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Casamento inesperado. A noite que mudou minha vida

Casamento inesperado. A noite que mudou minha vida

Autor:: Érica Christiehh
Gênero: Romance
Após ser abandonada pelo namorado no dia do aniversário, Chloe encontra consolo nos braços da última pessoa que deveria: Ruan, o noivo rejeitado de sua meia-irmã, Megan. Uma noite impulsiva muda o destino de todos. Quando Megan foge e a família rejeita Chloe, ela é empurrada para o papel de noiva substituta - com uma madrasta cruel, um pai implacável e um casamento construído sobre os escombros de uma escolha impensada. Dois anos depois, com a morte do pai e o retorno inesperado de Megan, o passado volta a bater à porta. Ruan, confuso e ainda preso ao amor antigo, pede o divórcio... mas descobre que o tempo ao lado de Chloe plantou raízes mais profundas do que imaginava. Agora, ele precisa enfrentar uma verdade desconcertante: e se o amor que ele procurava sempre esteve com a mulher que ele nunca quis amar?

Capítulo 1 Abandonada

O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas brancas, tingindo o quarto com tons dourados e pálidos. Ainda assim, o calor de Phoenix em pleno outubro era sufocante, ondas secas que grudavam na pele antes mesmo do meio-dia. Chloe se levantara cedo, como sempre, para preparar o café da manhã de três pessoas. Mas, naquele dia, o peso da rotina parecia mais leve.

Era como se todos os anos anteriores tivessem sido ensaio. Naquele dia, ela sentia que estava pronta para viver o papel principal da sua própria vida.

Chloe era apaixonada pelo seu namorado, desde que o conheceu no colegial, há cinco anos. Um ano depois, eles já estavam namorando e fazendo planos próximos. Leônidas sempre dizia que, quando Chloe completasse vinte anos, ele a pediria em casamento.

E ali estava ela, seus vinte anos haviam chegado.

Esse pensamento a fez sorrir. Ela girou os pés, deslizando pelo chão frio enquanto sorria e dançava na cozinha vazia.

- Está tão feliz hoje – Josephine entrou na cozinha, encarando-a com estranheza –, algum evento importante?

- Eu me sinto... mais madura hoje – ela disse, mas Josephine arqueou as sobrancelhas, indiferente –, por que a Megan ainda não se levantou?

- A Megan não está em casa – Chloe parou o que estava fazendo e olhou para a madrasta –, está envolvida com os preparativos do casamento.

- Ah, claro – Chloe havia até esquecido que Megan se casaria no dia seguinte.

Ninguém parecia se lembrar de que era o aniversário dela. Todos envolvidos nos seus próprios problemas. Chloe não esperava nada da madrasta, mas sua meia-irmã deveria estar presente para parabenizá-la.

A mãe de Chloe morreu há quase uma década. Dois anos depois, seu pai se casara com Josephine. Desde então, ela e Megan, sua nova meia-irmã, cresceram como amigas, confidentes e irmãs de verdade, apesar da ausência de laços de sangue.

- Por que está demorando tanto para servir o meu café? – A impaciência de Josephine estourou em seus ouvidos.

Tentando disfarçar a frustração, Chloe arrumou a mesa, serviu a madrasta e saiu da cozinha. O coração acelerou quando pegou o celular, nenhuma notificação.

Nenhuma mensagem parabenizando-a pelo seu dia. Então, o aparelho vibrou. Uma mensagem de Leônidas:

- Vamos jantar hoje à noite? Me encontre em minha casa.

Chloe sorriu. Talvez aquele fosse o momento. Talvez ele realmente fosse pedi-la em casamento.

O dia se arrastou lentamente quando a noite finalmente chegou. Chloe nunca imaginou que passaria seu aniversário tão solitária, trancada em casa e completamente sozinha, sem que ninguém sequer se lembrasse dela.

Subiu as escadas em silêncio, pegou sua bolsa e saiu de casa. Ela mal podia esperar para receber seu presente de aniversário. Vinte minutos depois, ela estava na casa dele.

Querendo surpreendê-lo, ela abriu a porta com a chave extra que ele mesmo havia dado a ela, mas seu sorriso desapareceu assim que ela entrou na casa. Não havia velas. Nem flores. Nem música.

Leônidas estava sentado no sofá e não havia nenhuma mesa posta para um suposto jantar romântico. Quando ele a viu entrar, se colocou de pé e a encarou. Sua expressão ilegível.

- Acho que devemos terminar – ele disse isso tão rápido que ela mal conseguiu respirar.

- O que você disse? – Ela piscou, sua voz saindo como um sussurro. – Isso é uma brincadeira?

Ele a olhou do outro lado da sala, exalando bruscamente. Chloe pensou que Leônidas estava dizendo aquilo apenas para assustá-la. Ninguém jogava três anos de namoro fora sem qualquer motivo.

- Eu não estou brincando – seu tom era afiado. – Eu deveria ter feito isso antes. Eu lamento, Chloe.

- Você lembra que dia é hoje? – Ela olhou em volta, sua voz subindo de tom ligeiramente. – Lembra o que disse que faria quando eu completasse vinte anos?

Leônidas não lembrava, como ninguém havia se lembrado do seu aniversário. Ele a encarou confuso e silencioso, puxando na memória as palavras dela. Ficou em silêncio por alguns segundos e, quando ela percebeu que ele não lembraria de nada, continuou.

- Eu achei que me pediria em casamento hoje – desorientada, ela continuou dizendo enquanto suas lágrimas embaçavam sua visão –, mas eu não quero que se sinta pressionado.

- Eu nunca quis pedi-la em casamento – suas palavras foram como tapas em seu rosto. – Se eu a amasse de verdade, não acha que eu me casaria com você antes?

Chloe parou de respirar. Ouvi-lo dizer essas coisas fez seu mundo desmoronar. Havia dedicado três anos da sua vida ao único homem que amou para vê-lo ir embora sem qualquer explicação.

- Ainda podemos fazer isso funcionar – ela se antecipou na esperança de reverter a situação.

- Não podemos, porque eu não quero mudar nada – ele respondeu friamente, dando um passo para longe dela. – Deixe a chave sobre a mesa quando partir.

Leônidas virou as costas e entrou no quarto, fechando a porta. Chloe ficou olhando para a cena paralisada. Abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas falhou em todas as suas tentativas. Deveria exigir uma explicação, mas depois de não conseguir mais pensar, ela se arrastou para fora, deixando as chaves sobre a mesa, suas mãos trêmulas abrindo a maçaneta antes de finalmente sair.

Nada daquilo fazia sentido, mas ela não quis encontrar razões por nenhum motivo. O ar seco de Phoenix queimava seus olhos e sua garganta, nem mesmo as lágrimas ajudavam a amenizar os efeitos. Ela andou por horas sem rumo e pensou em voltar para casa, até que seu telefone finalmente mostrou uma notificação nova. Ao olhar para a tela do celular na esperança de que fosse Leônidas, arrependido, ficou surpresa com a mensagem recebida:

- Por favor, Chloe, preciso da sua ajuda. Estou no bar em que conheci a Megan.

Ela suspirou decepcionada antes de bloquear o aparelho e enfiá-lo na bolsa. Caminhou mais alguns metros até finalmente entrar no bar tão badalado. Rompendo a multidão entre rostos desconhecidos, ela encontrou um que conhecia bem.

No balcão em frente ao bar, ela encontrou Ruan, seu cunhado.

Capítulo 2 Encontro no bar

Chloe forçou um sorriso suave e prático assim que viu o noivo da meia-irmã com um copo de bebida na mão acenando para ela. Mas Ruan não sorriu de volta. Ela já havia visto aquele olhar antes, era a expressão de um homem com problemas.

Chloe hesitou quando olhou ao redor e não viu Megan na companhia dele. Parecia uma péssima ideia encontrar com o noivo da sua irmã em um bar, mas a voz do outro lado da linha parecia tão urgente e aflita que ela pensou que algo pior poderia ter acontecido e, quando percebeu, ela já estava em frente a ele.

- Chloe – ele disse gentilmente, seu tom alto –, feliz aniversário.

Ela limpou a garganta, eliminando a dor assim que ouviu dizer isso. Finalmente alguém havia se lembrado dela e do seu aniversário. Um sorriso surgiu em seu rosto. Seu coração estava tão arrasado agora que Chloe pensou que demoraria uma eternidade até voltar a sorrir outra vez.

Mas tinha algo de errado, Ruan não havia a chamado até ali apenas para dizer isso.

- Onde está a Megan? – Os olhos de Ruan se fixaram nela assim que ouviu a pergunta, e sua expressão modificou em questão de segundos –, aconteceu alguma coisa com ela?

- A Megan está ótima – ele suspirou, gesticulando para que ela se sentasse ao seu lado –, você deve estar surpresa com o meu convite.

Chloe exalou lentamente, quando moveu o corpo e se sentou ao lado dele. Seus dedos apertam o apoio de braço da cadeira em que ela havia afundado. O cheiro de cigarro e bebida se misturando no ar e o som alto a fizeram se sentir desconfortável.

- Surpresa não é a palavra certa – A fumaça espessa flutuava como fantasmas sobre as cabeças, as risadas misturadas ao som grave da música batiam como bombas nos seus ouvidos. Chloe sentiu que cada gole de bebida alheia era uma provocação ao próprio estômago. – O que você quer exatamente de mim?

Ruan suspirou pesadamente, esfregando a mão na testa. Chloe se movia impaciente na cadeira. Não era o lugar que ela queria estar agora, não depois de tudo o que aconteceu entre ela e Leônidas. Seu coração estava despedaçado e ela nem ao menos teve tempo de consertá-lo. Sentia que só estava ali porque acreditava que algo pior do que o fim do seu namoro poderia ter acontecido.

- A Megan disse que não pode se casar comigo.

Ruan disse sem rodeios.

Chloe olhou para ele, um nó se apertando em seu estômago a cada palavra dita por ele.

- Ela disse que não está pronta, que precisa terminar a faculdade – ele balançou a cabeça, levando o copo de bebida para os lábios, tomando mais um gole antes de continuar. – O vestido dela está pronto. Os convidados já chegaram. Amanhã é o dia, e eu não tenho mais uma noiva.

Chloe franziu a testa, suas sobrancelhas se unindo enquanto pensava no que havia escutado. Parecia que ela não era a única a sofrer uma decepção amorosa naquela noite. Chloe sabia o quanto Ruan era apaixonado por Megan, o quanto ele planejou e desejou aquele casamento. Ela conseguiu perceber o sofrimento no rosto dele.

Nunca havia visto agir tão emocionalmente assim, concluiu então que era o efeito da bebida.

Mas ela não conseguiu falar, não sabia o que dizer a ele porque não conseguia consolar a si mesma. Ela também estava destruída, como encontraria forças para consolar alguém?

- Por favor, Chloe, convença a Megan a se casar comigo – as mãos de Ruan de repente avançaram para cima dela, segurando seus ombros com força, fazendo-a se encolher em seu assento –, se você falar, certamente ela escutará.

- Não é tão simples assim – sua voz abafada pelo barulho do bar pareceu não ser suficiente –, ninguém convence a Megan quando ela está decidida.

Ruan suspirou, uma pontada de decepção em seu olhar. Ele deslizou as mãos sobre os braços dela, até finalmente soltá-la. A ideia de ter que resolver os problemas amorosos da sua meia-irmã ao invés dos dela não parecia uma boa ideia. Ruan não era o único que estava sofrendo ali.

- Tudo bem – ele pareceu admitir a derrota –, só uma tentativa e eu prometo deixá-la em paz. Pense em todo o constrangimento que passarei amanhã se a Megan não aparecer no casamento.

Relutantemente, Chloe balançou a cabeça, mas pegou finalmente o celular na intenção de se livrar daquele problema. Ela fez a ligação na frente dele, mas Megan não atendeu.

- Eu sinto muito, Ruan – Chloe lançou um olhar discreto ao cunhado. Ainda que visivelmente abatido, havia nele uma beleza que agora parecia gritar aos olhos dela, talvez pelo álcool, pela tristeza em comum ou apenas pelo desespero de não querer mais se sentir invisível.

O cabelo escuro caía sobre a testa, os olhos estavam vermelhos e os primeiros botões da camisa branca estavam abertos, revelando um pedaço do peito bronzeado. Ela desviou o olhar. Que tipo de pessoa reparava nisso numa noite como aquela?

Uma parte dela, a parte racional, quis se levantar e sair. A outra parte permaneceu imóvel, esticando os segundos como se esperasse que ele dissesse algo que justificasse sua presença ali.

Chloe mordeu o lábio inferior ao perceber que estava encarando por tempo demais. Levantou-se com tanta pressa que a cadeira atrás dela arranhou o chão, chamando atenção. O coração martelava em suas costelas. Ela havia acabado de perder o homem que amava... e agora estava desejando o noivo da irmã?

Uma mão segurou seu pulso. Ruan também se levantou, o cenho franzido, preocupado.

- O que aconteceu? – perguntou, os olhos escaneando o rosto dela. – Você está chorando?

Chloe piscou devagar. Só então sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto. A vergonha veio como uma rajada quente.

- Você já tem seus próprios problemas, não precisa se preocupar comigo – disse, limpando as bochechas apressadamente.

Mas ele não soltou. Pelo contrário. Puxou-a para mais perto e, quando ela se deu conta, estava encostada no peito dele, envolta por seus braços. O cheiro dele era mistura de álcool e suor. Ela não poderia se aproveitar de um homem completamente bêbado, poderia?

Chloe respirou com dificuldade. Cada célula do seu corpo gritava para ela fugir. Mas o calor daquele abraço a mantinha ali. Seus ombros começaram a tremer quando os soluços escapavam.

- Hoje é o seu aniversário – Ruan disse, a voz baixa. – Você deveria estar feliz.

- Feliz? – A palavra parecia uma piada. Como estar feliz quando Leônidas foi embora sem dizer por quê? Como seguir em frente se nem sabia o que havia quebrado?

Ela não respondeu. Apenas deixou ser abraçada. Pela primeira vez em dias, não estava sozinha.

- O que eu posso fazer... para te deixar feliz esta noite?

Chloe ergueu o rosto. Os olhos dele encontraram os dela. Havia ali um abismo entre o certo e o errado, mas também um espelho do que ela mesma sentia.

Ela respirou fundo. A pergunta ficou presa na garganta por um segundo, antes de se transformar em decisão.

- Me leve para sua casa – ela disse, devagar. – Eu... só preciso de um lugar para descansar.

Ruan hesitou por um momento. Então assentiu, sem dizer uma palavra.

E enquanto ele a conduzia para fora do bar, Chloe soube que, embora tivesse dito "descansar", nenhum dos dois acreditava realmente nessa palavra.

Capítulo 3 Noite proibida

Chloe pegou as chaves e dirigiu o veículo de Ruan até o seu apartamento. Ao seu lado, ele parecia dormir, a cabeça jogada para o lado, os olhos fechados e o cheiro de bebida que saía da boca dele invadindo suas narinas. Ela tinha quase certeza de que se arrependeria disso no dia seguinte.

Ruan era noivo da meia-irmã de Chloe há mais de dois anos. Eles se conheceram na faculdade e, desde então, nunca mais se separaram. Eram o casal perfeito. Ruan era um homem legal, mas Chloe não se lembrava de ter tido com ele qualquer conversa que durasse mais do que cinco minutos.

Aquela era a primeira vez que ela se via sozinha com ele. Ele havia sido tão gentil, lembrando do aniversário dela, quando todos haviam esquecido, que Chloe sentiu-se obrigada a ajudá-lo a chegar em casa em segurança.

Após estacionar o carro na garagem, ela saiu, abriu a porta do lado de Ruan e respirou fundo. Ela verificou se ele estava acordado, quando ele abriu os olhos e olhou para ela. Seus olhos cinzentos estavam um pouco vermelhos, mas quase imperceptíveis.

A beleza dele quase a desfez. Ela engoliu o nó na garganta e se afastou. Mas não foi o suficiente, ele se ergueu e colocou os braços em volta dela. Ruan era um homem alto e forte. Chloe mal conseguia se equilibrar ao lado dele.

O arrastou até o apartamento e, quando achou que poderia deixá-lo em um lugar seguro e se afastar, Ruan a agarrou pela cintura, estendendo a outra mão até seu queixo, o erguendo.

- Vai me contar por que estava chorando, Chloe?

Chloe não conseguia contar a ele, as palavras eram dolorosas demais para serem ditas em voz alta. Ela apenas balançou a cabeça, lágrimas frescas querendo brotar de seus olhos.

Ela piscou para ele, por que ele estava fazendo tantas perguntas? Por que ele não parecia tão bêbado dessa vez?

- Você precisa tomar um banho e descansar – Chloe disse, mas ela não conseguiu tirar as mãos dele de cima dela.

Os olhos de Ruan se estreitaram ligeiramente.

- Você é incrível, Chloe – seu corpo se desequilibrou, fazendo-o ficar mais perto dessa vez, tão perto que Chloe sentiu suas pernas queimarem.

Chloe congelou. Isso não estava certo. Ruan era noivo da sua irmã, desejava se casar com ela. Ruan só estava incomodado porque Megan negou se casar com ele e Chloe estava triste porque levou um fora do namorado.

Eram duas pessoas destruídas tentando achar consolo no lugar errado. Antes que Chloe pensasse em escapar, Ruan segurou sua nuca e a puxou, fechando o espaço entre eles, pressionando os lábios nos dela.

Por um momento, ela não se mexeu, então seu corpo queimou. Suas mãos agarram as pernas dela, desesperado para segurar algo sólido.

Foi tão diferente de tudo o que ela experimentou com Leônidas. Mas ela se afastou ao se lembrar dele, respirando com dificuldade, olhando para os seus olhos cinzentos, cheios de desejo.

- Ruan – ela murmurou – Nós não devemos...

Ele a silenciou com outro beijo. Chloe nunca havia sido beijada dessa forma, com urgência, como se o tempo não importasse, e não tivesse chão para segurar seus pés.

Apenas aquele beijo mostrou para ela que havia algo de errado em seu relacionamento com Leônidas. Ela o amava, mas o beijo de Ruan e a maneira como ele a segurava a fizeram sentir bem mais do que as carícias do seu ex-namorado.

Quando percebeu seu consentimento, ele a prendeu contra a cama e devastou seus lábios. A mente de Chloe girou com as próprias emoções. Ela podia sentir o calor entre as pernas e o quanto estava molhada apenas com o beijo.

Um suspiro escapou dos seus lábios. Era tarde demais para escapar. Sem outras palavras, ela se inclinou e o beijou de volta. Seu toque era requintado, cada golpe do seu polegar sobre o seu corpo fazia Chloe se sentir desejada.

Naquela noite, Chloe, que sempre pensou ser fria e não estava pronta para fazer sexo, descobriu pela primeira vez o quanto era bom ser desejada.

Quando Chloe acordou, com a luz fraca do amanhecer penetrando pelas pesadas cortinas, ela se deu conta do que havia feito. Seu corpo nu debaixo dos lençóis a fez lembrar da noite passada.

O pânico se instalou em seu peito quando viu Ruan andando pelo quarto sem camisa, com as mãos na cabeça. Seus olhos, agora ardendo em raiva e ódio, olharam para ela. Não era o mesmo homem gentil e avassalador da noite passada.

- O que você está fazendo no meu quarto, Chloe? – Ruan ergueu a sobrancelha, sua expressão contraída, mas Chloe não conseguiu responder.

Com dificuldade, ela se levantou e começou a catar suas roupas no chão, ignorando a pergunta dele. Se Ruan não se lembrava de absolutamente nada, seria vergonhoso demais para Chloe contar a ele o que havia acontecido.

Antes que ela pudesse continuar, Ruan agarrou o braço dela, obrigando-a a olhar em seus olhos.

- Me diga o que aconteceu, agora.

Chloe achou que ele não estava falando sério, como alguém poderia esquecer uma noite como aquela?

- Quer saber realmente o que aconteceu, Ruan? – Ela decidiu terminar com aquilo de uma vez – O que acha que estou fazendo nua na sua cama?

- Não... – murmurou, dando um passo para trás, os olhos arregalados. – Não pode ser. Hoje é o meu casamento... e você... você está dizendo que dormi com a irmã mais nova da minha noiva?

Ela começou rapidamente a juntar suas roupas. As últimas vinte e quatro horas haviam sido as piores de sua vida. Perdeu o homem que amava no dia do seu aniversário e teve a noite mais intensa da sua vida com o seu cunhado. Ela deveria se sentir culpada por isso, mas não se sentia.

- Ninguém precisa saber o que aconteceu aqui – Chloe disse, ofegante, enquanto vestia suas roupas rapidamente na frente dele – Esse vai ser o nosso segredo. Nem mesmo precisamos lembrar o que aconteceu.

- Não – ele balançou a cabeça – Eu não sou esse tipo de homem, Chloe. Eu jamais ficaria com você prestes a casar com a sua irmã.

- Mas você ficou – considerando que ele havia feito amor com ela por horas na noite anterior, seu comportamento frio estava a deixando confusa – Está dizendo que eu o seduzi e o forcei a ficar comigo? Eu nunca planejei isso.

Ruan ficou violento. A expressão em seu rosto se contraiu, percebendo naquele momento o problema que havia causado, passou por ela, a empurrando para longe.

- Apenas vá embora da minha casa – ele se agachou, pegando o resto das roupas dela que estava no chão e jogando em seu rosto – Eu espero nunca mais a ver em minha vida.

Ela o obedeceu, enxugando as lágrimas com as palmas das mãos, pegou suas coisas em silêncio e partiu, sabendo que tinha feito uma grande besteira.

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