Casamento de Gelo
PRÓLOGO
Tudo tem um início, um meio e um fim.
Onde se enquadra a tua vida?
O Início de Tudo
- Anda sua safada, monta em mim como tu gostas.
Ela se senta em cima dele, e coloca o membro dele todo dentro da sua intimidade.
Ela geme de prazer, ele geme de tesão.
Ela anda para cima e para baixo, mexe o seu quadril bem gostoso e rebolando, enquanto ele com as suas mãos grandes percorre todo o seu corpo nu, milímetro a milímetro.
Ela chega ao êxtase rapidamente e ele sorri, e rapidamente a coloca de quatro e penetra-a com força, e ela dá um grito de dor e de tesão.
- É assim que tu gostas, não é? - pergunta enquanto lhe dá uma palmada na bunda - Ele não te fode assim, pois não?
- Não, não fode. - Ela diz quase sem fôlego, por conta da tamanha excitação que ele lhe dá.
- Diz como tu gostas, anda, fala para mim, gostosa. - Ele fala enquanto geme.
- Gosto que faças assim mesmo, com força, anda fode-me.
- Assim? É assim que tu queres safada! - ele pergunta enquanto aperta a sua bunda durinha.
Ele tira o pau da sua boceta molhada, e coloca-o no rabo dela, ele sabe que ela adora que ele a preencha completamente.
Ela grita de prazer.
Ele fode-a violentamente como ela gosta, e goza dentro dela.
- MAS QUE MERDA SE PASSA AQUI???
Ele entra naquele quarto e apanha-os em flagrante. Nus, suados, satisfeitos, mas... puramente fodidásticos.
CAPÍTULO 1
Cinco Anos Depois
Mia Knight
Narrado por Mia
Saio de um turno de vinte e quatro horas e foi simplesmente um turno de merda.
Estou cansada, chateada e aborrecida.
São oito e meia da manhã e depois de sair do hospital, venho sempre aqui a este café maravilha, que tem no fundo da rua do hospital.
Para alegrar mais o meu dia, está a chover, e como se não bastasse não há lugar à porta, afff.
Estaciono do outro lado da rua, abro o chapéu de chuva e dou uma corrida.
Entro e dou graças a deus que não está muito cheio, boa.
Sento-me ao balcão e o Peter vem logo ter comigo.
- Bom dia, Dra. Mia! -
Cumprimenta-me enquanto passa o pano no balcão - O mesmo de sempre?
O mesmo de sempre é, um croissant misto com pouca manteiga e um galão escuro com adoçante e morno.
Nunca falha.
- Bom dia, Peter, sim, o de sempre, obrigada.
Enquanto espero, olho ao meu redor para ver as vistas.
Ali no ambiente, vejo uma senhora com uma criança em uma mesa, e duas mesas afastadas, está um homem de costas, parece bem musculado, com umas costas largas, veste terno escuro, não consigo ver a cara dele.
Hum, nada de interessante e, entretanto, chega o meu pequeno almoço.
Dou uma dentada no meu croissant, hummm, que delícia, é quase tão bom como um orgasmo, quaseeee.
Rio com o meu pensamento, e é claro, que a retardada aqui se engasga.
Começo a tossir prestes a deitar os pulmões para fora, mas depressa me recomponho.
- Está bem, Dra? - ele pergunta olhando por cima do balcão.
- Ah, sim. - Digo ainda meia engasgada - Já passou.
Que vergonha, ainda bem que não está aqui quase ninguém.
A senhora e a criança olham para mim, o homem que estava ali à pouco de costas, já ali não está.
O turno correu mal, e parece que fora do turno não está a correr melhor.
E quando eu pensava que nada mais podia piorar, vejo entrar no café o Damien.
Puta que pariu para a minha sorte.
Ele entra e vem direitinho aqui à minha pessoa.
Reviro os olhos e faço uma careta, para ele perceber o quanto eu não quero falar com ele, mas como sempre, ele se faz de desentendido.
- Sabia que te ia encontrar aqui. - Ele fala.
- Que queres agora, Damien? - Eu pergunto seca.
Ele senta-se no banco ao meu lado, mas que abusado.
Olho para ele, visivelmente incomodada com a presença dele.
- Será que podemos conversar com duas pessoas adultas? - Ele pergunta.
- E tu por acaso sabes fazer isso, Damien? E além do mais, já falamos tudo o que tínhamos a falar. - Eu digo, terminando o meu croissant, que por esta altura já não me sabe a nada, lá se foi a sensação orgásmica que tinha.
- Tu estás a ser infantil e radical demais, Mia.
- E tu continuas o mesmo asno de sempre. - Digo tentando acabar com aquela conversa.
Ele estreita o seu olhar para mim, agarra-me no braço e puxa-me para junto dele.
- Deixa-me, mas tu estás parvo?
- Eu estou é farto que me trates como se eu fosse um qualquer, eu sou o teu namorado.
Tento afastar-me dele, mas ele continua a agarrar-me.
- Namorado??? Não és mais o meu namorado já há algum tempo, que conversa sem sentido é essa, Damien?
- Eu não aceitei o fim da nossa relação, por isso continuo a ser o teu namorado!
Pois é, estão a ver quando vocês olham para uma pessoa que afinal não é nada do que vocês imaginaram? Esse é o Damien.
Começo a abanar o meu braço para ele me largar e ele aperta mais.
- Vai largar o braço da moça a bem, ou vai largar a mal?
Ouço a voz de um homem, que está por trás deste traste louco aqui à minha frente. Inclino a minha cabeça e vejo que é o homem que estava sentado há pouco de costas, mas de onde é que ele apareceu?? Ele já ali não estava!
Damien como é um metido à besta resolve enfrentar aquele homem.
Damien olha meio para trás, para ver quem está a falar com ele.
- E quem é que me vai obrigar, você? E já agora quem é você? O amante desta vagabunda aqui?
- O quê?? - Agora ele passou de todos os limites.
Ele vira a sua atenção para mim.
Fico espantada com tamanha ousadia dele, e sem pensar, dou-lhe um murro com a minha mão livre.
Caralho, nunca tinha dado um murro a ninguém, fiquei com a minha mão a doer, mas foi o suficiente para ele me largar o braço e agarrar o nariz com as duas mãos que estava a sangrar.
- Foda-se, Mia, partiste-me o nariz.
- É bem feito, quem manda me chamar de vagabunda! - pego nas minhas coisas - Vagabunda é a tua mãe.
Passo pelo homem que continua atrás do traste do Damien, agradeço e saio, linda e glamourosa.
Furioso
Elijah Bettencourt
Narrado por Elijah
Não dormi nada esta noite, e a culpa é do meu pai, que merda de conversa que ele veio ontem para cima de mim, mas ele pensa o quê? Que sou criança? Que não tenho uma palavra a dizer? Me colocando assim, entre a espada e a parede? Entro no café, preciso de cafeína forte, muito forte. Ter que encarar este dia vai ser tortuoso demais.
O hotel vai estar cheio, tão cheio como a minha cabeça.
A sério que às vezes penso que o meu pai está a ficar xexé, mas que ideia de Jericó que ele foi arranjar agora, era só o que me faltava, praticamente um ultimato, caralho.
Sento-me virado de frente para a janela e de costas para qualquer povo que possa entrar no café. Duas mesas ao meu lado está uma mulher e uma criança, mas são tranquilas, falam baixo, são, portanto, pessoas comportadas, o que é bom, já que preciso de silêncio, silêncio para pensar como agir, para pensar o que fazer.
Raios, levanto-me, preciso de ir à casa de banho, a minha bexiga está a matar-me.
Quem mandou beber tanto café?
Quando volto da casa de banho, vejo um mané a agarrar o braço de uma moça que está no balcão, eles estão a discutir e vejo o quanto ela está incomodada com a situação.
Eu não me devia meter, devia continuar com a minha vida, que já me dá demais o que fazer, mas não, já aqui estou atrás do pilantra e a fazer a perguntinha cheia de magia.
- Vai largar o braço da moça a bem, ou vai largar a mal?
Ele olha para mim de lado, e se sente afrontado e me desafia, tá louco, só pode.
Sai um monte de merdas da boca dele, mas uma delas faz a moça virar o bicho, ele a chamou vagabunda.
- O quê? - Ela diz passada da cabeça.
Ele vira para ela e no mesmo instante, ela acerta-lhe a mão que tinha livre mesmo no meio das fuças dele, eu me espanto, ele a larga na hora e agarra o nariz que sangra.
- Foda-se, Mia, partiste-me o nariz. - Ele diz, que inteligência.
- É bem feito, quem manda me chamar de vagabunda, vagabunda é a tua mãe.
Passa por mim, me agradece e sai.
Cacete de mulher poderosa.
Olho para aquele parvo ali e resolvo não o ajudar, estou me fodendo para ele, quem mandou tentar tratar mal a moça? Agora que se vire, tenho mais o que fazer.
E por causa desta merdice toda, acabei não resolvendo nada da minha vida.
Saio do café deixando para trás a figura sangrando.
CAPÍTULO 2
Hotel Bettencourt
Os Bettencourt são uma família abastada, têm uma rede de hotéis de luxo em todo o mundo, mas a sede, o Hotel principal e o mais antigo, está situado no coração de Seattle.
Foi o primeiro a ser aberto, e por isso, Steven Bettencourt tem um carinho especial por este edifício, por estas paredes.
Batem na porta do seu escritório, que fica situado no piso da receção do hotel.
- Sim!
Abrem a porta, é o seu filho, o seu único filho e herdeiro de tudo.
- Chamaste? - pergunta.
- Sim, entra.
Elijah senta-se na confortável cadeira de couro castanha que está do lado oposto ao seu pai.
Steven chega-se para a frente, e apoia os braços na mesa de vidro de cor preta fosca.
- Elijah, precisamos de falar sobre um assunto sério?
- Mas está tudo bem pai? - Pergunta preocupado.
- Comigo está! E contigo?
Elijah estranha aquela pergunta.
- Comigo? Comigo também, mas porque perguntas?
- Elijah, tu já tens trinta e dois anos. - Levanta-se da sua cadeira, coloca os braços para trás das costas e anda de um lado para o outro - Tenho visto que te divertes muito, com muitas mulheres, para mim até acho que são mulheres a mais, mas enfim. Mas o que me preocupa, é a tua falta de vontade de arranjar uma boa garota, uma mulher a sério.
O filho o interrompe bruscamente.
- Eu não quero, nem preciso de uma boa garota, nem uma mulher a sério, isso é, se isso existe. - Fala amargurado.
- Todo o homem precisa de uma boa mulher ao seu lado, que se torne uma excelente esposa, uma ótima mãe para os seus filhos.
- Eu não quero nada disso pai, não quero uma mulher, muito menos uma esposa e Deus me livre de filhos! - Diz ao levantar-se desconfortável com o rumo da conversa.
O pai suspira.
- Eu não estou a ir para novo, filho, e vou precisar que tu um dia agarres no teu legado, com unhas e dentes.
- Sim, eu sei, mas eu vou fazer isso, continuar a trabalhar duro, pelo meu legado.
O pai volta a sentar-se, coloca os cotovelos em cima dos braços da sua cadeira e parece estar a pensar.
"Vem aí merda" - Pensou Elijah ao olhar para o pai, conhecia-o bem demais e sabia que ele estava a pensar como dizer qualquer coisa, que Elijah já sabia que não ia gostar.
- Então recapitulando, - ele começa - tu não pensas sequer na hipótese de formar uma família!
- Eu já tenho uma família, tu e a mãe.
- Hum, sim, sei.
Steven chega-se para a frente na sua secretária, e puxa uma pasta verde.
Abre a pasta, que tem várias folhas lá dentro.
- Sabes o que é isto? - Ele pergunta.
- E como haveria de saber? - diz desconfiado.
- Isto, meu filho, é o meu testamento, aliás, dois.
Elijah torceu o nariz, pensando porque raio o pai estaria a falar do testamento e porque seriam afinal dois testamentos! Pessoas ditas normais, fazem um testamento, não dois!
- Sim, e então? - perguntou, não mostrando a estranheza do facto.
- E então, - continuou - um deles tem escrito, que tudo o que é meu, todo o meu império, toda a minha fortuna, será unicamente tudo para ti, e não é na minha morte, mas sim exatamente daqui a seis meses.
- Daqui a seis meses?? - perguntou preocupado - Mas porquê daqui a seis meses?
- Eu e a tua mãe queremos viajar. Por conta de construir tudo o que temos, tenho perfeita noção que não dei a atenção que a tua mãe sempre mereceu, então vou dar agora, temos o nosso filho criado, um bom homem, e que já está mais que na altura de passar tudo para ti. Temos muito dinheiro guardado, bens e imóveis só meus e da tua mãe, que na nossa morte é óbvio que passará também para ti.
- Ok, então, acho que fazem muito bem. - Ele diz não entendendo muito bem o porquê daquela conversa toda.
Mas o pai ainda não tinha acabado e a bomba ia estourar agorinha.
- Mas, este outro testamento, - aponta para a outra pilha de papéis - tu ficas sem o direito a mexer em nada.
Elijah se espanta com o que o pai acabou de falar.
- Mas porquê, pai, o que foi que eu fiz? - Ele pergunta surpreso.
- Nada, e o problema é mesmo esse. - diz calmo.
Elijah estreita os olhos, não está a entender onde o pai quer chegar.
- Tens seis meses para me mostrares que realmente queres, o que é teu por direito.
- Pai, isso não faz sentido nenhum, - ele diz surpreso com todo este assunto sem pés nem cabeça - o que tu queres que eu te mostre?
- Quero que me mostres que realmente és um homem com família e responsabilidade, não vou dar a minha fortuna que me custou tanto a construir, a um playboy que só quer andar por aí a montar as mulheres todas. - Fala agora exasperado.
Ele fica pasmo, com o que o pai acabou de lhe dizer.
- Eu, um playboy?
- Sim tu. Um playboy, que tem que tomar juízo, já tens mais que idade suficiente para tomares responsabilidade.
Elijah fica fodido, mas prefere não dizer nada que se arrependa depois.
- Então e diz-me, - diz chateado - e como queres que te mostre isso?
O pai diz de uma vez só.
- Casa-te.
O Compromisso
Narrado por Mia
Acordo com o som do meu telemóvel a tocar, olho para o ecrã e reviro os olhos.
Que quererá a minha mãe?? Ela sabe que saí hoje cedo!
- Sim, mãe! - atendo muito a contragosto.
- Bom dia, Mia, onde estás? - ela pergunta.
Onde estou??? Ela só pode estar de brincadeira.
- Mãe, saí do hospital às oito da manhã.
- Há, pois, foi, desculpa esqueci-me.
Reviro os olhos, que paciência.
- Não faz mal, vou continuar a descansar então. - Digo finalizando a conversa.
- Mia, tu não te esqueceste do nosso compromisso hoje à tarde, pois não?
Afinal a conversa ainda não foi finalizada, afff.
- Que compromisso? - não lembro de merda nenhuma de compromisso.
- A prova dos vestidos, Mia, como podes te ter esquecido? A tua irmã fica furiosa quando te esqueces dos compromissos que tens com ela. - Ela diz chateada.
Suspiro, que porra, já me tinha esquecido mesmo da porcaria da prova.
- Não precisas de lhe dizer, não me apetece nada ter que levar com uma aula de moral, ok.
- Ok, até logo então.
- Até logo, mãe.
- Porcaria de prova. - resmungo - Era só o que me faltava.
Tinha também uma mensagem da minha amiga Jenny.
"Quando puderes liga-me, amiga"
Olho para as horas meio dia e quarenta, ótimo, que bom, maravilha, não descansei porra nenhuma.
Já lhe ligo.
Decido ir tomar um bom banho e almoçar antes de ir, não me posso atrasar, senão tenho que ouvir a senhora professora de Português e Matemática toda a tarde.
A minha irmã quando quer, é uma chata de primeira.
Tomo o meu banho, visto uns jeans de ganga clara e uma blusa creme, e por cima um casaco preto e tênis pretos.
Continua a chover, o bom e velho tempo que se faz quase sempre em Seattle.
Preparo uma salada e ligo então à Jenny.
Ela atende ao terceiro toque.
- Mia! - está entusiasmada, demais da conta.
Sorrio com isso.
- Tu não sabes o babado que aqui houve menina! - Ela continua.
- Então? O que se passou? - pergunto curiosa.
- Imagina quem apareceu aqui nas urgências com o nariz partido!
PUTA QUE PARIU, nunca mais me lembrei daquele desgraçado, embora a minha mão ainda me doa, kkk.
- Santo Deus, aquele filho da puta foi para aí??
- Caraca, então foste mesmo tu que lhe deste um murro?? - Ela começa a gargalhar alto.
- Fui, ele me chamou de vagabunda, já viste, o bicho tá doido, eu hein. Já aturei muita merda desse bofe, não aturo mais não.
Jenny não para de rir.
- Ele disse raios e coriscos de ti, só não te chamou santa e disse que estavas acompanhada pelo teu amante, e aí eu pensei cá para os meus botões, amante??? Quem é a figura que eu não sei de nada?
- Amante! É mesmo uma anta aquele atrasado mental. - Digo irritada.
Conto então à Jenny o que realmente aconteceu.
- Que bom samaritano. E era bonito ao menos? - ela pergunta toda atrevida.
Eu paro para pensar e...
- Olha, depois falamos, tenho que ir ter com a Emily, e sabes como ela é quando nos atrasamos.
- Oh sim, lições a esta hora não ahahah. Mas não penses que me vou esquecer desta conversa.
Depois de desligar, fico a pensar no que ela perguntou.
É, o homem tinha cabelo escuro todo bagunçado, que lhe dava um ar muito sexy, uns olhos azuis que parecia que eu estava a olhar para o oceano, uma postura implacável, uma presença avassaladora, o bofe era bonito, ah caralho, bonito não, lindo de morrer.
Eu não estava precisando de ajuda, deu para ver não é, mas mesmo assim, o simples facto de ele lá ter ido tentar salvar a donzela em apuros, caiu bem aqui no meu goto.
Deixo este pensamento para lá, do gostoso do café e vou embora, senão Emily me mata.
CAPÍTULO 3
A Encalhada Perfeita
Narrado por Mia
- E então? Vais levar acompanhante ou não? - pergunta a minha irmã.
Reviro os olhos já prevendo o que aí vem.
- Não, não vou. - respondo apenas.
- O que aconteceu contigo e com o Damien? Vocês pareciam tão apaixonados! - a minha mãe e as suas perguntas, nada indiscretas.
- As coisas não funcionaram, mãe. - Falo apenas.
- Ele era tão bom rapazinho. Eu gostava dele, pensei que era agora que casavas, mas pelos vistos ainda não é desta! - fala aborrecida.
- Ai mãe, que implicância! - digo já chateada.
- Não é implicância, é a verdade. A tua irmã é mais nova e vai casar já no sábado, e tu? Contínuas encalhada.
- Mas que coisa, até parece que eu tenho cinquenta anos, por Deus, mãe. - Que irritação de conversa, por Deus.
- Todas as meninas da tua infância já estão todas casadas, muitas delas já com filhos, e tu? Uma solteirona que mora sozinha, só te falta um gato, para realmente seres a encalhada perfeita.
Ai que merda de merda de conversa.
- Ai mãe, deixa-a, ela é que sabe, é adulta. - Diz a minha irmã.
Graças a Deus, há alguém com neurônios no sítio.
A minha irmã é mais nova do que eu quatro anos, ela tem vinte e sete anos e eu trinta e um, e a minha mãe acha que já passei do prazo de validade por ainda não ter casado, sinceramente, que estupidez.
Emily casa no próximo sábado, teve muita sorte, Jason é um autêntico gentleman, é bondoso, carinhoso, muito bonito, muito amigo e eu adoro o meu cunhado. Ele é muito bom para a Emily, e isso é o mais importante.
- Mas tu estás a ouvir?
A minha mãe tira-me dos meus pensamentos.
- Sim, mãe. - Que mentirosa que eu sou, mas é por uma boa causa, de certeza que ainda estava a falar de como eu sou uma encalhada, e mais uma data de baboseiras. Não tenho paciência.
- Mas afinal, vais contar o que se passou contigo e com o Damien, ou não?
Santa pechinica, outra vez?
- Já te disse que as coisas não funcionaram, ele começou a ficar muito ciumento e impulsivo, dei um basta antes sequer que ele pensasse que eu era propriedade dele.
- Realmente, nem sei porque ainda me surpreendo contigo. Ciumento, impulsivo, tu é que és uma esquisita, não existe homem perfeito, Mia! - ela diz, como se fosse a mais experiente do mundo.
- Eu sei que não existe homem perfeito, mãe, não sou nenhuma tosca, não sou é obrigada a estar com uma pessoa que só é bom para os de fora, Damien tornou-se insuportável e não vou falar mais sobre isso, mãe.
- Eu amo vocês duas, de verdade, mas se vão continuar com essa discussão, eu vou embora. Que baixo astral, céus.
Sim, realmente não valia a pena, a minha mãe, o meu pai e toda a minha família chata, só me largariam com este assunto quando realmente eu estivesse casada, coisa que eu não via acontecer nos anos mais próximos, então até lá, iam continuar a azucrinar a minha pessoa, e eu seria sempre a encalhada da família.
Os Noivos
Emily e Jason
Emily e Jason conheceram-se numa saída à noite com amigos em comum.
Logo simpatizaram um com o outro. Depois de mais umas tantas saídas com os amigos, passaram a ser saídas a dois. Acabaram por se apaixonar perdidamente, e começaram um relacionamento há três anos atrás, desde essa altura que não se largaram mais e o amor e a cumplicidade deles só foi aumentando, a cada dia que passava.
Vão casar no próximo sábado e estão nervosos, como qualquer casal prestes a dar o nó.
Emily é professora de Português e de Matemática da 6° e 7° série, ela ama o que faz.
Tem os olhos castanhos como a irmã Mia, mas os cabelos são cor de avelã e são pelos ombros.
Jason é um bancário muito respeitado, tem apenas vinte e nove anos, mas é de uma inteligência acima da média.
São o casal perfeito.
- A minha mãe não consegue deixar a Mia em paz. - Ela diz, deitada no peito de Jason depois de fazerem amor.
- Não me digas que a voltou a chamar de encalhada! - ele pergunta com um sorriso no rosto.
- E não é que chamou mesmo! Não entendo para quê tanta implicância, e se ela não quiser casar? Parece que é uma obrigação, que parvoíce. - Ela fala chateada.
- Também acho, mas sabes qual é o problema maior? Já terem percebido, o quanto a Mia fica incomodada com esse assunto. Então vão andar sempre a falar no mesmo.
Emily suspira,
- Gostava que ela arranjasse um bom homem, mas como este mundo anda, acho que vai ser impossível. - diz fazendo uma careta.
- Nada é impossível meu amor, quem sabe ela não arranja alguém mais depressa do que se imagina! Não vale a pena forçar, acredito que o príncipe dela está aí bem perto, tu vais ver.
Ele sorri, com aquele sorriso tão bonito.
- Quem era eu, sem os teus sábios conselhos.
Beija-o com vontade e ele retribui.
Sentado no Café
Narrado por Elijah
Há três dias seguidos que venho a este café, e cada vez que saio do mesmo, pergunto a mim mesmo, que merda venho eu aqui fazer! Quer dizer, o café é bom, o atendimento nota 10, mas sinto que venho aqui fazer algo mais.
Não fico sentado de costas para o povo e a olhar feito estátua para a rua, não, agora fico de costas para a rua e virado para esse povo aí.
Fico besta com a quantidade de pessoas que bebem café, santo Deus, devem chegar a um ponto em que têm que ir a correr para esvaziar a bexiga, assim como eu.
Olho para o balcão, mas não vejo a mulher poderosa que vi aqui, há três manhãs atrás.
Mas que porra, que me interessa a mim a mulher que vi naquela manhã? Devo estar a ficar louco.
Mas a imagem dela a dar um murraço nas fuças daquele mané faz-me rir até hoje, kkk, ele agarrado ao nariz a sangrar feito um porco, foi hilário.
Coloco a minha carranca e saio, que merda, porque estou eu aqui feito besta a pensar numa coisa que não me diz sequer respeito?
Entro no carro e arranco para o Hotel.
Estaciono no parque, entro no elevador e carrego no piso 0.
O piso 0 do Hotel tem um hall de perder de vista, várias áreas de descanso aqui e ali, onde os hóspedes se podem sentar para conviver ou apenas para ler, descansar ou apenas ver as vistas.
A recepção é enorme e tem três balcões, onde o atendimento é de puro profissionalismo. Neste mesmo piso, temos dois restaurantes com capacidade para 50 pessoas cada um. Por trás da recepção, fica a zona dos trabalhadores, onde tem os escritórios, os balneários, a cozinha e o refeitório. No piso 1 tem mais dois restaurantes, mas estes já têm uma capacidade maior, 300 pessoas cada, mas quando há festas maiores podemos perfeitamente juntar as salas e fica um salão com capacidade para 600 pessoas. No Piso 2, piscina interior, sauna, ginásio, aulas de dança, biblioteca, enfim, o piso do descanso e lazer. Depois temos nos pisos para cima, que vai até ao décimo quinto andar, os quartos, grandes e luxuosos. No décimo sexto andar há quatro coberturas com tudo, como se fossem apartamentos. Um hotel de luxo, com capacidade para 800 pessoas.
O meu pai conseguiu tudo isto, na força da sua inteligência, do seu esforço. Foram muitas noites fora de casa, e realmente para nos dar uma vida de luxo deu pouca atenção à minha mãe, ela nunca reclamou, e ajudava o meu pai sempre que podia, sempre que ele pedia. O meu pai teve muita sorte com a mulher que arranjou.
Já eu, nem acredito que algum dia vou conseguir amar alguém outra vez.
É no meio destes pensamentos, que encontro o meu pai no meio do corredor.
- Bom dia, pai! - o cumprimento.
Ainda estou chateado com a conversa dele, já passou quatro dias e continuo tão ou mais furioso que naquele dia que ele largou aquela confusão na minha cabeça.
- Bom dia, filho! - ele me cumprimenta de volta - Está tudo bem?
Ele pergunta, como se não soubesse que não, não está tudo bem, está tudo péssimo, tudo uma merda.
Mudo de conversa.
- Os marroquinos chegam hoje, preciso de ir verificar se está tudo certo para quando chegarem.
Vou falando e vou andando, não me apetece conversas, mas ele vem logo atrás de mim.
- O teu fato veio ontem, viste?
Que subtil, também ele a mudar a conversa.
- Sim, vi. - digo apenas.
- Saímos às duas da tarde de casa, não te esqueças! - ele me lembra.
- Sim, eu sei, mas eu levo o meu carro.
O meu pai pára de repente.
- E porquê? Pensei que viesses comigo e com a tua mãe!
- Não, pai, não penso lá ficar muito tempo, por isso levo o meu carro. Quando quiser vir embora venho e pronto.
- Tu, vê lá se não fazes desfeita ao teu primo, vocês dão-se tão bem! - ele me adverte.
- E o que uma coisa tem a ver com a outra, ele nem vai dar pela minha falta se eu sair mais cedo. - digo já sem paciência - Agora tenho que ir pai, até logo.
Apresso o passo, na esperança que ele não venha atrás de mim, e graças a Deus, ele não vem.