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Casamento na mafia

Casamento na mafia

Autor:: Aldenise Silva
Gênero: Romance
Em um mundo obscuro e implacável, Matias Toscano sempre foi um pária. Diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial, ele nunca se encaixou nos moldes da sociedade. Sua infância solitária e reclusa o isolou dos outros, exceto por seu irmão mais novo, Lorenzo, o único capaz de se aproximar dele. Enquanto Lorenzo era o filho querido, Matias era constantemente menosprezado por sua mãe, Monalisa, que o comparava ao irmão e exigia que ele fosse mais como ele. Mas tudo muda quando o pai dos irmãos desaparece misteriosamente, deixando Matias ainda mais perdido e excluído. Em busca de seu lugar no mundo, ele se entrega a caminhos sombrios e cruéis, encontrando uma forma de se sentir poderoso e realizado. No entanto, seus planos são abalados quando um casamento inesperado vira sua vida de cabeça para baixo. Matias encontra em seu casamento uma mulher que desafia todas as suas convicções e desperta sentimentos há muito tempo adormecidos. Ele é confrontado com a possibilidade de mudança, de transformação interior mesmo diante de sua condição de sociopata. A medida que a trama se desdobra, segredos são revelados, alianças são testadas e Matias se vê em uma encruzilhada entre sua natureza cruel e a busca pela redenção. Em "Casamento na máfia", mergulhe em uma narrativa intensa e cheia de reviravoltas, onde a máfia é apenas o pano de fundo para a jornada emocional de Matias. Será que ele conseguirá superar seus próprios demônios e encontrar um caminho para a redenção? Descubra nessa história envolvente sobre amor, lealdade e a força do indivíduo para se transformar mesmo nos lugares mais sombrios.

Capítulo 1 Da Solidão à Fúria:

Matias Toscano foi uma criança solitária desde cedo. Desde tenra idade, ele nunca se sentiu confortável em meio a grandes multidões, inclusive na escola. Ele preferia ter seu próprio espaço, onde pudesse desfrutar de solidão e paz. Até mesmo durante os intervalos, ele se afastava dos outros para evitar o contato. Apesar de ter um irmão mais novo chamado Lorenzo, Matias sempre buscava a solidão. Ele nunca gostou de estudar e detestava todas as regras impostas pela escola, considerando tudo aquilo repugnante e desnecessário.

Sua mãe, Monalisa Toscano, era uma mulher tradicional e religiosa. Ela obrigava seus filhos a irem à igreja todos os domingos. No entanto, Matias zombava do pastor, o que deixava Monalisa furiosa. Ela sabia que um castigo o aguardava assim que todos voltassem da igreja. Mas Matias não se importava. Ele fazia isso por puro prazer, sentindo-se satisfeito ao ver as reações das pessoas diante de suas travessuras. Desde pequeno, ele já demonstrava sua natureza cruel e impiedosa.

Em determinada ocasião na escola, havia um grupo de garotos que frequentemente praticava bullying contra aqueles que consideravam inferiores ou "fracotes". Matias sempre preferiu ficar à margem, evitando chamar a atenção. Ser notado não estava em seus planos. No entanto, em um dia como outro qualquer, quando Matias retornava da cantina em direção à sala de aula, ele foi interceptado pelos valentões da escola. Eles partiram para cima dele com violência, ignorando seus pedidos para que parassem.

Arrastaram Matias até o banheiro da escola, determinados a fazer com ele o mesmo que faziam com os outros garotos, numa demonstração covarde de poder. Mesmo que Matias denunciasse o ocorrido à escola, os diretores e professores pareciam não se importar. Porém, naquele dia, os valentões mexeram com a pessoa errada, no momento errado.

Matias sentiu a fúria crescer dentro de si. Com uma coragem inesperada, ele se levantou e desferiu um soco certeiro no nariz de um dos garotos, fazendo-o sangrar imediatamente. O outro, ao ver o sangue escorrendo do nariz do amigo, correu desesperado em busca de ajuda. A partir daquele momento, nada poderia deter a fúria de Matias.

Ele agarrou um dos grandalhões com uma força assustadora, torcendo-lhe o braço para trás. Com uma brutalidade perturbadora, inclinou-o em direção ao vaso sanitário, forçando sua cabeça para dentro, enquanto mantinha um domínio implacável sobre o braço do garoto. O estalo do osso quebrando ecoou pelo banheiro. O garoto só foi salvo quando o diretor chegou e retirou Matias de cima dele. Caído no chão, o garoto estava imóvel, com falta de ar e tendo engolido água da privada.

Em meio ao caos e horror ao seu redor, Matias observou o outro garoto, aquele que ele havia socado, limpando o sangue do rosto. Uma sensação incontrolável de prazer tomou conta dele, uma satisfação sombria diante do sofrimento alheio. Naquele momento, ele percebeu que causar tamanho sofrimento nos outros lhe proporcionava uma sensação prazerosa única, algo que ele nunca havia experimentado antes.

Todos os envolvidos foram levados à diretoria e Matias foi acusado de ter instigado a briga, resultando em sua suspensão por um mês. Originalmente, ele deveria ter sido expulso da escola, mas sua mãe, horrorizada com as ações do filho, prometeu que ele não causaria mais problemas. O diretor, vendo que aquela havia sido a primeira vez que Matias se envolvera em uma confusão dentro da escola, decidiu dar-lhe uma segunda chance.

Matias era visto como uma pessoa invisível pelos outros, alguém que só ganhara destaque naquele momento. Sua mãe, buscando uma forma de castigá-lo, o obrigou a realizar serviços comunitários e interagir com as pessoas. Ela sabia que isso era algo que Matias odiaria e considerava essa a melhor maneira de puni-lo. Ela esperava que, diante da possibilidade de passar por aquilo novamente, ele pensasse duas vezes antes de cometer novos erros. Embora Matias achasse o castigo terrível, ele sentia que valeu a pena, pois conseguiu colocar os agressores da escola em seu devido lugar.

Quando Matias retornou à escola, ele era temido por todos, inclusive pelos valentões. Ao vê-lo passar ou se aproximar, eles abaixavam a cabeça. Desde aquele episódio, nunca mais praticaram bullying contra ninguém dentro da escola. Matias sentiu-se incrível, pois havia conquistado algo que nem mesmo o diretor e os professores haviam conseguido antes.

Por outro lado, Lorenzo Toscano, seu irmão mais novo, era o oposto de Matias. Ele era calmo, atencioso, bondoso, caridoso e simpático. Mesmo sendo apenas uma criança, já era bastante popular, e as garotas sempre o cercavam, atraídas por seu charme único. Monalisa, mãe de ambos, tinha uma adoração especial por Lorenzo. Ela costumava compará-los, dizendo que Matias deveria se espelhar em seu irmão e tentar se parecer mais com ele em termos de personalidade.

Essas comparações nunca abalaram Matias, embora houvesse momentos em que ele imaginava como seria ser como Lorenzo. No entanto, ele percebia que aquilo simplesmente não era o seu estilo. Lorenzo sempre foi gentil com Matias, tentando se aproximar dele e iniciar conversas. Mas não importava o quanto Lorenzo tentasse, Matias sempre encontrava uma maneira de se afastar. Ele reconhecia que Lorenzo era o único da família que realmente se importava com ele, mas não conseguia mudar sua aversão à companhia das pessoas. Estar perto delas provocava uma agonia extrema em Matias, que se sentia profundamente desconfortável.

O pai de Matias, Marco Toscano, sempre foi um homem muito distante de seus filhos. Por mais que Monalisa tentasse descobrir onde ele trabalhava, era algo que ele mantinha em total segredo. O pouco tempo que passava em casa, trancava-se no escritório e raramente saía de lá. As crianças viam pouco o pai, enquanto Monalisa cuidava delas e da casa incansavelmente. Ela nunca relaxava, pois não podia se dar um momento sequer de paz. Sempre que o marido chegava em casa, ela tentava descobrir o que ele fazia tanto tempo fora. Ele alegava ser militar, mas Monalisa sabia que não era verdade e que ele tinha algum segredo obscuro que escondia da família. No entanto, por mais que desejasse descobrir a verdade, ela sabia que seria impossível.

Capítulo 2 Da Indiferença à Descoberta de um Amor Inesperado

Quando Matias completou 15 anos, descobriu que seu pai havia saído de casa e nunca mais voltaria. Sua mãe encontrou um bilhete deixado por ele no escritório e, ao começar a ler, deixou cair o vaso de flores que segurava, levando Lorenzo a correr até ela para descobrir o que havia acontecido. Monalisa não esperava aquela traição de seu marido, pois ele sempre se mostrou um homem comprometido e responsável, embora distante. Matias aproximou-se da mãe, tentando entender o que estava acontecendo, e viu-a desabar no chão, soluçando. Ela repetia a palavra "não!" incessantemente.

Lorenzo chorava ao lado dela, enquanto Matias observava tudo sem demonstrar qualquer reação. Ele se questionava por que não conseguia sentir nada, assim como sua mãe e seu irmão. Talvez fosse pela falta de proximidade com seu pai, que vivia praticamente ausente de casa, ou talvez fosse um choque, mas o problema era que Matias não tinha nenhum sentimento para expressar.

Alguns dias depois, descobriram que Marco havia sido morto, mas não sabiam por quem nem o motivo de sua morte. Aquilo intrigou ainda mais Monalisa, que já estava perplexa com a situação. O velório foi realizado em casa e, mesmo com todos consternados pelo ocorrido, Matias permanecia indiferente, sem demonstrar qualquer reação. Enquanto todos choravam e se entristeciam, ele permanecia em um canto da sala, observando todos com um olhar frio e penetrante, o que deixava Monalisa temerosa em relação ao seu filho. Ela o chamou para se aproximar, tentando entender o que estava acontecendo, pois estava ficando cada vez mais preocupada. Matias aproximou-se, mas mesmo ao ver sua mãe em um estado deplorável, não sentia compaixão alguma. Lorenzo, ao lado da mãe o tempo todo, abraçou Matias e chorou em seu ombro. Matias sentia-se totalmente desconfortável com aquela situação. A nostalgia do enterro estava o deixando agoniado.

- Matias, meu filho, o que está acontecendo com você? Por que você está aí parado, sem chorar, sem fazer nada? Estou ficando preocupada com você, meu querido. Será que você não tem coração? Você não vê o que aconteceu com seu pai? Ele é seu pai, Matias! - Monalisa bateu no peito de Matias com as duas mãos, protestando.

- Mamãe, eu não entendo por que a senhora está assim. Papai sempre foi um homem frio e quase nunca estava em casa. Ele nunca se importou conosco, se estávamos bem ou não, se estávamos doentes ou não. Por que agora eu deveria fingir uma dor falsa? A senhora me conhece muito bem e sabe que não sou capaz disso.

- Mas filho, por favor, você tem que estar ao meu lado. Você é meu filho mais velho, é você quem ficará no lugar do seu pai nesta família. Eu preciso do seu apoio neste momento de grande dor que estou sentindo, mas você não está sendo útil. Você está aí parado, quieto em um canto, como sempre fez. Parece que você me ignora, como se eu não existisse para você. - Monalisa lamentou.

- Mamãe, por favor, vamos parar de ser hipócritas. Deixo isso para o meu irmão. A senhora sabe muito bem que ele sempre foi o filho favorito. Que seja ele a ampará-la. Eu estou fora dessas falsidades. Não tenho vontade de ficar aqui fingindo algo que não sou. Estou indo embora. Quando tudo isso acabar, eu volto. Não tenho paciência para ficar aqui.

Matias decidiu sair para tomar um pouco de ar, pois não aguentava mais presenciar o lamento constante que tomava conta de sua casa. Aquilo era uma tortura para ele. No dia seguinte, ocorreu o enterro. Apesar de saber que seu pai havia lhe dado a vida, Matias considerava-o desprezível e nunca se importara verdadeiramente com ele. Por que, então, Matias deveria se importar? Aquilo não fazia sentido para ele. Eletentou vasculhar suas memórias em busca de algum momento entre ele e seu pai, mas não conseguia lembrar de nada significativo, já que não havia tido demonstrações de afeto por parte dele. No entanto, Matias sabia que, lá no fundo de seu coração, ele amava o pai. Quando estava distante, apoiado em um pilar do cemitério, ao perceber que nunca mais veria seu pai novamente, uma única lágrima escorreu por seu rosto, e Matias sorriu. Era a primeira demonstração genuína de sentimento que experimentava em toda a sua vida, algo completamente inédito para ele.

Lorenzo Toscano era o irmão mais novo de Matias. Ele sempre achou a família difícil. O pai estava sempre ausente, e a mãe dele tinha que segurar todas as pontas da casa. Por isso, Lorenzo acredita que ela sempre foi mais dura com seu irmão, que sempre foi uma pessoa reservada. Embora Lorenzo tentasse de todas as formas interagir com ele, Matias sempre arranjava um jeito de se livrar dele. Lorenzo compreendia que Matias gostava de estar sozinho, mas desejava que os dois se tornassem melhores amigos, além dos laços de sangue.

Lorenzo sentia que Matias o amava, pois já o vira defendê-lo na escola algumas vezes. Apesar de ser impulsivo, Matias agia sem pensar nas consequências, o que deixava Monalisa furiosa. Ela era chamada na escola quase diariamente por causa de Matias. Desde o incidente no banheiro, Monalisa usava Lorenzo como exemplo, dizendo na cara de Matias que ele era o filho perfeito, o único que lhe dava orgulho. Lorenzo considerava essa atitude equivocada, pois percebia que isso apenas afastava Matias ainda mais dele.

Quando Lorenzo tinha 13 anos, recebeu a notícia da morte de seu pai. Enquanto ele e Monalisa sofriam muito, Lorenzo percebeu que Matias não chorou. Lorenzo viu o quanto sua mãe ficou com raiva de Matias, acusando-o de não ter consideração por ninguém. Mesmo assim, Lorenzo acreditava ter visto um breve momento de tristeza nos olhos de Matias. Porém, essa emoção desapareceu rapidamente. Matias sempre foi uma pessoa fria aos olhos de Lorenzo. Durante o enterro de seu pai, quando a terra já estava sendo jogada sobre o caixão, Lorenzo olhou para Matias e viu uma única lágrima escorrer em seu rosto. Esse momento aqueceu o coração de Lorenzo, pois confirmou que, apesar de não demonstrar sentimentos, Matias tinha sim um coração, diferente do que sua mãe dizia.

Nos meses seguintes, Matias se afastou cada vez mais de seu irmão e de todos ao seu redor. Por mais que Lorenzo tentasse se aproximar, era impossível. Matias se tornava cada vez mais recluso, o que deixava Monalisa muito preocupada. Ela temia que isso se transformasse em algo pior, acreditando que Matias era um verdadeiro monstro.

Capítulo 3 Laços de Sangue!

Certo dia, Matias acorda desnorteado com alguém gritando seu nome. Ele abre os olhos assustado e vê Lorenzo à sua frente, segurando uma caixa embrulhada com papel de presente. Ele leva a mão ao peito, tentando controlar a respiração.

- O que é isso, cara? Não precisava disso. Você quer me matar do coração? Pensei que estivesse acontecendo algo grave.

- Eita! Nem gritei tanto assim. Você esqueceu, seu bobo? É o seu aniversário. Que inveja de você, mano. Me diz aí, como é a sensação de estar de maior? - Lorenzo pergunta, eufórico.

Matias esfrega os olhos, tentando se situar. Ele se senta na cama devagar e olha para Lorenzo, que permanece parado à sua frente, sorrindo.

- O que foi, Lorenzo? Vai passar o dia inteiro aí me encarando?

- Abre! Quero ver se você gostou! - Lorenzo fala, apreensivo.

Embora um pouco incomodado, Matias se vê obrigado a abrir a caixa diante de seu irmão. Ao fazê-lo, encontra uma luva de beisebol. Levanta a cabeça e olha para Lorenzo, percebendo o brilho nos seus olhos.

- E aí, gostou? É para jogarmos juntos. Sei que você sempre foge de mim ou arranja uma desculpa esfarrapada para não estarmos juntos, mas não vejo por quê. Temos que passar um pouco de tempo juntos. Por que vivemos separados se somos irmãos? Você é a única figura masculina que tenho como inspiração, então quero fazer parte da sua vida, meu irmão. Nada melhor do que nós dois começarmos a passar mais tempo juntos.

- Claroque gostei. - Ele responde, abrindo um sorriso forçado. - Mas você sabe que não sou muito bom em esportes, né? Então, não acho que posso ser uma boa companhia para você. Eu tentando jogar junto com você... Por que não joga com seus amigos de sempre? Eu fico observando vocês, mas não acho que devo participar!

- A intenção desse presente foi justamente para que você jogasse comigo. Então, não aceito "não" como resposta. Se você não souber jogar, tenho certeza de que posso te ensinar. Vamos ter mais interação entre nós dois.

- Desculpe, mãe. Eu não sabia que eram dele. Só queria tomar um café da manhã rápido antes de sair para jogar com o Lorenzo. Mas tudo bem, eu não como. - Matias respondeu, tentando disfarçar a mágoa que sentia.

Monalisa suspirou, olhando para o filho com uma expressão de desapontamento.

- Sempre a mesma desculpa, Matias. Você nunca presta atenção nas coisas ao seu redor. Não me surpreende que seja assim. Você sempre foi um problema desde que nasceu. Seu pai nunca teve paciência para lidar com você, e agora eu entendo o porquê.

As palavras de sua mãe ecoaram na mente de Matias, mas ele tentou ignorar. Sentou-se à mesa e ficou em silêncio, enquanto Monalisa continuava a falar, despejando críticas e ressentimento sobre ele. Matias sabia que tentar se defender só pioraria a situação, então preferiu se calar.

Ao terminar de comer, Matias se levantou e se dirigiu à porta. Antes de sair, olhou para Monalisa e disse:

- Mãe, hoje é meu aniversário. Eu vou passar o dia com o Lorenzo, então não se preocupe comigo. Não vou te causar mais problemas.

Monalisa apenas balançou a cabeça, sem dizer uma palavra. Matias sentiu uma pontada de tristeza, mas se forçou a seguir em frente.

No parque, Lorenzo estava ansioso, segurando a luva de beisebol. Quando viu Matias se aproximar, seu rosto se iluminou.

- E aí, irmão! Pronto para jogar?

Matias tentou sorrir, embora seus sentimentos estivessem confusos. Ele queria aproveitar aquele momento com Lorenzo, mas a sombra das palavras de Monalisa ainda pairava sobre ele.

- Estou pronto. Vamos jogar.

Os dois começaram a se divertir, lançando a bola um para o outro. Matias, apesar de não ser habilidoso no esporte, estava determinado a aprender. Ele sentia a alegria genuína de Lorenzo ao seu lado, e aquilo o ajudava a esquecer momentaneamente todas as tensões e problemas familiares.

Enquanto jogavam, Matias pensava sobre sua relação com Lorenzo. Ele percebia que o irmão o via de uma maneira diferente da forma como Monalisa o via. Lorenzo enxergava além das aparências e das falhas. Matias sentia-se grato por ter um irmão como ele, alguém que o aceitava mesmo quando ele próprio tinha dificuldade em se aceitar.

À medida que o sol se punha, os dois irmãos continuaram a jogar, rindo e se divertindo juntos. Matias finalmente começava a compreender que, apesar das diferenças e das dificuldades, eles podiam construir uma relação especial.

Enquanto a noite caía, Matias olhou para o céu estrelado e sentiu-se esperançoso. Talvez aquele fosse o início de uma nova fase em sua vida, onde ele e Lorenzo poderiam se apoiar mutuamente e superar as adversidades.

Ele sabia que ainda havia muito trabalho a ser feito para melhorar sua relação com Monalisa, mas agora tinha a certeza de que não estava sozinho. Com um sorriso no rosto, Matias continuou jogando com Lorenzo, aproveitando cada momento de conexão e cumplicidade que aquele jogo de beisebol lhes proporcionava.

Lorenzo levanta rapidamente e pede à sua mãe que permita que Matias coma, pois ele não está com tanta fome assim. No entanto, Matias percebe que isso é apenas uma desculpa para que ele possa comer. Lorenzo olha para Matias e pisca, mas seu irmão não está satisfeito. Ele não suporta mais os maus-tratos da mãe e a indiferença com que o trata. Matias sente que já é o suficiente e decide que não aguenta mais essa vida. Ele se sente como um fardo para a mãe, como se ela o considerasse dessa forma.Matias olha para seu irmão, que permanece ao lado do balcão, e toma uma decisão. Ele não pode mais suportar essa situação. Após percorrer vários quarteirões, ele acaba chegando ao bairro mais perigoso de Nova York. Para Matias, isso é emocionante, pois ele gosta de desafiar o perigo e é um amante da adrenalina. Enquanto caminha pelas ruas, presencia um homem sendo arrastado para dentro de um galpão aparentemente abandonado. Movido por uma enorme curiosidade, Matias se esgueira por um beco ao lado do galpão até encontrar uma brecha que lhe permita ver o que está acontecendo lá dentro.

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