Sheila Jones sentiu como se seu corpo estivesse envolto em chamas, como se ela tivesse sido submersa numa torrente de calor vulcânico.
Ela ansiava desesperadamente por um respiro para aquela ardência.
Sob a pressão do peito musculoso do homem, seus instintos a fizeram arquear as costas enquanto sussurrava: "Niko..."
Embora não houvesse resposta, os movimentos do homem se intensificaram, ganhando uma intensidade quase primitiva.
Com o surgir da aurora, a suave claridade do amanhecer inundou o quarto de hotel.
Ao se virar, Sheila encontrou o calor do corpo de um estranho.
Após um sonho de intimidade com seu namorado, Sheila abriu os olhos para encarar um rosto desconhecido, porém incrivelmente belo.
Surpresa, ela exclamou: "Quem é você? E o que está fazendo na minha cama?" Puxando o cobertor ao seu redor, ela se endireitou abruptamente, ansiosa: "O que aconteceu ontem à noite?"
"Essa pergunta deveria ser minha para você", Shane White respondeu com calma, abrindo os olhos. Se endireitando na cama, ele encarou o pânico dela com serenidade. "Eu estava bêbado e indo em direção ao meu quarto. Quando saí do elevador, você me abordou e começou a me apalpar. Parece que você é uma profissional experiente em conseguir clientes em hotéis."
Envergonhada e furiosa, Sheila ficou chocada com a insinuação de que ela fosse uma prostituta.
Ela pensou em dar um tapa nele, mas o cobertor deslizou, expondo seu corpo nu.
Rapidamente se cobrindo, ela disse firmemente: "O que aconteceu entre nós ontem à noite fica entre nós. Depois que você sair, esqueceremos um ao outro. Se espalhar boatos, se arrependerá!"
Irritada, Sheila se levantou para tomar um banho e esquecer aquela situação. Porém, suas pernas fraquejaram e ela quase caiu.
Quando pensou que estava prestes a tombar, ela foi puxada e caiu de volta na cama. Num giro surpreendente, acabou deitada no peito de Shane, olhando fixamente para ele.
Ela percebeu sua mão repousando sobre o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a pele.
A vergonha a dominou, fazendo com que desejasse poder evaporar.
"Parece que você gostou do meu peito, não é?" Shane soltou uma risadinha, misturando um traço de irritação.
Com as bochechas em brasa, Sheila se desvencilhou, declarando: "O que aconteceu ontem à noite foi um erro causado pela bebida. Não me compare com alguém malicioso."
Então, ela se levantou e se dirigiu ao banheiro. Pelo canto do olho, Shane notou uma marca vermelha na cama, suspeitando que aquela fosse a primeira intimidade dela.
"Espere um instante!" Shane chamou, detendo-a. "A noite passada foi um acidente. Mas se quiser, podemos considerar nos casar."
"Casar?", Sheila exclamou com raiva, os olhos marejados. "Você não ficou satisfeito? Agora quer tirar proveito sendo meu marido? Patético!"
A reação dela surpreendeu Shane.
Acostumado a ter mulheres atraídas por ele, ele raramente considerava assumir responsabilidades. A postura desafiadora de Sheila era nova para ele.
No seu elegante terno, Shane deixou um cartão de visita sobre a mesa de cabeceira.
"Reconsidere. Se quiser conversar, entre em contato."
Após a partida de Shane, Sheila mergulhou na banheira, tentando apagar as marcas da noite anterior da sua pele. No silêncio que se seguiu, quase podia sentir a respiração pesada persistente do homem.
Aflita, Sheila tapou os ouvidos, lutando para aceitar que havia sido íntima com um estranho.
Uma hora depois, exausta, Sheila voltou para casa, sem saber como lidar com o que havia acontecido.
Ao se aproximar da casa, ela ouviu a conversa de Rita e Paula lá dentro.
"Mãe, tudo ocorreu conforme planejado! O gigolô que contratei para Sheila ligou. Ele fez o serviço, mas, droga, a câmera falhou, então não temos gravações deles juntos. Se tivéssemos, Niko certamente a rejeitaria ainda mais", disse Rita Jones, sua meia-irmã, animada com seu plano.
Paula Jones, sua madrasta, respondeu com uma voz sinistra: "Não importa. Mesmo sem o vídeo, Niko não a aceitará de volta. Seu pai e eu temos outros planos para Sheila."
Curiosa, Rita perguntou: "E quais seriam esses planos?"
Com um sorriso presunçoso, Paula respondeu: "Você se lembra de Timothy Green da festa de ontem à noite?"
"Timothy Green? O cara estranho na casa dos cinquenta? Dizem que teve seis esposas, todas falecidas! Ele está afim de Sheila ou algo assim?" Rita perguntou, incrédula.
"Exatamente! Se Sheila se casar com Timothy, ela vai ficar tão infeliz que não vai competir com você por Niko", disse Paula, seu rosto se iluminando com um sorriso intrigante.
"Uau! Isto é como matar dois coelhos com uma cajadada só! Não só nos livramos de Sheila, mas também lucramos financeiramente!"
Rita mal conseguia conter sua excitação, embora uma pitada de incerteza tivesse se infiltrado na sua voz: "Mas papai realmente concordou em casar Sheila com Timothy?"
Paula bufou com desdém, assegurando: "A empresa dele está em apuros. Timothy veio com uma oferta de investimento no momento certo, e seu pai se sentiu obrigado a aceitar para salvar o negócio."
Mal sabiam elas que Sheila estava as observando enquanto planejavam sua trama maligna.
Se recuperando do choque, Sheila lutou para manter a calma.
Então, o homem da noite passada era apenas um peão no jogo de Rita?
Seu pai estava considerando casá-la com um homem mais velho apenas por causa da empresa?
No auge do Grupo Lothian, o afeto do seu pai era inexistente. Agora, em meio à crise financeira, ela era vista como dispensável. Seu valor tinha se reduzido a um mero peão nos jogos comerciais dele?
"Bang!"
A porta se abriu quando Sheila entrou dramaticamente, pegando Rita e Paula de surpresa no sofá.
"Sheila?" O rosto de Rita mostrava pânico. "O que está fazendo aqui?"
"Então, minha indisposição na noite passada não foi apenas devido ao álcool, mas de acordo com seu plano! Rita, como pôde fazer isso comigo? Não deveríamos ser uma família, apesar de termos mães diferentes?" A raiva de Sheila era evidente, seu corpo tremendo de fúria.
Rita abandonou sua fachada de inocência. "Como você se atreve a perguntar o porquê? Niko é meu namorado, e você está sempre atrás dele, tentando conquistá-lo. Considere isso como uma retaliação pelo seu descaramento!"
"Então, tudo isso foi por causa de Niko?"
O sorriso de Sheila era tingido de ironia, seus olhos faiscando de raiva.
"Conheci Niko primeiro. Após o acidente de carro, como namorada, estive ao lado dele quando ele estava inconsciente. Até desisti de estudar no exterior por causa dele. Se não fosse pela perda de memória e pela sua mentira, ele nunca teria se apaixonado por você. Na verdade, é você quem está sendo descarada aqui."
Por seis meses, enquanto seu namorado lutava contra a amnésia, Sheila tentou de tudo para lembrá-lo do seu relacionamento de dois anos. No entanto, nada havia funcionado.
Niko continuava convencido de que Rita era sua verdadeira namorada.
Essa realidade apertava o coração de Sheila como um punho, sufocando sua respiração.
Em vez de mostrar remorso, Rita parecia presunçosa. "Não importa como, Niko me escolheu no final. Você é mais adequada para aquele gigolô de segunda categoria. E quanto ao seu casamento com Timothy, duvido que vocês durem um mês juntos..."
Com os punhos cerrados, Sheila respondeu: "Posso ter caído na sua armadilha uma vez, mas me casar com Timothy para servir aos seus interesses não vai acontecer!"
Quando Sheila estava prestes a sair, Rita avistou Niko perto da porta e segurou o vestido dela, implorando: "Sheila, eu e Niko estamos apaixonados. Por favor, não interfira no nosso relacionamento."
Um grito ecoou quando Rita desabou no chão.
"Rita!", uma voz chamou.
Antes que Sheila pudesse responder, foi empurrada para o lado com força.
Niko correu para o lado de Rita, visivelmente preocupado. "Rita, está bem? Sheila, por que você machucaria sua irmã assim?"
"Niko, por favor, não culpe Sheila. Ela tem sentimentos por você, é compreensível..."
"Sheila, quantas vezes devo repetir isso? É sua irmã quem eu amo! Sua insistência só me afasta ainda mais!" Niko repreendeu Sheila, que se encontrava no chão, com a mão agora machucada. A dor física era intensa, porém não se comparava à dor no seu coração.
Niko julgou sem buscar o ponto de vista dela, um afastamento brusco do carinho que um dia demonstrou.
Esperando um pouco de compaixão, Sheila olhou para Niko com humildade e implorou: "Elas estão tentando me obrigar a me casar com uma pessoa terrível e mais velha. Você pode fazer algo?"
Niko hesitou, seu semblante perturbado. Depois de um rápido olhar para Rita, ele respondeu friamente: "Sou apenas o namorado da sua irmã. Não cabe a mim intervir. E mesmo que pudesse, não faria isso. Você não é digna da minha ajuda."
Suas últimas palavras ressoaram com força, perfurando fundo na alma de Sheila.
Ela tinha se esforçado para reviver o passado deles, apenas para encontrar indiferença.
"Você está tentando enganar o namorado da sua irmã, que maldade é essa? Seria mais sensato seguir o plano do seu pai para não causar mais estragos. Talvez esse seja o melhor para você", disse Niko com um ar de desprezo.
Diante disso, Sheila não conseguiu conter uma risada histérica que se misturava com lágrimas. "Bravo, Niko! Tentei recuperar suas lembranças, mas parece que você realmente não se lembra de mim. Estou farta de tentar. Que você jamais se arrependa dessa decisão!"
Com uma calma meticulosamente calculada, Sheila se dirigiu a Rita e Paula, declarando: "Vocês realmente acreditam que podem me casar com aquele velho? Saibam que prefiro casar com qualquer desconhecido do que me submeter às suas vontades!"
Sem olhar para trás, Sheila partiu, deixando essas palavras de despedida no ar.
Uma hora mais tarde, ela fez uma publicação nas redes sociais à procura de um marido.
No topo de um arranha-céu, um homem ficava próximo à janela espaçosa, com uma das mãos casualmente no bolso. Sua presença era dominadora, como a de um pássaro de rapina inspecionando seu território.
"Chefe", anunciou Zayd Wood, seu assistente, batendo antes de entrar. "Descobri mais sobre a mulher que você conheceu ontem. Encontrei algo interessante."
Shane se virou elegantemente, a luz da manhã lançando um brilho suave no seu rosto marcante.
Zayd entregou um iPad a ele, revelando: "Ela postou um anúncio online procurando um marido."
"Procurando um marido?"
Shane levantou uma sobrancelha enquanto examinava a postagem. "Estou procurando um homem que não goste de jogos de azar, seja mentalmente estável e queira se casar em breve."
Mesmo depois da promessa recente de Shane de assumir a responsabilidade pela interação anterior deles, ela postou este anúncio.
Shane se sentiu levemente ofendido.
Enquanto isso, Sheila havia conversado com mais de cinquenta rapazes online em apenas metade de um dia.
Ela selecionou diligentemente alguns candidatos para reuniões, esperando conhecê-los melhor. No entanto, depois de horas esperando num café, ninguém apareceu.
"Um tanto irônico, não acha?"
Uma voz atraente e profunda interrompeu os pensamentos de Sheila.
Ela olhou para cima e viu o mesmo homem da noite anterior, agora vestido casualmente, com uma mão no bolso, se aproximando com uma elegância natural.
"Você está sozinha? Se importaria se eu me juntasse a você?"
Sheila, se lembrando da interação anterior deles, recusou: "Desculpe, este lugar está ocupado."
Ignorando a recusa, Shane sorriu e se sentou à sua frente com graciosidade. "Ouvi dizer que você está procurando um marido?"
Sheila olhou para ele cautelosamente. "Como você sabe?"
Com uma sugestão perspicaz, Shane respondeu: "Considerando nossa intimidade compartilhada, não estamos mais familiarizados um com o outro do que você está com esses estranhos? Por que não me considera como uma opção?"
Sheila, pensando na sua situação, refletiu sobre os homens pouco confiáveis que a decepcionaram antes.
Seus olhos se estreitaram quando ela perguntou com frieza: "Rita está por trás disso?"
Shane pareceu confuso. "Rita? Quem é essa?"
"Não se faça de desentendido! Estou ciente de tudo. Rita planejou sua tentativa de dormir comigo ontem à noite. Quanto ela está te pagando para se casar comigo?"
Sheila não podia acreditar que alguém reduziria o casamento a um acordo financeiro.
Shane, detectando o desprezo na voz de Sheila, sentiu sua raiva crescer. "Você pensa tão pouco de mim?"
"Acredito que você não seja digno de confiança", retrucou Sheila com um sorriso desdenhoso, colocando dinheiro na mesa. "Aqui está a conta. Diga a Rita que seus planos não funcionarão comigo duas vezes!"
Ao dizer isso, Sheila se levantou, determinada a sair. Mas quando passou por ele, ele agarrou seu pulso repentinamente, a puxando de volta com força.
De repente, ela estava nos seus braços, sentada no seu colo contra sua vontade.
Ele a segurou com firmeza pela cintura, impedindo qualquer possibilidade de fuga.
Rodeada pelo calor dele, Sheila se sentiu confusa. Enquanto tentava se afastar, ela perguntou: "O que está fazendo? Me solte!"
"Soltar você? Só se você explicar por que acha que sou desonroso", respondeu Shane, divertido com as tentativas dela de escapar. Porém, seu olhar se intensificou quando sentiu o corpo dela se pressionando contra o seu.
Percebendo a mudança sutil em Shane, Sheila parou de lutar, optando por não continuar discutindo. Olhando diretamente para ele, ela disse: "Você trocou minha inocência por dinheiro e planejou nos filmar. Isso é o que uma pessoa decente faria?"
"Acho que você deveria se considerar sortuda por ter sido eu quem estava lá ontem."
"O que quer dizer com isso?" Sheila estava intrigada, mas cética.
"Dei uma olhada nas imagens das câmeras de segurança do hotel. Depois que você foi drogada, havia um homem com uma câmera, provavelmente o cara que você mencionou. Acabei te ajudando por acaso."
Surpresa, Sheila repetiu: "O que você disse?"
Para provar seu ponto, Shane colocou o celular na mesa.
"Veja só as provas. Se duvida de mim, dê uma olhada você mesma."
Sheila olhou o celular com desconfiança e depois o desbloqueou. As imagens das câmeras de segurança do corredor do hotel começaram a ser reproduzidas.
O vídeo mostrava um homem mais velho, com uma aparência sinistra, segurando uma câmera e olhando fixamente para ela com intenções nefastas.
Ele só saiu depois que ela se apoiou em Shane e eles entraram no quarto do hotel.
Sheila sentiu um arrepio na espinha, que a fez tremer.
Rita não só a drogou, mas também armou para que um gigolô desagradável a machucasse.
Ela não conseguia nem imaginar as consequências se ele tivesse registrado a intimidade deles.
"Por que você estava no hotel se Rita não te enviou? A família Green havia feito a reserva para um evento e seria preciso um convite para entrar!"
Shane tinha o hábito de reservar o último andar do hotel como seu espaço privativo. Após tomar algumas bebidas num evento próximo na noite anterior, ele decidiu ficar no hotel para descansar um pouco. Ele não fazia ideia de que Sheila apareceria de repente.
Depois de uma pausa rápida, Sheila perguntou: "Alguma senhora rica te pagou para se encontrar com ela no hotel?"
Sheila estava familiarizada com os costumes das pessoas ricas e influentes. Era comum que mulheres endinheiradas alugassem quartos de hotel particulares para encontros secretos com homens atraentes.
Considerando o charme e a aparência dele, ela pensou que ele pudesse ser um acompanhante.
Uma veia latejava na têmpora de Shane enquanto ele ria, achando graça na sua especulação. "Você tem uma imaginação fértil!"
Havia alguma insinuação nisso?
Encarando Shane, Sheila apertou os lábios e declarou com firmeza: "Não me importo com o resto. Se você não estiver envolvido com Rita, posso considerar. Venha comigo..."
A curiosidade de Shane foi despertada quando ele notou sua mudança súbita. "Então, para onde vamos?"
"Você está interessado em se casar comigo, não está? Vamos fazer isso. Imediatamente!"