"Não vou fingir ser sua namorada!", o atrevimento dele! E, com a maior cara-de-pau, ele respondeu:
"Eu não falei sobre ser namorada."
Cruzei os braços na frente do peito.
"E sobre o que estamos falando, então?"
"Eu quero que finja ser a minha noiva."
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MELANIE
Um frio intenso estava corroendo os meus ossos, quando saí do abrigo. Já estava tarde e o fino casaco que cobria os meus ombros não era o suficiente, porém, era o que eu tinha.
Ouvi um barulho abafado ao passar por um beco, porém, resolvi ignorar. Nova York era um lugar cheio de tudo, inclusive de pessoas mal intencionadas, e o melhor que alguém podia fazer era cuidar da própria vida.
O som novamente, porém, parecia um lamúrio. Será que tinha alguém ferido?
Indo contra o meu melhor julgamento, eu resolvi entrar no beco. Parecia vazio. Peguei a lanterna do celular e iluminei o local. Foi quando vi um sapato no chão, mas ele estava em pé, portanto, alguém o calçava. Me aproximei e o gemido, dessa vez, mais audível.
Corri para perto e empurrei umas caixas de papelão que cobriam a pessoa. A primeira coisa que eu vi foi o vermelho do sangue na camisa branca. Minha garganta secou na hora!
"Moço!", eu olhei finalmente para o rosto dele, que, apesar de pálido, era muito bonito. Balancei a minha cabeça, porque aquele não era o momento! "Eu vou ligar pra ambulância, segura aí!"
Minhas mãos estavam tremendo, porém, antes que eu pudesse clicar em 'LIGAR', uma mão segurou o meu pulso. Olhei para baixo e o homem me encarava, com os olhos mais fechados do que abertos.
"N-não," ele disse numa voz fraca.
"Você levou um tiro! Eu tenho que ligar pra ambulância e pra polícia!"
"Não!", dessa vez, a voz dele soou mais forte. "Não posso... vão me matar... Preciso... Casa..."
E ele perdeu a consciência. Eu xinguei baixinho. O que eu ia fazer? Alguém tentou matá-lo, com certeza, então, se ele fosse pro hospital, talvez terminassem o serviço.
"Eu vou me arrepender disso, eu sei que vou!"
Como eu levaria aquele homem? Eu não tinha condições de carregá-lo, sem dúvidas. Mordi meus lábios e disquei o número de quem me ajudaria.
"Mel!", a voz de Spencer soou do outro lado da linha.
"Preciso que venha me buscar... de carro. É muito urgente!"
"O que houve? Você tá naqueles dias, é isso?"
"Spencer! Por favor, só venha! Eu tô na... Melrose com a 152 nd St. Por favor, só vem. Depois eu explico!"
Spencer, como sempre, acatou o meu pedido e, não muito depois, estávamos colocando um homem estranho e semi consciente dentro do carro do meu melhor amigo.
"Eu acho bom você me explicar isso muito bem, Melanie Walton. Tem um homem baleado no banco traseiro do meu carro!"
"Desculpa, Spencer! Ele... ele disse que não podia ir pro hospital, estava em perigo..."
Spencer balançou a cabeça e suspirou, olhando para mim pelo retrovisor.
"Esse seu coração mole ainda vai te colocar em encrenca. E eu vou me dar mal junto, porque não consigo dizer não pra você!"
Eu sorri e pisquei os olhos, o que fez Spencer bufar. Ele não resistia à minha fofura!
Já no meu apartamento, Spencer me ajudou a colocar o estranho na cama e a limpar o ferimento. Ele era enfermeiro, pelo que eu era imensamente grata.
"Você me deve uma, lindinha. Nossa, olha só esse abdômen trincado! E essas tatuagens dão o charme final..."
"Spencer!", eu o repreendi. Sim, o estranho tinha um corpo de dar inveja, mas por favor, não era o momento!
Spencer deu de ombros.
"Eu não sou cego, graças a Deus. Agora, eu preciso ir pro meu turno no hospital. Qualquer coisa, me liga e eu vou ver se consigo te ajudar, tá bem?", ele deu um beijo na minha testa. "Assim que ele acordar, Mel, fale com ele e o mande embora. Se alguém está atrás dele, virão atrás de você!"
Spencer se foi e me deixou ali, com o estranho.
Eu decidi preparar algo para comer e, quando voltei para o quarto, o 'paciente' estava acordando.
O homem, mesmo após levar um tiro, perder sangue e ter olheiras, estava lindo. Os olhos âmbar dele se pregaram em mim e na bandeja nas minhas mãos. Eu arrisquei um sorriso, porém, ele não mudou de expressão, observando os meus movimentos como se estivesse pronto para me atacar.
Coloquei a bandeja em cima da cômoda perto da porta.
"Como se sente?", eu perguntei, afinal, coisas como 'nossa, você está acordado', ou 'você está bem?' não me pareciam muito corretas a se perguntar.
"Quem é você?", a pergunta dele estava carregada de desconfiança e... acusação?
Levantei minha sobrancelha. O atrevimento dele!
"Eu que deveria te perguntar, afinal, você tá na minha casa. Um estranho que eu encontrei baleado em um beco, no meio da noite, e que se recusou a ir ao hospital," coloquei minhas mãos na cintura. "Eu sou Melanie Walton. Quem é o senhor?"
"Onde está a minha arma?" ele ignorou a minha pergunta. Engoli em seco.
"Não tinha arma nenhuma quando o encontrei," remexi a boca, nervosamente. Então ele não foi apenas uma vítima de um atentado ou coisa do tipo, apenas.
"Cazzo!", ele respondeu baixinho. Certo, eu não era fluente, mas tinha estudado um pouco de italiano. Italiano, armas...
"Você é da máfia?", perguntei. Pra que ficar dando voltas?
"Se não sabe quem eu sou, melhor continuar assim. Preciso de um telefone," ele falou, arfando. Era evidente que o homem estava com dor.
"Certo. Mas antes, coma alguma coisa. Fiz sopa de batata com frango. Bati no liquidificador. Tá bem fácil de digerir." Segui as instruções de Spencer. O homem me olhou, desconfiado e eu revirei os olhos. "Moço, se eu fosse te envenenar, teria sido mais fácil te matar quando você estava desacordado, não acha?"
Estalei a língua e peguei a colher, joguei a cabeça para trás e despejei um pouco da sopa na minha boca, não encostando no utensílio. Ele estava machucado e eu não sabia se era seguro levar as bactérias da minha boca pra dele. Olhei para ele desafiando-o a dizer que aquela comida estava envenenada.
Ele remexeu a boca e fez sinal para que eu levasse o prato para perto dele. Enchi uma colher, me sentei na beirada da cama e levei a sopa à boca dele. O homem me encarava de uma maneira perturbadora, porque ao mesmo tempo que dava um certo medo, ele era lindo demais e eu tenho que admitir que fiquei encantada.
"O senhor levou um tiro. Tem certeza de que não quer ir para um hospital? Meu amigo tirou a bala, mas ainda acho melhor..."
"Quem é o seu amigo?" Os olhos dele correram para a porta e, então, de volta para mim, que ainda segurava a colher perto da boca dele. Encostei-a nos lábios do homem, que abriu a boca e sorveu o conteúdo.
"Meu amigo é o meu amigo. E ele não é nenhuma pessoa perigosa!", balancei a cabeça. "Você deveria ser mais grato!"
Ele nada disse e olhou para a sopa, indicando que eu deveria servir-lhe mais. Era mesmo um abusado! Mas ele estava doente e eu seria uma boa samaritana e engoliria as palavras mais rudes presas em minha garganta.
"Preciso de um telefone," ele repetiu e eu limpei a boca dele. O homem me olhou e estreitou os olhos. "Qual o seu nome?"
"Mel", respondi. "E o seu?"
"Há quantas horas estou aqui? Preciso de um telefone,"
Apertei os lábios em uma linha fina.
"Primeiro, responda o que estou perguntando!"
"Se acha que eu não vou fazer nada com você porque estou machucado, você se engana!"
MELANIE
Senti um frio percorrer meu corpo, porque o olhar dele não estava nem perto de ser uma brincadeira. Lembrei que ele mencionou ter uma arma, ou seja, ele não era alguém que eu deveria provocar demais.
Limpei a garganta e estiquei a minha mão para pegar o meu aparelho na mesinha de cabeceira, finalmente entregando a ele o celular e ele fez uma ligação, falando baixo e em italiano.
"Alguém virá me buscar em breve. Obrigado," ele disse, calmamente.
Pelo menos ele agradeceu, não é mesmo?
E, quando ele disse que seria em breve, ele não estava brincando, porque não deu nem dez minutos, e tinha alguém batendo na minha porta. Franzi a sobrancelha. O interfone não tinha tocado... Que falta de segurança!
"Ele tem uma cicatriz que corta o rosto e os lábios. Careca."
"Okay," falei lentamente e segui para a sala. Olhei pelo olho mágico e vi um homem como o desconhecido tinha me descrito. Abri a porta e se eu o achei amedrontador antes, agora que a porta não mais estava entre nós, eu queria apenas me distanciar.
"Vim buscar o meu chefe." Ele falou, sem dizer o nome do homem que eu tinha salvado a vida. Mas que inferno, por que tanto segredo? Será que ele era da máfia, mesmo?
Eu não falei nada e levei o homem até o ferido. Em menos de dois minutos, eu estava sozinha no apartamento. O careca tinha levado o lixo, onde as bandagens do chefe dele estavam descartadas.
Sentei-me no meu sofá e joguei a cabeça para trás. Tinha acabado. Fosse quem fosse, eu não tinha mais nada a ver com aquela pessoa.
Eu pensei que era o caso, até que, na manhã seguinte, meu interfone tocou.
"Entrega?"
"Sim, senhora. Melanie Walton, correto? Pediram que eu fizesse uma entrega neste endereço."
Suspirei e deixei que o entregador subisse. Assinei a entrega e fechei a porta, colocando a caixa em cima da mesa. Era uma caixa preta, bonita, com uma fita preta também. Não tinha cartão do lado de fora. Abri o pacote. Papel de seda. Preto. Dentro do papel, um tecido preto, com brilhos. Aí sim tinha um bilhete.
["Vista esta noite. Esteja pronta às 9 p.m."]
Virei o cartão na minha mão, mas não tinha nada mais.
"Mas que palhaçada é essa?"
Eu não iria me arrumar coisa nenhuma! Ninguém que eu conhecesse me mandaria aquele tipo de coisa, portanto, eu ficaria quietinha na minha e esperaria. Talvez fosse uma brincadeira!
Curiosa, tirei o conteúdo da caixa e me deparei com o vestido mais lindo que eu já tinha visto na minha vida! Ele era de um ombro só, com um corpete mais durinho, saia mais aberta e o tecido era fino e bonito, bem brilhoso.
Eu fiquei tentada a vesti-lo, porém, decidi colocar o vestido de volta na caixa. Eu tomei um banho e me deitei na cama, pronta para assistir um filme no Streaming. Meu dia de folga e eu queria apenas aproveitar.
No meio do filme, minha campainha tocou. Eu me levantei e fui saltitando. Devia ser a entrega da pizza. Ou o Spencer. Ou ambos.
Porém, o que eu vi foi o mesmo homem de mais cedo, com a cicatriz. Ele não parecia nada feliz. E eu fui burra em não olhar no olho mágico, antes de abrir!
"Ah..."
"Senhorita, por favor, pegue a caixa com o vestido e me siga,"
"Eu não vou a lugar nenhum," respondi com toda a coragem que eu tinha dentro de mim. O homem não esboçou nenhuma emoção.
"Senhorita, eu vou ser direto: ou a senhorita faz o que estou lhe dizendo para fazer, ou eu vou levá-la de qualquer jeito. E acredite, ninguém virá ajudá-la," ele disse isso como se não fosse nada! "Ninguém vai lhe fazer mal. O meu chefe quer apenas conversar."
"Pois o seu chefe pode ir pros quintos dos infernos, porque eu não vou...", senti uma pontada no meu pescoço e, depois, só escuridão.
Comecei a recobrar a consciência e ouvi alguns burburinhos. O que tinha acontecido? E nossa, a minha cabeça estava doendo!
Tentei me sentar e percebi que já estava sentada, com a cabeça apoiada em algo macio atrás. Abri os olhos e duas órbitas esverdeadas me observavam.
"Ah!" Soltei enquanto tentava me afastar, apenas para ver que estava presa. "O que... o que é isso? Me solta, agora!"
"Senhorita, não adianta se debater, vai apenas se machucar," a moça de cabelos escuros disse, com a voz baixa. "Como a senhorita estava dormindo, precisamos amarrá-la para que não caísse e não se machucasse."
Olhei incrédula para a mulher. Ela não devia ter mais do que vinte anos e parecia acanhada. Respirei fundo.
"Está realmente tentando fazer parecer que me amarrar aqui foi um favor?" perguntei e ela engoliu em seco. "Me desamarre. Estou acordada."
Ela mordeu os lábios e, antes que pudesse se mover, a porta se abriu. Vi o querido 'paciente' ali, em pé, vestindo um fraque. Caramba, como aquele desgraçado podia ser tão bonito?!
"Tudo bem, Marana, pode ir. Eu cuido daqui pra frente,"
Ela não esperou outra ordem e saiu dali quase correndo.
A porta se fechou e eu encarei o desconhecido charmoso.
"É assim que me agradece? Me prendendo?"
Ele fez um leve biquinho e me olhou de cima a baixo.
"O vestido ficou perfeito. Eu sabia que ficaria ótimo," ele disse, como se falasse consigo mesmo. Apertei meus olhos para ele. "E você está presa porque desobedeceu uma ordem."
Meu queixo teria ido ao chão, se não estivesse grudado em meu rosto.
"Desculpa, pode repetir?" Perguntei e soltei uma lufada de deboche. "Ordem? Eu desobedeci uma ordem?"
Ele se aproximou de mim e minha respiração ficou presa na garganta.
MELANIE
Ele era perigoso, não restava dúvidas quanto àquilo. Franzi a testa e olhei para a roupa dele. Ele não estava machucado? Como podia parecer tão bem?
Não, ele estava um pouco pálido. Assim que ele ficou bem perto, eu pude notar.
"Eu disse que deveria estar pronta às nove, porém, algo em mim me disse que você seria uma rebelde. Por isso, pedi que fossem lhe buscar. E a senhorita se recusou,"
Me debati na cadeira, que era daquelas de salão.
"Seu... me solta! Eu quero ir pra casa, agora!"
Ele colocou a mão na cadeira e me encarou. Os olhos âmbar, quase dourados, pareciam ouro puro.
"Eu vou soltá-la, mas você vai ser boazinha e me ouvir, tudo bem?"
"Tudo bem," respondi, mas não pretendia ser boazinha coisa nenhuma! Ele começou a me soltar e eu olhei para a porta, mas ele segurou meus braços. Sem muita força, mas o suficiente para que eu não pudesse escapar.
"Tem uma festa acontecendo, nesse momento. Preciso que seja o meu par. É um favor. Mais um. Sei que estou lhe devendo,"
"Pelo menos tem essa consciência, não é mesmo?" Suspirei. "Eu não vou correr. Pode me soltar."
Ele o fez, mas não saiu de perto.
"E por que quer que eu seja o seu par nessa festa?", perguntei, esfregando meus pulsos. "Deve ser muito importante, para chamar uma completa estranha... Não, chamar não. Para sequestrar uma estranha!"
Ele ficou mais ereto e colocou as mãos nos bolsos, sem tirar os olhos de mim.
"Sim, é importante. Eu fui atacado e quase morto. Se não fosse por você. Quero que fique perto de mim, porque é a melhor forma que eu tenho de proteger você."
"Me proteger? Ficar perto de você é perigoso, então, eu deveria ficar o mais longe possível!"
Me levanto e olho em volta, sem qualquer sinal da minha bolsa, onde meu celular deve estar.
"Olha, com todo o respeito, eu não quero me envolver em seja lá o que for que você está metido. Boa sorte pra você e com licença. Ah... onde estão as minhas roupas? Bom, eu vou com esse vestido e você pode passar pra buscar amanhã. Eu vou deixar na portaria."
Tentei passar por ele, mas o homem se colocou na minha frente. Fui para o lado e ele seguiu. Olhei no rosto dele e era óbvio que ele estava achando aquilo divertido. Apertei meus lábios em uma linha fina.
"Eu pago."
"Perdão, o quê?"
"Eu pago. Não estou lhe chamando de acompanhante de luxo, antes que se sinta ofendida. Mas vou pagar pelo seu tempo e dedicação,"
"Dedicação?", fechei meus olhos e inspirei fundo.
"Sim, porque eu preciso que finja ter um relacionamento amoroso comigo."
Abri os olhos, e ele me olhava com a maior cara cínica. Não era possível que aquele homem precisasse daquele tipo de truque pra ficar com uma mulher!
"Eu vou embora."
"Espera!", ele ficou na frente da porta. "Falo sério. Eu pago."
"Não vou fingir ser sua namorada!", o atrevimento dele! E, com a maior cara-de-pau, ele respondeu:
"Eu não falei sobre ser namorada."
Cruzei os braços na frente do peito.
"E sobre o que estamos falando, então?"
"Eu quero que finja ser a minha noiva."
Nos encaramos em silêncio, pelo que pareceu uma eternidade. Então, eu soltei uma gargalhada.
"Que piada! Essa é a sua profissão? Você é... Ha, ha! Você é comediante? Levou um tiro por fazer... piada com a pessoa errada?" E continuei a rir, até ver o sorriso dele morrendo.
No segundo seguinte, eu estava imprensada contra a parede, ele bem na minha frente, os braços na parede, nas laterais da minha cabeça.
"Acha que eu sou um piadista, senhorita Walton?", ele perguntou com uma voz rouca e baixa. Aquela proximidade deu um nó no meu cérebro, porque o perfume dele invadiu as minhas narinas, eu podia sentir o calor do corpo dele, de tão próximo que estava. Os lábios dele quase encostavam na minha orelha. "Eu posso fazê-la rir, com certeza. Você só precisa ser boazinha,"
Eu nem sabia o que fazer: se fechava os olhos e me deixava levar pelas sensações, ou agia racionalmente, dando um chute nas partes daquele homem e correndo dali. Meu cérebro me dizia para escolher a segunda opção, porém, meu corpo não queria obedecer.
"Você e eu vamos descer e cumprimentar os convidados. Você vai sorrir e fingir que me ama. Como se eu fosse o único ser do seu universo inteiro. Depois, vamos nos retirar e, se você quiser continuar ao meu lado essa noite, podemos subir para o meu quarto. Se não, peço que te levem pra casa. De um jeito ou de outro, você será recompensada. E protegida. Você e os seus."
"Por 'os seus' ele se referia a... Droga!
Mas que falta de sorte do caralho! Aquele desgraçado, se não era da máfia, tava metido em alguma merda das grandes e eu, claro, tinha que me meter em uma enrascada simplesmente por ajudar alguém!
Engoli em seco. Se eu dissesse não, talvez eu nem mesmo saísse dali viva. E o pior, dependendo do grau de doidice daquele homem, ele poderia realmente ir atrás da minha família. De Spencer!
'Ele te drogou e te sequestrou. Acha mesmo que ele não machucaria outras pessoas?', a voz da razão perguntou lá dentro do meu cérebro e eu acabei soltando um ar de frustração.
"Além disso, tem aquele abrigo... ele está pra fechar as portas, não é mesmo?", o sorriso nos lábios dele, mesmo que ainda o deixassem bonito, era assustador! "Você me ajuda e eu ajudo você. No que você precisar. Mas, se recusar a minha oferta, eu juro que vou dificultar a sua vida e a de quem quer te tenha tido contato com você."
Desgraçado!
"Muito bem," eu falei, inspirei fundo e levantei o queixo. "Mas nem pense que vai tirar proveito de mim."
Ele sorriu de lado enquanto os olhos dele baixaram para a minha boca.