sua pergunta. Então ela apenas concorda e beija minha testa e se levanta caminhando para sair da cozinha, mas logo para e se vira para mim.
- Há! Quase me esqueci, - a Anne me olha apreensiva. - Seu pai ligou cedo e disse que voltará hoje, e sua mãe ficará mais um tempo lá resolvendo alguns assuntos de uma ação beneficente que ela está realizando - acrescentou e eu faço uma careta em resposta.
Porque eles simplesmente não ficam por lá? Quando estão aqui, nós só sabemos brigar.
- Acabou minha paz dentro dessa casa - resmungo revirando os olhos.
- Não diz isso, eles são os seus pais - ela diz me repreendendo e me lança um olhar triste. Enrrugo minha testa olhando-lhe e então ironizo:
- São? Não parece. Você deveria lembrar a eles desse detalhe, quando eles estiverem aqui - respondo sem humor e levo outra torrada com geleia até minha boca a comendo.
Ela afirma com a cabeça e sai cabisbaixa. Como a Anne trabalha aqui a anos, ela sabe que os meus pais e eu nos desprezamos, e ela já está acostumada com as brigas constantes aqui em casa, mas percebo que ela ainda tem esperança que nós nos tornemos uma "família de verdade" e começaremos a nos amar um dia. Não que eu não ame os meus pais, apesar de tudo eu os amo mais-que-tudo nessa vida, mesmo esse sentimento não sendo recíproco. Devo minha vida a eles e consigo fazer tudo por eles, só não consigo os aturar me desprezando e ficar quieta ouvindo.
Merda, eu não devia ter falado daquela forma com a Anne. Quando eu chegar, converso com ela e peço desculpas.
Termino de comer e vou até meu quarto, entro no banheiro, onde escovo os meus dentes e logo desço as escadas rapidamente me segurando no corrimão para não tropeçar e cair. Eu nem sei porque estou indo para a faculdade se nem gosto de Administração.
Meu pai praticamente me obrigou a realizar esse curso, pois em breve herdarei a empresa. Então eu preciso saber administrar uma grande rede de hotéis, porém não é isso que quero, meu sonho é estudar música e trabalhar com isso em um estúdio ou fazendo algo que tenha nesse ramo. Saio de casa caminhando até a garagem, onde encontro o meu carro que é um modelo de Jeep mais moderno estacionando e entro nele jogando minha mochila no banco de trás. Ligo o carro ouvindo o barulho do motor e então começo a dirigir para o meu destino.
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