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Casamento arranjado com o Ceo e a faxineira rebelde

Casamento arranjado com o Ceo e a faxineira rebelde

Autor:: Adeline Bitencourt
Gênero: Bilionários
Roberto é o herdeiro da maior empresa de Tecnologia dos Estados Unidos, porém seus bens foram trancados pela sua mãe, ele receberá a fortuna de 10 bilhões de dólares apenas se casar. Ele é frio e não se envolveu com ninguém nos últimos 10 anos, até que se atrai pela sua faxineira, Marcela que trabalha na empresa para cuidar do pai doente. Roberto vê a oportunidade de ajudar a garota com dinheiro e propõem um casamento falso com ela. Eles não se gostam e nem sentem nada um pelo outro, mas isso pode mudar, mas antes, Marcela vai fazer da vida de Roberto uma loucura.

Capítulo 1 Mais um dia de trabalho

Acordo cansada. Meu corpo pesa quando saio da cama. São cinco da manhã. Olho o relógio e penso no meu pai. Ele precisa dos remédios. Levanto e vou até o banheiro.

Acendo a luz. O espelho mostra meus cabelos ruivos ondulados e meus olhos azuis. Tenho olheiras. Prendo metade do cabelo em um coque alto, deixo algumas mechas soltas. Visto o uniforme cinza da empresa: saia reta, blusa branca e o crachá com meu nome, Marcela Almeida. Olho mais uma vez para o espelho.

Vou de metrô até Manhattan. O vagão está cheio. Chego ao prédio da TechNova, a maior empresa de tecnologia dos Estados Unidos. O arranha-céu fica no centro de Nova Iorque. Entro pela porta de serviço, pego meu carrinho de limpeza e começo o trabalho no décimo andar.

A supervisora me chama.

- Marcela, o Sr. Roberto quer que você limpe a sala dele agora.

Subo no elevador privativo até o último andar. Entro na sala dele. As paredes são de vidro e mostram a cidade lá fora. A mesa é grande, de madeira escura. Ele está de costas, falando ao telefone. A voz dele é grave e firme.

- Quero o relatório em uma hora. Sem desculpas.

Começo a limpar o canto da sala. Passo o pano com cuidado nos vidros. Estico o braço para alcançar uma prateleira mais alta. Meu cotovelo bate no copo de café. O líquido derrama na manga do terno dele e na calça.

Ele vira devagar e olha para mim. Ainda segura o telefone.

- Limpe isso. Agora.

Minhas mãos tremem. Pego o pano e tento limpar. O café se espalha mais.

- Desculpe, senhor. Foi sem querer - digo baixo.

Ele dá um passo à frente.

- Olhe o que você fez. Este terno custa mais que o seu salário anual. Você é incompetente?

Fico calada. Seguro as lágrimas. Preciso do emprego. Meu pai está doente e os remédios são caros. Não posso perder este trabalho. Continuo tentando limpar em silêncio.

- Saia. E mande outra pessoa da próxima vez.

Saio da sala com as pernas fracas. No corredor, vejo Klarice e outras duas garotas da limpeza perto da copa. Elas estão falando baixo.

- Ele parece um robô - diz Klarice. - Sem emoção nenhuma.

Eu me aproximo.

- Meninas, falem baixo. Acabei de sair da sala dele. Derramei café no terno dele.

Klarice ri.

- Claro que ele parece um robô. Nunca vi ele sorrir.

Uma voz grave soa atrás de nós.

- Interessante teoria.

Nós viramos. Roberto está ali, mãos nos bolsos, olhar frio.

Klarice fica pálida.

- Sr. Roberto... era só brincadeira. Eu não quis...

- Você está demitida - diz ele. - Recolha suas coisas em dez minutos. E leve essa cara de sujeira com você.

Klarice começa a chorar e tenta explicar. Ele não muda a expressão.

Sinto um aperto no peito. Apesar de Klarice falar demais, não acho certo demiti-la por isso. Dou um passo à frente.

- Senhor, por favor. Foi só conversa de corredor. Ela não quis ofender. Não precisa demiti-la.

Ele vira para mim. O olhar dele é duro.

- Você de novo. Se me incomodar mais uma vez, Marcela, será a próxima a sair. Entendeu?

Assinto sem falar. Meu coração bate forte. Ele me encara por alguns segundos, depois vira e sai pelo corredor.

Fico ali, tremendo, com o peso do dia ainda no corpo e o barulho da cidade de Nova Iorque do lado de fora das janelas.

Capítulo 2 Encontro no bar

Chego em casa exausta. O apartamento pequeno no Queens está silencioso. Meu pai está sentado no sofá da sala, com a televisão ligada no volume baixo. Ele parece cansado, mas sorri quando me vê.

- Marcela, chegou cedo hoje - diz ele com a voz fraca.

- Sim, pai. O dia foi longo. Como você está se sentindo?

Sento ao lado dele e seguro sua mão. Ele respira devagar.

- Estou igual, filha. O peito ainda aperta um pouco, mas tomei o remédio. E você? Trabalhou muito?

- Trabalhei. O Sr. Roberto me chamou para limpar a sala dele. Derramei café no terno dele sem querer. Ele ficou bravo.

Meu pai franze a testa.

- Tomara que não te dê problema, Marcela. Precisamos desse emprego.

- Eu sei, pai. Vou ter mais cuidado. Não se preocupe. Vou esquentar o jantar para nós.

Jantamos juntos. Conversamos sobre o dia dele e sobre as contas do mês. Ele me agradece por tudo e vai dormir cedo. Fico um tempo na cozinha lavando a louça, pensando no dia ruim. Meu celular toca. É Clara, minha amiga.

- Marcela, vamos ao bar da esquina? Eu, você e a Sofia. Só para relaxar um pouco.

Aceito. Preciso sair um pouco da cabeça.

Chegamos ao bar simples da esquina. O lugar é pequeno, com luzes amarelas, música alta e mesas de madeira. Pedimos cerveja e petiscos. Sentamos num canto e bebemos devagar.

- Meninas, o dia foi péssimo - conto. - Derramei café no chefe e ele quase me matou com o olhar.

Estamos rindo quando a porta do bar abre. Roberto entra com dois seguranças grandes atrás dele. Ele olha ao redor, vê o balcão e se senta. Pede uma cerveja. Fico parada com o copo na mão.

- Olha só - sussurro para as meninas. - É ele. O Sr. Roberto.

Clara arregala os olhos.

- O CEO bilionário aqui nesse bar simples? O que ele está fazendo?

Sofia ri baixo.

- Talvez tenha se perdido. Um homem tão rico num lugar desses...

Ficamos olhando de canto de olho. Ele bebe a cerveja devagar, sem falar com ninguém. Depois de um tempo, vamos para o espaço aberto do bar e dançamos. A música é animada. Conversamos enquanto dançamos.

- Ele continua bonito, mas é um grosso - diz Clara.

- Muito - respondo, rindo.

Preciso ir ao banheiro. Depois, vou até o balcão pegar mais drinks. Ao me levantar com as garrafas na mão, esbarro direto nele. A cerveja dele derrama um pouco na camisa.

Ele olha para baixo e depois para mim. O rosto fica sério.

- Você de novo? Parece que tem o dom de estragar minhas roupas, Marcela.

- Foi sem querer, senhor. O bar está cheio - respondo.

Ele inclina a cabeça.

- Sem querer? Você parece fazer muitas coisas sem querer. Primeiro na minha sala, agora aqui. Por acaso está me seguindo?

Cruzo os braços.

- Seguindo? Eu venho nesse bar toda semana. O senhor que apareceu do nada num lugar simples como esse. Não combina com terno caro.

Ele ergue uma sobrancelha.

- E você entende muito de onde eu devo ou não estar?

- Entendo que o senhor parece perdido aqui. Não tem um bar de luxo para ir?

Ele dá um meio sorriso frio.

- E você não tem um uniforme para usar em vez de ficar dançando e bebendo?

- Eu trabalho o dia inteiro, senhor. Tenho direito de beber uma cerveja depois. O senhor devia experimentar relaxar um pouco. Talvez assim não parecesse tão... tenso.

Clara aparece do meu lado e me puxa pelo braço.

- Marcela, vamos embora daqui.

Ela me leva para longe. Quando estamos perto da mesa, ela fala baixo:

- Você ficou louca? Discutindo com o chefe desse jeito?

- Não tô nem aí - respondo. Faço uma careta e pego meu copo. - Ele que não me provoca.

Bebemos mais, dançamos e rimos. Aproveitamos o resto da noite. Volto para casa de táxi, cansada mas mais leve.

...

No dia seguinte, chego ao trabalho no horário. O prédio está agitado como sempre. Estou limpando o corredor quando vejo Roberto passar. Ele me olha com cara feia e continua andando sem dizer nada.

Mais tarde, a supervisora me manda limpar a sala dele de novo. Entro e começo o trabalho em silêncio. Passo o pano na mesa com cuidado. Ele chega alguns minutos depois. Fecha a porta e fica me observando.

- Bom dia, Marcela. Dormiu bem depois de tanto dançar e discutir ontem?

Continuo limpando sem olhar para ele.

- Bom dia, senhor. Sim, dormi.

Ele se aproxima da mesa.

- Que bom. Porque eu não dormi tão bem. Fiquei pensando como uma funcionária consegue ser tão desajeitada no trabalho e tão corajosa para responder o chefe num bar.

- Desculpe pelo esbarrão ontem, senhor.

Ele senta na cadeira grande.

- Desculpe? Você me chamou de tenso. Disse que eu não combinava com o lugar. Tem mais alguma opinião sobre mim que queira compartilhar agora?

- Não, senhor. Foi só conversa de bar.

Ele apoia os braços na mesa.

- Conversa de bar. Entendi. Então, quando você está de uniforme, é calada e incompetente. Quando está de jeans, vira especialista em julgar onde eu devo beber.

Concordo com a cabeça e continuo o trabalho.

- Entendi, senhor.

Ele continua com tom debochado.

- Se eu voltar naquele bar, você vai derrubar mais cerveja em mim?

- Vou tomar mais cuidado, senhor.

- E vai me chamar de tenso de novo?

- Não, senhor.

Ele fica em silêncio por alguns segundos, me observando.

- Você é interessante, Marcela. Fala pouco aqui dentro e fala demais fora. Tome cuidado para não misturar as coisas.

- Sim, senhor.

Vai se lascar, sujeito chato.

Termino de limpar a prateleira e empurro o carrinho para a porta. Meu coração bate rápido, mas mantenho o rosto neutro. Ele me observa sair sem dizer mais nada.

Volto ao trabalho normal, com o peso do olhar dele ainda na cabeça. O dia mal começou e eu já sinto que as coisas estão ficando mais complicadas.

Capítulo 3 Início das aulas

Estou limpando os corredores do último andar. O aspirador faz um barulho baixo enquanto passo no carpete cinza. O ar-condicionado mantém tudo gelado como sempre. Empurro o carrinho devagar, troco o pano do chão e limpo as maçanetas das salas.

Ouço passos elegantes. Uma mulher de uns sessenta anos, bem vestida, com cabelo escuro curto e um casaco caro, caminha pelo corredor. Ela para na frente da sala do Sr. Roberto. A secretária abre a porta para ela entrar. É a mãe dele. Eu já a vi uma ou duas vezes no prédio.

Continuo meu trabalho. Alguns minutos depois, a supervisora aparece.

- Marcela, volte para limpar a sala do Sr. Roberto. A mãe dele está lá, então faça tudo com calma.

Suspiro baixo e empurro o carrinho até o elevador. Meu estômago aperta um pouco. Entro na sala grande. As paredes de vidro mostram Nova Iorque cheia de sol da manhã. Roberto está sentado atrás da mesa. Ele me olha sério, sem sorrir. A mãe dele está de pé ao lado dele, com uma xícara de café na mão.

- Bom dia - digo baixo.

A mãe dele vira para mim e sorri com gentileza.

- Bom dia, querida. Não é? Pode continuar seu trabalho, não se preocupe conosco.

- Obrigada, senhora - respondo, com a voz mais calma.

Roberto não diz nada. Só me observa enquanto começo a limpar. Passo o pano na estante de livros, depois na mesa lateral. Tento ficar longe dele, mas preciso limpar a parte da mesa onde ele está. Estico o braço com cuidado para pegar uma caneca vazia. Meu cotovelo bate na xícara de café dele.

O café quente derrama direto na frente do terno escuro dele.

Ele faz uma careta. Fecha os olhos por um segundo, aperta os lábios e respira fundo, como quem já esperava exatamente isso acontecer de novo. A careta é tão clara que parece que ele está pensando "de novo não". Ele abre os olhos e me encara.

- Desculpe, senhor. Foi sem querer. - falo rápido, pegando o pano.

A mãe dele ri baixo e coloca a mão no braço do filho.

- Não se preocupe, Marcela. Isso acontece. Roberto, não faça essa cara. É só café.

Ele fica nervoso. O maxilar fica tenso e ele me mata com o olhar, mas não diz uma palavra. O silêncio na sala fica pesado. Sinto o rosto esquentar. Meu coração bate forte. Limpo o que consigo do terno dele, mas o estrago já está feito. As mãos tremem um pouco enquanto guardo o pano.

- Pode sair agora. - diz ele, a voz baixa e controlada.

Saio da sala empurrando o carrinho. Minhas pernas estão fracas. No corredor, respiro fundo várias vezes. Sinto vergonha e raiva de mim mesma ao mesmo tempo. Por que sempre eu? Preciso do emprego, mas parece que tudo conspira para me fazer derrubar algo nele.

Vou até o banheiro das funcionárias. O lugar é pequeno, com azulejos brancos e cheiro de desinfetante. Tranco a porta de uma cabine, sento no vaso e pego o celular para tentar me acalmar.

A tela acende com uma mensagem nova do grupo da faculdade de Direito.

"Meninas, as aulas começam HOJE à noite. Não esqueçam. É obrigatório ir porque teremos a presença de um convidado importante da área. Quem faltar perde ponto."

Leio duas vezes. Suspiro e encosto a cabeça na parede fria do banheiro. Pensei que as aulas fossem começar só na semana que vem. Trabalhar o dia inteiro e estudar à noite vai ser pesado. Mas Direito é o meu sonho. Quero me formar para poder ajudar meu pai e ter uma vida melhor.

Respondo no grupo: "Estarei aí."

Guardo o celular, lavo o rosto com água fria e me olho no espelho. Os olhos azuis estão cansados. Ajeito o coque ruivo e saio do banheiro. O resto do dia passa devagar. Limpo salas de reunião, banheiros e corredores. Roberto não aparece mais no meu caminho, mas sinto que o olhar sério dele ainda está na minha cabeça.

À tarde, quando termino meu turno, troco de roupa no vestiário. Visto jeans e uma blusa simples. Pego o metrô lotado de volta para o Queens. Em casa, meu pai está assistindo televisão.

- Chegou, filha? Como foi o dia?

- Normal, pai. Derramei café no terno do chefe de novo. A mãe dele estava lá e foi gentil.

Ele balança a cabeça.

- Tenha cuidado, Marcela. Não quero que você perca esse emprego.

- Eu sei. Vou tomar banho e depois tenho aula à noite. As aulas da faculdade começaram hoje.

Ele sorri fraco.

- Que bom. Estude bastante.

Janto rápido, arrumo a mochila com cadernos e vou para a faculdade. O ônibus está cheio. Chego na sala de aula dez minutos antes do horário. Sento numa cadeira do meio. Algumas colegas chegam e conversamos baixo sobre as expectativas do semestre.

O professor entra. Atrás dele, um homem de terno. Meu estômago dá um nó quando reconheço o rosto.

Não. Não pode ser.

Roberto Monteiro entra na sala e senta na cadeira reservada para o convidado especial. Ele olha para os alunos e, quando os olhos dele param em mim, ergue uma sobrancelha levemente. O mesmo olhar sério de antes.

Sinto o rosto esquentar. Baixo a cabeça e abro o caderno, fingindo anotar algo. O professor começa a falar sobre a importância da aula de hoje e apresenta Roberto como um dos maiores empreendedores do setor tecnológico que também tem formação em Direito.

Fico quieta no meu lugar, com o coração acelerado. O dia que começou com café derramado agora termina com meu chefe sentado na mesma sala de aula que eu.

Penso que as coisas estão ficando cada vez mais complicadas.

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