Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Lobisomem > Cativa do Alfa #1
Cativa do Alfa #1

Cativa do Alfa #1

Autor:: Valkyria Wolf
Gênero: Lobisomem
Ela é uma ômega pura e rainha de sua matilha até que seu marido a destronou e a aprisionou. Dois de seus filhos descobrem a verdade e pedem ajuda ao alfa da alcateia inimiga. Mas ele só aceitará com uma condição. Ela deve ser dele. E ela nunca mais será de ninguém.

Capítulo 1 O nosso pior inimigo

Hades, alfa da Alcateia de Prata, não podia acreditar no que via. Dois dos filhos do seu maior inimigo estavam ajoelhados perante ele; implorando-lhe para derrubar ninguém menos que o seu pai. Isso sim era uma piada de muito mau gosto. Ele não era um homem tacanho, mas gostaria de dar uma boa lição naqueles dois cachorrinhos que se atreviam a gozar com ele. Ou talvez fosse apenas uma manobra do pai para se apoderar do seu poder.

Ele era conhecido por ser gentil com os filhotes, mas não com aqueles que tentavam manipulá-lo. De momento, ele alinhava no jogo. Ninguém sabia onde isso poderia levar.

-E qual é o objetivo de me vires perguntar uma coisa dessas? -Sentado no trono do grande salão, impunha respeito como o magnata que era. Os presentes sentiam-se desconfortáveis com a situação, mas não faziam nada sem uma ordem dele.

Os dois mais novos baixam o olhar para evitar o do líder, símbolo de total submissão, embora as mãos do que parecia ser o mais velho se fechem sobre os joelhos, mostrando a sua discordância com aquela posição. Como filhos de um alfa, tal atitude era memorável e Hades admirava-se por ele ainda não se ter revoltado. Talvez o seu pedido não fosse, afinal, assim tão exagerado.

-Nós descobrimos as acções do nosso pai e não as vamos tolerar mais, não quando é a nossa mãe que está em perigo- interrompeu de repente.

Houve um silêncio constrangedor e Hades apoiou os cotovelos nas coxas, interessado.

-Continua- ordenou imperiosamente.

O filhote levantou a cabeça, mas baixou-a assim que percebeu que o alfa o estava a interrogar com todos os poros do seu corpo.

-Descobrimos que a nossa mãe está viva e aprisionada numa das masmorras subterrâneas do nosso território. O pai manteve-a cativa durante muito tempo e tomou o seu lugar como alfa da alcateia, usando o seu corpo apenas para procriar- terminou com raiva.

-E acham que eu vou acreditar numa coisa tão louca? As duas crias olharam-no com olhos selvagens, como se a esperança lhes estivesse a escapar. Hades ignorou-o, se eles mentiam, mais cedo ou mais tarde a verdade viria ao de cima.

-É sabido que a mãe adoeceu depois da primeira cria, e depois disso ficou confinada até morrer. Essa história de que são todos irmãos da mesma mãe é um disparate. Não depois dos múltiplos casos do pai- comentou com desdém.

-Mas nós não mentimos- gritou o mais novo em desespero, recebendo uma sobrancelha arqueada do alfa.

-A sério? Se não estava enganado, a sua mãe era a única ómega de sangue puro da alcateia e, a milhas de distância, isto era sério.

Os rapazes entreolharam-se desconfortavelmente, pedir provas quando não as tinham era cruel. O mais velho mordeu o lábio inferior até sangrar. Ele sabia que tinha sido uma ideia tola ir pedir ajuda ao maior inimigo do seu pai, mas mais ninguém lhe podia fazer frente.

Hades possuía uma matilha igualmente grande e poderosa, e suas terras faziam fronteira. Ir atrás de outro alfa teria levado muito tempo, e tempo era algo que eles não tinham. Alan fez o que nunca teria feito em qualquer outra situação. Ele baixou a cabeça até quase tocar o chão e implorou.

-Tu és a nossa única esperança. Por favor, recaptura-o- pediu submissamente.

O irmão ao seu lado ficou na mesma posição, repetindo as suas palavras.

Os olhos prateados do alfa observavam a cena com incerteza. Cheirava o medo do medo das crias, não da mentira, mas de quem sabe que pode perder tudo.

Guardas- chamou. -Levem-nos daqui- ordenou, observando a linguagem corporal dos irmãos.

Os dois jovens levantaram a cabeça com uma expressão que misturava terror e deceção.

-Alfa,- Alan tentou novamente.

-Não me respondas, espera como um bom cachorrinho, não posso tomar esta decisão de ânimo leve- disse ele com tolerância.

Ele podia ver os olhos do rapaz mais novo brilharem com uma ponta de esperança, embora não prometesse nada.

***

Siran fechou a porta nas suas costas e sentou-se, depois de o seu alfa o ter feito, atrás da sua bela secretária de mogno esculpido.

-Meu fiel conselheiro, o que achas do que aconteceu?- a pergunta de Hades era cheia de dúvidas, curiosidade e algum humor.

O aludido lobo, que mal tinha 300 anos, embora não parecesse muito adulto, tocou na sobrancelha, como sempre fazia quando tirava uma conclusão.

-Acho que esta é uma boa oportunidade para assumires o comando da Alcateia Cinzenta, meu poderoso alfa- respondeu com a resposta que sabia que o líder esperava.

-Sempre tão sábio, meu amigo,- eles entendiam-se perfeitamente, e as palavras entre eles provavam-no.

Capítulo 2 Maldito alfa

O calor era sufocante. A garganta doía-lhe ao engolir de sede, não se lembrava da última vez que o precioso líquido tinha passado por ela. Os grilhões roçavam na pele gretada dos seus pulsos e tornozelos, fazendo tremer todo o seu corpo. As chicotadas no seu abdómen multiplicavam-se a cada segundo, tirando-lhe o fôlego.

A sua barriga, que tinha crescido nos últimos quatro meses, guardando nela o seu próximo cachorrinho, estava agora a perder dimensão por detrás de uma poça de sangue debaixo das suas pernas. Ela não se importava, talvez fosse melhor assim, o seu corpo estava tão fraco que interromper uma gravidez seria impossível. Se ao menos tudo desaparecesse.

-O que é que ela tinha feito para merecer isto?- pensava ela em desespero.

***

-Achas que eles estão a mentir? -Hades recostou-se na sua cadeira de veludo vermelho, olhando com indiferença para Siran, o seu beta.

-Pareciam desesperados, mas podem ser muito bons actores, pode-se esperar qualquer coisa- foi cauteloso no seu comentário.

Há qualquer coisa na história deles que não me convence- inclinou-se para a frente, pensativo.

-Concordo consigo. Eles falam da mãe dele como se ela ainda estivesse viva. Há anos, espalhou-se o boato de que a rainha da Alcateia Cinzenta e única ómega pura tinha morrido ao dar à luz o seu primogénito, mas agora, eles vêm dizer que a história é mentira- o beta continuou o seu raciocínio lógico, reflectindo a profunda ligação entre eles.

-Que eles são irmãos, não há a menor dúvida. O cheiro deles é parecido- Hades esfregou a testa. Isso estava a deixá-lo louco.

-E se for um truque de Rudoc? Ele está atrás do trono há muito tempo, e talvez esteja usando os filhos dele para suavizá-lo. Ele sabe que tu és um deb... -As palavras do beta foram interrompidas abruptamente.

-Cala a boca, Siran,- Hades olhou para ele irritado.

Ele tinha tentado ter seus próprios filhotes anos atrás, sem sucesso. Todas as suas tentativas tinham sido em vão; ou a loba não engravidava, ou abortava nos primeiros meses, ou o filhote era nado-morto. O médico da alcateia tinha-lhe dito que o cheiro dela era demasiado forte e que os úteros das fêmeas comuns não eram capazes de o suportar. Hades já tinha perdido a esperança de ter filhos há muito tempo. Por isso, ele estimava os filhotes da matilha, mesmo fingindo que eles eram sua fraqueza. E o beta era um deles.

Desculpa, alfa, não te queria incomodar- desculpou-se calmamente.

-Chama o meu irmão- Hades mudou de assunto, -tenho uma missão importante para ele- ordenou, terminando a conversa.

Minutos depois, um lobo muito parecido com Hades apareceu. Era alto, musculado, com uma tez clara, que contrastava com o abundante pelo preto com madeixas azuis. A única diferença entre os dois era que ele usava o cabelo relativamente curto e penteado para trás, enquanto o irmão mais velho o preferia comprido, mostrando as ondas naturais que qualquer loba invejaria.

-Qual é o teu pedido, meu alfa? -Apesar de serem família, Leoxi mantinha um respeito absoluto pelo seu gémeo.

-Tenho uma missão crucial, preciso do máximo de discrição e rapidez que me puderes dar,- perguntou em voz baixa, por precaução.

***

Alan andava de um lado para o outro dentro da sala onde tinham sido fechados há dois dias. Ele sabia que o seu pai não estaria interessado no seu desaparecimento. Eles costumavam passear pelo terreno do rebanho por até uma semana. Rudoc só olhava por Rodrigo, seu irmão mais velho e primogénito, se ele desaparecesse como eles, sim, seria uma loucura.

-Aquele sacana, quando é que nos vai deixar ir? -protestava constantemente.

-Quando deixares de malhar no chão- retorquiu o irmão.

Alan rosnou para o mais novo, que estava deitado na cama de dossel a olhar para o teto, aborrecido.

-E se ele nos estiver a usar como reféns contra o nosso pai? Se um não nos matar, o outro mata-nos, de certeza- choramingou o cachorro.

Lembro-te que viemos aqui por causa da reputação do alfa Hades. Acho que ele não vai matar- respondeu Noa, tentando argumentar com o impaciente Alan.

-Nunca se sabe com eles. Estamos aqui fechados há dois dias e eles não nos dizem nada, só comida e água- continuou a queixar-se.

Se ele nos ia tratar como reféns, tinha-nos fechado melhor numa das suas masmorras, ficaria mais calmo sabendo que os filhos do seu inimigo estão bem protegidos sob as suas garras- explicou, tentando não perder a paciência.

Alan olhou para Noa e deixou-se cair pesadamente na cama, segurando a cabeça com as mãos. Não podia discutir com ele. O irmão era mais novo, mas aparentemente o seu cérebro era maior, porque era capaz de ver fantasmas onde mais ninguém via. Se ele dizia que eles iam ficar bem, havia 95% de certeza de que ficariam.

-Achas que a nossa mãe sofreu muito?

Noa apoiou-se nos cotovelos perante a voz rouca e cheia de preocupação.

-Viste com os teus próprios olhos o estado em que ela estava, nem mesmo o lobo mais forte da alcateia consegue aguentar tanto tempo- sussurrou dolorosamente.

-E se o alfa se recusar a tirar a mãe de lá? -A voz de Alan tornou-se cada vez mais desanimada.

Por agora só nos resta rezar ao Grande Lobo para que a proteja e a mantenha viva, nem que seja só mais um bocadinho- consolou-o Noa.

Capítulo 3 Um segredo bem guardado

Dias antes

Noa olhava por cima do ombro enquanto corria pelo corredor, desconfiada do seu perseguidor. Os seus pulmões apertavam e ardiam por ar, enquanto o seu cabelo castanho lhe cobria os olhos.

Ele dobrou a esquina, desviando-se de uma mesa, quando o cheiro do seu inimigo estava atrás dele. A sua cabeça estava num turbilhão enquanto pensava num plano. Sentiu-o tão perto, mas onde, não estava nas suas costas. Não podia deixar-se apanhar, não agora.

Uma figura mais alta atravessou o caminho. Noa parou no seu caminho e retesou os músculos. Tinha de fugir, tinha de...

-Noa, seu bastardo, quando eu te apanhar, vais ver o que te vou fazer- Alan rosnou com fúria.

Um sorriso de raiva saiu da boca do irmão mais velho, que ainda vestia a camisa manchada por algum líquido viscoso, resultado de uma brincadeira.

-Isso se me apanhares- provocou o mais novo.

Alan franziu o sobrolho, sabendo que, por mais depressa que corresse, nunca apanharia o irmão, mas admite-o, nunca.

Um guarda, que estava a bloquear o corredor, virou-se para o lado, deixando o caminho livre para os dois cachorros, que retomaram a sua habitual perseguição semanal. Quem visse a cena, rir-se-ia. Para a idade deles, ainda eram cachorros. Alan tinha 45 anos, enquanto o seu irmão Noa tinha cerca de 38, embora pudesse passar por um adolescente, magro e subdesenvolvido. E fazia sentido, os lobos atingiam a maturidade por volta dos 50 anos.

Noa passou por vários corredores sem abrandar. Era um lobo pequeno, mas ágil como poucos, e embora o mais velho não fosse um desleixado, faltavam-lhe os neurónios necessários para o ultrapassar.

Talvez estivessem a fazer aquilo há mais uma hora, não sabiam. Deixaram cair os seus corpos exaustos e com cãibras devido ao intenso esforço físico e com as barrigas lisas e duras a ansiar por um bom pedaço de comida. Tinham a certeza de que seriam repreendidos pelo pai por causa do barulho dentro da mansão da alcateia principal, mas pouco ou nada se importavam. Ele não lhes prestava atenção suficiente para saber que estavam vivos, por vezes nem sequer se lembrava dos seus nomes. Catalina e Nicolás também não escapavam a este padrão.

Nicolás era o segundo dos irmãos, a seguir a Rodrigo, o primogénito e favorito do alfa. Era o mais calmo dos cinco e estava sempre a cuidar de Catalina, a sua irmã mais nova, e, embora não se parecesse em nada com o pai, tinha traços em comum com os seus familiares, como o cabelo cor de chocolate. Excluídos estavam os seus dois grandes olhos violetas, quando os dos machos da família se situavam algures entre a avelã e o verde. Até o alfa desconfiava de onde ela vinha, mas o cheiro denunciou-a, independentemente do seu físico.

Todos os cinco tinham um cheiro caraterístico, facilmente identificável por qualquer pessoa fora da família, para que soubessem que eram parentes de sangue. E também quem eram os pais.

Agora a questão do século e o assunto tabu na alcateia: quem era a mãe? Nenhum deles sabia e o pai cortava a língua a quem se atrevesse a falar no assunto.

Apenas se sabia que Rodrigo tinha sido concebido pelo ventre da falecida rainha, mas essa história tinha-se perdido no tempo. Nada restava da estranha loba. Como se ela nunca tivesse existido. Havia rumores de que estava viva, pois uma coisa era certa, todos os irmãos tinham o mesmo cheiro. O alfa, por seu lado, negava-o vezes sem conta, afirmando que pertenciam a fêmeas diferentes, e ninguém era capaz de lhe responder.

Noa levantou-se do chão, endireitando a roupa, e estendeu a mão a Alan.

-Vamos voltar, está quase na hora do almoço e temos de mudar de roupa. O pai não vai gostar das nossas fachadas- as suas palavras revelam as suas relações tensas com o chefe de família.

-Não que ele seja tão atencioso connosco- disse o cachorro mais velho com desdém.

Alan- repreendeu-o ela, os papéis inverteram-se entre eles. -Cheiras mal, e ainda mais agora que estás suado- continuou ela, mortificando-o.

-O quê, gostas? Queres um abraço? -Ele abriu os braços, mas o irmão esquivou-se e afastou-se.

-Hoje não há mais jogos, paz entre irmãos- acrescentou Noa.

-Não quero ouvir isso daquele que estragou a minha camisola preferida- Alan adorava o cãozinho, por mais que ele o provocasse.

Estavam sempre juntos, ao cuidado de Nicholas. Agora, a loba mais velha não tinha muito tempo para estar com eles, tinha de arranjar tempo na sua agenda de mãe substituta e dona de casa para tomar conta deles. Não o censuravam por nada, era graças a ele que se mantinham moderadamente felizes naquelas paredes frias.

Voltaram para trás quando ouviram, ao longe, o grito estrondoso do pai e uma pancada forte na mesa.

-Ele fez o quê? -A fúria tingiu a pergunta.

Os irmãos ajoelham-se num canto isolado, pensando que se tratava deles. À distância, podiam ouvir tudo, a sua audição bem desenvolvida permitia-lhes isso, e com o cheiro de Alan seria impossível serem detectados. Abrandaram a respiração para esconder a sua presença. Se o pai os ia repreender ou castigar, era melhor saber como seria.

-Lamento, alfa, mas parece que já não o podes manter cá dentro- diz uma voz medrosa e angustiada, pedindo desculpa.

-Não me interessa o método, ele não o pode perder- o pai autoritário não aceitava a situação.

-Isso pode pôr a vida dele em perigo- não continuou, as palavras foram interrompidas por passos ao longe.

O alfa tinha-se levantado de onde estava.

Pago-te bem para a manteres viva, dando-me cachorros para consumirem o seu sangue quando adultos. Dêem-lhe medicamentos, operem-na, cosam-lhe as pernas, mas a cria não pode morrer- disse ele com brutalidade.

Noa agarrou-se ao irmão com um ligeiro tremor. Não pode ser. Os seus ouvidos estavam a enganá-los. Eles sabiam que o pai era cruel, mas isto ultrapassava as expectativas. Como é que ele podia fazer uma coisa destas a alguém? Mesmo que fosse um inimigo.

Pelo menos ele podia mandá-la para um lugar melhor. As masmorras não têm condições para o seu estado e a sua situação não é... -A ideia foi rudemente interrompida.

-Cala-te. O teu trabalho é tratá-la como um médico, eu decido onde ela tem de estar. E lembrem-se...- a voz do pai baixou tanto que as crias tiveram dificuldade em ouvir, -ninguém pode saber que a antiga rainha desta alcateia está viva, perceberam? -uma ameaça velada percorreu as paredes da sala.

Alan olhou para Noa com uma expressão aterrorizada. Isto estava a ficar fora de controlo. Ele tinha mencionado a rainha, a única loba que tinha liderado a alcateia sem genes de alfa. A mulher do atual líder. Se as suas palavras fossem verdadeiras, tudo o que lhes tinha sido dito era uma mentira vil.

Ambos acenaram com a cabeça, as suas mentes em sincronia. Tinham de descobrir o que se passava naquela mansão.

Caminharam cautelosamente para trás sem fazer barulho, se o pai descobrisse que tinham aquela informação, matava-os de certeza. Foram embora, mas antes de se virarem para voltar aos seus quartos, uma mão caiu sobre o ombro de Alan.

-O que estás a fazer aqui?

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022