Hoje é o nosso dia, o dia dos trigêmeos, como costumávamos chamar quando criança, eu Darya e Vas, estamos comemorando nossos 32 anos. E nada melhor do que celebrar de uma maneira nostálgica, retornando àquela floresta onde passávamos nossas férias quando éramos adolescentes e vínhamos acampar. Darya trouxe seus filhos, Maxime, Mathieu e a pequena Margot, além da filha de Vasily, Eleonora, todos com idades próximas. Era uma oportunidade perfeita para nos reconectar e, ao mesmo tempo, dar às crianças um gosto das nossas aventuras passadas.
Enquanto montamos as barracas e organizamos o acampamento, Darya pede às crianças para não se afastarem muito. Querendo que elas fiquem por perto, ao alcance dos nossos olhos, mesmo tendo nossos soldados postos a uma certa distância para a nossa segurança.
Estamos entre risos e conversas sobre nossa infância, lembranças que parecem tão vivas quanto o presente. Adoro o que faço como o Don da Máfia, mas é nesses momentos com os meus gêmeos que são um terço de mim e meus sobrinhos que me deixa completo.
- Lembram daquela vez que tentamos construir uma cabana na árvore e tudo desabou? - pergunta Darya, gargalhando.
- Como esquecer? - respondo. - Mamãe ficou furiosa quando viu a bagunça que fizemos.
- Ainda tenho a cicatriz no joelho - diz Vasily, mostrando a marca. - Mas valeu a pena.
Rimos.
- E aquele verão em que decidimos acampar no quintal? - indaga Vas, com um sorriso nostálgico. - Papai Luther nos trouxe marshmallows e ficamos contando histórias de terror até tarde da noite.
- Sim, e acabou que fomos todos dormir em casa porque alguém - olho para Darya com um ar de brincadeira - ficou com medo dos barulhos da noite.
Darya revira os olhos, mas não consegue esconder o sorriso.
- Eu era pequena! E aqueles barulhos eram realmente assustadores.
- Esses momentos são os que mais valem a pena - digo, ao piscar para ela. - Não importa o que o futuro traga, sempre teremos nossas lembranças e nossa família, sempre seremos nós.
Vasily acena com a cabeça.
- E vamos criar muitas mais, tenho certeza.
A conversa continua, e sou feliz por vê-los estão felizes seguindo com as suas próprias famílias, com seus companheiros e filhos. Por encontrarem o mesmo amor que os nossos pais encontraram.
As crianças, alheias às nossas histórias, brincam por ali, explorando a área ao redor. Enquanto eu e Vasily nos encarregamos de montar as barracas, Darya tenta acender o fogo e quando ela consegue, grita feliz após conseguir e se levantar, dando alguns pulinhos. Sinto um calor no coração que não sentia há muito tempo depois que perdi a minha esposa, ao vê-la tão feliz.
Quando eu e Vas, terminamos de montar as barracas e arrumar as cadeiras e a mesa entre as barracas, Maxime, Mathieu, Margot e Eleonora voltam correndo, acompanhados por três garotos idênticos, da mesma idade das meninas. Eles tinham cabelos castanhos claros e olhos azuis, e imediatamente me fizeram lembrar de mim mesmo quando era criança. Darya, sempre com seu humor característico, brinca:
- Yakov, esses meninos parecem miniaturas suas!
Sorri, mas algo nos garotos me intriga. Fico olhando para os três meninos e pensando que se ela ainda estivesse aqui comigo, se teríamos três crianças assim como eles, atualmente. Nossos filhos, brincando com os meus sobrinhos, sendo uma parte minha e sua. Me inclino para frente na cadeira com os meus cotovelos apoiados em meus joelhos. Eles eram tão semelhantes a mim que parecia impossível ser coincidência, totalmente surreal ou apenas é o destino querendo brincar comigo sobre a possibilidade que perdi e que nunca mais teria.
Mas deixo esses pensamentos de lado e volto a me concentrar na nossa tarde.
Vasily dirige-se à churrasqueira enquanto Darya pega biscoitos e marshmallows, solicitando a ajuda das crianças para colocá-los nos espetos e assá-los na fogueira a uma distância segura.
- Qual é o nome dos seus novos amigos? - ela pergunta à filha. Margot sorri e dá de ombros, e quem responde é Eleonora.
- São Rhavi, Gael e Arturo - ela diz, apontando para cada um deles, que concordam com um aceno de cabeça, com a boca toda suja de marshmallows e biscoitos.
- De onde será que veio esses meninos? - Vas nos pergunta. - Será que estão perdidos?
Darya chama por eles e pergunta a eles se estão perdidos e eles negam dizendo que moram aqui perto e que a mãe deles sabem que eles estão brincando.
- Vocês têm certeza que ela sabe onde vocês estão? - ela pergunta a eles que assentem mais uma vez, lambendo os lábios, em um gesto simultâneo tão igual que acabamos rindo. - Então está bem, mas não se afastem muito, está bem? - avisa Darya, com um sorriso carinhoso.
Os meninos voltam a brincar alegremente, correndo pelo gramado enquanto o sol começa a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa. As risadas infantis ecoam pelo ar, criando uma atmosfera de pura felicidade e inocência.
Margot observa os novos amigos com curiosidade e, finalmente, se junta a eles, deixando-se levar pela energia contagiante.
Me aproximo de uma das caixas térmicas, pego as carnes e também os pães, colocando tudo na mesa perto de onde Vas está preparando a churrasqueira.
O tempo passa rápido, e o crepúsculo começa a tingir o céu de laranja e roxo. As crianças a brincar, mas já começando a mostrar sinais de cansaço.
A noite se aproxima lentamente, e as crianças começam a se reunir em volta de uma pequena fogueira que Vas acendeu. As chamas dançam ao vento enquanto todos se sentam em círculo, compartilhando histórias e rindo das aventuras do dia.
- Vamos contar histórias de fantasmas! - sugere Gael, com os olhos brilhando de excitação.
- Só se forem histórias engraçadas, nada de assustar ninguém - adverte Darya, piscando para Margot, que se entusiasma se sentando no seu colo.
- Eu não tenho medo! - a pequena no seu colo diz, se aninhando ainda mais no colo da mãe - Padrinho sempre me conta histórias de terror quando durmo na cada dele.
O rosto da minha trigêmea fica vermelho.
- Ah! É? Acho que terei que ter uma conversinha com o seu padrinho sobre isso. - ela diz, deixando um beijo nos cabelos da filha.
- Não conta nada, mamãe, eu prometi a ele que não te diria nada - ela faz um biquinho e Darya assente, mas eu e Vas sabemos que ela terá sim uma conversa com Antoine.
Começamos contar as histórias, vendo os olhos dos pequenos se arregalarem, assustados, os trigêmeos se abraçando e as meninas rindo, enquanto os olhos da pequena Margot, sempre tão curiosos, esperando por mais do desenrolar da história. Provavelmente essa aí, puxou a avó, o que dará uma bela dor de cabeça para a minha irmã e seu marido.
- Não é estranho que eles tenham ficado a tarde inteira aqui conosco e ninguém ter vindo procurar por eles, até o momento? - Darya nos pergunta a mesma dúvida que roda a minha mente depois de algumas horas que eles já estavam conosco. Anoiteceu e ninguém ainda veio a procura deles.
Chamo-os para virem até mim e pergunto-lhes onde residem. No início, eles parecem relutar em responder, mas, ao insistir, respondem-me que residem no alto da montanha, em uma cabana escondida, cercada pela mata e pela floresta do outro lado da colina. E fico me perguntando o mesmo que os meus irmãos, como foi que eles vieram parar aqui sozinhos?
Vas pergunta, mas eles apenas devolvem o silêncio para nós.
- Vamos, meninos. Vou levar vocês até lá - digo, enquanto pego uma lanterna ao me levantar e estendo a minha mão para eles - Seus pais devem estar preocupados com vocês três, estão bem longe de casa, como vieram parar aqui? - Faço a pergunta novamente, assim que começamos a caminhar para mais adentro da floresta onde estamos, dois dos meus soldados que estavam apostos mais a frente nos seguem.
Eles, como fizeram com meu irmão, não me respondem, ao olharem um para o outro e apenas arquearem os ombros. Ou eles não gostam de falar muito, ou seus pais os ensinaram a não falar com estranhos, embora eles tenham permanecidos em nosso acampamento e brincando com nossas crianças.
À medida que nos aproximamos da cabana, começo a ouvir gritos desesperados. Uma mulher chamando pelos filhos, gritando o nome das três crianças que se encontram comigo. A cada passo, meu coração bate mais forte, espero que ela não entenda mal, eu estar com os seus filhos. Quando finalmente chego, vejo uma mulher do lado de fora, claramente angustiada, passando as mãos na cabeça em um ato de desespero. As crianças correm para os braços dela, e ela começa a dar-lhes uma bronca por se afastarem tanto de casa, ao mesmo tempo que começa a chorar, verificando cada um deles em busca de algum ferimento.
É nesse momento que a mulher se vira, e eu fico paralisado. É Audreen, minha esposa, que havia sido dada como desaparecida há seis anos, e depois de dois anos de buscas incansáveis por mim e seu pai, acreditamos que ela estava morta. O choque é tão grande que mal consigo respirar. Ela também me ver, e seu rosto expressa o que é a surpresa, seus olhos se arregalando e seu tom de pele ficando pálido. Ela engole em seco ao se levantar, enquanto vou me aproximando cada vez mais dela.
- Audreen? - consigo dizer, minha voz tremendo. - Como... Como você está aqui?
Estou sentada no jardim, o sol começa a se pôr e a brisa suave balança as folhas das árvores ao nosso redor. Minha melhor amiga, Carmen, está ao meu lado, seus olhos brilhando de preocupação enquanto desabafo sobre o pesadelo que se torna minha vida. O jardim parece um refúgio de paz neste momento. As flores exalam um perfume suave e os pássaros cantam suas melodias vespertinas. Sinto uma conexão profunda com a natureza ao meu redor e, por um instante, todos os meus problemas parecem menores.
Respiro fundo, colhendo um pouco de paz que ainda tenho, antes de tudo mudar amanhã e nova vida começar, me despedindo deste lugar, da minha casa.
Nós duas ficamos em silêncio, apreciando a serenidade do entardecer. O mundo continua a girar, mas neste pequeno canto do jardim, tudo está em perfeita harmonia.
- Não posso acreditar que se casará amanhã. Sabíamos que uma hora isso poderia acontecer, mas não tão cedo e tão rápido, Audreen - diz Carmen, segurando minha mão. - Um casamento arranjado com um homem que você mal conhece, e ainda por cima, um velho!
Suspirei, sentindo o peso da situação esmagar meu peito.
Não sabemos se é um velho, mas pelo jeito que ele fala sobre o cara, é o que parece.
- Eu sei, Carmen. Ele acha que está fazendo o melhor para mim, mas não consigo imaginar minha vida ao lado desse tal homem. Não entregarei minha virgindade para esse tal inglês, nem pensar. - Carmen aperta a minha mão com mais força, seu olhar determinado.
- Você não precisa fazer nada contra sua vontade, Audreen. Precisamos encontrar uma maneira de você sair dessa. Talvez possamos falar com sua mãe ou algum parente que possa te ajudar. - Balanço a cabeça, tentando manter a compostura.
- Minha mãe está tão submissa quanto ele. Ela não vai me ajudar. Preciso encontrar uma solução por conta própria. - Não poderei fugir, meu pai é um Capucha. Ele prefere matar a própria filha do que ser um líder mafioso que não consegue colocar ordem em sua própria casa.
Carmen me puxa para um abraço, suas palavras sussurradas em meu ouvido como um bálsamo para minha alma aflita.
- Sinto muito Audreen, fico sonhando com uma vida diferente da nossa, com pais que não tenham o dever de lealdade e honra com a máfia, onde não somos obrigadas a ter nosso casamento arranjado por eles, sem podermos fazer nada.
- Tenho um plano. - digo baixo para a minha melhor amiga - E você irá me ajudar. Não posso fugir desse casamento, mas meu esposo terá uma surpresa na nossa noite de núpcias.
- O que você irá fazer? Audreen... - ela se afasta e me olha desconfiada.
- Meu pai prometeu a ele uma virgem, mas não será isso que ele terá. Não entregarei minha virgindade para um velho asqueroso. - ela me encara em choque - Isso ele não poderá tirar de mim.
- E o que pensa em fazer? - me pergunta.
- Primeiro faremos a minha despedida de solteira. - pisco para ela.
- Mas seu casamento é amanhã a tarde! - exclama.
- Que bom que ainda temos o hoje - me levanto, adentrando a minha casa, com ela vindo ao meu encalço.
Mas isso não é a única coisa na qual eu estive pensando, tenho um plano em mente de como livrar desse casamento. Estive a refletir sobre isso ao longo da semana. Não tem como falhar, mas se acontecer, tenho um plano B. No entanto, ninguém deve saber sobre isso, nem mesmo a minha melhor amiga, todos devem acreditar, e só assim poderei me ver livre desse casamento.
Sempre quis me casar por amor, com alguém da minha escolha e nunca imaginei que a minha despedida de solteira seria assim, tão de última hora e tão carregada de intenções ocultas. Encontro sentada no meu quarto, encarando a mala que ainda nem comecei a fazer, quando Carmem entra, toda animada.
- Audreen, já está na hora! Temos que nos arrumar para a sua despedida! - diz ela, com um brilho nos olhos que só ela consegue ter.
- Você sabe que eu não quero me casar, né? - eu a lembro, suspirando profundamente. Carmem se aproxima e segura as minhas mãos.
- Eu sei, amiga, e é por isso que vamos fazer esta noite inesquecível. Quem sabe você não encontra uma maneira de escapar dessa vida que te espera em Nova York? - É, queria que suas palavras se concretizasse e as coisas fossem tão fáceis assim.
Com esse plano em mente, ligamos para mais algumas amigas e nos encontramos no bar mais badalado da cidade. O bar se encontra cheio, a música alta e as luzes piscando em um ritmo frenético. Olho ao redor, sentindo uma pontada de nostalgia por estar em minha terra natal, México, sabendo que logo estarei partindo para Nova York com um homem que eu mal conheço e que lidera a máfia nova-iorquina. Se fosse em outras circunstâncias até estaria animada em conhecer umas das cidades mais famosas, dos Estados Unidos.
- Vamos brindar à liberdade! - grita Carmem, levantando seu copo de tequila. Todas nós nos juntamos a ela, brindando e rindo, mas, no fundo, meu coração está pesado.
"Eu preciso colocar o meu plano em prática", penso, enquanto sinto o sabor forte da bebida descer pela minha garganta. Avisto o meu alvo do outro lado do bar, com os seus amigos, sorrindo, vou me aproximando deles.
- Olá, rapazes! - me faço presente ao chegar até eles. Meu alvo se vira para mim, ele é ainda mais lindo de perto. Com os meus olhos focados apenas nele, seus amigos saem de perto, nos deixando sozinhos. - Não vai me oferecer uma bebida? Ele sorri, um sorriso que parece iluminar todo o ambiente ao redor.
- Claro, o que você gostaria de beber? - ele pergunta, sua voz suave e convidativa.
- Uma cerveja está bom para mim - respondo, tentando manter a calma enquanto meu coração bate acelerado no peito.
Ele faz um sinal para o barman e logo duas cervejas geladas aparecem à nossa frente. Pegamos nossas bebidas e nos dirigimos a um canto mais tranquilo do bar.
- Então, estava se divertindo? - ele pergunta, seus olhos brilhando de curiosidade. Fico feliz que ele não tenha feito igual aos outros ao perguntar meu nome. Não preciso que ele saiba o meu nome e descobra que sou a princesinha da máfia mexicana. E isso evita dele me dizer o seu nome, não precisamos saber os nomes um do outro para que ele me leve para cama, sabendo que essa noite será a única noite que nos veremos.
- Ainda não - respondo com um sorriso. -, mas espero que o cavaleiro possa me ajudar nisso. - pisco para e ele e ele me dá outro do seu sorriso charmoso e consigo ver a covinha em suas bochechas.
Conversamos por alguns minutos, antes de me convidar para dançar, na qual eu aceito rindo. A batida da música é lenta e dançamos com nossos corpos colados um no outro, sua mão grande e com aperto firme em minha cintura. Balançamos ao ritmo da música nos deixando nos levar. Sinto seus lábios tocarem a curva do meu pescoço, espalhando arrepios pela minha pele, fecho os meus olhos e deixo me levar pelo momento. A melodia nos envolve como um manto invisível, e cada nota parece sincronizar com as batidas dos nossos corações. A pista de dança se torna um universo paralelo onde só existimos nós dois, flutuando em um mar de sensações. Seus braços me envolvem com firmeza e carinho, e eu posso sentir a segurança e a ternura em cada toque.
A música muda suavemente para uma balada lenta, e nossos movimentos se tornam mais suaves e íntimos. As luzes ao nosso redor parecem cintilar em um ritmo próprio, criando um ambiente mágico. Sou virada para ficar de frente para ele e abro os olhos por um instante, mas não é mais o cara que chamei para dançar comigo. Ele tem os cabelos castanhos claros, usa ternos caros e bem alinhados. A pele é branca como a neve. Seus olhos são pequenos e azuis-acinzentados. Vejo o brilho nos seus olhos, refletindo a intensidade do momento que compartilhamos. A barba é curta e bem aparada. Ele é ainda mais lindo do que o cara interior.
Cada segundo parece eternizar-se enquanto dançamos juntos, desenhando uma coreografia única e irrepetível. A conexão entre nós é palpável, quase como se nossos corpos e almas conversassem em uma linguagem secreta, compreendida apenas por nós dois. O mundo exterior desaparece, e tudo o que importa é essa dança, esse momento, e a promessa de uma noite inesquecível e agitada, em uma cama em meios aos lençóis bagunçados.
Sinto o calor de suas mãos na minha cintura, e como ele me guia com tanta suavidade me faz esquecer de tudo ao redor. A música parece ter sido feita só para nós, cada nota ressoando em nossos corações, tornando cada passo mais significativo.
Ele se inclina ligeiramente e sussurra algo no meu ouvido, mas suas palavras são abafadas pela melodia e pelo meu próprio batimento cardíaco acelerado. No entanto, não preciso ouvir para entender; o brilho em seus olhos e o sorriso suave em seus lábios dizem tudo.
A noite avança, e a música muda novamente, mas continuamos dançando, como se estivéssemos em nosso próprio mundo, onde o tempo não existe. O salão ao nosso redor se enche de outras pessoas, mas nenhuma delas parece importar. Estamos apenas nós dois, perdidos em um momento de pura magia e conexão.
Quando a última nota da música finalmente ecoa, ele me puxa para mais perto, nossos rostos a centímetros de distância. Sinto sua respiração quente contra minha pele, e por um instante, o mundo inteiro parece prender a respiração. E então, ele me beija, e tudo ao nosso redor se dissolve em uma explosão de sensações, cores e emoções. É um beijo que promete muito mais do que palavras jamais poderiam, mas precisarei dele, apenas por essa noite. Por essa noite o deixarei tomar de mim tudo o que ele quiser. Está noite serei dele.
Só um de meu trio, Vasily, se encontra aqui hoje comigo, e estou feliz que ele tenha conseguido encaixar um tempo para estar aqui comigo, depois de tudo o que tem acontecido neste ano com ele e a sua garota. Mas sei que a nossa outra metade de nós, nossa trigêmea Darya, ficará puta ao saber que ela não esteve no meu casamento, assim como toda a nossa família, principalmente a nossa mãe, a dona Faina. Não chamei ela, pois sei que minha irmã não iria aceitar muito bem o fato de eu estar me casando sem amor. Minha outra gêmea, é uma completa apaixonada, mas eu me entenderei ela e mamãe depois.
Negócios são negócios e esse acordo de casamento é muito importante para me aliar com o Capucha Santiago, o líder da máfia mexicana. Ter eles ao nosso lado, nos fortalecerá ainda mais e unificados contra qualquer outro inimigo. Mas me aliar a ele, não tenho como apenas em objetivo de garantir mais poder, mais também como descobrir seus atos ilícitos que nós da família Petrov-Green não aceitamos como o tráfico de mulheres e crianças, e por isso queremos a derrubar. Ser mafioso é cuidar de negócios ilícitos e criminalmente ilegais, mas, eu e o meu irmão, abominamos quando esses atos ilegais tenham a ver com mulheres e crianças indefesas. E o que melhor do que ser parte da família dele para descobrir todos os seus segredos sujos?
- Está nervoso? - meu "tri" - É assim que eu e Darya o chamamos às vezes, desde quando éramos crianças. -, me pergunta parado ao meu lado no carro que nos leva até a igreja na qual realizaremos a cerimônia.
- Até que não. Ansioso, na verdade, por conhecer a minha futura esposa... - ele revira os olhos, antes de sorri. Quero ver a reação de minha noiva, quando ela me ver.
- Sabe que tem outra maneira de você conseguir conquistar uma aliança com eles e de até mesmo de descobrir onde ele mantém as mulheres e crianças que trafica. - Vas, é contra casamentos por contrato, meu irmão apesar de ser um Pakhan, conhecido como impiedoso, é um completo romântico. Não que eu não seja, mas acredito que posso ser feliz no meu casamento se nos permitirmos conhecer um ao outro.
- Não vou retroceder agora, estou tranquilo quanto ao casamento e acredito que posso fazer dessa união, um matrimônio bem-sucedido - digo, para ele, antes de sairmos do carro com nossos soldados a postos, fazendo a nossa guarda ao adentrarmos na igreja.
- Então, tudo bem. - ele aperta o meu ombro ao parar no meu lado no altar - Te desejo sorte e toda a felicidade de mundo.
- Obrigado, seu apoio é muito importante para mim. - pisco para ele, que sorri e pisca de volta.
- Mas sabe que precisará mais do que sorte, quando a Darya e mamãe souber que se casou sem a presença delas. - ele ri, dando tapinhas nos meus ombros.
É, provavelmente precisarei, conhecendo as duas.
Há algumas pessoas presentes da parte da família de minha noiva, e outra parte de pessoas presentes são soldados do seu pai e o meus. Cerca de quinze minutos depois, em um calor infernal que faz aqui no México, a Marcha Nupcial soa, e a mãe da noiva é a primeira a entrar.
- Se a filha for tão bonita quanto a mãe, você tem sorte, irmão. - Ele sussurra para mim e eu sorrio. Sem que ele soubesse, nossos irmãos mais novos, Alex e Fin, enviaram-me uma imagem dela pouco antes de nós irmos ao bar ontem para beber e comemorar minha despedida, apesar de eu ter pedido para que eles não fizessem isso, sendo muito fácil se eu quisesse saber quem era a minha noiva, antes de subir no altar. E quando a vi no bar na qual me encontrava dançando com outro cara, tive que intervir.
Minha futura sogra me olha e faz um breve aceno de cabeça educado que eu correspondo.
Cinco minutos depois, a minha noiva, entra ao lado do seu pai, seu rosto está coberto pelo véu, que quase não me deixar ver nada e seu rosto se mantém para baixo. Mas não consigo evitar reparar no seu corpo, ela é magra e tem belas curvas, usando um vestido de noiva justo, estilo sereia com o decote tomara de caia, lindo e simples, mas que fica perfeito em seu corpo, macio e cheiroso.
Assim que o seu pai surra algo para ela e a faz levantar a cabeça e olhar em frente, seus passos param a caminhada até mim, não posso ver seus olhos através do véu, mas sei que estão diretamente em mim. Santigo a puxa para que ela volte a andar de uma forma nada gentil e tenho que fechar as minhas mãos em punho ao meu lado, tentando me controlar para não ir até ela. Respiro fundo e tento me manter calmo, quando eles voltam a andar.
O Capucha me entrega o braço de sua filha, e pede a ela de uma forma não muito educada que ela tire o maldito véu do seu rosto, que ela faz de uma forma relutante. E quando ela retira o véu e posso ver o seu rosto estando tão linda como ontem a noite, ela me olha com fúria nos olhos. Respondo-lhe com um breve sorriso, antes de nos virarmos de frente para o celebrante.
Nenhum de nós dois nos conhecíamos, antes de nossa despedida de solteiro, no entanto, quando me aproximei dela ontem, eu já sabia quem ela era, mas ela não. A partir do momento em que ela chegou, vi-a e, quando percebi estar indo à caça, fui até ela, tirando o outro homem do caminho.
Quando fomos para o meu hotel e ela não demonstrou resistência, percebi que ela estava à procura de um homem para se livrar da virgindade antes do casamento. Seria algum plano dela para se ver livre do casamento, achando que eu poderia rejeitar ela em nossa noite de núpcias por ela não ser mais virgem?
Ah, baby, você não se livrará assim tão fácil de mim e terá que me dar algumas explicações quando estivermos a sós.
Volto a minha atenção para o celebrante, com sua voz grave e solene, ele começa a cerimônia:
- Estamos aqui reunidos para unir Yakov Allan Green e Audreen Marie Gonçález em sagrado matrimônio... - Enquanto ele fala, eu olho para Audreen. Seus olhos estavam cheios de incerteza e raiva, refletindo o que eu também sinto.
Deve ser ter sido chocante para ela quando viu que era eu que estava a sua espera aqui em cima do altar, e ter sido esse o motivo dela ter dado aquela parada no meio da igreja ao olhar para frente e me avistar.
Talvez uma divertida coincidência inesperada para nós dois termos nos conhecido ontem e termos passado a madrugada toda transando sem sabermos que as pessoas na qual nos casaríamos éramos nós mesmos. Okay, não tão coincidência assim... Já que graças aos meus irmãos, eu já saber quem era ela, desde o momento que chegou, mas estarmos no mesmo ambiente em nossa despida sim.
- Yakov, você aceita Audreen como sua esposa, prometendo ser fiel, amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de sua vida? - sei que assim que eu dizer sim, não terá mais volta, eu e a minha família acreditamos que casamento é um elo definitivo, para sempre. Por isso a relutância do meu tri sobre este casamento. Tomo um fôlego profundo antes de responder. - Sim, aceito. - minha voz sai mais firme do que eu esperava. Audreen faz o mesmo quando é a sua vez, e suas palavras, embora calmas, soa baixa e relutante.
A cerimônia continua e agora estamos de frente um para o outro, com nossas mãos unidas, mas seus olhos não me encaram. O celebrante nos guia através dos votos, e eu repito suas palavras com sinceridade, esperando que Audreen sinta o mesmo.
- Audreen, eu prometo estar ao seu lado nos momentos bons e ruins, na saúde e na doença, até que a morte nos separe - declaro, olhando diretamente para ela. Espero encontrar seus olhos, mas ela mantém o olhar fixo no chão.
Quando chega a vez de Audreen, sua voz soa baixa e hesitante.
- Yakov, prometo estar com você... nos bons e maus momentos... na saúde e na doença... até que a morte nos separe. - ela diz as palavras certas, dando ênfase na palavra "morte", mas sou a única pessoa que consegue entender, e com a falta de contato visual dela me deixa inquieto.
Por que ela não consegue olhar para mim, vergonha por estar comigo ontem sem saber que eu seria o seu noivo?
Mas o que mais me preocupa foi o fato dela ter dado ênfase na "morte", o que será que ela quis sugerir com isso? Seu pai havia me garantido que ela concordava com esse casamento e que não seria nada forçado, era por isso que aceitei o acordo.
Finalmente, o celebrante, pronúncia que agora somos marido e mulher.
- Pode beijar a noiva - ele diz com um sorriso caloroso. Inclino-me para beijar Audreen, mas ela vira o rosto ligeiramente, fazendo com que o beijo pouse em sua bochecha. Aplausos ecoam pela igreja, mas eu mal os ouço. Levo a minha mão até a sua nuca, em uma carícia que a faz amolecer e ceder quando os meus lábios tocam os seus e a beijo, com a minha língua roubando o espaço da sua em uma guerra de dominância.
Até o celebrante pigarrear e nos interromper, fazendo assim ela de afastar de mim constrangida.