No princípio, tudo era luz. Considerada um grande paraíso pelos habitantes, a vila celeste vivia em tempos de paz sob as condições do rei e pai de todos que habitavam naquele lugar. Até que um dia, um casal de jovens se apaixonaram perdidamente e então, um fruto nasceu desse amor verdadeiro, para a alegria e medo de alguns e o ódio de outros.
Sem pena e remorso, a punição deles foi uma das mais cruéis. Uma maldição foi lançada e todas as vezes que tentassem ficar juntos, morreriam de uma forma extremamente cruel, até, que desistissem de uma força que hoje chamamos de amor.
Expulsos do paraíso para um lugar de maldade e trevas, eles não caíram sozinhos. Juntos e com a ajuda de aliados, eles lutarão para viver o que tanto almejam. Mas até quando eles conseguirão sobreviver? Será possível sobreviver além das muralhas para onde eles tanto desejam fugir? Até quando durará a maldição de todos eles? E o que realmente é o paraíso? O que os anciões escodem para que todos vivam protegidos dentro das muralhas?
''Eles dizem que o mundo foi feito para dois, mas o meu paraíso é um lugar na terra somente com você''
ANNIE
Estávamos correndo desesperados e eu tinha certeza de que em breve nos achariam, era apenas questão de tempo. As dores do trabalho de parto haviam começado a pouco tempo, não sei o que irá acontecer com o nosso pequeno Gabriel, temo por ele, mas estou confiando que tudo ocorrerá bem e ele sobreviverá, eu farei qualquer coisa pela vida do meu filho.
Mas a frente Lucas encontra uma caverna, ficaríamos lá até um tempo depois do parto do meu parto, teríamos que conseguir pelo menos um pouco mais de tempo, e caso tudo desse errado, todos nós estaríamos mortos.
- Ficaremos aqui Annie, não é o lugar que sonhei para ficar com você e o pequeno Gabriel, mas quando isso tudo acabar eu te prometo que ficaremos bem. Um dia, eu e o João exploramos toda a floresta e descobrimos que existem muralhas no final, existe algo no final de tudo isso, talvez até uma vida. - Lucas falou como se tivesse sentindo dor e de certa forma eu sei que estava, estávamos conectados de algum modo e eu sei quando o meu marido está machucado ou triste, eu o sinto.
- Não se preocupe com isso agora, estar com você é como se eu estivesse no paraíso novamente. Não importa o lugar e como seja, estando com você tudo estará perfeito. Quando tudo isso acabar, exploraremos além da floresta e das muralhas do paraíso.
- Vocês dois são tudo o que eu tenho annie, quando você descansar, partiremos para encontrar os outros. Agora descanse um pouco que irei procurar frutas e carne para nos alimentarmos, pelo menos até enquanto ficamos aqui.
Passou algum tempo desde que Lucas saiu, tentei descansar como Lucas havia pedido, mas as dores pioraram, eu estava literalmente em trabalho de parto e a essa altura o Lucas estaria longe da caverna. Mas eu aguentaria firme, aguentaria pelo meu filho e também pelo Lucas.
Eu já não aguentava mais a dor, sentia como se algo estivesse rasgando as minhas partes íntimas, e a cada força que fazia, sentia-me fraca, como se a morte estivesse chegando.
- AWWWWWWN - gritei, estava tentando não chamar atenção, para não acabar atraindo eles, mas talvez fosse inevitável, sentia que eles estavam perto e nada eu poderia fazer para mudar o quadro em que me encontrava. Lucas estava demorando mas eu sabia que em breve ele chegaria para fazer o parto de seu tão amado e esperado filho..
LUCAS
Algo estava acontecendo com ela eu estava sentindo, colhi apenas 5 maçãs e duas bananas, não consegui carne e por hoje isso seria o suficiente, em um copo de barro pego água numa cachoeira que encontrei próxima para levar para ela, me espere Ann, eu estou chegando meu amor..
Próximo a caverna escutei gritos e logo corri, adentrei com todas as minhas forças dentro da caverna e vi uma das cenas mais lindas que alguém poderia, ela estava dando a luz, a luz de um filho meu.
- Tudo bem meu amor, tudo bem. estou aqui agora e ajudarei você no seu parto - Disse tentando passar confiança. A ann estava fraca e eu percebi isso, mas cuidaria dela e ela ficaria bem
- Lucas, eu não sei se consigo, eu não quero perder ele - Choramingou.
Era visível a tristeza em seu olhar, ela estava com medo e não podia negar que eu também estava, as coisas tinham acontecido rápido, me apaixonar por ela foi uma das melhores coisas que me aconteceu, mesmo indo do paraíso ao inferno em tão pouco tempo. Mas o que importava era o agora e eu estaria eternamente ao lado da minha mulher dentro ou fora do paraíso. Afinal, o paraíso era no mesmo lugar que eu estivesse com ela.
- Você é a mulher mais forte que eu conheço e eu sei que consegue. Agora quando vier a dor você faz força até a dor passar, relaxe os ombros e faça força empurrando para baixo.. - Pedi e assim ela fez.
Eu tinha perdido alguns dons, como por exemplo o de cura, mas não a experiência, mesmo nunca tendo feito um parto antes. O parto dela estava trabalhoso a essa altura o Gabriel já era pra ter nascido, mas eu entendia o que era, era a fraqueza que ela estava, não tínhamos como nos alimentar direito, mesmo eu fazendo o possível, não era o suficiente. Me sinto culpado por não ter cuidado da minha mulher direito e se algo acontecer com ela e com o meu filho que está por vim, eu nunca vou me perdoar, ficarei com o sentimento de culpa por toda a minha vida não importa quantas fossem.
Shavuot é a festa judaica celebrada no quinquagésimo dia do Sefirat Haômer. Devido a esta contagem, a festa é também chamada de Pentecostes.
Annie
A manhã começou agitada, pois hoje celebramos o shavuot¹ e a chegada dos nossos irmãos, que partiram para uma missão fora do paraíso. Estou a caminho das plantações para ajudar os mais novos no plantio e colheita, desde que me entendo por gente esse é o meu trabalho no meu lar e gosto bastante pois me sinto conectada com a terra e com a natureza.
Existem outros com o mesmo trabalho que eu, pois o campo é grande e eu não daria conta se trabalhasse sozinha, minha irmã mary também trabalha no campo com o plantio e a colheita. Saio dos meus pensamentos e me aproximando do campo avistei duas crianças no qual eu fiquei responsável nesta manhã.
- Olá Ana e Thomás - eu disse tentando disfarçar o cansaço. Não consigo dormir direito quando o assunto é a celebração do shavuot, pois é uma das comemorações mais importante para nós.
- Tia annie - responderam em uníssono.
- Estão prontos para começar mais um dia de trabalho? - Olhando para eles parecem bastante animados, e admito que amo a plantação e admiro a mãe terra.
- Sim, tia, com a tia Mary eu aprendi sobre as sementes e já estou pronta para plantar novamente - Ana disse de uma forma meiga.
Percebi pela expressão do rosto de Thomás que o mesmo aparentemente não gosta da plantação.
- O que houve Thomás? Estou achando você meio triste.
- Não foi nada, tia Annie, mas eu prefiro o campo de treinamento, quando eu crescer serei um forte guerreiro. - disse animado.
Eu acreditava no seu potencial, pois com um bom treinamento com o restante dos guardiões, eu tinha fé e certeza que ele seria um bom guerreiro, e estaria pronto para defender as pessoas do paraíso de criaturas do mal.
Depois do nosso diálogo, levei as crianças para começar o trabalho, pois iríamos colher as frutas, verduras e legumes para a nossa celebração ao anoitecer. A pequena Ana colhia as maçãs alegremente enquanto falava com outra criança que não me recordava o nome.
O Thomás parecia bastante pensativo enquanto colhia as uvas com o pequeno Gui, Gui era uma criança de sete anos, chegou no paraíso com a missão de busca dos guardiões, já faz um ano disso e ele tinha o dom com os animais, uma coisa bastante bonita.
A caminho dos legumes avistei Mary e resolvi ir falar com a mesma.
- Mary!! Como é bom te ver minha irmã. - Não via a Mary havia dois dias, confesso que estava morrendo de saudades, ela também era a pessoa em que eu mais confiava nesse mundo, mesmo o mundo sendo esse paraíso.
Mary
A manhã foi bem cansativa, cuidar da parte da colheita é uma das tarefas mais trabalhosa, pois temos que ter cuidado desde o plantio até a colheita, pelo menos na minha opinião, mas a frente vejo aquela menina morena de cabelos castanhos longo vindo em minha direção, já estava com saudades.
- Mary!! Como é bom te ver - ela sempre esbanja felicidade, não importa a situação, a Annie é uma das pessoas mais alegre que conheci em toda minha existência.
- Annie, eu digo o mesmo para você. Aliás, como está o trabalho com os pequenos?
- Está tudo bem, a Ana parece gostar mesmo da parte das colheitas, já o Thomás prefere o campo de treinamento, ele disse que será um forte guerreiro.
- Eu acredito que ele realmente será. Ele tem uma capacidade enorme para se tornar um guerreiro e por ainda ser só uma criança tem bastante força para combate. - Isso era verdade, o pequeno Thom era muito forte para uma criança, era um menino selvagem logo quando chegou, mas ser criado na floresta era provável que isso acontecesse.
- Entendo. Mas e sobre hoje a noite, quem dos nossos irmãos irá voltar? Será apenas o Will, Daniel e João ou terá mais? - Perguntou Annie, às vezes ela era um pouco curiosa.
- Lucas e Alex também - respondi - Então Annie, ta chegando a hora de irmos para a refeição, chamarei os outros e você as crianças.
- Tudo bem, vou chamar eles.
Quando termino de chamar os adolescentes a Annie chega com as crianças e juntos todos vamos para a área de refeição. Hoje a fila estava pequena em comparação aos outros dias, creio que é por conta do shavuot, todos têm as suas obrigações tanto em dias normais quanto nas comemorações.
Mas para frente avisto a isobel que pelo visto não gosta muito do seu novo trabalho, os trabalhos não são fixos, exceto das colheitas, mas podem revisar caso o pai ache que você está a muito tempo trabalhando em uma área.
- Hey, isobel, que cara estranha é essa? - perguntei com cara de quem não quer nada.
- Eu só queria voltar à costura, o refeitório não é tão legal quanto a costura - Era a verdade, isobel sempre amou a costura e estar em um lugar que não é a sua área não é legal.
- Pense que é só por um curto período de tempo, isobel, até lá creio que você vai se acostumar.
- Que o pai te ouça Mary!
- Então já vou indo, ao anoitecer nos encontraremos novamente - disse me despedindo dela e a mesma apenas assentiu.
Assim que acabei a minha refeição, caminhei de volta para o meu dormitório para descansar um pouco, hoje a festa será uma das longas.
***
Enquanto alguns descansavam, outros trabalhavam para tudo sair de acordo com a vontade do pai.
Hora da festa
Annie
Ao anoitecer a festa já tinha começado, o lugar estava radiante como nunca havia visto antes, a frente avisto as meninas e vou a caminho delas.
- Mary, Isabel, vocês estão lindas como sempre - Era verdade, as meninas estavam arrasando.
- Obrigada Annie, você também está muito bonita! - Responderam juntas.
- Obrigada meninas - Falei envergonhada.
- Olha só, os meninos chegaram, vamos falar com eles - Disse Mary e eu apenas assenti.
Chegando perto de João percebi que também estava lá o Will e o Daniel o outro eu não conhecia.
- Annie, mary e isobel que saudade de vocês - Disse João
- Olá meninas- Falou will e daniel
- Meninas esse daqui é o Lucas, creio que a mary já conheça.- disse João
- Oi Lucas, é muito bom te ver de novo - Mary falou cumprimentando com a mão e dando um sorriso.
- Também é bom te ver mary.
- Prazer, Isobel, meu nome é Lucas.
- Prazer Lucas.
- Prazer em te conhecer, Annie.
Senti um grande arrepio quando o vi, e fiquei sem reação com aqueles olhos castanhos e o seu belo sorriso.
- O prazer é todo meu, Lucas. Espero que possamos ser bons irmãos de alma.
- Também espero, pelo visto, nos daremos bem.
Aproveitamos o resto da festa e com orgulho o pai anunciou a volta dos nossos irmãos, a festa durou até o amanhecer e no outro dia todos nós estávamos livres para aproveitar.
Me diverti bastante com os meus irmãos e confesso que o que estava sentindo pelo irmão Lucas era uma coisa nova e diferente do que eu já tinha sentido por qualquer outra pessoa do nosso lar, repreendo esse sentimento estranho, até porque seria algo impossível ter algum tipo de relação se não fosse apenas os laços de irmandade.
A caminho do meu dormitório avistei Lucas e João e os cumprimentei e segui adiante, quando percebi que o irmão Lucas está me acompanhando.
- Aconteceu algo com o Lucas? - Perguntei querendo matar a minha curiosidade.
- Não, apenas senti a necessidade de te acompanhar até o seu dormitório.
Apenas assenti e caminhamos, chegando no meu dormitório me despedi com um aceno e ele fez o mesmo. Como fomos dispensados do trabalho eu iria tirar o dia para dormir e descansar esses dias corridos.